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domingo, 11 de novembro de 2012

MORREU ZECA DO ROCK


Zeca do Rock, que vivia no Brasil (Campinas) há já alguns anos, encontrava-se doente, hospitalizado. Faria 69 anos no próximo dia 28 de Dezembro. Morreu de uma pneunomia viral, provavelmente causada pela gripe das aves,

Era um gajo bem porreiro!

De seu nome verdadeiro José das Dores, Zeca do Rock foi dos primeiros rockers portugueses, tendo sido o primeiro músico nacional a gravar um "yeah" em "Sansão Foi Enganado", em 1961.

Eu cantava preferencialmente em inglês e usava muito esse tipo de exclamação, principalmente antes ou durante o solo orquestral, explicou um dia.

Nascido em Lisboa no dia 28 de Dezembro de 1943, Zeca do Rock sofreu primeiro a influência de Chuck Berry, Little Richard, Buddy Holly e outros, antes mesmo de conhecer Elvis Presley, que passou a ser então o seu ídolo.

Aprendeu a tocar viola no final da década de 50 com Fernando Alvim e a sua grande oportunidade surgiu em 1959 quando participou no programa "Bom Dia", de José de Oliveira Cosme, na Rádio Renascença, numa rubrica de novos talentos.

Foi aí que nasceu o nome de Zeca do Rock. Carlos Moutinho, apresentador do programa, considerou que José das Dores não era nome apropriado para artista e solicitou um nickname. Zeca, respondeu José das Dores.

Carlos Moutinho rabiscou então “Zeca, o Rei do Rock!”, mas ao ler o papel ao microfone não percebeu a sua própria letra e ficou, até hoje, Zeca do Rock.

Neste programa da Rádio Renascença começaram outros pioneiros do rock nacional, como Daniel Bacelar, os Conchas e Luís Cília que, à época, também se dedicava ao rock.

Depois de ter recusado gravar um EP em partilha com Tonicha, Zeca do Rock gravou o seu primeiro disco em 1961 (Alvorada MEP 60425), acompanhado pelo Conjunto de Manuel Viegas, com “Nazaré Rock” e “Dezassete”, ambas da autoria de Zeca do Rock, e “Menina” e “O Sansão Foi Enganado”, de Manuel Viegas.

Trata-se de um dos primeiros discos portugueses de rock, só batido pelos “Caloiros da Canção”, de Daniel Bacelar e dos Conchas, editado em 28 de Outubro de 1960 pela Valentim de Carvalho (Columbia SLEM 2062).

O estúdio onde gravámos era uma sala centenária na Costa do Castelo. Quando passava uma camioneta na rua ou um avião no ar tinha que se interromper a gravação. Eu estava com amigdalite e fervendo com 39 graus de febre e gravámos em duas horas.

Não foi por acaso que compus, cantei e gravei "Nazaré do Rock" no meu primeiro EP. Foi uma justa homenagem a uma localidade que eu considerava como meu segundo berço. Sou natural de Lisboa, freguesia de Santa Isabel, bairro de Campo de Ourique.

Em 1963, Zeca do Rock participou no filme "Pão, Amor e Totobola", de Henrique Campos, em cuja versão final é cortada mais de metade da sua actuação, em que cantava “Twist Para Dois”, de Aníbal Nazaré e Hélder Martins.

Do filme foi editado em 1963 um EP (Parlophone LMEP 1155) que inclui precisamente "Twist Para Dois". O filme só foi estreado no dia 23 de Janeiro de 1964.

O serviço militar obrigatório terminou com a carreira de Zeca do Rock em 1965, mas na Guiné ainda formou um conjunto de rock que actuou pelos aquartelamentos do território.

Em 1971, Sérgio Borges e o Conjunto João Paulo gravaram “Lavrador” (Columbia 8E 016 40119), adaptação de uma canção original de Zeca do Rock intitulada “Aguarela Portuguesa”, e em 1972 “God Of Negroes” (Columbia 8E 006 40192), que Zeca do Rock tinha composto na Guiné.

Anos depois, por motivos de ordem espiritual e filosófica, Zeca do Rock mudou-se para o Brasil, onde faleceu hoje. 

Em 2008, os Bunnyranch fizeram uma versão de “Sansão Foi Enganado”.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

FALECEU ARLINDO CONDE


Arlindo Conde, promotor de espectáculos, um dos pioneiros do yé-yé português, faleceu hoje à tarde em Cascais. Tinha 88 anos.

Com o seu "Passatempo PAC", no Eden, em Lisboa, deu a conhecer muitos artistas, dos primeiros do rock português, como Zeca do Rock e Daniel Bacelar.

Era pai de Fernando Conde, ele próprio também um pioneiro do yé-yé na qualidade de rocker.

