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sexta-feira, 25 de julho de 2014
FERRO & FOGO
METRO-SOM - LP 149 l - 1982
Lado A
Lisboa! Cascais! (Alfredo Azinheira/J.A. Pires) - Malmequer Bem Me Quer (Alfredo Azinheira/J. Ferreira/J.A. Pres) - 1982 (J.C. Ferreira/Vítor Pinto) - Outro Dia Que Começa (Vítor Pinto) - Pássaro Novo (Alfredo Azinheira)
Lado B
Bairro Alto (J:C. Ferreira) - Se Eu Soubesse (J.C. Ferreira) - Amor Tão Perto E Tão Longe (J.C. Ferreira) - Futuro (Alfredo Azinheira/Vítor Pinto) - Animais À Solta (J.C. Ferreira/J.A. Pires)
Som de Paulo Junqueiro e Moreno Pinto, capa de Alfredo Azinheira e Metro-Som.
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domingo, 3 de janeiro de 2010
TRIGO LIMPO
DACAPO - 14.230008.38
FACE A
Não É Tarde Nem É Cedo - Oh, Lampião, Lampião - Lá Vai O Comboio, Lá Vai - Tenho Pena Lindo Amor - O Senhor Ministro
FACE B
Não Quero Que Vás À Monda - Ao Passar A Ribeirinha - Olha A Noiva Se Vai Linda - Então Porque Não - Cantiga da Passarada
FACE A
Não É Tarde Nem É Cedo - Oh, Lampião, Lampião - Lá Vai O Comboio, Lá Vai - Tenho Pena Lindo Amor - O Senhor Ministro
FACE B
Não Quero Que Vás À Monda - Ao Passar A Ribeirinha - Olha A Noiva Se Vai Linda - Então Porque Não - Cantiga da Passarada
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sexta-feira, 25 de setembro de 2009
XUTOS AO VIVO
Esta é uma edição luxuosa - CD triplo e DVD (inédito) - do que é apresentado como um concerto na íntegra dos Xutos da digressão de 1988.
Produzido por Ramón Galarza e Paulo Junqueiro, este álbum foi gravado nos dias 29, 30 e 31 de Julho de 1988 no Pavilhão do Belenenses, em Lisboa, e remasterizado (agora toda a gente sabe o que é) em Abril deste ano nos estúdios Tcha Tcha Tcha por Ramón Galarza, Joel Conde e Rui Dias.
Os CDs têm 29 canções e o DVD 21.
Produzido por Ramón Galarza e Paulo Junqueiro, este álbum foi gravado nos dias 29, 30 e 31 de Julho de 1988 no Pavilhão do Belenenses, em Lisboa, e remasterizado (agora toda a gente sabe o que é) em Abril deste ano nos estúdios Tcha Tcha Tcha por Ramón Galarza, Joel Conde e Rui Dias.
Os CDs têm 29 canções e o DVD 21.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
À MINHA MANEIRA
POLYDOR - 835 631 - 1988
Lado A
As Torres da Cinciberlândia - À Minha Maneira - Para Ti Maria - Nós Dois - Andarilhos
Lado B
Carta Certa - Doçuras - Enquanto A Noite Cai - Botas - Prisão Em Si
Alguém teve a boa ideia de escolher "À Minha Maneira", dos Xutos, para banda sonora da apresentação futebolística de Cristiano Ronaldo perante 85 mil pessoas no estádio do Real Madrid.
Será que os Xutos receberam os respectivos direitos?
"À Minha Maneira", de 1988, pertence precisamente ao álbum "88", co-produzido por Paulo Junqueiro e Ramon Galarza.
Lado A
As Torres da Cinciberlândia - À Minha Maneira - Para Ti Maria - Nós Dois - Andarilhos
Lado B
Carta Certa - Doçuras - Enquanto A Noite Cai - Botas - Prisão Em Si
Alguém teve a boa ideia de escolher "À Minha Maneira", dos Xutos, para banda sonora da apresentação futebolística de Cristiano Ronaldo perante 85 mil pessoas no estádio do Real Madrid.
Será que os Xutos receberam os respectivos direitos?
"À Minha Maneira", de 1988, pertence precisamente ao álbum "88", co-produzido por Paulo Junqueiro e Ramon Galarza.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
COM DEDO DE PAULO JUNQUEIRO
EMI - 50999 696436 2 0 - 2009
A Arte do Barulho (com Seu Jorge e Aori) - Desabafo - Fala Sério! (com Mariana Aydar) - Pode Acreditar (Meu Laiá Laiá) (com Seu Jorge) - Oquêcêqué? - Atividade na Laje (com Stephan Peixoto) - Ela Disse (com Thalma de Freitas) - Kush (com Medaphor) - Meu Tambor (com Zuzuka Poderosa) - Afropunk no Valle do Rap (com Marcos Valle) - Minha Missão (com Roberta Sá) - Vem Comigo Que Eu Te Levo Pro Céu (com Cabeza de Panda)
Trata-se de um hip-hop brasileiro de esquerda, com produção de Mário Caldato Jr.
Paulo Junqueiro, big boss na EMI brasileira, dá uma forcinha em Marcelo D2.
