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quinta-feira, 3 de setembro de 2020

A propósito de famílias

Numa altura em que me vejo cada vez mais rodeada por "famílias nucleares", longe de tudo e de todos, penso e repenso a sorte que tenho. Nasci numa família grande. Lá em casa éramos 4 mas ainda hoje tenho que pensar para saber quantos primos tenho ao todo (e não é porque só fale com eles no Natal). Tenho mesmo muitas memórias de mesas cheias e barulhos bons. É provável que os meus filhos não percam a conta aos primos, mas eles têm os avós e os tios por perto e, ainda melhor, têm o privilégio de ter uma "aldeia" a olhar por eles. 


Eu gosto do conceito de bairro, com todas as coisas que isso tem de bom. Gosto de conhecer a vizinha do lado, gosto de receber os pimentos que lhe sobram da colheita, gosto que os meus filhos sejam crianças "do lugar", gosto de me esquecer de qualquer coisa no café e a senhora saber que é meu. Gosto de ir à aldeia onde os meus pais cresceram e que até a senhora que está a pastar ovelhas (e que eu achava que não me conhecia) pergunta pela minha sobrinha. E outra que não deixa "o senhor dos doces" ir embora, porque sabia que eu estava por lá e queria saber se eu queria comprar doces "porque eu gosto". Gosto tanto desta familiaridade que não ligo muito aos pequenos problemas (como o excesso de "zelo" pela vida alheia ou o excesso de doces que o meu filho acaba por receber). Gosto que o meu filho saiba que tem "um quarto" na casa dos avós, dos tios e que comece a perceber que todos nós fazemos parte da educação dele - e que há regras diferentes nas várias casas. Gosto de todo o caos e toda a partilha dos almoços grandes. Gosto de sentir que vou acompanhar o crescimento dos meus sobrinhos bem de perto, que vou ter espaço deles na minha casa, e quero acreditar que eles vão perguntar por nós da mesma forma e na mesma frequência que o Duarte pergunta pelos tios. 

Depois há toda a sanidade dos momento sem filhos. Ter onde os deixar se quiser ter um bocadinho só para mim ou para nós. Deixar a porta aberta para ficarmos com os filhos "dos nossos". Ter lugares onde eles querem sempre ficar. Deixar que só entrem na escola aos 3 anos (e não, não concordo que seja minimamente importante para o crescimento deles ir mais cedo). E tanto mais.

É um privilégio. O privilégio que é crescer com os avós por perto. O privilégio que é quase não ter mesa suficiente para tanta gente. O privilégio que é poder fazer como me parece fazer mais sentido. O privilégio de nunca estar sozinho. 



segunda-feira, 13 de julho de 2020

Sinto que aquelas semanas do confinamento não foram apenas um monte de coisas más. Em jeito de disclaimer... Claro que não acredito na ideia (estúpida) de mensagens do Universo para que abrandemos e tenho consciência que este sentimento existe por... sorte. A verdade é que a quarentena chegou comigo de licença, por isso nunca passei pela fase "dois adultos a trabalhar e 2 crianças a chorar". Consegui, de algum forma, "partilhar" o confinamento com a minha família mais chegada e, no final das contas o mais importante: ninguém, até ao momento, ficou doente, perdeu emprego ou teve algum problema evidente como consequência direta disto tudo.

Adiante, dizia eu que vejo coisas boas. Não só o básico: passamos muitos dias fechados em casa, não nos chateamos (hum, houve um dia em que me passei moderadamente, mas acho que ficar fechada e a ver números e a ler artigos e notícias assustadoras não confere saúde mental a ninguém), não me senti mais stressada ou zangada com os miúdos (fora a depressão de ter ficado sem umas férias que aposto que iam ser espetaculares) e na verdade fizemos coisas mesmo muito porreiras. 

A minha preocupação inicial para "tornar isto tudo o mais normal possível" acabou por nos transmitir a todos uma normalidade boa que eu só confirmo agora, ao ver as fotografias daquelas semanas. Construímos um frasco com boas ideias para fazer em casa, jogamos mais jogos de tabuleiro do que nos últimos 3 anos, pintamos, cozinhamos muito, construimos uma horta na varanda, melhoramos divisões, compramos e lemos muitos livros (infantis), convertemos-nos a fraldas e guardanapos de pano, encomendamos de pequenos produtores, preparamos festas super exclusivas, construimos uma macaca no corredor (e ainda jogamos quando lá passamos), fizemos uma verdadeira praia em casa num dia de chuva, almoços na varanda e muitos piqueniques na sala. Nunca me senti sem ideias, o Duarte percebeu que o lugar dele não estava ameaçado pelo irmão bebé e nós percebemos que não queremos morar a vida toda numa casa sem jardim. Grandes planos e bons. Investigamos mais sobre sustentabilidade,  percebi que não tenho saudades de restaurantes (onde íamos muitas vezes), e poupamos mais.

