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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

NEIL DIAMOND


HALLMARK - SHM 3230 - 1971

Side 1

I Am... I Said - Until It's Time For You To Go (Buffy Sainte-Marie) - Suzanne (Leonard Cohen) - Brooklyn Roads - New York Boy - Cherry Cherry/Red Red Wine

Side 2

Chelsea Morning (Joni Mitchell) - Everydody's Talking (Fred Neil) - Mr. Bojangles (Walker) - Husbands And Wives (Roger Miller) - And The Grass Won't Pay No Mind - I Never Knew Your Name - If You Go Away (Jacques Brel/R. McKuen)

Colaboração de João Pinheiro de Almeida

quinta-feira, 12 de abril de 2012

LEONARD COHEN


CBS - 3337 - edição portuguesa (1969)

Suzanne - So Long, Marianne

Não há muitas canções de Leonard Cohen de que eu verdadeiramente goste, mas estas são seguramente duas delas.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

LEONARD COHEN GANHOU PRÉMIO ASTÚRIAS


COLUMBIA - COL 469032 2 - 1991

Who By Fire (House Of Love) - Hey, That's No Way To Say Goodbye (Ian McCulloch) - I Can't Forget (Pixies) - Stories Of The Street (That Petrol Emotion) - Bird On The Wire (Lilac Time) - Suzanne (Geoffrey Oryema) - So Long Marianne (James) - Avalanche IV (Jean-Louis Murat) - Don't Go Home With Your Hard-On (David McComb & Adam Peters) - First We Take Manhattan (REM) - Chelsea Hotel (Lloyd Cole) - Tower Of Song (Robert Forster) - Take This Longing (Peter Astor) - True Love Leaves No Traces (Dead Famous People) - I'm Your Man (Bill Pritchard) - A Singer Must Die (Fatima Mansions) - Tower Of Song (Nick Cave and the Bad Seeds) - Hallelujah (John Cale)

Ao poeta e cantor canadiano Leonard Cohen foi hoje atribuído o Prémio Príncipe das Astúrias das Letras.

Alguém que tem a poesia nas veias e a simplicidade melódica no sangue. Não é preciso ter voz para cantar bem. Parabéns ao bardo do amor!, escreveu Elísio Summavielle na sua página privada no Facebook.

Elísio Summavielle exerce as funções de secretário de Estado da Cultura.

Mário Soares e Joaquim Veríssimo Serrão foram os únicos portugueses galardoados com o Prémio Astúrias, ambos em 1995, o primeiro na categoria de Cooperação Internacional, o segundo na de Ciências Sociais.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

COME FROM THE SHADOWS


Can I ask each one of you to light a match,
so I can see where you are…

Que me desculpe a imensa comunidade de fieis que habita este “blog”, mas não posso partilhar convosco a convicção de que a remasterização da obra completa dos Beatles é o acontecimento discográfico do ano…

A minha “Religião” é outra e, para mim, o verdadeiro acontecimento é a edição desta pérola, “Leonard Cohen Live at The Island of Wight -1970”, que contém o CD da actuação de LC no dito festival, mas também o filme que dessa mesma actuação fez Murray Lester, o mesmo realizador de “Festival”, sobre o Festival de Música Folk de Newport, de “The Other Side of the Mirror”, sobre as actuações de Bob Dylan no mesmo festival e de “Message to Love”, que não conheço, sobre o Festival de Wight.

Os fans de LC sabiam há muito da existência destas gravações e destas filmagens, e os mais velhos, como eu, interrogavam-se até se alguma vez haveriam de as ver em vida. Um pouco como estava a acontecer com os “ficheiros secretos” do Neil Young, recentemente também divulgados…

A chegada desta obra ao mercado deveria ter sido acompanhada de foguetes, toques de sino, fanfarras, eu sei lá… Mas não, pelo menos por cá. O mercado e os jornalistas que o alimentam andam demasiado entretidos com Michael Jackson e com os milhões que gravitam à volta da sua imagem…

Eu não me vou alongar sobre o que se passou nessa mítica noite de 31 de Agosto de 1970, que o livro que acompanha a obra documenta bem. Dir-vos-ei, apenas, que chegaram à Ilha de Wight para os 5 dias de concertos 600.000 pessoas, quando as melhores expectativas dos organizadores não excediam as 200.000. As condições logísticas para acolher tanta gente eram, naturalmente, precárias, e isso lançou uma onda de confusão que se iria alastrar durante todo o evento.

