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sábado, 26 de abril de 2014
quinta-feira, 23 de maio de 2013
MORREU GEORGES MOUSTAKI
O cantor francês de origem grega Georges Moustaki, um dos reconhecidos nomes da canção francesa, muito popular em Portugal no post-25 de Abril, morreu hoje aos 79 anos, em Nice, revelou a agência Lusa, citando o jornal "Le Monde".
Nascido em Alexandria, no Egipto, filho de pais gregos, Moustaki tinha-se retirado dos palcos em 2009, na sequência de um cancro nos brônquios.
Considerado uma das vozes do Maio de 68, Georges Moustaki actuou em Portugal em 2008 na Casa da Música, no Porto, e no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.
Ler aqui crítica de José Forte.
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
POUR TOI ARMENIE
EMI - 2023087 - edição portuguesa (1989)
Pour Toi Arménie (Charles Aznavour/Garvarentz) - Ils Sont Tombés (Charles Aznavour/Garvarentz)
Duas portuguesas neste disco de solidariedade: Linda de Suza e Marie Myriam.
sábado, 4 de junho de 2011
POETAS EM NOVA IORQUE
CBS - 450286-1 - edição espanhola (1986)
Cara 1
Take This Waltz (Leonard Cohen) - Els Negres (Norma I Paradis) (Luís Llach) - Grido A Roma (Angelo Branduardi) - Nacimiento de Cristo (Victor Manuel) - Tu Infancia en Mentón (Davis Broza) - Asesinato (Paco de Lucia y Pepe de Lucia)
Cara 2
A Aurora (Raimundo Fagner y Chico Buarque) - Son de Negros de Cuba (George Moustaki y Mikis Theodorakis) - Unsleeping City (Donovan) - Kleines Unendliches Gedicht (Manfred Maurenbrecher) - Oda A Walt Whitman (Patxi Andión)
Cara 1
Take This Waltz (Leonard Cohen) - Els Negres (Norma I Paradis) (Luís Llach) - Grido A Roma (Angelo Branduardi) - Nacimiento de Cristo (Victor Manuel) - Tu Infancia en Mentón (Davis Broza) - Asesinato (Paco de Lucia y Pepe de Lucia)
Cara 2
A Aurora (Raimundo Fagner y Chico Buarque) - Son de Negros de Cuba (George Moustaki y Mikis Theodorakis) - Unsleeping City (Donovan) - Kleines Unendliches Gedicht (Manfred Maurenbrecher) - Oda A Walt Whitman (Patxi Andión)
Reconhece que, ultimamente, tem vindo a colocar um dedal a mais na dose de gin, contrariando o que a cardiologista lhe vem dizendo, se é que um dia não quer mesmo deixar de ver estrelas.
Acontece que esse dedal, ao contrário do que acontece ao Joe Gould, não lhe tem ligado a bomba da memória.
Talvez por isso, ou coisa que o valha, este disco, que já há séculos deveria ter entrado porta-ié-ié-dentro, só agora dele se lembrou, porque gente de muito e excelente gosto, algures, atribuiu a Leonard Cohen o “Prémio Príncipe das Astúrias”.
Este lindíssimo “Poetas En Nueva York” é um trabalho, publicado em 1986, por ocasião dos 50 anos do assassinato, pelo franquismo, do poeta Federico Garcia ;Lorca, e onde uma série de bonita e excelente rapaziada, presta tributo ao poeta.
Todos os poemas cantados são de Lorca e Leonard Cohen não poderia faltar ao encontro.
Cohen contou um dia:
Tinha estudado poesia na escola, mas foi só quando, acidentalmente, dei de caras com um livro de Lorca que percebi o que era a poesia. Tocou-me tão fundo, que a partir desse momento, percebi o que queria ser: poeta. Quando a minha filha nasceu resolvi chamar-lhe Lorca. Lorca Sarh Cohen. Ele teve a mais profunda influência na minha vida e na minha carreira.
Leonard Cohen canta “Take This Waltz" versão inglesa de “Pequeño Vals Vienés”.
Outras participações:
Lluis Llach, Angelo Branduardi, Victor Manuel, David Broza, Paco de Lucia Y Pepe de Lucia, Raymundo Fagner e Chico Buarque, George Moustaki e Mikis Theodorakis, Donovan, Manfred Maurenbrecher, Patxi Andion.