Esta lista pode ainda ter mais pontos, mas hoje é disto que me lembro. Percebi que quero voltar a escrever por aqui porque me faz bem e porque gosto de me reler. Os dias a 4 fechados em casa já lá vão, e esta nova vida de teletrabalho tem sido cheia de descobertas boas. Mas isso... fica para outra história. 

quarta-feira, 10 de abril de 2019

2019

Este blog teve um único post em 2018. Não sei bem o que aconteceu para  ter desistido deste espaço e desta organização de ideias que as palavras me trazem. Em 2018 o meu trabalho ficou mais interessante, o Duarte entrou na escola, a minha avó morreu. Em 2018 corri 10km, estive em dois dos meus casamentos preferidos de sempre, fiz uma roadtrip muito fixe na Irlanda, dei um salto à Holanda e passei 15 dias longe dos meus rapazes (quase) do outro lado do mundo, nas Filipinas. Em 2018 aproximei-me mais dos meus primos, vi coisas novas e tirei os habituais milhares de fotografias.O Duarte começou a falar e com isso encostou definitivamente para canto as minhas preocupações com o desenvolvimento e os timmings do rapaz. Em 2018 trabalhei muito, li pouco e tentei afastar o telemóvel um bocadinho.

2019. Estamos em Abril, um dos meus meses preferidos. Sempre que olho para as fotografias que tiro percebo que Janeiro e Fevereiro são meses moderadamente deprimentes. Quase sem fotografias, sem passeios, sem dias diferentes. É inconsciente, não sei se a ressaca do Natal, se as doenças dos meses frios ou outra qualquer razão que nos faz tele-transportar para Março. Este ano o Carnaval (do qual eu nem sequer gosto) ficou muito mais interessante. Em Março já aproveitamos os dias mais bonitos e este Abril de Inverno promete ser um mês incrível. 

Em Abril, há uma viagem a 2 para o lado de lá do Atlântico, há mini-férias a 3 para matar as saudades, e há um monte de ideias para pôr em prática. Nos últimos meses temos investido mais na nossa casa, e gosto cada vez mais do nosso pequeno caixotezinho (mas também sonho cada vez mais com uma casa com espaço exterior). Este mês há uma cama para pintar, espelhos para pendurar e uma varanda para arranjar. Semeei com o Duarte algumas sementes e vê-las crescer foi uma sensação incrível (se bem que a maior parte teve depois que ser mudada para um pedaço de terra decente porque não sobrevive nos nossos pequenos vasos!). Mesmo assim, tenho a varanda mais gira do prédio. Experimentei fazer levedura e depois pão, com essa levedura e farinhas moídas em mó de pedra e posso garantir que o sabor deste pão é mil vezes melhor que qualquer pão de compra. Tenho tentado simplificar e comprar menos "tralha" mas continuo a perder-me no aliexpress de vez em quando e não tenho remorsos :). Ando com uma vontade de aprender qualquer coisa nova mas tenho o tempo livre planeado até ao limite. Se calhar... devia só parar para não pensar em nada.

Estamos em Abril, o Inverno acabou e eu aposto que 2019 vai ser um ano muito bom. 

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Socorro! Trocaram-me a personalidade!

 Socorro! Trocaram-me a personalidade!
 
Não sei o que se passa nos últimos tempos. Não sei se foi a maternidade, a responsabilidade, ou se afinal isto é que é crescer.

Vejamos.

Quem me conhece sabe que eu adoro coisas, que sou o oposto do minimalismo. Gosto de ter várias opções na hora de escolher a roupa, gosto de ver estantes cheias de livros, gosto de ter CDs e Discos físicos. Junto a isto o facto de ter grandes dificuldades em desfazer-me das coisas. Reconheço valor no vestido que levei ao casamento de uma pessoa especial mesmo que já não me fique lá muito bem. Guardo bilhetes e recordações mesmo que já mal se veja o que lá está escrito. Gosto de ver estantes cheias de livros e de ter livros em todas as divisões. Tenho uma série de materiais que só guardo porque há boas ideias para eles mas que sei que dificilmente os vou conseguir utilizar. Sou saudosista.

O problema é que, algures no tempo, o excesso de coisas começou a incomodar-me. Não me estou a tornar minimalista nem acho que é esse o meu caminho, mas percebo que não vale a pena guardar roupa que nunca me vai ficar bem, ter mais do que um par de calças velhas ou ter 4 consolas de jogos sem temo livre para eles. Então... decidi que ia experimentar colocar algumas coisas à venda no OLX. E porque estas coisas precisam de motivação, todo o dinheiro lucrado seria utilizado na mudança da sala. Já vendi muita tralha e tenho em espera outro tanto. No fim de semana dei uma volta aos armários, ainda há muito que pode sair mas para já despachamos 3 sacas cheias de roupa e calçado para dar, uma série de coisas que vão parar ao OLX e muitos kgs de lixo já está no ecoponto.

Mas há mais!

Eu, sostra de profissão, que sempre adorou ficar no sofá alapada a comer porcarias (yeah, grande imagem...) comentei há uns tempos que acho que o meu corpo andava a pedir para me mexer. Juntei a isto o convite de uma amiga e fui ao ginásio numa das horas de almoço "mas eu só vou experimentar, não sou de ginásio e este é muito caro". Pois, claro que sim. Saí de lá a sentir-me tão bem, voltei no dia seguinte, e mais um. E inscrevi-me. Eu, sostra de profissão, estou inscrita num ginásio e tem-me sabia pela vida.

