Mostrar mensagens com a etiqueta Lizzie Bravo. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Lizzie Bravo. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

THE RHYTHM OF THE SAINTS


WEA - WX 340 - edição britânica (1990)

Side One

The Obviuos Child - Can't Run But - The Coast - Proof - Further To Fly

Side Two

She Moves On - Born At The Right Time - The Cool, Cool River - Spirit Voices (Paul Simon/Milton Nascimento) - The Rhythm Of The Saints

Com as colaborações, entre outros, de Olodum ("The Obvious"), J.J. Cale ("Can't Run", "Born"), Ladysmith Black Mambazo ("The Coast"), Milton Nascimento ("Spirit Voices").

Lizzie Bravo traduz "Spirit Voices" para português.

quinta-feira, 7 de março de 2013

LIZZIE BRAVO EM LISBOA 03


Depois de um fantástico bacalhau à lagareiro e de cantorias dos Beatles, na Floresta Oriental, em Lisboa, Lizzie Bravo assinou exemplares do LP "No One's Gonna Change Our World", onde se inclui "Across The Universe", dos Beatles, que tem Lizzie nos coros, do livro "The John Lennon Letters", de Hunter Davies, que publica bilhetes de John Lennon para a brasileira, e ainda o LP de Roberto Carlos, "Verde e Amarelo", onde Lizzie também canta.

Este grupo inclui Teresa Lage, PPBEAT, Duarte e Tiago Vilardebó.

LIZZIE BRAVO EM LISBOA 02


Lizzie Bravo canta "Across The Universe", dos Beatles, com amigos portugueses na Floresta Oriental, em Lisboa.

LIZZIE BRAVO EM LISBOA 01


A brasileira Lizzie Bravo, que em 1968 gravou os coros de "Across The Universe", dos Beatles, passou hoje por Lisboa onde conviveu com amigos portugueses.

Almoçou no Café no Chiado, deu uma entrevista de uma hora no programa de Júlio Heitor, da Rádio Renascença, e comeu 6 (seis!!!) pastéis de Belém com chá.

Passeou pela zona monumental de Belém, pela Baixa pombalina e Parque das Nações.

A noite terminou com um bacalhau à lagareiro na Floresta Oriental e cantorias dos Beatles, onde não faltou o inevitável "Across The Universe".

Amanhã, Lizzie Bravo segue para Londres, onde vai ser homenageada pelos estúdios de Abbey Road e terá contactos com vários especialistas em Beatles, como Hunter Davies e Mark Lewisohn.

Lizzie Bravo está a preparar um livro, "From Rio To Abbey Road", onde relata em estilo diário a sua convivência com os Beatles entre 1967 e 1969.

LIZZIE BRAVO HOJE EM LISBOA


A brasileira Lizzie Bravo, que em 1968 fez coros na versão de "Across The Universe", dos Beatles, incluída na colectânea de solidariedade "No One's Gonna Change Our World", faz hoje uma escala em Lisboa a caminho de Abbey Road (Londres), onde vai falar sobre essa sua experiência.

A convite deste blogue e dos seus amigos, Lizzie Bravo dará uma entrevista às 15H00 na Rádio Renascença, vai aos pastéis de Belém e comerá bacalhau na Floresta Ocidental.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

LIZZIE BRAVO FALA A JORNAL PORTUGUÊS


Entrevista de Lizzie Bravo ao jornal português "I", de 11 de Setembro de 2012, assinada por Luís de Freitas Branco, filho do Filhote, mais conhecido por Netote.

Colaboração de Nuno Sebastião

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

GEORGE HARRISON E LIZZIE BRAVO


No documentário de Martin Scorsese, "Living in the Material World", George Harrison aparece com este colar brasileiro... pois bem, acabo de ser informado que ele foi oferecido pelas brasileiras Regina, Denise e Lizzie Bravo.

Na época, as três Apple Scruffs ofereceram o colar a George em plena Abbey Road!

Colaboração de Filhote (cortesia de Lizzie Bravo), no Rio de Janeiro

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

(SOBRE)VIVENDO NO MUNDO MATERIAL

Ainda o filme não tinha começado, e a sessão já se tornara inesquecível.

Às 13.30h, uma hora antes da estreia de "Living in the Material World", a fila de espectadores dobrava a esquina da Praça Floriano, na Cinelândia, centro da cidade, onde fica situado o tradicional Cinema Odeon, casa-mãe do Festival Internacional de Cinema do Rio 2011.

