IMAVOX - IM-20.210 - 1979
Self-Made Man (Pedro Osório) - Poema Do Pária Perante A Mercearia (Martinho Marques/Pedro Osório)
Em 1980 o Festival RTP da Canção ainda constituía um acontecimento musical relevante, não só pelo impacto que conseguia ter no mercado da música mas, pricnipalmente, por contar com uma grande orquestra que ensaiava durante uma semana, produzindo assim uma espécie de "congresso dos músicos" cuja repercussão se estendia pelos meses seguintes.
Nesse ano resolvi concorrer com uma canção divertida, "Self-Made Man", cuja letra se inspirava na anedota do homem de sucesso que subia a pulso (devagarinho) na vida, até que lhe saía uma herança duma tia afastada.
Para a interpretar criei um grupo chamado S.A.R.L. - Sociedade Artística e Recreativa Lusitana - formado por mim, o Samuel e o Carlos Moniz, assessorado por três vozes femininas, da Helena Isabel, Madalena Leal e Joana Mendes.
Este grupo, que só actuou em festivais da canção, ilustra o modo como eu via o exercício da minha profissão: sem que que prejudicasse a seriedade do trabalho, sempre que possível divertir-me e reunir amigos. E o que nós nos divertimos durante os curtos períodos de vida deste grupo!
Uma certa ingenuidade ideológica que na altura ainda se vivia, levou a que fossemos atacados por, no final da cantiga, quando a letra dizia "... foi muito cumprimentado e faleceu confortado com todos os sacramentos", o Samuel se deixar cair nos braços das meninas, enquanto o Carlos e eu simulávamos uma vaga bênção.
Também alguns sectores mais radicais da direita diziam que a minha canção era perigosamente esquerdista porque ridicularizava a figura do "homem de origem humilde que consegue subir na vida". Que longo caminho percorremos nestes vinte e poucos anos!
Como a antiga se apresentava como uma das potenciais vencedoras as coisas aqueceram com o aproximar do espectáculo final.
Na noite de todas as decisões, enquanto nós cantávamos no palco do saudoso Monumental, um grupo capitaneado pelo António Avelar Pinho, que fazia parte do staff das Doce que também concorriam, gritava do fundo da sala "comunas... comuuunas...", com o intuito de influenciar o público.
Nós, enquanto cantávamos, riamo-nos e acenávamos-lhe.
Acabou por ganhar o José Cid e o tempo adoçou todos os rancores daqueles dias.
Pedro Osório, in "Memórias Irrisórias Com Algumas Glórias", pág. 68
Self-Made Man (Pedro Osório) - Poema Do Pária Perante A Mercearia (Martinho Marques/Pedro Osório)
Em 1980 o Festival RTP da Canção ainda constituía um acontecimento musical relevante, não só pelo impacto que conseguia ter no mercado da música mas, pricnipalmente, por contar com uma grande orquestra que ensaiava durante uma semana, produzindo assim uma espécie de "congresso dos músicos" cuja repercussão se estendia pelos meses seguintes.
Nesse ano resolvi concorrer com uma canção divertida, "Self-Made Man", cuja letra se inspirava na anedota do homem de sucesso que subia a pulso (devagarinho) na vida, até que lhe saía uma herança duma tia afastada.
Para a interpretar criei um grupo chamado S.A.R.L. - Sociedade Artística e Recreativa Lusitana - formado por mim, o Samuel e o Carlos Moniz, assessorado por três vozes femininas, da Helena Isabel, Madalena Leal e Joana Mendes.
Este grupo, que só actuou em festivais da canção, ilustra o modo como eu via o exercício da minha profissão: sem que que prejudicasse a seriedade do trabalho, sempre que possível divertir-me e reunir amigos. E o que nós nos divertimos durante os curtos períodos de vida deste grupo!
Uma certa ingenuidade ideológica que na altura ainda se vivia, levou a que fossemos atacados por, no final da cantiga, quando a letra dizia "... foi muito cumprimentado e faleceu confortado com todos os sacramentos", o Samuel se deixar cair nos braços das meninas, enquanto o Carlos e eu simulávamos uma vaga bênção.
Também alguns sectores mais radicais da direita diziam que a minha canção era perigosamente esquerdista porque ridicularizava a figura do "homem de origem humilde que consegue subir na vida". Que longo caminho percorremos nestes vinte e poucos anos!
Como a antiga se apresentava como uma das potenciais vencedoras as coisas aqueceram com o aproximar do espectáculo final.
Na noite de todas as decisões, enquanto nós cantávamos no palco do saudoso Monumental, um grupo capitaneado pelo António Avelar Pinho, que fazia parte do staff das Doce que também concorriam, gritava do fundo da sala "comunas... comuuunas...", com o intuito de influenciar o público.
Nós, enquanto cantávamos, riamo-nos e acenávamos-lhe.
Acabou por ganhar o José Cid e o tempo adoçou todos os rancores daqueles dias.
Pedro Osório, in "Memórias Irrisórias Com Algumas Glórias", pág. 68