A beleza da capa deve-se a Eduardo Urculo e, segundo a etiqueta da “Discoteca Universal”, custou-lhe 1.320$00.
Se estiverem para aí virados, e ele pensa que o devem fazer, existe uma edição em compacto disco.
Take this waltz, take this waltz
It's yours now. It's all that there is.
Colaboração de Gin-Tonic
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
terça-feira, 11 de novembro de 2008
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
TES GESTES
POLYDOR - 2056 028 - edição francesa
Tes Gestes (Georges Moustaki) - Je Voudrais Pas Crever (Boris Vian-J. Datin)
"Tes Gestes", de Georges Moustaki, mas na interpretação de Serge Reggiani, é uma das canções da minha vida!
Comprei este disco no dia 14 de Fevereiro de 1973, às 19H40, e estava a chover. Na contracapa do disco transcrevi também:
Das minhas mãos renasce a nossa vida
e sei que posso falar-te a toda a hora.
Basta cantar para possuir-te
és o sítio onde o canto se demora:
estou a inventar-te e a destruir-te
agora, agora.
Quant tu sort du bain
Tu caches ta poitrine
Dans la paume des mains
Les hanches insolentes
À chaque mouvement.
Tes Gestes (Georges Moustaki) - Je Voudrais Pas Crever (Boris Vian-J. Datin)
"Tes Gestes", de Georges Moustaki, mas na interpretação de Serge Reggiani, é uma das canções da minha vida!
Comprei este disco no dia 14 de Fevereiro de 1973, às 19H40, e estava a chover. Na contracapa do disco transcrevi também:
Das minhas mãos renasce a nossa vida
e sei que posso falar-te a toda a hora.
Basta cantar para possuir-te
és o sítio onde o canto se demora:
estou a inventar-te e a destruir-te
agora, agora.
Quant tu sort du bain
Tu caches ta poitrine
Dans la paume des mains
Les hanches insolentes
À chaque mouvement.
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Serge Reggiani
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
SERGE REGGIANI
DISQUES JACQUES CANETTI 261.013 - edição francesa
Ma Liberté (Georges Moustaki) - Paris Ma Rose - Le Déserteur (Boris Vian) - Maxims (Serge Gainsbourg)
Ma Liberté (Georges Moustaki) - Paris Ma Rose - Le Déserteur (Boris Vian) - Maxims (Serge Gainsbourg)
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Serge Gainsbourg,
Serge Reggiani
domingo, 19 de outubro de 2008
terça-feira, 20 de maio de 2008
OS ÊXITOS DE GEORGES MOUSTAKI
POLYDOR - 810 997-1 - edição portuguesa (1983)
Face A
Le Meteque (versão portuguesa) (Georges Moustaki/Nara Leão) - Sarah - Ma Liberté - Esperance (Nos Enfants) - Votre Fille A 20 Ans
Face B
Chanson Pour Elle - Joseph (versão portuguesa) (Georges Moustaki/Nara Leão) - Les Amis De Georges - Adolescence - Portugal (Georges Moustaki/Chico Buarque/Ruy Guerra)
"Chanson Pour Elle" é do outro Mundo!!!
Face A
Le Meteque (versão portuguesa) (Georges Moustaki/Nara Leão) - Sarah - Ma Liberté - Esperance (Nos Enfants) - Votre Fille A 20 Ans
Face B
Chanson Pour Elle - Joseph (versão portuguesa) (Georges Moustaki/Nara Leão) - Les Amis De Georges - Adolescence - Portugal (Georges Moustaki/Chico Buarque/Ruy Guerra)
"Chanson Pour Elle" é do outro Mundo!!!
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Chico Buarque de Hollanda,
Georges Moustaki
segunda-feira, 19 de maio de 2008
MOUSTAKI NO PORTO
Que significado poderá ter, ouvir, em 2008, canções com 40 anos, cantadas pelo seu autor original que, entretanto, sofreu o desgaste do tempo, no físico e na voz que deixou gravada para sempre, nos discos que foi publicando e que marcaram a nossa memória?
Tem um significado especial e particular, de homenagem ao mérito e ao génio de nos entregar, de viva voz, as memórias ainda presentes do tempo que ainda é o nosso.
