Depois de ontem termos falado do Concerto nº1 para Piano e Orquestra continuando a completar a lista de posts destinados a ilustrar as 100 obras que recomendo para começarem a ouvir música clássica (com bastante batota já que devido a entradas com múltiplas sugestões são algo mais do que 100 :-)) hoje iremos falar-vos do Concerto nº2 para Piano e Orquestra de Liszt.
Este concerto foi composto em 1839 uma década depois dos primeiros esboços do primeiro mas foi guardado sem que tenha sido publicado ou interpretado durante mais de uma década como aliás também aconteceu com o primeiro concerto como vimos ontem. Esta obra foi estreada a 7 de Janeiro de 1857 sendo solista o aluno de Liszt Hans von Bronsart a quem o concerto aliás é dedicado e a orquestra dirigida pelo próprio Liszt.
Se o primeiro concerto já demonstrava o carácter inovador de Liszt e profundamente romântico na forma este segundo leva essa característica ao extremo. Na verdade esta obra, claramente menos virtuosa na sua exigência técnica é composta por um único andamento dividido em seis partes (nem sempre são assim indicadas, sendo estas divisões na verdade bastante subtis podem existir diferentes interpretações). Mais ainda Liszt que como vos dissemos ontem foi o inventor do conceito de poema sinfónico inicialmente apelidou este concerto de "concerto sinfónico" um termo que o seu amigo Henry Litolff utilizou para definir um novo conceito em que o concerto deixava de ser apenas uma forma de exposição dos dotes de virtuoso do solista para ser um verdadeiro diálogo entre o instrumento solista e a orquestra.
Liszt acabou no entanto por abandonar essa intenção embora seja verdade que este concerto equilibra bastante o papel do solista e da orquestra. Tão importante quanto isso é a forma de composição em que Liszt leva ao expoente máximo a técnica de desenvolvimento temático e transformação de um único tema ao longo literalmente de toda a obra dando-lhe uma maravilhosa sensação de unidade.
O concerto começa com a exposição do tema que nos vai acompanhar durante 20 minutos nas suas várias metamorfoses, algumas dificilmente identificáveis, uma maravilhosa e tranquila primeira exposição pelos sopros que o piano começa por simplesmente acompanhar enquanto as cordas retomam a sua exposição. Estes primeiros minutos do concerto estão entre os meus preferidos. O ambiente quase melancólico é cortado pelo piano com um tema com um ritmo muito marcado que vai levar a orquestra a um picos emocionais da obra. A outra passagem de que gosto particularmente é aquela que corresponde à terceira parte em que um violoncelo solo introduz de novo o tema literalmente acompanhado pelo piano.
Escolhi para ilustrar esta obra uma gravação que não tendo grande qualidade sonora é uma interpretação histórica. Podemos nesta gravação ouvir Claudio Arrau com Filarmónica de Nova Iorque dirigida por Szell. Uma gravação de Dezembro de 1946.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
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sábado, 30 de março de 2013
sexta-feira, 29 de março de 2013
Liszt - Concerto nº 1 para Piano e Orquestra
Hoje voltamos à nossa lista de 100 obras completando a primeira parte de uma das entradas que dedicamos a Liszt. Falaremos hoje do seu primeiro concerto para Piano e Orquestra.
Antes disso deixem só referir que este compositor é um daqueles cujo papel na história da música é muitas vezes ignorado ou diminuído quando na realidade Liszt foi um homem absolutamente brilhante sendo a sua influência na segunda metade do século XIX absolutamente fundamental.
Este concerto começou a ser concebido em 1830 (os primeiros temas são desta data) tendo decorrido portanto mais de 25 anos até à sua estreia em Weimar a 17 de Fevereiro de 1855 sendo a orquestra dirigida por Berlioz e o solista o próprio Liszt. Imaginem o privilégio daqueles que estiveram nessa sala.