Antes de LC ter subido ao palco já Kris Kristofferson tinha sido obrigado a abandoná-lo por força das garrafas de cerveja que lhe caiam em cima, aparentemente por o som estar a sair em más condições. E durante a actuação de Jimi Hendrix uma parte do palco foi incendiada…

A anarquia tinha-se instalado naquele último dia do festival e tudo era possível. No meio de toda essa confusão não se sabia muito bem os horários de cada “performance”, e consta que LC foi acordado às 2 da manhã quando dormia na sua “roulote”. Kristofferson diz que até o chegou a ver em pijama, mas foi já com o seu casaco de safari que Cohen se apresentou em palco, acompanhado por um conjunto de músicos que se auto-nomearam “The Army”, dos quais faziam parte nomes conhecidos como Bob Johson e Charlie Daniels. E o inevitável coro de meninas também já por lá andava, nessa altura…

Cohen apresentou-se despenteado e com a barba de três dias com que o haveríamos de ver, no ano seguinte, na capa de “Songs of Love and Hate”.

Adivinha-se o pior mas Cohen, com uma calma impressionante, conseguiu controlar a multidão e quase hipnotizá-la… Começou por contar uma história antiga dos tempos em que ia ao circo com o seu velho pai e, a propósito, pediu a cada um dos presentes que acendesse um fósforo, de modo a que ele os pudesse ver e todos também se pudessem ver melhor, uns aos outros… E arrancou, muito lentamente, com o “Bird on the Wire”.

Mas o que faz deste disco uma obra indispensável não é tanto o CD, embora este reúna verdadeiras preciosidades pouco ouvidas “ao vivo” no futuro, já que se baseia nos primeiros e mais intimistas dos seus álbuns. Aqui não há lugar a “First We Take Manhatan”, “I’m Your Man” ou “Tower of Song”’s, que tanto sucesso público fizeram no futuro e de que eu tão pouco gosto …

Em contrapartida, são reveladas pela primeira vez três músicas que hão-de fazer parte de “Songs of Love and Hate” (“Famous Blue Raincoat”, “Diamonds in the Mine” e “Sing Another Song, Boys”), com a particularidade desta última ser, precisamente, a versão “ao vivo” que há-de aparecer nesse terceiro disco. E a versão de “Tonigh Will be Fine” é a que haveremos de encontrar em “Live Songs”, álbum de 1973.

Em boa verdade, o que mais me impressiona são as imagens de Cohen: a pureza do seu olhar perdido no vazio, a forma como saboreia e coloca cada palavra das suas canções e dos poemas que declama, o sorriso triste e efémero que lhe perpassa pelo rosto… Não me envergonho de vos dizer que, aqui e além, me vieram lágrimas aos olhos. Não de nostalgia por esses tempos passados… Mas de pura emoção, como um dia me lembro de ter chorado durante uma missa no interior de uma capelinha de St. Wolfgand, nos lagos austríacos, eu que sou profundamente ateu...

“God bless Leonard Cohen and his music”, diz-nos Judy Collins numa entrevista do filme de Lerner. Não podia ter escolhido melhores palavras…

Colaboração de Luís Mira

terça-feira, 11 de agosto de 2009

TOWER OF SONG


A&M - 540 259-2 - 1995

Everybody Knows (Don Henley) - Coming Back To You (Trisha Yearwood) - Sisters Of Mercy (Sting and the Chieftains) - Hallelujah (Bono) - Famous Blue Raincoat (Tori Amos) - Ain't No Cure For Love (Aaron Neville) - I'm Your Man (Elton John) - Bird On A Wire (Willie Nelson) - Suzanne (Peter Gabriel) - Light As The Breeze (Billy Joel) - If It Be Your Will (Jann Arden) - Story Of Isaac (Suzanne Vega) - Coming Back To You (Martin Gore)