Arlindo Conde organizava também os populares concursos do Rei da Rádio.

domingo, 14 de agosto de 2011

MANUEL VIEGAS


DECCA - P-DFE 6495

Cha-Cha Português - Corre, Corre Cavalinho - Fado Risota - Baião do Sertão

Este Manuel Viegas foi o primeiro acompanhante de Zeca do Rock.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

DUAS LENDAS VIVAS DO ROCK PORTUGUÊS


Zeca do Rock e Daniel Bacelar, os dois primeiros músicos a gravar rock português em 1960, juntos e ao vivo, hoje à noite num restaurante caboverdeano em Lisboa, para ouvir Tito Paris.

Pioneiros!

sábado, 11 de junho de 2011

ABÍLIO ABRANTES ENTREVISTA ZECA DO ROCK


"Plateia", 01 de Agosto de 1961

Fui companheiro de Abílio Abrantes na agência Lusa e na Parque EXPO no final da década de 90 e sou amigo (por enquanto por email) de Zeca do Rock. O mundo é pequeno!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

ZECA DO ROCK


De seu nome verdadeiro José das Dores, Zeca do Rock foi dos primeiros rockers portugueses, tendo sido o primeiro músico nacional a gravar um "yeah" em "Sansão Foi Enganado", em 1961.

Eu cantava preferencialmente em inglês e usava muito esse tipo de exclamação, principalmente antes ou durante o solo orquestral, explica agora Zeca do Rock.

Nascido em Lisboa no dia 28 de Dezembro de 1943, Zeca do Rock sofreu primeiro a influência de Chuck Berry, Little Richard, Buddy Holly e outros, antes mesmo de conhecer Elvis Presley, que passou a ser então o seu ídolo.

Aprendeu a tocar viola no final da década de 50 com Fernando Alvim e a sua grande oportunidade surgiu em 1959 quando participou no programa "Bom Dia", de José de Oliveira Cosme, na Rádio Renascença, numa rubrica de novos talentos.

Foi aí que nasceu o nome de Zeca do Rock. Carlos Moutinho, apresentador do programa, considerou que José das Dores não era nome apropriado para artista e solicitou um nickname. Zeca, respondeu José das Dores.

Carlos Moutinho rabiscou então “Zeca, o Rei do Rock!”, mas ao ler o papel ao microfone não percebeu a sua própria letra e ficou, até hoje, Zeca do Rock.

Neste programa da Rádio Renascença começaram outros pioneiros do rock nacional, como Daniel Bacelar, os Conchas e Luís Cília que, à época, também se dedicava ao rock.

Depois de ter recusado gravar um EP em partilha com Tonicha, Zeca do Rock gravou o seu primeiro disco em 1961 (Alvorada MEP 60425), acompanhado pelo Conjunto de Manuel Viegas, com “Nazaré Rock” e “Dezassete”, ambas da autoria de Zeca do Rock, e “Menina” e “O Sansão Foi Enganado”, de Manuel Viegas.

Trata-se de um dos primeiros discos portugueses de rock, só batido pelos “Caloiros da Canção”, de Daniel Bacelar e dos Conchas, editado em 28 de Outubro de 1960 pela Valentim de Carvalho (Columbia SLEM 2062).

O estúdio onde gravámos era uma sala centenária na Costa do Castelo. Quando passava uma camioneta na rua ou um avião no ar tinha que se interromper a gravação. Eu estava com amigdalite e fervendo com 39 graus de febre e gravámos em duas horas, lembra Zeca do Rock.

Não foi por acaso que compus, cantei e gravei "Nazaré do Rock" no meu primeiro EP. Foi uma justa homenagem a uma localidade que eu considerava como meu segundo berço. Sou natural de Lisboa, freguesia de Santa Isabel, bairro de Campo de Ourique.

Em 1963, Zeca do Rock participou no filme "Pão, Amor e Totobola", de Henrique Campos, em cuja versão final é cortada mais de metade da sua actuação, em que cantava “Twist Para Dois”, de Aníbal Nazaré e Hélder Martins.

Do filme foi editado em 1963 um EP (Parlophone LMEP 1155) que inclui precisamente "Twist Para Dois". O filme só foi estreado no dia 23 de Janeiro de 1964.

O serviço militar obrigatório terminou com a carreira de Zeca do Rock em 1965, mas na Guiné ainda formou um conjunto de rock que actuou pelos aquartelamentos do território.

Em 1971, Sérgio Borges e o Conjunto João Paulo gravaram “Lavrador” (Columbia 8E 016 40119), adaptação de uma canção original de Zeca do Rock intitulada “Aguarela Portuguesa”, e em 1972 “God Of Negroes” (Columbia 8E 006 40192), que Zeca do Rock tinha composto na Guiné.

Anos depois, por motivos de ordem espiritual e filosófica, Zeca do Rock mudou-se para o Brasil, onde ainda hoje vive.

