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segunda-feira, 23 de agosto de 2010

SELF-MADE MAN


IMAVOX - IM-20.210 - 1979

Self-Made Man (Pedro Osório) - Poema Do Pária Perante A Mercearia (Martinho Marques/Pedro Osório)

Em 1980 o Festival RTP da Canção ainda constituía um acontecimento musical relevante, não só pelo impacto que conseguia ter no mercado da música mas, pricnipalmente, por contar com uma grande orquestra que ensaiava durante uma semana, produzindo assim uma espécie de "congresso dos músicos" cuja repercussão se estendia pelos meses seguintes.

Nesse ano resolvi concorrer com uma canção divertida, "Self-Made Man", cuja letra se inspirava na anedota do homem de sucesso que subia a pulso (devagarinho) na vida, até que lhe saía uma herança duma tia afastada.

Para a interpretar criei um grupo chamado S.A.R.L. - Sociedade Artística e Recreativa Lusitana - formado por mim, o Samuel e o Carlos Moniz, assessorado por três vozes femininas, da Helena Isabel, Madalena Leal e Joana Mendes.

Este grupo, que só actuou em festivais da canção, ilustra o modo como eu via o exercício da minha profissão: sem que que prejudicasse a seriedade do trabalho, sempre que possível divertir-me e reunir amigos. E o que nós nos divertimos durante os curtos períodos de vida deste grupo!

Uma certa ingenuidade ideológica que na altura ainda se vivia, levou a que fossemos atacados por, no final da cantiga, quando a letra dizia "... foi muito cumprimentado e faleceu confortado com todos os sacramentos", o Samuel se deixar cair nos braços das meninas, enquanto o Carlos e eu simulávamos uma vaga bênção.

Também alguns sectores mais radicais da direita diziam que a minha canção era perigosamente esquerdista porque ridicularizava a figura do "homem de origem humilde que consegue subir na vida". Que longo caminho percorremos nestes vinte e poucos anos!

Como a antiga se apresentava como uma das potenciais vencedoras as coisas aqueceram com o aproximar do espectáculo final.

Na noite de todas as decisões, enquanto nós cantávamos no palco do saudoso Monumental, um grupo capitaneado pelo António Avelar Pinho, que fazia parte do staff das Doce que também concorriam, gritava do fundo da sala "comunas... comuuunas...", com o intuito de influenciar o público.

Nós, enquanto cantávamos, riamo-nos e acenávamos-lhe.

Acabou por ganhar o José Cid e o tempo adoçou todos os rancores daqueles dias.

Pedro Osório, in "Memórias Irrisórias Com Algumas Glórias", pág. 68

sábado, 8 de novembro de 2008

SARL


PHILIPS - 6031 211 - 1982

Quero Ser Feliz Agora - A Cunha

Produção e Arranjos de Pedro Osório

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

DANIEL PROENÇA DE CARVALHO

Político e advogado, antigo ministro, Daniel Proença de Carvalho tem igualmente uma história ligada á música, onde se inciou enquanto estudante, em Coimbra.

Em Lisboa, chegou a fazer parte dos SARL.

Abandonada a música, ainda se reúne com os amigos para jam sessions e umas gravações para distribuição doméstica, como é o caso deste "Só Para Amigos II":

Love Letters, Pier Canela e Crazy (Natália Proença de Carvalho) - Canoas do Tejo (Luís Sá Pereira) - You Needed Me e La Vie En Rose (Manuela de Sousa Rama) - Dos Gardenias e Já Se Faz Tarde (Daniel Proença de Carvalho) - La Domenica e Como Se Fosse Um Fado (Teresa Pinto Coelho) - Gisela e Bei Dir War Es Immer So Schon (Thilo Krassman) - E Alegre Se Fez Triste e Soneto de Amor (Almeida Santos) - El Reloj e Pomba Branca (Dias Loureiro) - Doralice (José Manuel Pedrosa) - Dança do Casual (Sofia Monteiro) - I Left My Heart In San Francisco (Luís Sá Pereira)

terça-feira, 1 de abril de 2008

CONJUNTO MISTÉRIO


IMAVOX IM-10.210 - 1979

Self Made Man - Poema Do Pária Perante A Mercearia

Durante 25 anos, este foi um conjunto mistério. O primeiro disco, "Funchal, 23", data de Junho de 1974, mas ninguém sabia nada de nada. Quem cantava, quem tocava, quem tinha feito as músicas, quem escrevera as letras.

O mistério só foi desvendado em 1999. O autor da canção é José Niza que a compôs em casa de Daniel Proença de Carvalho ao ler no "Diário de Lisboa" a notícia da partida do Funchal para o Brasil no dia 23 de Maio (daí o título) de Moreira Baptista e Silva Cunha (ministros da ditadura deposta).

José Niza limitou-se a musicar o texto da notícia.

Dias depois, José Niza, Daniel Proença de Carvalho, Carlos Perez Álvaro, então director da Movieplay, Rui Ressurreição, Thilo Krasmann e José Manuel Pedrosa gravaram "Funchal, 23" e "De Como A Canção Social Tem Uma Função Capital... Quer Dizer..." no estúdio da Musicorde.

Não garanto a mesma constituição do grupo neste "Self Made Man", uma obra de Pedro Osório.

Já agora, SARL significa Sociedade Artística E Recreativa Lusitana.