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terça-feira, 31 de julho de 2012

O seu filho é uma boa pessoa!

Hoje estou de voluntário aqui nos bombeiros e aproveito as horas mortas para completar o curso de e-learning que estou a fazer e para ver os meus emails- Enquanto passava por mensagens já algo antigas, revi uma que tinha guardado para ler mais tarde. É sobre um excerto de um livro. Fiquei com vontade de o ler...

Conhecem o Dr Carlos Gonzalez? Já me tinham falado dele em diversas ocasiões, mas nunca li o livro dele. Partilharam comigo um excerto do livro “Besame Mucho” do Dr. Carlos González. Adorei e vou agora partilhar convosco. Depois digam lá que ele não tem uma perspetiva interessante do crescimento, dos afetos e da relação mãe-bebé?

"O seu filho é uma boa pessoa
... de facto, não sei para que serviria ter filhos, se não pudéssemos confiar neles.
CHARLES DICKENS, Nicholas Nickleby
Muitos especialistas, provavelmente bem-intencionados, falam-nos dos problemas comportamentais das crianças. Existem problemas de alimentação, problemas de sono, ciúmes, violência, egoísmo... Toda a gente nos fala dos problemas dos nossos filhos, como detectá-los, como preveni-los ou como solucioná-los, de como nos «manipulam» e a razão por que é preciso estabelecer limites. Ninguém nos lembra que os nossos filhos são boas pessoas. E são-no. Têm forçosamente de o ser. Nenhuma espécie animal poderia sobreviver se os seus indivíduos não nascessem com a capacidade de adquirir o comportamento normal dos adultos e com a tendência para o fazer. Não é necessário muito esforço para ensinar um leão a comer carne e uma andorinha a voar para África. O que é difícil, o que requer métodos de educação absolutamente aberrantes, seria conseguir um leão vegetariano e uma andorinha que não emigrasse. A imensa maioria dos recém-nascidos, quando criados adequadamente (isto é, com amor, respeito e contacto físico), serão crianças normais e, mais tarde, adultos normais. O ser humano é um animal social e, por isso, a capacidade para amar e ser amado, respeitar e ser respeitado, ajudar os outros e obter ajuda dos outros membros do grupo, compreender e respeitar normas sociais (em resumo, ser uma boa pessoa) são aspectos normais da nossa personalidade. A educação esmerada, a religião ou a lei podem dar-nos outras coisas; mas não são imprescindíveis para se conseguir ser uma boa pessoa. Os nossos antepassados, sem dúvida, já eram boas pessoas quando viviam em grutas, do mesmo modo que as galinhas são «boas galinhas» sem necessidade de escola ou de polícia.

E alguém arisca comentar?

sábado, 31 de dezembro de 2011

Balanço 2011 - parte 2

Gravidez - de algumas amigas - este ano de 2012 vão nascer mais alguns bebés que serão notícia neste blogue. Foi um tema aqui falado, em posts relacionados por exemplo com a vinculação mãe bebé ou com problemas com o cordão umbilical.

Histórias - as minhas e as dos outros. Umas felizes outras tristes. As histórias que fizeram notícia e que foram importantes para este blogue.

Irmã - a minha que se revelou uma das pessoas mais importantes da minha vida.

Jogos - e festas infantis, pinturas faciais e muitas novidades no blogue mardopirata.blogspot.com.

Livros - li "A epidemia" de Robin Cook, "O negociador" de Frederick Forsyth, "O vendedor de sonhos" de Augusto Cury, "Precious, a força de uma mulher" de Saphire...entre outros que marcaram este ano. Podem ver os resumos em eraumaeoutravez.blogspot.com.

Maternidade - ser mãe serviu para que eu aprendesse muita coisa e fez-me ver a vida com outros olhos. Os meus sonhos mudaram e a minha vida passou a ser pensada sempre em função do meu filho.

Martim - o meu tesouro.

Novidades - o anúncio do casamento da minha irmã - Março de 2012.

O meu bebé - tornou-se uma constante neste blogue, tornando-se o seu tema mais central.

Paulo - a pessoa que tem a paciência suficiente para me aturar! Um pai maravilhoso.

