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domingo, 25 de novembro de 2012

Sabiam que...

...hoje se comemora o Dia Internacional da Não violência contra as mulheres?
Eu acho triste ter de haver um dia para se falar deste assunto. É um sinal de que ainda há muito por fazer neste campo. Calamos e não pedimos ajuda para os gritos na porta ao lado? Quem nunca fez isso?

Já lá vai o tempo em que entre marido e mulher não se podia meter a colher! Haja quem não tenha medo de meter a colherada! Ligue 112 e denuncie. Peça ajuda por quem já não o consegue fazer.

domingo, 18 de novembro de 2012

Quando é que uma criança está em risco?

A Lei 147/99 (n.º 2 do artigo 3.º) considera que uma criança ou o jovem está em perigo quando, designadamente, se encontra numa das seguintes situações: está abandonada ou vive entregue a si própria; sofre maus tratos físicos ou psíquicos ou é vítima de abusos sexuais; não recebe os cuidados ou a afeição adequados à sua idade e situação pessoal; é obrigada a actividade ou trabalhos excessivos ou inadequados à sua idade, dignidade e situação pessoal ou prejudiciais à sua formação ou desenvolvimento; está sujeita, de forma directa ou indirecta, a comportamentos que afectem gravemente a sua segurança ou o seu equilíbrio emocional; assume comportamentos ou se entrega a actividades ou consumos que afectem gravemente a sua saúde, segurança, formação, educação ou desenvolvimento sem que os pais, o representante legal, ou quem tenha a guarda de factos, se lhes oponham de modo adequado a remover essa situação.


(BRÍGIDO, Pedro Luís Silva, Intervenção do Serviço Social com Crianças e Jovens em Risco – Ética e Prática Profissional - Departamento de Ciência Política e Políticas Públicas, ISCTE-IUL)

É importante pensarmos nas definições existentes para criança em risco?
Se isso nos levar a agir e não a esconder a cabeça na areia, sim. É importante sabermos o que é, como se determina, que profissionais estão envolvidos nas Comissões de Proteção, quais as suas funções e como estas se interligam entre si. A lei pode ser difícil de perceber, mas não é de todo impossível distinguir uma situação em que uma criança se encontra em risco. Basta olharmos os jornais diários para acharmos diversos casos. Muitos a mim me revoltam, outros trazem-me as lágrimas aos olhos pela sua violência. Aumentaram os casos, ou aumentou a sua difusão pelos media? Eu acho que é a segunda hipótese, sem no entanto descartar à partida a existência de um maior número de casos, caso tivesse dados concretos dessa situação. Terá havido um real aumento dos casos? Talvez sim, mas o que houve mesmo foi o aumento da sua difusão e do apareciemento de cada vez mais gente sem medo de falar, desde a mediatização do caso Casa Pia. Se teve alguma coisa de positivo, foi isso: dar voz aos que foram abusados e aos que sobrem maus tratos.

sábado, 17 de novembro de 2012

Dos maus tratos: o abuso sexual e o síndrome de Munchausen por procuração


Abuso Sexual: corresponde ao envolvimento de uma criança ou adolescente em
actividades cuja finalidade visa a satisfação sexual de um adulto ou outra pessoa mais velha.

Baseia-se numa relação de poder ou de autoridade e consubstancia.se em práticas nas quais a criança/adolescente, em função do estádio de desenvolvimento:

‐ Não tem capacidade para compreender que delas é vítima;
‐ Percebendo que o é, não tem capacidade para nomear o abuso sexual;
‐ Não se encontra estruturalmente preparada;
‐ Não se encontra capaz de dar o seu consentimento livre e esclarecido.

O abuso sexual pode revestir-se de diferentes formas – que podem ir desde
importunar a criança ou jovem, obrigar a tomar conhecimento ou presenciar
conversas, escritos e espectáculos obscenos, utilizá‐la em sessões fotográficas e
filmagens, até à prática de coito (cópula, coito anal ou oral), ou introdução vaginal
ou anal de partes do corpo ou objectos, passando pela manipulação dos órgãos
sexuais, entre outras ‐ as quais se encontram previstas e punidas pelo actual art.º
171.º do Código Penal (CP)6, que trata expressamente do crime de abuso sexual
de crianças.
Sempre que do acto resulte gravidez, ofensa à integridade física grave ou morte da vítima, infecções de transmissão sexual ou suicídio, a pena será agravada em metade ou em um terço, nos seus limites máximos e mínimos, conforme o caso em apreço e de acordo com a idade da vítima. O mesmo sucede se esta for descendente, adoptada ou tutelada do agente – art.º 177º CP.
Frequentemente, o abuso sexual é perpetrado sem que haja qualquer indício físico
de que tenha ocorrido, facto que pode dificultar o diagnóstico. Recomenda-se, sempre
que possível, a colaboração da saúde mental infantil, tanto na ajuda para o diagnóstico
como para a intervenção. Contudo, em algumas situações, é possível identificar sintomas/sinais deste tipo de mau trato.
Alguns sinais, sintomas e indicadores de abuso sexual

- Lesões externas nos órgãos genitais (eritema, edema, laceração, fissuras, erosão, infecção);
- Presença de esperma no corpo da criança/jovem;
- Lassidão anormal do esfíncter anal ou do hímen, fissuras anais;
- Leucorreia persistente ou recorrente;
- Prurido, dor ou edema na região vaginal ou anal;
- Lesões no pénis ou região escrotal;
- Equimoses e/ou petéquias na mucosa oral e/ou laceração do freio dos lábios;
- Laceração do hímen;
- Infecções de transmissão sexual;
- Gravidez.