A Arte do Barulho (com Seu Jorge e Aori) - Desabafo - Fala Sério! (com Mariana Aydar) - Pode Acreditar (Meu Laiá Laiá) (com Seu Jorge) - Oquêcêqué? - Atividade na Laje (com Stephan Peixoto) - Ela Disse (com Thalma de Freitas) - Kush (com Medaphor) - Meu Tambor (com Zuzuka Poderosa) - Afropunk no Valle do Rap (com Marcos Valle) - Minha Missão (com Roberta Sá) - Vem Comigo Que Eu Te Levo Pro Céu (com Cabeza de Panda)
Trata-se de um hip-hop brasileiro de esquerda, com produção de Mário Caldato Jr.
Paulo Junqueiro, big boss na EMI brasileira, dá uma forcinha em Marcelo D2.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
GEORGE HARRISON, LETRA E MÚSICA
DISCOBERTAS - DB-006 - edição brasileira
Something (Evinha) - I Need You (Rosa Maria) - O Amor Vem Pra Cada Um (Love Comes To Everyone) (Zizi Possi) - Meu Senhor (My Sweet Lord) (Chitãozinho & Xororó) - While My Guitar Gently Weeps (Zé Ramalho) - Piggies (Twiggy & Andréas Kisser's Lostapes) - That Is All (Hevelyn Costa) - Chame Um Táxi (Taxman) (Meire Pavão) - Don't Bother Me (Bells) - Te Adoro (I Need You) (Golden Boys com Fevers)
Mais uma iniciativa de Marcelo Fróes, idêntica à de Paul McCartney.
O destaque desta colectânea vai para a gravação inédita de "While My Guitar Gently Weeps", por Zé Ramalho numa versão forrozeada.
Há um agradecimento ao nosso Paulo Junqueiro.
Cortesia conjunta de Filhote e SLB
Something (Evinha) - I Need You (Rosa Maria) - O Amor Vem Pra Cada Um (Love Comes To Everyone) (Zizi Possi) - Meu Senhor (My Sweet Lord) (Chitãozinho & Xororó) - While My Guitar Gently Weeps (Zé Ramalho) - Piggies (Twiggy & Andréas Kisser's Lostapes) - That Is All (Hevelyn Costa) - Chame Um Táxi (Taxman) (Meire Pavão) - Don't Bother Me (Bells) - Te Adoro (I Need You) (Golden Boys com Fevers)
Mais uma iniciativa de Marcelo Fróes, idêntica à de Paul McCartney.
O destaque desta colectânea vai para a gravação inédita de "While My Guitar Gently Weeps", por Zé Ramalho numa versão forrozeada.
Há um agradecimento ao nosso Paulo Junqueiro.
Cortesia conjunta de Filhote e SLB
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quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
ALÔ ALÔ D. ROSA
MOVIEPLAY - MOV LP 9135 - 1983
Conversa Para Estrangeiro - Saudades De Lisboa - Os Quindins De Ya Ya - Voltei - Varinas De Portugal - Conserve O Seu Sorriso - Isso É Brasil - Islas Canárias - Saudades Do Brasil Em Portugal - Exaltação À Bahía - Se Eu Fosse Aquela Em Quem Tu Pensas - Camisa Amarela
Arranjos e direcção de orquestra de Manuel Viegas, gravação e mistura final de Paulo Junqueiro.
Conversa Para Estrangeiro - Saudades De Lisboa - Os Quindins De Ya Ya - Voltei - Varinas De Portugal - Conserve O Seu Sorriso - Isso É Brasil - Islas Canárias - Saudades Do Brasil Em Portugal - Exaltação À Bahía - Se Eu Fosse Aquela Em Quem Tu Pensas - Camisa Amarela
Arranjos e direcção de orquestra de Manuel Viegas, gravação e mistura final de Paulo Junqueiro.
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
LETRA & MÚSICA DE PAUL MCCARTNEY
DISCOBERTAS - DB - OO7 - edição brasileira (2008)
And I Love Him (Rita Lee) - Oh! Darling (Rosa Maria) - Eleanor Rigby (Cássia Eller) - She's Leaving Home (Cida Moreira) - I Will (Érika Martins) - Junk (Jullie) - Let It Be (Adriana Vallejo) - Suicide (Twiggy) - I Am Your Singer (Hevelyn Costa) - Girlfriend (Liah) - My Love (Leila Pinheiro) - I'm Carrying (Georgeana Bonow) - Adeus (Silvinha) - Viver E Reviver (Gal Costa) - Tolo Na Colina (Amelinha) - Como Eu Sei (Verônica Sabino) - Essa Ternura (Daniela Mercury) - Ob-La-Di, Ob-La-Da (Pato Fu)
Uma feliz ideia do meu amigo Marcelo Fróes.
O jornalista, investigador e produtor brasileiro escreve nas notas que o disco é uma homenagem ao génio com uma modesta realização de um projecto antigo seu: ter as suas músicas gravadas por cantoras.
Se bem repararem, este disco tem mesmo sá cantoras brasileiras, mesmo se não parecer!
Como novidade, Twiggy (não, não é a modelo britânica) gravou pela primeira vez uma versão completa da quase obscura "Suicide" que, originalmente são menos de 8 segundos num medley no primeiro LP de McCartney.
