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segunda-feira, 17 de março de 2014

Sábados Temáticos


Externato Festitraquinices 

Vamos juntar-nos aos sábados?

No próximo sábado, o tema é "Conversas de barriguinhas", a entrada é livre e destina-se a todas as grávidas que queiram vir partilhar connosco as suas emoções, dúvidas e alegrias. No final, temos uma surpresa para todas as mamãs!
Atenção: os pais estão também convidados a aparecer!

Por favor, marque a sua presença, para que nós possamos organizar toda a logística para que a manhã decorra sem precalços.
963988723
Externato Festitraquinices - Av. 25 de Abril, nº 82 em Pinhal de Frades, concelho do Seixal,
distrito de Setúbal.

domingo, 4 de março de 2012

De coração.

Esta semana foi muito complicada. Como se as notícias da nossa prematurinha não chegassem já, ainda tivemos a morte de um colega e amigo, que nos deixa uma grande saudade. Tem sido difícil vir aqui porque fico sem saber o que escrever... mas hoje lá me arrisquei.

Mas quero que o post de hoje tenha algumas coisas boas e por isso começamos com os Parabéns! à mamã Telma e ao seu filhote que nasceu no dia 29 de Fevereiro. No mesmo dia que a minha avó faz anos também - assim não me esqueço. É um dia especial de certeza que vos vai trazer muita sorte! Beijinhos Xuxa.

O Martim está melhor. Já come muito melhor e agora quer ser sempre ele a comer sozinho. Está muito autónomo o meu filhote. Hoje comeu a sopa sozinho e até nem se sujou muito. Está a crescer e quer comida a sério, fruta cortada em vez de passada, sopa com os legumes inteiros, arroz onde enfiar as mãos. Nem sempre consigo dar-lhe essa oportunidade, mas tento sempre que posso, deixá-lo comer sozinho, experimentar a colher, o garfo, a faca, chupar os dedos, lamber o prato... fica todo lambuzado, mas não me importo. São momentos felizes para ele e está a aprender e a descobrir. Ainda tenho dúvidas mas acho que vai ser canhoto.

Ontem foi pela primeira vez à piscina, à natação. Correu tão bem! Ele parecia uma lapa agarrado ao meu pescoço, mas não estava com medo, estava a sondar o ambiente à nossa volta a rir para os outros meninos, a sentir a água. Não queria que o afastasse de mim e respeitei-o para não o forçar. Quando chegou a altura de brincar com a bola soltou-se naturalmente, sem medos e, comigo a segurá-lo ao de leve, lá se movia pela água atrás da bola. E ria. Eu adorei a primeira aula. O que custou mais foi no fim, tirá-lo da piscina, secá-lo e vesti-lo. Fez uma fita descomunal para trocar a fralda! Não podia ser tudo rosas não é?

Depois tivemos o nosso encontro de mamãs e bebés no Entremães, que este mês se realizou nos Bombeiros do Seixal. Conhecemos mais duas mamãs novas. Foi um encontro muito giro, em que falamos de amamentação, bebés prematuros ou que por algum motivo tiveram problemas ao nascer e tiveram de ficar no serviço de neonatologia e falámos de internamentos. Falamos de alimentação e de não termos pressa de introduzir sólidos (eles pedem, e eu mesma caí nesse erro de introduzir a sopa cedo demais). (Aguardamos pelo próximo encontro que, se calhar, se vai realizar em Monsanto, na Casa Verdes Anos.)

À tarde, dormiu uma sesta desde as 14h até quase às 18h. Lanchou e a seguir fomos à Bebeteca, com o pai, brincar. Estes momentos em família são o melhor do mundo e esta semana estava mesmo a precisar de desanuviar a cabeça. Sentir que aproveitamos o tempo juntos é o melhor, porque assim sabemos a sorte que temos em estarmos todos com saúde e perto uns dos outros. À noite fomos a um Karaoke, mas só um bocadinho, porque o Martim apesar de se portar bem, estava a começar a ficar irrequieto e estar parado não é com ele! Adormeceu tarde mesmo assim, devia ser da excitação do dia, mas como dormiu tanto à tarde nem me importei muito. Um dia não são dias, não é?

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Um pequeno coração...

...apertadinho. Sem sabermos de quase nada ainda, apenas que a Ana Carolina nasceu de cesariana, com pouco mais de 600 gramas e 26 semanas de gestação. Está na incubadora.
A mãe, a nossa grande mulher, lutadora, está bem. Pelo menos, é isto, o pouco muito pouco que sabemos. Do resto, do que pode vir, do que o futuro trará, não vamos falar agora. Já se falou tanto hoje que estamos cansados. Especulamos, mentalizamo-nos... depois somos surpreendidos. Parabéns mamã Catarina e parabéns bebé Ana.

domingo, 14 de agosto de 2011

Quando o cordão tem anomalias

Mais uma pesquisa que aqui quero partilhar convosco.