Entre cinéfilos, melómanos, curiosos, fãs dos Beatles, freaks e beatnicks de todos os tempos, crescia aquele incontido sentimento de expectativa.

"Você sabe se o filme revela imagens da excursão de 1974?", perguntou-me um anónimo, à minha frente, como se eu fosse portador de todas as respostas para todas as questões essenciais da humanidade.

A verdade é que ele acabara de testemunhar o meu encontro com Lizzie Bravo... e, convenhamos, não é para todos ficar "batendo papo" com uma genuína Apple Scruff, na antecâmara da estreia de um documentário sobre George Harrison...

Em cima da hora marcada, 14.30h, as luzes apagaram-se, ecoando o primeiro aplauso, espontâneo, de uma sala completamente lotada. Até os mais obsessivos - incapazes de resistir a um pré-visionamento no YouTube ou levando na mão o DVD oficial do filme - não aguentavam mais. É agora! Vai começar!

De súbito, o golpe de teatro! À idílica imagem do George pintando a casa de Esher, sucedeu o título "Living in the Material World - Part 2".

Imediata reacção do público! Pateadas, gritos de raiva, exclamações de protesto! Inadmissível, uma fraude desta dimensão! Queremos a 1ª parte da fita! Já!!!

Como eu apreenderia (bastante) mais tarde, após mergulhar fundo na vida do fabuloso George, sobreviver no mundo material não é uma experiência pacífica. Há sempre aquele obstáculo, o detalhe mundano, a incontornável insignificância, que nos impede de transcender a existência física das coisas.

Desesperados, os organizadores do festival foram fazendo pela vida, omitindo respostas, inventando desculpas esfarrapadas, tentando resolver um alegado problema no HD do sistema. Entretanto, o tempo foi passando, inexorável... e nós, teimosos, sem arredar pé, mas quase sufocados pela sensação claustrofóbica de quem aguenta o atraso de um voo dentro do avião estacionado...

Duas horas mais tarde, depois de inúmeras manifestações colectivas de inconformismo, começou a correr o rumor, em surdina, de que o problema técnico estaria solucionado. Porém, o filme não iria passar para que não fosse prejudicada a sessão seguinte. Foi o rastilho que incendiou a plateia!

O responsável pela organização foi cercado por espectadores irados, ameaçadores e uma carioca saltou para o palco, de punho erguido, incentivando-nos a entoar o refrão de Lennon: "Power to the People! Power to the People!"

Como o povo unido jamais será vencido, finalmente, às 16.40h, o filme tomou conta da tela.

O que dizer sobre a fita propriamente dita? Complementando o texto aqui inscrito pelo anfitrião deste blogue, considero "Living in the Material World" um verdadeiro filme-documentário. Na forma e conteúdo. Não se trata de um mero documentário musical. Martin Scorsese optou por centrar o foco da narrativa mais na dimensão humana/espiritual do artista, e menos na obra musical.

Além disso, é de realçar os toques de autor... aquela sequência em que irrompe "Blue Jay Way" sobre a imagem, a preto e branco, dos Fab Four em palco no auge da Beatlemania... a leitura, em voz-off, das cartas de George para a Mãe ao longo dos tempos... a maneira como Scorsese sublinha o "quadrado perfeito" dos Beatles, apenas oferecendo o total protagonismo a George quando a banda termina...

Se para realizar um bom documentário é necessária uma personagem forte, pontuada por instigantes "actores secundários", nada falta neste longa-metragem de Martin Scorsese.

Surpreendentes, e reveladores de aspectos fundamentais da personalidade de George Harrison, os relatos de Astrid Kirchherr e Phil Spector. Tocantes, as intervenções de Ray Cooper, Ringo Starr, Paul McCartney, e, sobretudo, Olivia Harrison.

Nos instantes finais do filme, também eu não fui capaz de conter as lágrimas... mas pergunto: será possível (sobre)viver neste mundo material sem provar o doce sabor das emoções?

Pedro de Freitas Branco, no Rio de Janeiro

sábado, 19 de junho de 2010

WHITE AO VIVO 02


No backstage, Daniel Romani, guitarrista dos lendários Módulo 1000, Pedro de Freitas de Branco e Lizzie Bravo.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

MARYA BRAVO


SESC AMIGOS NO TOM - PP006

Se Deixe - Relacionamento Saudável - Nós - Pra Você Gostar De Mim - Vazio - Imitação da Vida - Fala - Água Demais Por Ti - Cólera - Clássica - Conto de Fadas Tropical

Marya Bravo é filha de Lizzie Bravo.

