Mostrar mensagens com a etiqueta John Phillips. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta John Phillips. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 22 de março de 2010

PUSSYCAT


VARÈSE SARABANDE - 302 066 903 2 - 2008

Wilderness Of Love - 2001 - Oh Virginia - Mr. Blue - She's Just 14 - Zulu Warrior - Pussycat - Sunset Boulevard - Very Dread - Susa, Susan - Time Machine (Cutting Akead) - Feather Your Nest - Don't Turn Back Now (World's Greatest Dancer) - Liar, Liar - Hello Mary Lou (instrumental)

O disco foi parcialmente produzido por Mick Jagger e Keith Richards, tendo John Phillips sido o primeiro artista da Rolling Stones Records.

Tudo começou num Verão de 1976, em Londres, com Mick Jagger apaixonado pelas ideias musicais de John Phillips. Daí à gravação do disco foi um pequeno passo, o pior foi o resto.

De início, a excitação era grande.

Por exemplo, na gravação de "Zulu Warrior", uma canção anti-apartheid inspirada pela mulher de Phillips, a sul-africana Genevieve Waite, participaram, entre outros, Ron Wood, Mick Taylor, Keith Richards e Mick Jagger, pela primeira vez desde a saída de Taylor dos Stones, e ainda Reebop Kwaku Baah, dos Traffic, Laura Mackenzie Phillips, Michèlle Phillips e Jean Rousell, músico de Cat Stevens, Donovan e Bob Marley.

Uma festa! A droga depois deu cabo de tudo...

Para dizer a verdade, ainda não percebi se as canções constantes deste CD foram alguma vez editadas em vinil. Da leitura do inlay e de uma rápida consulta na Wikipedia, não me parece, mas...

Por isso chamam a este conjunto de canções, interessantes sem serem instigantes, the lost album.

Em Setembro do ano passado, a filha de John, Laura Mackenzie, acusou o pai de relações incestuosas - escreveu mesmo um livro, "High On Arrival" - mas muita gente do círculo familiar negou as alegações.

Vai-se lá saber onde está a verdade...

sexta-feira, 5 de março de 2010

CALIFORNIA DREAMIN'


MCA - MCD 30113 - 1992

Eve Of Destruction - You Never Had It So Good - The Sins Of A Family - Try To Remember (T. Jones/H. Schmidt) - Ain't No Way I'm Gonna Change My Mind - What Exactly'r The Matter With Me - This Precious Time - California Dreamin' (John Phillips/M William) - Let Me Be - Upon A Painted Ocean - I'd Have To Be Outa My Mind - Child Of Our Times - Cloudy Summer Afternoon (T. Edmonson) - Inner-Manipulations (Barry McGuire/P Potash) - Secret Saucer Man (Barry McGuire/P Potash) - Top O'The Hill (Smith/Volk/Levin) - There's Nothin' Else On My Mind (E Pistilli/P Cashman) - Hang On Sloopy (B Russell/W Farrell)

Adquirido em Amesterdão no dia 09 de Abril de 1994 por 29,95 florins (13,60 euros).

Aqui se conta o que se diz ser a verdadeira história de "California Dreamin'".

"California Dreamin'" era para ter sido o segundo single de Barry McGuire depois do êxito inesperado de "Eve Of Destruction".

Barry McGuire tinha conseguido "California" do seu velho amigo John Phillips que liderava a banda Journeyman, quando McGuire estava nos Christys.

Os Mamas and Papas estavam entretanto a aparecer e obviamente sedentos para gravar.

Foi então que John Philips perguntou a Barry McGuire se conhecia algum produtor, tendo recebido como resposta Lou Adler que acabou por ficar com um olhinho na loura, Michelle Phillips.

E foi assim que os Mamas and Papas acabaram por ser a vocal band de Barry McGuire no seu segundo álbum, "This Precious Time" (1966), que incluía "California Dreamin'".

A coisa correu tão bem, que John Phillips solicitou a Barry McGuire a devolução da canção para que pudesse ser editada como primeiro single dos Mamas and Papas.

Barry McGuire obviamente que acedeu, tendo a sua voz sido retirada da canção (com excepção de um nico no início) e substituída pela de Denny Doherty. Incluiu-se também a flauta de Bud Shank, titando-lhe a harmónica. O resto ficou igual.

E o resto é história...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

6º EP DO CONJUNTO ACADÉMICO JOÃO PAULO (1967)


COLUMBIA - SLEM 2269 - 1967

Poema De Um Homem Só (Sérgio Borges) - Monday, Monday (John Phillips) - Oásis (A. Mateus/João Paulo/Carlos Alberto) - When A Man Loves A Woman (Lewis/Wright)

Em plena "tournée" por África e precisamente no caminho de Porto Alexandre para Moçâmedes, João Paulo e Carlos Alberto, inspirados no passeio que tinham dado pelo deserto, chegaram ao hotel e no piano instalado na sala, compuseram "Oásis".

