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quinta-feira, 15 de agosto de 2019

WOODSTOCK: PRIMEIRO DIA HÁ 50 ANOS


- Richie Havens
- Sweetwater
- Sri Swami Satchidananda
- Bert Sommer
- Ravi Shankar
- Tim Hardin
- Melanie
- Arlo Guthrie
- Joan Baez

segunda-feira, 29 de abril de 2013

RAVI SHANKAR AND FRIENDS


DARK HORSE RECORDS - SP-22002 - edição britânica (1974)

Side One

I Am Missing You - Kahan Gayelava Shyam Saloné - Supané Mé Ayé Preetam Sainya - I Am Missing You (reprise) - Jaya Jagadish Haré

Side Two

Dream, Nightmare & Dawn - Overture

Produção de George Harrison.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

MORREU RAVI SHANKAR


Morreu Ravi Shankar, exímio músico indiano, de cítara, "descoberto" pelos Beatles na década de 60. Tinha 92 anos. George Harrison chamou-lhe o "padrinho da world music". É pai de Anoushka Shankar e de Norah Jones. Morreu hoje nos Estados Unidos, San Diego, em consequência de dificuldades respiratórias.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

GEORGE HARRISON E RAVI SHANKAR


UMLAUT CORPORATION - 8122 79792 1 - 2010

Bela homenagem da viúva de George Harrison a Ravi Shankar.

Inclui os álbuns "Shankar Family & Friends" (1974), a primeira colaboração, em disco, de George e Ravi, "Ravi Shankar's Music Festival From India" (1976) e "Chants Of India" (1997) e o DVD "Music Festival From India - Live At The Royal Albert Hall" (1974), até agora inédito.

Há ainda um livro com informações e fotos e prefácio de Philip Glass.

Trata-se de uma edição luxuosa, mas eu, para dizer a verdade, prefiro edições mais discretas. As luxuosas, além de difíceis de manusear, não cabem em sítio álbum e há sempre o receio de as estragar.

Nã, sou pelas coisas mais simples...

Em todo o caso, bela prenda, não foi?

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

I AM MISSING YOU


"I Am Missing You", de Ravi Shankar, Família e Amigos, teve duas versões diferentes, conforme confessa o próprio músico indiano:

Na verdade, gravámos duas versões desta canção, uma das poucas que escrevi em inglês. George e eu quisémos incluir esta versão "pop" que George arranjou e produziu e que nós tocávamos todas as noites na digressão.

A versão pop está incluída no single e também na caixa de 4 CDs de Ravi Shankar, "In Celebration".

Foi produzida em 1974 por George Harrison e inclui as seguintes participações: Lakshmi Shankar (voz principal), Viji Shankar e Kamala Chakravarty (coros), Jim Keltner e Ringo Starr (bateria), Billy Preston (teclas), Klaus Voorman (baixo), George Harrison (guitarras acústicas e autoharp), Tom Scott (saxofone soprano) e Emil Richards (marimba e percussão).

A segunda versão - a quieter one, na expressão de Ravi Shankar - encontra-se incluída no álbum "Shankar Family & Friends" e também no CD "In Celebration Highlights" (na imagem):

Foi igualmente produzida por George Harrison em 1974, mas com as seguintes participações:

Lakshmi Shankar (voz), Hariprasad Chaurasia (flauta), Shivkumar Sharma (santoor), Tom Scott (flauta ocidental), L. Subramaniam (violino), Shubho Shankar (cítara), Alla Rakha (tabla) - Emil Richards (vibrafone), Paul Beaver (teclas), Ray Kramer (viloncelo), Klaus Voorman (baixo), Al Casey (mandolim), Harihar Rao (tambura), Nodu Mullick (kartal), Jim Keltner (bateria), Ravi Shankar, George Harrison e outros (coros).

ANOUSHKA SHANKAR


ANGEL RECORDS - 7243 5 80295 2 9 - 2005

Prayer In Passing - Red Sun - Mahadeva - Naked - Solea - Beloved - Sinister Grains - Voice Of The Moon - Ancient Love

Esta é uma das duas conhecidas filhas de Ravi Shankar, sendo a outra a famosa Norah Jones. Haverá mais?

