sábado, 7 de novembro de 2015
DEMÓNIOS NEGROS
Luís Jardim tinha aqui 14 anos "plenos de mocidade e alegria".
Inédito: os Demónios Negros tinham um locutor, Jorge Cabrita, 18 anos. O texto não diz para que servia...
sexta-feira, 17 de julho de 2015
MINHA PRENDA ESTE ANO
DECCA - PEP 1157 - 1966
Slow Down (Williams) - Hoje ("Yesterday") (Lennon/McCartney/Luís Jardim) - No Reply (Lennon/McCartney) - Quero Que Voltes (Luís Jardim)
quarta-feira, 20 de abril de 2011
1º EP DOS DEMÓNIOS NEGROS (1965)
Bailinho da Madeira - Shakin' All Over - Coimbra - Boys
À semelhança do Concurso Tipo Shadows no cinema Roma, em Lisboa, o concurso funchalense foi organizado pelos Electrónicos, de Algés, que se encontravam em digressão pelo arquipélago, acompanhando a exibição do filme “Mocidade Em Férias”, com Cliff Richard e os Shadows.
A 1ª eliminatória realizou-se no dia 15 de Abril com os Incríveis e os Demónios Negros, a 2ª no dia 16 com os Gatos Mansos e Alberto Frias e a 3ª no dia 17 com o Conjunto Académico João Paulo e os Dinâmicos (de Valério Silva).
Na finalíssima, a 19 de Abril, João Paulo venceu os Demónios Negros e os Incríveis, ganhando a oportunidade de actuar em Lisboa, iniciando assim uma carreira de sucesso.
Mas logo no ano seguinte, em 1965, os Demónios Negros foram os vencedores da 2ª eliminatória do Concurso Yé-Yé que se realizou no Teatro Monumental, em Lisboa, no dia 04 de Setembro de 1965.
O segundo lugar foi para os Twist Star, de Póvoa de Sta Iria, e o terceiro para os Fliers, de Cascais.
Segundo a reportagem da revista "Rádio & Televisão, os Demónios Negros eram formados por Alberto Manso, 17 anos, vocalista e baterista, Tiago Camacho, 17, viola baixo, Luís Jardim, 15, viola ritmo, e Óscar Gonçalves, 18, viola solo.
Na descrição da revista, vestiam fatos com riscas pretas e gravatas com riscas encarnadas, usavam cabelos muito compridos, estilo beatle e cantaram "It's Not Unsual", "Teu Amor" e "Kansas City".
São todos estudantes, tendo começado por formar um grupo de futebol e só depois veio o conjunto. Empolgaram o público do Monumental e os maiores aplausos foram para o baterista.
A banda madeirense acabaria por perder para os Sheiks a primeira meia-final do concurso que se realizou no dia 06 de Janeiro de 1966, já os Demónios Negros tinham editado o seu primeiro EP, Alvorada AEP 60 690, com os tradicionais “Bailinho da Madeira” e “Coimbra” e versões de “Shakin’ All Over”, de Johnny Kid and the Pirates, e “Boys”, que Ringo Starr cantava nos Beatles.
O segundo e último EP, Decca PEP 1157, saiu em 1966, com uma versão, em português, de “Yesterday”, também dos Beatles, promovida por Luís Jardim que também assinou um original, “Quero Que Voltes”.
O disco completou-se com mais duas versões, “Slow Down”, de Larry Williams, que pertencia ao repertório dos Beatles, e “No Reply”, do próprio quarteto de Liverpool.
Em 1968, Luís Jardim foi para Inglaterra estudar Administração Comercial. Emarcou no "Reina Del Mar", onde conheceu o pianista Tom Gilhooly, que o convidou para sua casa em Londres.
Fui e passados dias assisti a uma gravação do seu conjunto, um trio que se chamava Bossa-Cálida. Como eles tinham necessidade de integrar mais elementos no conjunto e, principalmente, para fazer duo com a Linda (primeira mulher de Jardim), entrei a tocar instrumentos de percussão: pandeiros, atabaques, conga-drums e viola nas gravações.
Como o nome era um pouco difícil parta os ingleses pronunciarem, mudámos em Dezembro de 1968 para Carnaval, por ser uma palavra internacional.
Linda Jardim foi uma das cantoras que participaram em "Video Killed The Radio Star", dos Buggles.
Durante o ano de 1969, os Carnaval tocaram no "Ronnie's Scott", em Londres, lado a lado com Stan Getz, e também no Royal Albert Hall.
Em Janeiro de 1970, inauguraram o "Inn On The Park" e gravaram um LP.
Figura mediática pela sua participação em concursos televisivos, Luís Alberto Figueira Gonçalves Jardim, primo do presidente do Governo Regional da Madeira Alberto João Jardim, será provavelmente o músico português com mais experiência internacional, tendo já participado em gravações de David Gilmour, Dream Academy, David Bowie, Kirsty MacColl, Lisa Stansfield, Rolling Stones, Dusty Springfield, Oleta Adams, Hothouse Flowers, Robert Palmer, Soul II Soul, Annie Lennox, Paul McCartney, Cat Stevens, Bryan Ferry, Malcolm McLaren, entre muitos outros.