Quero - saúde para mim e para a minha família; dinheiro suficiente para dar uma boa vida ao meu filho, com aquilo que ele precisa e que nada de importante lhe falte. Quero ter forças para levar os meus sonhos avante e conseguir mudar de vida neste novo ano.

Ritmos - de samba, no Carnaval. Máscaras para recordar. A primeira fantasia do meu bebé e a sua nova paixão: a bateria que era do pai e tudo onde possa bater e fazer barulho!

Sofia - a minha sobrinha mais linda!

Trabalho - tive momentos complicados, 2011 começou mal em termos de trabalho, desiludi-me muito, mas felizmente está a acabar um pouco melhor. Para o ano espero que as coisas evoluam favoravelmente.

Ultimo - dia do ano, últimos desejos: quando comer as passas logo à noite sei bem o que vou pedir; quando se concretizar vocês saberão o que eu pedir. Vai depender muito do meu trabalho, empenho e de muita sorte.

Vinculação - existe em cada olhar, cada festa que o Martim me faz, até nas dentadas que me dá em vez de beijos (pois os beijinhos dele são sempre cheios de baba e com dentes à mistura), na hora da maminha, nos abraços...

Xau - até para o ano... e já só falta o Z! Este post já está a ficar muito extenso... mas é sentido sabem?

Zé - da Mota, o meu pai, Fernando, o meu tio... e tantas pessoas importantes para mim durante este ano que agora termina e a quem eu aqui deixo um beijo e desejos de boas entradas em 2012!

domingo, 20 de novembro de 2011

Coração de mãe...

... apertadinho, apertadinho, uma noite mal dormida, sempre a pensar em ti!
Ontem jantamos na avó e como hoje cedinho tinha de te ir lá levar o piratinha, ficou logo lá a dormir. Dei-lhe o banhinho, a maminha e fui eu que o deitei a dormir. Depois vim embora. Ele ficou bem e de certeza que quem sentiu mais a separação até fui eu... mas que querem? Fiquei assim com o coração pequenino a noite toda!

Ele está a crescer, essa é que é a verdade, mesmo que para mim seja sempre o mesmo bebé.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A melodia das primeiras palavras

"O aparecimento da linguagem é entendido como um dos principais sinais de que a criança comunica de forma satisfatória com o mundo que a rodeia e de que o seu desenvolvimento intelectual se está a fazer de forma harmoniosa."(1)
Lembra-se quando sentiu o primeiro pontápé? O seu bebé ainda estava dentro da sua barriga, mas mesmo que o movimento tenha sido involuntário, você sentiu-o! O seu bebé estava ali, era real e sentir os seus movimentos era uma forma de comunicarem! Muito antes das primeiras palavras, o bebé já conversa com a mãe. O seu primeiro olhar é para ela e a ternura desse momento marcará notoriamente os dois. Mais tarde, dará o primeiro sorriso verdadeiro.

"Ainda que comecem a falar por volta dos 12 meses, a linguagem começa a desenvolver-se muito antes, praticamente desde o nascimento."(2)

Ao longo dos primeiros meses de vida, ouvirá as conversas e os sons que o rodeiam e começará a compreendê-los muito antes de ser capaz de verbalizar. As primeiras palavras só mais tarde de farão ouvir, mas entretanto o bebé conversará ainda muito com os seus papás, de outra maneira: uma forma de comunicação tanto visual como sonora, mas mais importante que tudo, uma comunicação baseada na vinculação que se foi estabelecendo.

Os brinquedos adequados para os primeiros meses de vida, são os sonoros: músicas suaves, sons de animais, canções de embalar... as histórias e os livros são também importantes, pois proporcionam momentos de partilha mãe/pai/bebé e de uma aprendizagem muito importante para o bebé: o contato com a cadência e melodia daquela que vai ser a sua língua materna.

Bibliografia:
(1) OOM, Paulo, "As primeiras palavras", Pais e Filhos, Julho de 2006;
(2) "Já disse mamã! As suas primeiras palavras", Bebé d'Hoje, Fevereiro de 2011;

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Meu docinho

O meu docinho faz amanhã um ano!