Ravi Shankar teve também um filho, Ananda, igualmente músico, falecido em 1999.

domingo, 31 de janeiro de 2010

RAVI SHANKAR


DARK HORSE RECORDS - 8E 006-96 280 G - edição portuguesa (1974)

I Am Missing You (Ravi Shankar) - Lust (Ravi Shankar)

Voz de Lakshmi Shankar

Garanto-vos que é um belo disco!

Comprado no dia 30 de Abril de 1975 nas OGFE (Oficinas Gerais de Fardamento do Exército, vulgo Casão), Campo de Santa Clara, Lisboa, por 62$50.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

THE MONTEREY INTERNATIONAL POP FESTIVAL


Fui à primeira projecção da série Rock Numa Noite De Verão, "Monterey Pop", na Esplanada da Cinemateca, em Lisboa, e devo dizer que não estou nada arrependido.

O local é aprazível e o bilhete em conta: 3 euros, com direito a uma bebida. Apenas um conselho: não convém ir em cima da hora para não perder mesa.

Nunca tinha visto o filme de D.A. Pennebaker: chorei, bati palmas e exclamei como Mama Cass no final da actuação de Janis Joplin: "Uau!".

Realizado nos dias 16, 17 e 18 de Junho de 1967 em Monterey, não muito longe de São Francisco, o Festival é o pioneiro dos festivais de música.

Obviamente que o filme apenas nos dá uma amostra do Festival, mas a amostra é suficiente para empolgar quem viveu a época ou quem nutre por ela um carinho especial.

Janis Joplin, Jimi Hendrix, Animals, Who, Jefferson Airplane, Mamas and Papas, Otis Redding, Hugh Masekela e Ravi Shankar foram alguns dos participantes que conseguimos ver.

Outros tiveram de ficar de fora, como os Association, Byrds, Booker T & the MGs...

As canções do filme foram:

Big Brother & The Holding Company ("Combination of the Two")
Scott McKenzie ("San Francisco"*)
Mamas & The Papas ("Creeque Alley" e "California Dreamin'")
Canned Heat ("Rollin' & Tumblin'")
Simon & Garfunkel ("The 59th Street Bridge Song (Feelin'Groovy)")
Hugh Masekela ("Bajabula Bonke (Healing Song)")
Jefferson Airplane("High Flyin' Bird" e "Today")
Janis Joplin and Big Brother & The Holding Company ("Ball & Chain")
Eric Burdon & The Animals ("Paint It Black")
The Who ("My Generation")
Country Joe & The Fish ("Section 43")
Otis Redding ("Shake" e "I've Been Loving You Too Long")
Jimi Hendrix ("Wild Thing")
Mamas & The Papas ("Got a Feelin'")
Ravi Shankar ("Raga Bhimpalasi")

Já agora, a Rhino editou em 1992 uma excelente caixa de 4 CDs, amarela e com o formato de LP que inclui todo o concerto num total de 4 horas, 56 minutos e 58 segundos, e ainda um luxuoso booklet.

Claro que também há em DVD.

terça-feira, 17 de junho de 2008

CONCERT FOR GEORGE (03)


No princípio eram os Beatles, que viraram o Mundo do avesso, depois foram os Threetles que remexeram no pó do sótão e desenterraram peças antológicas, por ora são os Tweetles, reduzidos a Paul e Ringo, sob a sombra tutelar de John e George.

Mas a avaliar pelo que se passou no Royal Albert Hall, em Londres, na última sexta-feira, no primeiro aniversário da morte de George Harrison, em cada homem com uma guitarra nas mãos há um “beatle”. E nem é precisa a guitarra: Tom Hanks foi um dos Monty Python na homenagem.

O que se passa? Como é possível juntar em palco Paul e Ringo, Ravi Shankar e Eric Clapton, Tom Petty e Billy Preston, Gary Brooker e Jools Holland, Jeff Lynne e Tom Scott, Albert Lee e Klaus Voorman, Jim Capaldi e Chris Stainton e por aí fora? E como é possível agregar na assistência nomes como Bob Geldof, Dave Grohl, Bill Wyman, Lulu, Mike Rutherford, George Martin e outros mais discretos?

Só há uma resposta: Beatles! Mas Beatles na perspectiva que ultrapassa meramente a música, Beatles no significado de uma vida, de uma memória colectiva, de uma geração única, rica, que transformou o Mundo há 40 anos.