E depois há o resto... Tenho comido mais fruta, tenho bebido mais água, optei por deixar a pílula (ou outras opções hormonais), continuo a amamentar, preferi um parto num hospital público, não gosto de excesso de redes sociais, vejo pouca televisão, converti-me aos transportes públicos e gosto mesmo de andar a pé... Não fosse a inscrição no ginásio pipi e diria que encarnei numa Hippie e nem reparei.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Por Um 2017 Cheio de Objetivos Cumpridos :)

Por Um 2017 Cheio de Objetivos Cumpridos :)

Não, não é uma lista qualquer. É a minha lista de intenções (o termo "resoluções" tem um peso um bocado grande...) para 2017.

Conseguir
  • Ler 6 livros (puericultura não conta). Incluir o Memorial do Convento na lista
  • Correr 5km seguidos
  • Começar a trabalhar cedo
  • Decorar a minha sala (subentende restaurar um móvel e pintar uma parede!)
  • Poupar mais
  • Não estar com o telemóvel à mesa nem quando estou a brincar com o Duarte
  • Imprimir um álbum de fotografias de 2016
  • Fazer uma parede de fotos para o corredor
  • Enviar Postais
  • Planear o Natal com tempo
  • Voltar aos transportes públicos
  • Voltar ao Pilates
  • Organizar o escritório
  • Passar um fim de semana só com o Tó
  • Aprender alguma coisa nova
  • Escrever aqui, no mínimo, semanalmente!

Experimentar
  • Andar de avião com o Duarte
  • Comida moçambicana
  • Escrever uma carta para mim (a ler daqui a uns anos)
  • Cozinhar com o Duarte
  • Visitar um sítio novo
  • Cortes de Vinil com a silhouette
  • Fazer uma página de um livro "sensorial"
  • Doar algo ao IPO

Deixar de....
  • Ser desorganizada.
  • Ter armários de roupa em estado VERGONHOSO
  • Abandonar as agendas antes do fim de Janeiro
  • Beber pouca água

Por agora... Todos os objectivos parecem possívels. E uma lista realista após o primeiro mês do ano parece ser muito promissor. :) 


Objetivos
Imagem Mr. Wonderful, disponível para download aqui

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Um brinde aos recomeços

Um brinde aos recomeços
Gosto de novos anos. Na verdade... Gosto de recomeços, cadernos vazios, esperança renovada, força de vontade. Tenho vários novos anos. O início de Janeiro, os meus anos, o início de Setembro.

Este Janeiro sinto-me particularmente motivada a pôr mãos na massa. Talvez o meu corpo se tenha habituado que nunca mais vai dormir noites 100% tranquilas. Talvez porque 2016 tenha sido um ano muito bom e por eu acreditar que 2017 será ainda melhor.

Sinto-me com os pulmões cheios de ar. Em 2016 quero melhorar hábitos poucos saudáveis, quero aprender e fazer coisas novas, quero melhorar a minha casa, ler e escrever mais, conhecer sítios novos. Tenho várias listas escritas com inteções (realistas) para este ano.

E depois... quero tudo o resto. O Tempo, o sacana do tempo e da vontade. Para continuar a conhecer o Duarte. Para brincar no chão, para passear. Para gerir noites mal dormidas. Para ouvir "mamamamamamamãs" vezes sem conta. Para ter paciência (muita paciência) para repetir "não" vezes sem fim. Para fingir criança. Para namorar os meus rapazes. Para muitos momentos a dois ou a três ou "a muitos".

2017 promete ser desafiante e trabalhoso mas... promete igualmente ser um ano bom. Venha ele. 

Feliz Ano novo.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Tic tac tic: faltam 120 minutos para a última semana de férias sem filhos*

A duas horas das últimas férias "grandes" a dois os meus planos resumem-se a:
  • dormir
  • namorar
  • dormir
  • cozinhar e comer
  • dormir
  • boiar 
  • dormir
  • caminhar um bocadinho
  • dormir
  • ler
  • dormir
  • ver alguns filmes/séries dos que exigem pouco cérebro
  • dormir
  • desligar o despertado e fingir que nem sei do que se trata
  • dormir
  • apanhar amoras
  • dormir
  • procurar constelações no céu
  • dormir
Parece-me bastante bem.

*eu continuo a achar que depois do bebé nascer vai ser possível algumas escapadelas  a dois (e espero que consiga soltar-me cedo!), mas as férias de Verão, essas... vão passar a ser "a muitos" por muito tempo. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Não era nada disto que devia ter escrito no post de regresso

Um fim de semana de loucos. Um semana de loucos vindas. Muitas semanas de loucos.

Sinto, por vezes, que estou sempre a correr contra o tempo. A lista de coisas para fazer não para de crescer e por muitos riscos que lhe faça nunca lhes vejo o fim. É o inglês, é o trabalho, são os miúdos e as explicações, são os blogues, é o tempo que quero passar com T. durante este mês que não tem aulas à noite, é a casa que não deve parecer um acampamento, é a gata, é a cadela, são os amigos que quero ver, são os emails a aguardar resposta há semanas (pedido de desculpas a caminho)...! Ufa. E tenho tanta ajuda. E nem sou maníaca por organização. E nem filhos tenho. E nem sequer sou obrigada a fazer a maior parte destas coisas, mas quero. E gosto.

