Mostrar mensagens com a etiqueta Victor Gomes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Victor Gomes. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 23 de junho de 2016

STOP


DIRECTIONS - DIR 006 - edição francesa (1989)

Stop - Noites Tão Longas

Originais de Victor Gomes.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

JUNTOS OUTRA VEZ


RR - LP 2127

Lado A

Juntos Outra Vez (Victor Gomes) - Les Yeux Verts (Eliane Dambre) - Reconsider Me (Sérgio e Madi) - Seremos Felizes (Milá Talaya) - Rain And Tears (Carlos Quintas) - Erva Venenosa (Maria Candal)

Lado B

Look What You've Done To My Heart (Sérgio e Madi) - Marie Laure (Eliane Dambre) - My Prayer (Victor Gomes) - La, La, La (Mariette Pessanha) - Preste Atenção (Tony Silva) - Te Queiro, Te Quiero (Marta)

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

BLUSÕES NEGROS COM VICTOR GOMES


Blusões Negros com Victor Gomes (1968): Jorge Melo, António Ferreira Gomes, Victor Gomes, Fernando Barradas e Fernando Gomes.

Imagem de António Ferreira Gomes

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

CONJUNTO MISTÉRIO GANHOU HÁ 50 ANOS!


O Conjunto Mistério venceu há 50 anos o Concurso Tipo Shadows que se realizou no cinema Roma, em Lisboa.

Reunido faz hoje 50 anos, o júri do Concurso, formado por Mello Pereira, Villas Boas, Posal Domingues, Hugo Ribeiro, Maria João Aguiar, José Gomes, João Nobre, Paulo Medeiros, Leite Rosa e Antómio Miguel, decidiu por unanimidade atribuir a vitória ao Conjunto Mistério de Fernando Concha (sic).

O conjunto mais votado pelo público foi Victor Gomes e os seus Gatos Negros.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

1º FESTIVAL DE ROCK PORTUGUÊS HÁ 50 ANOS!


O primeiro grande festival de rock português (ié-ié, "tipo Shadows) faz hoje 50 anos!

Foi no cinema Roma, em Lisboa, para promover o filme "Mocidade em Férias", com Cliff Richard e os Shadows, e tinha o curioso título Concurso de Conjuntos  do Tipo Shadows.

O primeiro dia do Festival ocorreu a 16 de Setembro de 1963, faz hoje meio século.

Para o sensacional concurso do cinema Roma, inscreveram-se 22 conjuntos: Victor Gomes e os seus Gatos Negros, Nelo do Twist e seus Diabos, Electrónicos, Jets, Telstars, Eddye Gonzalez e os seus Ekos, Les Fanatics, Vendavais, Tigres, 3 Jotas, Titãs, Daniel Bacelar e os Gentlemen, S.O.S., Lisboa À Noite, Nova Onda, Sanremo 172, Napolitano, Panteras do Diabo, Jovens do Ritmo, Mascarilhas, Juventude Dinâmica e Condores.

Rezava assim o anúncio do Concurso publicado na Imprensa no dia 05:

O cinema Roma convida-os (aos conjuntos) a comparecerem na sua sala nos próximos dias 6 e 7, das 10 às 12,45 e das 18,30 às 20 horas, a fim de serem ouvidos, para que se possa fazer uma selecção prévia, e combinar o plano da sua actuação a partir da estreia do filme "MOCIDADE EM FÉRIAS", que está prevista para sexta-feira, 13 de Setembro.

Nesta reunião privada não se exigem os trajos com que aparecerão perante o público. Apenas se tornam indispensáveis os instrumentos de música e respectivos aparelhos de amplificação.

Mais uma vez se lembra que o Conjunto eleito pelo voto do espectador terá direito, graças aos Estabelecimentos Valentim de Carvalho, a uma face de um disco comercial e o Conjunto escolhido pelo Júri a um disco comercial (2 faces) e ainda à apresentação pessoal aos Shadows, em Londres, para onde serão transportados em aviões dos TAP-BEA.

O cinema Roma agradece, desde já, a todos o entusiasmo com que acolheram esta iniciativa.

