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19 de abril de 2017

Bakewell Tart


Acompanho o desafio "Sweet World" desde que nasceu pelas mãos da Lia, do blogue "Lemon and Vanilla" e da Susana, do blogue "Basta Cheio" (e que vos garanto que merecem uma visita), mas esta é a primeira vez que participo. Tenho sempre a desculpa de que preciso cortar nos doces, mas desta vez, com uma tarte tão apropriada à época, deixei-me de queixumes que a mesa de Páscoa quer-se doce e bonita.
Então, a proposta para este desafio era fazer uma "Bakewell Tart", uma tarte com uma camada de doce de framboesa e outra de recheio de amêndoa. A sua história está tão bem contada pela Susana, que me dispenso de a contar aqui e convido-vos a passar pelo "Basta Cheio" para a conhecerem. Também podem ler mais aqui.
Para a minha tarte baseei-me um pouco nas receitas da Susana e da Lia: optei pela massa folhada (a preferida dos meus comensais) tal como a Lia e para o recheio segui de perto a receita da Susana, reduzindo substancialmente a manteiga no recheio. O resultado final? Uma tarte com uma base estaladiça e um recheio húmido, num contraste delicioso entre a amêndoa e o doce de framboesa.   


Ingredientes:
1 embalagem de massa folhada
150 gr. de amêndoa ralada
150 gr. de açúcar amarelo
50 gr. de manteiga à temperatura ambiente
2 colheres de sopa de farinha peneirada
2 ovos
1 colher de chá de licor de amêndoa
4 colheres de sopa de doce de framboesa
Doce de alperce para a cobertura (ou "geleia gelatina")
Amêndoa laminada para polvilhar

Preparação:
Forre uma forma de tarte de fundo amovível com papel vegetal e de seguida coloque a massa folhada. Pique o fundo da massa com um garfo e refrigere durante cerca de 30 minutos.
Ligue o forno a 190º já com um tabuleiro lá dentro.
Corte o excesso de massa nas bordas da forma e  cubra com papel vegetal e encha com feijões ou qualquer leguminosa ou bolinhas de cerâmica. Leve a forma ao forno e deixe cozer durante 12 a 15 minutos. Findo este tempo, retire a forma do forno, retire o papel vegetal e o enchimento e volte a levar a forma ao forno, baixando a temperatura para 180º, por mais 12 a 15 minutos, até a massa estar dourada e estaladiça.
Retire a forma do forno e deixe arrefecer sobre uma grade e prepare o recheio:
Coloque o açúcar e a manteiga numa taça e bata durante cerca de 5 minutos até obter um creme aveludado.
Junte os ovos 1 a 1, deixando incorporar bem entre cada adição, e o licor de amêndoa.
Finalmente, envolva a amêndoa e a farinha.
Espalhe o doce de framboesa na base da tarte e com cuidado verta a massa sobre o doce e alise bem.
Espalhe as amêndoas laminadas por cima do recheio e leve a cozer durante 35 a 40 minutos, até estar firme e dourada.
Retire do forno e pincele a superfície com o doce de alperce derretido com uma colher de sopa de água ou com a "geleia gelatina".
Deixe arrefecer sobre uma grelha, desenforme e sirva fria.

3 de abril de 2015

Anho de festa



Na minha mesa de Páscoa, normalmente é servido o cabrito no forno com o seu arroz de miúdos, mas às vezes trocamos o cabrito pelo borrego ou pelo anho, embora o primeiro continue a ser o favorito, pelo seu sabor e pelo facto de não ter tanta gordura, mas não deixa de ser uma opção pelo seu preço mais convidativo e porque consegue também fazer uma refeição muito saborosa (mas não repitam muitas vezes, ok?)

Ingredientes:
1/4 de anho (parte traseira)
1 laranja
2 limões
Água q.b.
4 dentes de alho
2 folhas de louro
Alecrim fresco a gosto
1 colher de chá de colorau
1 copo de vinho branco
1 cebola
1 cenoura
Sal q.b.
Azeite q.b.