And I Love Him (Rita Lee) - Oh! Darling (Rosa Maria) - Eleanor Rigby (Cássia Eller) - She's Leaving Home (Cida Moreira) - I Will (Érika Martins) - Junk (Jullie) - Let It Be (Adriana Vallejo) - Suicide (Twiggy) - I Am Your Singer (Hevelyn Costa) - Girlfriend (Liah) - My Love (Leila Pinheiro) - I'm Carrying (Georgeana Bonow) - Adeus (Silvinha) - Viver E Reviver (Gal Costa) - Tolo Na Colina (Amelinha) - Como Eu Sei (Verônica Sabino) - Essa Ternura (Daniela Mercury) - Ob-La-Di, Ob-La-Da (Pato Fu)
Uma feliz ideia do meu amigo Marcelo Fróes.
O jornalista, investigador e produtor brasileiro escreve nas notas que o disco é uma homenagem ao génio com uma modesta realização de um projecto antigo seu: ter as suas músicas gravadas por cantoras.
Se bem repararem, este disco tem mesmo sá cantoras brasileiras, mesmo se não parecer!
Como novidade, Twiggy (não, não é a modelo britânica) gravou pela primeira vez uma versão completa da quase obscura "Suicide" que, originalmente são menos de 8 segundos num medley no primeiro LP de McCartney.
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sábado, 26 de julho de 2008
PETE SEEGER EM LISBOA
Por diversas vezes, Pete Seeger foi sondado para vir cantar a Portugal, mais concretamente à Festa do Avante. Indisponibilidade de datas não o permitiu.. Mas em 2 de Dezembro de 1983 foi mesmo possível trazer Pete Seeger a Lisboa.
Veio com a mulher Toshi, as suas canções, o seu banjo, onde está escrito “esta máquina cerca o ódio e força-o à rendição”. Pelo seu lado, Woodie Guthrie tinha escrito na sua guitarra: “This machine kills fascists”.
Desse memorável concerto foi feito registo sonoro que mais tarde seria publicado em disco. Uma edição limitada de 3.000 exemplares numerados numa caixa que contém 1 LP, o livro-programa do espectáculo, folheto com textos da gravação com tradução para português das canções, as fotos do espectáculo.
Tanto quanto sei, não há, em Portugal, registo deste concerto em CD (não sei se ainda há, mas já houve, uma edição de luxo da Movieplay, de 1998 - nota do editor), mas no “Amazon” está à venda, por US$ 18,97, uma edição americana com o título “Pete Seeger - Live in Lisbon”.
Se excluirmos as condições acústicas do Pavilhão do Desportos, os meios modestos de reprodução do som, pode dizer-se que poucas vezes um espectáculo, em Portugal, teve uma concepção e uma edição tão bem cuidada.
O programa é um livro de 142 páginas que apresenta vasto material documental da vida, do trabalho e da obra de Pete Seeger, um homem calmo, “ianque de esquerda” como gosta de se chamar, ou, como disse ao jornalista Viriato Teles: “espero que vocês pensem que sou comunista”.
Aborda o seu aparecimento na música folk americana a partir dos anos 30, os primeiros passos dados com Woody Guthrie, Leadbelly, Allan Lomax, a sua passagem pelos Almanac Singers, pelos Weavers: “nunca me considerei simplesmente um artista. Considero-me um contador de histórias, algumas vezes, um organizador. Mas talvez tenha sido uma sorte estar na lista negra – talvez nunca tivesse feito boa música, se não estivesse”.
Um capítulo do programa abarca o enquadramento histórico e político que envolve a vivência musical de Pete Seeger, com especial incidência para o tempo do mccarthysmo e os testemunhos de Seeger na Comissão de Actividades Anti-Americanas:
“Não responderei a nenhuma pergunta sobra as minhas actividades associativas, sobre os meus credos filosóficos ou religiosos, sobre as minhas convicções políticas ou, ainda, sobre como votei em qualquer das eleições.
"Considero tais questões impróprias para serem postas a qualquer americano, particularmente sobre coerção, como acontece aqui. (…) Sei que, em toda a minha vida, jamais fiz o que quer que fosse de natureza conspiratória e sinto profundamente que, na intimidação para comparecer perante esta comissão esteja implícita a diferença existente entre as minhas opiniões e as vossas e que por isso me considerem menos americano que qualquer outro.
"Mas amo muito o meu país(...) Há vinte anos que, por toda a parte, canto canções populares da América e doutros países. A canção, cujo título foi especificamente citada neste julgamento, “Wasn’t That a Time”, é uma das que prefiro. Gostaria de ter a vossa autorização para a cantar aqui antes de terminar".
- Não pode, retorquiu seco o juiz Murphy.
O concerto de Pete Seeger em Lisboa foi promovido por uma comissão constituída por António Macedo, Daniel Ricardo, João Paulo Guerra, José Jorge Letria, Ruben Carvalho, Sérgio Godinho e que dedicam o livro programa a “Adriano Correia de Oliveira que também estaria com todos nós".
A gravação do espectáculo foi feita por Moreno Pinto, Joca, Paulo Junqueiro e misturado nos Estúdios RT 1 por Moreno Pinto. O arranjo gráfico da caixa, do folheto, do programa é de José Araújo.
Colaboração de Gin-Tonic
Veio com a mulher Toshi, as suas canções, o seu banjo, onde está escrito “esta máquina cerca o ódio e força-o à rendição”. Pelo seu lado, Woodie Guthrie tinha escrito na sua guitarra: “This machine kills fascists”.
Desse memorável concerto foi feito registo sonoro que mais tarde seria publicado em disco. Uma edição limitada de 3.000 exemplares numerados numa caixa que contém 1 LP, o livro-programa do espectáculo, folheto com textos da gravação com tradução para português das canções, as fotos do espectáculo.