Síndrome de Munchausen por procuração diz respeito à atribuição à criança, por
parte de um elemento da família ou cuidador, de sinais e sintomas vários, com o
intuito de convencer a equipa clínica da existência de uma doença, gerando, por vezes,
procedimentos de diagnóstico exaustivos, incluindo o recurso a técnicas invasivas e
hospitalizações frequentes.
Trata-se de uma forma rara de maus tratos, mas que coloca grandes dificuldades de diagnóstico, dado que sintomas, sinais e forma de abuso são inaparentes ou foram provocados subrepticiamente.

São indicadoras de Sindroma Munchausen por Procuração situações como, por
exemplo, as seguintes:
ministrar à criança/jovem uma droga/medicamento para provocar determinada sintomatologia; adicionar sangue ou contaminantes bacterianos às amostras de urina da vítima; provocar semi-sufocação de forma repetida antes de acorrer ao serviço de urgência anunciando crises de apneia.

A lei na questão da criança e jovem em risco:

Quando falamos em maus tratos falamos em leis. Mas o que dizem realmente as leis sobre este assunto. Aqui fica um artigo para analisarmos e pensarmos sobre algumas das suas alíneas.

Lei de protecção de crianças e jovens em perigo (N.o 204 — 1-9-1999 DIÁRIO DA REPÚBLICA — I SÉRIE-A 6117)

Artigo 3º
1 — A intervenção para promoção dos direitos e protecção da criança e do jovem em perigo tem lugar quando os pais, o representante legal ou quem tenha
a guarda de facto ponham em perigo a sua segurança, saúde, formação, educação ou desenvolvimento, ou quando esse perigo resulte de acção ou omissão de terceiros ou da própria criança ou do jovem a que aqueles não se oponham de modo adequado a removê-lo.
2 — Considera-se que a criança ou o jovem está em
perigo quando, designadamente, se encontra numa das
seguintes situações:

a) Está abandonada ou vive entregue a si própria;
b) Sofre maus tratos físicos ou psíquicos ou é vítima de abusos sexuais;
c) Não recebe os cuidados ou a afeição adequados à sua idade e situação pessoal;
d) É obrigada a actividades ou trabalhos excessivos ou inadequados à sua idade, dignidade e situação pessoal ou prejudiciais à sua formação ou desenvolvimento;
e) Está sujeita, de forma directa ou indirecta, a comportamentos que afectem gravemente a sua segurança ou o seu equilíbrio emocional;
f) Assume comportamentos ou se entrega a actividades ou consumos que afectem gravemente
a sua saúde, segurança, formação, educação ou desenvolvimento sem que os pais, o representante
legal ou quem tenha a guarda de facto se lhes oponham de modo adequado a remover essa situação.

Tipos de maus tratos (cont.)


Mau trato Físico:
Este resulta de qualquer acção não acidental, isolada ou repetida, infligida por pais, cuidadores ou outros com responsabilidade face à criança ou jovem, a qual provoque (ou possa vir a provocar) dano físico.
Este tipo de maus tratos engloba um conjunto diversificado de situações traumáticas, desde a Síndroma da Criança Abanada até a intoxicações provocadas.

Sinais que podemos observar nestas crianças:

- Equimoses, hematomas, escoriações, queimaduras, cortes e mordeduras em locais pouco comuns aos traumatismos de tipo acidental (face, periocular, orelhas, boca e pescoço ou na parte proximal das extremidades, genitais e nádegas);

- Sindroma da criança abanada (sacudida ou chocalhada);

- Alopécia traumática e/ou por postura prolongada com deformação do crânio;

- Lesões provocadas que deixam marca(s) (por exemplo, de fivela, corda, mãos,

chicote, régua…);

- Sequelas de traumatismo antigo (calos ósseos resultantes de fractura);

- Fracturas das costelas e corpos vertebrais, fractura de metáfise;

- Demora ou ausência na procura de cuidados médicos;

- História inadequada ou recusa em explicar o mecanismo da lesão pela criança ou

pelos diferentes cuidadores;

- Perturbações do desenvolvimento (peso, estatura, linguagem, …);

- Alterações graves do estado nutricional.   Para saber mais:   Alopécia ou alopecia é a redução parcial ou total de pelos ou cabelos em uma determinada área de pele. Ela apresenta várias causas, podendo ter uma evolução progressiva, resolução espontânea ou controlada com tratamento médico. Quando afeta todo os pêlos do corpo, é chamada de alopécia universal.  
Mau trato psicológico ou emocional:O mau trato psicológico resulta da privação de um ambiente de segurança e de bem-estar afectivo indispensável ao crescimento, desenvolvimento e comportamento equilibrados da criança/jovem.
Engloba diferentes situações, desde a precariedade de cuidados ou de afeição adequados à idade e situação pessoal, até à completa rejeição afectiva, passando pela depreciação permanente da criança/jovem, com frequente repercussão negativa a nível comportamental.
Alguns sinais e sintomas que podemos observar nestas crianças:

- Episódios de urgência repetidos por cefaleias, dores musculares e abdominais sem causa orgânica aparente;

- Comportamentos agressivos (autoagressividade e/ou heteroagressividade) e/ou auto-mutilação;

- Excessiva ansiedade ou dificuldade nas relações afectivas interpessoais;

- Perturbações do comportamento alimentar;

- Alterações do controlo dos esfíncteres (enurese, encoprese);

- Choro incontrolável no primeiro ano de vida;

- Comportamento ou ideação suicida.   Para saber mais...   Enurese é a falta de controle da micção em idade que em que isto já deveria ter ocorrido. Encoprese é a dificuldade de controlar o esfíncter anal para a eliminação de fezes, voluntária ou não, em que eventualmente podem-se sujar as roupas do indivíduo. É uma desordem de causa fisiológica ou emocional, pode ocorrer tanto em adultos como em crianças, e é mais frequente nos indivíduos de sexo masculino.