Em 2008, os Bunnyranch fizeram uma versão de “Sansão Foi Enganado”.

domingo, 3 de abril de 2011

AUTO-RETRATO


Para mim, rock and roll é uma atitude mental libertária. Não tem nada a ver com exteriorizações físicas, comportamentais ou modismos. No meu ponto de vista, um verdadeiro rocker foge de todas as uniformizações, tribalismos e clãs, assim como de todas as espécies de estereótipos.

O rocker não segue as ondas dos modismos como carneirinho. O rocker pensa por si próprio e faz a sua própria moda. Como tal, não usa piercings, tatuagens, cabelos exóticos ou roupas extravagantes, a menos que tal lhe apeteça e o faça por desafio e provocação, precisamente para quebrar tabus.

Por isso eu posso assumir-me como Zeca do Rock, mesmo quando interpreto uma balada, um bolero, um trecho de folclore ou um fado (!), porque o faço com atitude mental de rocker e não imito ninguém; limito-me a ser eu próprio, que nunca aprendi música por pauta, nunca tive uma aula de canto, nem tal me interessaria.

Canto como um homem livre, exprimindo os meus sentimentos com as qualidades e defeitos que possuo, sem polimentos, máscaras ou disfarces. Por isso eu sou muito mais "eu" numa tertúlia em redor de uma mesa, com um violão no joelho, uma cerveja bem gelada no copo e um grupo de amigos tão sedentos de viver em absoluta liberdade quanto eu próprio, do que num palco, cheio de spot lights em cima do rosto.

E devo dizer: se, nos anos 60 a imprensa me rotulou de "Elvis Presley" português, eu nada tive a ver com isso nem alguma vez perfilhei a ideia. Nunca tentei imitar a voz do grande Elvis (nem poderia fazê-lo, pois não possuo nenhum dos ingredientes essenciais para tal), nunca usei roupas, cortes de cabelo ou outros atributos que imitassem o seu estilo, nem pretendi, antes pelo contrário, colar-me à imagem fosse de quem fosse.

Concluindo: como intérprete do repertório internacional, canto as canções de que gosto, independentemente de quem as criou - e canto-as à minha maneira.

Como compositor (outro capítulo à parte na minha expressão musical), considero-me um cronista-cartoonista musical. Na qualidade de rocker libertário, logo residindo permanentemente na oposição aos establishments, assumo as mais diversas posições conforme as épocas e os extratos político-sociais que me apetece defender ou criticar: principalmente criticar.

Desenho o meu cartoon musical com traço grosso, bem hard-core, para que não restem dúvidas sobre o quê e quem eu estou a retratar. Jamais pretendendo ser dono da verdade, pinto a minha interpretação dos factos como um pintor o faria, sem querer impor ao público a minha visão pessoal; simplesmente a apresento como testemunho pessoal.

Nas minhas composições a música é uma vestimenta da letra, pois é nesta última que reside a mensagem que pretendo divulgar. Nas composições românticas, sou tão pinga-amor como qualquer outro.

Por isso, a quem venha a conhecer a totalidade do meu cancioneiro, nego o direito de me rotular como sendo de esquerda, de direita ou de centro. Não sou! Sou sempre da oposição, mais ou menos moderada, a todos os sistemas existentes e preso muito a liberdade de criticá-los.

Muitas vezes tentaram tolher-me essa liberdade, mas sem sucesso.

Colaboração de Zeca do Rock

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

ZECA DO ROCK E OS CONCHAS


ZECA DO ROCK E OS CONCHAS


Cortesia de Zeca do Rock, em Campinas

ZECA DO ROCK E OS CONCHAS


Comemorando o lançamento do "Caloiros", aqui vai mais uma relíquia pictórica. A qualidade é bastante fraca, mas o valor histórico é indesmentível.

A foto foi tirada no retiro dos Parodiantes de Lisboa em Salvaterra de Magos, num domingo em que eu e Os Conchas fomos convidados para lá atuar.

A foto foi publicada no jornal "Parada da Paródia" no dia 8 de Março de 1962.

Colaboração de Zeca do Rock, em Campinas

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

TWIST PARA DOIS


PARLOPHONE - LMEP 1.155 - edição portuguesa (1963)

Pão, Amor E... Totobola (Conjunto de Hélder Martins) - Twist Para Dois (Zeca do Rock) - O Amor Não Tem Idade (Maria Helena) - Turiturá (Conjunto de Hélder Martins)

Para hoje está anunciada a edição da colectânea "Óculos de Sol" com raridades pela primeira vez em CD.

Uma dessas raridades é precisamente "Twist Para Dois", de Zeca do Rock, da banda sonora do filme "Pão, Amor E... Totobola", de Henrique Campos.

Zeca do Rock, a viver actualmente no Brasil, explicou a este blogue a inspiração de "Twist Para Dois":

O Helder Martins fora encarregado de escrever a trilha sonora do filme. Um dia, fui chamado aos estúdios onde ele se encontrava a ensaiar para ouvir o "rascunho" do Twist para Dois.