Foi o que se sentiu na sexta-feira, 29 de Novembro. Enquanto no palco desfilavam os mestres e soava a música emblemática, sob o olhar intenso de George Harrison, em cada mente da assistência perpassava o primeiro charro, a primeira namorada, a mini-saia, o chumbo a Matemática, a heroicidade de Che Guevara, a conquista da Lua, a pílula, enfim, o filme de uma vida sem retorno.

E aí residiu também a contradição da homenagem. Praticamente toda a lotação do Royal Albert Hall foi distribuída a convidados: músicos, jornalistas de todo o Mundo, artistas vários, executivos importantes da indústria, colunáveis e outras pessoas importantes de fato cinzento.

Restou pouco para o povo que daria um ar mais beatle à festa. Não surpreendeu, por isso, o ar feliz de um jovem fã, vindo propositadamente do Canadá, com “The Beatles” escrito na cabeça rapada e uma bandeira do seu país na mochila. Extasiado, gritava para uma câmara de televisão: “Consegui! Consegui! Paguei 150 contos pelo bilhete, mas chorei com ‘Something’!”.

A festa não foi tão popular quanto se desejaria, mas foi bonita, pá. Bonita e irrepreensível, o que se deve a Eric Clapton, instruído por Olivia Harrison para montar um espectáculo digno que não atraiçoasse a memória de George. “Bastaram cinco anos para ser famoso, foram precisos 40 para ser ‘ninguém’”, dizia George.

Mas George Harrison não é “ninguém” e isso foi provado. Ninguém fica indiferente às suas canções, ao seu ecletismo, à sua espiritualidade, à sua maneira de encarar o Mundo.

Ravi Shankar fez uma soberba peça sinfónica indiana, “Arpan”, de homenagem ao seu “filho”, onde desponta a guitarra acústica de Eric Clapton, numa inédita incursão da música ocidental nos sons indianos, trilhando o caminho pioneiro e inverso de George Harrison.

Os Monty Python, com Tom Hanks pelo meio, foram hilariantes. Depois foi o rock com palmas adicionais para Tom Petty, a quem George tinha oferecido em vida um blusão de Elvis. Uma releitura genial de “I Need You” fez levantar os fatos cinzentos e a lembrança dos Traveling Wilburys em “Handle With Care” cativou os que, ainda pesados pelos cartões gold do American Express, permaneciam ainda sentados.

A cereja no topo do bolo estava reservada para o final: a prometida reunião em palco dos Beatles sobreviventes, Paul McCartney e Ringo Starr, a primeira desde a separação do grupo em 1970.

Ringo, que escreveu uma canção em parceria com Eric Clapton de homenagem a George para o seu novo álbum, abeirou-se do microfone e não deixou os créditos em mãos alheias: “porque é que toda a gente é mais alta do que eu?” e baixou o microfone. Cantou “Photograph”, que compôs com George, e, à falta de melhor, “Honey Don’t”, de Carl Perkins, um dos ídolos de George.

Já com o Royal Albert Hall todo de pé e alguns assistentes inconvenientes com as mãos a tapar os ouvidos por causa do “barulho”, Ringo apresentou Paul McCartney. Foi o delírio geriátrico.

Mais humilde do que nunca, McCartney, vestido de negro, entrou com “For You Blue”, fez dueto com Eric Clapton em “Something”, misturando o som do cavaquinho português com a poderosa guitarra de Clapton, e, surpresa das supresas, cantou menos mal “All Things Must Pass”.

Na altura estavam em palco nove guitarristas, três bateristas, três teclistas, dois percussionistas, entre os quais o genial Ray Cooper, e dois saxofonistas que de imediato se lançaram em “While My Guitar Gently Weeps”, com Clapton a exceder-se a si próprio com um solo de guitarra que brotava lágrimas das cordas.

Feliz da vida, Paul McCartney não se cansava de endereçar gestos carinhosos para Ringo Starr que, do alto da sua bateria, abanava a cabeça como no tempo dos Beatles.

E proferiu a frase da noite. Olhando para Dhani Harrison, a seu lado, igual ao pai na pose e na maneira como segurava a guitarra, disse: “parece que todos envelhecemos e George está na mesma”.

Só faltou mesmo John Lennon e a sua famosa tirada: “os que estão nos lugares mais baratos batam palmas, os outros chocalhem as jóias”.

Luís Pinheiro de Almeida, em Londres

CONCERT FOR GEORGE (02)


O Royal Albert Hall, de Londres, viveu sexta-feira uma noite única de celebração da vida e da música de George Harrison, no primeiro aniversário da morte do ex-Beatle, vítima de vários cancros aos 58 anos.