O concerto tem uma preocupação de unidade própria de Liszt sendo constituído por 4 andamentos que são interpretados sem interrupção entre eles (apesar disso não ser explicitamente referido por Liszt entre o primeiro e o segundo andamento essa é claramente a intenção compositor) . O concerto é relativamente curto (um pouco menos de 20 minutos) mas não deixa por isso de transmitir uma dimensão artística notável não só pelo virtuosismo pianistico necessário para a sua execução mas sobretudo pela forma do concerto que ao incluir um ultimo andamento que resume o material anteriormente exposto transmite precisamente aquele sentimento de unidade e integralidade que aprecio especialmente.
O facto do concerto conter 4 andamentos aproxima a sua forma mais de uma sinfonia do que do tradicional concerto o que não nos deve surpreender no inventor do poema sinfónico. Na verdade quase que podemos dizer que este concerto conta uma história, com um inicio e um fim.
O primeiro andamento (Allegro Maestoso) inclui um tema que é recorrente ao longo do concerto. neste primeiro perto do minuto 2 podem ouvir uma das passagens que prefiro, um dialogo sublime entre o piano e um clarinete "infelizmente" cortado pelo reaparecimento do tema agora num modo quase furioso como se quisesse terminar este momento de poesia. O segundo andamento (Quasi adagio) - minuto 6" na interpretação que escolhemos - começa com os violoncelos e os contrabaixos em surdina a exporem o tema que é de seguida retomado pelo piano numa forma suave que aos poucos vai crescendo. O terceiro andamento (Allegretto vivace - Allegro animato) é introduzido por um triângulo. O que hoje pode parecer perfeitamente normal foi na altura severamente criticado ao ponto do nosso amigo, o critico Hanslick o ter apelidado "O Concerto do Triângulo". O quarto andamento (Allegro marziale animato)
como o tempo indica tem quase um carácter de marcha militar. Dizemos quase porque se é verdade que existe aquele ritmo forte que marca uma marcha este andamento não deixa também de como dizia Liszt efectuar o resumo dos restantes andamentos trazendo-os a uma conclusão.
Para a poesia de Liszt pensamos que é adequado escolhermos o "poeta" dos interpretes, Arturo Benedetti Michelangeli com a NHK dirigida por Alexander Rumpf numa gravação ao vivo de 1965.
Antes disso deixem só referir que este compositor é um daqueles cujo papel na história da música é muitas vezes ignorado ou diminuído quando na realidade Liszt foi um homem absolutamente brilhante sendo a sua influência na segunda metade do século XIX absolutamente fundamental.
Este concerto começou a ser concebido em 1830 (os primeiros temas são desta data) tendo decorrido portanto mais de 25 anos até à sua estreia em Weimar a 17 de Fevereiro de 1855 sendo a orquestra dirigida por Berlioz e o solista o próprio Liszt. Imaginem o privilégio daqueles que estiveram nessa sala.
O concerto tem uma preocupação de unidade própria de Liszt sendo constituído por 4 andamentos que são interpretados sem interrupção entre eles (apesar disso não ser explicitamente referido por Liszt entre o primeiro e o segundo andamento essa é claramente a intenção compositor) . O concerto é relativamente curto (um pouco menos de 20 minutos) mas não deixa por isso de transmitir uma dimensão artística notável não só pelo virtuosismo pianistico necessário para a sua execução mas sobretudo pela forma do concerto que ao incluir um ultimo andamento que resume o material anteriormente exposto transmite precisamente aquele sentimento de unidade e integralidade que aprecio especialmente.
O facto do concerto conter 4 andamentos aproxima a sua forma mais de uma sinfonia do que do tradicional concerto o que não nos deve surpreender no inventor do poema sinfónico. Na verdade quase que podemos dizer que este concerto conta uma história, com um inicio e um fim.