Estava ainda muito incompleto e não tinha letra. O Aníbal Nazaré apareceu também e começou a rascunhar uma letra, ao mesmo tempo que o Helder Martins ia dedilhando o piano e alinhavando a música. E pronto.

No fim da sessão, que durou pouco mais de meia hora, parti para casa munido de uma cópia manuscrita da letra e de uma fita com a gravação da música, para ensaiar com o meu violão durante o resto do dia.

No dia seguinte compareci para gravar com o Helder e os restantes músicos, Carlos Menezes incluso, tal como acontecera no outro EP. Foram feitos unicamente dois takes: um para gravar o playback e o outro para implantar a voz. Voilá!...

sexta-feira, 9 de abril de 2010

ZECA DO ROCK: 8º EM 1962


Fernando Farinha foi eleito o Rei da Rádio em 1962 numa "votação" promovida pela revista "Plateia". Obteve 8.321 votos.

Escrevi votação entre aspas, porque Zeca do Rock, 8º desta classificação com 3.045 votos, tem sérias dúvidas quanto à seriedade desta "votação", conforme já o expressou publicamente aqui.

Eis os 5 primeiros da classificação do II Rei da Rádio:

01 - Fernando Farinha - 8.321
02 - António Calvário - 7.439
03 - Tony de Matos - 6.171
04 - Artur Garcia - 4.959
05 - João Maria Tudela - 3.943

Cortesia de Zeca do Rock

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

OS ELECTRÓNICOS


(da esquerda para a direita: Faraó (Mário Covas) (baterista), António Montenegro (baixo), João Robalo (solo) e Carocha (Victor Queiroz) (ritmo))

Os Electrónicos foram uma das primeiras bandas ié-ié portuguesas, tipo Shadows, mas nunca chegaram ao gozo de gravar um disco. Tiveram no entanto outro tipo de gozos.

Formaram-se em Algés, em finais de 1961, princípios de 1962, das cinzas dos Celtas, banda escolar da Francisco Arruda, com Carocha (Victor Queiroz) (viola-ritmo) e João Robalo (viola-solo), a que se viriam a juntar António Montenegro (viola-baixo) e Faraó (Mário Covas) na bateria.

Não tiveram outra formação.

Os Celtas viriam a designar-se Electrónicos logo a seguir ao "Passatempo Para Jovens", no cinema Restelo, em Lisboa, programa que lançou também os Conchas, Alex, os Dois Rapazes, entre outros.

"Tinha então uns 14, 15 anos", lembra agora Victor Queiroz, 62 anos, reformado, designer de interiores.

"Tocávamos as músicas dos Shadows, como o "FBI", o "Apache", etc".

"Foi por essa altura que o Fernando Conde nos descobriu, já não me lembro como, e como o Pai dele, Arlindo Conde, era do métier, lançou-nos no "Passatempo PAC", no Eden, aos domingos de manhã, onde também passou, por exemplo, o Zeca do Rock.

"Nessa altura gravámos com Moreno Pinto um anúncio para a "Rajá" que nos perseguiu durante muito tempo".

Fernando Conde e os seus Electrónicos - como passaram a designar-se - participaram depois, em finais de 1963, no primeiro festival de ritmos modernos jamais realizados em Portugal: o Concurso Rei do Twist, organizado por Vasco Morgado no Teatro Monumental, em Lisboa.

A final realizou-se no dia 07 de Setembro de 1963, tendo saído vencedor Victor Gomes e os Gatos Negros.

Uma semana depois, a 13 de Setembro, Fernando Conde e os seus Electrónicos voltam a juntar-se em palco, desta feita no cinema Roma, para a estreia do filme "Mocidade Em Férias", com Cliff Richard e os Shadows.

E aqui começa a fase mais fulgurante da carreira dos Electrónicos.

"Fernando Correia Ribeiro, pai da Helena Isabel que foi casada com o Paulo de Carvalho, e o primo Elísio tinham uma distribuidora cinematográfica, Rivus, e tiveram então a ideia de organizar um concurso de bandas tipo Shadows para promover o filme.

"Fomos ao concurso, mas fomos injustamente eliminados. Levámos "Nivram", dos Shadows, que era extremamente difícil de tocar e que ninguém ousava fazê-lo. Fomos os primeiros a fazê-lo.

"Nesta altura, já eramos só Fernando Conde e os Electrónicos. Já não éramos Fernando Conde e os seus Electrónicos, dávamos o primeiro sinal de autonomia, sem o sentido de posse que os "seus" deixava antever.

O Concurso viria a ser ganho na final do dia 04 de Outubro de 1963, pelo Conjunto Mistério que, a propósito, voltou a reunir-se e encontra-se actualmente a gravar.

Após o Concurso, os Electrónicos viriam a separar-se definitivamente de Fernando Conde e, a convite da Rivus, percorreram o País de lés-a-lés, acompanhando as exibições da película de Cliff e dos Shadows.

