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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O Jardim de Infância do meu filho

O Martim entrou esta terça feira para o JI ou, como ele diz, para a Escola! Não é bem um JI, é um espaço educativo que vem ao encontro de mães, que, como eu, têm horários que não nos permitem chegar a tempo de ir buscar os nossos filhos às 19h todos os dias. Um espaço que se adequa às necessidades dos pais que trabalham por turnos. Há uma falha enorme nesta área, mas felizmente, nós descobrimos um local, na Cova da Piedade que tem prolongamento de horário e que até fica dentro das nossas possibilidades financeiras.

Estava ansioso por entrar e, assim que lá chegou no primeiro dia, correu a ir brincar e nem se quis despedir de nós. No fim do dia quando o fui buscar, contava-me orgulhoso, que tinha brincado, que tinha dormido bem, que se tinha portado bem. E eu, tal mãe babada e orgulhosa, tão feliz! Agora está a adaptar-se a esta nova rotina. Tentamos que, apesar dos nossos turnos, ele chegue quando possível sempre pela mesma hora e que, à noite se deite cedo para poder descansar bem. Optámos por pedir que ele dormisse à tarde e tem corrido bastante bem. Ele está muito entusiasmado e contente com a escola nova.

O espaço é pequeno, acolhedor, familiar. E ele está a gostar imenso. E ainda bem que optámos por esta alternativa.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Terceiro ano

Faltam poucos dias, para terminar este terceiro ano da minha viagem como mãe.
E o que foi acontecendo? Tanta coisa!
O meu filho agora diz-me "eu não sou bebé, sou menino" e isso já diz muito da sua personalidade. É um doce de criança. Vejo-o sempre com muito orgulho. Olho para ele, sempre babada, pois sei que tem superado muitas das minhas expetativas. Acredito nele todos os dias! Amo-o muito e por ele faria qualquer coisa. Foi amor à primeira vista, sem dúvida, mas esse amor foi crescendo a cada dia que passamos juntos e, construindo-se nos momentos partilhados e nas ausências que fazem doer o coração!
Ele acompanha-me muitas vezes nas minhas atividades, seja em dias de animação, seja em reuniões e formações nos bombeiros quando não tenho com quem o deixar. Cresceu muito com isso e, apesar de ele até se comportar bem - tendo em conta a idade - sei que esse fato o tem prejudicado um pouco, pois é obrigado a estar quieto, a não ter esse tempo para as suas brincadeiras. Por outro lado, tem-me seguido um pouco para todo o lado e sei que isso lhe criará boas memórias de infância. O pouco que ele se recordar de mim, - pois nesta fase, as memórias vão-se perdendo rapidamente - será certamente bom. Pelo menos assim é o meu desejo. É por isso que as fotos e os registos escritos são tão importantes nesta idade. Porque o nosso cérebro se esquece destas coisas... e um dia ele não se vai lembrar de como foi passar a tarde a fazer molduras com a mãe no Fórum Montijo, nem da vez que foi fazer uma formação de topografia, à noite, a pé pelo Seixal.

domingo, 14 de julho de 2013

É só água!


Expliquem-me as mães que terão talvez o mesmo drama que eu - não é bem um drama, é mais uma constatação de um facto que eu não consigo explicar - porque é que o meu filho adora água, gosta de ir para a piscina, e quando vamos à praia, só se aproxima qb da água. Ou seja, bem longe, não vá aquilo puxá-lo e engoli-lo?

E se o levamos para lá, grita desalmadamente, como se a água fria queimasse. Não o obrigamos a ir pois até se diverte, brinca nas poças e até deixa que o molhemos com o balde. O que me incomoda não é ele não querer sair da sua zona de conforto, o que me preocupa é ele entrar num estado de terror quando o faz.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Às aranhas com o calendário

Em pouco tempo, foi o horário de trabalho que mudou, foram as horas extra do part-time que vão aumentando. São as certezas e as incertezas de cada dia, de cada marcação para a semana que vem, para daqui a dois meses... São os planos que se têm de fazer, contando com os imprevistos, ou rezando para que não aconteçam. Mas como nunca soube rezar, lá vão surgindo as imperfeições na minha agenda. E eu tento que as coisas não se compliquem, que nada fique por fazer.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Deixem os miúdos brincar!