O primeiro andamento (Allegro Maestoso) inclui um tema que é recorrente ao longo do concerto. neste primeiro perto do minuto 2 podem ouvir uma das passagens que prefiro, um dialogo sublime entre o piano e um clarinete "infelizmente" cortado pelo reaparecimento do tema agora num modo quase furioso como se quisesse terminar este momento de poesia. O segundo andamento (Quasi adagio) - minuto 6" na interpretação que escolhemos - começa com os violoncelos e os contrabaixos em surdina a exporem o tema que é de seguida retomado pelo piano numa forma suave que aos poucos vai crescendo. O terceiro andamento (Allegretto vivace - Allegro animato) é introduzido por um triângulo. O que hoje pode parecer perfeitamente normal foi na altura severamente criticado ao ponto do nosso amigo, o critico Hanslick o ter apelidado "O Concerto do Triângulo". O quarto andamento (Allegro marziale animato)
como o tempo indica tem quase um carácter de marcha militar. Dizemos quase porque se é verdade que existe aquele ritmo forte que marca uma marcha este andamento não deixa também de como dizia Liszt efectuar o resumo dos restantes andamentos trazendo-os a uma conclusão.
Para a poesia de Liszt pensamos que é adequado escolhermos o "poeta" dos interpretes, Arturo Benedetti Michelangeli com a NHK dirigida por Alexander Rumpf numa gravação ao vivo de 1965.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Liszt : Études d'exécution transcendante (Segunda Parte)
A semana passada começamos a falar-vos desta obra - Liszt : Études d'exécution transcendante - hoje iremos terminar com os últimos seis estudos. Relembremos apenas que daremos sempre duas alternativas uma com imagem fixa e uma segunda com vídeo. Não porque as interpretações com video sejam piores mas porque teriamos dessa forma um reduzido número de pianistas e quisemos aproveitar para vos mostrar mais nomes.
Étude No. 7 (Eroica) em Mi bemol Maior : Este estudo adequadamente partilha a mesma tonalidade da Sinfonia Eroica de Beethoven o que pode justificar só por si o nome embora musicalmente mais do que "eroico" o tom seja nobre e digno. Este estudo não é considerado tecnicamente tão difícil como alguns dos outros sendo que alguns pianistas preferem a versão de 1837. Voltamos a começar com Cziffra para depois vos mostrar de novo Berezovsky.
Étude No. 8 (Wilde Jagd) em Dó Menor : Um nome sem dúvida adequado para uma peça que decorre num ritmo frenético (marcado como Presto Furioso) e que pretende retratar uma caçada. A peça tem uma parte inicial rápida para no meio ter uma parte mais lírica (mas não menos difícil por isso) para de novo terminar numa série de oitavas e acordes descendentes verdadeiramente desafiantes. É um estudo que testa a capacidade de resistência de qualquer pianista. A primeira interpretação que escolhemos é de Evgeny Kissin.
Para a segunda interpretação deste mesmo estudo mantemos Boris Berezovsky. Note-se a propósito desta interpretação que consta que Liszt e os seus alunos conseguiam tocar este estudo em cerca de 4 minutos precisos. Hoje em dia conforme podem ver estamos mais na base dos 4:30 ...
Étude No. 9 (Ricordanza) em Lá Bemol Maior: É um contraste marcante com o estudo anterior. Uma melodia nostalgica com variações para tornarem a peça um verdadeiro estudo. Primeiro interprete escolhido Lazar Berman.
Para o nosso vídeo com imagem do pianista voltamos à juventude (relativa claro, este pianista nasceu em 1972) desta vez com Dmytro Sukhovienko.
Étude No. 10 (Allegro agitato molto) Fá Menor: Um dos dois estudos sem titulo. Este começa de forma bastante agitada mas vai aos poucos tornando-se mais calmo. Para a interpretação por um pianista de referência proponho-vos Richter.
Para a versão com imagem escolhemos uma pianista Lola Astanova sobretudo conhecida pelo seu gosto no que diz respeito ao estilo e à moda. Uma espécie de David Beckham feminino no mundo da música clássica.
Étude No. 11 (Harmonies du Soir) Ré Bemol Maior: Musicalmente este é um dos estudos mais exigentes (juntamente com o nº 12) embora tecnicamente seja dos mais acessíveis. É também um dos mais inovadores em termos de tonalidade já que várias experiências em harmonias cromáticas tornam a tonalidade algo ambígua. Um dos estudos mais populares pela maior acessibilidade (pelo menos aparente) tanto quanto pelo lirismo da melodia. Voltamos a Claudio Arrau para este estudo.