I'M YOUR MAN


VERVE FORECAST - 0251702408 - 2006

Tower Of Song (Martha Wainwright) - Tonight Will Be Fine (Teddy Thompson) - I'm Your Man (Nick Cave) - Winter Lady (Kate and Anna McGarrigle and Martha Wainwright) - Sisters Of Mercy (Berth Orton) - Chelsea Hotel Nº 2 (Rufus Wainwright) - If It Be Your Will (Antony) - I Can't Forget (Jarvis Cocker) - Famous Blue Raincoat (Handosme Family) - Bird On A Wire (Perla Batalla) - Everybody Knows (Rufus Wainwright) - The Traitor (Martha Wainwright) - Suzanne (Nick Cave, Julie Christensen and Perla Batalla) - The Future (Teddy Thompson) - Anthem (Perla Batalla and Julie Christensen) - Tower Of Song (Leonard Cohen and U2)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

THE ENERGY OF SLAVES


"The Energy of Slaves", Leonard Cohen, edição inglesa de 1972.

Cortesia de JC

FIRST WE TAKE MANHATTAN 05


"Filhos da Neve”, versões de Jorge de Sousa Braga e Carlos Tê, Assírio & Alvim, Colecção Rei Lagarto nº 10, Lisboa, 1985

Pergunto-me quanta gente nesta cidade
vive em apartamentos mobilados.
Altas horas da noite quando olho os outros prédios
juro que vejo um rosto em cada janela
que me olha também
e quando volto para dentro
pergunto-me quantos se sentam às suas escrivaninhas
e escrevem isto mesmo

Colaboração de Gin-Tonic

FIRST WE TAKE MANHATTAN 04


59 Canções de Amor e Ódio e Um Poema Sobre Portugal", apresentação e tradução de José Alfredo Marques, Fenda/Centelha, Coimbra, 1985

Há dias, a propósito de um texto do Luís Mira, andou-se à volta para saber se os discos do Cohen rodaram, ou não, nos bailes de garagem. Mr. Mouse não lembra que rodassem. JC, também não. Por ele recorda que os seus bailes são anteriores aos de garagem e Cohen ainda não se fazia ouvir naquele pedaço de rua da cidade, os tempos que ainda iriam correr para que isso acontecesse. Os discos que rodavam eram mais Renato Carosone, Marino Marini, Vartan, Hardy, Alberto Cortez.

Mas José Alfredo Marques, na apresentação desta antologia, lembra-se e escreve:

“Nos bailes, quando aquela música lenta, estranhamente bela ( e longa…) chegava ao fim… púnhamos outra vez no principio aquele velho álbum negro…”

Talvez não saibam que Leonard Cohen em “The Warrior Boats” deixou “uma das mais impressionantes, belas e terríveis histórias de Portugal e do seu destino”, poema incluído no seu primeiro livro “Let Us Compare Mythologies”, de 1956.

José Alfredo Marques traduziu-o e apresentou-o nesta antologia:

“Os Barcos de Guerra”

De Portugal os barcos de guerra
contorcem-se no cais,
expondo seus vigamentos.
Gerações de gaivotas caem
através dos esqueletos de madeira.

Na cidade
os belos marinheiros mortos,
intacta a sua paixão,
vagueiam pelos becos
desbaratando poemas e moedas gastas.

Garbosos bastardos !
Que lhes interessa o Império
reduzido a metade de uma península,
A Rainha tendo o conselheiro régio
como sétimo e último amante ?

Os seus mapas não mudaram.
As coxas ainda são brancas e quentes.
Novas fronteiras não alteraram
a maravilhosa paisagem de seios.
Nenhum congresso relegou a boca rubra

Por isso deixai os barcos
apodrecer nos limites da terra !
As gaivotas hão-de encontrar outro sítio para morrer.
Deixai as metrópoles portuárias vestir luto
e insignificantes funcionários
que preencham os papéis necessários.
para um distrito longínquo.

Mas, vós, fazei as malas
meus inimigos marinheiros !
Ide vagueando pelos becos
desbaratando os vossos poemas e moedas gastas.
Ide batendo em todas as janelas da cidade.

Em algum lugar encontrareis o meu amor,
adormecida e esperando.

E mal posso saber há quanto
ela sonha com todos vós.

Levantai suavemente o meu casaco
dos seus ombros.