O texto é brasileiro, mas retrata a importância da brincadeira na construção da identidade da criança como ser social, interveniente e participativo. Às vezes, pensamos que eles brincam sem nexo, sem daí retirar nada, mas eu acho que brincar é sempre proveitoso. É uma forma de aprendizagem como outras e tão ou mais importante. Deixem as crianças brincar então!
"A ludicidade, é tal qual a infância, um construto cultural. Ela foi pensada como
principal meio de socialização das crianças no mundo dos adultos. Por essa razão, a
experiência de uma criança com a ludicidade vai estar fundamentada na cultura geral
em que ela está inserida, modificando-se a cultura lúdica de uma sociedade para outra.

Tendo como invólucro a cultura geral e como fim a socialização, a ludicidade é
rica em significados, ela permite à criança que a vivencia, a experiência de ser criança,
fazer parte da cultura adulta e preparar-se para assumir um papel, uma função social na comunidade de que participa. Por essa razão, a cultura lúdica de um povo revela muito sobre ele, sobre o lugar das crianças em sua sociedade, sobre o modo como elas são ensinadas, socializadas e sobre em que circunstâncias o mundo adulto e infantil se
encontram.

Como construção cultural, e portanto variável, a ludicidade se modifica
principalmente a depender do local em que se realiza. Com base nisso é que esta
pesquisa se propõe a verificar a cultura lúdica das crianças com fins de apreender como
se dá a utilização dos brinquedos de que dispõem ; se são adquiridos de fora de sua
cultura; que brincadeiras são realizadas por elas nos mais diversos momentos do seu
cotidiano; e qual a função que a brincadeira e o brinquedo cumprem no processo de socialização destas crianças."

(OLIVEIRA, Leide, SOUSA, Emilene, Brincar para Comunicar: A ludicidade como forma de Socialização das Crianças - Universidade Federal do Maranhão, Imperatriz, MA)

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Como explora o livro com o seu filho?

Hoje estava para aqui a passar tempo no face, e vi um artigo sobre a leitura e a importância dos livros. Confesso que sou uma leitura assídua, adoro ler e, sobretudo adoro um bom livro infantil - principalmente um livro que me cative pela capa, pelas ilustrações ou até pelas texturas. Não sei se por ser educadora e ter o espírito mais aberto para este tipo de iniciativas, ou se, apenas porque sempre tive uma boa relação com os livros, a verdade é que fui logo ler o artigo em causa.

"Uma leitura alegre é tão útil à saúde como o exercício do corpo", Emmanuel Kant.

Começa logo pela escolha desta frase de Kant, que compara o exercício da mente com o exercício do corpo. São ambos importantes, pois claro! E ambos têm de ser trabalhados e desenvolvidos em harmonia para que a saúde física e mental nos torne pessoas equilibradas. Mas o que tem isto a ver com a leitura de livros infantis? Ora então, não é de pequenino que se torce o pepino? Então também é desde o berço que a leitura deve ser estimulada. E aprender a ler, não começa na escola quando se juntam as primeiras letras, começa muito mais cedo quando a criança:
- ouve contar histórias;
- morde os livros;
- observa os pais quando estes lhe estão a contar histórias;
- usa os livros como um brinquedo, explorando-o de inúmeras formas;
- observa as ilustrações no livro e associa imagens às palavras;
- constrói mentalmente as suas próprias sequencias, a partir das imagens do livro, mesmo que não pela ordem correta;
- conta ela própria a história!

"A exploração de livros é, naturalmente, uma estratégia bastante associada à aquisição e ao desenvolvimento da linguagem. "

Então, vi no artigo que têm a mesma opinião que eu: há livros lá em casa para o Martim, desde que eu estava grávida dele. Ele tem acesso aos livros e já escolhe a história que quer ouvir.

"A leitura partilhada apoia-se na interação pai-criança, sendo a leitura um momento divertido, agradável, espontâneo, de partilha e entusiasmo comum".

Nem sempre, ou melhor, nem tantas vezes como eu desejaria, lemos histórias ao Martim. Não o fazemos sempre, porque umas vezes é ele que não está disponível para isso e rapidamente se aborrece e quer passar para outra atividade. E noutras vezes, somos nós que não temos disponibilidade para isso. Quando o fazemos, temos tempo para estar com ele de volta do livro, enquanto ele quiser, para ler, reler, contar de outra maneira, brincar ao "lobo e ao porquinho" ("Mãe eu sou o uobo, foge"... e sopra!)

"Mais do que ler o conteúdo do livro e seguir as frases ou as falas das personagens, procura-se que a criança se sinta envolvida e motivada pelo momento da leitura."
A motivação é realmente tão importante. Sem ela de que valeria estar ali a ler as linhas para depois acabar e mandá-lo dormir? E essa motivação tem de ser mútua para que o momento valha a pena. Além disso, muitas vezes, é mesmo ele que vai buscar dois ou três livros da sua caixa e pede para irmos para a cama com ele. Por isso acho que estou a conseguir motivá-lo.