Na versão com imagem voltamos também a Berezovsky.
Étude No. 12 (Chasse-Neige) Si Bemol Menor : Apesar do nome poder indicar uma peça relativamente calma na verdade se de neve se trata então estamos perante uma verdadeira tempestade. Uma peça que combina a dificuldade do toque leve em certas partes com a autêntica tempestade que se abate por vezes sobre o teclado. Para esta peça escolhemos Jorge Bolet
Para terminar teríamos de voltar a Berezovsky . Notem que a maior parte das interpretações que vos mostrei são de um mesmo concerto. Nos dias de hoje arriscar os doze estudos ao vivo e em sequência é obra. Dizemos isto porque a nossa tendência em comparar com gravações e perdoar menos os erros técnicos preferindo a perfeição à musicalidade expõe muito os pianistas (e outros músicos claro) em peças desta natureza. Um acto de coragem sem dúvida num concerto que deve ter sido memorável.
Étude No. 7 (Eroica) em Mi bemol Maior : Este estudo adequadamente partilha a mesma tonalidade da Sinfonia Eroica de Beethoven o que pode justificar só por si o nome embora musicalmente mais do que "eroico" o tom seja nobre e digno. Este estudo não é considerado tecnicamente tão difícil como alguns dos outros sendo que alguns pianistas preferem a versão de 1837. Voltamos a começar com Cziffra para depois vos mostrar de novo Berezovsky.
Étude No. 8 (Wilde Jagd) em Dó Menor : Um nome sem dúvida adequado para uma peça que decorre num ritmo frenético (marcado como Presto Furioso) e que pretende retratar uma caçada. A peça tem uma parte inicial rápida para no meio ter uma parte mais lírica (mas não menos difícil por isso) para de novo terminar numa série de oitavas e acordes descendentes verdadeiramente desafiantes. É um estudo que testa a capacidade de resistência de qualquer pianista. A primeira interpretação que escolhemos é de Evgeny Kissin.
Para a segunda interpretação deste mesmo estudo mantemos Boris Berezovsky. Note-se a propósito desta interpretação que consta que Liszt e os seus alunos conseguiam tocar este estudo em cerca de 4 minutos precisos. Hoje em dia conforme podem ver estamos mais na base dos 4:30 ...
Étude No. 9 (Ricordanza) em Lá Bemol Maior: É um contraste marcante com o estudo anterior. Uma melodia nostalgica com variações para tornarem a peça um verdadeiro estudo. Primeiro interprete escolhido Lazar Berman.
Para o nosso vídeo com imagem do pianista voltamos à juventude (relativa claro, este pianista nasceu em 1972) desta vez com Dmytro Sukhovienko.
Étude No. 10 (Allegro agitato molto) Fá Menor: Um dos dois estudos sem titulo. Este começa de forma bastante agitada mas vai aos poucos tornando-se mais calmo. Para a interpretação por um pianista de referência proponho-vos Richter.
Para a versão com imagem escolhemos uma pianista Lola Astanova sobretudo conhecida pelo seu gosto no que diz respeito ao estilo e à moda. Uma espécie de David Beckham feminino no mundo da música clássica.
Étude No. 11 (Harmonies du Soir) Ré Bemol Maior: Musicalmente este é um dos estudos mais exigentes (juntamente com o nº 12) embora tecnicamente seja dos mais acessíveis. É também um dos mais inovadores em termos de tonalidade já que várias experiências em harmonias cromáticas tornam a tonalidade algo ambígua. Um dos estudos mais populares pela maior acessibilidade (pelo menos aparente) tanto quanto pelo lirismo da melodia. Voltamos a Claudio Arrau para este estudo.
Na versão com imagem voltamos também a Berezovsky.