O júri era constituído por Maria João Aguiar, António Miguel, Luís Villas-Boas, João Nobre, Paulo de Medeiros, Hugo Ribeiro, Posal Domingues, Mello Pereira, A. Leite Rosa e José Gomes.

Com apresentação de Fernando Pessa, as actuações decorreram de 16 a 29 de Setembro, tendo o júri deliberado convocar para a finalíssima, no dia 04 de Outubro, os Panteras do Diabo, Nelo do Twist e seus Diabos, Titãs, Daniel Bacelar e os Gentlemen e Fernando Concha e o Conjunto Mistério (ex-Mascarilhas).

No comunicado da decisão, o júri avisa que considerando que a apreciação dos Conjuntos por princípio teria de ser fundamentalmente do tipo do "The Shadows", não julgou a actuação dos vocalistas (embora alguns bastante se tivessem distinguido).

A final realizou-se no dia 04 de Outubro e o júri deliberou por unanimidade declarar vencedor do Concurso o "Conjunto Mistério de Fernando Concha".

O júri considerou também que constituiu um êxito invulgar, tanto para o Cinema Roma como para o público, a presença de tão elevado número de Conjuntos, na maioria formados por jovens executantes e de alguns elementos que muito se distinguiram.

O grupo mais votado pelo público foi Victor Gomes e os seus Gatos Negros.

No dia 07 de Outubro, o Diário Popular, pela pena de Paulo de Medeiros, simultaneamente escriba e membro do júri do Concurso, publica a crónica que se segue:

Perante uma enorme multidão, na sua essência constituída por jovens apaniguados do azougado ritmo dos nossos dias - o twist - terminou na passada sexta-feira no Cinema Roma o certame que a Gerência daquela sala empreendeu no sentido de escolher um agrupamento que maiores afinidades apresentasse com os celebrados Shadows.

Depois da exibição de todos os grupos inscritos, o júri seleccionou cinco conjuntos que dirimiam forças na final e que na realidade se afiguraram os mais apetrechados para discutir a primeira posição. Foram eles Os Diabos, de Nelo, Titãs, Conjunto Mistério, de Fernando Concha, Panteras do Diabo e os Gentlemen, de Daniel Bacelar.

Após as respectivas audições, saiu vencedor, como se previa - e por mérito próprio - o agrupamento Mistério, dirigido pelo conceituado Fernando Concha. Com efeito, o popular conjunto caprichou em ofertar-nos um variado e homegéneo sortilégio melódico para todos os paladares.

Sem dúvida que para o êxito obtido em muito contribuiu a escolha das engendradas composções onde o quarteto desenvolveu a sua classe proverbial, pois empregou uma orquestração assaz rica e utilizou-a em todas as tonalidades, sem perder qualquer das suas outras facetas quer no aspecto inventivo, frescura melódica e sentido rítmico.

Apresentação sóbria, como é apanágio, de Fernando Pessa.

Estão pois de parabéns o público, o conjunto galardoado, Portal da Costa, idealizador do certame que com tanto brilho decorreu e o júri pela uniformidade e certeza de critério com que deliberou.

No dia 12 de Outubro, a revista Rádio & Televisão deu a capa ao Conjunto Mistério e no interior escreveu:

No palco do Cinema Roma estiveram vários conjuntos jovens num concurso destinado a eleger o que mais se identificasse com os famosos Shadows. Ganharam justamente Fernando Concha e o seu Conjunto Mistério. E revelaram-se outros grupos que poderão ficar como valiosos intérpretes de música moderna.

Além deste factor, a iniciativa teve outra particularidade agradável: não houve êxtase de jovens contagiados na plateia, não houve distúrbios na sala.

Provou-se que os ritmos modernos podem ter o seu lugar em Lisboa sem os alarmanetes exageros de juventude que têm preocupado outras capitais e que ainda recentemente foram nota pouco tranquilizadora numa sala lisboeta".

Luís Pinheiro de Almeida

sábado, 7 de setembro de 2013

HÁ 50 ANOS!


Victor Gomes e os Gatos Negros foram os grandes vencedores do primeiro grande concerto de ritmos modernos que se realizou em Portugal, há 50 anos, no dia 07 de Setembro de 1963, no Teatro Monumental, em Lisboa.