As situações são raras, mas pode acontecer que o cordão umbilical tenha algumas anomalias. Esta é uma das principais estruturas que permitem a vida no ventre materno. Quando não se detetam outras causas, uma anomalia deste órgão pode ser a causa principal de morte fetal.

Asfixia - quando ocorre a obstrução completa da veia ou das artérias que o formam, podendo levar à morte do feto durante a gravidez ou mesmo do bebé no momento do parto.

Artéria umbilical única - é uma situação muito rara (ocorre em apenas 1% dos fetos) e quando isolada (sem outras complicações associadas) pode não ter consequências, embora seja essencial uma vigilância especial e atenta da gravidez.

Prolapso do cordão - quando o cordão exterioriza antes do bebé. Acontece entre 1 a 3 casos em cada 300 partos. Devem ser acautelados os cuidados necessários para que não ocorra asfixia do bebé, devido à pressão da cabeça deste sobre o cordão, pressionando os vasos que lhe permitem uma boa oxigenação, essencial durante o esforço do parto. No entanto, "a sua ocorrência é mais frequente quando o feto está em apresentação pélvica e com os pés abaixo das nádegas."(1) Cordões mais pesados e compridos, são mais susceptíveis a esta complicação.

Vasa prévia - ocorre em cerca de 1 em cada 1000 nascimentos, quando há inserção do cordão nas membranas fetais em vez de no centro da placenta. "Nestes casos, após a entrada dos vasos do cordão nas membranas, estes acabam por entrar na placenta pela sua margem ou mais adiante."(1)
Se a placenta estiver inserida na área proximal do orifício interno do colo do útero, "canal por onde sairá o bebé, pode haver uma porção desses vasos que passa esse orifício de um lado ao outro. E é aos vasos umbilicais nesta localização que se chama vasa prévia."(1) Na suspeita de um caso de vasa prévia, pode ser programada uma cesariana antes da entrada em trabalho de parto, de forma a evitar as complicações deste defeito de implantação do cordão umbilical.

Circulares do Cordão - ocorre em cerca de 1/4 dos nascimentos, sendo por isso uma situação menos rara que as anteriores. Acontece quando o cordão se dispõe à volta do pescoço, das pernas ou do tronco de bebé, numa ou em mais voltas.

Nó verdadeiro do cordão - acontece em cerca de 1% dos nascimentos . Não traz consequências a não ser que o cordão seja muito curto e o bebé o aperte demasiado ao descer o canal de parto.



Bibliografia:

(1) - FERREIRA, José Carlos, "O cordão que dá vida", Pais e Filhos, Outubro de 2005;

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Quando se corta o cordão...

Importante ligação entre mãe e filho, durante a vida deste no ventre, tem duas artérias que "transportam sangue, já com pouco oxigénio e com produtos a serem eliminados, do feto para a placenta." (1)

Na placenta, "os produtos a serem eliminados passam do sangue fetal para o sangue materno através de uma fina membrana, extensa e muito pregueada, a fim de serem eliminados pela mãe através dos respectivos fígado e rins. Na placenta, em troca, o sangue fetal recebe Oxigénio e nutrientes da mãe."(1)

Quando o bebé nasce, o cordão deixa de ser necessário para fazer a sua função principal: dar oxigénio e nutrientes ao bebé. Então, ao ser cortado, "a falta de oxigénio faz com que se abram as artérias que servem de via para o sangue que vem do lado direito do coração para os pulmões." Agora o bebé já é capaz de respirar sozinho, pois esta abertura permitiu "que o líquido existente nos alvéolos pulmonares seja absorvido, permitindo que se abra uma via aérea entre a boca do bebé e os seus pulmões."(1) E assim a magia acontece, o bebé nasceu e já respira sozinho.


Bibliografia:

(1) - FERREIRA, José Carlos, "O cordão que dá vida", Pais e Filhos, Outubro de 2005;

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A epidural no parto

A epidural é um tipo de analgesia que, entre outras, é utilizada no trabalho de parto.
Quem já a usou e que pode contar?