"Foi extenuante. Uma digressão de dois anos... Tínhamos uma van branca onde íamos escrevendo a vermelho o nome das terras por onde passávamos. Ficou coberta a carrinha.

"Durante a digressão da "Mocidade Em Férias", fomos em Maio de 1964 à Madeira no paquete "Funchal". Ficámos instalados no Golden Gate, que já não existe, e logo no primeiro dia tivémos de dar 3 espectáculos! Tocávamos na boîte do hotel, com o Trio Odemira, e também no Cine-Municipal.

"Mas antes de embarcarmos para o Funchal gravámos à pressa na Rádio Renascença, com o Moreno Pinto, um instrumental sensaborão composto por mim e pelo Robalo a que, com falta de imaginação, demos o título de "Canção Sem Nome". E foi já na Madeira que soubémos que a canção tinha chegado ao primeiro lugar da "23ª Hora".

"Com a experiência do Concurso no Roma, tivémos a ideia de fazer no Funchal, juntamente com o empresário João Firmino Caldeira, um concurso semelhante com os conjuntos locais.

"Foi aí que descobrimos e demos a conhecer em Abril de 1964 o Conjunto Académico João Paulo e também os Demónios Negros, de Luís Jardim".

De regresso ao Continente, em finais de 1964, Vasco Morgado organizou no Teatro Monumental uma "Festa de Consagração aos Electrónicos", que teve a participação de Daniel Bacelar, Victor Gomes e do Conjunto Académico João Paulo.

"No princípio de 1965, saí dos Electrónicos. Saí para descansar. Estava exausto depois de dois anos de digressão, só indo a casa de seis em seis meses. Fiquei pelos cabelos", lembra Victor Queiroz que voltou a encontrar-se agora com Fernando Conde "para umas gravações".

Colaboração de Luís Pinheiro de Almeida

terça-feira, 3 de novembro de 2009

REI DA RÁDIO


António Calvário renovou em 1966 o título de Rei da Rádio numa votação organizada pela PAC (Produções Arlindo Conde) com o apoio da revista "Plateia".

António Calvário obteve 39.362 votos contra 14.360 de Tony de Matos e 5.286 de António Mourão que completam o podium.

Apesar da presença exuberante do nacional-cançonetismo, alguns yé-yés e/ou pseudo-yé-yés (poucos) obtiveram alguns votos (ainda menos):

04 - Sérgio Borges - 4.852
09 - Valério Silva - 1.987
20 - Fernando Conde - 389
23 - Gino Garrido - 294
28 - Alex - 236
63 - Armindo Rock - 80
64 - Victor Gomes - 80
88 - Zeca do Rock - 54
89 - Augusto Rock - 54
111 - Dom Rock - 43
125 - Daniel Bacelar - 35
128 - Fernando Concha - 33
134 - José Manuel Concha - 31
212 - Paulo de Carvalho - 6

Esta foi a V Eleição.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

HOMENAGEM A ARLINDO CONDE


Fernando Conde, J. Dores (pai de Zeca, escritor), Arlindo Conde (pai de Fernando) e Zeca do Rock

Ninguém mais se lembra do Arlindo Conde, nem mesmo para dizer que era o pai do Fernando Conde, por isso, quero prestar-lhe uma devida homenagem.

Arlindo Conde fez muito pela música portuguesa no início dos anos 60. O seu passatempo PAC (Produções Arlindo Conde), que acontecia no Eden Teatro aos domingos de manhã, foi o mais importante acontecimento musical lisboeta (quiçá nacional) durante muito tempo.

Fala-se muito dos concursos de rock do Teatro Monumental e outras iniciativas semelhantes promovidas por outros empresários. Só o que ninguém diz é que esses outros empresários não pagavam aos artistas, ficavam-lhes a dever eternamente os escassos cachets que se praticavam na época.

Por isso, era-lhes muito prático promover esses "concursos", que não lhes custavam um centavo de qualquer maneira, porque a rapaziada queria era dar-se a conhecer ao público.

Assim, sempre com lotações esgotadas, enchiam os bolsos à custa dos inocentes candidatos a roqueiros que lhes caíam nas garras. Devo dizer que nunca participei de nenhum desses "concursos" e que, nas poucas vezes que apareci em espectáculos promovidos por esses empresários, exigia o pagamento antes de entrar no palco - ou não entrava. Isto após ter sido atingido por diversos calotes, é claro.

Arlindo Conde era a excepção. Correctíssimo nas suas contas, não atrasava um dia os pagamentos aos artistas. É preciso que a verdade seja conhecida. Pela minha parte, nunca hesitei em dizê-la, tanto na época como agora, por isso a minha fama de "enfant terrible".

Numa terra de vigaristas, Arlindo Conde destoava pela honestidade.

Parabéns Arlindo!