Cortesia de Filhote

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

YEAH YEAH YEAH


EMI - SDP-889 - edição promocional brasileira invendável (1982)

Lado A

She Loves You - Across The Universe - Come Together - Yesterday - Hello, Goodbye - All You Need Is Love - Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band

Lado B

Love Me Do - Beatles Movie Medley (Magical Mystery Tour, All You Need Is Love, You've Got To Hide Your Love Away, I Should Have Known Better, A Hard Day's Night, Ticket To Ride, Get Back)

Esta é uma espectacular edição brasileira, ainda por cima autografada por Lizzie Bravo, a beatle brasileira.

Cortesia de Filhote

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

09.09.09


A história de Lizzie Bravo num jornal brasileiro.

a propósito:

comprei a caixa stereo via amazon fr, custou-me 223 euros.
a edição é espectacular e o som deslumbrante, mas arrependi-me da compra porque o dinheiro me faz falta...
assim, tenho para venda a caixa, que enviaria à cobrança; dado que já está aberta, estou a pensar em 200 euros... algo assim.
agradecia mesmo - estou numa aflição financeira!
contacto para
sem-se-ver@sapo.pt
(e desculpem o abuso)

Solicitação de sem-se-ver

Esta revista norte-americana, Entertainment Weekly, escolheu as que considera ser as 50 melhores canções dos Beatles.

Eis as 10 primeiras:

01 - A Hard Day's Night
02 - A Day In The Life
03 - Yesterday
04 - Strawberry Fields Forever
05 - Something
06 - She Loves You
07 - Let It Be
08 - Tomorrow Never Knows
09 - Norwegian Wood (This Bird Has Flown)

E só conseguiu descobrir as 5 piores (Oh! come on. Nobody's perfect - not even the Beatles):

01 - All You Need Is Love
02 - Wild Honey Pie
03 - Dig It
04 - Don't Pass Me By
05 - Flying

E corre na net uma petição para a edição individual dos CDs mono, que foi iniciada no Brasil pelo jornalista Claudio Dirani, autor do livro "Paul McCartney - Todos Os Segredos Da Carreira A Solo".

Também o nosso Zeca do Rock está a vender a sua colecção de discos dos Beatles. O melhor é contactarem-no.

quarta-feira, 25 de março de 2009

BEATLES vs STONES


No Leblon, Rio de Janeiro, discutiu-se Beatles vs Stones ou vice-versa.

Estive na plateia. A Lizzie Bravo também. O debate até "esquentou", porém, ficou mais uma vez comprovado que entre Beatles e Rolling Stones não há vencedores nem vencidos.

O score assinala sempre um empate, dividindo as duas bandas o título de "banda definitiva da British Invasion". E, verdade seja dita, ainda não foi inventado um "qualidómetro" que defina quem são os melhores.

Decididamente, música não é "esporte" e as duas torcidas acabaram celebrando a magia das duas bandas. Os viscerais Stonemaníacos e os mais cerebrais Beatlemaníacos.

Apenas se chegou a uma conclusão: no céu, Beatles e Stones; na terra, o resto da rapaziada.


Colaboração de Filhote

LIZZIE BRAVO E ROBERTO CARLOS


COLUMBIA - 850.015/2-476.365 - s/data as usual

Verde E Amarelo - De Coração Para Coração - Só Vou Se Você For - Paz Na Terra - Contradições - Pelas Esquinas Da Nossa Casa - Símbolo Sexual - A Atriz - Você Na Minha Mente - Da Boca Pra Fora

Graças aos meus amigalhaços Filhote e (S)LB, tenho, finalmente, a colaboração de Lizzie Bravo (descrita como Lize Bravo) com Roberto Carlos.

Não consegui encontrar o disco em Portugal.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

VERDE E AMARELO


CBS - A 6830 - edição portuguesa (1985)

Verde E Amarelo - Símbolo Sexual

Há uns dias atrás, Lizzie Bravo revelou aqui num post que tinha feito coros em "Verde e Amarelo", de Roberto Carlos.

Terá sido na canção propriamente dita ou foi espalhadamente no LP com o mesmo título?

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

LIZZIE BRAVO E JOHN LENNON

Se me permitem, uma nota pessoal:

Neste blogue já vivi muitas e boas emoções: reencontrei amigos que já não via, uns há 40 anos, outros há uns 20; fiz novas (e boas) amizades.