O problema... é estar sempre a defender que com jeitinho há tempo para tudo. E há. Mas às vezes não basta o jeitinho, é preciso uma dose (mais do que valente) de calma e de organização e essa... por vezes falha. E a minha está a falhar e eu... começo a ter pequenos colapsos. 

Tenho que estabelecer ordem. Tenho que parar coisas. Tenho que decidir. 

Não era nada disto que devia ter escrito no post de regresso. Raios.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Não sou nómada, nasci para ficar.

"O que é que ainda aí estás a fazer?"- perguntou-me o meu pai.
E o meu pai talvez me tenha perguntado isto porque, infelizmente, sabe muito pouco de mim. O "aí" dele referia-se a Portugal e a pergunta vinha no desenvolvimento de uma conversa acerca de carreiras promissoras no estrangeiro, o quanto ela acha que eu me estou a desperdiçar por "aqui" e o Mundo de oportunidades que conhece em todo o lado, nomeadamente, no país para onde ele próprio emigrou há uns bons anos. O meu pai diz-se um cidadão do Mundo: já viveu em Inglaterra, na Nova Zelândia, em Nova Iorque e, agora, mudou-se de armas e bagagens para São Paulo. E acha que este país não me merece, que eu tenho tanto, imenso potencial, que sou boa demais para aqui viver. "Estares aí é dar pérolas a porcos"- diz-me.
Aqui tenho tudo o que preciso para ser feliz: a minha mãe à distância de 2 minutos de casa se precisar de um colo para chorar, a Marginal todos os dias quando regresso do trabalho, o mar como companheiro, o cozido à portuguesa aos domingos na casa da minha tia, a luz de um céu irrepetível (não se trata de calor, é a luz e eu sou uma pessoa muito dada a "foto-depressões"), o crescimento da minha prima, quase adulta, os rituais de sempre nos sítios que sempre me pertenceram, o pastel de nata de manhã no café do Sr. Augusto, os bolos de aniversário da Alves e Alves e os fins de semana de manhã a ir buscar bolos à Sacolinha, quinzenalmente aos domingos o mercado, os gelados do Santini enquanto desço a Rua Direita, um concerto do J. P. Simões à mão de semear, o passeio entre o Guincho e o Cabo da Roca em tardes de telha, o parar para comprar fruta da época não normalizada em vendedores ambulantes na berma da estrada e o pão com chouriço no caminho para a Ericeira.
Talvez peque por, aos olhos do meu pai, ser poucochinha e pouco exigente no que peço da vida. Claro que se passasse necessidades, se a minha qualidade mínima de vida estivesse comprometida, seria obrigada a partir. O que o meu pai não percebe é que eu não procure uma vida "melhor", desconhecendo ele que não aspiro a nada que me pudesse fazer tão mais feliz que compensasse a minha mudança de altitude e latitude.
"Não preciso de ter acesso a mais nada: sou eu que vivo no sítio para o qual tu poupas para vir passar férias. Tu desejas um travesseiro da Piriquita o ano todo, eu não salivo de cada vez que penso em algo que comi numa qualquer viagem que tenha feito. Posso ter memórias boas delas mas não salivo por um cupcake do Magnólia, onde está a minha amiga Eileen, nem sinto saudades que me façam o coração apertado por voltar a Vianden, perto do sítio onde mora a minha amiga Xana. Porque eu não tenho o coração biforcado entre o sítio onde pertenço e o sítio que escolhi. Porque eu escolho permanecer aqui, no sítio onde pertenço."- remato.
"O que é que ainda cá estou a fazer, pai?" Estou a ser feliz com o muito que tu achas pouco.
Não sou nómada, nasci para ficar.
 Polo Norte, no sempre bom Quadripolaridades

Falamos muitas vezes deste assunto. Seria tão fácil emigrar, seria tão simples ganhar muito bem. Chegamos sempre à conclusão que perderiamos mais do que ganhavamos. 

Adorava ter trabalhado num outro país. Por apostar mal, por me deixar ficar ou porque não quis na altura, não aconteceu. Gostava de ter ido um ano. Talvez dois. Por formação e experiência e depois... voltar a casa. Não aconteceu e não acredito que venha a acontecer. Foram as cartas que decidi jogar. 

Sinto-me uma felizarda por isto ser uma opção. Claro que podia ter uma casa maior, podia ter um carro melhor, podia ter uma conta com mais números. Mas isso são coisas, pequeninas. Tenho uma casa, tenho um emprego, gosto de gestão de orçamento. Se fosse não teria muito mais. Perdia o mar ao fundo da rua todos os dias, o amor da família aqui ao lado, mesmo ao lado. Não seria a nossa casa a que tem as portas abertas para todos os amigos, a que pode sempre receber cheia de mimo os que vivem por essa Europa, aquela em que cabe sempre mais um, muito dos quais que cresceram comigo ou me viram crescer. Não saberia onde comprar o melhor pão tigre a meio da noite, não teria peixe do "nosso mar" e o vinho do Porto passaria a ser um luxo. Não ouviria os golos da selecção a serem gritados no café em frente, não me perderia a olhar para o por-do-sol cheio de côr nem poderia ir durante a semana jogar cartas para o café, com os amigos "como antigamente". Não sentiria os cheiros de Santa Catarina, não me arrepiaria com as luzes nos Aliados e ninguém me trataria por menina. 