Ainda vive em Londres, onde possui um moderno estúdio de gravação.
Colaboração de Luís Pinheiro de Almeida
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
2º E ÚLTIMO EP DOS DEMÓNIOS NEGROS (1966)
Slow Down (Williams) - Hoje (Yesterday) (Lennon/McCartney/Luís Jardim) - No Reply (Lennon/McCartney) - Quero Que Voltes (Luís Jardim)
Cortesia de Filhote
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
OS ELECTRÓNICOS
Os Electrónicos foram uma das primeiras bandas ié-ié portuguesas, tipo Shadows, mas nunca chegaram ao gozo de gravar um disco. Tiveram no entanto outro tipo de gozos.
Formaram-se em Algés, em finais de 1961, princípios de 1962, das cinzas dos Celtas, banda escolar da Francisco Arruda, com Carocha (Victor Queiroz) (viola-ritmo) e João Robalo (viola-solo), a que se viriam a juntar António Montenegro (viola-baixo) e Faraó (Mário Covas) na bateria.
Não tiveram outra formação.
Os Celtas viriam a designar-se Electrónicos logo a seguir ao "Passatempo Para Jovens", no cinema Restelo, em Lisboa, programa que lançou também os Conchas, Alex, os Dois Rapazes, entre outros.
"Tinha então uns 14, 15 anos", lembra agora Victor Queiroz, 62 anos, reformado, designer de interiores.
"Tocávamos as músicas dos Shadows, como o "FBI", o "Apache", etc".
"Foi por essa altura que o Fernando Conde nos descobriu, já não me lembro como, e como o Pai dele, Arlindo Conde, era do métier, lançou-nos no "Passatempo PAC", no Eden, aos domingos de manhã, onde também passou, por exemplo, o Zeca do Rock.
"Nessa altura gravámos com Moreno Pinto um anúncio para a "Rajá" que nos perseguiu durante muito tempo".
Fernando Conde e os seus Electrónicos - como passaram a designar-se - participaram depois, em finais de 1963, no primeiro festival de ritmos modernos jamais realizados em Portugal: o Concurso Rei do Twist, organizado por Vasco Morgado no Teatro Monumental, em Lisboa.
A final realizou-se no dia 07 de Setembro de 1963, tendo saído vencedor Victor Gomes e os Gatos Negros.
Uma semana depois, a 13 de Setembro, Fernando Conde e os seus Electrónicos voltam a juntar-se em palco, desta feita no cinema Roma, para a estreia do filme "Mocidade Em Férias", com Cliff Richard e os Shadows.
E aqui começa a fase mais fulgurante da carreira dos Electrónicos.
"Fernando Correia Ribeiro, pai da Helena Isabel que foi casada com o Paulo de Carvalho, e o primo Elísio tinham uma distribuidora cinematográfica, Rivus, e tiveram então a ideia de organizar um concurso de bandas tipo Shadows para promover o filme.
"Fomos ao concurso, mas fomos injustamente eliminados. Levámos "Nivram", dos Shadows, que era extremamente difícil de tocar e que ninguém ousava fazê-lo. Fomos os primeiros a fazê-lo.
"Nesta altura, já eramos só Fernando Conde e os Electrónicos. Já não éramos Fernando Conde e os seus Electrónicos, dávamos o primeiro sinal de autonomia, sem o sentido de posse que os "seus" deixava antever.
O Concurso viria a ser ganho na final do dia 04 de Outubro de 1963, pelo Conjunto Mistério que, a propósito, voltou a reunir-se e encontra-se actualmente a gravar.
Após o Concurso, os Electrónicos viriam a separar-se definitivamente de Fernando Conde e, a convite da Rivus, percorreram o País de lés-a-lés, acompanhando as exibições da película de Cliff e dos Shadows.
"Foi extenuante. Uma digressão de dois anos... Tínhamos uma van branca onde íamos escrevendo a vermelho o nome das terras por onde passávamos. Ficou coberta a carrinha.
"Durante a digressão da "Mocidade Em Férias", fomos em Maio de 1964 à Madeira no paquete "Funchal". Ficámos instalados no Golden Gate, que já não existe, e logo no primeiro dia tivémos de dar 3 espectáculos! Tocávamos na boîte do hotel, com o Trio Odemira, e também no Cine-Municipal.
"Mas antes de embarcarmos para o Funchal gravámos à pressa na Rádio Renascença, com o Moreno Pinto, um instrumental sensaborão composto por mim e pelo Robalo a que, com falta de imaginação, demos o título de "Canção Sem Nome". E foi já na Madeira que soubémos que a canção tinha chegado ao primeiro lugar da "23ª Hora".
"Com a experiência do Concurso no Roma, tivémos a ideia de fazer no Funchal, juntamente com o empresário João Firmino Caldeira, um concurso semelhante com os conjuntos locais.