Tão grande o meu bebé! Há um ano atrás, estava aqui na minha barriga a preparar-se para uma viagem única. Foi uma noite de pouco sono, em que tal como hoje o papá também estava a trabalhar.

Eu aventurei-me a fazer um bolinho para ele levar amanhã para lanchar com os amiguinhos na ama. Um simples bolo de iogurte que é para ele também poder comer à vontade! (Isto se o bolo sair alguma coisa de jeito!)

E hoje quando o fui buscar à ama não queria vir! Agarrou-se a ela com unhas e dentes- quando lá cheguei estava repimpado a comer uvas, quem lhe dá comida dá-lhe tudo - e depois agarrou-se à mãe de outra menina e vai de birra para não vir para o meu colo! Eu dizia-lhe adeus e ele acenava e agarrava-se ao pescoço dela. Nada de querer vir para mim!

Veio o caminho todo a chorar até casa! Raio do miúdo, que já não gosta de ser contrariado!

terça-feira, 19 de julho de 2011

Mistério da vida

Transporta a vida. Pouco se sabe ao certo de como funciona este cordão mágico que liga mãe e filho, fisicamente. Esta estrutura que liga o feto à placenta é uma via de comunicação entre o bebé e a mãe.

O cordão umbilical "é constituído por três canais (vasos sanguíneos) - duas artérias e uma veia - envolvidos por uma espécie de substância gelatinosa - geleia de Wharton."(1) Forma-se por volta da 5ª semana de gestação. E sabiam que quanto mais activo for o feto, maior será o cordão? Pode ter entre os 35 e os 70 cm!

Quando a fase do parto termina, o bebé é colocado sobre a mãe e o cordão é cortado. O vínculo físico entre os dois é cortado, mas não termina. Uma nova fase começa agora, mas o vínculo emocional já vem do ventre.


Bibliografia:

(1)-FERREIRA, José Carlos, "O cordão que dá vida", Pais e Filhos, Outubro de 2005;

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Mais sobre boas noites...

... e não só. Como já tinha dito no post anterior, muitas vezes a hora de adormecer o bebé, pode ser um problema que alguns pais vivem diariamente e que os pode deixar "à beira de um ataque de nervos!"

"Por vezes é possível ver que a criança está a combater o sono – esfrega os olhos, boceja repetidamente e perde o controlo perante a mínima frustração. Outras vezes poderá parecer completamente desperta, até mesmo hiperactiva, mas isso pode ser outra forma de manifestar a exaustão. O que acontece aqui é a versão infantil do lema "há tanto para fazer, e temos tão pouco tempo"; passa-se tanta coisa à sua volta – o pai está na sala a ver o correio, os animais andam a correr pela casa e a mãe entra e sai de todas as divisões – ele só quer participar em toda esta acção. Além disso, à semelhança de todas as crianças da sua idade, o seu filho está a começar a compreender que é uma pessoa separada da mãe e que tem personalidade própria, e por isso quer afirmar a sua independência. Recusar-se a ir para a cama à noite é uma das formas que encontra para afirmar a sua capacidade de controlo."(1)

Nunca é demais relembrar, que o bebé aprende através da rotina e dos hábitos que esta cria. Esta rotina é favorecedora de normas que o bebé se vai habituando a seguir. Por outro lado, saber o que o espera ajuda-o também a sentir-se seguro.

"A melhor lição que lhe pode ensinar é como se acalmar sozinho até adormecer. Siga uma rotina de deitar (banho, livros e cama, por exemplo), para que ele saiba o que se espera dele e aquilo que o espera à noite. Pode dizer-lhe que, se ele ficar na cama, voltará daí a cinco minutos para ver se ele está bem. Faça-o sentir-se seguro e saber que estará sempre por perto."(1)
E para aqueles que já são um bocadinho mais crescidos e que tendem a testar ainda mais os limites...

"Apresente opções aceitáveis à hora de dormir. Por esta altura, o seu filho está a começar a testar os limites da sua independência recém-descoberta. Para ajudá-lo a sentir que tem controlo, sempre que possível, deixe que faça as suas próprias escolhas à hora de dormir, desde a história que quer ouvir ao pijama que quer vestir. O truque é oferecer apenas duas ou três alternativas e assegurar que todas são satisfatórias para si. Por exemplo, não pergunte "Queres ir para a cama agora?" Ele podia responder que não, o que não é aceitável. Em vez disso, tente "Queres ir para a cama agora ou daqui a cinco minutos?" Dá assim sempre a hipótese de escolher mas ganha sempre a contenda, independentemente da resposta."(1)

Ou não fossem eles os maiores ditadores lá de casa...