Colaboração de Gin-Tonic

FIRST WE TAKE MANHATTAN 03


CBS S 63587

Lado 1

Bird On The Wire – Story Of Isaac – A Burch Of Lonesome Heros – The Partisan – Seems So Long Ago, Nancy

Lado 2

The Old Revolution – The Butcher – You Know Who I Am – Lady Midnighjt – Tonight Will Be Fine

Mais um passo: o primeiro LP de Cohen que comprou. Uma contracapa que deveria ser a capa, uma soberba primeira faixa do Lado A: “como um pássaro num fio pousado, como um bêbedo num coro nocturno, à minha maneira, tentei-me libertar”.

Leonard Cohne traduzido por Pedro Mexia:

Gostava de lembrar

a gerência

que as bebidas estão aguadas

que a rapariga do bengaleiro

tem sífilis

que a banda é formada

por facínoras SS

No entanto como é

véspera de Ano Novo

vou pôr

um chapéu de papel

na minha concussão e dançar

Colaboração de Gin-Tonic

FIRST WE TAKE MANHATTAN 02


“Leonard Cohen - Redescoberta da Vida e Uma Alegoria a Eros", Manuel Cadafaz de Matos, Livros E (co)logiar A Terra, Série “Cantares de Libertação” - 3, Lisboa, Dezembro de 1975, 100$00

A páginas 167 deste livro, Manuel Cadafaz de Matos revela-nos que esteve na “Festa do L’Humanité”, em Setembro de 1974, onde actuou Leonard Cohen, a famosa saudação: “Boa noite, camaradas e espiões!”.

“Na véspera à noite tinha actuado Leonard Cohen no gigantesco palco de “La Grand Scène”, em seguimento a não menos brilhantes actuações de Maxime Le Forestier e também José Afonso (que ao que nos parece aí fazia a sua estreia) nessa grande festa dos povos comunistas de todo o mundo”.

Manuel Cadafaz aproveita para fazer a Cohen uma muito interessante entrevista:

Perguntado sobre se Nancy, Judy, Ann, Jane ou Lilly Marlen “existem de facto correspondendo a persoangens reais”, Cohen responde:

"...fui para a Grécia e comecei a escrever seriamente. Encontrei uma mulher (Marianne), comprei uma casa e comecei a ler e a trabalhar. (…) Quanto ao aspecto de ser influenciado por Marianne, uma pessoa está sempre sujeita a certas influências que até estão bem patentes em muitas das minhas canções.

"Aliás todas as minhas canções estão relacionadas com personagens reais. Para mim uma coisa importante é ter sempre uma mensagem a enviar a alguém (…) não se trata de uma outra Judy que eu conheci.

"Quanto a Juddy Collins ela foi e é uma grande amiga minha. Quando eu fui para Nova Iorque, era totalmente desconhecido e ninguém gostava das minhas canções. Ela estendeu-me a mão e como já era conhecida ajudou-me bastante… (…) ela foi a primeira pessoa que teve para mim uma reacção positiva quanto às minhas criações. Há uma grande amizade entre nós. Até me lembro que de uma das vezes lhe cantei a minha composição “Suzanne” ao telefone".

Colaboração de Gin-Tonic

FIRST WE TAKE MANHATTAN 01


CBS 7292

Joan of Arc – Diamonds In The Mine

O pai dizia-lhe: se o encontro está marcado para as 10,00 horas, apareces dez minutos antes. Um dia, numa velha crítica de televisão, anos 60, do Mário Castrim, leu: “Só quem chegou à estação um segundo atrasado, sabe como compensa chegar à estação demasiado cedo”.

Chega sempre mais cedo que a hora do encontro. Mas a algumas músicas – e não são poucas… - chegou atrasado. Para atenuar um pouco a amargura, costuma dizer: “mas chegou!”

Assim aconteceu com Leonard Cohen. Estas são as etapas, portas travessas, que percorreu até chegar à montanha. Não tem datas – é aqui que recorda o quanto faz falta ser-se miudinho como Mr. Ié.Ié se apresenta, com tudo datado, etc, etc. – mas as sequências são as que seguem.

Este “single” é o primeiro passo que deu para chegar ao “canadiano errante”.