Nas crianças a causa geralmente é psicológica, podendo estar ligada ao medo, ao stress, raiva e angústia.

Ainda sobre o tema dos maus-tratos...

Os maus tratos em crianças e jovens dizem respeito a qualquer acção ou omissão não acidental, perpetrada pelos pais, cuidadores ou outrem, que ameace a segurança, dignidade e desenvolvimento biopsicossocial e afectivo da vítima.

Temos que pensar que este deve ter uma abordagem multi-disciplinar, ou seja que existem vários tipos de maus-tratos.
Quanto ao conceito em si, existe uma multiplicidade de situações que consubstanciam a prática de maus
tratos, os quais podem apresentar diferentes formas clínicas, por vezes associadas: negligência (inclui abandono e mendicidade), mau trato físico, abuso sexual, mau trato psicológico/emocional e Síndroma de Munchausen por Procuração.

Negligência:
é a incapacidade de proporcionar à criança ou ao jovem a satisfação de necessidades básicas de higiene, alimentação, afecto, educação e saúde, indispensáveis para o crescimento e desenvolvimento adequados. Regra geral, é continuada no tempo, pode manifestar-se de forma activa, em que existe intenção de causar dano à vítima, ou passiva, quando resulta de incompetência ou incapacidade dos pais, ou outros responsáveis, para assegurar tais necessidades.
Podemos destacar alguns sinais de negligência:

- Carência de higiene (tendo em conta as normas culturais e o meio familiar);
- Vestuário desadequado em relação à estação do ano e lesões consequentes de
exposições climáticas adversas;
- Inexistência de rotinas (nomeadamente, alimentação e ciclo sono/vigília);
- Hematomas ou outras lesões inexplicadas e acidentes frequentes por falta de
supervisão de situações perigosas;
- Perturbações no desenvolvimento e nas aquisições sociais (linguagem,
motricidade, socialização) que não estejam a ser devidamente acompanhadas;
- Incumprimento do Programa‐Tipo de Actuação em Saúde Infantil e Juvenil e/ou
do Programa Nacional de Vacinação;
- Doença crónica sem cuidados adequados (falta de adesão a vigilância e
terapêutica programadas);
- Intoxicações e acidentes de reptição.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Feliz dia meus amores!

Hoje comemora-se o dia de S. Valentim. Não dou grande importância a esta data, mas a verdade é que sabe tão bem acordar e saber que tenho junto a mim os meus dois amores e que mesmo que os problemas da vida e as nossas angústias não nos deixem ser totalmente felizes, temos em cada coração um cantinho onde guardaremos sempre os beijos, os mimos, os sorrisos.

Esta semana tenho andado super cansada. O fim-de-semana passou a correr e não tive ordem de descansar nada. As noites têm sido mal dormidas e acordo com a sensação que só me deitei à pouco tempo. Felizmente vêm aí uns dias de férias e vem o Carnaval, para ver se me animo. Mas este ano como nem vou desfilar também tenho andado um pouco alheada de tudo.

E hoje custou-me ver as notícias no Correio da Manhã daquele C***** que matou à catanada a família. Que linda menina, um anjo que vai mais cedo para o céu e que morreu de uma forma tão bárbara. Às vezes só me apetece chorar com estas coisas...

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

A vida às vezes é madrasta.

A vida pode mudar de repente sem nós esperarmos. Do nada, num segundo em que se toma uma decisão - boa ou má - podemos mudar duas pequenas vidas. No passado Sábado à noite o meu pai apercebendo-se de movimento no prédio, foi espreitar. Uma das vizinhas, que o meu pai não conhecia, estava a ser levada no INEM, o companheiro dela queria ir também, mas havia duas bebés em casa. O meu pai e a mulher ofereceram-se para ficar essa noite com as bebés. Até hoje estão lá. A mais nova tem 17 dais e a mais velha faz hoje 2 aninhos. A mãe está internada no hospital, o resto da história pouco se sabe... a mais velha nem percebia o que lhe diziam porque a mãe é marroquina e em casa falavam em francês. Roupa só a que traziam no corpo. O meu pai no Domingo foi comprar leite de lata para a bebé - que até ali só conhecia  amama da mãe -  e tem-se desenrascado conforme pode.
Bastou um momento, para aquelas duas bebés estarem na casa de pessoas estranhas. Faz-me pensar se não tiveram sorte por estar ali o meu pai, que com a família está a cuidar delas o melhor que sabe e pode. Mas faz doer o coração saber que as meninas não têm nada. Porque é que as meninas não tinham mais que a roupa do corpo? A bebé tinha ainda a roupa do hospital. Que mundo é este? Que se passaria com esta mãe - já para não falar do pai da criança? Gostava de saber mais sobre elas e poder ajudar. Para já vou mandar roupa que é o que consigo arranjar agora.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Pelos Rafaéis deste país

O bullying é um drama que afeta crianças e jovens em todo o mundo. Ser enxovalhado, pressionado, agredido, humilhado, e.. por fim... atingir o tal ponto de ebulição em que o sangue ferve nas veias e a reação se dá. Mas para este Rafael, a reação seguiu o trilho errado e em vez de o libertar das amarras e o trazer à vida, seduziu-o para uma saída aparentemente mais fácil e dócil, da morte.