"É indispensável, portanto, dar espaço e liberdade para a criança expressar-se (nomeando e/ou descrevendo as imagens, comentando, colocando perguntas, imaginando…), não esquecendo de valorizar e elogiar as suas respostas e a sua colaboração (Wesseling & Lachmann, 2012)".

E o que dizem sobre uma criança da faixa etária dos 2 - 3 anos (onde se inclui o meu filho)?

- Estimular a criança a falar sobre o livro: fazer comentários; colocar perguntas simples e abertas – O que é? Onde está?, acompanhando os interesses e os tempos da criança;
- Avaliar a resposta da criança, colocando as perguntas anteriores ou dizendo frases incompletas para o seu filho/a completar (exemplo: Olha! É um…);
- Expandir a resposta da criança, repetindo e adicionando informação;
- Solicitar novamente a informação para garantir que a criança aprendeu;
- Elogiar as respostas dadas e assumir uma atitude de interesse e motivação pelas respostas da criança.

Sim costumo fazer isto. E no fim ele já diz: "E vitóia, vitóia, apagou-se a históia! E tenho a boca toda cheia mameuada!" - ou como devia ser "Vitóra vitória, acabou-se a história! Tenho a minha história contada e a boca cheia de marmelada!"

Elsa Filipe
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Créditos: http://www.maemequer.pt/desenvolvimento-infantil/crescer/desenvolvimento/como-explorar-os-livros-com-o-meu-filho-a#.UXWj9aJwqSp

Referências bibliográficas

  • Dunst, C. J., Simkus, A. & Hamby, D. W. (2012). Effects of reading to infantsand toddlers on their early language development [Versão eletrónica], Center for Early Literacy Learning, 5 (4) Wesseling, P. B. C. & Lachmann, T. (2012)
  • Aquisição e desenvolvimento da linguagem por meio da biblioteca e programa de leitura dialógica para crianças em idade-escolar [Versão eletrónica], Congreso Iberoamericano de las Lenguas en la Educación: Salamanca
Por Dr.ª Lúcia Magalhães (Terapeuta da Fala)

domingo, 14 de abril de 2013

Saudades...

... do meu bebé. Mais uma noite a trabalhar e ele na avó. Passou lá o fim de semana e só estarei com ele amanhã. Sei que está bem, já falei com ele ao telemóvel, mas as saudades apertam tanto!

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Atividades com os mais novos

Que fazer em dias de vendaval como o de hoje?

Apetecia sair de casa, isso era um facto. O Martim até já tinha pedido para irmos ao parque, mas assim que pusemos a cabeça fora da porta... BRRRR! Que vento!
Opção?
Bebeteca!
Aproveitamos para devolver um livro que a mãe já leu e depois entramos no espaço destinado aos mais novos e vamos brincar. À hora que fomos, só estava mais um bebé, mais novinho que o Martim. Entre trocas de olhares e pequenas disputas de brinquedos, lá ficaram cada um para seu lado a brincar. E uma horinha passa depressa ali dentro, num espaço que é apelativo, estimulante e didático, ao mesmo tempo que é um ambiente agradável, calmo e seguro.

sexta-feira, 22 de março de 2013

Dia Mundial da água

"O Dia Mundial da Água celebra-se anualmente a 22 de Março. A data visa alertar as populações e os governos para a urgente necessidade de preservação e poupança deste recurso natural tão valioso.

A gestão dos recursos de água tem impacto em vários setores, nomeadamente na saúde, produção de alimentos, energia, abastecimento doméstico e sanitário, indústria e sustentabilidade ambiental.

As alterações climáticas provocam graves impactos nos recursos de água. Alterações atmosféricas como tempestades, períodos de seca, chuva e frio afetam a quantidade de água disponível e afetam os ecossistemas que asseguram a qualidade da água."