Leonard Cohen: “Tinha estudado poesia na escola, mas foi só quando, acidentalmente, dei de caras com um livro de Lorca que percebi o que era a poesia. Tocou-me tão fundo, que a partir desse momento, percebi o que queria ser: poeta. Quando a minha filha nasceu resolvi chamar-lhe Lorca. Lorca Sarh Cohen. Ele teve a mais profunda influência na minha vida e na minha carreira".

Ainda Cohen mas, agora, com 67 anos: “Nunca tive demasiada confiança na minha voz depois de ter fumado 50 mil cigarros”. Perguntam-lhe se ainda se imagina a subir a um palco:

“Com a quantidade certa de vinho tinto.”
Colaboração de Gin-Tonic

domingo, 9 de agosto de 2009

FAMOUS BLUE RAINCOAT


RCA PL 90048 - 1987

Lado 1

First We Take Manhattan – Bird On A Wire – Famous Blue RaiNcoat – Joan Of Arc

Lado 2

Ain’t No Cure For Love – Coming Back To You – Song Of Bernardette – A Singer Must Die – Came So Far For Beauty

Decerto que os indefectíveis de Leonard Cohen irão ficar com pele de galinha, mas não resistiu à tentação de trazer até aqui Jennifer Warnes, uma jovem que, como suporte coral, se passeia pelos discos e concertos de Leonard Cohen.

Acha a capa deste disco uma beleza, uma delícia.

Também sente que Jennifer Warnes trata muito bem as canções de Cohen. Entre os dois terão nascido cumplicidades diversas, ao ponto de Jennifer ter avançado para este trabalho com a bênção do Mestre, “Joan Of Arc” é cantada em dueto com Cohen...

O Mestre foi mais longe ao dizer que a versão de “First We Take Manhattan", em que Stevie Ray Vaughn tem na guitarra uma aparição do outro mundo, saiu melhor que o original. Uma gentileza de Mr. Cohen, possivelmente sussurrada a Jennifer após uma garrafa Pommerey 1934 e uma boa cigarrada, que ele assina por baixo, se é que ele pode assinar o que quer que seja que a música, e não só, diga respeito.

Deixem-no, ainda, destacar o solo de sax que um tal Paul Ostermayer desenha nessa canção mágica que dá pelo nome de “Famous Blue Raincoat”.

Para que conste e não restasse qualquer dúvida, Cohen, no encarte, deixou um desenho seu: “JENNY SINGS LENNY”.

Na contracapa há uma etiqueta da Discoteca Universal que diz que o disco lhe custou: 1.195$00.

Acreditem que era dinheiro… pelo menos para ele… se bem se lembra…

Colaboração de Gin-Tonic

domingo, 2 de agosto de 2009

MÃOS RIGOROSAMENTE VIGIADAS 03


Antigamente, os bilhetes dos espectáculos tinham personalidade!

MÃOS RIGOROSAMENTE VIGIADAS 02


Nestes tristes tempos, já nem sequer os bilhetes dos espectáculos têm a personalidade dos do antigamente…!

MÃOS RIGOROSAMENTE VIGIADAS 01


(imagem de Rita Carmo/Espanta Espíritos - BLITZ)

It’s four in the morning, the end of July, I’m writing you now just to say that you’re fine…!

Há muitos, muitos anos atrás a minha masculinidade foi posta em causa pelos meus amigos, por culpa do Leonard Cohen…

Eu explico-me melhor…

Naqueles tempos (finais dos anos sessenta…) era habitual organizarem-se as festinhas de Sábado à tarde nas caves, sótãos ou garagens de amigos. As mães tratavam dos sumos, das sandes e dos bolinhos secos, arrebanhavam-se umas miúdas amigas e amigas de amigas e montava-se a festa…

A estratégia era começar por agitar a malta, e por isso era habitual serem os Creedence, os Doors ou os Ten Years After os primeiros a saltar para arena. Mas quando se punha Leonard Cohen no gira-discos (ou em fita pré-gravada, como era habitual) a mensagem de código estava dada: reduziam-se ao máximo as fontes de luz, as persianas desciam para lá do mínimo imposto pelas mães e sabíamos todos que era chegada à hora do “apertanço”, tacitamente aceite ou deitando-se o barro à parede, que depois se veria…