Não teria todos os dias, todas as horas, a sensação e certeza que estou em casa.

Não interessa quantas vezes voltamos a pensar neste hipoteses. Precisamos sempre de apenas uns segundos para perceber que é aqui que queremos estar.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Regresso

Há mais de um mês que não escrevo por aqui. Muita coisa aconteceu, não mudou nada de grande. Foi só preciso, uma vez mais, parar, re-estruturar, re-organizar. No torbilhão de coisas que quero fazer e gosto de fazer é difícil passar por aqui mais vezes mas estou com saudades de escrever, de conversar com vocês, desta forma de diálogo estranho que são os blogues. 

Tenho um monte de coisas pendentes (há coisa que não mudam!) e prazos que estão por cumprir. Apetece-me contar-vos uma quantidade enorme de notícias e historietas aleatórias. 

Lá em casa há puxadores novos na cozinha, cortinados na sala, armários organizados. As aulas de inglês estão mais difíceis, os meus explicandos têm altos e baixos, o curso do T. está a roubar-nos muitos minutos, a Cookie está finalmente uma gata mais fofinha, gostava de ter um cão mas não tenho vida para isso. A loja da Marta já abriu e eu estou tão orgulhosa de acompanhar este projecto. Gostava de ter menos o sono e não precisar tanto de dormir, gosto de ver a vida a correr, mas gosto lido bem quando vejo amigos cheios de momentos baixos. O Natal está a chegar e eu tenho mil ideias, fiz uma bolo de cenoura, a minha sobrinha-emprestada está linda, tenho saudades dos meus emigrantes que se vão espalhando pelo mundo e estão sempre a partir. Gosto muito do meu trabalho e das minhas rotinas. Continuo com uma lista enorme de projectos para ir fazendo e isso é tão bom.

Não quero voltar a parar. Gosto disto. Promete que mostro novidades em breve. Por agora... ouçam músicas giras. Uma versão gira do Lisboa Menina e Moça em homenagem ao Carlos do Carmo. A Carminho fez um dueto com a Marisa Monte.  A Luísa Sobral lançou um disco para crianças (e depois de o juntar à minha lista "gosto tanto" com o dos Clã, o dos Cabeças do Ar e do da Adriana Partimpim comprovo mais uma vez a minha idade mental pequenina!)

terça-feira, 9 de setembro de 2014

as palavras

Gostava muito de ter jeito com as palavras. 

Estou sempre a imaginar histórias e cenários, não me importo de falar em público, e fui até percebendo que tenho um excelente instinto para interpretação de textos, dentro das línguas que compreendo. Mas no que toca a consegui expressar-me... humpf. 

Há por aí gente a escrever tão bem. A conseguir explicar-se tão bem. Tantos textos "Era mesmo isto que eu queria dizer". 

Quando começo a escrever sou uma gaveta desarrumada. Sei o quero dizer mas não sei como escrever, não encontro. Pelo menos não de forma espontânea, natural, engraçada. Sei que o que escrevo é, no mínimo, rígido. E aborrecido.

Gostava tanto de conseguir transformar uma história simples numa coisa que fizesse alguém rir-se da minha potencial tontice do lado daí!

Sento-me ao teclado e tento. Depois aquilo que eu quero dizer multiplica-se e a meio do texto já lhe perdi a razão. (O problema também se aplica quando falo, mas aí é mais remediável).

Já apaguei metade deste texto por estar claramente a dispersar. 

Adiante. O problema está reconhecido e identificado. A ver vamos como o vou conseguir resolver.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Agosto '14

Agosto é sempre um mês cheio. 11 dias de Viagem Medieval em modo "extra trabalho". Muita gente, muita coisa, muitas horas sem dormir. Depois, é tempo de "fugir". E se não tenho a possibilidade fugir das férias no  no caótico mês da Agosto, posso sempre fugir da confusão. :)

Temos a sorte de poder assentar arraiais em Bragança sempre que quisermos. E se é verdade que de lá não se vê o mar, para quem o vê todos os dias... não faz falta. E perguntam-nos "mas... que raio é que se faz por lá?". Tanta coisa. Por lá há silêncio, calma, ar puro, fruta fresca nas árvores e amoras pelos caminhos. Há animais livres que não têm medo de gente. Há sol quente, há refeições grandes muitas delas ao ar livre. Há comida boa, muito boa! Há um Parque Natural enorme e muitas cidades, aldeias, rios e riachos perto para visitar e conhecer. Melhor: há espaço e tempo.

Ontem sentei-me a ver as fotos. Pelo meio decidi experimentar os videos da minha câmera e ontem acabei a criar este vídeo do meu Agosto. Salamanca, Bragança, Espinho e Santa Maria da Feira. Sem as partes chatas e sem muitas (MUITAS) partes boas, aqui estão alguns bocadinhos deste (não muito quente) Agosto.


Em espera está uma seleção de fotografias de alguns lugares que queria mostrar melhor. Sabiam que foi (provavelmente) em Bragança o casamento clandestino de Pedro e Inês? E que Colombo esteve em Salamanca para apresentar o projecto de viagem às Índias? :) Espero que o vídeo vos abra o apetite. 