Na final, participaram Victor Gomes e os Gatos Negros, Nelo do Twist e Fernando Conde e os Electrónicos.

A apresentação foi de Henrique Mendes.

Ver mais informação aqui.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

"MOCIDADE EM FÉRIAS"


Estreia de "Mocidade em Férias" ("Summer Holiday"), com Cliff Richard e os Shadows, no cinema Roma, em Lisboa, no dia 13 de Setembro de 1963.

Por especial deferência do empresário Vasco Morgado, actuação simultânea no palco dos Reis do Twist de 1963: Vítor Gomes e os seus Gatis Negros, Nelo do Twist e seu conjunto e Fernando Conde e os Electrónicos.

Rigorosamente suspensas as entradas de favor nas sessões da noite.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

VICTOR GOMES


MARFER - MEL. 2-077 - 1967

Juntos Outra Vez (Victor Gomes) - My Prayer (Kennedy/Boulanger) - Mama (dr) - Há-de Voltar (Victor Gomes/Marcelino Castro André)

Esta edição, da espanhola Marfer, é exactamente a mesma da FF, incluindo o número de catálogo.

Neste EP, único do cantor, Victor Gomes é acompanhado pelos Siderais, formados por Fernando Maurício (baixo), Tony Maurício (bateria), João Robalo (guitarra-solo) e Victor Queiroz (Carocha) (guitarra-ritmo).

Victor Manuel dos Santos Gomes nasceu em Lisboa a 06 de Fevereiro de 1940, no Alto do Pina. Aos 4 anos partiu com os pais para Lourenço Marques, actual Maputo (Moçambique).

A mãe, Maria Duarte Santos, foi, em 1948, segunda classificada no concurso "Rainha do Fado de Moçambique" e uma tia, Cecília Santos, foi cançonetista do Rádio Clube local.

Dos 7 aos 15 anos, Victor Gomes frequentou um colégio de padres salesianos na Namaacha.

Depois, segundo a revista "Flama", a sua vida tornou-se um contínuo desbobinar de emoções alternantes: actor teatral, cançonetista no Rádio Clube de Nampula, mecânico de automóveis em Lourenço Marques, pugilista profissional (sete combates na écurie de Tafoi), hoquista em defesa das cores de Malhangalene, Desportivo e Sindicato (ao lado dos mundiais Adrião, Bouçós e Velasco), futebolista no Sporting Clube de Nampula (companheiro de Eusébio na selecção de Moçambique) e, durante dois anos, caçador profissional de caça grossa.

Possuía três armas e um jeep: internava-se no mato e por lá passava semana a fio. Abateu búfalos, antílopes, jacarés, javalis, zebras, macacos-cães e hipopótamos e traficava com os nativos a carne seca.

Percorreu a Rodésia, Congo ex-Belga e África do Sul cantando e caçando: na segunda faceta actuou ao lado de Cliff Richard e Marty Wilde, venceu um concurso de "caloiros do ritmo" e traçou Angola do Norte a Sul, cantando para militares e civis.

Em 1957, ganhou um concurso no Rádio Clube de Moçambique, “A Hora do Caloiro”, organizado por João Maria Tudela, e é aclamado como o “supremo roqueiro”.

Quatro anos mais tarde, foi para Luanda, onde actuou em várias casas de diversão nocturna com os Dardos até 1963, altura em que se mudou para Lisboa. Em Angola, tinha como agente Luís Montez, pai de Luís Montez, da promotora de espectáculos Música no Coração.

Quando cheguei a Portugal, em 1963, já havia o Zeca do Rock, o Joaquim Costa, o Nelo do Twist, o Fernando Conde, mas não cantavam o rock original, cantavam umas coisas em português. Fui o primeiro a cantar rock em inglês. O Daniel Bacelar cantava umas baladas. Eu é que trouxe a energia do rock, a rebeldia e os blusões de cabedal pretos, à americana.

Descoberto por Vasco Morgado na parada de artistas que desfilaram no festival de homenagem ao bailarino Freddy, teve a sua grande oportunidade no Concurso do Rei do Twist que venceu no dia 07 de Setembro de 1963, acompanhado pelos Gatos Negros e sempre vestido de cabedal preto e dando saltos à Tarzan em palco.