Tanto quanto sei, não há, em Portugal, registo deste concerto em CD (não sei se ainda há, mas já houve, uma edição de luxo da Movieplay, de 1998 - nota do editor), mas no “Amazon” está à venda, por US$ 18,97, uma edição americana com o título “Pete Seeger - Live in Lisbon”.
Se excluirmos as condições acústicas do Pavilhão do Desportos, os meios modestos de reprodução do som, pode dizer-se que poucas vezes um espectáculo, em Portugal, teve uma concepção e uma edição tão bem cuidada.
O programa é um livro de 142 páginas que apresenta vasto material documental da vida, do trabalho e da obra de Pete Seeger, um homem calmo, “ianque de esquerda” como gosta de se chamar, ou, como disse ao jornalista Viriato Teles: “espero que vocês pensem que sou comunista”.
Aborda o seu aparecimento na música folk americana a partir dos anos 30, os primeiros passos dados com Woody Guthrie, Leadbelly, Allan Lomax, a sua passagem pelos Almanac Singers, pelos Weavers: “nunca me considerei simplesmente um artista. Considero-me um contador de histórias, algumas vezes, um organizador. Mas talvez tenha sido uma sorte estar na lista negra – talvez nunca tivesse feito boa música, se não estivesse”.
Um capítulo do programa abarca o enquadramento histórico e político que envolve a vivência musical de Pete Seeger, com especial incidência para o tempo do mccarthysmo e os testemunhos de Seeger na Comissão de Actividades Anti-Americanas:
“Não responderei a nenhuma pergunta sobra as minhas actividades associativas, sobre os meus credos filosóficos ou religiosos, sobre as minhas convicções políticas ou, ainda, sobre como votei em qualquer das eleições.
"Considero tais questões impróprias para serem postas a qualquer americano, particularmente sobre coerção, como acontece aqui. (…) Sei que, em toda a minha vida, jamais fiz o que quer que fosse de natureza conspiratória e sinto profundamente que, na intimidação para comparecer perante esta comissão esteja implícita a diferença existente entre as minhas opiniões e as vossas e que por isso me considerem menos americano que qualquer outro.
"Mas amo muito o meu país(...) Há vinte anos que, por toda a parte, canto canções populares da América e doutros países. A canção, cujo título foi especificamente citada neste julgamento, “Wasn’t That a Time”, é uma das que prefiro. Gostaria de ter a vossa autorização para a cantar aqui antes de terminar".
- Não pode, retorquiu seco o juiz Murphy.
O concerto de Pete Seeger em Lisboa foi promovido por uma comissão constituída por António Macedo, Daniel Ricardo, João Paulo Guerra, José Jorge Letria, Ruben Carvalho, Sérgio Godinho e que dedicam o livro programa a “Adriano Correia de Oliveira que também estaria com todos nós".
A gravação do espectáculo foi feita por Moreno Pinto, Joca, Paulo Junqueiro e misturado nos Estúdios RT 1 por Moreno Pinto. O arranjo gráfico da caixa, do folheto, do programa é de José Araújo.
Colaboração de Gin-Tonic
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sexta-feira, 25 de julho de 2008
DISCOGRAFIA DE PAULO JUNQUEIRO
MOVIEPLAY - MOV 30.374 - edição portuguesa (1984/1998)
Introdução ao espectáculo - Union Maid - Guantanamera - Italian Flute - I Come And Stand At Every Door - We Shall Overcome - Wasn't That A Time - Christo Ya Nació - Well May The World Go - This Old Man - We Shall Overcome
O disco foi gravado pelos Estúdios RT (equipa móvel), formada por Moreno Pinto, Joca e Paulo Junqueiro, participações especiais de Júlio Pereira, José da Ponte e Guilherme Inês.
Fotografia da capa de José Carlos Pratas.
À volta de umas tantas cervejas e de uns quantos tremoços, um trio de amigos conversava ontem sobre música e discos, vindo à baila o espectáculo de Pete Seeger no Pavilhão dos Desportos de Lisboa no dia 02 de Dezembro de 1983.
Falou-se, falou-se de Pete Seeger e do espectáculo e alguém disse que era o primeiro disco produzido por Paulo Junqueiro.
Menos de 24 horas depois, alguém no blogue, a propósito dos estúdios da Rádio Triunfo, fala de Paulo Junqueiro! Há ou não há bruxas?
Eis os discos produzidos por Paulo Junqueiro:
1983 – “Ao Vivo Em Lisboa” – Pete Seeger
1984 – “Zimpó” – Mler Ife Dada
1985 - "Ao Vivo Em Almada-No Jogo da Noite" - UHF (tks, LSO)
1985 – “Cristal” - Simone
1986 – “Vivendo E Não Aprendendo” – Ira!
1986 – “Ao Vivo” – Kid Abelha
1987 – “Sexo” – Ultraje A Rigor
1987 – “Tomate” – Kid Abelha
1987 – “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas” – Titãs
1988 – “88” – Xutos e Pontapés
1988 – “Ao Vivo” – Xutos e Pontapés
1988 – “Rio Rock’s” – Sigue Sigue Sputnik
1988 – “Carnaval” – Barão Vermelho
1988 – “Pedra Não É Gente Ainda” – Pedro Luís e a Parede
1989 – “O Eterno Deus Mu Dança” – Gilberto Gil
1989 – “Crescendo” – Ultraje A Rigor
1990 – “Na Calada da Noite” – Barão Vermelho
1990 – “Clandestino” – Ira!