Preparação:
Lave o anho e coloque-o num alguidar coberto com água fria e rodelas de 2 limões e 1 laranja. Deixe repousar pelo menos durante uma tarde (na véspera de o cozinhar).
No dia seguinte retire o anho da água e seque-o. Retire algumas das gorduras em excesso.
Num almofariz faça uma pasta com os alhos picados, as folhas de louro e de alecrim, o colorou e um pouco de azeite.
Barre todos o anho com esta pasta e deixe-o apurar os sabores durante 1 hora. Regue com o vinho e deixe marinar de um dia para o outro (no dia seguinte de manhã, vire-o e deixe ficar assim até à hora de cozinhar).
Descasque  a cebola e a cenoura e corte-as às rodelas. Cubra o fundo de um tabuleiro de forno com elas, polvilhe com um pouco de sal e regue com um fio de azeite.
Com uma faca afiada faça uns golpes na capa do borrego e pouse-o no tabuleiro com essa capa virada para cima. Polvilhe com sal a gosto e regue com um fio pequeno de azeite e a marinada.
Leve a assar em forno pré-aquecido a 220º durante 20 minutos e reduza a temperatura para 180º até assar, regando de vez em quando com os líquidos que largar.
Acompanhe com arroz e grelos salteados.

1 de abril de 2015

Folar de carnes


Para esta edição do "Dia 1 na cozinha", as suas mentoras desafiam-nos a apresentar um folar de Páscoa. Doce ou salgado, mais ou menos típico, ou não. Ora, eu andava ansiosa por fazer um folar de carnes e com o ovo, que não mais que simboliza o renascer, sentimento este que é também o mote desta festa religiosa. 
Acabei por escolher seguir uma receita da revista "Bimby - Momentos de Partilha", embora lhe tenha dado outra aparência. A escolha revelou-se ser uma boa escolha, já que a massa ficou fantástica. Substituí parte da farinha de trigo comum por farinha de kamut, o que lhe deu uma cor mais rústica, só revelei alguma "azelhice" ao colocar o ovo, que acabou por se afundar na massa levedada.   

O que não conhecia era a história do "folar" que a Aida Filipa, a Isabel Fernandes e a Isabel Figueiredo Patricio  nos deram a conhecer e que tomo a liberdade de a transcrever aqui:


"Reza a lenda que, algures em Portugal, vivia Mariana, moça cuja única aspiração era casar. Com as suas rezas a Santa Catarina logo lhe acudiram dois pretendentes: um jovem fidalgo e um pobre lavrador. Depois do auxílio divino, Mariana escolheu o pobre lavrador.
Na véspera do Domingo de Páscoa, porém, orava ainda atormentada com a ideia de que o fidalgo apareceria no dia do matrimónio para executar o seu noivo e por isso, no dia de Páscoa, levou uma coroa de flores ao altar de Santa Catarina pedindo clemência. Chegada a casa tinha um bolo com ovos inteiros, rodeado com as flores que havia posto no altar naquela manhã. Mais tarde, descobrira que também o jovem fidalgo e o pobre lavrador o tinham recebido. Obra de Santa Catarina, segundo ela, como forma de acabar com as disputas."
Este bolo chamava-se "folore" e tornou-se no simbolo de paz e reconciliação, exaltando "a amizade entre amigos, familiares e vizinhos reunidos à mesa em tempo Pascal".



Boa Páscoa!!

(Fonte: Bimby Momentos de Partilha - Abril 2014)
Ingredientes:
100 ml de água
50 gr. de manteiga à temperatura ambiente
50 gr. de açúcar
20 ml de azeite
1 cubo de fermento de padeiro fresco
160 gr. de farinha de trigo T55
150 gr. de farinha de Kamut (MyProtein)
2 ovos
1/2 colher de chá de sal
Paio, chourição e presunto a gosto



Preparação:
Coza 1 dos ovos e reserve.
No copo da Bimby coloque a água, o azeite, a manteiga, o açúcar e o fermento e programe 2 minutos/37º/vel. 1.
Junte as farinhas, o ovo restante e o sal e amasse 2 min/vel. espiga.
Transfira a massa para uma taça, cubra com um pano e deixe levedar por 50 minutos num local morno ou até a massa dobrar de volume.
Unte o fundo de uma forma redonda com azeite ou óleo, cubra com uma rodela de papel vegetal e unte o papel. Reserve.
Estenda amassa em forma de rectângulo numa superfície enfarinhada, reservado cerca de 50 gr. para enfeitar no fim.
Espalhe as carnes pela massa, mesmo até ás extremidades do lado mais curto. Enrole como se fosse uma torta e feche em circulo. Transfira para a forma.
Coloque o ovo no centro do folar e enfeite com rolinhos da massa que reservou.
Pincele com uma gema de ovo batida (ou com leite, mas fica menos brilhante).
Deixe descansar por 15 minutos e leve a assar por 40 minutos em forno pré aquecido a 200º.