No caso de Georges Moustaki, cantor de Alexandria, fixado em França, com grande catálogo musical, nos anos sessenta, companheiro dos grandes da “chanson française” dessa época que nos legou a música de Brassens, Regianni, Ferré e Ferrat, a expectativa era relativamente condescendente. A condescendência natural, com uma pessoa que conta já 74 anos e perdeu alguma vivacidade no timbre da voz bem marcada.
A expectativa, no concerto do Porto, no passado dia 17, na Casa da Música, prendia-se com a esperança de ouvir por uma última vez, ao vivo, uma das vozes que emprestou ao romantismo da adolescência e até da idade adulta, as canções, as letras e as músicas do amor apaixonado, até ao mais profundo do indizível.
Moustaki, tal como outros magos da música cantada, sabe usar as palavras para mostrar os sentimentos mais profundos do género humano, em condição de dependência amorosa, em tonalidades subtis e transcendentes, por vezes. A voz, a música e as palavras, em Moustaki, assumem frequentemente a natureza perfeita das mais acabadas canções de amor.
Por isso, ouvir Moustaki, na Casa Música, significava tentar roubar ao tempo aquilo que o mesmo já não pode dar: reviver uma felicidade tal como a encontramos um dia.
Rui Veloso, numa das suas melhores canções descreve o drama: “nunca voltes ao lugar onde já foste feliz”. Nas canções, é um pouco o mesmo. Não se revive a intensidade de uma paixão, apenas a ouvir a banda sonora desse estado arrebatado. Nem seria saudável, para o equilíbrio psicológico, reviver com a mesma intensidade, o que desgasta e corrompe a razão, mesmo dando sentido à vida e à existência.
Talvez por isso, a memória, impele-nos a tentar e a pregar uma partida ao tempo. Foi esse o espírito da empreitada, até porque a própria paixão é algo de insuportável em permanência de sentimento. A tranquilidade do que segue, é sempre mais aprazível e calma que a ebulição dos sentimentos em catadupa.
Moustaki, com aparência de um envelhecimento precoce, para os seus 74 anos de idade, movimenta-se no palco com a desenvoltura natural de um artista distinto.
A sala Suggia, da Casa da Música, apresenta-se num ambiente propício a aceitar o que vai no palco, muito bem colocado e, neste caso, emoldurado por um salão quase cheio de cultores dos mesmos sentimentos e gostos musicais.
A introdução, num português aceitável, compreende-se: dois dos músicos, são de ascendência brasileira; a acompanhante feminina nas vozes em contraponto é uma portuguesa de Paris. Moustaki, promete uma viagem no tempo: no passado, presente e futuro.
A apresentação do músico, faz-se pelos quatro músicos que o acompanham. De cinzento, entram na penumbra e pegam nos instrumentos, no tempo de permitirem a entrada de Moustaki, de branco, combinando com os cabelos e barba e arrancando logo uma estrondosa salva de palmas dos que o esperavam assim, tal e qual.
No começo, declara "L´état de bonheur permanent", a cantar e a tocar viola acústica, acompanhado por outra viola acústica, uma secção rítmica de bateria e baixo e ainda um elemento para o acordeão e a melódica, em sopro.
E a música recomeça, com uma imersão no passado longínquo, de "Ma Liberté". A voz é uma surpresa para quem a esperava uma desilusão. O timbre mantém-se com uma diminuição notória na força de impacto que se escuta nos discos, assim como a facilidade de expressão e dicção perfeita que é apanágio das canções de Moustaki.
Em seguida, uma outra que poderia ser "Joseph", introduzida num canto em português do Brasil, na versão de Nara Leão: "Então meu velho José..." e os aplausos rendem-se à beleza da composição clássica do cantor. Que retoma a letra original que muitos conhecem e cantam de cor.
A seguir, embora pudesse ser antes, o êxito de sempre: "Le Métèque". O meteco Moustaki que se designa como vagabundo do mundo e conquista a audiência em pequenas frases introdutórias das canções, conseguindo uma simbiose notável com o público ouvinte, ao ponto de parecer um concerto de intimidade numa sala de estar.
Logo a seguir, um êxito inesperado: "Portugal". Na introdução, Moustaki fala-nos da canção de Chico Buarque e do 25 de Abril, com uma estrofe cantada em português. E prossegue em tom brasileiro, pedindo emprestado a Luíz Gonzaga o sucesso de sempre que é "Asa Branca", aproveitando para apresentar os músicos brasileiros e tecer loas à música do nosso país irmão e mencionar Zélia Gattai que morreu mesmo nesse dia.