Étude No. 12 (Chasse-Neige) Si Bemol Menor : Apesar do nome poder indicar uma peça relativamente calma na verdade se de neve se trata então estamos perante uma verdadeira tempestade. Uma peça que combina a dificuldade do toque leve em certas partes com a autêntica tempestade que se abate por vezes sobre o teclado. Para esta peça escolhemos Jorge Bolet
Para terminar teríamos de voltar a Berezovsky . Notem que a maior parte das interpretações que vos mostrei são de um mesmo concerto. Nos dias de hoje arriscar os doze estudos ao vivo e em sequência é obra. Dizemos isto porque a nossa tendência em comparar com gravações e perdoar menos os erros técnicos preferindo a perfeição à musicalidade expõe muito os pianistas (e outros músicos claro) em peças desta natureza. Um acto de coragem sem dúvida num concerto que deve ter sido memorável.
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Liszt : Études d'exécution transcendante
A história destes estudos começou em 1826 quando Liszt então com apenas 15 anos escreveu uma série de doze estudos simplesmente chamada "Étude en Douze Exercices" (S. 136). É de notar que nesta altura Liszt vivia em Paris com a mãe e para sobreviver dava frequentes lições de piano de forma que estes estudos podem ter sido escritos com o objectivo de o ajudar nessa tarefa.
Uns largos anos mais tarde mais precisamente em 1837 Liszt viria a reescrever estes estudos chamando-os então "Douze Grandes Études" (S. 137). Já agora a titulo de curiosidade a nomenclatura que é seguida para identificar as obras de Liszt data de 1966 e é do musicologo e compositor Humphrey Searle (daí o "S"). A razão pela qual o número destas duas obras é consecutivo é que este catalogo segue uma ordenação temática e dentro dos temas cronológica. Isto significa que entre 1826 e 1837 Liszt não compôs nenhuma outra obra deste género. Nesta primeira revisão além de ter aumentado consideravelmente a sua dificuldade Liszt deu também um nome a todos os estudos excepto o nº 2 e o nº 10.
Em 1852 Liszt faria uma ultima revisão destes estudos (S.139) - sim neste intervalo existe uma outra obra deste tipo na realidade uma revisão intermédia do Estudo nº 4 - Mazeppa - essencialmente simplificando tecnicamente a execução (embora existam excepções à regra). Esta versão final foi dedicada por Liszt ao seu professor Carl Czerny ele também autor de vários conjuntos de estudos como todos os pianistas amadores mais ou menos sérios saberão.
Estes estudos na sua versão final tanto podem ser considerados como peças de estudo como peças de concerto pelo que são frequentemente interpretados e gravados pelos maiores pianistas não só pela sua dificuldade técnica mas também pela sua força expressiva. Antes de vos mostrar os estudos um por um falta apenas referir que cada um deles foi composto numa tonalidade diferente sendo que a intenção original de Liszt seria escrever um estudo para cada uma das 24 tonalidades tendo ficado assim a meio dessa tarefa.
Na escolha dos interpretes segui dois critérios diferentes e por isso por vezes vou mostrar-vos o mesmo estudo por dois pianistas. Em primeiro lugar procurei na medida do possível mostrar-vos interpretações de pianistas "históricos", daqueles que estão entre os melhores pianistas do século XX ou XXI. Em segundo lugar procurei privilegiar vídeos com imagens reais dos pianistas. Por fim procurei que houvesse uma escolha o mais ampla possível. Assim sempre que houve conflito entre estes três objectivos seleccionei duas ou mais interpretações.
Étude No. 1 (Preludio) em Dó Maior : Um estudo muito curto, cerca de um minuto, cheio de acordes poderosos e de rápidas escalas - com uma curta passagem lírica no meio, uma espécie de aquecimento para o que vem a seguir. Para esta interpretação escolhemos duas alternativas. Em primeiro lugar sem imagens Cziffra.
Depois ainda para este mesmo estudo agora com imagens Boris Berezovsky.
O Estudo Nº2 (um dos que não tem titulo) em Lá Menor marcado como "Molto Vivace" nas partituras é na verdade uma peça muito agitada para a qual escolhemos Claudio Arrau mas como não há imagens ao vivo teremos também para este nº2 uma outra interpretação.
Mantemos para este segundo estudo Boris Berezovsky porque dos que existem com imagem real é aquele que prefiro.