1990 – “Porquê Ultraje A Rigor” – Ultraje A Rigor
1990 – “Gritos Mudos” – Xutos e Pontapés
1991 – “Ao Vivo No Jazzmania” – Jorge Ben Jor
1992 – “Drug Me” - Sepultura
1992 – “Tourism” - Roxette
1992 – “Supermercados da Vida” – Barão Vermelho
1993 - “Skank” - Skank
1993 – “Tropicália 2” – Caetano e Gil
1993 – “Titanomaquia” - Titãs
1994 – “Carne Crua” – Barão Vermelho
1994 – “O Chamado” – Marina Lima
1995 – “Ao Vivo Em Montreux” – Olodum
1997 – “Acústico” - Titãs
1998 – “Tambores De Minas” – Milton Nascimento
1998 – “Quanta Live” – Gilberto Gil
1998 – “Volume 2” - Titãs
1998 – “Avenidas” – Rui Veloso
2000 – “Canção Para Titi” – Carlos Paredes
2001 – “XIII” – Xutos e Pontapés
2002 – “Sei Onde Tu Estás” – Xutos e Pontapés
2002 – “No Tempo Dos Assassinos” – Jorge Palma
1985 – “Cristal” - Simone
1986 – “Vivendo E Não Aprendendo” – Ira!
1986 – “Ao Vivo” – Kid Abelha
1987 – “Sexo” – Ultraje A Rigor
1987 – “Tomate” – Kid Abelha
1987 – “Jesus Não Tem Dentes No País dos Banguelas” – Titãs
1988 – “88” – Xutos e Pontapés
1988 – “Ao Vivo” – Xutos e Pontapés
1988 – “Rio Rock’s” – Sigue Sigue Sputnik
1988 – “Carnaval” – Barão Vermelho
1988 – “Pedra Não É Gente Ainda” – Pedro Luís e a Parede
1989 – “O Eterno Deus Mu Dança” – Gilberto Gil
1989 – “Crescendo” – Ultraje A Rigor
1990 – “Na Calada da Noite” – Barão Vermelho
1990 – “Clandestino” – Ira!
1990 – “Porquê Ultraje A Rigor” – Ultraje A Rigor
1990 – “Gritos Mudos” – Xutos e Pontapés
1991 – “Ao Vivo No Jazzmania” – Jorge Ben Jor
1992 – “Drug Me” - Sepultura
1992 – “Tourism” - Roxette
1992 – “Supermercados da Vida” – Barão Vermelho
1993 - “Skank” - Skank
1993 – “Tropicália 2” – Caetano e Gil
1993 – “Titanomaquia” - Titãs
1994 – “Carne Crua” – Barão Vermelho
1994 – “O Chamado” – Marina Lima
1995 – “Ao Vivo Em Montreux” – Olodum
1997 – “Acústico” - Titãs
1998 – “Tambores De Minas” – Milton Nascimento
1998 – “Quanta Live” – Gilberto Gil
1998 – “Volume 2” - Titãs
1998 – “Avenidas” – Rui Veloso
2000 – “Canção Para Titi” – Carlos Paredes
2001 – “XIII” – Xutos e Pontapés
2002 – “Sei Onde Tu Estás” – Xutos e Pontapés
2002 – “No Tempo Dos Assassinos” – Jorge Palma
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PAULO JUNQUEIRO (EXTENSO)
Paulo Junqueiro é o careca!
Num comentário de mblog a propósito dos antigos estúdios da Rádio Triunfo, citam-se passagens de um texto de LPA sobre Paulo Junqueiro. Obtido o texto, de 2003, aqui se reproduz na íntegra:
- Que sabe de música?
- Não sei nada de nada.
- E de electricidade?
- Sei trocar lâmpadas.
- Começa amanhã o estágio de seis meses com salário mínimo.
Paulo Junqueiro, 42 anos, natural de Coimbra, por acidente, é dono de uma invulgar carreira na música, injustamente desconhecida do grande público. É um dos dois únicos nomes portugueses indirectamente galardoados com um Grammy (“Quanta Live”, de Gilberto Gil, 1998). O outro é Júlio Pereira (“Santiago”, dos Chieftains, 1996).
Filho da média burguesia do interior de Portugal, Paulo Junqueiro cresceu entre pianos e guitarras clássicas, mas a ouvir Beatles, Rolling Stones, Shadows, Sylvie Vartan, Johnny Hallyday, Françoise Hardy, Adamo. O primeiro single que comprou com o seu dinheiro foi “Sex Machine”, de James Brown, e o primeiro LP, “Sticky Fingers”, dos Rolling Stones.
O 25 de Abril de 1974 apanhou-o nos estudos, mas acabou por desistir quando já estava no 2º ano de Filosofia sem nunca ter ido a uma única aula ou exame. Com dinheiro e sem nada para fazer foi para o Algarve.
“Tinha 20 anos e estava à boa vida quando me telefonam para o Algarve a dizer que o namorado de uma amiga minha, Jorge Barata, estava a trabalhar num estúdio de gravação em Lisboa e se eu não queria ir dar lá um salto”.
