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terça-feira, 26 de agosto de 2014

FESTIVAL DOS SALESIANOS


"A Capital", 26 de Agosto de 1970

Ele há coisas...

À hora a que os leitores de "A Capital" liam o vespertino, já provavelmente a Polícia de Choque tinha carregado sobre quem se preparava para assistir e participar no Festival organizado por José Cid.

Ver mais informação aqui.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

FESTIVAL DOS SALESIANOS (NÃO) FOI HÁ 43 ANOS


O abortado Festival dos Salesianos (não) foi há 43 anos, neste dia, 26 de Agosto de 1970.

Ver mais informação aqui.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

L'ÉTÉ POP


No Parque dos Salesianos, no Estoril, já se viu aqui o que aconteceu em 1970. Ao contrário, em França, houve um Verão incrivelmente rico... musicalmente falando. É disso mesmo que dá conta o número de Setembro da revista rock & folk, uma das bíblias da altura.

Em Aix-en-Provence, 15 mil pessoas acolheram em triunfo Mungo Jerry e mostraram-se reservadas perante Leonard Cohen. É ainda registada positivamente a actuação de Johnny Winter e da cantora luso-descendente Catherine Ribeiro. Lamentadas as ausências dos Flock e dos Deep Purple, o que fez encurtar o festival em um dia.

Em Antibes, estiveram os Pink Floyd sem que, aparentemente, tenham conseguido galvanizar a audiência. Do lado do jazz, o cartaz foi de luxo. Para além dos jovens, John Surman e Archie Shepp, actuaram os consagrados Lionel Hampton, Erroll Garner e Stan Getz. Mas, sobretudo, quem triunfou e pairou por cima de todos os estilos foi a raínha pop de um rhythm 'n' blues admitido pela onda jazz: Aretha Franklin.

Valbonne, segundo a rock & folk, foi o festival com o ambiente mais acolhedor, mas com pouco público. Perante as dificuldades financeiras da organização, Jean-Luc Ponty e Frank Zappa recusaram receber o cachet.

Finalmente, em Biot, havia a promessa de um bom programa, mas poucos foram os espectadores que compraram bilhete. Joan Baez e Country Joe ainda animaram os primeiros momentos do festival. Porém, a organização acabou por ter de interromper o evento devido a dificuldades de crédito.

Desta onda de festivais de Verão, em França, e para lá do fracasso financeiro, ficaram os momentos de libertação que só estes encontros proporcionavam e a afirmação de um, cada vez mais vincado, "espírito pop".

Colaboração de Vítor Soares

VS

sábado, 23 de fevereiro de 2008

FESTIVAL DOS SALESIANOS - IMPRENSA


Vítor Soares lembrou o evento de que foi feliz testemunha há 38 anos e eu fui, agora, à procura de mais informações.

Salazar tinha morrido há um mês – mas não vejo aí qualquer relação causa/efeito -, quando José Cid idealizou um festival pop em Portugal, em 1970, à semelhança do que se fazia lá fora.

Para o organizar, José Cid recolheu o apoio da Junta de Turismo da Costa do Sol que no ano anterior tinha promovido, com sucesso, o I Festival de Conjuntos Modernos, de que os Musica Novarum tinham saído vencedores.

Já não se compreende, actualmente, um festival tipo-corrida-de-cavalos, em que o que conta é o prémio. Por isso, sugeri à Junta de Turismo da Costa do Sol que se realizasse um festival, é certo, mas liberto de ideias de competição (José Cid, Diário de Popular, 17 de Agosto de 1970).
Na mesma altura, o Diário Popular tinha enviado um jornalista, Jorge Ribeiro, ao Festival da Ilha de Wight, em Inglaterra, demonstrando assim o seu interesse pelas manifestações culturais juvenis.

O mesmo jornal dava também, por exemplo, relevo às contestações dos hippies holandeses ao sistema estabelecido do seu país.

Em Portugal, era o deserto, como sabem e/ou devem calcular.

Após o anúncio do Festival nos jornais portugueses, que ocorre no dia 15 de Agosto de 1970, a concha volta a fechar-se, hermeticamente, não havendo muito mais informação nos dias subsequentes.