O arranjo, feito pelo Conjunto, processou-se mais tarde na Escola Prática de Infantaria, em Mafra.

A letra tem a particular curiosidade de ter sido feita por um senhor oficial que, assistindo a alguns dos seus ensaios e apaixonando-se pela melodia, se inspirou e, sem que eles dessem por isso, apresentou-lhes o seu trabalho.

Pela primeira vez, numa composição de sua autoria, admitiram letra de um estranho, só porque reconhecram nema um poema extraordinário.

Quanto ao "Poema De Um Homem Só", já composto há mais de um ano, com letra e música de Sérgio, considero um dos melhores trabalhos do Conjunto, se não o melhor.

Destinava-se a concorrer ao Festival da Eurovisão de 67. Tinha uma fé extraordinária nesta composição, guardada religiosamente para o efeito, motivo por que, antes, não fôra gravada, mas um imprevisto de última hora (uma simples falta de tempo de Sérgio, motivada por afazeres militares), proibiu a entrega do trabalho na manhã do passado dia 10 de Dezembro de 1966, data em que expirava o prazo da mesma.

Seria esta a grande canção que poderia representar Portugal em 1967?

No Carnaval do Monumental, Sérgio submeteu-se à apreciação do público e "ele" disse-lhe, frenèticamente... SIM! Aqui fica uma sugestão.

Esperemos que o público e a crítica se pronunciem. Eu... continuo com imensa fé.

Quanto a "Monday, Monday" e "When A Man Loves A Woman", foram gravados por terem constituído enorme êxito nos úlrimos espectáculos, quer pelo seu arranjo, quer pela sua interpretação.

No seu primeiro disco, que Henrique Mendes muito bem apresentou, dizia o famoso locutor que todos cortavam o cabelo. Continuam na mesma, agora num "curto" quási à inglesa de outros tempos.

Aproveito o ensejo para vos apresentar o sonoplasta Luís Rogério, a quem cabe a responsabilidade do jogo de luzes nos espectáculos, que por favor do público, têm dado muito que falar e que, por acaso, também corta o cabelo... sim, porque como sabem, estão todos na tropa.
Texto de José Farinha na contracapa do disco

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

WHAT’S THE DIFFERENCE, SCOTT McKENZIE…?


In 1969 I was following the sun
On my highway of enemies and friends
Just hoping that I might see the grave eastern line
Before the time came for me to meet my end


1969/Scott McKenzie

Em minha opinião pessoal, há umas semanas atrás tratou-se aqui muito mal Scott Mckenzie (SM)…. Insurgi-me logo na altura, embora sem tempo para ir muito mais longe na defesa da “minha dama”. Voltarei hoje à carga, para repor aquilo que considero ser uma injustiça…

Aviso, desde já, que não tenho espírito “missionário” e não desejo converter ninguém. Não tenho, também, qualquer problema em ficar sozinho a agitar as bandeiras de quem gosto.. Ao longo dos tempos, isso sempre me deu, até, um certo gozo.

Entristeceu-me, em boa verdade, que num “blog” em que se passeia tanta gente que sabe mais de música a dormir do que eu acordado, se insista na tecla do “one hit wonder” cada vez que se fala em SM. Não é a afirmação em si que me preocupa, porque a análise objectiva das tabelas dos diversos “hit parade” documenta-o sem margem para grandes dúvidas. O que me preocupa é o tom depreciativo que vem associado a essa expressão, como quem diz: “coitado, fez o San Francisco e nunca conseguiu fazer mais nada”… O que me preocupa é, também, a demasiada importância dada aos “hits” enquanto barómetro de qualidade, que está subjacente a essa expressão. Se na minha colecção eu tivesse de guardar apenas os “hits” à escala planetária, seria obrigado a desfazer-me de 95% dos meus discos…

Gosto muito de SM. Da sua voz, da sensibilidade e emoção que imprime a muitas das suas interpretações. Para além de “San Francisco”, tenho a profunda convicção de que SM compôs e/ou interpretou excelentes canções. “Like an Old Time Movie”, também escrita por John Phillips é magnífica, e para mim mesmo superior a “San Francisco”. “What’s the Difference”, composta pelo próprio Scott, é belíssima (refiro-me ao Chapter II, que prefiro ao Chapter I…). Gosto muito do primeiro LP de Scott, “The Voice of Scott McKenzie” (1967), no qual interpreta também músicas de Tim Hardin, Donovan e John Sebastian.

Se rebobinarmos um bocadinho o filme até ao início dos anos 60, vamos encontrar SM (que na realidade se chamava Philip Blondheim…), já ao lado de John Phillips, num grupo que se chamava “The Smoothies”, cuja única gravação que conheço (“Ride, Ride, Ride”) é a que consta da colectânea “Stained Glass Reflections 1960 – 1970) que aqui vos apresento. Mas um ano depois ele já integrava os “The Journeymen”, sempre ao lado de Phillips e, agora, de Dick Weissman, um dos maiores “guitar and banjo players” desses tempos.