Passamos agora para o Étude No. 3 (Paysage) em Fá Maior (Paisagem). Uma peça como o nome pretende indicar serena que deve evocar um dia de contemplação bucólica no campo. Será eventualmente o menos difícil dos doze estudos. Para uma primeira interpretação sem imagens do pianista proponho-vos Vlademir Askhenazy.
Para vos mostrar um video com o pianista a interpretar este estudo e para não voltar a repetir Berezovsky proponho-vos Adam Neiman.
O Étude No. 4 (Mazeppa) em Ré Menor por contraste com o anterior é um autêntico galope quase do principio ao fim. Aliás o termo galope estará correcto tanto figurativamente como literalmente tendo em consideração que este estudo foi inspirado num conto escrito por Victor Hugo em que a personagem principal é arrastada num galope (literal). Liszt procurou transcrever esse galope no ritmo da peça. Deixem-se levar pelo ritmo absolutamente fantástico desta peça. Para uma primeira interpretação propomos o pianista francês François-René Duchable ("enfant terrible" da música clássica mas isso é outra história).
Para uma interpretação em video real desta vez a proposta recai sobre Miroslav Kultyshev.
Chegamos ao Étude No. 5 (Feux Follets) em Si Bemol Maior um dos que está entre os mais difíceis dado que temos não só as dificuldades relacionadas com velocidade mas também dinâmica e equilíbrio entre as duas mãos. Velocidade, ligeireza, tudo nesta peça é para ser tocado com delicadeza mas sem perder velocidade. Neste caso proponho-vos apenas uma interpretação porque consegui encontrar um pianista soberbo com um vídeo muitíssimo bom. Depois de Nikolai Lugansky não precisamos de mais ...
Como este post está já bastante longo iremos dividir esta viagem aos "Études d'exécution transcendante" em duas partes terminando este primeiro post precisamente a metade com o Étude No. 6 (Vision) em Sol Menor. Uma peça algo sombria e profunda com uma parte bastante movimentada e rítmica mas em simultâneo retratando uma atmosfera pesada que a tonalidade em Sol Menor não deixa de enfatisar. Para uma interpretação sem ver o pianista propomos Vladimir Ovchinnikov.
Para uma interpretação em que possamos ver o pianista e as suas mãos propomos de novo Miroslav Kultyshev . Penso que a diferença de ritmo é um pouco excessiva mas é uma interpretação cheia de fogo, creio que Liszt teria gostado.
Os restantes 6 estudos ficam para mais logo ou para amanhã logo se vê - depende de como correr o meu estudo de piano. Não, não com estas peças ...
Uns largos anos mais tarde mais precisamente em 1837 Liszt viria a reescrever estes estudos chamando-os então "Douze Grandes Études" (S. 137). Já agora a titulo de curiosidade a nomenclatura que é seguida para identificar as obras de Liszt data de 1966 e é do musicologo e compositor Humphrey Searle (daí o "S"). A razão pela qual o número destas duas obras é consecutivo é que este catalogo segue uma ordenação temática e dentro dos temas cronológica. Isto significa que entre 1826 e 1837 Liszt não compôs nenhuma outra obra deste género. Nesta primeira revisão além de ter aumentado consideravelmente a sua dificuldade Liszt deu também um nome a todos os estudos excepto o nº 2 e o nº 10.
Em 1852 Liszt faria uma ultima revisão destes estudos (S.139) - sim neste intervalo existe uma outra obra deste tipo na realidade uma revisão intermédia do Estudo nº 4 - Mazeppa - essencialmente simplificando tecnicamente a execução (embora existam excepções à regra). Esta versão final foi dedicada por Liszt ao seu professor Carl Czerny ele também autor de vários conjuntos de estudos como todos os pianistas amadores mais ou menos sérios saberão.
Estes estudos na sua versão final tanto podem ser considerados como peças de estudo como peças de concerto pelo que são frequentemente interpretados e gravados pelos maiores pianistas não só pela sua dificuldade técnica mas também pela sua força expressiva. Antes de vos mostrar os estudos um por um falta apenas referir que cada um deles foi composto numa tonalidade diferente sendo que a intenção original de Liszt seria escrever um estudo para cada uma das 24 tonalidades tendo ficado assim a meio dessa tarefa.