Os Gatos Negros eram então formados por José Alberto, 20 anos, (viola solo), Manuel Lixa, 23, (viola ritmo), Jacinto Lixa, 25, (viola baixo) e Quim Hilário, 21, (baterista), todos da Trafaria.

Foi o João Maria Tudela que me falou dos Gatos Negros. Disse-me que não eram grandes músicos, mas tinham garra e eram rebeldes. Fui logo à Trafaria, à sala dos bombeiros onde ensaiavam e foi amor à primeira vista.

A convite de Vasco Morgado, Victor Gomes contracenou com Henrique Salvador e Humberto Madeira na revista “Boa Noite, Lisboa!”, no Monumental, e participou em três filmes, “Canção da Saudade” (Henrique de Campos, 1964), “Sangue No Asfalto” (Jorge Cabral, 1965) e “A Caçada Do Machadeiro” (Quirino Simões, 1969).

Pouco depois, a estrelinha deixou de brilhar. Não participou no Concurso Ié-Ié, também no Monumental, e foi eliminado no dia 20 de Setembro de 1963 do Concurso tipo Shadows, no Cinema Roma, enquanto Nelo do Twist foi à final e Fernando Gaspar, dos Conchas, com o Conjunto Mistério foi o vencedor.

Em 1964, Victor Gomes e os Gatos Negros deram um espectáculo ao ar livre, na Praça Duque de Saldanha, em Lisboa, perante milhares de pessoas.

Até havia pessoas em cima das árvores, o trânsito todo parado, uma loucura! Antes do concerto, fui chamado ao gabinete do Vasco Morgado, onde estavam três pides à minha espera. Disseram: "Victor Gomes, o menino não vai cantar canções de protesto!". Respondi: "Eu?! Eu quero é rock!". E foi assim.

Ainda em 1964, os Gatos Negros, mas sem Victor Gomes, acompanharam José Manuel Concha no seu primeiro disco após a separação dos Conchas, “Sebastião Come Tudo” (Columbia SLEM 2171). Na capa diz-se erradamente “conjunto Os Conchas”.

Em 1966, Vasco Morgado organizou no Teatro Monumental uma Festival de homenagem a Victor Gomes, (“homenagem da gente nova a um ídolo da juventude”) com a participação, entre outros, de Artur Garcia, Florbela Queirós, Tony de Matos, Tristão da Silva e dos “notáveis conjuntos” Bábulas, Claves, Dandies, Lieders, Falcões, Flechas, 6 Latinos, José Manuel e os seus Rapazes.

Em 1967 editou um EP (Marfer MEL 2-077/FF MEL 2-077) com “Juntos Outra Vez” (Victor Gomes), “My Prayer”, “Mama” e “Há-de Voltar” (Victor Gomes/Marcelino Castro André).

Neste EP, único, Victor Gomes é acompanhado pelos Siderais, formados por Fernando Maurício (baixo), Tony Maurício (bateria), João Robalo (guitarra-solo) e Victor Queiroz (Carocha) (guitarra-ritmo).

Depois da edição do disco, Victor Gomes regressou a Angola e a Moçambique, a pedido da Cruz Vermelha Portuguesa e do Movimento Nacional Feminino, para cantar para as tropas portuguesas.

A ideia era ficar dois, três meses e voltar à base, mas acabei por ficar. Fui para a Rodésia, onde montei uma quinta de criação de gado, estive no Quénia, na África do Sul, no Botswana, na Namíbia, em todos aqueles países de Angola para baixo.

Victor Gomes interrompeu a carreira musical no início da década de 70. Depois de África, esteve em Inglaterra, Holanda, Alemanha e fixou-se em França, regressando a Portugal em 1992.

Em 1993 foi publicado um CD (Movieplay, MOV 30297), "Victor Gomes e o Regresso do Rei do Rock" com versões actualizadas de "Juntos Outra Vez" e "Há-de Voltar" e outras 12 canções, entre as quais interpretações de "Kanimambo" e "My Way" (em português).