À exceção da administração única, todos os demais regimes necessitam a colocação de um catéter que permanecerá pelo tempo da analgesia (em geral não mais que 48 horas). O regime controlado pelo paciente necessita a utilização de uma bomba de infusão programável associado à algum mecanismo de gatilho que permita ao paciente solicitar as doses conforme sua necessidade sem que haja risco de sobredose. Suas principais indicações são o controle da dor pós-operatória em cirurgias de grande porte, sendo também utilzada para alívio da dor durante o trabalho de parto.(1)

sábado, 18 de dezembro de 2010

Parto na água - Portugal e o mundo

O parto na água é, para algumas mulheres, a concretização de um sonho. Ele permite a junção de dois elementos que mexem muito com a natureza humana: a água e a emoção do nascimento de um filho.

Tal como escrevi num post anterior, sobre este mesmo tema, conto com a participação das mamãs ou futuras mamãs para me deixarem o vosso contributo enriquecedor: as vossas experiências e expectativas. Assim, isto do parto na água tem muito ainda que se lhe diga. "É o parto onde a água é usada como elemento de relaxamento (para a mãe) durante o trabalho de parto."(1)

Mas há riscos? Sim e não. Sim como em qualquer trabalho de parto, mas se for feito com segurança e de forma informada, é apenas uma forma diferente do bebé nascer. Mais do que riscos, traz benefícios. "O bebé pode nascer debaixo da água ou não. Por definição o parto na água é o que o bebe nasce tendo a mãe o genital totalmente coberto de água."(1)

"Uma mãe primípara não deve entrar na banheira antes de atingir 7 cm de dilatação (pois diminuiria a progressão da dilatação). A que tiver o segundo ou terceiro bebé pode entrar desde que atinja 6 cm."


O que se faz pelo mundo e no nosso país:

Esta experiência não parece ser muito vasta se tivermos em conta outros países.
Em Inglaterra a realidade é diferente da do nosso país: "mais de metade das maternidades públicas britânicas têm piscinas de parto"(1), enquanto "em Portugal não existe esta opção. Falta conhecimento, sensibilidade e, sobretudo, condições logísticas para os hospitais poderem oferecer esta técnica."(2)

Em França, na maternidade de Pithiviers de onde Odent foi director a ideia do parto na água é uma realidade. Este é um hospital público, cuja maternidade "se tornou conhecida no mundo inteiro graças as idéias de seu diretor, o Dr. Odent, que dava uma atenção peculiar as parturientes. Ele procurava atender a uma reivindicação da mulher moderna: a de ser respeitada como mulher, principalmente num momento tão particular de sua vida, como o momento do nascimento."(3)

"Em Pithiviers acreditava-se que o parto não fosse uma doença, mas um ato natural e delicado e que a mulher tem condições de parir na maneira e na posição que ela própria desejasse. À medicina, a partir de então, só deveria providenciar a segurança necessária, sem desprezar as manifestações instintivas ligadas ao acto."(3)

"Em Portugal não se olha para o parto como um acto fisiológico, olha-se sim do ponto de vista mádico. Com eventuais riscos à partida e constante necessidade de intervenção."(2)

Segundo Victor Varela, enfermeiro obstetra, "a utilização da água no trabalho de parto, em recipientes adequados, é uma forma de favorecer o parto normal e fisiológico" o que poderia ser conseguido se se mudassem algumas mentalidades.(2)

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Partos diferentes - nascer na água

A história de cada parto é diferente e mesmo com a mesma mulher não há dois partos iguais.

A partilha destes momentos é uma forma de aprendizagem mútua - que beneficia quem lê, mas também quem conta - e por isso deixo agora aqui a descrição de uma forma diferente de dar à luz, para a qual peço a vossa colaboração, convidando-as a partilharem a vossa experiência caso esta tenha sido a vossa escolha.

"Popularizado pelo médico Francês Michel Odent, na década de 60, o parto na água foi inicialmente descrito como uma forma alternativa de controlo da dor durante o trabalho de parto.

Será utopia? Ou uma forma de parir que devolve o protagonismo à mãe e ao bebé e que lhes deixa a eles dois a responsabilidade, mas também o direito, de decidir quando e como o nascimento vai ocorrer, com o mínimo de pressão e de intervenção de terceiros possível?

A imersão em água à temperatura do corpo ajuda a reduzir o nível de adrenalina da mulher e estimula a libertação de ocitocina."(1) Na sua visão de mundo, Odent procura compreender a natureza em vez de a tentar modificar. Assim, através da sua observação crítica da vida humana (desde a concepção e nascimento) e ampliando os seus estudos em psicologia e antropologia, Michel Odent, deixa a sua carreira de cirurgião para se dedicar a obstetrícia.