Colaboração de Zeca do Rock

domingo, 23 de agosto de 2009

ZECA DO ROCK E ZÉ PLEBEU


Acompanhado por Pedro de Freitas Branco e pelo escritor Nélio Rodrigues, José Roberto (ao centro), antigo integrante do conjunto Iê-Iê-Iê carioca Os Plebeus e "amigo virtual" do Rato, exibe um dos seus "compactos" favoritos: Zeca do Rock!

Rio de Janeiro, Agosto de 2009

terça-feira, 23 de junho de 2009

PÃO, AMOR E... TOTOBOLA


Filme de Henrique de Campos (1964), com Costa Ferreira, Perla Cristal, Florbela Queiroz, Américo Coimbra, Fernanda Borsatti, Natalina José, Nicolau Breyner, Humberto Madeira, Maria Helena e Zeca do Rock.

Música de Helder Martins.

Cortesia de Carlos Santos e Daniel Bacelar

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

JOVEM GUARDA À PORTUGUESA


Nos anos 60, Portugal vivia uma feroz ditadura de direita. O país encontrava-se fechado sobre si mesmo, no que Salazar apelidava de “orgulhosamente sós”.

Não havia eleições, nem liberdades. A censura amordaçava a expressão das ideias, a juventude não tinha outro futuro que não fosse a guerra colonial em três frente de combate: Angola, Moçambique e Guiné.

A guitarra era substituída pela metralhadora.

Por razões históricas e de proximidade, cabia então à França o papel de “colonizador cultural” de Portugal. No cinema, com nomes como Godard, Truffaut, Vadim, Lelouch e outros. Na literatura, com Camus, Sartre. Na música popular Johnny Hallyday, Sylvie Vartan, Françoise Hardy.

Mesmo quando na Grã-Bretanha, os Beatles encabeçam a Revolução Cultural e Social, Portugal – por maioria de razão – resiste à investida, mantendo-se maioritariamente fiel às ondas gaulesas.

Apesar da língua comum e das origens históricas uníssonas, também o Brasil e a sua Jovem Guarda mantiveram a distância de Lisboa, só comparável à imensidão do oceano que separa os dois países.

Como seria de esperar, Roberto Carlos foi a grande excepção e, talvez, Celly Campello, únicos nomes brasileiros verdadeiramente ilustres no cinzentismo da música popular portuguesa dos anos 60.

Zeca do Rock, um dos proeminentes músicos portugueses da altura, autor do primeiro “yé-yé” cantado em Portugal, e, actualmente, a viver no Brasil, conta à Jovem Guarda como foi em Portugal:

Primeiro foi a Celly Campello e seu irmão Tony. A Celly era a Brenda Lee brasileira. Mas nenhum dos dois foi alguma vez aceite por aqueles que depois se vieram a considerar a Jovem Guarda. Deles todos (e são muitos) só o Roberto Carlos conquistou o Atlântico.

Muito pouca coisa da Wanderlea apareceu entre nós, porque acho que nada foi publicado oficialmente. Dos restantes, nem sombra.

E é fácil compreender porquê. Nós tínhamos todas as versões originais anglo-americanas, mais as versões francesas, mais as versões italianas. Quem se iria interessar por versões brasileiras que, geralmente, tinham letras de pôr os cabelos em pé a um careca?

O Roberto cantou desde o início muito material original dele com o Erasmo, por isso o público português perdoou-lhe barbaridades como o “Splish-Splash”, entre outras.

A Jovem Guarda brasileira não teve qualquer influência em Portugal em época nenhuma,
conclui, com algum azedume, Zeca do Rock.

Visão diferente tem Daniel Bacelar, considerado o “Ricky Nelson português”, autor de êxitos como "Marcianita", “Olhando Para O Céu”, “Fui Louco Por Ti” e “Miudita”.

Também em declarações à Jovem Guarda , Daniel Bacelar admite uma maior influência da Jovem Guarda:

Na realidade, Celly Campello (“Lenda da Conchinha”) e o irmão, Tony, fizeram imenso sucesso, especialmente ela, mas houve muitos outros como Sérgio Murillo (“Marcianita”), Osmar Navarro (“Quem É?”), Roberto Carlos, claro, e o fantástico Erasmo Carlos que, para mim, continua a ser superior ao Robertinho, Demétrius (“Ritmo da Chuva”), Ronnie Cord (“Biquini Amarelo”), Carlos Gonzaga (“Diana”).

“Os brasileiros –
diz ainda Daniel Bacelar – sempre foram muito bons a copiar e as versões em português (do Brasil, claro está) de grandes sucessos norte-americanos ficavam sempre muito semelhantes ao original, o que nos fazia na altura uma certa inveja, pois os conjuntos que havia, apesar de terem muito bons músicos, estavam mais inclinados para a música de baile e italiana, faltando-lhes aquele “feeling” que os “malandros” dos brasileiros copiavam tão bem.

“Na realidade, houve uma grande influência da Jovem Guarda na jovem música portuguesa, bem como da música brasileira em geral”,
finalizou.