Para todos menos para mim, que sempre me recusei a utilizar o Cohen para essas operações. Ficava sentado de pernas estendidas a contemplar o vazio (já na altura…) e a beber sofregamente essa música que parecia surgir das brumas e das sombras. Enfeitiçado por aquela voz, aquele tom único do dedilhar da viola. E nem o facto de só a muito esforço ir conseguindo desbravar o sentido daquelas letras me preocupava minimamente. Aquele som bastava-me, tal como me bastava o som de muitas canções irlandesas cujo dialecto próprio as tornava, para mim, absolutamente intraduzíveis. Ou como me bastaria, muitos anos mais tarde, o mistério das vozes búlgaras…

Em boa verdade, não conseguia ouvir Cohen de outra maneira, o que dava azo a alguns comentários sarcásticos por parte do resto da maralha. Não que não me soubesse bem ouvi-lo com uma boa companhia ao lado… Mas com mãos rigorosamente vigiadas. Uma simples festa no cabelo seria mais que suficiente…

Quarenta anos se passaram e eu não mudei em nada. Continuo sentado no meu lugar a escutar. À minha volta as pessoas agitam-se. Há um bambolear de ancas, pezinhos que se mexem… Palminhas, gritinhos estridentes, braços esvoaçando pelo ar em sinal de grande satisfação…. E os antigos isqueiros na escuridão são agora substituídos pelos telemóveis e pelos irritantes flashes das modernas máquinas de filmar/fotografar. Pobre Leonard!

LC faz parte daquele muito reduzido grupo de pessoas que são absolutamente indispensáveis na minha vida, e cujo desaparecimento, um dia, me deixará um profundo vazio. Como aqueles Amigos que, estando longe, estão sempre bem dentro de nós, mesmo quando damos a sensação de os acolher sem grande afectividade. Chorarei, com certeza, no dia em que partir...

E durante muito tempo se pensou que LC tinha, de facto, partido. Não da vida, porque o sabíamos ocupado com outras coisas. Mas das lides… Ao ponto de, a determinada altura, eu próprio ter dado comigo a imaginar a sedutora teoria de que Cohen, esse homem de palavras, se tinha despedido de nós com um instrumental: o belíssimo “Tacoma Trailer”, última faixa de “The Future”. Como se a sua voz se tivesse desvanecido no piano/cravo e o pudéssemos imaginar de costas a sair de cena pela estrada fora, como no final de um filme do Charlot. É que entre “The Future” (1992) e “Ten New Songs” (2001) passaram nove anos, uma eternidade que nunca antes se tinha verificado entre discos.

Mas ainda bem que a minha brilhante teoria saiu furada. Tanto “Ten New Songs” como “Dear Heather” são bons discos - talvez mais aquele do que este – embora não cheguem aos calcanhares das minhas jóias da coroa, que são os três primeiros. Os seus críticos acusaram LC de se ter deixado manietar pelas mulheres (Sharon Robison no primeiro caso, Anjani Thomas no segundo), como já antes o fora por Phil Spector no “Death of a Ladies’ Man”. E de ter deixado a sua música ser invadida por uma batida jazzy de elevador e por coros femininos delicodoces. Mas esqueceram-se de duas coisas: que manietado pelas “ladies” sempre ele o fora; e que magníficas vozes femininas existem desde o seu primeiro disco, nesse longínquo ano de 1967. Muito antes dos tempos da Jennifer Warnes…

Se as minhas contas não falham, é a quarta vez que LC se apresenta em Portugal. Cascais primeiro, depois no Coliseu nos finais dos anos oitenta e no ano passado em Algés. Só este último falhei, porque valores mais alto se levantaram.

Dos dois primeiros concertos guardo a excelente memória de um LC em grande forma e de uma muito ligeira e agradável tonalidade “Country” dada a muitas das canções dos primeiros tempos, como se Cohen se tivesse lembrado que foi precisamente num grupo “Country” – os “Buckskin Boys” – que começou a sua aventura musical. Ainda andei, na altura, à procura de “discos pirata” que o tivessem captado ao vivo nessa fase, mas não encontrei nada, embora essa batida se sinta de passagem em algumas músicas do documentário da BBC “Songs From The Life of Leonard Cogen” (1988), que teve edição em vídeo entre nós.