Bibliografia:

(1) - http://familia.sapo.pt/johnson/dos_12_aos_36_meses/o_sono_do_bebe/824316.html

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Dorme bem bebé!

Quando nasce, o bebé altera as rotinas dos papás e existe uma adaptação constante de ambos, pais e bebé. Este fica junto dos papás, seja para facilitar na hora das mamadas, seja porque aquele quarto é mais quentinho, ou porque "assim dá mais jeito", ou então porque os pais assim querem e pronto. (O meu dorme no nosso quarto ainda, mas na cama dele - e não gosta de dormir connosco).

Mais tarde, a preocupação dos pais passa por colocar o bebé a dormir no seu quarto e é aqui que muitas vezes os problemas de adaptação começam a acentuar-se.

A adaptação do bebé à sua nova cama pode passar por diferentes fases. Primeiro consideramos os intervalos das mamadas. O bebé acorda para mamar e, terminando a refeição, regressa novamente para a cama, sem chorar? Ou pelo contrário, necessita adormecer na mama e acorda quando é colocado na cama, tendo de voltar para a mama?

Estes ciclos tornam-se cansativos particularmente para as mães, que muitas vezes acabam por ceder e deixar o bebé a dormir na sua cama, junto dos pais. Ora esta situação nem sempre está errada, se se der o caso de ser uma opção dos pais, mas quando esta ocorre por cansaço e por dificuldade do bebé adormecer "longe" da mãe, o problema passa a ser outro. Segundo alguns estudos, dormir com os pais, na mesma cama ou no mesmo quarto, não tem porque ser um factor de perda da capacidade de autonomia e auto-regulação dos ciclos de sono do bebé. Mas pode passar, noutros casos a ser uma dificuldade quando se tenta alterar a rotina. Voltamos ao choro do bebé: acudir cedo é meio caminho andado para o bebé se sentir em segurança. Ora com o bebé no mesmo quarto, acudir a esse choro torna-se mais fácil, senão mais rápido. Mas não tem porque ser um problema quando o bebé está noutra divisão: se bem adaptado, ele saberá que se precisar dos pais, eles acudirão ao seu choro. Mas também aprenderá desde cedo a entreter-se sozinho com um brinquedo, a observar as luzes que se projetam no tecto ou a ouvir a sua música de embalar favorita, sabendo que os pais estão "perto".

A criação de "regras" - que não são mais que hábitos - influenciam pelo lado positivo o desenvolvimento de autonomia nos mais pequeninos, criando bases válidas e importantes para um crescimento saudável.

Qaundo é que o bebé deve passar para o quarto dele? Quando os pais acharem necessário, quando acharem que ele está mais "independente", quando o bebé dorme toda a noite, quando deixa de acordar para mamar.. enfim, por várias razões, desde que os pais assim o entendam. Não se deve é, na minha opinião, impor esta mudança se, até aí, se cedeu sempre a deixar o bebé adormecer ao colo ou n acama dos pais, porque "custa ouvir chorar". E aqui para nós... eles são manhosos e sabem como nos fazer ceder... desde o primeiro dia. Esqueceram-se foi de nos entregar o livro de instruções quando eles nascem.

Outra fase, surge quando o bebé já consegue ficar toda a noite no seu quarto - e podemos depois mais tarde trocar experiências e dar dicas para facilitar essa adaptação - mas, por um motivo qualquer (por exemplo, doença) o pequenino volta a precisar de uma atenção redobrada e volta a acordar durante a noite. Pode ser uma situação passageira ou não. Depende da forma como a adaptação já estava estabelecida e como os pais lidam com a questão. Não há soluções infalíveis e não há detentores da verdade, pois cada mãe e cada filho são únicos e têm relações estabelecidas de vinculação que são sempre diferentes.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Objectos de transição

Os bebés entre os 6 e os 8 meses começam a sentir a ausência dos pais e isso gera-lhes sentimentos de insegurança e ansiedade. É por esta altura os bebés começam a apegar-se a um objecto (uma mantinha, um peluche, uma fralda de pano,etc.) e que o usa em situações de desconforto tais como a ausência dos pais, o começar a frequentar a creche, ou mesmo quando se sentem doentes. Não há nada de errado com isto: afinal de contas, este objecto vai ajudar a criança a consolar-se e a sentir-se mais forte a enfrentar os desafios diários.