Fernando Albuquerque, director do estúdio Arnaldo Trindade, depois Rádio Triunfo, concede um estágio de seis meses com salário mínimo. “Eu era o assistente do assistente do assistente. Fazia tudo: ia buscar os cafés, levava as fitas, limpava o chão e o Moreno Pinto começou por me fazer a vida negra, porque queria lá meter um amigo”.
Em 1981, Jorge Barata atrasou-se para o trabalho e quando chegou ao estúdio, já Paulo Junqueiro tinha gravado 12 fados com António Chainho. “Fiz tudo em quatro horas”.
“Mas eu era ambicioso. Queria ser bom. O Jorge Barata levou-me para o meio, mas foi o Moreno Pinto, depois das reticências iniciais, que me ensinou tudo. Ele foi decisivo na minha vida. Foi um grande mestre. A ele devo a base de conhecimentos que me acompanhou pela vida – técnicos e humanos. Mas eu também tinha um som na cabeça. Queria gravar o rock como se gravava em Inglaterra e o pop como se gravava em Los Angeles. Queria uma coisa com qualidade que ultrapassasse tudo o que se fazia em Portugal”.
Em 1984, Paulo Junqueiro foi obrigado a ir ao Brasil para tratar de negócios da família no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Isto coincidiu com a abertura do estúdio Transamérica, em São Paulo, o mais moderno da América Latina. Fiquei maluco e depois de algumas peripécias pedi emprego a Carlos Duttweller nos estúdios, nem que fosse para lavar as casas de banho”.
Paulo Junqueiro ainda regressou a Lisboa, mas desentendeu-se com Fernando Albuquerque quanto à construção dos novos estúdios da Namouche e no dia 13 de Junho de 1985 partiu definitivamente para São Paulo, onde foi ter com Roberto Marques, director da Transamérica.
“Tens emprego, portuga, mas tens de tirar o modelo 19”.
“Chorei, porque o modelo 19, espécie de autorização de residência e de trabalho para estrangeiros, é um calhamaço de burocracia que demora anos a conseguir”.
Enquanto esperava pelo “modelo 19”, Paulo Junqueiro arranjou um “gancho” como técnico de som dos Metrô, uma banda de rock de franceses residentes no Brasil (também integrava o português Pedro d'Orey - tks, Filhote).
“Foi por aí que comecei”. Depois dos Metrô, conheceu o Brasil de lés-a-lés com os RPM, então a banda de rock de maior sucesso.
“Num sábado lindo, dia 13 de Julho de 1985, dia do Live Aid, estava no estúdio a misturar fitas para aprender. Costumava passar horas infinitas no estúdio só para aprender. Mazzola estava lá, sozinho, a misturar o “Cristal”, de Simone. E eu, irreverente, a vê-lo trabalhar”.
- Quem és tu?
- Sou um português à espera de trabalhar.
“Mazzola, que é um dos mais poderosos produtores do Brasil, não gostou muito da brincadeira, mas eu fiquei por ali, sem medo. De repente, ele pega no telefone, mas ninguém lhe responde e eu atiro":
- Tem algum problema?
- Conheces o estúdio?
- Como ninguém!
- Como se ligam estas máquinas?
“Depois de o ter ajudado a ligar as máquinas, perguntou-me o que eu achava do som que ele estava a fazer. Respondi-lhe sinceramente que não gostava, que estava muito esquisito, que não tinha definição alguma e dei-lhe umas dicas”.
Mazzola, que era também vice-presidente da Ariola, voltou a misturar “Cristal” e deu crédito ao “puto” português e chamou-o como seu assistente.
“Foi o primeiro disco brasileiro com o meu nome”.
A partir desse momento todas as portas da indústria brasileira de discos se abriram de par em par para Paulo Junqueiro e trabalho não faltou: Ira!, Titãs, Barão Vermelho, Capital Inicial, Kid Abelha, etc. “O meu nome começa a espalhar-se. Era o ‘tuga’ do rock”.
A 01 de Março de 1986, com o malfadado “modelo 19” nas mãos, Paulo Junqueiro começou legalmente a trabalhar na Transamérica e o corropio das bandas brasileiras acelera-se, com o pontapé de saída dado pelos RPM. “Eu era a coqueluche do rock”.
Consciente das suas qualidades e da sua vontade em trabalhar, comprou uma guerra com Liminha, o todo-poderoso do Brasil, a propósito da gravação de “Vivendo E Não Aprendendo”, dos Ira, e vira as costas, regressando a São Paulo, onde começa a trabalhar com Kid Abelha.
Como não tem nada a perder, recusa por três vezes os RPM, fazendo uma vez mais afronta, desta feita a Manuel Poladian, outro “grande” da indústria do disco. “O meio ficou incrédulo, mas esta foi a minha grande glória”.
Num sábado de manhã do Verão de 1986, nos estúdios Nas Nuvens, Paulo Junqueiro voltou a encontrar-se com Liminha:
- Quantos anos tem você?
- 26.
- É uma criança! O negócio é o seguinte: já ouvi falar de você mais do que eu gosto. É melhor trabalharmos juntos do que um contra o outro. Quer vir trabalhar aqui no Nas Nuvens?
- Posso pensar?
- NÃO!
- Então quero!
“Rescindi com a Transamérica e fui trabalhar para o estúdio de Liminha, Nas Nuvens, uma bela moradia aos pés do Cristo Redentor, onde estive até 1992, altura em que saí, com Ricardo Garcia, para fundar um estúdio de masterização, que ainda hoje possuo, o Magic Master”.