Familiares de músicos dos anos 60 infelizmente já falecidos testemunham o seu apreço pela memória que deles se faz aqui.

Descobriu-se José Almada em Ovar, um músico dos Protões nos Camarões, Luís Moutinho na Escócia, Pedro de Freitas Branco no Brasil, Michel (Fanatics) em Marrocos, um filho português dos Andrea Tosi no Porto...

Um cidadão da Polónia pede em inglês (mas diz que vai comprar um dicionário de português) ficheiros de Marino Marini, outro, da Holanda, de Richard Anthony, e, como só fala neerlandês, pede a um amigo, no Brasil, que faça chegar o pedido.

As histórias são muitas e fantásticas. Quase não dá para acreditar!

De todas elas, gostaria de destacar agora a mais recente, a de Lizzie Bravo, a brasileirinha que com 16 anos gravou "Across The Universe" com os Beatles em Abbey Road, como já aqui foi relevado por Pedro de Freitas Branco.

E como é descendente de portugueses, tem direito à etiqueta "Beatles em Portugal".

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

NO ONE'S GONNA CHANGE OUR WORLD


REGAL - STAR LINE - SRS 5013 - 1969

Across The Universe (Beatles) - What The World Needs Now Is Love (Cilla Black) - Cuddly Old Koala (Rolf Harris) - Wings (Hollies) - Ning Nang Nong/The Python (Spike Milligan) - Marley Purt Drive (Bee Gees) - I'm A Tiger (Lulu) - Bend It (Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick and Tich) - In The Country (Cliff Richard and the Shadows) - When I See An Elephant Fly (Bruce Forsyth) - Land Of My Fathers (Harry Secombe)

Este LP, de que ainda não existe a versão em CD, foi editado em Londres no dia 12 de Dezembro de 1969, na sequência de uma reunião da World Wildlife uns anos antes, por sugestão de Spike Milligan.

Esta versão de "Across The Universe", dos Beatles, inclui as vozes femininas de Lizzie Bravo e Gayleen Pease, o que é único na carreira dos fab four, sendo igualmente a primeira vez que uma canção dos Beatles é incluída numa colectânea.

Esta versão começou a ser gravada no dia 04 Fevereiro de 1968 no estúdio 3 de Abbey Road e terminou a 08.

É sobretudo uma ideia de John Lennon, com George na cítara e Ringo a tocar numa lata de Coca-Cola.

A produção é de George Martin (não Phil Spector não está).

Uma versão em CD desta canção apareceu em 1988 no segundo volume da colectânea "Past Masters".

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

LIZZIE BRAVO COM PEDRO DE FREITAS BRANCO


Londres, 4 de Fevereiro de 1968. Para o comum dos mortais é apenas outro dia. Para Lizzie, adolescente brasileira, daqui a pouco a realidade tornar-se-á um sonho.

Only Sixteen, como na canção de Sam Cooke, Lizzie deixou o Rio de Janeiro há 1 ano com a exclusiva intenção de conhecer os Beatles. E a longa travessia tem sido recompensada.

Autógrafos, trocas de presentes, bate-papo, fotografias, de tudo um pouco Lizzie tem conseguido dos quatro Beatles. Ela e um grupo de amigas inteiramente dedicadas à causa, cujo dia-a-dia é consumido no encalço de John, Paul, George e Ringo.

Neste 4 de Fevereiro, Lizzie e as amigas estão de plantão na porta do estúdio de gravação da E.M.I, em Abbey Road. À espera de ver os ídolos. Mesmo de dia, o frio do Inverno londrino é tão austero que o porteiro as deixa ficar do lado de dentro do edifício.

E eis que no final da tarde, Paul aparece e dirige-se às meninas: “Can any of you, girls, hold a high note?”. Lizzie, confiante da experiência no coral do colégio, responde de imediato: “I can!”

As amigas, na maioria inglesas, ainda reagem negativamente, num assomo de ciúme patriótico, todavia, quando Lizzie cede a posição, ninguém ousa avançar.

Dentro de minutos, Lizzie cantará Across the Universe, partilhando o microfone com John Lennon e esforçando-se para não deixar a nota alta cair.

Quase 41 anos depois, Elizabeth Villas Boas Bravo, 57 anos, mais conhecida como Lizzie Bravo, mostra-me as fotos que ela fez dos quatro Beatles. As imagens, nunca tornadas públicas, ilustram o período de Fevereiro de 1967 a Outubro de 1969 em que a sua vida perseguiu a dos Fab Four.