Este objecto é transicional porque representa um conforto para a criança, que se apega principalmente durante momentos de angústia, medo ou tristeza. Essa relação de apego é manifestada durante o primeiro ano de vida, fruto da relação que a criança criou com a mãe desde o útero. A separação desta, quando ela tem de regressar ao emprego, pode ser um corte muitas vezes brusco, abalando os pilares relacionais da criança. A mãe deixa de estar sempre ali, disponível. Falta-lhe o seu toque, ouvir a sua voz e sentir o seu cheiro quando mama ou quando está no colo. Se esta vinculação é tão importante, a separação faz parte também do crescimento da criança e deve ser encarada de frente. É como se aquela fraldinha ou cobertor fosse uma extensão do colo da mãe que fica com a criança quando ela está longe. Particularmente, é o cheiro e o toque que fazem deste um objecto tão especial e por isso as crianças não gostam que eles sejam substituídos e nem tão pouco lavados.

A criança pode escolher o objecto por conta própria, mas no geral, essa ligação é estimulada pelo pai ou pela mãe, que criam o hábito de deixar um ursinho ou uma fralda com o filho antes de eles saírem para o trabalho, por exemplo. Mais tarde, a criança carregará esse brinquedo (ou outro que tenha escolhido) para onde for. É com este ursinho ou fraldinha que ela conversa, desabafa e exercita o seu próprio imaginário. É uma relação saudável, pois ajuda a criança a sair de uma fase para outra de maneira segura e confortável.

Não há uma idade certa para que a criança se desligue do objecto de transição. Para algumas, isso acontece por volta dos 3 anos de idade e para outras, mais tarde, por volta dos 5 anos. Tal como com a chucha, ou o hábito de chuchar no dedo, largar esse mesmo hábito será mais fácil se a criança estiver preparada emocional e psicologicamente para tal. É preciso em primeiro lugar observar a criança no seu dia-a-dia, na relação com os outros, ouvi-la e conversar com ela. Acima de tudo, mostrar-se disponível e ter tempo para ela, para que a separação do seu objecto não seja vivida de forma negativa e dramática. Errado chamar-lhe de "bebé" ou obrigá-la a dar o objecto a alguém ou a colocá-lo no lixo. Seria um trauma muito grande para a criança e não faria de certo a sua função.

sábado, 4 de dezembro de 2010

O bebé e os seus papás - vinculação e comunicação

Ao observar o meu bebé crescer tenho reparado na simplicidade com que ele, que pouco mais de 50 cm tem, consegue dominar a minha vida e a do pai. Ele é um poço de sabedoria que usa todas as suas artimanhas para nos levar a fazer o que quer. E nós, simplesmente, fazemos.

Há 150 anos, pela mão de Freud, aventurámo-nos à procura do inconsciente," descobrindo muita coisa até aí secreta. "Hoje a investigação científica (...) propõe-nos «regredir» e voltar ao princípio, ir ao fundo de nós mesmos (...) e como se desenvolve o feto desde a concepção até ao nascimento," através de métodos como as ecografias, os ultra-sons, as fotografias e os filmes realizados no interior do ventre humano.(1)

Diversos autores têm vindo a defender ao longo dos anos que os bebés não são, afinal, tábuas rasas nem folhas em branco: "o que é espantoso (...) é verificar a quantidade de coisas que aquele minúsculo pedaço de vida já sabe."(1)

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O método Cangurú

Baseia-se no conceito pele com pele. É utilizado no Reino Unido, na Suécia e em Espanha, no acompanhamento de bebés prematuros, mas começou na década de 70 na Colômbia, devido à "massificação dos hospitais com uma elevada taxa de natalidade", o que "obrigava a que os bebés prematuros tivessem de dividir a encubadora, o que aumentava consideravelmente o risco de contrair infecções."(1)