29 de abril de 2011

Folar de Páscoa



Depois do pão-de-ló e do bolo-rainha do Natal, faltava experimentar, para a Páscoa, o folar. Esta foi a primeiríssima vez que o folar entrou na nossa casa na Páscoa, já que nunca foi tradição de família dar ou receber ou sequer levá-lo à mesa da Páscoa. Para primeira experiência ficou saboroso, mas um pouco seco a pedir mais abundância de manteiga, açúcar e mel no recheio. Nada, no entanto, que me incomodasse e logo eu que sou daquelas fãs de massas, a começar pelo pão, mesmo simples, sem recheios e acrescentos. Fez as minhas delícias, fatiado, para matar a fome a meio da tarde e mesmo que o recheio não fosse do agrado de todos, não faltou imaginação para lhe dar novos sabores (como a que pedir: podias fazer um recheado com...).
A receita que segui foi a da Margarida do blogue "Figo Lampo" simplesmente por não conseguir resistir ao formato do folar. O meu ficou bonito na versão mini, mas na versão normal as rosas ficaram demasiado grandes e ao levedar tombaram para o espaço que deixei entre elas. Felizes erros de principiante que facilmente se corrigem e nos ajudam a aperfeiçoar técnicas. Fica aqui a receita com a massa preparada na máquina de fazer pão.

Ingredientes:
Para a massa:
560 gr. de farinha sem fermento
25 gr de fermento fresco
Sumo de 1 laranja
75ml de leite morno
35 gr. de banha derretida (substituí por azeite)
85 gr. de manteiga derretida
1/2 cálice de aguardente
3 colheres de sopa de açúcar
1 colher de chá de canela
1 colher de chá de erva-doce em pó (não usei)
1 ovo pequeno
1 pitada de sal

Para o recheio:
Manteiga derretida, mel, açúcar amarelo e canela em pó tudo q.b.

Preparação:
Coloque a farinha e o sal na cuba da máquina e abra uma cavidade no meio.
Desfaça o fermento no leite e despeje na cavidade.
Junte os restantes ingredientes.
Inicie o programa amassar e deixe seguir até concluir.
Retire a massa para uma superfície enfarinhada e divida-a em 10 porções idênticas.
Com o rolo estique um pedaço até obter um rectângulo bem fino (a largura do rectângulo vai determinar a altura do folar, se for muito largo as "rosas" poderão descair durante a levedação como aconteceu com o meu). Pincele com manteiga derretida, polvilhe com bastante açúcar e a canela em pó e regue com uma colher de sopa cheia de mel. Enrole a tira pelo lado mais estreito.
Proceda de igual modo com as restantes tiras.
Forre uma forma redonda com papel vegetal untado com manteiga e disponha as rosas começando pelo centro e deixando algum espaço entre elas para que possam crescer na segunda levedação (pus uma no centro e as demais à volta, tendo usado apenas nove das rosas. A décima fez o folar miniatura).
Tape com um pano e deixe levedar até dobrar de volume. Pode usar o forno pré-aquecido a 50º para acelerar o processo.
Coloque algumas nozes de manteiga sobre as rosas, polvilhe com açúcar amarelo e canela em pó e leve a cozer em forno pré-aquecido a 190º durante 30 a 40 minutos (no meu forno 180º durante 30 minutos foram suficientes). Se a meio da cozedura verificar que começa a queimar cubra o folar com papel de alumínio.
Deixe arrefecer e desenforme.