Para o concerto de ontem, as minhas expectativas eram muito baixas. Bastava-me ter visto que o recente “Live in London” tem apenas cinco músicas (num total de vinte e seis…) anteriores a “New Skin….” para ter percebido que não faço parte do “público alvo” deste espectáculo…

O que é que eu hei-de dizer…? Que o concerto seguiu, quase na integra, o alinhamento do de Londres? Que esteve a milhas dos dois concertos anteriores que tinha visto? Que a voz de Cohen, lá do alto dos seus quase 75 anos, já não está, propriamente, “like it was before”? Que as tais vozes femininas nem sempre me apareceram tão afinadinhas como se poderia esperar? Que os seis músicos que o acompanharam me pareceram competentes mas, por vezes, demasiado exuberantes (mas havia que fazer descansar a voz de LC…)? Que algumas canções foram completamente assassinadas (“Suzanne”, por exemplo …)? Que o Pavilhão Atlântico não é local onde mais desejaríamos assistir a um concerto de LC? Que os urros da assistência me irritaram solenemente? Mas não sejamos assim tão derrotistas, porque momentos bons também os houve: ver LC em tão boa fora, aos saltinhos pelo palco; “Tower of Song”, com o coro a funcionar na perfeição, em especial a menina da boina com os cabelos (des)cuidadamente espalhados pela face, que também toca harpa; “Take This Waltz”; “Boogey Street”, mas aqui os créditos vão, inteirinhos, para a excelente voz de Sharon Robison.

Mas, em boa verdade, borrifo-me em tudo isso. O que eu queria mesmo era poder rever LC, antes de morrermos os dois… E não posso, egoisticamente, deixar de reconhecer que foi bom que tivessem continuado na penumbra, e não assim devassadas em público, algumas das pérolas mais escondidas da minha especial predilecção: “The Stranger Song”, “One of Us Cant Not be Wrong”, “The Old Revolution”, “Why Don’t You Try”, cujo final é o melhor pedaço instrumental da obra de Cohen, para além da referida “Tacoma Trailer”; “If it Be Your Will”, “The Guests” …

E sabe tão bem ver Leonard Cohen …

I guess that I’ll miss you, Leonard, e por isso vou ter de ser muito mauzinho… Desejo que, algures, um produtor, um manager ou um simples contabilista te volte a ir à carteira e te obrigue a voltar à estrada. Sei bem que só assim poderei ter o prazer de te rever…

Not for just an hour
Not for just a day
Not for just a year
But always

Sincerely,

Luís Mira

PS: Nestes tristes tempos, já nem sequer os bilhetes dos espectáculos têm a personalidade dos do antigamente…!

PS do editor: perto de 10 mil pessoas viram este concerto.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

PROMO DE LEONARD COHEN


CBS PRO 431 - 1988 - edição portuguesa

First We Take Manhattan - Sisters Of Mercy

domingo, 3 de agosto de 2008

POEMA SOBRE PORTUGAL


De Portugal os barcos de guerra
contorcem-se no cais,
expondo seus vigamentos.
Gerações de gaivotas caem
através dos esqueletos de madeira.

Na cidade
os belos marinheiros mortos,
intacta a sua paixão, vagueiam pelos becos
desbaratando poemas e moedas gastas.

Garbosos bastardos!
Que lhes interessa o Império
reduzido a ametade de uma península,
a Rainha tendo o conselheiro régio
como sétimo e último amante?

Os seus mapas não mudara.
As coxas ainda são brancas e quentes.
Novas fronteiras não alteraram
a maravilhosa paisagem de seios.
Nenhum congresso relegou a boca rubra
para um distrito longínquo.

Por isso deixai os barcos apodrecer
no limite da Terra!
As gaivotas hão-de encontrar outro sítio para morrer.
Deixai as metrópoles portuárias vestir luto
e insignificantes funcionários
que preencham os papéis necessários.

Mas, vós, fazei as malas
meus inimigos marinheiros!
Ide vagueando pelos becos
desbaratando os vossos poemas e moedas gastas.
Ide batendo em todas as janelas da cidade.

Em algum lugar encontraréis o meu amor,
adormecida e esperando.

E mal posso saber há quanto
ela sonha com todos vós.

Levantai suavemente o meu casaco
dos seus ombros.