Não acaba aqui a história fantástica de Paulo Junqueiro no Brasil, onde trabalhou com Tom Jobim, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Skank, O Rappa, Oscar Castro-Neves, Marina Lima, Pedro Luís e a Parede, Daniela Mercury, Milton Nascimento, Sepultura. A lista é invulgarmente extensa.
Num belo dia de Janeiro de 1994, Paulo Junqueiro, que se levantava quase sempre às 3, 4 da tarde (deitava-se altas horas da madrugada ou mesmo já de manhã a trabalhar no disco do seu amigo Tony Platão), encontrou um bilhete da sua empregada junto ao telefone: “telefonou o senhor Beti da Uoni”.
“Beti da Uoni? Que raio é isto?”. Paulo Junqueiro tomou um banho de água fria e raciocinou: “Ah! É o Beto Boaventura, da Warner”.
No dia 01 de Fevereiro de 1994, o português emigrado no Brasil, depois de se ter aconselhado com Frejat, dos Barão Vermelho, - “meu irmão” – assumiu funções como director artístico da Warner, uma das cinco maiores multinacionais discográficas do Mundo.
“O meu maior desgosto na Warner foi não ter conseguido levar Zeca Baleiro para a companhia”, recorda, depois de horas e horas de conversa sobre a sua “aventura brasileira”.
No dia 10 de Setembro de 1998, Paulo Junqueiro é o novo director artístico da EMI portuguesa, em Lisboa. “A minha mulher não se adaptou ao Brasil, o meu filho também não. Fui vítima de um “complot” de mulheres”, confessou, no final de um oportuno rodízio regado a caipirinhas, a escassas dezenas de metros do seu escritório com magnífica vista para o rio Tejo.
Luís Pinheiro de Almeida
PS - Paulo Junqueiro já voltou ao Brasil, sendo actualmente (Janeiro de 2013) presidente da Sony.
- E de electricidade?
- Sei trocar lâmpadas.
- Começa amanhã o estágio de seis meses com salário mínimo.
Paulo Junqueiro, 42 anos, natural de Coimbra, por acidente, é dono de uma invulgar carreira na música, injustamente desconhecida do grande público. É um dos dois únicos nomes portugueses indirectamente galardoados com um Grammy (“Quanta Live”, de Gilberto Gil, 1998). O outro é Júlio Pereira (“Santiago”, dos Chieftains, 1996).
Filho da média burguesia do interior de Portugal, Paulo Junqueiro cresceu entre pianos e guitarras clássicas, mas a ouvir Beatles, Rolling Stones, Shadows, Sylvie Vartan, Johnny Hallyday, Françoise Hardy, Adamo. O primeiro single que comprou com o seu dinheiro foi “Sex Machine”, de James Brown, e o primeiro LP, “Sticky Fingers”, dos Rolling Stones.
O 25 de Abril de 1974 apanhou-o nos estudos, mas acabou por desistir quando já estava no 2º ano de Filosofia sem nunca ter ido a uma única aula ou exame. Com dinheiro e sem nada para fazer foi para o Algarve.
“Tinha 20 anos e estava à boa vida quando me telefonam para o Algarve a dizer que o namorado de uma amiga minha, Jorge Barata, estava a trabalhar num estúdio de gravação em Lisboa e se eu não queria ir dar lá um salto”.
Fernando Albuquerque, director do estúdio Arnaldo Trindade, depois Rádio Triunfo, concede um estágio de seis meses com salário mínimo. “Eu era o assistente do assistente do assistente. Fazia tudo: ia buscar os cafés, levava as fitas, limpava o chão e o Moreno Pinto começou por me fazer a vida negra, porque queria lá meter um amigo”.
Em 1981, Jorge Barata atrasou-se para o trabalho e quando chegou ao estúdio, já Paulo Junqueiro tinha gravado 12 fados com António Chainho. “Fiz tudo em quatro horas”.
“Mas eu era ambicioso. Queria ser bom. O Jorge Barata levou-me para o meio, mas foi o Moreno Pinto, depois das reticências iniciais, que me ensinou tudo. Ele foi decisivo na minha vida. Foi um grande mestre. A ele devo a base de conhecimentos que me acompanhou pela vida – técnicos e humanos. Mas eu também tinha um som na cabeça. Queria gravar o rock como se gravava em Inglaterra e o pop como se gravava em Los Angeles. Queria uma coisa com qualidade que ultrapassasse tudo o que se fazia em Portugal”.
Em 1984, Paulo Junqueiro foi obrigado a ir ao Brasil para tratar de negócios da família no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Isto coincidiu com a abertura do estúdio Transamérica, em São Paulo, o mais moderno da América Latina. Fiquei maluco e depois de algumas peripécias pedi emprego a Carlos Duttweller nos estúdios, nem que fosse para lavar as casas de banho”.
Paulo Junqueiro ainda regressou a Lisboa, mas desentendeu-se com Fernando Albuquerque quanto à construção dos novos estúdios da Namouche e no dia 13 de Junho de 1985 partiu definitivamente para São Paulo, onde foi ter com Roberto Marques, director da Transamérica.
“Tens emprego, portuga, mas tens de tirar o modelo 19”.
“Chorei, porque o modelo 19, espécie de autorização de residência e de trabalho para estrangeiros, é um calhamaço de burocracia que demora anos a conseguir”.