João Carlos, que sob o pseudónimo de Rato mantém na net um dos mais interessantes blogues sobre a música dos anos 60 - Rato Records – possui uma visão peculiar sobre a influência da Jovem Guarda na música portuguesa, já que, à altura, vivia em Moçambique.

Só posso referir o que vivi na altura em Moçambique, onde penso que havia mais abertura do que em Portugal (ou Metrópole, como então se dizia) no que diz respeito ás coisas da Cultura (e não só).

Nós tínhamos uma grande influência da vizinha África do Sul, onde nos deslocávamos muitas vezes para nos abastecermos com as últimas novidades musicais.

Até 67/68 a música que consumíamos era “servida” quase sempre em formato reduzido (singles e EPs), com uma predominância muito grande de intérpretes anglo-americanos (e também muitos grupos sul-africanos).

Não devo andar muito longe da verdade se disser que apenas 25 % englobava outras nacionalidades, nomeadamente a francesa, a italiana e, claro, a brasileira.

No princípio dos anos 60 era essencialmente a Celly Campello e, mais tarde, sobretudo entre 1964 e 1966, mais alguns (poucos) nomes, onde se destacava Roberto Carlos (com a parte de leão), e também Erasmo e Ronnie Von.

Depois, com o terminar da década e a morte do single, cada vez mais preterido em relação ao álbum (muito por culpa de “Sgt. Pepper’s”, editado em Junho de 1967), a grande influência brasileira deixou de ser a Jovem Guarda (que estava agonizante) para passar a ser a onda tropicalista (com Gal e Caetano á cabeça). Uma referência ainda a Chico Buarque que, não sendo nem uma coisa nem outra, sempre foi um referência fundamental desde que “A Banda” apareceu em 1966”,
concluiu João Carlos.

Carlos Santos, também ele singular apreciador da música dos anos 60, opina que, realmente, a Jovem Guarda teve o expoente máximo, em Portugal, em Roberto Carlos, adiantando que ainda hoje o cantor brasileiro é muito ouvido.

Mas não podemos esquecer outros grupos e artistas que na altura tiveram êxito e também foram muito queridos no nosso país e fizeram as delícias de muita “malta”, apesar de não terem tido tanta influência. Estou a lembrar-me, por exemplo, de Erasmo Carlos, Golden Boys, Celly Campello e seu irmão, Tony, Incríveis, Fevers, Renato e Blue Caps.

Mas ainda outros tiveram alguns êxitos por cá: Silvinha, Martinha, Wanderlea, Trio Esperança, Jet Blacks, Jordans, Leno e Lilian, Ronnie Von, Jerry Adriani, Brazilian Bitles. Menos conhecidos, mas de que eu também gostava apareceram os Brazões, Galaxies, Luizinho e seus Dinamites, VIPs...

Cortesia de Jovem Guarda

domingo, 28 de dezembro de 2008

LARA LI FAZ HOJE 50 ANOS!!!


EMI 11C 006 40527 F - 1980

Hoje Há Festa - Quando A Luz Se Apagar

"Hoje Há Festa", porque Ilídia Maria Pires de Amendoeira (Lara Li) completa 50 anos, enquanto Zeca do Rock perfaz 65.

As canções são da autoria de António Pinho e Nuno Rodrigues e os arranjos de Shegundo Galarza.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

HOMENAGEM A JOSÉ GAMITO


Tinha prometido prestar aqui a minha homenagem a José Gamito. Só o faço agora, porque também só agora encontrei a entrevista que lhe fiz em 1997, mais propriamente no dia 22 de Março de 1997.

Ei-la:

José Gamito, advogado, 46 anos, compra discos de vinil desde os 13 anos. A sua primeira aquisição, em 1963, foi "Mocidade Em Férias", dos Shadows, na discoteca Melodia, na rua do Carmo em Lisboa. Custou-lhe 63$30.

Até hoje, não mais deixou de comprar discos de vinil. CD, só os "piratas" dos Beatles. Não sabe quantos discos tem, porque nunca os recenseou. Apenas sabe que tem discos que não vende e outros que vende.

Os que não vende fazem parte da sua colecção particular. "Quando comprei o primeiro disco, não fazia ideia que ia fazer uma colecção, mas já tinha a noção de que iria comprar todos os discos do artista x ou do grupo y", afirma.

A sua colecção particular centra-se fundamentalmente no pop/rock dos anos 50, 60 e 70. Da música que se faz hoje em dia, não liga, nem gosta, com excepção, talvez, dos Oasis, Beautiful South e Joan Osborne.

"A partir do rap, a música que se faz fez-me secar o gosto por ela", justifica, enfatizando que continua "fiel" ao vinil.

Relativamente à sua colecção particular, revela que o seu maior tesouro talvez seja um EP, de edição portuguesa, dos Episode Six, uma banda britânica que precedeu os Deep Purple. "É um disco que está cotado no estrangeiro", diz.