Origem da Data

"A comemoração surgiu no âmbito da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento e Ambiente que decorreu na cidade brasileira do Rio de Janeiro, em 1992. Os países foram convidados a celebrar o Dia Mundial da Água e a implementar medidas com vista à poupança deste recurso e promover a sua sustentabilidade.
Factos sobre a água

O volume total de água no planeta Terra é de 1.4 bilhões km3. Os recursos de água doce rondam os 35 milhões km3 (cerca de 2.5% do volume total de água).
Destes 2.5%, cerca de 24 milhões km3 (ou 70%) estão em forma de gelo (zonas montanhosas, Antártida e Ártico).
30% da água doce disponível está armazenada no subsolo (lençóis freáticos, solos gélidos e outros). Isto representa 97% de toda a água doce disponível para uso humano.
Os lagos e rios de água doce contêm aproximadamente 105.000 km3 (ou 0.3% de toda a água doce mundial)
O total de água doce disponível ronda os 200.000 km3 - menos de 1% de todos os recursos de água doce disponíveis.
A atmosfera da Terra contém aproximadamente 13.000 km3 de água.
70% da água doce é utilizada na rega, 22% na indústria e 8% no uso doméstico.
Em 60% das cidades europeias com mais de 100.000 habitantes, a água do solo está a ser usada de modo mais rápido do que a sua restituição."

Texto retirado daqui: www.facebook.com/educadoresdeinfancia

terça-feira, 19 de março de 2013

Feliz dia do Pai

O Dia do Pai é comemorado em muitas culturas, sendo que em Portugal é comemorado no dia 19 de Março. Este é o dia de São José, santo popular da igreja católica (marido de Maria, mãe de Jesus Cristo).

Diz-se que a instauração do Dia do Pai teve origem nos Estados Unidos da América, em 1909. Sonora Luise, filha de um militar resolveu criar o Dia dos Pais motivada pela admiração que sentia pelo seu pai, William Jackson Smart. A festa foi ficando conhecida em todo o país e em 1972, o presidente americano Richard Nixon oficializou o Dia dos Pais.

Uma outra versão, mais antiga, diz que na Babilónia, em 2000 A.C. um jovem rapaz de nome Elmesu escreveu numa placa de argila uma mensagem para o seu pai, desejando saúde, felicidade e muitos anos de vida ao seu pai. Quem sabe se virá daí a origem da tradição de ofertar presentes feitos pelos próprios filhos e postais por eles ilustrado?

Por aqui a prenda já está escolhida e aguarda só que o pai chegue a casa e a possa abrir. A mais importante é a que foi feita com a sua pequena mãozinha, pois essa sabemos que o pai vai guardar bem guardada, pois o seu valor é enorme!





segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Água!

Depois de uma aula que não houve e outra que em que fui eu que me baldei com ele, no sábado foi dia de regressar à piscina. Desde que entrou à um ano atrás, notou-se bem a evolução dele, a forma como se mexe dentro de água e como já se controla melhor para não engolir uns perdigotos! Entre mergulhos e muita brincadeira, lá se passaram os 25 minutos de piscina.

Esta atividade, apesar de curta e de ser apenas uma vez por semana, tem sido essencial no desenvolvimento dele. Ajuda-o a ganhar autonomia e a perder medos, a ganhar confiança nele próprio e nas suas capacidades. Na água, noto que está a crescer quando me larga o pescoço e "nada" de um lado para o outro "sozinho". Também reparo que ele agora já está muito mais atento ao que se passa à sua volta e que vai verbalizando o que vê e o que sente: "Olha a menina, mãe", "Eta é a minha mamã, eta é tua mamã", "Tá fia!" Interage com os outros e com a professora, já reconhece que há algo que tem de fazer e tenta. Está a crescer!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

E hoje...

... é dia de trabalho e de começar a planear o fim-de-semana. Este ano já comecei a fazer animações e pinturas faciais, o que, intervalando com o trabalho, a Escola de Infantes e Cadetes e a Escola de Samba, me tem deixado quase tempo nenhum livre.

No primeiro fim de semana do ano, logo após a primeira aula de piscina deste ano do Martim, rumei a Sesimbra. A ideia era ajudar a minha irmã na escolha de um espaço para... hum, isso ainda não vou contar... depois aproveitámos para passear à tarde um bocado com os garotos (o meu filho e a Sofia).
À tarde tive ensaio na escola de Samba, Batuque do Conde.
No Domingo, de manhã estive na primeira aula deste ano, da Escola de Infantes e Cadetes dos Bombeiros Mistos do Concelho do Seixal. Felizmente à tarde deu para irmos passear e recarregar baterias. Mas logo logo uma nova semana começava.

No fim-de-semana seguinte, além da piscina, à tarde fui fazer pinturas faciais para o Fórum Montijo a convite de uma amiga minha. Já lá tinha estado outras vezes e é sempre bom, pois não se cai no tédio e todos os dias são diferentes e animados!
No Domingo, a manhã foi passada em formação de Combate a Incêndios de manhã e de mais umas horas a trabalhar no Fórum Montijo de tarde.