"Foi aí que descobrimos e demos a conhecer em Abril de 1964 o Conjunto Académico João Paulo e também os Demónios Negros, de Luís Jardim".
De regresso ao Continente, em finais de 1964, Vasco Morgado organizou no Teatro Monumental uma "Festa de Consagração aos Electrónicos", que teve a participação de Daniel Bacelar, Victor Gomes e do Conjunto Académico João Paulo.
"No princípio de 1965, saí dos Electrónicos. Saí para descansar. Estava exausto depois de dois anos de digressão, só indo a casa de seis em seis meses. Fiquei pelos cabelos", lembra Victor Queiroz que voltou a encontrar-se agora com Fernando Conde "para umas gravações".
Colaboração de Luís Pinheiro de Almeida
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
O CARNAVAL DE LUÍS JARDIM
Fui e passados dias assisti a uma gravação do seu conjunto, um trio que se chamava Bossa-Cálida. Como eles tinham necessidade de integrar mais elementos no conjunto e, principalmente, para fazer duo com a Linda, entrei a tocar instrumentos de percussão: pandeiros, atabaques, conga-drums e viola nas gravações.
Como o nome era um pouco difícil para os ingleses pronunciarem, mudámos em Dezembro de 1968 para Carnaval, por ser uma palavra internacional.
Durante o ano de 1969, os Carnaval tocaram no Ronnie's Scott, em Londres, lado a lado com Stan Getz, e também no Royal Albert Hall.
Luís Jardim in Plateia, 03 de Fevereiro de 1970
segunda-feira, 3 de março de 2008
DEMÓNIOS À SOLTA NA 2ª ELIMINATÓRIA
O segundo lugar foi para os Twist Star, de Póvoa de Sta Iria, com 25 pontos, o terceiro para os Fliers, de Cascais, com 20,5.
Depois do podium, ficaram Primavera Em Sintra (Sintra, 13,5 pontos) e os Kalyfas (Torres Novas, 10 pontos).
Segundo a reportagem da revista "Rádio & Televisão, os Demónios Negros eram formados por Alberto Manso, 17 anos, vocalista e baterista, Tiago Camacho, 17, viola baixo, Luís Jardim, 15, viola ritmo, e Óscar Gonçalves, 18, viola solo.
Nesta época, com 15 anos, Luís Jardim bem poderia ter sido o viola ritmo (se não houve lapso da revista), mas hoje em dia, com residência em Londres, o madeirense é sobretudo conhecido como percussionista (sangue latino?).
Atentem à lista de participações de Luís Jardim que eu consegui reunir e que seguramente estará incompleta:
David Gilmour, Dream Academy, David Bowie, Clime Fisher, Kirsty MacColl, Lisa Stansfield, Rolling Stones, Dusty Springfield, Oleta Adams, Hothouse Flowers, Chimes, Black, Robert Palmer, Soul II Soul, Annie Lennox, Betsy Cook, Paul McCartney, Cat Stevens, Bryan Ferry, Malcolm McLaren.
Regressando ao ié-ié puro e duro:
Os Demónios Negros, ainda segundo a mesma reportagem, vestiam fatos com riscas pretas e gravatas com riscas encarnadas e cantaram "It's Not Unsual", "Teu Amor" e "Kansas City". Cabelos muito compridos, estilo beatle.
São todos estudantes, tendo começado por formar um grupo de futebol e só depois veio o conjunto musical (sic). Empolgaram o público do Monumental e os maiores aplausos foram para o baterista.
Os Twist Star era um grupo curioso, já que eram formados por operários nas Oficinas de Material Aeronáutico e em duas empresas locais: Jaime Carmo Alves, 20 anos, viola solo, Manuel Alves, 19, vocalista e viola baixo, Joaquim Rosado, 22, viola baixo, Fernando Lourenço, 20, bateria, e João Rodrigues, 19, viola ritmo.
Todos de camisa branca e laço castanho escuro. O casaco é da mesma cor e tem o emblema do conjunto. Fundou-se há um ano. É seu dirigente artístico o antigo elemento da orquestra de Belo Marques, François Venturini. Gastaram 60 contos nos instrumentos e actuam em festas no Ribatejo.
Os Fliers, de Cascais, eram formados por Fernando Manuel Catado, 22 anos, bateria, José Manuel Cerqueira, 22, viola solo, Júlio Ribeiro, 22, vocalista e viola ritmo, e Armando Rocha, 23, viola baixo.
Cantaram "La Bamba", "I'm The One", "My Bonnie" e "I Saw Her Standing There".
Os Kalyfas, de Torres Novas, eram formados por João Julião (guitarra), João Luís Alves (baixo), Rui Venâncio, mais tarde dos Xarhanga (bateria), Joaquim Varela (guitarra-ritmo) e José Galamba (voz).
Rui Venâncio foi eleito o melhor baterista do Concurso, tendo recebido uma medalha das mãos de representantes do Movimento Nacional Feminino, organizador do Concurso.