O EP, editado em 1967, em Portugal, pela Arnaldo & Trindade, tem o número de catálogo PYE PAT 54004 e inclui "Morning Dew", "Sunshine Girl", "Love, Hate, Revenge" e "Baby, Baby, Baby".

"Mas tenho outras preciosidades. Dos anos 50, por exemplo, tenho EPs e LPs originais de Elvis Presley, Buddy Holly, Eddie Cochran, Gene Vincent, Fats Domino", disse, não sabendo porém o seu valor de mercado.

"Não sei, nem quero saber, porque nunca os venderia", precisou.

Quanto aos anos 60, onde se sente mais à vontade, José Gamito considera que um EP de Zeca do Rock, com canções do filme
"Pão, Amor E Totobola", é o seu disco mais valioso.

"É muito complicado saber-se o valor de mercado, porque em Portugal não há este mercado de coleccionador. Eu sou o único no terreno. Tudo se rege pela lei da oferta e da procura. Não há qualquer cotação. Se tivesse dois exemplares do disco do Zeca do Rock vendê-lo-ia por 15 mil escudos. Não tendo, não vendo por preço algum", afirmou.

Além de Zeca do Rock, José Gamito considera também que discos do Conjunto Mistério, Ekos, Titãs, Jets, Claves, Gentlemen, Espaciais, Demónios Negros e Conchas são igualmente valiosos.

"Fora os conjuntos musicais, Amália Rodrigues e José Afonso são os mais procurados", adiantou.

Relativamente à música não nacional dos anos 60, José Gamito não hesita em considerar que os discos dos Beatles, Rolling Stones, Kinks, Beach Boys, Byrds e Lovin' Spoonful são os mais desejados.

Nesta área, o disco mais raro que possui é um LP de 10 polegadas, da Polydor francesa, com as primeiras gravações dos Beatles, como "My Bonnie" e "Ain't She Sweet". "É um disco que vale mais de 100 contos".

"Sei que as edições da Parlophone, a amarelo, de "Sgt. Pepper's", "The Beatles", "Abbey Road" e "Let It Be", todas dos Beatles, valem mais de 200 contos cada uma lá fora, mas o álbum da Polydor francesa é, para mim, o mais valioso", disse.

José Gamito cita também entre as suas raridades o álbum original dos Rolling Stones, "Beggar's Banquet", os três EPs portugueses dos Kinks e o primeiro dos Status Quo.

"O disco que mais gostava de ter - e que não tenho - é o único da colecção de Van Morrison que me falta, "Blowin' Your Mind", de 1968. É claro que o que eu mais queria ter era o da "butcher cover", dos Beatles, mas como isso é impossível, contentava-me com o primeiro de Van Morrison, de quem também sou grande fã", disse.

Quanto aos anos 70, José Gamito não esquece as primeiras edições de Elton John, David Bowie e Lou Reed e, nos portugueses, Filarmónica Fraude, cujas bobinas originais das gravações parecem terem desaparecido da Polygram.

O excedente da colecção particular de José Gamito alimenta a única loja em Lisboa de discos de vinil, usados, para coleccionadores ou interessados. Chama-se Discolecção e situa-se na galerias do Hotel Amazónia, ao pé do Jardim das Amoreiras.

"Vêm cá sobretudo três tipos de pessoas: os verdadeiros coleccionadores, os que só são coleccionadores de vinil e os que só são coleccionadores de um determinado grupo ou artista", explicou.

"Há também os que vêm à procura do disco que lhes lembra uma boa namorada, um bom filme ou umas boas férias", acrescentou.

Amália Rodrigues, José Afonso, cantores portugueses de intervenção, Beatles, Doors, Kinks, Rolling Stones e, mais recentemente, rock alemão, continuam a ser as perguntas de quem entra na loja.

"Não vivo à custa da loja, a loja é que vive à minha custa", disse, recusando a ideia de que seja um "negócio". "Tudo é feito e transaccionado com o espírito de coleccionador", afirmou. "A música não vale pelo seu preço".

O disco mais raro que tem à venda na sua loja é a edição alemã de "Odessa", dos Bee Gees, e também o EP dos portugueses Jotta Herre com "Penina", de Paul McCartney.

Além de lidar com a música, José Gamito também a pratica. Enquanto adolescente, nos anos 60, fez parte dos Complications, grupo que "bateu" todos os Liceus de Lisboa e arredores.

Hoje em dia, José Gamito ainda toca guitarra com José Ribeiro Queiroz (baixo) e Vasco Ribeiro Sanches (bateria), ensaiando de quando em quando na Ericeira música dos anos 60 como "I'll Feel A Whole Lot Better", dos Byrds, "Birthday", dos Beatles, "Jumpin' Jack Flash", dos Rolling Stones, ou "It's All Over Now Baby Blue", de Bob Dylan.

"Ele é o nosso Henrique Mendes. É ele que nos proporciona e organiza o nosso ponto de encontro", diz Vasco Ribeiro Sanches.

LPA