Este fim-de-semana a dose vai repetir-se e já tenho uma festa marcada para dia 26 deste mês. Estou bastante animada com tudo, mas confesso que também um pouco cansada.

sábado, 29 de dezembro de 2012

2012

O ano está a terminar. Foi um ano de crise, o ano da Troika, o ano em que milhares de pessoas ficaram sem emprego. Cada vez são mais os que têm de ir à sopa dos pobres. Este foi o ano em que reparei na carrinha que vem à minha praceta e distribui sacos com comida e roupa a algumas famílias. Pessoas que vivem no meu prédio e nos prédios em redor e com quem me cruzo na ida para o trabalho ou no regresso a casa. Posso dizer que para mim este ano foi bom. Tive trabalho, ganhei sempre o meu ordenado e não tive de ir pedir. Nos tempos que correm, poder ir ao supermercado e escolher o que queremos comer é um luxo. Não peço mais.


Para 2012, desejo que a situação do país melhore, para que eu não perca o meu trabalho e para que o meu ordenado continue a chegar ao fim do mês como tem acontecido até aqui. Às vezes basta olhar para o lado e perceber a sorte que temos. Na profissão que exerço, lido com os lados mais opostos da vida. A vivenda luxuosa que nos ofusca e em que até quase sinto vergonha de entrar e de pisar os tapetes e logo a seguir a barraca onde vive uma família nas condições mais desumanas da miséria. Lido com a vida e com a morte. Com a velhice, com o suicídio, com a desgraça. Lido com uma gravidez planeada e um casal feliz, com a gravidez escondida de todos e o filho que não se quer e se vai dar para adoção. Lidei este ano com mais do que muitas vezes consegui suportar. Lidei com lágrimas, com sorrisos, com palavras de raiva e de amor, com desabafos de traição e de agressões escondidas entre quatro paredes. Mas estou aqui e quero continuar.

Este ano foi bom pois pude pintar a cara de muitos meninos felizes. Pude ganhar algum dinheiro a fazer o que me dá prazer. Pude partilhar algumas tardes bem passadas na companhia de muitas crianças.

Este ano foi melhor porque abracei um novo projeto. Um projeto que já exigiu muito de mim e que tem vindo a melhorar a minha prestação como formadora, mas também como pessoa.

E com esse outro projeto veio: os meus meninos e meninas que um dia talvez sejam bombeiros, mas que já vestem a farda e que, para meu orgulho, querem ser melhores e aprender tanto, que às vezes, fico na dúvida se o que sei será suficiente para os ensinar e guiar.

Este ano foi bom: o meu primeiro livro foi publicado, mesmo que a minha participação tenha sido uma de entre várias, foi o meu primeiro livro e isso basta para me fazer sentir orgulhosa. E por falar em orgulho: o meu bebé está cada vez mais crescido! Aos meus olhos, o meu pirata é o mais lindo! E acima de tudo: está bem e saudável, o que se pode bem dizer: é uma sorte! Uma sorte que outras mães como eu, não têm e sofrem todos os dias pelos seus pequeninos. Força Mariana, força Maria Inês. O próximo ano será melhor.

Perdi um pouco o contato aqui no blogue, mas conheci outros locais com os quais me identifiquei. Conheci mamãs orgulhosas e babadas e percebi que não sou só eu que faço asneiras. Ser mãe ajuda-nos a crescer e todos os dias aprendemos. Não há um manual e não existe perfeição na maternidade.
2012, está a terminar. Que termine em grande!

domingo, 18 de novembro de 2012

Quando é que uma criança está em risco?

A Lei 147/99 (n.º 2 do artigo 3.º) considera que uma criança ou o jovem está em perigo quando, designadamente, se encontra numa das seguintes situações: está abandonada ou vive entregue a si própria; sofre maus tratos físicos ou psíquicos ou é vítima de abusos sexuais; não recebe os cuidados ou a afeição adequados à sua idade e situação pessoal; é obrigada a actividade ou trabalhos excessivos ou inadequados à sua idade, dignidade e situação pessoal ou prejudiciais à sua formação ou desenvolvimento; está sujeita, de forma directa ou indirecta, a comportamentos que afectem gravemente a sua segurança ou o seu equilíbrio emocional; assume comportamentos ou se entrega a actividades ou consumos que afectem gravemente a sua saúde, segurança, formação, educação ou desenvolvimento sem que os pais, o representante legal, ou quem tenha a guarda de factos, se lhes oponham de modo adequado a remover essa situação.


