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domingo, 26 de novembro de 2017

PRIMEIRA CRÍTICA HÁ 57 ANOS


"Diário Popular", 26 de Novembro de 1960

Esta foi a primeira e curta crítica ao primeiro disco de rock português protagonizado por Daniel Bacelar, falecido no passado dia 29 de Setembro, e pelos Conchas.

Caloiros da Canção nº 1 proporciona-nos (e com prazer o afirmamos) a oportunidade, que desejaríamos ter mais frequentemente, de elogiar sem reservas gravações de artistas portugueses.

O duo "Os Conchas", a que antevemos largo êxito, interpreta "Oh! Carol" e "Quero O Teu Amor" e Daniel Bacelar, apesar dos seus 17 anos, demonstra seguras qualidades nas canções "Fui Louco Por Ti" e "Nunca".

É tão bom intérprete como autor.


Excelente acompanhamento de Jorge Machado e o seu conjunto.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

BOM DIA, DANIEL!


Quando entrou no tasco para os 10 anos do Ié-Ié, para a saudação ao Daniel Bacelar, três coisas lhe chamaram a atenção: o trabalho andywarholiano da Teresa Lage com o Daniel em fundo, PPBEAT a beber Coca-Cola - qu’é isso, filho meu? Uma homenagem ao Daniel, simplesmente! - e o Camilo com a camisola estampada com aquele "Eu Ouvi Daniel Bacelar - Luanda-1962".

Estava Camilo em terra luandense e ouvia a versão local do Quando O Telefone Toca e sempre, sempre, sempre aquele nunca me deixes, não, não partas assim, tu estás tão longe e eu sinto-me tão perto de mim do Daniel, que era top one de todas as noites e as lágrimas lhe corriam pela cara, colocando de rastos essa merda onde dizem que um homem não chora.

E no fim do repasto, deu a camisola à Fernanda Bacelar para o museu do artista, oferta que era para ter sido feita ao próprio, mas não se proporcionou, coisas do ingrato quotidiano, criar da angústia uma cadeira para assistir à noite, como escreveu Jorge de Sena.

Lembra-se da noite, Setembro de 2008 – caramba! a quantidade de águas turbulentas que já passaram por debaixo das pontes… -  em que o Camilo apareceu com aquela camisola, numa festa homenagem a José Almada, quiçá – tão só opinião dele!... - estupidamente estragada por uma excessiva rockalhada vickyana… (também a minha opinião - nota do editor).

O Daniel tinha um especial carinho por este blogue. Em cada almoço de guedelhudos grisalhos ele contava que fazia a primeira mijinha do dia e depois arrancava para o computador para comentar os textos que por lá estavam e a felicidade deveria espelhar-se no rosto.

Até que disseram que ele extravasava na linguagem, chateou-se com a observação e não mais comentou…

Texto: Gin-Tonic
Imagem: Teresa Lage

sábado, 28 de outubro de 2017

A EMOTIVA ENTREGA DA T-SHIRT


Este foi um dos momentos emocionantes, um dos gestos mais emotivos,  do almoço do 10º aniversário deste blogue e de homenagem à memória do primeiro rocker português, Daniel Bacelar.

Camilo, fã nº 1 de Daniel, oferece à viúva a t-shirt "Eu ouvi Daniel Bacelar - Luanda 1962" que vestia quando finalmente conheceu pessoalmente o rocker no dia 06 de Setembro de 2008, numa festa também organizada por este blogue.

10 ANOS DE IÉ-IÉ


O Hugo deu-me na cabeça por causa do estado moribundo deste blogue, mas o que é verdade é que o "viajante" também não tem feito manobras de recuperação...

PRIMEIRO IÉ-IÉ PORTUGUÊS


Há 7 anos, para assinalar os 50 anos do primeiro rock português, de Daniel Bacelar, fiz com a Suzy Lorena e o João Miguel, da iPlay, uma colectânea que não só reproduzia o EP original, como incluia 25 canções do ié-ié português, na sua maioria pela primeira vez em CD, entre as quais a célebre Marcianita.

Infelizmente, esta edição de luxo (dois CDs, um "booklet" com informação vária e testemunhos de músicos da época, tudo numa original e excelente apresentação gráfica, da responsabilidade da Suzy) já se encontra descontinuada...

Este meu exemplar custou-me 14,99 € às 15H13 do dia 29 de Novembro de 2010, dia da edição. Fui atendido por Diana Silva, da FNAC-Colombo (Lisboa).

LPA

PRIMEIRO IÉ-IÉ PORTUGUÊS FAZ HOJE 57 ANOS!!!