"59 Canções de Amor E Ódio E Um Poema Sobre Portugal", Leonard Cohen, Fenda/Centelha, 1985, 128 págs.

terça-feira, 22 de julho de 2008

HALLELUJAH, MR. COHEN


Há longo tempo, Mr. Ié-Ié lançou, no blogue, um desafio para que falassem de concertos a que tivessem assistido. O convite teve pouca ou nenhuma aceitação (eu falo! - nota do editor).

Por mim, que não sou de concertos, desafiei amigos, gente que não perde um concerto, que guarda religiosamente os bilhetes ao longo da vida, que vai dizendo “eu estive lá”, mas que não consegue escrever uma meia dúzia de linhas sobre o que viram, o que ouviram.

As vezes que lhes lembro o exemplo do Sr. Júlio Magalhães, pivot da TVI, que, como qualquer pivot de telejornal que se preze, tem livros publicados, (“isto agora não há cão nem gato que não escreva um livro”) e que, no lançamento do seu último livro “Os Retornados. Um amor Nunca se Esquece”, enfatizou à Agência Lusa: "escrever é um acto natural, toda a gente pode escrever livros, quem escreve uma mensagem num telemóvel também pode escrever um livro”.

Como o Leonard Cohen se aprestava para cantar em Lisboa, perguntei ao Abílio José, sabendo-o um incondicional, que me mandara o bilhete do último concerto do Cohen, em Lisboa, perguntei-lhe se ia ao Passeio Marítimo de Oeiras. Lançou-me um rotundo não! Que Cohen não é para aquele tipo de espaços, do mesmo modo que se recusaria a ver o Bruce Springsteen no Teatro Maria Matos.

Com uns fininhos pelo meio, dispôs-se a falar de Leonard Cohen.

Tudo começou depois de ter lido, em princípios de 1976, um livro de Manuel Cadafaz Matos, avançou depois para os discos e foi um amor à primeira audição. Gostou de saber que na Festa de “L’Humanité”, no Verão de 1974, saudou a multidão com um “Olá camaradas e espiões” e agora soube, através do Sr. Pedro Mexia, que Cohen sempre utilizou as mais variadas estratégias de sedução: uma vez até se inscreveu no Partido Comunista do Canadá, apenas porque estava interessado numa camarada.

Daí ninguém conseguir apurar se Cohen precisava de amar as mulheres para escrever canções, se as escrevia em vez de amá-las. À Nico, à Suzanne, à Marianne, à Nancy, à Jane – quantas mais? – terá sempre perguntado se eram “professoras do coração”.

Para o Abílio José, um homem que escreve canções lindíssimas, que as canta com um sentimento profundo, uma voz lenta, arrastada por 50 mil cigarros, que gosta de vinho e de mulheres, é alguém que dá gosto acompanhar para sempre, “como um pássaro num fio pousado, como um bêbado num coro nocturno eu tentei a meu modo ser livre".

O Abílio pergunta-me: “Sabes como o Cohen se tornou poeta?” O meu silêncio fê-lo avançar: “porque um dia leu um livro de Federico Garcia Lorca e percebeu o que era a poesia e foi tal a influência que decidiu chamar Lorca Sarah Cohen à primeira filha. Lindo, meu caro, mesmo lindo".

Pergunto ao Abílio quais as canções de Cohen a levar para a tal ilha deserta. “Todas, mesmo todas, mas “Famous Blue Raincoat” é genial, plena obra-prima, uma canção de outro planeta.

"Rapaz, a coisa é de tal ordem que um dia comprei o LP “The Songs of Leonard Cohen” da Jennifer Warnes, que é uma moça que fazia coros nos discos do Cohen e também nos espectáculos ao vivo e, com a ajuda do Garrudo, dois gira-discos e um misturador, fiz uma cassette de 60 minutos com os dois a cantar o “Famous Blue Raincoat” e a cassette termina com cada uma a cantar, em sobreposição, com o Cohen a arrancar segundos antes da Jenniffer. Aliás chegaste a ouvir, mas a marada da Marisa deu cabo da fita no leitor do carro. Só a tiro!”

Agora, que o Abílio José já foi embora, que ninguém nos ouve, posso dizer que se alguém me pedisse para escrever algo sobre o Cohen, também não saberia o quê e como. Só sei ouvi-lo.

Take this waltz and dance to the end of love.

Depoimento recolhido por Gin-Tonic