A noite permitiu, pela primeira vez desde a separação dos Beatles em 1970, a reunião em palco dos dois membros sobreviventes, Paul McCartney e Ringo Starr, que faziam os dois a secção rítmica da mais famosa banda pop de sempre.

Mas se a reunião dos dois Beatles constituiu ponto alto, não menor foi o espectáculo em si, inteiramente preenchido com canções de George Harrison, interpretadas por uma verdadeira chuva de estrelas que só um espírito como o de George Harrison conseguiria reunir: além dos Beatles ainda vivos, Ravi Shankar e a sua filha Anoushka, Eric Clapton, Tom Petty, Billy Preston, Jim Keltner, Jim Capaldi, Ray Cooper, Monty Python, Jeff Lynne, Joe Brown e sua filha Sam, Gary Brooker, Klaus Voorman, Jools Holland, para não falar das que se espalharam entre a assistência, como George Martin, Bob Geldof, Mike Rutherford, Dave Grohl, entre outros.

O palco estava sobriamente encenado com apenas uma fotografia de George Harrison e o símbolo do Hare Krishna, mantendo-se as luzes da sala acesas durante todo o concerto, cujo ambiente cheirava a incenso.

A primeira parte foi preenchida com música indiana que George Harrison deu a conhecer ao Mundo, terminando com uma obra composta propositadamente por Ravi Shankar para esta noite, dedicada ao seu "filho".

Arpan, dirigida por Anoushka, acabou num crescendo arrepiante em que pontuou a guitarra acústica de Eric Clapton.

Depois de dois dos mais famosos sketches dos Monty Python, sucederam-se as canções de George Harrison repartidas pelos amigos.

Jeff Lynne cantou I Want To Tell You, uma das primeiras canções indianas dos Beatles, Eric Clapton abordou If I Needed Someone e Gray Brooker, teclista dos Procol Harum, Old Brown Shoe, após o que Jeff Lynne e Eric Clapton revisitaram a carreira a solo do ex-Beatle, respectivamente com Give Me Love, Give Me Peace On Earth e Beware Of Darkness.

Joe Brown, músico pouco conhecido, mas grande amigo de George Harrison, que já tinha participado no álbum All Things Must Pass, apresentou-se em palco para Here Comes The Sun, uma das belas canções de Harrison nos Beatles, e That's The Way It Goes, do álbum a solo Gone Troppo.

Sucedeu-lhe a filha, Sam, também colaboradora musical do ex-Beatle, que, juntamente com Jools Holland, trouxe Horse To The Water, a última canção composta e gravada por George Harrison.

Composto maioritariamente por quarentões e cinquentões com chorudas contas bancárias, mas que não pagaram os mais de 250 euros pelas confortáveis cadeiras da sala, por terem sido convidados, o público só começou verdadeiramente a agitar-se quando Tom Petty e os Heartbreakers entraram em palco para Taxman, I Need You, numa releitura que fez soltar lágrimas, e uma vibrante interpretação de Handle With Care, dos Traveling Wilburys.

Billy Preston, no órgão, e Eric Clapton, na guitarra, brilharam depois em Isn't It A Pity? e o Royal Albert Hall veio abaixo quando Ringo Starr entrou para cantar Photograph, que compôs com George Harrison, e Honey Don't, de Carl Perkins, um dos ídolos de Harrison.

Coube a Ringo Starr apresentar Paul McCartney, vestido de negro, e o delírio geriátrico fez-se ouvir de novo.

Mais humilde do que lhe está na massa do sangue, McCartney integrou-se sem dificuldade e fez dueto com Eric Clapton em For You Blue, sempre com gestos carinhosos para Ringo Starr, já sentado na sua habitual bateria alta, e para o filho de George Harrison, Dhani, atrás de si com uma guitarra acústica.

Something foi outro momento alto da noite, com Paul McCartney no cavaquinho, como tem feito na sua actual digressão mundial, mas progredindo a canção para um pungente solo de guitarra eléctrica de Eric Clapton, como só ele sabe fazer.

Com nove guitarristas em palco, três baterias, três teclados, dois percussionistas e dois saxofonistas, seguiu-se uma das surpresas da noite, com Paul McCartney a cantar All Things Must Pass, abrindo caminho para o final das quase três horas de concerto, com Eric Clapton em mais um vigoroso solo em While My Guitar Gently Weeps, Billy Preston num emocionante My Sweet lord e todos em palco num imprevisto Wah-Wah.