Para todos os Rafaéis do nosso país e para todos os pais:

- A força mede-se pela determinação em querer agir e em fazê-lo para mudar. Seja um aviso, seja uma reprimenda ao agressor, seja tão apenas um puxar de orelhas, ou ir mais além, temos de punir quem agride, quem violenta, quem persegue. Para que os Rafaéis deste país tenham um espaço por onde caminhar seguros, e para que se sintam protegidos e não abandonados. Para que queiram a vida em vez de procurarem o sossego da morte. Um sossego que não tinham na escla que os devia proteger...

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Ainda sobre as amas...

...ilegais.

Mais do que de ilegalidade, fala-se aqui em maus tratos e em desrespeito pela criança.

"Quando a assistente social passou pelo papagaio, percebeu que a ama (...) escondia algo. O pássaro só dizia palavrões, um léxico que parecia ter aprendido com a dona."(1) Assim começa o artigo da Sábado sobre o atual tema das amas ilegais. Mas um papagaio mal-educado, não prova nada em concreto. No entanto, basta continuarmos a ler a reportagem para ficarmos com os cabelos em pé.

"Noutras divisões havia mais crianças a dormir. E, ao fundo, na sala, estava um menino de 5 anos sozinho." Relata a assistente social que ele se tinha portado mal e estava de castigo, sozinho. "Entretanto uma bebé acordou e, em vez de a segurar com cuidado, a ama agarrou-a pelo braço e num esticão pegou-lhe ao colo. Mesmo em frente à assistente social."

E se isto é o que acontece às claras, sem mostras de remorso, que se passará quando esta pessoa fica sozinha com as crianças? Nem quero imaginar...

"Quando o caso é filmado ganha outra dimensão. Maria Helena Mesquita, conhecida por Vavá, foi filmada a bater nos bebés que tinha a seu cargo."(1)

Muitas são as situações que chegam à PJ mas dessas, nem todas têm seguimento. Falta de provas é a razão mais frequente. "Entre os processos mais violentos está o de uma criança que era queimada pela ama com pontas de cigarros." Esta "alegou que o miúdo se punha a engomar e queimava-se no ferro." Mas nem que isso fosse verdade, as marcas são diferentes e não é de esperar por nenhum pai ou mãe (espero eu) que uma criança entregue aos cuidados de uma ama se ponha sequer a passar a ferro! (Nem que a queime com cigarros!)

Além dos maus tratos, também há os acidentes, que acontecem por descuido, falta de capacidade para tomar conta de crianças e bebés, falta de formação e negligência. São frequentes quando as amas, aproveitam quando as crianças dormem a sesta, para irem ao café ou ao cabeleireiro. Nos casos de acidente, há a situação em que uma criança morreu porque a ama a virou ao contrário e a sacudiu porque se tinha engasgado.

(1) - BARBOSA, André et al., "Vai deixar o seu filho numa ama?", SÁBADO, nº 371;

sábado, 11 de junho de 2011

Bullying

É uma ocorrência muito frequente entre as crianças hoje em dia, nas escolas portuguesas. Umas vezes, as consequências são mínimas - embora não menos importantes - mas noutros casos, podem levar a danos sérios, à desistência da criança-vítima ou à expulsão (mais raramente) da criança-agressora. Na nossa infância, talvez até nos recordemos de alguns casos. Provavelmente, fomos vítimas e ultrapassámos. Alguns de nós ainda podemos trazer marcas dessa infância, que nos afectam no nosso mundo familiar e social.-

O bullying é o termo actualmente utilizado para descrever a "violência psicológica e física perpetrada pelos pares, colegas da escola, continuada no tempo e com o intuito de humilhar, rebaixar ou controlar, de alguma forma, alguém."(1)

João, 14 anos. Suicidou-se.
Durante muito tempo, foi vítima de bullying.

Alguém viu ou foi alertado? Sim, mas a ajuda não chegou a tempo. Outra sorte, tiveram os agressores que tanto têm dado que falar nos últimos dias na televisão: numa escola de Lisboa, duas jovem agridem violentamente uma terceira rapariga, enquanto outros jovens assistem à agressão. Em vez de socorrer a vitima, proferem palavras de incentivo às agressoras e filmam todo o episódio para publicar no facebook. O vídeo passou inúmeras vezes nos vários canais e é bastante expressivo.

Este fenómeno, infelizmente, não é pontual, acontece em vários países pelo mundo fora, mas não deixa de ser totalmente reprovável e um foco de preocupação.

Outro caso, passou-se dias depois e levou uma jovem às urgências com várias facadas e com a face desfigurada. Além das mazelas físicas, esta jovem terá de lidar também agora com as dores psicológicas. E essas demorarão certamente mais a sarar.

Bibliografia:

(1) - MATEUS, Bruno, "Bullying, a violência entre iguais", Domingo, 1/Março/2009;

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Creche ilegal encerrada em Lisboa - RTP Noticias, Vídeo

País - Creche ilegal encerrada em Lisboa - RTP Noticias, Vídeo


À porta fechada tudo pode acontecer. Reconhecer sinais de alarme é importante. E quando há dúvidas, deve-se agir de imediato e tentar esclarecer as situações prontamente - seja com a ama, seja numa Creche ou noutra qualquer instituição pública ou privada onde se deixe uma criança.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Os desaparecidos...

