O ultimo dos concertos para um instrumento solista e Orquestra composto por Dvorak. Na opinião de muitos o melhor concerto de Violoncelo do reportório - pessoalmente estou dividido entre este e o de Shostakovich mas certamente uma das obras que prefiro. Na opinião de muitos a obra prima de Dvorak ainda superior à Nona Sinfonia (dita do Novo Mundo).
O concerto foi escrito entre 1894-1895 para o seu amigo violoncelista Hanus Wihan a quem é dedicado. Porém por razões de comunicação e de agenda a estreia da obra coube a Leo Stern a 19 de Março de 1896 em Londres no Queens Hall concerto dirigido pelo próprio Dvorak. Hanus Wihan acabou por o interpretar apenas em 1899 também sobre a direcção de Dvorak (entretanto várias interpretações desta obra fantástica tinham já ocorrido)
A obra segue o formato tradicional de concerto com um andamento rápido seguido de um andamento lento para no final voltarmos a um andamento rápido. Existem muitas interpretações sobre o significado emocional desta obra, existindo quem veja na mesma uma espécie de despedida na forma de uma autobiografia, outros que pensam que se trata da expressão da saudade e da alegria do regresso à terra natal (quando Dvorak iniciou a composição desta obra estava nos Estados Unidos afastado da mulher).
No nosso entender esta obra pode conter todas estas metáforas e outras tantas que a nossa alma imaginar tal é a riqueza e equilíbrio que revela.
1º Andamento Allegro (Si Menor - Si Maior) : Este andamento contém um dos temas mais facilmente reconhecíveis de Dvorak. Certamente um andamento inspirado pela sua experiência americana, um andamento cheio de energia e alegria, um claro contraponto ao resto do concerto que por razões que veremos é essencialmente triste e nostálgico.
2º Andamento Adagio, ma non troppo (Sol Maior) : Se quanto ao anterior andamento podem subsistir dúvidas quanto ao seu "significado" neste caso estas dúvidas estão totalmente esclarecidas porque é sabido pelas palavras do próprio Dvorak que todo este andamento é dedicado a Josefina o seu primeiro grande amor e irmã de sua mulher com quem se casou após a rejeição da irmã. Uma citação de uma das canções preferidas de Josefina Kéž duch můj sám “Deixa-me Só” aparece, uma expressão da preocupação do compositor que tinha acabado de saber da doença da cunhada.
3º Andamento Allegro moderato – Andante – Allegro vivo (Si Maior - Si Menor) : Este andamento prolonga a homenagem que o compositor faz à sua cunhada tendo já sido composto após o retorno à Checoslováquia e tendo já conhecimento da sua morte. O certo é que Dvorak foi especialmente
Quanto à qualidade e interesse desta obra basta referir o que Brahms disse a seu propósito, algo do género "Ah se eu soubesse que era possível escrever um concerto de Violoncelo destes ... Os Violoncelistas devem estar agradecidos a Dvorak por ter escrito uma obra destas .
A minha interpretação preferida desta obra? Bem mentiria se não vos dissesse que gosto de Rostropovich porém este concerto é um soneto à vida e ao amor e nesse sentido tendo a preferir a interpretação mais suave de Jacqueline Du Pré com a Sinfónica de Chicago dirigida por Daniel Barenboim. E claro que se puderem adquirir a gravação que inclui também o Concerto para Violoncelo de Elgar terão num mesmo disco os dois concertos nos quais esta Violoncelista é para muitos imbatível (no caso de Elgar há maestros que terão dito que sem Jacqueline este concerto - o de Elgar - não é a mesma coisa ... mas isto será outra história).
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
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sexta-feira, 24 de outubro de 2014
quinta-feira, 15 de março de 2012
Josef Suk (1929-2011)
No passado mês de Julho (em 2011 portanto) faleceu Josef Suk. Lembrei-me dele porque no disco deste mês da Diapason uma das obras escolhidas no "canto do coleccionador" é a interpretação da Sonata para violino e piano de Dvorak Op. 57. Nesta obra suk é acompanhado ao piano por Jan Panenka com quem gravou inúmeras obras de música de câmara.