Já vou na segunda semana de "realidade". As férias fizeram bem e sinto-me mais do que pronta a enfrente mais um ano (que se espera louco, pois claro). Setembro ainda nos trará 4 dias de férias a dois e depois sim, começa o tempo a correr à velocidade da luz. E eu... até já tenho saudades. :)

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Sonhos bons.

Por bons (e grandes!) motivos que um dia vos explico (!) tenho andado mais atenta ao blogue (às dicas e ideias) da Mayi Carles. Gosto das ideias, gosto da energia e gosto do bom humor! 

Hoje, em vez típico vídeo das sextas (perdeu-se!) a Mayi postou um conjuto de planos  e sonhos.

Comecei a ler e achei que me identificava com quase todos. Aliás, que os ponho muitas vezes na prática até! E que me fazem sempre bem. E que simplificam muito. E porque são ótimos para ver melhor "o lado bom da Força". E porque ler aqueles sonhos me fez ficar com um sorriso na cara!

Assim, decidi traduzi-los e adapta-los para aqui. Estão só os "meus" 10. No post original encontram mais. E até nos comentários  Divirtam-se. Bom Fim de Semana!
"Eu tenho um sonho... que todos re(comecem) a escrever cartas e postais. Cartas para os amigos. Postas de agradecimento. Postas de boas festas! A comunicação digital é útil. E fácil! Mas qualquer reconhece que existe uma grande diferença entre receber uma mensagem de alguém ou ter uma carta de um amigo no correio.

Eu tenho um sonho... que todos cozinhem do zero. Sem bolos pré-feitos. Sem caixas pré-preparadas. Brincar ao MasterChef. Testar receitas diferentes muitas vezes. Fazer almoços internacionais. E picnics. Celebrar pequenas e grandes coisas com jantares cheios de gente. Por uma razão específica ou sem qualquer razão.

Eu tenho um sonho... que todos comecem a revirar os guarda-roupas. Para encontrar um vestido diferente. Um que não faça parte da roupa do dia-a-dia. Um que as faça sentar maravilhosas. E lindas. E que se gaste alguns minutos a por um creme e um bocadinho de batom. E perfume. Oh la la! 

Eu tenho um sonho... que comecemos a percorrer as nossas casas de patins. Ou descalços. Ou com pantufas de macaquinhos. Renovar um divisão com alguma coisa diferente. Pintar paredes. Decorar com flores frescas do mercado municipal (ou do quinta da mãe!). É terapêutico.

Eu tenho um sonho... que as pessoas deixem de se levar tão a sério. E incluam nas suas listas "to-do" coisas como "dar um high five a um estranho" ou "inventar um  apertos de mão diferente".

Eu tenho um sonho... que todos comecem a criar "vision boards". Com recortes, e cores e palavras que lembrem quem eles são, o que eles querem, como se sentem. Os testemunhos favoritos para lembrar porque eles seguiram por ali. Qualquer coisa que as faça criar. Que as leve a coisas novas e... eleve o bom humor!

Eu tenho um sonho... que todos comecem a ver filmes de animação. E construam fortes com cobertores. E muitas cores. E muita música. E deixem de preocupar-se com coisas que não são problemas. 

Eu tenho um sonho... que todos comecem a usar pantufas fofinhas. Por conforto. Porque são quentinhas. Ou para não fazer barulho a caminhar no pavimento como... os ninjas.

Eu tenho um sonho... que todos comecem a fazer playlists. Para dançar no choveiro. Para momentos romance. Para dominar o mundo. Para quando estão triste. Para serem mais criativas. Para as lembrarem de quando eram crianças. Para qualquer ocasião imaginável.

Eu tenho um sonho... que todos troquem a lista de afazeres no fim de semana por mergulhos e sestas. Começar a dar mais do nosso tempo aos outros. Escapulir-se mais cedo à sexta-feira para mergulhos na piscina. Sorrir. Dizer bom dia a desconhecidos. "
Adaptação do post I Have a Dream, Mayi Carles

domingo, 24 de agosto de 2014

Dos últimos dias.

Namorar. Dormir. Sol. Calor. Panquecas. Calma. Sítios novos. Amoras silvestres. Tempo Livre. Jogos. Churrascos. Geocaching. Cookie. Bragança. Hortelã. Plantar. Cozinhar. Lagos. Cães e Gatos. Breaking Bad. Leitão. Saladas. Dominion. Salamanca. Voltar. Família. Livros. Muito Silêncio. Muito Barulho. Peixe. Sonhos. Caminhadas. Gelado de Oreo com compota de amora. Refeições Grandes e Boas. Fotografias. Água quente. Obras e planos. Conhecer. Gomas. Recordações. Filmes leves. Céu azul. Muita coisa, muito bom. 

15 dias depois voltamos a Casa. Voltei a sentir o cheiro que senti a primeira vez que cá entrei. Já n\ao conhecia o cheiro da nossa casa. E dormir aqui, na nossa cama. É tão bom voltar a casa.

Amanhã é dia de recomeçar a nossa rotina que nunca é, na verdade, rotina. A próxima semana está cheia de planos e de coisas para fazer. Muitas coisas boas!

Voltei. Voltamos. Cheios de força para o ano que aí vem. Prometo que depois vos falo deste Agosto. :)

sexta-feira, 11 de julho de 2014

but do it anyway

but do it anyway
 

Medo de falhar, medo de não ser capaz, medo de ser um risco desnecessário, medo de ter sido injusta, medo que não gostem do meu trabalho ou de alguma coisa que construí, medo de não conseguir. Tenho tantas vezes medo e... acho sempre que não devo, não posso, é parvo ter medo.