A solução encontrada era enviar os bebés prematuros para casa com as mães, criando-se uma espécie de faixa "que permitia o contacto pele com pele, entre o bebé e a mãe" o que conduziu à diminuição da mortalidade dos prematuros. "Além disso, o crescimento e o amadurecimento do recém-nascido era mais rápido e a taxa de infecções era menor."(1)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Mãe sente, bebé reage

Como é que as nossas acções e as emoções que sentimos, são sentidas pelo bebé que aí vem?

"Desde o momento da fixação do futuro embrião às paredes do útero, até ao final da gravidez, muita coisa pode acontecer."(1) Existe um conceito chamado Inteligência fetal, uma identidade própria a cada feto c e uma relação especial entre mãe e filho que começa antes do nascimento.

À medida que evolui, o feto vai adquirindo conhecimento potencial, ou seja, um conjunto de representações (pré-concepções) que, desde sempre, são inconscientes e determinam reacções e comportamentos, bem como uma intuição inata a que podemos chamar inteligência fetal."(1) Esta inteligência começa a criar-se através das próprias acções do feto ainda dentro da barriga materna, quando começa a conhecer o seu corpo e quando começa, mais tarde, a receber sensações do mundo exterior. Está de facto, intimamente ligada à relação que mãe e bebé vão criando desde cedo. A sua voz mais calma ou mais irritada origina reacções diferentes no bebé.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Contacto materno - primeira relação humana

"A primeira relação humana que o bebé aprende a estabelecer é com a mãe", sendo com ela "que desenvolve a primeira relação social e afectiva marcada por uma grande dose de dependência."(1)


A importância do contacto pele com pele precoce foi estudada por dois investigadores norte-americanos (Klaus e Kennell) nos anos 70. Os seus estudos revelaram "que os bebés colocados junto das mães, pele com pele, logo após o parto e que assim permanecem durante uma hora revelam, nos dois anos seguintes, uma ligação de maior qualidade com as mães. Outra constatação é o desenvolvimento linguístico dessas crianças que é, também, mais rápido do que o habitual."(2)

Após o parto, esta vinculação torna-se num acto de conhecimento mútuo, "e que termina num gesto físico de adopção daquele filho como seu."(2)

Este gesto foi depois desenvolvido como método de estimulação de bebés prematuros acreditando-se que o contacto pele com pele beneficiava o seu crescimento e desenvolvimento em diversas áreas - método cangurú. Por outro lado, a relação entre mãe e bebé é a base das relações humanas que o bebé vai desenvolver ao longo da vida. A segurança que esta primeira relação lhe transmite facilita posteriormente a sua confiança, a comunicação, o pensamento e a própria aprendizagem ao longo da vida.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Simbiose mãe-bebé - aprendendo a comunicar

"Do que já não parece haver dúvidas é que a relação entre a mãe e o filho, no decorrer da gravidez, revela uma importância enorme em termos de interferência no bem-estar da criança que vai nascer. Ou seja, as trocas emocionais entre ambos vão muito mais longe do que se pensava." (1)

Esta é a primeira etapa do relacionamento do bebé com o mundo que o rodeia. Depois de nascer, um olhar bastará para o bebé comunicar com a mãe e provocar nela um sorriso. "Como primeira relação humana", esta vinculação "tem uma importância fundamental no desenvolvimento somático, psicomotor, afectivo e social da criança."(2)


terça-feira, 12 de outubro de 2010

O choro do bebé

É nos primeiros meses que o bebé passa no mundo que ele vai aprender e adquirir as capacidades que lhe permitirão comunicar, alimentar-se e até mesmo, viver em sociedade. "A primeira infância é simultaneamente a fase mais crítica e a mais vulnerável do desenvolvimento de qualquer criança."(1)

E a primeira forma que ela tem de se relacionar com os que a rodeia é através do choro. "O choro é uma forma de comunicação, um apelo que o lactente faz para ser atendido, um pedido de socorro..."(2) "Os bebés e as crianças pequenas precisam de um relacionamento constante,"(1) sendo por isso importante atender logo ao choro do bebé uma vez que esta é a única forma que ele sabe usar para comunicar as suas necessidades.