Em 1997, a dupla colectânea “Biografia do Pop/Rock” (Movieplay, MOV 30.367) incluiu “Juntos Outra Vez”.

No dia 13 de Novembro de 2010, Victor Gomes, 70 anos, foi uma das atracções da Gala da SPA (BBC, Lisboa) com que se pretendeu homenagear o pop/rock português. Debilitado, não conseguiu terminar a sua prestação.

Luís Pinheiro de Almeida

sábado, 29 de janeiro de 2011

VICTOR GOMES E O MAXIME


Victor Gomes, o velho Rei do Twist, deu hoje uma entrevista de quatro páginas ao jornal "I", onde confessa que é com "uma lágrima no canto do olho" que vê fechar o Maxime, o verdadeiro cabaret de Lisboa.

Sinto-me triste por saber que o Maxime vai fechar. É uma oficina que vai deixar muita gente desempregada. E para mim era a melhor casa de espectáculos de Lisboa. Lisboa vai ficar mais triste e a Praça da Alegria com uma lágrima no canto do olho.

Victor Gomes participa precisamente na festa de encerramento do Maxime que se realiza hoje à noite, no Maxime, claro!, às 22H00. No palco também vão estar os Irmãos Catita, Miss Suzie, Sandro Core e Gretty Star.

A entrevista pode ser lida aqui, cortesia de JR.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

VICTOR GOMES


"Diário Popular", 01 de Abril de 1966

Já viram os conjuntos yé-yé? Bábulas, Claves, Dandies, Lieders, Falcões, Flechas, 6 Latinos, José Manuel e os seus Rapazes...

Só os Claves editaram discos... dois EPs.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

VICTOR GOMES


Victor Gomes em plena actuação no Flamingo Club, em Luanda, em data desconhecida. Antes dos Gatos Negros, esta banda chamava-se Night and Day e incluía a holandesa Nicky Honey, então companheira de Victor Gomes.

Se bem repararem o portuga de bigode à maroto, olha de soslaio para as pernas de Nicky.

sexta-feira, 28 de março de 2008

PORQUÊ DE MADRUGADA?


FF - MEL 2-077 - 1967

Juntos Outra Vez (Victor Gomes) - My Prayer - Mama - Há-de Voltar (Victor Gomes/A. Cardoso Marcelino)

Acordei hoje de madrugada, era umas 4 e tal, peguei no comando, fiz zapping e eis que me aparece Maria Leonor, na RTP Memória, a falar de Sheiks, do yé-yé, do rock muito mexido, do cantar em inglês, de 1964, dos muitos conjuntos pop que havia então em Portugal, etc, etc.

Fiquei para ver e o que vi? Sheiks, Ekos, Fernando Conde e o seu conjunto e Victor Gomes e os Gatos Negros. Verdadeiramente fantástico!

Não percebo por que a RTP Memória não passa estas coisas a horas decentes e não percebo também por que no site da RTP Memória a bota não bate com a perdigota, ou seja, para o programa que eu vi estava indicado Jorge Alves com "Melodias de Sempre".

E andamos nós a pagar taxa para estas incompetências...

Neste EP, único, do cantor, Victor Gomes é acompanhado pelos Siderais, formados por Fernando Maurício (baixo), Tony Maurício (bateria), João Robalo (guitarra-solo) e Victor Queiroz (Carocha) (guitarra-ritmo).

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

MOCIDADE EM FÉRIAS


"Mocidade em Férias", de Peter Yates, com Cliff e os Shadows, Lauri Peters e outros, estreou-se no cinema Roma, em Lisboa, no dia 13 de Setembro de 1963, dando origem ao Concurso tipo Shadows, de que já aqui falei.

Na noite de estreia actuaram no palco do Roma Victor Gomes e os Gatos Negros, Nelo do Twist e o seu conjunto e Fernando Conde e os Electrónicos.

Interessante era o aviso nos cartazes e nos anúncios: "rigorosamente suspensas as entradas de favor nas sessões da noite". Ah, ah, ah!

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

VICTOR GOMES, O REI DO TWIST


Victor Gomes e os Gatos Negros foram os grandes vencedores do primeiro grande concurso de ritmos modernos que se realizou em Portugal.