Hoje encontrei este texto. Eu tenho muitas vezes medo mas tenho tantas outras vezes coragem para o enfrentar. Agora que penso... é o medo que torna tudo tão bom.

Bom fim de semana!  

terça-feira, 8 de julho de 2014

Mexo e Remexo

Mexo e Remexo

Passo muitas horas da semana a pensar no que vou fazer no fim de semana. Passo algumas horas do fim de semana a pensar no que tenho que fazer durante a semana e... raios. Estou sempre ao contrário! :)
Com tudo isto, continuo a não conseguir encaixar o tempo suficiente para o blogue mas... aqui e acolá há sempre coisas novas prontas a aparecer com um dedinho meu (gosto tanto!!). No Domingo, decidi que era tempo de ter um logo bonito. "Adotei" uma coruja, escolhi uma palete de cores que cheiro a Verão e... aqui está ele. :) Prometo, prometo, prometo (!) novidades em breve.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Bom dia!

Bom dia!

Hoje, uma sexta-feira cheia de trabalho e expectativas, dou por mim distraída a imaginar-me por aí. 
Onde quero ir, onde quero voltar. Acho que... gostava de voltar a quase todos os sítios onde já fui. Cá dentro, lá fora. Sítio confusos ou calmos. Com frio ou com calor. Quero ver pessoas, quero correr ruas, quero ouvir outros sotaques ou línguas. 
Gostava de tanto de estar agora num mercado em Istambul ou em Londres. De voltar a subir à Torre Eiffel, de ver Praga coberta de neve, de me intrigar com Budapeste e com Barcelona. Gostava de voltar a ouvir o sotaque maravilhoso do Nordeste brasileiro, ver o verde da Escócia, entrar num pub irlandês. Mas também pode ser por cá! Sentir a areia fininha do Algarve, provar um petisco alentejano ou sentir a paz de Bragança.
Quero mesmo voltar a entrar num carro/autocarro/avião ou até posso ir a pé! Por enquanto... fico por aqui a sonhar'. :)

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Assim.

Ainda que me permita sonhar, olhando para trás concluo que pouco do que idealizei se concretizou. Enquanto estudante, talvez, imaginava que após o término da licenciatura e consequente mestrado iria lutar por um emprego estável no qual me iria manter largos anos com uma remuneração adequada. Com o fluir normal da idade, das experiências, dos novos conhecimentos, já com um pé de meia que bastasse, daria o passo da compra da minha primeira casa, do meu primeiro carro. Entrava, assim, meio em devaneio. Como se a vida fosse assim, tão literal, tão preto no branco, tão fácil e tão assente em regras impostas. Como se, na verdade, tudo obedecesse a uma lei em torno do que é material, como se fossem necessárias coisas, objectos, para preencher vazios. Percebi então que há planos que podem ser traçados, pelos quais se pode e deve lutar, outros, pelo contrário, não obedecem a uma ordem ou boa vontade. Percebi que um emprego estável, ainda que obrigatório, é difícil de alcançar e que, após tantas experiências, desempenhar funções em algo que se gosta verdadeiramente é uma dádiva pela qual agradeço. Percebi que a paciência é rainha em cena e que o mérito, ainda que árduo de definir, ainda pode ser recompensado. Afinal, a moradia com a qual sonhei é facilmente substituível por um apartamento T3 nos arredores da cidade. Entendi que até o mais pequeno cantinho se pode transformar em palácio com bom gosto e pormenores que fazem a diferença. Já o carro que se encontra estacionado na garagem, com trabalho árduo é uma bênção e com certeza que os futuros filhos não necessitam de se pavonear num topo de gama. Apercebo-me, com o passar do tempo, que ainda que tenha vontade de comprar mil e um trapos contidos nas colecções da estação, ainda que me morda para adquirir mais livros para decorar as estantes, ainda assim, constato que tudo isto que consegui atingir, ainda que um pouco ao lado dos sonhos cor-de-rosa de outrora, é demasiado efémero comparado com o amor que tenho ao meu lado. Mesmo contendo uma vontade inimaginável de conhecer mais o mundo, de manter acessos certos luxos que pesam no orçamento mensal, sou capaz de respirar fundo e sorrir. A uns meros anos dos trinta, considero-me uma afortunada: consigo visualizar um futuro. E isto, só por si, é mais do que suficiente. Revelo-me uma pessoa simples, nada mais.

Sim, permito-me sonhar. Agora a dois.
palavras  da Ana, que podiam ser minhas (se eu soubesse escrever assim).

segunda-feira, 2 de junho de 2014

10 Planos para o Verão

10 Planos para o Verão
 Imagem via Etsy - Evelyn Henson


O céu está azul, voltei às sapatilhas de pano e sinto o cheirinho do Verão (vamos ignorar as previsões de chuva a curto prazo ok?). Não interessa a lista interminável de coisas que tenho para fazer até Junho. Interessa pensar com o Verão, com sardinhas e pimentos assados, dias enormes, coca-colas geladas e pés na areia.