Num tom de nostalgia romântica, "Sans la nommer", evoca “la fleur de mai au fruit sauvage”, para terminar na menção equívoca à “revolution permanente”, num romantismo revolucionário inconsequente, mas de efeito seguro na audiência que aplaude vivamente, a memória do tempo passado e das ilusões perdidas.
E encadeia a canção seguinte, num dos seus êxitos mais melódicos: "Gaspard". Incita o público à participação nos "la la la la" e consegue a adesão imediata da boa vontade dos cantores de ocasião, o que vai acontecendo ao longo do espectáculo.
Engata depois em "Le Temps de Vivre" que é outro monumento ao romantismo. Mesmo sem secção de cordas, a voz e a guitarra são suficientes para pronunciar a palavra “mon amour” que derrete a memória do tempo.
E é nesse estado de espírito que entra em "La Solitude", um dos cúmulos da poesia e da música de Moustaki: “pour avoir si souvain dormi, avec ma solitude, je m´en suis fait preque une amie, une douce habitude. Elle ne me quitte pas d´un pas, fidèle comme une ombre, elle me suit ça et lá, aux quatre coins du monde” .
Nesta altura, os presentes, rendiam-se completamente ao cantor, de voz diminuída, de presença frágil, mas de memórias fortes como rochas de mar.
Moustaki, ainda cantou outras e encantou até com duas ou três novas composições, para terminar com a balada de Sacco e Vanzetti, acompanhada pela audiência definitivamente conquistada pelo charme do cantor e pelo profissionalismo do seu espectáculo, com uma grande dose de empatia para com o público presente.
No final, mais um encore: uma canção de Piaf. "Milord". Com aplausos de pé e contentamento geral. Um grande show de um grande cantor da chanson française.
Comme c'était bien, Monsieur Moustaki.
Colaboração de José Forte
Tem um significado especial e particular, de homenagem ao mérito e ao génio de nos entregar, de viva voz, as memórias ainda presentes do tempo que ainda é o nosso.
No caso de Georges Moustaki, cantor de Alexandria, fixado em França, com grande catálogo musical, nos anos sessenta, companheiro dos grandes da “chanson française” dessa época que nos legou a música de Brassens, Regianni, Ferré e Ferrat, a expectativa era relativamente condescendente. A condescendência natural, com uma pessoa que conta já 74 anos e perdeu alguma vivacidade no timbre da voz bem marcada.
A expectativa, no concerto do Porto, no passado dia 17, na Casa da Música, prendia-se com a esperança de ouvir por uma última vez, ao vivo, uma das vozes que emprestou ao romantismo da adolescência e até da idade adulta, as canções, as letras e as músicas do amor apaixonado, até ao mais profundo do indizível.
Moustaki, tal como outros magos da música cantada, sabe usar as palavras para mostrar os sentimentos mais profundos do género humano, em condição de dependência amorosa, em tonalidades subtis e transcendentes, por vezes. A voz, a música e as palavras, em Moustaki, assumem frequentemente a natureza perfeita das mais acabadas canções de amor.
Por isso, ouvir Moustaki, na Casa Música, significava tentar roubar ao tempo aquilo que o mesmo já não pode dar: reviver uma felicidade tal como a encontramos um dia.
Rui Veloso, numa das suas melhores canções descreve o drama: “nunca voltes ao lugar onde já foste feliz”. Nas canções, é um pouco o mesmo. Não se revive a intensidade de uma paixão, apenas a ouvir a banda sonora desse estado arrebatado. Nem seria saudável, para o equilíbrio psicológico, reviver com a mesma intensidade, o que desgasta e corrompe a razão, mesmo dando sentido à vida e à existência.
Talvez por isso, a memória, impele-nos a tentar e a pregar uma partida ao tempo. Foi esse o espírito da empreitada, até porque a própria paixão é algo de insuportável em permanência de sentimento. A tranquilidade do que segue, é sempre mais aprazível e calma que a ebulição dos sentimentos em catadupa.
Moustaki, com aparência de um envelhecimento precoce, para os seus 74 anos de idade, movimenta-se no palco com a desenvoltura natural de um artista distinto.