O concurso teve por título Rei do Twist e foi organizado no Teatro Monumental, em Lisboa, por Vasco Morgado, o único empresário de então com direito a essa designação.

A final realizou-se no dia 07 de Setembro de 1963 e nela participaram Victor Gomes e os Gatos Negros, Nelo do Twist e o seu Conjunto e Fernando Conde e os seus Electrónicos. A apresentação foi de Henrique Mendes.

O júri era constituído pelos maestros Tavares Belo e Costa Pinto e pelo compositor Jerónimo Bragança.

Em palco, Victor Gomes, todo ele - incluindo luvas - de cabedal preto vestido, dava saltos felinos "à Tarzan".

A Imprensa deu ampla cobertura ao evento.

Escreveu "O Século":

A elegante sala do Saldanha - cuja lotação estava esgotada - apareceu com o aspecto de um estádio onde se disputasse uma rija peleja desportiva: os adeptos dos conjuntos musicais em concurso faziam pender dos camarotes vários dísticos proclamando a supremacia dos seus preferidos e entoavam-lhe os nomes em coro entusiástico de grito de guerra.

O espectáculo decorreu, porém, na melhor ordem. Vibração, frenesi, nervos excitados, doentes - mas tudo se resolveu com alguns esgares e piruetas, mais ou menos acrobáticas, cadenciadas no ritmo sem melodia, que muitos acusarão de ser um ruído como outro qualquer, mas que entusiasma a mocidade cabeluda e nevrótica das mais recentes gerações.


E o "Diário Popular":

Esta onda (twist) que há três anos anda na Europa e está já a desaparecer, chegou agora a Portugal (...) Filas inteiras dançavam e a certa altura o pessoal do teatro teve de ameaçar alguns mais entusiastas de que os mandava pôr na rua se prosseguissem na exibição.

A juventude portuguesa, porém, está longe de se entregar aos divertimentos como o fazem os franceses, os italianos ou mesmo os londrinos, que esquecem tudo e têm causado prejuízos sérios em salas e teatros dos seus países. Os "blusons noirs" portugueses não assustam e limitam-se a dançar e a aclamar com palmas e gritos a vitória dos seus ídolos.

No final do espectáculo, a Polícia teve de novo que intervir para evitar que que a juventude fosse para o palco dançar. mas mesmo assim umas largas dezenas de rapazes e raparigas "twistaram" entre clamores e aplausos, sendo imitados nos corredores e nas coxias por "furiosos" que não se contiveram perante os apelos dos acordes lançados no ar pelas guitarras eléctricas e pela voz estentórica de Victor Gomes e os seus Gatos Negros, os reis do twist de 1963
.

E a "Plateia":

Victor Gomes, logo que terminou a sua actuação, tinha assegurado o título de Rei do Twist, pois será difícil, seja onde fôr, na América ou na França, encontrar alguém que possa interpretar muito melhor este ritmo trepidante que caracteriza bem o dinamismo do nosso século.

E "O Século Ilustrado":

Embora já atenuada nos restantes países da Europa, a onda do twist invadiu agora Portugal. Fruto de uma organização de Vasco Morgado, surgiram os sábados do twist, no Monumental, cujo fim era a eleição dos reis desta curiosa e bem contorcida dança para o ano de 1963.

E, finalmente, a "Flama":

Victor Gomes é exuberante, fantasticamente desenvolto e possui uma auto-confiança notável.

Victor Manuel dos Santos Gomes nasceu em Lisboa a 06 de Fevereiro de 1940, no Alto do Pina. Aos 4 anos partiu com os pais para Lourenço Marques. A mãe, Maria Duarte Santos, foi, em 1948, segunda classificada no concurso "Rainha do Fado de Moçambique" e uma tia, Cecília Santos, foi cançonetista do Rádio Clube local.

Dos 7 aos 15 anos, Victor Gomes frequentou um colégio de padres salesianos na Namaacha.