Enquanto não posso pôr as coisas em prática, sonho facilmente com coisas para fazer nos próximos tempos:

1. Descansar. Namorar. Descansar. Namorar. Descansar. Namorar. Descansar. Falta pouco mais de um mês para o fim das aulas do T. Pouco mais de 2 semanas para as férias do meu explicando. Uma semana para o meu exame de inglês. Ufa. :)

2. Adormecer na praia. Descer a rua, estender a toalha, fechar os olhos. Ouvir as vozes ao perto e o barulho do mar ao longe. Adoro estar na praia sozinha assim.

3. Ler. 5 livros antes de Outubro. No Verão, baixo o ritmo subo o tempo livre. Há mais de um mês que não leio nada que não esteja relacionado com trabalho e  a estante a gritar por atenção. E... nem sequer é uma meta surreal. :)

4. Limonada. Groselha. Gelados de Fruta.

5. Encher paredes. Tenho os discos cheios de fotografias, uma pasta cheia de ilustrações que gostava de imprimir e algumas coisas já prontas a emoldura. Quero mais côr naquelas minhas paredes brancas.

6. Refeições ao Ar Livre. É tão bom, tão fácil e tão simples.

7. Caminhadas, corridas e sei lá o que mais. Chega de desculpas de frio e calor.

8. Fotografar TODOS os dias. Filmar alguns. O desafio #100happydays ficou meio adormecido e precisa de ser acordado. Além disso, não há dias mais bonitos e cheio de luz que os de Verão por isso, há que por mãos à obra. E se possível no final, conseguir ter ainda um mini filme das férias... perfeito! :)

9. Pintar a mesa da sala. Ainda não sei é como.

10. Montar os dois puzzles "estranhos" que lá tenho em casa (prometo que depois mostro). :)

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Falham-me as horas nos dias.

Desde que me lembro de ser gente que gosto de ocupar o tempo. Fazer coisas. Muitas e boas. Entre estudos, jogos, música, leituras, alguns desportos, grupos de tudo e mais alguma coisa, cursos, mini-cursos e "auto-cursos" e sabe-se lá o que mais fui inventando.

Nos últimos 20 anos já fiz muita coisa. Já aprendi muitas coisas, conheci muita gente, descobri muitas coisas que gosto e algumas que nem vale a pena voltar a tentar. Gostava de dizer que aprendi a gerir muito bem os meus níveis de paciência quanto a parvoíce alheia mas esse... é um work in progress com clara margem de progressão. Adiante.

Algures em Setembro do ano passado, recebemos lá em casa uma excelente notícia: o T. ia voltar à faculdade. Que bom! Um passo importante para ele, para nós... muitas horas sozinha para mim. E eu não sou miúda de tempos mortos e rapidamente comecei a arranjar coisas para fazer. O exame de inglês que andava a adiar há tanto tempo tinha que ser feito antes do Verão. Decidi dedicar-me mais a esta coisa de desenhar blogues que tanto gosto. Comprei um curso online. Passei a ter uma aula por semana de Pilates e outra de Ballet para adultos. Ajudei uns amigos a ensaiar uma peça de teatro. Quis correr. Aceitei um explicando com muitos problemas para resolver. E, claro, continuei a ter uma casa e uma vida para organizar e manter confortável, amigos para ver, trabalhos do T. para ajudar.

E tudo isto trouxe-me um problema que eu ainda não tinha tido até ao momento: gerir horários para coisas sem metas pré-estabelecidas. O inglês tem aulas marcadas e as viagens de comboio para estudo. O Ballet e o Pilates também têm um horário fixo. As explicações são flexíveis mas semanais. O teatro tem o tempo para ensaios. As tarefas rotineiras da casa tornam-se incontornáveis passados poucos dias. E isto dos blogues de que eu gosto tanto? Quem me pediu e confiou em mim para o design do blogue deu-me todo o tempo que eu precisasse e eu fui deixando isso para terceiro, quarto, décimo plano.

Gerir o tempo que me sobra tornou-se difícil. Convenci-me algumas vezes que no dia x já não dava mais e eu precisava era mesmo de parar um bocadinho. Outras vezes nem me apercebi do que lhe aconteceu. Ao tempo, o meu tempo.

Senti que falhei. Os blogues alinhavados estiveram demasiado tempo parados. Demorei dias a responder a emails. E se do outro lado recebi sempre respostas simpáticas "tem calma, fazes no tempo que der", do lado de cá não gostei. Eu iria compreender estando do lado de lá, mas... não ia ficar impressionadíssima com o trabalho. E eu gosto de fazer tudo bem. O melhor que sei ou que me é possível no momento.

A frustração foi crescendo. Durante a semana passada consegui finalmente fazer listas de afazeres para os vários projetos paralelos. Ontem risquei muitos, adicionei outros tantos. Acho que finalmente posso apregoar que apanhei o fio à meada. Espero não o soltar.

Pelo meio fiquei a admirar mesmo esta capacidade de motivação e organização que vejo em algumas pessoas que gerem o dia completo! Trabalhar em casa, com os horários construídos é difícil, muito difícil mas... não tinha sequer percebido o quanto.

Adiante. Espero que seja desta que estas ideias saiem da gaveta, que este blogue acorde e que comecem a nascer projectos novos. E hoje... se correr tudo bem, há blogue com cara nova na rede! :)
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