Quando se julgava terminada a homenagem, organizada por Eric Clapton, a pedido da viúva de George Harrison, Olivia, que também esteve em palco, mas não falou, Joe Brown regressou para o clássico See You In My Dreams, enfatizando assim a presença espiritual de George Harrison entre os seus amigos.

Dhani agradeceu.

Fãs e jornalistas de todo o Mundo assistiram ao concerto, cujos bilhetes, no mercado negro, ultrapassaram os 1.500 euros.

O espectáculo foi gravado e filmado, prevendo-se um DVD no próximo ano.

Luís Pinheiro de Almeida, em Londres

CONCERT FOR GEORGE (01)


Adivinhava-se uma noite especial no Royal Albert Hall, em Londres. As condições estavam reunidas: uma chuva de estrelas preparava-se para homenagear a memória de George Harrison, falecido exactamente há um ano.

À entrada do “Coliseu” londrino confirmavam-se as expectativas: dezenas de câmaras de televisão, “flashes” das máquinas fotográficas, colunáveis, bilhetes da candonga a mais de 1.500 euros.

Entrava-se e sentia-se o espírito de George Harrison: ausência de “merchandising”, cheiro a incenso, crisântemos para toda a gente (“sempre me senti mais jardineiro do que músico”, disse o ex-Beatle pouco antes de morrer), programas grátis, sóbrios, com fotos a preto e branco e um agradecimento especial ao “nosso” Domingos Piedade, convidado pessoal de Olivia no concerto.

Também a sala respirava a George Harrison (há 10 anos tinha dado no mesmo espaço o seu último concerto em Londres apoiando o Partido da Lei Natural): uma foto gigante do ex-Beatle - a que está na imagem - e um pano com o símbolo de Hare Krishna, nada mais.

“Vamos celebrar a vida e a música de George Harrison”, disse Eric Clapton, irrepreensível organizador e “compère” do espectáculo. “Divertimo-nos imenso nos ensaios, espero que também gostem”.

O maior problema foi a classe etária e sociológica do público. Com mais de 40 anos, muito “in”, com cartão gold do American Express, o público não era propriamente de “curtir”, mas antes de protagonizar um exercício de nostalgia.

Não que o concerto se tivesse ressentido disso, não que se tivesse sentido a ausência dos gritos da beatlemania, mas uma animação qb fez falta.

A música indiana que George Harrison deu a conhecer ao Mundo teve honras de abertura, com Ravi Shankar, já incapaz de tocar, a ceder as honras à filha Anoushka. Em disco pode ser uma “seca” para alguns ouvidos, mas ao vivo, os coros de Hare Krishna, os sons das cítaras, das tablas e dos outros instrumentos orientais soam a divino, prenhe de uma espiritualidade intensa.

No meio, Jeff Lynne concretizou o seu sonho e cantou uma canção beatle, “The Inner Light”, à qual George Harrison tinha emprestado sons indianos.

O primeiro andamento terminou com uma soberba obra indiana, escrita propositadamente por Ravi Shankar para a noite, “Arpan”, uma sábia mistura de sons indianos e ocidentais que terminou em apoteose com o dedilhar blues de Eric Clapton na guitarra acústica.

Foi o agradecimento de Ravi Shankar a George Harrison por este ter introduzido pela primeira vez, em 1965, a cítara no rock ocidental em “Norwegian Wood”. Ravi Shankar devolveu o cumprimento ao introduzir a guitarra ocidental numa peça indiana, tocada magistralmente por um dos melhores amigos do ex-Beatle, Eric Clapton, companheiro de amores e desamores.

Depois veio o rock com as canções de George Harrison nos Beatles e a solo. O palco, sempre de luzes acesas, foi uma “passerelle” para tantas estrelas: Eric Clapton, Jeff Lynne, Jools Holland, Joe Brown, Billy Preston, Gary Brooker, Jim Capaldi, Ray Cooper, Jim Horn, Jim Keltner, Tom Scott, Albert Lee, Chris Stainton, Andy Fairweather Low, Klaus Voorman que desfilaram as canções que estão na memória colectiva, “I Want To Tell You”, “Old Brown Shoe”, “If I Needed Someone”, “Give Me Love, Give Me Peace On Earth”, “That’s The Way It Goes”, “Isn’t It A Pity?”.