Depois, segundo a "Flama", a sua vida tornou-se um contínuo desbobinar de emoções alternantes: actor teatral, cançonetista no Rádio Clube de Nampula, mecânico de automóveis em Lourenço Marques, pugilista profissional (sete combates na écurie de Tafoi), hoquista em defesa das cores de Malhangalene, Desportivo e Sindicato (ao lado dos mundiais Adrião, Bouçós e Velasco), futebolista no Sporting Clube de Nampula (companheiro de Eusébio na selecção de Moçambique) e, durante dois anos, caçador profissional de caça grossa.

Possuía três armas e um jeep: internava-se no mato e por lá passava semana a fio. Abateu búfalos, antílopes, jacarés, javalis, zebras, macacos-cães e hipopótamos e traficava com os nativos a carne seca.

Percorreu a Rodésia, Congo ex-belga e África do Sul cantando e caçando: na segunda faceta actuou ao lado de Cliff Richard e Marty Wilde, venceu um concurso de "caloiros do ritmo" e traçou Angola do Norte a Sul, cantando para militares e civis.

Em 1963 apareceu na Metrópole. Descoberto por Vasco Morgado na parada de artistas que desfilaram no festival de homenagem a Freddy, teve a sua grande oportunidade no Concurso do Rei do Twist que venceu.

Pouco depois, a estrelinha deixou de brilhar. Já não participaram no Concurso Ié-Ié, também no Monumental, e foram eliminados no dia 20 de Setembro de 1963, do Concurso tipo Shadows, no Cinema Roma, enquanto Nelo do Twist foi à final e Fernando Concha (com o Conjunto Mistério) foi o vencedor.

Agastado, voltou a Moçambique, prometendo que regressaria em grande, o que não viria a acontecer.

Em 1993 foi publicado um CD, "Victor Gomes e o Regresso do Rei do Rock" (já não do twist) com versões actualizadas de "Juntos Outra Vez" e "Há-de Voltar" e outras 12 canções, entre as quais interpretações de "Kanimambo" e "My Way" (em português).

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

CONCURSO TIPO THE SHADOWS

Em Setembro de 1963, o cinema Roma, de Lisboa, para promover o filme "Mocidade em Férias", com Cliff Richard e os Shadows, resolveu organizar um concurso de bandas a que deu o (agora) engraçado título Conjuntos Portugueses do tipo do "The Shadows".

Não me lembro desta tradição noutros países, mas em Portugal, na década de 60, houve milhares de concursos ié-ié. Não havia cidade que não tivesse o seu.

Mas do meu ponto de vista, só houve três grandes concursos: Rei do Twist (1963), este de que vos falo agora, e o mui famoso Concurso Ié-Ié, em 1965/1966, de que vos falarei noutra ocasião.

Para o sensacional concurso do cinema Roma, inscreveram-se 22 conjuntos portugueses: Victor Gomes e os seus Gatos Negros, Nelo do Twist e seus Diabos, Electrónicos, Jets, Telstars, Eddye Gonzalez e os seus Ekos, Les Fanatics, Vendavais, Tigres, 3 Jotas (de Torres Novas), Titãs, Daniel Bacelar e os Gentlemen, S.O.S., Lisboa À Noite, Nova Onda, Sanremo 172, Napolitano, Panteras do Diabo, Jovens do Ritmo, Mascarilhas, Juventude Dinâmica e Condores.

Rezava assim o anúncio publicado na Imprensa:

"O cinema Roma convida-os (aos conjuntos) a comparecerem na sua sala nos próximos dias 6 e 7, das 10 às 12,45 e das 18,30 às 20 horas, a fim de serem ouvidos, para que se possa fazer uma selecção prévia, e combinar o plano da sua actuação a partir da estreia do filme "MOCIDADE EM FÉRIAS", que está prevista para sexta-feira, 13 de Setembro.

Nesta reunião privada não se exigem os trajos com que aparecerão perante o público. Apenas se tornam indispensáveis os instrumentos de música e respectivos aparelhos de amplificação.

Mais uma vez se lembra que o Conjunto eleito pelo voto do espectador terá direito, graças aos Estabelecimentos Valentim de Carvalho, a uma face de um disco comercial e o Conjunto escolhido pelo Júri a um disco comercial (2 faces) e ainda à apresentação pessoal aos Shadows, em Londres, para onde serão transportados em aviões dos TAP-BEA.