...de quem hoje se fala. Lembram-se os que se perderam... os que fugiram... os que foram roubados, raptados por redes de tráfego, por pedófilos, pelo pai... pela mãe...

Por má intenção, crime... vergonha, desespero, revolta.

Hoje lembram-se as crianças e jovens que por algum motivo, esta noite, não estão em casa, não têm aconchego. Mas mais que tudo isso, hoje fala-se dos pais que não vão dormir porque não sabem onde está o seu bebé.

Os desaparecidos, os levados e os fugidos. Que hoje, uma luz lhes ilumine o caminho de regresso a casa.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

A dormir não dão trabalho!

Acordo hoje sábado com a energia do meu bebé que já está habituado a logo de manhã "saltar" da cama e sair comigo de casa. Queria descansar mais um bocadinho, mas a sua energia está no auge e por isso levantamo-nos os dois e vamos para o tapete brincar, ouvir música (hoje clássica, Mozart para bebés, o youtube ajuda) e qual não é o meu espanto quando num bloco noticioso vejo que uma Creche dava ansiolíticos para adormecer os bebés. Sim, porque eles a dormir são uns anjos! Onde é que este mundo vai parar? Como é que estarão aqueles pais que confiaram os seus bebés àquelas pessoas e que agora descobriram que afinal eles não eram bem tratados?

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Crianças mal-amadas

Este tema tristemente passa muito aqui por este blogue. Mas como educadora sinto que tenho, tal como os outros cidadãos, a obrigação de comunicar e denunciar as várias situações que vou tomando conhecimento, seja pelas notícias, seja por outros meios.

Que se passa com o nosso mundo que permite que crianças sejam soldados em conflitos armados, empunhando armas às vezes maiores que elas, matando e sendo mortas? Conflitos que além da morte direta, deixa as zonas onde vivem na maior miséria possível de imaginar, deixando bebés e crianças morrer de fome, ou estropiadas por minas terrestres, abandonadas muitas vezes à sua sorte?

E que mundo é este que nos deixa perplexos sempre que abrimos os jornais diários e vemos pais que violaram filhas durante anos, sob a proteção do medo? Aqui mesmo ao lado, no nosso país, na nossa cidade, no nosso bairro? E que fazemos nós contra isso? A denúncia é a forma mais eficaz de proteger e amar estas crianças, porque elas precisam que deixemos de lado o medo e a vergonha, e as sejamos capazes de amar, dar voz e proteger de quem as maltrata. Que é difícil? É. Que muitas vezes fica tudo na mesma? Sim, talvez em alguns casos isso aconteça, mas a cidadania não é só votar nas eleições, nem apenas participar na vida comunitária do nosso bairro ou na associação mais próxima. Ser cidadão é também dar voz a um menino que sofre. É ativar os meios para que seja protegido. É apoiar as Instituições que os acolhem.

Os maus tratos passam pelas agressões físicas e verbais, pelos abusos sexuais, pela fome e má-nutição. Também maltrata uma criança a mãe que fuma com um bebé ao colo. E quantas de nós fazemos alguma coisa? Eu aqui confesso. Vi isso acontecer esta semana, junto ao Hospital G. Orta, uma mãe (uma mulher penso que era a mãe, mas isso também não importa para aqui), sentada com um bebé de cerca de 6 meses ao colo. Ela fumava e o bebé dormitava de cabeça caída para a frente, gorro de lã na cabeça que lhe tapava os olhos. Ela só depois de acabar o cigarro, se apercebeu e endireitou o gorro. Porque não pediu a alguém para lhe pegar no bebé e se afastou um pouco para poder fumar, se isso era mais importante que o bebé que tinha no colo? E eu não fiz nada contra isso e sinto-me mal por isso. É a vergonha em lá ir e enfrentar, sermos críticos e sim!, metermo-nos na vida dos outros, que nos fazem calar e ser cúmplices destas situações.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Maus tratos infantis nas Famílias

Infelizmente este é um tema sempre actual.
Todos os dias há casos que escoam para a comunicação social. Digo escoa porque muitos não saem do silêncio de quatro paredes. Os maus tratos infantis que aqui abordo são de diversos tipos, desde os verbais aos sexuais, passando pelas agressões físicas e psicológicas, estas últimas transversais a todos os outros.

Segundo um estudo de uma Universidade da Flórida, "humilhar, envergonhar ou ameaçar pode ter tantos efeitos negativos numa criança quanto bater ou abusar sexualmente."(1) Bem eu por aí não sei. Acho que são coisas diferentes, cada uma delas graves, mas com graus de gravidade que não podem ser comparados de ânimo leve. "Os especialistas alertam para o facto de a baixa auto-estima na infância causada pelos maus tratos verbais se prolongar até à idade adulta."(1) Tal como acontece com os outros tipos de maus-tratos, mas volto a referir que mesmo que deixem marcas graves, não serão comparáveis aos abusos sexuais. Comportam ambos uma coisa em comum: o desrespeito pela criança e pela condição humana.