21 de abril de 2011

Antestreia de Páscoa: Borrego assado


Com a Páscoa à porta, onde na refeição familiar não falta o cabrito, não resisti a uma ante-estreia. Este é um almoço de Domingo a sério. Um almoço de assado apurado, tostado e crocante. Daqueles que enchem a casa de um aroma morno que se liberta do forno, lembrando que é dia de descanso. Dia em que podemos tratar do almoço com toda a calma e de saborear o que servimos à mesa. Boa Páscoa!

Ingredientes:
1/4 de borrego
3 laranjas
Vinho branco q.b.
Louro q.b.
Alhos q.b.
1 cebola
Sal q.b.
Azeite q.b.

Preparação:
Limpe o borrego das gorduras excessivas e coloque-o num alguidar coberto de água . Corte as laranjas em rodelas e deite-as no mesmo alguidar. Pode espremer o sumo para a água se quiser.
Deixe repousar assim de um dia para o outro ou umas largas horas (deixei ficar cerca de 6 horas).
Despeje a água, seque o borrego e volte a colocá-lo no alguidar.
Tempere-o com sal, louro e alhos esmagados. Regue com bastante vinho branco. Quase a cobrir toda a carne. Pode juntar rodelas laranjas  (mesmo as que utilizou anteriormente) e alguma erva aromática de sua preferência, alecrim, por exemplo.
Deixe o borrego nesta marinada durante uma noite, pelo menos.
Retire a carne da marinada.
Coe a marinada e reserve.
Numa assadeira grande coloque a cebola cortada em meias luas grossas.
Pouse sobre a cebola o borrego com a capa de gordura voltada para cima. Tempere de sal e faça pequenas incisões com uma faca afiada nessa gordura, enterrando em cada uma delas 1/2 dente de alho e uma folha pequena de louro (ou de alecrim, se tiver).
Regue com a marinada e um fio de azeite.
Leve a assar em forno pré-aquecido a 220º até alourar e depois reduza para 190º, até assar.
Acrescente água ou vinho caso o molho reduza muito e vá regando a carne com o molho que liberta.
Este borrego com sabor a Páscoa, acompanhou com batata assada e arroz de forno.

5 de abril de 2010

Páscoa pelo Douro


O Douro é um pequeno fascinio que tenho desde pequenina. A imagem do rio passando de mansinho entre as margens de Gaia e Porto, reflectindo a imagem da Ponte D. Luís e da Ponte da Arrábida e o casario das Ribeiras é uma imagem que trago comigo de raiz. Quis o destino que a minha vida profissional acabasse por me ligar ainda mais à paisagem duriense e a descoberta de outras margens do Douro intensificou esse fascinio. 
Que me desculpe quem habita as margens de outros rios, que serão bonitos com certeza, não lhes diminuo a beleza e bem que até os admiro,  mas o Douro, para mim, é de uma beleza sem igual. E se bem que goste de passear pelo nosso Portugal, descobrindo e redescobrindo os seus recantos, sempre que posso dou uma escapadela ao Douro. 
Foi o que fiz este fim-de-semana prolongado. Com vontade e necessidade de parar um pouco da correria de todos os dias e sem força para viajar para muito longe, fiz as malas e parti.

Primeiro dia de Viagem. Sexta-feira Santa. Rumo à A4, saindo em Amarante e percorrendo a EN 101 espera-nos a primeira paragem: Mesão Frio. Está frio e ora chove, ora faz sol. Em Mesão Frio é dia de feira. Vamos lá espreitar. Há muito tempo que não vou à feira, embora tenha perto a dos Carvalhos todas as quartas-feiras. Baratissimo o morango e o kiwi, regressasse nesse dia a casa e levaria o carro carregadinho. Demos uma voltinha pela vila, pelas suas ruas estreitinhas e casas brancas de varandas de ferro forjado.
Estamos na hora de almoço, a fome começa a apertar, mas aguentamos mais um bocadinho. Vamos voltar à  estrada. Curva após curva o Douro acompanha-nos o trajecto. As amendoeiras surgem dispersas já cobertas de flor, fazendo lembrar flocos de neve. Vamos parar na Régua para comer qualquer coisa. Sempre tive a ideia que para comer bem na Régua é preciso pagar caro e de facto mais uma vez se confirmou: num restaurante pequenino, que estava quase cheio, escolhemos a dourada na brasa com batata a murro. Como nos foi dito que a dourada era de tamanho jeitoso e bastante para duas pessoas pedimos apenas um prato. Bom...saiu-nos uma dourada para o pequeno e magrinha que não sei se foi à brasa, mas que de certeza foi à sertã e a batata ressequida (peço a quem passar por aqui e conheça bem a Régua que me diga onde se pode comer bem e a preços acessiveis). Valeu-nos um pastelinho conventual no Café do Cais.
Voltamos à estrada. Temos uma visita a fazer em Gestaçô que nos vai ocupar parte da tarde.
Acabamos o dia a jantar um Bacalhau à Borges na Pensão Borges em Baião.
Segundo dia de viagem. Sábado. Fazemo-nos à estrada depois do pequeno-almoço. Primeira paragem: Ribadouro, no concelho de Baião, onde, no Cais da Pala, o Douro mostra toda a sua masjestade numa imponente curva ladeada de socalcos e arvoredo. Casas e solares pendurados pelas margens do rio. Laranjeiras sem fim. O sol vai dando um ar da sua graça, mas depressa se mostra timido.