(BRÍGIDO, Pedro Luís Silva, Intervenção do Serviço Social com Crianças e Jovens em Risco – Ética e Prática Profissional - Departamento de Ciência Política e Políticas Públicas, ISCTE-IUL)

É importante pensarmos nas definições existentes para criança em risco?
Se isso nos levar a agir e não a esconder a cabeça na areia, sim. É importante sabermos o que é, como se determina, que profissionais estão envolvidos nas Comissões de Proteção, quais as suas funções e como estas se interligam entre si. A lei pode ser difícil de perceber, mas não é de todo impossível distinguir uma situação em que uma criança se encontra em risco. Basta olharmos os jornais diários para acharmos diversos casos. Muitos a mim me revoltam, outros trazem-me as lágrimas aos olhos pela sua violência. Aumentaram os casos, ou aumentou a sua difusão pelos media? Eu acho que é a segunda hipótese, sem no entanto descartar à partida a existência de um maior número de casos, caso tivesse dados concretos dessa situação. Terá havido um real aumento dos casos? Talvez sim, mas o que houve mesmo foi o aumento da sua difusão e do apareciemento de cada vez mais gente sem medo de falar, desde a mediatização do caso Casa Pia. Se teve alguma coisa de positivo, foi isso: dar voz aos que foram abusados e aos que sobrem maus tratos.

sábado, 17 de novembro de 2012

Dos maus tratos: o abuso sexual e o síndrome de Munchausen por procuração


Abuso Sexual: corresponde ao envolvimento de uma criança ou adolescente em
actividades cuja finalidade visa a satisfação sexual de um adulto ou outra pessoa mais velha.

Baseia-se numa relação de poder ou de autoridade e consubstancia.se em práticas nas quais a criança/adolescente, em função do estádio de desenvolvimento:

‐ Não tem capacidade para compreender que delas é vítima;
‐ Percebendo que o é, não tem capacidade para nomear o abuso sexual;
‐ Não se encontra estruturalmente preparada;
‐ Não se encontra capaz de dar o seu consentimento livre e esclarecido.

O abuso sexual pode revestir-se de diferentes formas – que podem ir desde
importunar a criança ou jovem, obrigar a tomar conhecimento ou presenciar
conversas, escritos e espectáculos obscenos, utilizá‐la em sessões fotográficas e
filmagens, até à prática de coito (cópula, coito anal ou oral), ou introdução vaginal
ou anal de partes do corpo ou objectos, passando pela manipulação dos órgãos
sexuais, entre outras ‐ as quais se encontram previstas e punidas pelo actual art.º
171.º do Código Penal (CP)6, que trata expressamente do crime de abuso sexual
de crianças.
Sempre que do acto resulte gravidez, ofensa à integridade física grave ou morte da vítima, infecções de transmissão sexual ou suicídio, a pena será agravada em metade ou em um terço, nos seus limites máximos e mínimos, conforme o caso em apreço e de acordo com a idade da vítima. O mesmo sucede se esta for descendente, adoptada ou tutelada do agente – art.º 177º CP.
Frequentemente, o abuso sexual é perpetrado sem que haja qualquer indício físico
de que tenha ocorrido, facto que pode dificultar o diagnóstico. Recomenda-se, sempre
que possível, a colaboração da saúde mental infantil, tanto na ajuda para o diagnóstico
como para a intervenção. Contudo, em algumas situações, é possível identificar sintomas/sinais deste tipo de mau trato.
Alguns sinais, sintomas e indicadores de abuso sexual

- Lesões externas nos órgãos genitais (eritema, edema, laceração, fissuras, erosão, infecção);
- Presença de esperma no corpo da criança/jovem;
- Lassidão anormal do esfíncter anal ou do hímen, fissuras anais;
- Leucorreia persistente ou recorrente;
- Prurido, dor ou edema na região vaginal ou anal;
- Lesões no pénis ou região escrotal;
- Equimoses e/ou petéquias na mucosa oral e/ou laceração do freio dos lábios;
- Laceração do hímen;
- Infecções de transmissão sexual;
- Gravidez.


Síndrome de Munchausen por procuração diz respeito à atribuição à criança, por
parte de um elemento da família ou cuidador, de sinais e sintomas vários, com o
intuito de convencer a equipa clínica da existência de uma doença, gerando, por vezes,
procedimentos de diagnóstico exaustivos, incluindo o recurso a técnicas invasivas e
hospitalizações frequentes.
Trata-se de uma forma rara de maus tratos, mas que coloca grandes dificuldades de diagnóstico, dado que sintomas, sinais e forma de abuso são inaparentes ou foram provocados subrepticiamente.