Para este médico, "é importante que as grávidas percebam que, por si só, o parto na água não pode ser considerado como o ‘remédio’ providencial que evitará a dor e proporcionará um nascimento ‘ideal’".(3)
Este acrescenta ainda que "tem de fazer parte de um processo mais abrangente em que a natural dor fisiológica é gerida e atenuada através de um sistema de protecção fisiológica."(3)
"Esse sistema implica que as mulheres possam atravessar toda «a cadeia de eventos que constitui o parto», incluindo a dor mas também o «cocktail natural» de ocitocina e endorfinas que «atenua temporariamente as capacidades cerebrais para que as mensagens dolorosas não cheguem com a intensidade habitual ao córtex e sejam, por isso mesmo, mais facilmente trabalhadas»."(3)


segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Parto vaginal pós cesariana

Embora já aqui tenha por várias vezes falado no tema das cesarianas, este post surgiu-me na ideia por causa de uma amiga minha. O seu primeiro parto foi de cesariana, programada, por motivos que não vou aqui explorar. Na segunda gravidez tudo estava preparado para um parto vaginal - dito normal - e que se iniciou sem problemas. Várias horas depois, mãe e bebé estavam em sofrimento, porque a dilatação estava concluída mas a mãe não conseguia expulsar o bebé. Este tentava também sair, mas algo lhe barrava o caminho. Só mais tarde se percebeu que a mãe tinha um problema físico que afecta algumas mulheres: o seu osso púbico por algum motivo fica no caminho do bebé que, mesmo descendo o canal de parto, esbarra na saliência que o impede de sair.

O que me incomoda é que tenham demorado várias horas a perceber esse problema, deixando que mãe e bebé sofressem em demasia. O bebé nasceu com marcas e equimoses - que com o tempo vieram a desaparecer - mas as marcas psicológicas da jovem mãe, dificilmente se apagarão.

Segundo alguns estudos, a cesariana tem quatro vezes mais risco de morte materna e dez vezes mais risco de morte neonatal. No caso do parto normal após cesariana, existem alguns riscos adicionais.
Se a cesariana foi feita com corte baixo, na linha do biquini, então os riscos são de fato muito baixos (corte segmentar transversal). O corte vertical (corte corporal ou segmento-corporal), pode trazer um aumento do risco de ruptura considerável.

No entanto, não encontrei estudos conclusivos que mostrem que mulheres com mais de uma cesariana corram um risco de ruptura significativamente maior que aquelas com uma só cesariana.

Após uma cesariana, o risco numa tentativa posterior de "parto vaginal é o de rotura uterina, devido aos efeitos das contracções uterinas sobre a zona de fragilidade uterina da cicatriz cirúrgica anterior."(1) Esta situação ocorre em apenas 1% dos casos e "depende de vários factores, como a duração do trabalho de parto (quanto mais longo maior o risco)"; há um risco maior nos partos induzidos e este aumenta com o "uso de estimulação farmacológica da contractilidade uterina."(1)
Por isso aqui fica este pequeno post, que nos fala um pouco dos riscos de realizar um parto normal após uma cesariana. Não que este caso tenha a ver com a cesariana anteriormente realizada, mas sim com o facto de que temos de estar alerta para possíveis complicações, sejam elas quais forem. O que aqui fica é: perguntem tudo!

Não deixem nenhuma dúvida para responder, mesmo que pareça uma pergunta estúpida!


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Cesariana - melhor opção quando o bebé vem de nádegas

Confesso que ler sobre este tema antes do meu bebé nascer, ajudou-me a interiorizar que me teria mesmo de submeter a uma cesariana, algo que antes eu punha de lado, pois não era de todo a minha vontade. O destino deu muitas voltas e o M. nasceu de parto normal ou seja, nasceu mesmo de nádegas, de parto vaginal. Sem complicações.

Era só um aparte. De seguida passo mesmo para o post e para este tema que poderá interessar a outras mulheres, como tanto me interessou a mim.

Segundo um estudo realizado "na Universidade de Oxford assinalam que, dos bebés que ainda estão de nádegas na semana 35, um em cada quatro colocar-se-à na posição cefálica."(1)

Mas caso isso não suceda, existem técnicas para ajudar o bebé a colocar-se nessa posição. No entanto, existe alguma controvérsia em relação à sua utilização. Se "antigamente, alguns obstetras conheciam técnicas para colocar a criança na posição cefálica, mediante mensagens, manipulação e pressões", a verdade é que hoje em dia "esta prática perdeu-se por poder provocar problemas com o cordão umbilical ou com o despreendimento prematuro da placenta."(1)

"Segundo os especialistas, conseguir uma mudança de postura é um trabalho muito difícil, que requer um vínculo emotivo muito importante entre mãe e filho." À medida que a gravidez avança, "as possibilidades são menores, pois o bebé conta com cada vez menos espaço para dar a volta. A apresentação podálica tem duas variantes: se a criança apresenta primeiro o rabinho é podálica pura, se primeiro vem um dos pés, ou os dois, chama-se podálica incompleta. Em ambos os casos, o parto vaginal é arriscado."