O acervo será o foco central de um livro a ser editado brevemente com o título From Rio to Abbey Road – How I Got to Sing with The Beatles.

Lizzie mantém o entusiasmo adolescente que a moveu em 67. A cara de menina nunca é ensombrada por uns tímidos cabelos brancos. Recebe-me com afecto e descontracção no seu arejado e bem situado apartamento – no bairro do Jardim Botânico, aos pés do Cristo Redentor! E vai contando como surgiu a paixão pelos Beatles.

“O divisor de águas foi o A Hard Day’s Night. A filha da minha empregada me obrigou a ver o filme. Eu nem estava muito interessada. Tinha apenas 13 anos e fiquei fascinada. Diferente de tudo o que tinha visto. E nesse mesmo dia conheci uma porção de fãs, minhas amigas até hoje. Começámos a frequentar o cinema todo o dia. Das 14h às 22h!”.

As reuniões em casa de amigas para ouvir os discos dos Beatles, as saídas pela rua à caça de fotos dos ídolos em revistas e jornais, tudo Lizzie relembra com um sorriso. Porém, para mim, mantém-se o mistério: como foi possível uma menina de 15 anos, de colégio de freiras, fazer as malas e partir para Londres?

“A minha amiga Denise e eu chegámos à conclusão de que se não fossemos lá nunca mais os víamos. Eles já não davam shows. Então convencemos nossos pais a oferecer a viagem como presente de 15 anos. No dia 14 de Fevereiro de 67, cheguei a Londres. Denise já lá estava desde Janeiro. Larguei as malas no hotel de estudantes, a Associação Cristã de Moços, e corri com ela para Abbey Road. Lá, com a luva passei a mão na poeira do carro do John para constatar que tudo era real. Depois, sentámos na escadaria conversando. Ouvimos uma voz: excuse me. Denise falou: é ele! Levantei e dei de cara com o John. Quando ele se foi embora, chorei. Mal Evans, assistente dos Beatles, falou para não chorar, me deu um chocolate e falou: amanhã o John está aí. Você vai vê-lo todo o dia”.

Quando Lizzie fala de John Lennon, noto-lhe uma emoção diferente na voz. “O John era a minha paixão. Nesse dia pensei: eu tenho de ficar aqui para ver o John. A paixão por ele vinha não só das músicas, mas das entrevistas, do que ele dizia”. E foi ficando. Os pais não acharam muita piada, mas aceitaram.

Tento imaginar a emoção que terá sido cantar Across the Universe, partilhando o microfone com John, e não consigo. Lizzie não precisa de imaginar. Ela estava lá.

“Como eu já os via todos os dias, fiquei calma. Primeiro, John e Paul me ensinaram a música. Paul no piano, John no violão. O Paul mostrou o refrão. No início, era nothing’s gonna change my world, nothing’s gonna change my mind, ficando depois só o my world.

O John me chamou para cantar com ele, de pé, no mesmo microfone. E me explicou que era direccional e tínhamos de ficar perto um do outro. Closer, falou ele. O Paul pediu licença, ajeitou meu cabelo para trás, explicando que devia deixar um fone fora para ouvir melhor. Fiquei no estúdio umas 2h e meia com intervalo para eles jantarem. A minha amiga Gayleen Pease acabou sendo chamada para reforçar o coro”.

Dois minutos depois, Lizzie deixa escapar que não estava assim tão calma. E tudo por causa da sua verdadeira paixão. “Do lado do Paul ficava mais à vontade. Do lado do John eu quase morria!".

No momento em que Lizzie recorda o regresso ao Brasil em 69, explicando que nessa altura “o clima não era o mesmo” e o “encantamento inicial de 67” tinha desaparecido, a tarde já vai longa. Conversamos quase na penumbra. Afinal, viajámos numa cápsula do tempo por mais de 4 horas. Orgulhosa, Lizzie ainda refere que no aniversário dos 40 anos da gravação, “a N.A.S.A enviou a música para o espaço”. Foi a primeira vez que tal missão foi levada a cabo.

A tal nota alta de Lizzie Bravo flutua agora pelo espaço. Nothing’s gonna change my world. Todavia, alguém mudou o mundo de Lizzie Bravo.

“Os Beatles abriram a minha cabeça. Me deram a noção que tudo era possível”.

Pedro de Freitas Branco
Rio de Janeiro, Dezembro de 2008