25.7.12
Ouvi o texto muito ao longe
25.11.11
Outono ' 71
26.5.09
Sérgio Godinho
Disseram-me um dia Rita põe-te em guarda
aviso-te, a vida é dura põe-te em guarda
cerra os dois punhos e andou põe-te em guarda
eu disse adeus à desdita
e lancei mãos à aventura
e ainda aqui está quem falou
Galguei caminhos de ferro (põe-te em guarda)
palmilhei ruas à fome (põe-te em guarda)
dormi em bancos à chuva (põe-te em guarda)
e a solidão não erre
se ao chamá-la o seu nome
me vai que nem uma luva
Andei com homens de faca (põe-te em guarda)
vivi com homens safados (põe-te em guarda)
morei com homens de briga (põe-te em guarda)
uns acabaram de maca
e outros ainda mais deitados
o coveiro que o diga
O coveiro que o diga
quantas vezes se apoiou na enxada
e o coração que o conte
quantas vezes já bateu p´ra nada
E um dia de tanto andar (põe-te em guarda)
eu vi-me exausta e exangue (põe-te em guarda)
entre um berço e um caixão (põe-te em guarda)
mas quem tratou de me amar
soube estancar o meu sangue
e soube erguer-me do chão
Veio a fama e veio a glória (põe-te em guarda)
passaram-me de ombro em ombro (põe-te em guarda)
encheram-me de flores o quarto (põe-te em guarda)
mas é sempre a mesma história
depois do primeiro assombro
logo o corpo fica farto
3.9.07
Primeiro dia
Sérgio Godinho esteve ontem na Feira da Luz em Montemor-O-Novo.
Hoje será a vez de Pedro Abrunhosa. Numa festa onde há um pouco de tudo: concursos de mel e desporto aventura, concurso de ovinos merino preto precoce ou de bovinos de raça charolesa e torneios de malha, concursos de rafeiros do Alentejo e concursos de pesca à linha, hipismo (nunca vi tantos puros lusitanos juntos!) e cicloturismo, largadas de touros e novilhadas, teatro e exposições ("em Lino gravura sobre a história “A Maior Flor do Mundo” – de José Saramago"; "brinquedos que atravessam o tempo"), oficina de crianças, carrósseis, insufláveis, tiro ao alvo, algodão doce, e uma feira de agrícola (gado, tractores, manjedouras...) e de artesanato. Mas isto não é tudo..., comem-se as melhores costeletas do mundo no restaurante Importante!
Depois do ameno Allgarve, soube bem este banho de lusas tradições!
24.5.07
Às vezes o amor
"As cidades onde marcavam encontros furtivos, o mapa que iam traçando, ponto por ponto, no corpo e na memória, e incluía bares, hotéis, aeroportos, cadeiras do Jardim do Luxemburgo, o início do Tiergarten, o relógio do Bahnhof Zoo, horários, mesas de café, altifalantes, lojas, impressos, chegadas e partidas, filas de trânsito onde táxis avançavam penosamente sob a chuva.
Incluía todas as cidades possíveis, excepto a deles, que se tinham tornado opacas, porque as tinham colocado provisoriamente no parêntesis da vida. Ignoravam-nas no tempo intermédio, e só se sentiam vivos a caminho de outras. (...)
Se o amor acabesse, pensaram saindo do taxi com as malas e partilhando ainda o mesmo guarda-chuva antes de partirem para destinos diferentes, se o amor acabasse, todas as cidades se tornariam ilegíveis."
A Mulher que Prendeu a Chuva, in: Cidades, pp 105-106
Sudoeste Editora, 2007
FNAC NORTESHOPPING
19 de Maio, Sábado, 21:30
FNAC COLOMBO - LISBOA
29 de Maio, Terça-feira, 18:30