Mostrar mensagens com a etiqueta gazebo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta gazebo. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, novembro 22, 2011

Fora do Baralho (ou a entrevista imaginária da Blitz)

A revista Blitz tem uma rubrica chamada "Fora do Baralho", na qual uma celebridade é entrevistada. É um daqueles esquemas de questionátio fixo, de edição para edição, variando apenas o entrevistado. Já que eles não se decidem a entrevistar-me – aviso já que a minha paciência se está a esgotar – decidi adiantar-me. Assim, podem vir aqui ao blogue tirar as respostas e poupam uns trocos no telefone. Algumas perguntas foram adaptadas à identidade deste blogue, que é sobre a música dos anos 80, como já devem ter reparado. Aqui vai disto:

Qual foi o disco dos anos 80 que o deixou assombrado?

Com cinco minutos para pensar, poderia apontar assim uns cinquenta LPs que marcaram a minha vida, mas como quero dar um ar espontâneo à coisa, atiro com Baby, The Stars Shine Bright, dos Everything But The Girl. É simplesmente um disco lindo. Como se não bastasse a voz aveludada da minha querida Tracey Thorn, este disco conta com uma coisa que eu adoro nos disco pop, que são as orquestrações. 10 pontos em 10.

Com que músico não desdenharia trocar de pele?
Já disse por várias vezes, em conversas de amigos, em tertúlias poéticas, em autocarros apinhados de gente, e até mesmo no confessionário, ao senhor padre, que, numa próxima reencarnação, gostava de ser o Bryan Ferry. As pessoas normalmente ficam espantadas e retorquem (do verbo retorquir): "mas tu, com esse charme todo, essa cultura inigualável, essa beleza estonteante, essa simpatia inebriante, para que queres ser tu outro, seu tolo?". Eu faço aquele sorriso modesto que me é tão peculiar e respondo: "para conhecer as miúdas do teledisco do Kiss and Tell".

Que concerto se arrepende mais de não ter visto?

Muito provavelmente o dos Pixies no Coliseu do Porto, na primeira vez que vieram a Portugal, em início dos anos 90. Lembro-me de ter um exame no dia seguinte e ter decidido ficar em casa a estudar (a falta de dinheiro também teve o seu peso, é certo). A minha mãezinha ficou muito orgulhosa de mim e eu quero acreditar que esse passo foi decisivo para que eu terminasse o curso. Quero mesmo acreditar nisso!


Que disco dos anos 80 não consegue apagar do seu leitor de mp3?
A resposta podia ser semelhante à da primeira pergunta, mas agora, só para variar, escolho o Live in the Hothouse, dos The Sound. Este disco está provavelmente entre os três melhores discos ao vivo dos anos 80 (os outros dois são o Under a Blood Red Sky, dos U2, e o 101, dos Depeche Mode). É um registo que reúne toda a genialidade, presença e capacidade de nos emocionar de que só Adrian Borland era capaz. Funciona como um todo perfeito, este álbum.


Que músicos dos anos 80 já o desiludiram?
Acho que os U2 acabaram por me cansar (sim, chamem-me herege!), após terem atingido a perfeição com a trilogia The Unforgettable Fire, The Joshua Tree e Achtung Baby. Não quer dizer que tenham deixado de compor boas músicas, mas perderam aquele rasgo que fazia deles verdadeiramente especiais.

Consegue associar músicas a momentos ou pessoas da sua vida?

Claro que sim. Por exemplo, sempre que ouço I Like Chopin, de Gazebo, ou Souvenir, dos Orchestral Manoeuvres in the Dark, consigo viajar mentalmente até a um tempo de infância despreocupada, inocente e feliz, o tempo dos meus 10, 11, 12 anos, cuja única preocupação era saber se no dia seguinte ia conseguir finalmente completar o cubo mágico (nunca cheguei a conseguir) ou ganhar mais um jogo de futebol no pátio da minha escola (ganhei muitos). Outro exemplo são os Echo & the Bunnymen ou os The Smiths, que me fazem sempre lembrar da primeira vez que me dirigi a uma loja de discos e saí de lá com alguns debaixo do braço (descansem, que foram pagos). Fui com a minha irmã, dividimos o dinheiro, cada um comprou aquilo de que mais gostava, e foi um dia muito feliz.


Que música dos anos 80 não consegue ouvir?

Tenho alguns odiozinhos de estimação. Exemplos? Dirty Diana (Michael Jackson), In The Air Tonight (Phil Collins) ou Live Is Life (Opus). É de perder a esperança na humanidade!

domingo, fevereiro 26, 2006

Novo teledisco: GAZEBO - I Like Chopin



I Like Chopin é uma música incontornável aqui no QA80. O texto sobre Gazebo foi um dos primeiros a serem escritos aqui e por isso ocupa um lugar especial neste blogue. Decidi, por isso, colocar o respectivo teledisco à vossa disposição. Amor, traição, ciúme, crime: todos os ingredientes de uma história trágica num ambiente aristocrático. E no fim Paul Mazzolini vai preso. Não há justiça.

quarta-feira, novembro 19, 2003

GAZEBO

Rainy days / Never say goodbye to desire / When we are together



Gazebo é Paul Mazzolini. E pensavam vocês que era um grupo. Nasceu em Beirute (Líbano), em 1960, e é filho de um diplomata italiano e de uma cantora americana. Foi figura de proa do Italo-Disco, movimento musical italiano dos anos 80 que invadiu as pistas de dança, produzindo, na maior parte dos casos, canções de duvidosa qualidade assim a atirar para os carrinhos-de-choque (Exemplos: Scotch, Miko Mission, Den Harrow, Spagna, Silver Pozzoli).
Paul correu os quatro cantos do mundo, aprendeu guitarra clássica em Paris, interessou-se, em Londres, pelo movimento punk, mas foi em Itália que construiu uma carreira dedicada à música electrónica de dança (tal como 1.739.567 outros artistas daquela altura).
Na companhia do seu braço-direito, Pier Luigi Giombini (compositor), iniciou a sua aventura musical com o single Masterpiece, de que não há registo na minha memória. Parece que foi um grande sucesso em Itália em 1982. Alguém tem? Mandem-me um e-mail.
É com a magnífica canção I Like Chopin, que fez parte do álbum homónimo de estreia, que Gazebo atinje o estatuto de super-star. Arrasou a concorrência em Itália e em mais 15 países (Portugal incluído), onde ocupou o 1º lugar dos tops de vendas. Venderam-se cerca de 8 milhões de singles em todo o mundo. É obra.
O segundo álbum, Telephone Mama (1984), marcou uma mudança de estilo na música de Gazebo, mas isso agora já não interessa nada (obrigado, TG).
Na década de 90 Paul Mazzolini criou o seu império musical, criando duas empresas através das quais pôde controlar toda a sua carreira, desde a gravação à distribuição.
Em 2000 saiu o duplo CD de compilação dos seus grandes êxitos, Portrait & Viewpoint.

Gazebo na primeira pessoa:

"Gosto de karting e já corri Fórmula 3. Mas também gosto da natureza e de dar passeios pelo bosque (confidência: Levo sempre comigo o gravador de mini-disc, pois há tantos sons bonitos na floresta!)"

Podia-lhe dar para pior.



Não queria encerrar este assunto sem esclarecer uma questão importantíssima. Mas afinal o que quer dizer GAZEBO??? Segundo os dicionários da Porto Editora, Gazebo é belveder, mirante, varanda ou janela saliente. Agora, o que levou Paul Mazzolini a escolher esta designação artística já não sei!