Por este motivo, a cesariana é uma opção a considerar. "Enquanto que num parto cefálico, a cabeça vai girando como um parafuso para ajustar-se ao pouco espaço que dispõe para atravessar a pélvis, num parto de nádegas o corpo passa com facilidade, mas é provável que a cabeça fique um pouco achatada, o que origina a perda de bem estar fetal. (...) A luxação da bacia no bebé é também uma situação muito frequente nestes partos."(1)

Apesar de tudo isto, o meu parto foi rápido e o meu bebé nasceu sem lesões ou marcas. Tive muita sorte, mas também devo isso à excelente equipa que encontrei no Hospital Garcia de Orta. E a eles o meu agradecimento!


Bibliografia:

(1)-LALANDA, Elvira, "Vem de nádegas", Babies, Janeiro de 2004;

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Humanizar o parto

"Do ponto de vista psicológico, o parto é um momento marcante de rompimento e de renovação."(1)

Quem passa por um parto poderá dizer o que para si seria a humanização do mesmo. Penso que só depois desta experiência se poderá declarar que isto ou aquilo seria ideal. O que para mim seria a humanização não seria talvez para si que lê esta postagem. Eu queria muito, muito mesmo, que o M. ao nascer lá tivesse o pai para o segurar. Para lhe dar, junto comigo o primeiro colo. Para que, tal como eu fiz, pudesse ver os seus olhos ávidos de vida e de contacto humano. Para mim, seria essa a humanização do meu parto, do meu momento: Transformar o meu parto num momento a três, embora num hospital público e com médicos, enfermeiras e instrumentalização, mas no fundo ser um momento traduzido na magia da criação de uma família nova.

Mas o parto humanizado não se trata apenas do parto ideal. Ricardo Jones, médico, deixa-nos algumas afirmações sobre a humanização. Convido à reflexão.

"... é a restituição do protagonismo à mulher."
"... é a autonomia feminina na tomada de decisões. As mulheres (...) precisam de ter os seus filhos de forma mais digna e, acima de tudo, de acordo com os seus desejos, vontades e valores."
"... é entender a mulher como sendo essencialmente competente para lidar com questões do nascimento dos seus filhos."(2)

E eu acrescento: é deixar que a mulher possa escolher quem quer ao seu lado naquele momento. É dar-lhe privacidade - fechar a porta da sala de partos teria sido óptimo para mim. Mesmo sabendo que havia ali dentro mais gente além de mim, olhei várias vezes pela porta aberta e ver quem passava no corredor deixava-me ansiosa e desprotegida. Não sei explicar o porquê, mas aquela porta ali escancarada mexeu comigo.

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Contacto materno - primeira relação humana

"A primeira relação humana que o bebé aprende a estabelecer é com a mãe", sendo com ela "que desenvolve a primeira relação social e afectiva marcada por uma grande dose de dependência."(1)


A importância do contacto pele com pele precoce foi estudada por dois investigadores norte-americanos (Klaus e Kennell) nos anos 70. Os seus estudos revelaram "que os bebés colocados junto das mães, pele com pele, logo após o parto e que assim permanecem durante uma hora revelam, nos dois anos seguintes, uma ligação de maior qualidade com as mães. Outra constatação é o desenvolvimento linguístico dessas crianças que é, também, mais rápido do que o habitual."(2)

Após o parto, esta vinculação torna-se num acto de conhecimento mútuo, "e que termina num gesto físico de adopção daquele filho como seu."(2)

Este gesto foi depois desenvolvido como método de estimulação de bebés prematuros acreditando-se que o contacto pele com pele beneficiava o seu crescimento e desenvolvimento em diversas áreas - método cangurú. Por outro lado, a relação entre mãe e bebé é a base das relações humanas que o bebé vai desenvolver ao longo da vida. A segurança que esta primeira relação lhe transmite facilita posteriormente a sua confiança, a comunicação, o pensamento e a própria aprendizagem ao longo da vida.

sábado, 23 de outubro de 2010

Viagem pelo trabalho de parto

"O nascimento de um bebé e de uma mãe é muito mais do que um assunto do corpo."(1)

Cada mãe terá a sua própria descrição deste momento. Não vou falar do meu parto, apenas colocar algumas afirmações acerca da forma como este decorre. Apenas aspectos técnicos que podem ser ponto de reflexão para as futuras mamãs.