A sala Suggia, da Casa da Música, apresenta-se num ambiente propício a aceitar o que vai no palco, muito bem colocado e, neste caso, emoldurado por um salão quase cheio de cultores dos mesmos sentimentos e gostos musicais.
A introdução, num português aceitável, compreende-se: dois dos músicos, são de ascendência brasileira; a acompanhante feminina nas vozes em contraponto é uma portuguesa de Paris. Moustaki, promete uma viagem no tempo: no passado, presente e futuro.
A apresentação do músico, faz-se pelos quatro músicos que o acompanham. De cinzento, entram na penumbra e pegam nos instrumentos, no tempo de permitirem a entrada de Moustaki, de branco, combinando com os cabelos e barba e arrancando logo uma estrondosa salva de palmas dos que o esperavam assim, tal e qual.
No começo, declara "L´état de bonheur permanent", a cantar e a tocar viola acústica, acompanhado por outra viola acústica, uma secção rítmica de bateria e baixo e ainda um elemento para o acordeão e a melódica, em sopro.
E a música recomeça, com uma imersão no passado longínquo, de "Ma Liberté". A voz é uma surpresa para quem a esperava uma desilusão. O timbre mantém-se com uma diminuição notória na força de impacto que se escuta nos discos, assim como a facilidade de expressão e dicção perfeita que é apanágio das canções de Moustaki.
Em seguida, uma outra que poderia ser "Joseph", introduzida num canto em português do Brasil, na versão de Nara Leão: "Então meu velho José..." e os aplausos rendem-se à beleza da composição clássica do cantor. Que retoma a letra original que muitos conhecem e cantam de cor.
A seguir, embora pudesse ser antes, o êxito de sempre: "Le Métèque". O meteco Moustaki que se designa como vagabundo do mundo e conquista a audiência em pequenas frases introdutórias das canções, conseguindo uma simbiose notável com o público ouvinte, ao ponto de parecer um concerto de intimidade numa sala de estar.
Logo a seguir, um êxito inesperado: "Portugal". Na introdução, Moustaki fala-nos da canção de Chico Buarque e do 25 de Abril, com uma estrofe cantada em português. E prossegue em tom brasileiro, pedindo emprestado a Luíz Gonzaga o sucesso de sempre que é "Asa Branca", aproveitando para apresentar os músicos brasileiros e tecer loas à música do nosso país irmão e mencionar Zélia Gattai que morreu mesmo nesse dia.
Num tom de nostalgia romântica, "Sans la nommer", evoca “la fleur de mai au fruit sauvage”, para terminar na menção equívoca à “revolution permanente”, num romantismo revolucionário inconsequente, mas de efeito seguro na audiência que aplaude vivamente, a memória do tempo passado e das ilusões perdidas.
E encadeia a canção seguinte, num dos seus êxitos mais melódicos: "Gaspard". Incita o público à participação nos "la la la la" e consegue a adesão imediata da boa vontade dos cantores de ocasião, o que vai acontecendo ao longo do espectáculo.
Engata depois em "Le Temps de Vivre" que é outro monumento ao romantismo. Mesmo sem secção de cordas, a voz e a guitarra são suficientes para pronunciar a palavra “mon amour” que derrete a memória do tempo.
E é nesse estado de espírito que entra em "La Solitude", um dos cúmulos da poesia e da música de Moustaki: “pour avoir si souvain dormi, avec ma solitude, je m´en suis fait preque une amie, une douce habitude. Elle ne me quitte pas d´un pas, fidèle comme une ombre, elle me suit ça et lá, aux quatre coins du monde” .
Nesta altura, os presentes, rendiam-se completamente ao cantor, de voz diminuída, de presença frágil, mas de memórias fortes como rochas de mar.
Moustaki, ainda cantou outras e encantou até com duas ou três novas composições, para terminar com a balada de Sacco e Vanzetti, acompanhada pela audiência definitivamente conquistada pelo charme do cantor e pelo profissionalismo do seu espectáculo, com uma grande dose de empatia para com o público presente.
No final, mais um encore: uma canção de Piaf. "Milord". Com aplausos de pé e contentamento geral. Um grande show de um grande cantor da chanson française.
Comme c'était bien, Monsieur Moustaki.
Colaboração de José Forte
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