Tom Petty e os Heartbreakers tiveram honras de actuação a solo e foram dos que mais vibraram com uma releitura genial de “I Need You”. Dave Grohl, ex-Nirvana e actual Foo Fighter, num camarote, suspirou. Bob Geldof, na assistência, cantarolou. Outros provavelmente fizeram o mesmo, Sir George Martin, Lulu, Bill Wyman, ex-Rolling Stones, Mike Rutherford e tantos outros.

Mas havia ainda mais. A satisfação só estaria garantida com a primeira reunião em palco dos Beatles sobreviventes, desde a separação do grupo em 1970.

Ringo não perdeu o humor ao abeirar-se do microfone: “porque é que toda a gente é mais alta do que eu?”. Cantou “Photograph”, que compôs com George, e “Honey Don’t” e apresentou Paul McCartney. Estava feito o pleno e todo o Royal Albert Hall estava de pé.

Mais humilde do que nunca, McCartney não parou de fazer gestos carinhosos para Ringo que balançeava a cabeça, como no tempo dos Beatles, na sua bateria alta. Atrás de Paul, Dhani Harrison pegava na guitarra tal como o pai. Com cabelo à beatle, parecia que George também estava em palco, como notou McCartney.

Com os mestres em palco – chegou a haver nove guitarristas – foram emocionantes as versões de “Something”, “While My Guitar Gently Weeps”, “My Sweet Lord”, “For You Blue”, “All Things Must Pass”.

Como notou um jornal inglês, para “quiet Beatle”, George Harrison teve sobre si os melhores holofotes.

Luís Pinheiro de Almeida, em Londres

domingo, 15 de junho de 2008

CONCERT FOR GEORGE


Na Primavera de 2002, Brian (Brian Roylance, livreiro, amigo íntimo de George Harrison que o tinha acompanhado nos últimos momentos de vida - nota do editor) apareceu para jantar em Hurtwood e começámos a falar sobre George.

Eu queria saber como passara ele durante a doença. Brian assegurou-me que George estava plenamente consciente do estado em que se encontrava e que tinha morrido tranquilo e bem-disposto.

Eu arrisquei observar que era triste não haver nenhum evento em memória de George, pelo menos em termos musicais e Brian disse: "A menos que tu faças qualquer coisa". A ratoeira tinha sido montada e eu caminhara alegremente em direcção a ela.

Foi um trabalho a que lancei mãos por amor e dedicação. Ao longo dos meses seguintes, Olivia, Brian e eu planeámos o evento, discutindo quem iríamos convidar e que canções iríamos tocar.

Olivia foi o cérebro do programa no seu conjunto e eu limitei-me a organizar a secção de rock da parte musical. Ravi Shankar e a sua filha Anoushka escreveram música especialmente para o espectáculo e foi decidido que era assim que devia começar.

Eu pensei que a banda que tinha tocado no concerto da noite de Ano Novo constituiria um núcleo ideal, que incluíria Henry Spinetto, Andy Fairweather Low, Dave Bronze e Gary Brooker. Depois podíamos pedir às pessoas que tinham sido especiais na vida de George para irem cantar uma canção.

Correu tudo muito bem e conseguimos reservar o Albert Hall para a noite de 29 de Novembro, exactamente um ano depois da morte de George.

A única dificuldade surgiu a propósito de quem deveria cantar "Something". Olivia achava que devia ser eu a cantar. Paul McCartney andava a tocá-la ao ukelele nos seus espectáculos e queria interpretá-la assim, mas eu queria que Paul cantasse "All Things Must Pass", que eu considerava ser a canção-chave de todo o espectáculo.

Por fim, chegámos a um compromisso e Paul e eu cantámos "Something" em dueto, tendo ele feito depois uma interpretação inspirada e brilhante de "All Things".

Foi uma grande noite e toda a gente que lá estava ou que viu o DVD concorda que foi a despedida perfeita de um homem que todos adorávamos e que tanta música maravilhosa nos deu ao longo dos anos.

in "Autobiografia", Eric Clapton, Casa das Letras, 2008, págs 318 e 319

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

NORAH JONES




BLUE NOTE RECORDS - 7243 5 32088 2 0 - 2002

Deveria ser Norah Shankar, mas a filha de Ravi optou pelo apelido da Mãe, Jones.

Norah Jones escusa-se sempre a falar do Pai.