Os sinais que antecipam o parto são vários e podem ser sentidos de forma diferente por cada mulher. Começam quando ocorre o apagamento do colo do útero - pré-parto. A occitocina é a hormona responsável pelo início das contracções, "muito irregulares e pouco perceptíveis: a cada meia hora, quinze minutos, uma hora depois..."(2)

A tranquilidade no início de todo o processo é importante para que o parto ocorra da melhor forma. "A Adrenalina, hormona que segregamos em momentos de stress, pode parar o trabalho de parto e isso é precisamente o que costuma acontecer, quando com um parto ainda numa fase muito inicial, chegamos a um hospital onde o lugar, o odor, as pessoas, são desconhecidas e nos falta intimidade."(2)

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Episiotomia

Este é um tema que eu já queria ter apresentado há algum tempo, mas o afastamento em relação ao meu parto também me ajudou a explorá-lo de uma forma diferente, com experiência pessoal nesta que é uma das práticas cirúrgicas mais usadas em Obstetrícia em Portugal, muito além da "meta traçada pela OMS para o número ideal de episiotomias em cada país - 10% dos partos vaginais."(1)

Consiste numa "incisão no períneo e na parede vaginal que tem por objectivo facilitar o parto e evitar uma ruptura." É um dos poucos procedimentos "realizados sem qualquer consentimento da mulher."(1)

Aqui começa a minha discórdia em relação a esta questão. O parto na sua parte física já é um acto de violência para a mulher cujo corpo sofre várias alterações que ocorrem de forma natural. Mas a episiotomia não é natural e nem sempre se justifica, embora seja preferível a deixar que o períneo rasgue por si. Se nos questionam e nos fazem assinar tantos documentos quando estamos a entrar no bloco de partos, porque não sermos consultadas acerca deste assunto? É uma violentação do nosso corpo, de uma área sensível e que tem uma recuperação difícil. Afecta a mulher tanto física como psicologicamente, podendo interferir também na recuperação da vida sexual do casal. Mas sem darmos conta, já está, já nos cortaram e agora resta esperar que nos cosam e que a recuperação ocorra da melhor forma.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Indução do Parto

Daqui a umas horas vão induzir o parto da minha irmã. A minha primeira sobrinha está bem instalada e não lhe apetece vir cá para fora.
Deve ter ouvido falar da crise.

Acho que ela faz amanha 41 semanas e será esse o motivo da indução.

Vou ser tia! Já falta pouquinho, pouquinho...

sábado, 2 de outubro de 2010

Cesarianas de Urgência

Por vezes, seja sem se esperar ou seja planeado, é necessário recorrer a um parto por cesariana.
Pensa-se numa Cesariana de urgência quando existam "situações que condicionem grave risco para a saúde ou vida da mãe ou do bebé."(1)

sábado, 18 de setembro de 2010

A chegada do bebé ao Mundo

A chegada do meu bebé foi um momento maravilhoso, apesar das dores e do medo que eu tinha que algo corresse mal, mas quando o meu menino foi deitado sobre o meu peito, tudo se acalmou. Era só eu e ele, num momento irrepetível e que nunca mais se vai repetir.

"«Num parto normal, logo que o bebé é expulso é envolvido numa toalha aquecida e colocado em cima do abdómen na mãe. Nesse momento é feita a expressão das vias aéreas e a clampagem do cordão umbilical», diz Nélia Alves, enfermeira graduada da maternidade do Hospital de D. Estefânia. «Em seguida, é explicado aos pais que o bebé vai ter de ir para a mesa, sob uma fonte de calor, para não arrefecer e lhe serem prestados os cuidados iniciais»."(1)

Foi aí que mo tiraram do colinho e o levaram para ser examinado. O que se passou entretanto não sei, embora de facto saiba os testes habituais, tais como o teste de Apgar, pesagem... Pouco tempo depois estava de novo em cima de mim. Começaram a preparar-se para me coserem e logo logo o tiraram de novo para o mostrar ao papá que esperava ansioso cá fora.

Estes momentos são imprescindíveis. Para mim, foram maravilhosos e muito gratificantes. Mas há quem pense que é mais importante aquecer o bebé numa fonte de calor externa.

"Grande parte do pessoal médico e de enfermagem defende que é imprescindível manter o bebé aquecido com recurso a fontes externas. O pediatra e pedopsiquiatra Diudonné Volker tem outra opinião. «Se o bebé nasceu bem e se a mulher também se encontra bem, não há motivo para que não permaneça os minutos que sejam precisos em cima da barriga dela, evidentemente com o corpo resguardado, mas beneficiando da melhor fonte de calor que existe: a mãe.» Momentos «irrecuperáveis que vão ser determinantes para a vinculação precocíssima entre mãe e filho, que tantos efeitos terá nos tempos seguintes. A mulher precisa de começar essa ligação e é também uma grande ajuda para o bebé, cujo ambiente físico e psicológico é completamente transformado em poucos segundos, com todo o stresse que isso acarreta», advoga o médico alemão, que presta serviço no Hospital São Francisco Xavier, em Lisboa." "O pediatra Mário Cordeiro partilha esta argumentação. Após o parto, a natureza faz aumentar a temperatura do peito e dos braços da mãe. E isto acontece precisamente para garantir que ele não arrefece e que pode começar a conhecer quem é a sua mãe – e, preferencialmente também o pai."