“The Journeymen”, cuja obra (3 LP’s) está inteiramente disponível em CD, foram um dos mais interessantes grupos “Pop Folk” que surgiram nos EUA no início dos anos 60, em busca do El Dorado que o mega-sucesso dos Kingston Trio tinha deixado antever. A selecção musical, os arranjos e as harmonias vocais tão do gosto de John Phillips são excelentes, e é bem patente a contribuição de SM para que esse nível de qualidade tivesse sido atingido. Chamo, também, a atenção para a extrema beleza das canções onde Scott é “lead singer”, como é o caso, para vos dar só um exemplo, de “500 Miles”, um original da Eddy West.

Mas se eram assim tão bons, porque é que os “Journeymen” acabaram, perguntar-me-ão vocês… Porque os malvados quatro cabeleiras do Apocalipse rebentaram com tudo o que estava à sua volta e, em particular, com a Folk Music daqueles tempos , responder-vos-ei eu…

Retomando de novo o filme onde o deixei, lembro que Scott McKenzie reagiu muito mal ao sucesso de “San Francisco” e, em especial, ao fortíssimo impacto social que essa música teve. Nunca se conformou com o facto de dezenas de milhares de hippies terem debandado SF, em condições de qualidade de vida deploráveis e à procura não se sabe bem de quê, só por terem sentido um apelo na sua canção. Referia-se a esse movimento, em tom depreciativo, por “that flower power nonsense”… Zangou-se a sério com John Phillips por este o ter metido nessa alhada e por desejar continuar a empurrá-lo cada vez mais para baixo, desde que isso lhe fizesse aumentar a conta bancária. Esteve 16 anos sem lhe falar…

Por esta altura (1967/68), SM esteve muito próximo da depressão. É que, quanto mais se procurava afastar dessa imagem de hippie e dessa música, mais as multidões o puxavam para lá. E Scott não foi feito para ser uma “superstar”…

Na já aqui referida “What’s the Difference”, Scott escreveu algo que me parece premonitório do que lhe iria suceder no resto da vida:

Hey what’s the difference if we don’t come back?
Who’s gonna miss us in a year or so?
Nobody knows us for the things we’ve been thinking
So what’s the difference if we go?

E Scott partiu. Refugiou-se numa cabana no deserto durante quase dois anos e regressou de lá com um punhado de belas canções que iriam dar origem ao seu segundo LP, “Stained Glass Morning” (1970), a que ninguém deu grande importância, com a provável excepção de Johnny Rivers, que escolheu “1969” para o seu álbum de que eu mais gosto, “Slim Slo Slider”, mudando-lhe o nome para “Enemies and Friends”.

“Stained Glass Morning” não é nenhuma pérola escondida da Música Popular. Mas é um álbum profundamente honesto, de qualidade claramente acima da média, que não merecia ter sido recebido com o desprezo com que o foi. Scott afastou-se das tonalidades “Pop” desses tempos e refugiou-se num registo aqui e além mais próximo das suas origens de “folk singer”. As letras são carregadas de significado (“Dear Sister”, por exemplo, é um belíssimo libelo anti-Vietnam), os arranjos discretos, mas eficazes, e Scott teve a acompanhá-lo em estúdio músicos de grande qualidade, como é o caso de Ry Cooder, Rusty Young e Barry McGuire. E poucos se podem orgulhar de terem sido plagiados por Leonard Cohen (é claro que estou a brincar, mas “Crazy Man” tem partes que se assemelham perigosamente de “Everybody Knows”, que Cohen escreveu mais de vinte anos depois…)…

Scott McKenzie percebeu então, de uma vez para todas, que, fizesse ele de bom o que fizesse, tinha um letreiro na testa que o iria marcar para sempre. Desiludido, refugiou-se em Virgínia Beach e afastou-se da música durante mais de 10 anos. Voltaria só em meados dos anos 80, integrado numa nova formação dos “Mamas & Papas”, que incluía o original Denny Doherty, Spanky McFarlane e McKenzie Phillips, filha de John e a quem Scott tinha roubado o nome vinte e cinco anos antes…

Tive muita pena de não ter podido ir vê-lo ao Casino do Estoril nessa altura, e não o censuro por ter querido divertir-se e ganhar uns cobres, embarcando nessa aventura a que toda gente torceu o nariz. Foi um percursor….. Não é isso que os “velhotes” todos estão a fazer, nos dias de hoje…?

Se um dia houver uma onda revivalista séria dos Mamas & Papas, como a houve com os Beach Boys e os manos Wilson, talvez que o “tontinho de San Francisco” possa vir a ser “reabilitado”, como bem o merece. Caso contrário, e se nem sequer os seus contemporâneos conhecedores da Música lhe ligam patavina….

What’s the difference, Scott McKenzie…?

Colaboração de Luís Mira