Os maus-tratos infligidos ba infância podem, segundo um estudo canadiano publicado na Nature Neuroscience, alterara alguns genes "deixando a vítima mais vulnerável a doenças mentais e ao suicídio."(2)

Ainda no campo do "infelizmente", as estatísticas dão-nos conta de que "cerca de 18% dos menores sofrem algum tipo de abuso sexual."(3) Estes dados têm já cerca de 8 anos, mas estarão ainda actuais ou até serão peocupantemente piores. No que respeita ao flagelo dos abusos sexuais, "tudo indica que, na sua maioria, os agressores sexuais tÊm uma clara preferência por crianças do sexo feminino."(3)

E tal como faço referência no título do post, estes abusos decorrem muitas vezes no seio familiar. Vários casos podem ser descritos como sendo um exemplo para as milhares de situações que ocorrem pelo país fora escondidas entre quatro paredes. "O anonimato protege uma mulher comum de 30 anos (...) Durante sete anos, entre os cinco e os doze, foi violada dentro de casa, quatro mudas paredes, pela pessoa que mais obrigação tinha de a proteger."(4) Não vou aqui copiar a história nem os pormenores que a tornam especial de entre tantas. tal como em tantos casos a agressão passava-se na presença de outras crianças, o que resulta num duplo abuso. "Na mesma cama, os irmãos dormiam sem, aparentemente, nada notarem. O silêncio, à semelhança da escuridão, encobria um abuso sexual que aniquilou a inocência e deixou marcas difíceis de apagar."(4) A verdade é que não era a única vítima naquela casa. A irmã, um ano mais nova, também tinha sofrido no corpo por pelo menos duas vezes a mesma situação.

Poucos são os casos que chegam às barras dos tribunais, apenas se vê a ponta do iceberg. As crianças abusadas são muitas vezes convencidas de que é errado falar. "O agressor encarrega-se de fazer acreditar que o que está acontecendo é normal e que acontece a todas as crianças. Por outro lado, as ameaças e as chantagens a que são submetidas costumam dar lugar à chamada síndroma de acomodação ao abuso que consiste em a criança acomodar-se a uma situação da qual não consegue escapar."(3)

Não devemos esquecer que a denúncia é o primeiro e mais eficiente meio de ajudar a criança. Ajudá-la a verbalizar o que se passa, embora seja por vezes uma tarefa bem complicada. "Muitas vezes, as crianças não falam porque receberam a ordem de não contar nada, mas se alguém lhes dá licença para o fazer, sentem-se aliviadas e falam."(3)

"É mais fáci, mesmo assim, falar com pessoas de fora do que com as de dentro porque isto são segredos familiares que os envolvidos não querem ver revelados", diz a pedopsiquiatra Ana Vasconcelos.(4) Segundo a psicóloga Francisca Rebocho, existe no interior do país "uma subcultura que aceita que os pais iniciem sexualmente as filhas."(4) Uma desculpa para um acto de barbaridade e de completo desrespeito pelas filhas das quais deviam ser responsáveis por amar e não "um direito do pai" que as trata como objecto sexual.


Bibliografia:

(1)-"Maus tratos verbais iguais a maus tratos físicos", Pais e Filhos, Agosto de 2006;
(2)-"Comportamento", Revista Domingo, 1 de Março de 2009;
(3)-"De olhos bem abertos", Superbebés, Dezembro de 2002;
(4)-SILVA, Marta Martins, "Infância enganada pelo pai", Revista Domingo, 20 de Setembro de 2009;

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Será possível?

Estava a ver agora as notícias na televisão. Fiquei completamente de boca aberta. Mas isto é possível?
Parece que sim, mas não deveria acontecer. Não no século em que estamos, não numa sociedade informada, não com uma criança. E não em venham com a história que é pobre, ou que é culturalmente aceite na sua terra de origem! Isto é abuso de uma criança, de uma menina cujo corpo não está preparado para uma gravidez! Ainda nem passou pelas alterações fisiológicas da adolescência! Mas onde é que isto pode ser aceite?

Não devia ter acontecido, mas se aconteceu deveria ser possível - e até obrigatório - que ela abortasse! Não me cabe na cabeça que a opção de ter a criança seja a melhor. Mas pelo que parece, com o consentimento dos pais, esta menina tinha já a sua infância estragada à muito. Se é que alguma vez teve oportunidade de brincar e de ser criança.

Menina com 10 anos deu à luz bebé com 2,9 quilos

2010-11-02

Uma menina de 10 anos, de origem romena, deu à luz, há uma semana, no hospital de Jerez (Cádiz), estando mãe e bebé de perfeita saúde. Serviços sociais analisam se a família poderá cuidar da menina e do bebé.
O pai, que também é menor de idade, só soube que tinha tido um filho quando foi contactado pelo hospital de Jerez. Segundo o "Diário de Jerez", a menina vivia com o noivo antes de se mudar para Espanha com a família.
Micaela Navarro, a conselheira para a Igualdade e o Bem-Estar Social da Junta da Andaluzia, que se mostrou bastante surpreendidas por este acontecimento "sem precedentes" na Andaluzia, informou ainda que a instituição que tutela está a analisar o caso e irá decidir se o bebé, que nasceu com 2,9 quilos, irá permanecer com a família.
A menina pediu a previamente a tutela, pelo que, em princípio, o bebé ficará com ela.
Caso os serviços sociais concluam que os pais não estão em condições de cuidar da menina e do bebé, "tentará reforçar a protecção e verificar se outros familiares, como avós ou tios, podem assumir essa responsabilidade", explicou Micaela Navarro.
O parto desta menina de 10 anos surpreendeu os médicos que a assistiram, uma vez que tanto ela como a mãe permaneceram tranquilas e não manifestaram qualquer sinal de nervosismo.
A agora avó mostrou-se feliz pelo nascimento do neto, explicando que, no seu país, é habitual as meninas serem mães muito cedo.