São indicadoras de Sindroma Munchausen por Procuração situações como, por
exemplo, as seguintes:
ministrar à criança/jovem uma droga/medicamento para provocar determinada sintomatologia; adicionar sangue ou contaminantes bacterianos às amostras de urina da vítima; provocar semi-sufocação de forma repetida antes de acorrer ao serviço de urgência anunciando crises de apneia.

A lei na questão da criança e jovem em risco:

Quando falamos em maus tratos falamos em leis. Mas o que dizem realmente as leis sobre este assunto. Aqui fica um artigo para analisarmos e pensarmos sobre algumas das suas alíneas.

Lei de protecção de crianças e jovens em perigo (N.o 204 — 1-9-1999 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 6117)

Artigo 3º
1 — A intervenção para promoção dos direitos e protecção da criança e do jovem em perigo tem lugar quando os pais, o representante legal ou quem tenha
a guarda de facto ponham em perigo a sua segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento, ou quando esse perigo resulte de acção ou omissão de terceiros ou da própria criança ou do jovem a que aqueles não se oponham de modo adequado a removê-lo.
2 — Considera-se que a criança ou o jovem está em
perigo quando, designadamente, se encontra numa das
seguintes situações:

a) Está abandonada ou vive entregue a si própria;
b) Sofre maus tratos físicos ou psíquicos ou é vítima de abusos sexuais;
c) Não recebe os cuidados ou a afeição adequados à sua idade e situação pessoal;
d) É obrigada a actividades ou trabalhos excessivos ou inadequados à sua idade, dignidade e situação pessoal ou prejudiciais à sua formação ou desenvolvimento;
e) Está sujeita, de forma directa ou indirecta, a comportamentos que afectem gravemente a sua segurança ou o seu equilíbrio emocional;
f) Assume comportamentos ou se entrega a actividades ou consumos que afectem gravemente
a sua saúde, segurança, formação, educação ou desenvolvimento sem que os pais, o representante
legal ou quem tenha a guarda de facto se lhes oponham de modo adequado a remover essa situação.

Tipos de maus tratos (cont.)


Mau trato Físico:
Este resulta de qualquer acção não acidental, isolada ou repetida, infligida por pais, cuidadores ou outros com responsabilidade face à criança ou jovem, a qual provoque (ou possa vir a provocar) dano físico.
Este tipo de maus tratos engloba um conjunto diversificado de situações traumáticas, desde a Síndroma da Criança Abanada até a intoxicações provocadas.

Sinais que podemos observar nestas crianças:

- Equimoses, hematomas, escoriações, queimaduras, cortes e mordeduras em locais pouco comuns aos traumatismos de tipo acidental (face, periocular, orelhas, boca e pescoço ou na parte proximal das extremidades, genitais e nádegas);

- Sindroma da criança abanada (sacudida ou chocalhada);

- Alopécia traumática e/ou por postura prolongada com deformação do crânio;

- Lesões provocadas que deixam marca(s) (por exemplo, de fivela, corda, mãos,

chicote, régua…);

- Sequelas de traumatismo antigo (calos ósseos resultantes de fractura);

- Fracturas das costelas e corpos vertebrais, fractura de metáfise;

- Demora ou ausência na procura de cuidados médicos;

- História inadequada ou recusa em explicar o mecanismo da lesão pela criança ou

pelos diferentes cuidadores;

- Perturbações do desenvolvimento (peso, estatura, linguagem, …);

- Alterações graves do estado nutricional.   Para saber mais:   Alopécia ou alopecia é a redução parcial ou total de pelos ou cabelos em uma determinada área de pele. Ela apresenta várias causas, podendo ter uma evolução progressiva, resolução espontânea ou controlada com tratamento médico. Quando afeta todo os pêlos do corpo, é chamada de alopécia universal.  
Mau trato psicológico ou emocional:O mau trato psicológico resulta da privação de um ambiente de segurança e de bem-estar afectivo indispensável ao crescimento, desenvolvimento e comportamento equilibrados da criança/jovem.
Engloba diferentes situações, desde a precariedade de cuidados ou de afeição adequados à idade e situação pessoal, até à completa rejeição afectiva, passando pela depreciação permanente da criança/jovem, com frequente repercussão negativa a nível comportamental.
Alguns sinais e sintomas que podemos observar nestas crianças:

- Episódios de urgência repetidos por cefaleias, dores musculares e abdominais sem causa orgânica aparente;

- Comportamentos agressivos (autoagressividade e/ou heteroagressividade) e/ou auto-mutilação;

- Excessiva ansiedade ou dificuldade nas relações afectivas interpessoais;

- Perturbações do comportamento alimentar;

- Alterações do controlo dos esfíncteres (enurese, encoprese);

- Choro incontrolável no primeiro ano de vida;

- Comportamento ou ideação suicida.   Para saber mais...   Enurese é a falta de controle da micção em idade que em que isto já deveria ter ocorrido. Encoprese é a dificuldade de controlar o esfíncter anal para a eliminação de fezes, voluntária ou não, em que eventualmente podem-se sujar as roupas do indivíduo. É uma desordem de causa fisiológica ou emocional, pode ocorrer tanto em adultos como em crianças, e é mais frequente nos indivíduos de sexo masculino.