O cinema Roma agradece, desde já, a todos o entusiasmo com que acolheram esta iniciativa.

O júri era constituído por Maria João Aguiar, António Miguel, Luís Villas-Boas, João Nobre, Paulo de Medeiros, Hugo Ribeiro, Posal Domingues, Mello Pereira, A. Leite Rosa e José Gomes.

Com apresentação de Fernando Pessa, as actuações decorreram de 16 a 29 de Setembro, tendo o júri deliberado convocar para a finalíssima, no dia 04 de Outubro, os Panteras do Diabo, Nelo do Twist e seus Diabos, Titãs, Daniel Bacelar e os Gentlemen e Fernando Concha e o Conjunto Mistério.

Não percebo como aparecem citados Fernando Concha e o Conjunto Mistério se não estavam referidos no anúncio inicial de qualificação do Concurso. Um assunto a investigar.

No comunicado da decisão, o júri avisa que "considerando que a apreciação dos Conjuntos por princípio teria de ser fundamentalmente do tipo do "The Shadows", não julgou a actuação dos vocalistas (embora alguns bastante se tivessem distinguido)".

A final realizou-se no dia 04 de Outubro e o júri deliberou por unanimidade declarar vencedor do Concurso o "Conjunto Mistério de Fernando Concha".

O júri considerou também que "constituiu um êxito invulgar, tanto para o Cinema Roma como para o público, a presença de tão elevado número de Conjuntos, na maioria formados por jovens executantes e de alguns elementos que muito se distinguiram".

O grupo mais votado pelo público foi Victor Gomes e os seus Gatos Negros.

No dia 07 de Outubro, o Diário Popular, pela pena de Paulo de Medeiros, simultaneamente escriba e membro do júri do Concurso, publica a crónica que se segue:

Perante uma enorme multidão, na sua essência constituída por jovens apaniguados do azougado ritmo dos nossos dias - o twist - terminou na passada sexta-feira no Cinema Roma o certame que a Gerência daquela sala empreendeu no sentido de escolher um agrupamento que maiores afinidades apresentasse com os celebrados Shadows.

Depois da exibição de todos os grupos inscritos, o júri seleccionou cinco conjuntos que dirimiam forças na final e que na realidade se afiguraram os mais apetrechados para discutir a primeira posição. Foram eles Os Diabos, de Nelo, Titãs, Conjunto Mistério, de Fernando Concha, Panteras do Diabo e os Gentlemen, de Daniel Bacelar.

Após as respectivas audições, saiu vencedor, como se previa - e por mérito próprio - o agrupamento Mistério, dirigido pelo conceituado Fernando Concha. Com efeito, o popular conjunto caprichou em ofertar-nos um variado e homogéneo sortilégio melódico para todos os paladares.

Sem dúvida que para o êxito obtido em muito contribuiu a escolha das engendradas composções onde o quarteto desenvolveu a sua classe proverbial, pois empregou uma orquestração assaz rica e utilizou-a em todas as tonalidades, sem perder qualquer das suas outras facetas quer no aspecto inventivo, frescura melódica e sentido rítmico.

Apresentação sóbria, como é apanágio, de Fernando Pessa.

Estão pois de parabéns o público, o conjunto galardoado, Portal da Costa, idealizador do certame que com tanto brilho decorreu e o júri pela uniformidade e certeza de critério com que deliberou.

No dia 12 de Outubro, a revista Rádio & Televisão deu a capa ao Conjunto Mistério e no interior escreveu:

No palco do Cinema Roma estiveram vários conjuntos jovens num concurso destinado a eleger o que mais se identificasse com os famosos Shadows. Ganharam justamente Fernando Concha e o seu Conjunto Mistério. E revelaram-se outros grupos que poderão ficar como valiosos intérpretes de música moderna.

Além deste factor, a iniciativa teve outra particularidade agradável: não houve êxtase de jovens contagiados na plateia, não houve distúrbios na sala.

Provou-se que os ritmos modernos podem ter o seu lugar em Lisboa sem os alarmanetes exageros de juventude que têm preocupado outras capitais e que ainda recentemente foram nota pouco tranquilizadora numa sala lisboeta.