De acordo com o Diário de Jerez, apesar da idade, a menina teve um parto natural.
O mesmo jornal adianta ainda que mãe e filho receberam alta no último fim-de-semana.
Na Andaluzia, 48 raparigas menores de 15 anos deram à luz em 2008, último ano com registos por parte do Instituto Nacional de Estatísticas espanhol.
De acordo com os mesmos registos, consultados pela agência de notícias Efe, nesse mesmo ano, 4585 jovens menores de 18 anos deram à luz.

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Mundo/Interior.aspx?content_id=1701228
 
Será que vai acontecer alguma coisa aos pais desta criança de 10 anos? E vão lhe dar a guarda da criança? Como? Tiram filhos a pais adultos por questões bem menores e agora dão um bebé a outra criança?

sábado, 5 de dezembro de 2009

O país em Notícias

"Libertado após ferir Criança"

No Correio da Manhã de hoje, a notícia de uma rixa entre traficantes no Bairro da Cruz Vermelha em Lisboa que ocorreu em 26 de Março deste ano, que termina com 11 disparos.
Um menino de 10 anos ficou ferido numa perna, o que lhe causou uma deficiência para sempre. O atirador, segundo o mesmo jornal, foi anteontem libertado porque o juíz não considera que "o acto configurasse um crime de homicídio tentado." Esta criança ficou marcada para toda a vida. E o atirador está em liberadade, quem sabe para voltar a disparar, sobre outras pessoas e outras crianças, talvez matando alguma.

Os projéteis foram disparados de uma viatura em andamento sobre um grupo. Foi para acertar à sorte não? E não é tentativa de homicídio?? O atirador deve ter pensado: "Vou atirar com cuidado para não matar ninguém!" Que pessoa conscienciosa!

Lá estou em outra vez! Estas coisas revoltam-me. Não importa quem são, mas a verdade é que andamos todos a pagar o realojamento destas pessoas, as quais na maioria das vezes só destroem o que lhes é oferecido. Mais uma vez questiono: Justiça??? Onde está?


No mesmo jornal...

8 anos de Prisão por abuso sexual

"Um homem de 55 anos, realizador, foi condenado pelo tribunal de Braga a oito anos de prisão efectiva pela prática de sete crimes de abuso sexual de crianças." As suas vítimas foram um menino de 13 anos e duas meninas, de 7 e de 5 anos.


Elsa Filipe

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Supremo reduz pena de pedófilo confesso

Hoje estou numa de explorar algumas notícias que fazem a nossa actualidade. Esta é de hoje, 02 Novembro 2009 - 00h30. E, embora algo complexa, dá muito por onde pensar...

Justiça: Tinha sido condenado a sete anos, vai passar seis na cadeia

Obrigava-os a despir a roupa, tocava-lhes no corpo e mandava-os fazer o mesmo. Depois chegava mesmo a masturbar-se em frente às crianças. Foi desta forma que durante mais de um ano um emigrante, de 55 anos, abusou de três irmãos – duas meninas de 9 e 11 anos e um menino de 12, filhos da empregada de limpeza. O caso veio a descoberto em 2008. O pedófilo confessou parte dos crimes e o Tribunal de Moura condenou-o a sete anos de cadeia, pena que o Supremo Tribunal de Justiça reduziu agora para seis anos.
Tudo começou em 2006 quando, após a separação dos pais, os menores começaram a acompanhar a mãe para o trabalho. A mulher passava graves dificuldades financeiras e o pedófilo ofereceu-se para a ajudar: dava de comer às crianças, oferecia-lhes dinheiro e deixava-as tomar banho em sua casa. Daí até aos abusos começarem foi um pequeno passo. Aproveitando-se da confiança que a mãe das crianças tinha em si, o pedófilo levava-as para sua casa. Aí, deitava-as na cama, despia-as e começava a tocá-las até se masturbar. Em outras ocasiões o emigrante chegou mesmo a tirar a sua roupa e a do menino e a obrigar a criança a sentar-se durante vários minutos no seu colo.


Com medo e vergonha, as crianças nada contavam à mãe e os abusos continuaram durante quase dois anos, até que um dos irmãos resolveu dizer o que se passava. O pedófilo foi imediatamente preso e as crianças retiradas à progenitora pois o tribunal considerou que esta teve uma atitude negligente, e decidiu colocar os três menores numa instituição.


EMIGRANTE DIZ SENTIR-SE ENVERGONHADO


Para além de confessar o que fez, o pedófilo admitiu ainda que se sente "culpado e envergonhado" por ter abusado dos menores e que quando ajudou a família nunca o fez com segundas intenções.


Emigrante na Suíça durante mais de vinte anos, o homem voltou para Portugal em 1999, onde trabalhou num bar. Um ano depois o pedófilo abandonou a companheira e desde esse dia começou a envolver-se com adolescentes e crianças, sendo estes os seus companheiros do dia--a-dia. Os exames psicológicos realizados revelaram que o emigrante tem características paranóides. Para além da baixa auto-estima e desvalorização pessoal, o homem revela uma grande instabilidade emocional e os médicos consideram inclusive que há risco de suicídio.


TRIBUNAL SEPAROU OS TRÊS IRMÃOS


Após os abusos serem descobertos, o tribunal retirou as crianças à mãe. Desde esse dia vivem em instituições separadas: o menino foi colocado na Casa Pia e as meninas na Fundação Manuel Gerardo.


