
É injusto para Rita Redshoes ser conhecida como o "David Fonseca de saias". É verdade que há na criação de Rita laivos do homem de Leiria, mas quanto gostaria este de chegar aos calcanhares da sportinguista, cujos saltos vermelhos são bem altos.
Declaração de interesses: não tenho especial apreço por David Fonseca, desde os tempos dos Silence 4.
Posto isto, o concerto de Rita Redshoes na excelente, mas excessivamente acalorada, acústica do S. Jorge, em Lisboa, não envergonha a própria, nem ninguém, como por vezes acontece nos palcos portugueses.
Rita tem uma bela voz e uma postura em palco pontuada pela sensualidade qb. Quando atira para o rock, a atitude é Bruce Springsteen, de guitarra em riste.
O repertório ainda é curto e (talvez) marcado pela influência de David Fonseca, mas cedo tudo isso será ultrapassado.
Tenho fé na mais importante declaração que fez ao microfone:
"gosto muito e ouço muita música!".
(É que há dias tive uma reunião numa editora e pela casa já não se houve música. Pode ser?)
E vai daí, Rita Redshoes troca os sapatos vermelhos pelas botas vermelhas e desata numa fantástica versão do clássico de Nancy Sinatra "These Boots Are Made For Walkin'", adulterada para "These Shoes Are Made For Walkin'"... erro de vestuário....
Não se ficou por aí: ainda nos ofereceu um romântico "Lonesome Town", de Ricky Nelson, imediatamente transmitido a Daniel Bacelar, e uma comovente versão de "Ring Of Fire", de Johnny Cash.
Nesta última, teve oportunidade de contar como conseguiu encontrar no Texas uma
autoharp igual à que June Carter usou para compôr a canção (a meias com Merle Kilgore) e que tem usado.
Temos mulher!
O bilhete foi oferecido pela agência da artista.