No dia 17 de Agosto, o Diário Popular publica uma reportagem sobre o Festival, com chamada de 1º página. O DP é, aliás, o único jornal português que dá importância à matéria:

Esperamos que este Festival seja o primeiro passo para a realização, em anos próximos, de encontros internacionais de agrupamentos de pop-music (in Diário Popular, 17 de Agosto de 1968).

Pouco mais dizem os jornais. Tenho para mim, que o regime, ou melhor, a Censura (Exame Prévio) não sabe, no entanto, como agir, já que íamos tendo informação sobre o Festival de Wight e sobre a ocupação dos hippies holandeses da praça Dam, em Amesterdão, mas nada sobre o que seria o primeiro grande Festival português.

Como quer que seja, o “Diário de Notícias”, no dia 24, e a “República”, no dia 26, ainda ensaiam o alinhamento do Festival:

- Turma 6
- Jeuns Vitae
- A1
- Samuel e os Bárbaros
- Nomos
- José Jorge Letria
- Padre Fanhais
- Ruy Mingas
- Nuno Filipe e Teresa Paula Brito (única presença feminina, como se salienta)
- Chinchilas
- Pedro Osório, Paulo de Carvalho e Fernando Tordo
- Vanguarda
- Quarteto 1111
- Psico
- Objectivo


Neste alinhamento, já não entram os Wallace Collection, belgas, de que tanto se tinha falado. Desistiram à última hora?

No dia do concerto, a 26, “O Século” ainda chama a atenção para o assunto, com destaque na última página: “Acontece Hoje O 1º Festival Português À Procura de Autenticidade de Woodstock Ao Estoril Sob O Signo Da Juventude”.
O primeiro parágrafo da notícia reza assim:

Com um atraso de dez meses em relação à Europa continental – o que se pode considerar notável – os festivais pop chegam até nós. Como as senhorinhas da “nossa melhor sociedade”, o “pop” português “debura” no Estoril, mais precisamente na mata dos Salesianos, entre as 15 e as 24 horas de hoje. Um conjunto estrangeiro, Wallace Collection, apadrinha o acto. Nove agrupamentos estarão no “podium”: Objectivo, Pop Five Music Incorporated, Psico, Chinchilas, Nomos, Evolução, Sindicato, 1111 e os Sheiks.
E depois?

Se não fora o relato de Vítor Soares e do blogue Vilar de Mouros 1971, presumo que publicamente nada mais se saberia.

É que os jornais portugueses, todos, assobiaram para o lado. Não nos esqueçamos da Censura!

O mais divertido, é que no dia 27, meras 24 horas depois do abortado Festival e da investida da Polícia de Choque (provavelmente comandada pelo capitão Maltês, não?) que os jornais não noticiaram, foi publicado um lacónico comunicado:

A Junta de Turismo da Costa do Sol lamenta informar que por não ter solicitado a respectiva legalização para o espectáculo de música moderna que deveria ter tido lugar na mata da Escola Salesiana do Estoril, o mesmo não se pôde realizar.
Ué? Quem organiza diz depois que não pediu licença? História muito mal contada!

"DOGS" NO FESTIVAL DOS SALESIANOS


Em Agosto de 1970, no Estoril, o que pretendia ser o festival de Woodstock à portuguesa terminou com cargas da polícia de choque.

Em cima da hora o espectáculo foi proibido e a assistência não se conteve sem queimar umas quantas cadeiras.

Para o Parque dos Salesianos tinham convergido centenas de jovens à espera de ouvir cantores de intervenção e vários conjuntos portugueses, tendo chegado a ser anunciada a presença dos belgas Wallace Collection cujo êxito "Daydream" arrasava as "charts" da altura.

Mas quem acabou por actuar foi o tristemente célebre "conjunto The Dogs", os cães da polícia de choque que perseguiram jovens, e até alguns turistas, em escaramuças que alastraram a várias ruas do Estoril.

Para além disso, quem fosse visto a tirar fotografias era certo que ficava sem a máquina. Ainda assim, consegui registar alguns aspectos da intervenção policial a uma resguardada distância de segurança.

Colaboração de Vítor Soares