Ainda hoje as crianças têm vergonha do que aconteceu. Os menores revelam uma enorme tristeza por terem sido alvo de abuso e têm muita dificuldade em falar do que se passou. Na escola o insucesso dos menores é bem visível e os comportamentos delinquentes revelam a revolta que os irmãos sentem.

Perante o juiz, o pedófilo confessou grande parte dos crimes que cometeu ao longo de quase dois anos. No entanto, durante o julgamento, o emigrante negou sempre ter abusado da menina mais nova. Para além disso, o homem chegou ainda a afirmar que as duas crianças mais velhas se expuseram e "tinham comportamentos provocatórios", o que o motivou a abusar deles.


Em alguns casos que leio nas notícias, fico desolada ao ver que as crianças além de tudo o que sofriam ainda eram maltratadas pela mãe. No entanto, neste caso segundo pelo menos o que se lê na notícia, a mãe apenas pecou ao não se aperceber do que se passava e por ter confiado demais num estranho. Mas aqui as crianças foram retiradas do seu agregado familiar e até separadas. Qual será o motivo para este desfecho?

Mais do que a redução da pena do pedófilo (porque isso já parece ser normal, apesar de absurdo, no nosso país) o que mais me choca é a forma como as crianças foram tratadas no decorrer de todo o processo. Nas suas cabeças, estará a culpa do que sucedeu - isso é comum - e o castigo pelos seus actos: ficarem longe da mãe e longe uns dos outros. Não será mais ou menos isso em que pensam? Que acompanhamento tiveram ou têm nas Instituições onde estão?

Nenhum, ou pelo menos, não o que parece adequado. Se não é assim, corrijam-me. Ficarei muito feliz se souber que o quadro destas crianças não é assim tão negro.

Elsa Filipe

Atira-se com filho ao rio

Esta é a notícia do Correio da Manhã de 29 Outubro 2009 - 00h30

Impressionante!


Gaia: Mulher foi salva mas menino de 6 anos está desaparecid
Anabela vivia amedrontada com a ideia do filho morrer e a cada dia que passava ficava mais convencida de que o menino de seis anos tinha uma doença incurável. Anteontem à noite a mulher decidiu acabar com o "sofrimento": em desespero pegou no filho e atirou-se ao rio Douro, levando o menino para a morte. Anabela sobreviveu, ao contrário de André. O corpo da criança continuava ontem à noite por encontrar.  
Esta foi a primeira versão apresentada pela mulher à polícia, logo após ter sido resgatada. Ao longo do dia Anabela acabou por apresentar inúmeras histórias, sendo que numa delas dizia que o menino caiu ao rio acidentalmente e que ela se tinha atirado para o salvar. As autoridades estão seguras que a versão inicial é a verdadeira.

Tudo leva a crer que a mulher preparou a morte do filho ao pormenor. Anabela saiu da sua casa, em Vilar do Andorinho, com o menino. Eram 15h00 de anteontem. As horas passaram e a família começou a ficar preocupada com o desaparecimento. Eram 08h00 de ontem quando os receios se confirmaram. "A polícia ligou à família a contar que ela estava viva e que tinha aparecido no rio. Não sabiam onde estava o menino", contou ao CM Francisco Fernandes, amigo da família.


Anabela foi resgatada por dois remadores que passavam junto à ponte D. Luís, a mais de três quilómetros do esteiro de Avintes, onde abandonou o carro, se atirou e ao menino ao rio e onde diz estar o corpo de André. Estava em hipotermia e só chamava pela criança. "Ela dizia que queria ir ter com o filho, que precisava de o ver ", disse Fernando Silva, que viu a mulher ser salva.

 No vidro da frente do carro, que foi abandonado fechado à chave, a mulher deixou dois bilhetes: com o nome e o número de telemóvel do marido.


FAMÍLIA FAZ BUSCAS NO RIO
Em desespero, alguns familiares do pequeno André pediram um barco emprestado a um pescador para assim eles próprios tentarem descobrir o corpo do menino. "Fiz questão de emprestar o meu barco à família. Eles estão desesperados e quanto mais gente procurar o menino melhor", explicou ao CM Francisco Fernando, o dono da embarcação. Quer a família quer os bombeiros procuraram o corpo do menino durante várias horas, no entanto, sem resultado.






"ELA SOFRE DE UMA DEPRESSÃO HÁ VÁRIOS ANOS"
Anabela sofre de uma depressão pós-parto desde que o filho nasceu. A partir dessa altura a mulher começou a refugiar-se em casa e deixou mesmo de trabalhar. "Desde que o menino nasceu ela ficou com uma depressão. Nunca mais foi a mesma pessoa. Andava sempre muito calada e raramente saía de casa", contou ao CM Mónica Correia, vizinha da família.

No hospital não há registos de outras tentativas de suicídio. No entanto, alguns vizinhos dizem que Anabela tinha um comportamento estranho. "Por várias vezes ela ameaçou que se ia matar. Dizia que a vida dela já não tinha importância", disse Fernanda, outra vizinha. Apesar de tudo, a mulher tinha uma boa relação com o marido e o casal raramente discutia.



Como Educadora e como mulher, estas questões também me preocupam imenso, pois custa-me imenso a perceber e compreender o que terá passado pela cabeça desta mulher. Como é que ela chegou a este ponto sem que ninguém tivesse dado conta de nenhum sinal de alerta? Será possível que andemos todos de olhos fechados com o que se passa à nossa volta?
E quantas crianças estarão em risco neste país, com progenitores como esta mulher?
 
Elsa Filipe