É que é mesmo verdade. Pois ele ali comigo, a tocar-me, deixou-me acalmar e nem sentia tanto o estarem a coser-me naquele momento. Quando o tiraram, senti logo as picadas e a linha a passar, porque a analgesia tinha perdido o efeito e eu já estava a sentir tudo. Comecei a stressar a partir desse momento.
"Mas existem procedimentos essenciais que são possíveis de realizar, quer o bebé esteja junto dos pais, numa mesa aquecida na sala de partos – como acontece no D. Estefânia –, ou numa sala diferente daquela onde ocorreu o nascimento. É o caso do teste de Apgar, imprescindível para avaliar de forma rápida e eficaz o estado da criança que acaba de nascer. Determinar o sexo, nos casos em que ainda é desconhecido, e a observação de eventuais grandes malformações e uma primeira auscultação ao coração e pulmões são também intervenções que não dependem de nenhum posicionamento específico."

O que se passou quando ele esteve afastado de mim, não sei. Mas sei que ele voltou bem e estive descansada na sua ausensia, apesar das saudades que senti logo que o levaram dos meus braços.

Por vezes, os bebés têm de ser aspirados e não só:

"Existem enfermeiros e pediatras que, por norma, realizam a aspiração e a sondagem gástrica (ver caixa) a todos os bebés. Outros avaliam o choro e a respiração e só depois optam pelos dois, por um ou por nenhum dos procedimentos. «É uma decisão que cabe ao profissional de saúde e depende de muitos factores, entre os quais a formação de base, as convicções técnicas e a experiência», afirma Nélia Alves. Por exemplo, Diudonné Volker não é adepto da aspiração em todos os casos - «existe um sistema de auto-limpeza das vias áereas que é muito eficaz na maioria das vezes», afirma – mas considera essencial garantir que não existe «uma malformação que impeça a comunicação entre a boca e o estômago», o que é realizado por sondagem."

"Aspirados ou não, sondados ou não, todos os bebés que nascem no hospital ou na maternidade são, nos minutos que se sucedem ao parto, limpos do líquido amniótico e/ou do mecónio, através de lençóis e toalhas aquecidos, soro fisiológico ou água. Se existe risco de transmissão de doenças infecciosas, o recém-nascido é lavado antes de lhe serem ministradas gotas nos olhos e vitamina K."

Ainda não o tinha feito - há tanto em que pensar - mas tenho de agradecer ao médico que me acompanhou nesse dia, pela confiança que me transmitiu naquele momento em que me sentia tão desamparada. Nunca pensei, mas ali precisava mesmo era de alguém a segurar-me e a apertar-me para me dar forças para pôr o meu bebé no Mundo. Esse papel teve a madrinha do bebé, que conseguiu assistir ao trabalho de parto, quase sem querer. E só pensava que queria ali o meu marido ao pé de mim também para partilhar aquele momento comigo, mas como era para ser cesariana ele não podia entrar. Afinal, pouco tempo depois, o bebé surgiu junto dele, pelas mãos de uma enfermeira, para se apresentar ao papá: Aqui estou eu!



"Antes de pesar, identificar e vestir o recém-nascido, o pediatra é chamado a realizar uma observação mais pormenorizada. O médico avalia o estado do sistema nervoso, explorando os reflexos do bebé; a configuração do abdómen e o posicionamento dos órgãos internos; a flexibilidade e a mobilidade dos membros; os órgãos genitais e a região anal. «Se houver necessidade de proceder a uma acção clínica imediata, como é o caso de cirurgias correctivas ou de emergência, os momentos que se seguem à limpeza do bebé são os ideais para o pediatra tomar uma decisão que pode fazer toda a diferença», afirma o pediatra Frederico Leal, que há mais de duas décadas e meia presta serviço no D. Estefânia. Segue-se a identificação do recém-nascido, realizada através de uma pulseira de plástico, de cor rosa ou azul e – nas instituições que já possuem o sistema – a colocação de uma pulseira electrónica anti-rapto num dos tornozelos."(1)
 
No Garcia, já existe a pulseira electrónica. Só reparei nela a noite quando mudei a roupinha ao meu filhote com a ajuda de uma enfermeira. É um sistema eficaz para evitar o rapto de bebés. 
 