Para quem não sabe Josef Suk é neto do compositor checo de mesmo nome e também bis-neto do próprio Antonin Dvorak pelo que obviamente detinha uma compreensão única das obras do compositor da Boémia. Infelizmente não encontro no You tube interpretações desta obra pelo próprio mas proponho-vos que oiçam Josef Suk com a Orquestra da República checa no Concerto para Violino de Dvorak, e aqui a obra em questão no principio deste post (a interpretação não é de referência mas é de bom nível).
A propósito de Josef Suk (o violinista) proponho também que oiçam sempre com a Filarmónica da Republica Checa a interpretação da obra do seu avô o compositor Josef Suk, Fantasia em Sol Bemol, lindíssimo!
Sempre em família podem ouvir também uma interpretação da Sonatina para Violino e Piano Op. 100 de Dvorak (coloquei o segundo andamento no link porque é o que prefiro mas a obra está totalmente disponível como aliás as anteriores que referi).
Para quem não sabe Josef Suk é neto do compositor checo de mesmo nome e também bis-neto do próprio Antonin Dvorak pelo que obviamente detinha uma compreensão única das obras do compositor da Boémia. Infelizmente não encontro no You tube interpretações desta obra pelo próprio mas proponho-vos que oiçam Josef Suk com a Orquestra da República checa no Concerto para Violino de Dvorak, e aqui a obra em questão no principio deste post (a interpretação não é de referência mas é de bom nível).
A propósito de Josef Suk (o violinista) proponho também que oiçam sempre com a Filarmónica da Republica Checa a interpretação da obra do seu avô o compositor Josef Suk, Fantasia em Sol Bemol, lindíssimo!
Sempre em família podem ouvir também uma interpretação da Sonatina para Violino e Piano Op. 100 de Dvorak (coloquei o segundo andamento no link porque é o que prefiro mas a obra está totalmente disponível como aliás as anteriores que referi).
terça-feira, 3 de novembro de 2009
Pesquisa interessante de ontem - Concerto para violino de Dvorak
Este concerto foi um dos que esteve a votação quando elegemos o nosso concerto de violino preferido tendo infelizmente conseguido a vigésima e ultima posição dos 20 que seleccionamos para a votação com apenas 3 votos ... Falamos deste concerto neste outro post.
Dvorak, de que ainda não falamos porque se enquadra dentro de um período pós-romântico a que chamamos de Escolas Nacionalistas escreveu três concertos. Um concerto para piano (o primeiro) e que é relativamente desconhecido, um concerto para violino Op. 53 e o objecto da pesquisa deste nosso leitor e o muito mais conhecido concerto para violoncelo. Desconfiamos aliás, que a exemplo do que aconteceu com a sua Nona Sinfonia que esteve quase a ganhar a votação da nossa sinfonia preferida, quando elegermos o nosso concerto para Violoncelo este estará no top seguramente.
O concerto para violino no entanto não goza dessa popularidade, pese o facto de ser uma das obras preferidas do compositor e de ser de um grande lirismo . Como muitos dos grandes concerto da altura foi escrito para o grande violinista Joseph Joachim que no entanto o desdenhou nunca o tendo interpretado. Possivelmente não o considerava suficientemente virtuoso.
Se quiserem uma introdução a este concerto proponho que oiçam Maxim Vengerov com a Filarmónica de Nova Iorque dirigida por Kurt Masur precisamente no mais lírico dos andamentos, o segundo.
Dvorak, de que ainda não falamos porque se enquadra dentro de um período pós-romântico a que chamamos de Escolas Nacionalistas escreveu três concertos. Um concerto para piano (o primeiro) e que é relativamente desconhecido, um concerto para violino Op. 53 e o objecto da pesquisa deste nosso leitor e o muito mais conhecido concerto para violoncelo. Desconfiamos aliás, que a exemplo do que aconteceu com a sua Nona Sinfonia que esteve quase a ganhar a votação da nossa sinfonia preferida, quando elegermos o nosso concerto para Violoncelo este estará no top seguramente.
O concerto para violino no entanto não goza dessa popularidade, pese o facto de ser uma das obras preferidas do compositor e de ser de um grande lirismo . Como muitos dos grandes concerto da altura foi escrito para o grande violinista Joseph Joachim que no entanto o desdenhou nunca o tendo interpretado. Possivelmente não o considerava suficientemente virtuoso.
Se quiserem uma introdução a este concerto proponho que oiçam Maxim Vengerov com a Filarmónica de Nova Iorque dirigida por Kurt Masur precisamente no mais lírico dos andamentos, o segundo.
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