O plano de viagem incluía uma visita à Fundação de Eça de Queirós em Tormes, Santa Cruz do Douro, freguesia de Baião. Seguimos pela EN 108 em direcção à Régua até encontrarmos a placa identificativa da Fundação. Uma estrada empedrada leva-nos até ao edificio principal. A casa em pedra acolhe-nos calorosa. O edificio está em muito bem conservado. Passando a entrada um páteo abre-se: do lado esquerdo a capela. Em frente a casa. As visitas são guiadas e depressa estamos a entrar na vida de Eça de Queirós e também no imaginário que lhe guiou a caneta de aparo em "A Cidade e as Serras". Esta é uma visita que aconselho vivamente. Ficamos a conhecer pormenores interessantíssimos da vida de Eça de Queirós e passamos a ter uma vontade quase incontrolável de ler ou reler  o romance que esta casa inspirou. Para a próxima, com melhor tempo, ficará uma visita aos jardins. A Fundação também tem uma casa para turismo e promove os "Almoços Queirosianos" para grupos de 15 pessoas ou mais.
Encantados com esta visita, descemos novamente a Ribadouro. Vamos almoçar a um local já conhecido: a Estalagem de Porto Antigo onde optamos por um salmão grelhado com arroz de ervilhas de quebrar e um leite creme à sobremesa.

Mais uma partida em direcção a Resende. Muito do que queremos ver fica perdido entre parcas indicações na estrada quase resumidas a uma placa indicativa no inicio do percurso (e outra no fim do percurso, em sentido inverso, deixando a amargura de termos perdido algo pelo caminho entre uma ponta e outra), mas não faz mal: também não queremos ver tudo num dia só. Há que deixar alguma coisa para descobrir mais tarde. Ficamo-nos pela Praia Fluvial da Lagariça antes de irmos em busca de outro tesouro, desta feita, gastronómico: as Cavacas de Resende.

De regresso a Porto Antigo, onde vamos pernoitar, ainda passamos pelo centro de Cinfães. Só para ver. Está frio e começa a chover forte com granizo. Vamos recolher ao quente da estalagem. À noite uma refeição ligeira, uma canja de galinha e uma salada aconchega-nos o estômago para uma boa noite sono.

Terceiro e ultimo dia de Viagem. Domingo de Páscoa. O rio está coberto de neblina. Voltamos a Gestaçô para nos despedirmos de um casal amigo. À medida que vamos subindo a encosta, a neblina vai ficando para trás e o céu abre-se num azul esplendoroso. Por todo lado os foguetes anunciam a passagem do Compasso. As familias reunem-se à porta de casa esperando o anúncio da Ressurreição que chega a pé, debaixo do sol, por estradas ermas e ingremes. Depois do almoço de Páscoa, irão ao café da vila antes da despedida. Uns ficam na terra e os outros regressam à cidade ou a outras terras... até para o ano. 
Quanto a nós não dispensamos o anho assado com batatinha e arroz de forno. O regresso a casa é sempre bom. Chegamos mais ricos e cansados da viagem, mas é um cansaço bom...um cansaço que descansa.

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