Enquanto esperava pelo “modelo 19”, Paulo Junqueiro arranjou um “gancho” como técnico de som dos Metrô, uma banda de rock de franceses residentes no Brasil (também integrava o português Pedro d'Orey - tks, Filhote).
“Foi por aí que comecei”. Depois dos Metrô, conheceu o Brasil de lés-a-lés com os RPM, então a banda de rock de maior sucesso.
“Num sábado lindo, dia 13 de Julho de 1985, dia do Live Aid, estava no estúdio a misturar fitas para aprender. Costumava passar horas infinitas no estúdio só para aprender. Mazzola estava lá, sozinho, a misturar o “Cristal”, de Simone. E eu, irreverente, a vê-lo trabalhar”.
- Quem és tu?
- Sou um português à espera de trabalhar.
“Mazzola, que é um dos mais poderosos produtores do Brasil, não gostou muito da brincadeira, mas eu fiquei por ali, sem medo. De repente, ele pega no telefone, mas ninguém lhe responde e eu atiro":
- Tem algum problema?
- Conheces o estúdio?
- Como ninguém!
- Como se ligam estas máquinas?
“Depois de o ter ajudado a ligar as máquinas, perguntou-me o que eu achava do som que ele estava a fazer. Respondi-lhe sinceramente que não gostava, que estava muito esquisito, que não tinha definição alguma e dei-lhe umas dicas”.
Mazzola, que era também vice-presidente da Ariola, voltou a misturar “Cristal” e deu crédito ao “puto” português e chamou-o como seu assistente.
“Foi o primeiro disco brasileiro com o meu nome”.
A partir desse momento todas as portas da indústria brasileira de discos se abriram de par em par para Paulo Junqueiro e trabalho não faltou: Ira!, Titãs, Barão Vermelho, Capital Inicial, Kid Abelha, etc. “O meu nome começa a espalhar-se. Era o ‘tuga’ do rock”.
A 01 de Março de 1986, com o malfadado “modelo 19” nas mãos, Paulo Junqueiro começou legalmente a trabalhar na Transamérica e o corropio das bandas brasileiras acelera-se, com o pontapé de saída dado pelos RPM. “Eu era a coqueluche do rock”.
Consciente das suas qualidades e da sua vontade em trabalhar, comprou uma guerra com Liminha, o todo-poderoso do Brasil, a propósito da gravação de “Vivendo E Não Aprendendo”, dos Ira, e vira as costas, regressando a São Paulo, onde começa a trabalhar com Kid Abelha.
Como não tem nada a perder, recusa por três vezes os RPM, fazendo uma vez mais afronta, desta feita a Manuel Poladian, outro “grande” da indústria do disco. “O meio ficou incrédulo, mas esta foi a minha grande glória”.
Num sábado de manhã do Verão de 1986, nos estúdios Nas Nuvens, Paulo Junqueiro voltou a encontrar-se com Liminha:
- Quantos anos tem você?
- 26.
- É uma criança! O negócio é o seguinte: já ouvi falar de você mais do que eu gosto. É melhor trabalharmos juntos do que um contra o outro. Quer vir trabalhar aqui no Nas Nuvens?
- Posso pensar?
- NÃO!
- Então quero!
“Rescindi com a Transamérica e fui trabalhar para o estúdio de Liminha, Nas Nuvens, uma bela moradia aos pés do Cristo Redentor, onde estive até 1992, altura em que saí, com Ricardo Garcia, para fundar um estúdio de masterização, que ainda hoje possuo, o Magic Master”.
Não acaba aqui a história fantástica de Paulo Junqueiro no Brasil, onde trabalhou com Tom Jobim, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Skank, O Rappa, Oscar Castro-Neves, Marina Lima, Pedro Luís e a Parede, Daniela Mercury, Milton Nascimento, Sepultura. A lista é invulgarmente extensa.
Num belo dia de Janeiro de 1994, Paulo Junqueiro, que se levantava quase sempre às 3, 4 da tarde (deitava-se altas horas da madrugada ou mesmo já de manhã a trabalhar no disco do seu amigo Tony Platão), encontrou um bilhete da sua empregada junto ao telefone: “telefonou o senhor Beti da Uoni”.
“Beti da Uoni? Que raio é isto?”. Paulo Junqueiro tomou um banho de água fria e raciocinou: “Ah! É o Beto Boaventura, da Warner”.
No dia 01 de Fevereiro de 1994, o português emigrado no Brasil, depois de se ter aconselhado com Frejat, dos Barão Vermelho, - “meu irmão” – assumiu funções como director artístico da Warner, uma das cinco maiores multinacionais discográficas do Mundo.
“O meu maior desgosto na Warner foi não ter conseguido levar Zeca Baleiro para a companhia”, recorda, depois de horas e horas de conversa sobre a sua “aventura brasileira”.
No dia 10 de Setembro de 1998, Paulo Junqueiro é o novo director artístico da EMI portuguesa, em Lisboa. “A minha mulher não se adaptou ao Brasil, o meu filho também não. Fui vítima de um “complot” de mulheres”, confessou, no final de um oportuno rodízio regado a caipirinhas, a escassas dezenas de metros do seu escritório com magnífica vista para o rio Tejo.
Luís Pinheiro de Almeida
PS - Paulo Junqueiro já voltou ao Brasil, sendo actualmente (Janeiro de 2013) presidente da Sony.
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