domingo, 3 de outubro de 2010

Nasceu uma mãe

O meu menino está quase quase a completar o seu primeiro mês de vida e, embora tenha falado um pouco sobre ele e o seu desenvolvimento, a verdade é que o facto dele ter chegado à minha vida fez uma diferença enorme. Principalmemente na gestão do tempo, que agora deixou de ser regulado pelo relógio e passou a ser regulado pelos ciclos de sono/alerta aqui do garoto.

Não foi só um bebé que nasceu. Também nasceram uma mãe e um pai. Acima de tudo, nasceu uma família, o que torna tudo ainda mais maravilhoso.

domingo, 19 de setembro de 2010

Simbiose mãe-bebé:

"Os laços que unem mães e filhos ao longo de toda a vida podem ter raízes no modo como os cérebros reagem quando vemos a face da nossa progenitora, defendem cientistas canadianos e britânicos.
Os pesquisadores das universidades de Toronto e Winchester realizaram estudos para tentar determinar de que forma acontece o processo de vinculação e através de ressonâncias magnéticas descobriram que ao observar imagens da mãe – misturadas com outras de desconhecidos, celebridades e membros da família próxima – o cérebro «acende» áreas-chave nos domínios do reconhecimento e emoção.

Em contrapartida, a visão da face do pai produz reacções cerebrais fortes na área dos afectos mas está longe de implicar respostas tão fortes como no caso da mãe.
Os resultados sugerem, de acordo com um artigo publicado na revista científica Brain and Cognition, que as mães gravam uma resposta emocional e cognitiva duradoura na mente dos filhos, como resultado das experiências de vinculação ao longo da primeira infância.

Os cientistas acreditam ter avançado no conhecimento do processo de impressão (ou imprinting) nos seres humanos. Este fenómeno é mais conhecidos noutras espécies, como por exemplo os patos, e constitui a criação de laços fortíssimos com a primeira criatura que as crias vêem após o nascimento.

Os bebés humanos não possuem essa capacidade imediata, mas os especialistas canadianos afirmam que a qualidade da ligação precoce estabelecida entre mãe e filho tem implicações cruciais durante toda a infância e também na idade adulta. «A activação cerebral em resposta ao rosto da mãe acontece mesmo entre pessoas que vivem afastadas dela durante largos períodos de tempo, mesmo anos, o que sugere que estamos perante efeitos muitíssimo alargados», afirma Marie Arsalidou."(3)

Bibliografia:

(1)-CASTRO, Ana Vieira, "Tão pequeno e tão sábio", Pais e Filhos, Julho de 2007;
(2)-CALDEIRA, Pedro - psicólogo - in.: CASTRO, Ana Vieira, "Tão pequeno e tão sábio", Pais e Filhos, Julho de 2007;
(3)-"Descobertas sobre o processo de vinculação", Pais e Filhos, Setembro de 2010;

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Mãe babada...

Alguém tem por aí um lençol?

É para limpar a baba... tenho um bebé tão lindo! Fico horas a olhar para ele e a adorá-lo. Tão doce, sossegado e adoro os "sorrisos" que me faz e amo conversar com ele.
Sim, que ele "conversa" comigo desde o momento em que me o colocaram em cima do meu peito após o parto e ele olhou para mim e segurou o meu dedo com os seus dedos finos. É uma sensação maravilhosa, indiscritível de felicidade. Por momentos, ficámos os dois ali "sozinhos", não havia já dores, nem medos.

Na primeira noite não dormi e também não tinha sono. Estava completamente extasiada e passei toda a noite a admirar o rosto do meu menino. Claro que as dores também ajudaram à falta de sono, mas o importantante é mesmo que isso não interessava para nada. Ora iria eu perder a sua primeira noite neste mundo? Nem pensar!

E claro que em casa - mesmo tentando adormecer - não dormi. Ele, no seu berço, nos lençóis novos, a primeira noite com o papá também... e eu acordada a admirá-lo, a babar-me...

Já chegou o lençól?