Na escolha dos interpretes segui dois critérios diferentes e por isso por vezes vou mostrar-vos o mesmo estudo por dois pianistas. Em primeiro lugar procurei na medida do possível mostrar-vos interpretações de pianistas "históricos", daqueles que estão entre os melhores pianistas do século XX ou XXI. Em segundo lugar procurei privilegiar vídeos com imagens reais dos pianistas. Por fim procurei que houvesse uma escolha o mais ampla possível. Assim sempre que houve conflito entre estes três objectivos seleccionei duas ou mais interpretações.
Étude No. 1 (Preludio) em Dó Maior : Um estudo muito curto, cerca de um minuto, cheio de acordes poderosos e de rápidas escalas - com uma curta passagem lírica no meio, uma espécie de aquecimento para o que vem a seguir. Para esta interpretação escolhemos duas alternativas. Em primeiro lugar sem imagens Cziffra.
Depois ainda para este mesmo estudo agora com imagens Boris Berezovsky.
O Estudo Nº2 (um dos que não tem titulo) em Lá Menor marcado como "Molto Vivace" nas partituras é na verdade uma peça muito agitada para a qual escolhemos Claudio Arrau mas como não há imagens ao vivo teremos também para este nº2 uma outra interpretação.
Mantemos para este segundo estudo Boris Berezovsky porque dos que existem com imagem real é aquele que prefiro.
Passamos agora para o Étude No. 3 (Paysage) em Fá Maior (Paisagem). Uma peça como o nome pretende indicar serena que deve evocar um dia de contemplação bucólica no campo. Será eventualmente o menos difícil dos doze estudos. Para uma primeira interpretação sem imagens do pianista proponho-vos Vlademir Askhenazy.
Para vos mostrar um video com o pianista a interpretar este estudo e para não voltar a repetir Berezovsky proponho-vos Adam Neiman.
O Étude No. 4 (Mazeppa) em Ré Menor por contraste com o anterior é um autêntico galope quase do principio ao fim. Aliás o termo galope estará correcto tanto figurativamente como literalmente tendo em consideração que este estudo foi inspirado num conto escrito por Victor Hugo em que a personagem principal é arrastada num galope (literal). Liszt procurou transcrever esse galope no ritmo da peça. Deixem-se levar pelo ritmo absolutamente fantástico desta peça. Para uma primeira interpretação propomos o pianista francês François-René Duchable ("enfant terrible" da música clássica mas isso é outra história).
Para uma interpretação em video real desta vez a proposta recai sobre Miroslav Kultyshev.
Chegamos ao Étude No. 5 (Feux Follets) em Si Bemol Maior um dos que está entre os mais difíceis dado que temos não só as dificuldades relacionadas com velocidade mas também dinâmica e equilíbrio entre as duas mãos. Velocidade, ligeireza, tudo nesta peça é para ser tocado com delicadeza mas sem perder velocidade. Neste caso proponho-vos apenas uma interpretação porque consegui encontrar um pianista soberbo com um vídeo muitíssimo bom. Depois de Nikolai Lugansky não precisamos de mais ...
Como este post está já bastante longo iremos dividir esta viagem aos "Études d'exécution transcendante" em duas partes terminando este primeiro post precisamente a metade com o Étude No. 6 (Vision) em Sol Menor. Uma peça algo sombria e profunda com uma parte bastante movimentada e rítmica mas em simultâneo retratando uma atmosfera pesada que a tonalidade em Sol Menor não deixa de enfatisar. Para uma interpretação sem ver o pianista propomos Vladimir Ovchinnikov.
Para uma interpretação em que possamos ver o pianista e as suas mãos propomos de novo Miroslav Kultyshev . Penso que a diferença de ritmo é um pouco excessiva mas é uma interpretação cheia de fogo, creio que Liszt teria gostado.
Os restantes 6 estudos ficam para mais logo ou para amanhã logo se vê - depende de como correr o meu estudo de piano. Não, não com estas peças ...
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