Bibliografia:
 
(1)-PÁSCOA, Elsa, "Os primeiros minutos do bebé", Pais e Filhos, 20 de Maio de 2010;

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Já nasceu!

O meu príncipe chegou ao mundo no dia 6 de Setembro, às 12h51m de parto eutócito (normal) com apresentação pélvica. 

Nasceu com 2990 gramas e 49 cms. Tive de ser sujeita a episiotomia e estou com muitas dores ainda por causa da costura.

Já estamos em casa desde 4ª-feira, mas estes dias têm sido só para nós os três e para a família e amigos. O bebé está a passar bem - salvo algumas cólicas - e os papás ainda se estão a habituar ao novo ritmo.

Quando tiver melhor e com mais tempo eu deixo aqui mais alguns comentários.

Um beijo!

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

CTG

Ou Cardiotograma.

"Foi introduzido, na prática clínica obstétrica, há cerca de 40 anos." Durante a sua realização "são registadas pelo cardiotocógrafo a frequência cardíaca fetal ou ritmo cardíaco (...) e os movimentos sentidos pela grávida que vai accionando um botão durante o exame (...). O objectivo final é a interpretação do conjunto destas informações, principalmente dos padrões da frequência cardíaca fetal, permitir avaliar a oxigenação e o bem-estar fetal."(1)

"É preciso colocar eléctrodos na barriga da grávida, presos com umas faixas elásticas, e ligados por fios ao aparelho. Os resultados surgem em dois gráficos diferentes: um relativo à intensidade das contracções, o outro relativo ao batimento cardíaco do feto. Estes dados são importantes para avaliar a forma como o trabalho de parto está a progredir e permitem também avaliar o bem-estar fetal. De resto, o CTG não é usado apenas durante o parto, mas também no final da gravidez, para avaliar o bem-estar do bebé."(2)


Contínuo ou intermitente?

"O registo contínuo das contracções através do CTG é a rotina nos hospitais portugueses. Ou seja, assim que a grávida chega é ligada ao CTG e só depois de o bebé nascer é liberta dos eléctrodos. No entanto, a Organização Mundial de Saúde considera que o CTG não deve ser usado de forma contínua em gravidezes de baixo risco. O CTG limita os movimentos da grávida o que pode ter mais desvantagens do que a monitorização contínua, sobretudo quando se trata de gravidezes de baixo risco. Se não existe risco acrescido no parto para si e para o seu bebé, pode solicitar no seu plano de parto que a monitorização com o CTG não seja contínua, mas apenas esporádica, de forma a avaliar pontualmente a intensidade das contracções e o bem-estar fetal."(2)

Tipos de CTG:

"Existem diferentes tipos de CTG, conforme o contexto e o objectivo do exame. O mais conhecido (e que muitas vezes é desigando por CTG) é o NST ("non stress test"). É o mais simples, exige apenas" que a grávida esteja em repouso, deitada de lado ou semi-sentada "e pode ser feito antes do parto, em consulta com o médico assistente" ou "num serviço de urgência."(1)

É importante porque na altura do parto permite manter uma monitorização constante e antes do parto, "o registo do ritmo cardíaco fetal é sempre realizado de modo indirecto, através de um doppler seguro por uma cinta no local do abdómen materno onde os batimentos fetais são mais audíveis." Foi através de um aparelho destes que eu passei a noite a ouvir o coração do meu bebé, quando caí e fui internada. Outra mãe, de 41 semanas, andava pela sala com um semelhante, mas com uma tecnologia diferente, sem fios. Quanto às contracções, o seu registo é também indirecto, através de um aparelho chamado "todinamómetro, seguro no fundo uterino que lê a pressão por ele exercida."(1)

"O menos conhecido é o CST ("contraction stress test"). Se o primeiro (NST) não for conclusivo, realiza-se o CST."

"Após um período inicial em que se verifica que a grávida não tem contracções e em que o traçado se mantém inconclusivo, é administrada ocitocina à grávida a fim de serem provocadas contracções regulares (stress test)" e daí é então analisada "a resposta fetal."(1)


No parto:

"Durante o parto, a frequência cardíaca fetal pode ser avaliada como antes do parto pelo doppler no abdómen materno ou, após a ruptura da membrana amniótica através de um pequeno eléctrodo colocado na cabeça fetal que faz uma leitura directa do seu ritmo cardíaco."(1)


Bibliografia:

(1)-BRAVO, Inês, "O que é o CTG", Pais e Filhos, Setembro de 2006;
(2)-http://www.mae.iol.pt/artigo.php?div_id=3629&id=933478