Nas crianças a causa geralmente é psicológica, podendo estar ligada ao medo, ao stress, raiva e angústia.

Ainda sobre o tema dos maus-tratos...

Os maus tratos em crianças e jovens dizem respeito a qualquer acção ou omissão não acidental, perpetrada pelos pais, cuidadores ou outrem, que ameace a segurança, dignidade e desenvolvimento biopsicossocial e afectivo da vítima.

Temos que pensar que este deve ter uma abordagem multi-disciplinar, ou seja que existem vários tipos de maus-tratos.
Quanto ao conceito em si, existe uma multiplicidade de situações que consubstanciam a prática de maus
tratos, os quais podem apresentar diferentes formas clínicas, por vezes associadas: negligência (inclui abandono e mendicidade), mau trato físico, abuso sexual, mau trato psicológico/emocional e Síndroma de Munchausen por Procuração.

Negligência:
é a incapacidade de proporcionar à criança ou ao jovem a satisfação de necessidades básicas de higiene, alimentação, afecto, educação e saúde, indispensáveis para o crescimento e desenvolvimento adequados. Regra geral, é continuada no tempo, pode manifestar-se de forma activa, em que existe intenção de causar dano à vítima, ou passiva, quando resulta de incompetência ou incapacidade dos pais, ou outros responsáveis, para assegurar tais necessidades.
Podemos destacar alguns sinais de negligência:

- Carência de higiene (tendo em conta as normas culturais e o meio familiar);
- Vestuário desadequado em relação à estação do ano e lesões consequentes de
exposições climáticas adversas;
- Inexistência de rotinas (nomeadamente, alimentação e ciclo sono/vigília);
- Hematomas ou outras lesões inexplicadas e acidentes frequentes por falta de
supervisão de situações perigosas;
- Perturbações no desenvolvimento e nas aquisições sociais (linguagem,
motricidade, socialização) que não estejam a ser devidamente acompanhadas;
- Incumprimento do Programa‐Tipo de Actuação em Saúde Infantil e Juvenil e/ou
do Programa Nacional de Vacinação;
- Doença crónica sem cuidados adequados (falta de adesão a vigilância e
terapêutica programadas);
- Intoxicações e acidentes de reptição.

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

A criança em risco...

...é a criança:
- vitima de maus tratos;
- em absentismo / insucesso escolar;
- pertencente a minorias étnicas;
- vinda de meios desfavorecidos - ou seja, a criança que vem de uma família que não dispoem de recursos que assegure as condições necessárias para essa criança, ou que omita a satisfação das suas necessidades.
- integrada numa família disfuncional;

A UNESCO, na Declaração de Salamanca definiu o conceito de alto risco como “a presença de
características ou condições da própria criança ou do meio no qual cresce e se desenvolve, as quais
implicam uma alta possibilidade de produzir efeitos negativos sobre o seu processo de crescimento e
desenvolvimento, até ao ponto de determinar um atraso de maior ou menor amplitude”.

Esta criança:
• Não tem reunidas as condições necessárias para usufruir dos seus direitos;
• Tem condicionado o seu estado de saúde, a sua educação, os seus relacionamentos…

Fatores a considerar nestes casos:
• Reprodução do Ciclo de Pobreza – Condiciona a igualdade de oportunidades futuras.

A criança em risco é...

...“Aquela que pelas suas características

biológicas ou enquadramento sócio-familiar,
apresenta maior probabilidade de ser alvo de
dificuldades que comprometem a satisfação
das suas necessidades e o seu processo de
desenvolvimento”

(Penha – 2000)
 
 
Às vezes não há é tempo de olhar para o lado e observar o que se está a passar mesmo debaixo do nosso nariz. O risco não está apenas nos bairros pobres, nem são apenas as crianças "sujas" que vemos na rua a brincar. O risco pode estar no lar mais rico ou na família que, aparentemente, parece ser perfeita. O grande problema é esse. Estas crianças não têm um letreiro na testa!