COLUMBIA - SLEM 2062 - 28OUT1960

Fui Louco Por Ti (Daniel Bacelar) - Nunca (Daniel Bacelar) - Oh! Carol (Howard Greenfield/Neil Sedaka) - Quero O Teu Amor (Should We Tell Him) (Everly)

As duas primeiras canções são interpretadas por Daniel Bacelar, as outras duas pelos Conchas. Ambos são acompanhados por Jorge Machado e seu conjunto.

Este é o 1º EP dos Conchas, o 1º de Daniel Bacelar, é também o primeiro disco ié-ié português. Foi editado faz hoje precisamente 57 anos!

Eis o resultado - encorajador e feliz, como poderão verificar depois de ouvir o disco - de uma tentativa que merece, que exige mesmo o apoio de todos os que se interessam pela música ligeira.

"Caloiros da Canção nº1" reune a escolha final do programa de rádio que tanto êxito obteve entre dezenas de candidatos que se exibiram com tanto brio e boa vontade e animados de tanta esperança foram finalmente escolhidos para este disco.

Daniel Bacelar - um rapaz de 17 anos que é também autor das canções que interpreta - e o duo "Os Conchas", um caso verdadeiramente excepcional de vocação artística.

Com este disco dá-se, assim, carta de alforria a três jovens artistas que, de agora em diante, ficam sujeitos ao juízo severo dos discófilos.

Não nos admiraria, porém, que, mais uma vez, coincidissem as opiniões. É que, tanto o público como nós, nos guiamos pela mesma bitola: o mérito real dos artistas. E esse está bem patente neste disco.

Texto apócrifo na contracapa do EP
PS - Daniel Bacelar conta aqui a história deste disco.

NOTAS SOLTAS:
“Fui Louco Por Ti”, de Daniel Bacelar, é a primeira canção original, gravada, do yé-yé português. Abre o EP “Caloiros da Canção”. A letra e a música são da autoria do próprio Daniel Bacelar, vencedor, a solo, do concurso radiofónico.

”Oh Carol”, pelos Conchas, foi a canção premiada no concurso radiofónico “Caloiros da Canção” de há 57 anos. Trata-se da versão portuguesa do êxito composto por Neil Sedaka e a história é simplesmente banal: havia tão-só que traduzir para português os êxitos de lá de fora, o que era então inédito.

”Hully Gully do Montanhês”, do Conjunto Académico João Paulo, é uma das mais originais canções do yé-yé português. Composta por Sérgio Borges e Carlos Alberto Gomes, venceu em 1965 o Grande Prémio do Disco, talvez o primeiro top de popularidade em Portugal, por votação conjunta de ouvintes da Rádio Renascença e de leitores da revista “Rádio & Televisão”.

”O Comboio”, pelos Álamos, é a primeira composição gravada de sempre da autoria de José Cid. Os Álamos são de Coimbra e José Cid estudava em Coimbra, onde formou o primeiro conjunto yé-yé portugês, os Babies, no final da década de 50. A canção é de 1966 e está assinada por José Cid Tavares.

Ana Maria é a primeira voz feminina do yé-yé português. Pertenceu aos Boys, de Carlos Correia, que tiveram de alterar a designação para Conjunto Universitário Hi-Fi. “Back From The Shore” é um original de Carlos Correia, de 1967. Anos mais tarde, Carlos Correia foi o viola de José Afonso em “Grândola Vila Morena”.

Considerada a Nico francesa, Catherine Ribeiro é filha de emigrantes portugueses em Lyon. Em 1967 gravou o seu primeiro disco, em Portugal, uma versão francesa de “With God On Our Side”, de Bob Dylan. A curiosidade deste registo, pouco conhecido, reside no facto de Catherine Ribeiro ser acompanhada pelos Sheiks, então no auge da sua fama.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

DANIEL BACELAR VISTO POR DAVID FERREIRA


Chamaram-lhe o primeiro rocker português e a expressão tem razão de ser. Quando em 1960 um EP de quatro canções chamado "Caloiros da Canção" anunciava a nova era, dois nomes novos dividiam as canções: duas eram pelos Conchas; as outras duas dele, e por ele, Daniel Bacelar.

Este fim de semana, antes da bola e dos votos, chegou a notícia triste de uma morte – por doença prolongada, como se diz mesmo quando a doença é fulminante – da morte do rocker Daniel Bacelar.

Daniel gravou 7 EPs – 7 vezes 4, 28 canções – entre 60 e 67. Pode parecer pouco mas naquele tempo era muito. No tempo do Ié-Ié – que não era tempo de LPs - poucos gravaram tantos discos.

Ao contrário de muitos que passam a vida a esconder as influências que têm, Daniel nunca teve vergonha de passar por ser o Ricky Nelson português. Nunca escondeu a admiração pelo antigo rival de Elvis Presley, que atingiu o pico entre 57 e a chegada dos Beatles, 7 anos depois.

Daniel Bacelar continuava em boa forma a cantar. Mas não gostava das primeiras canções que gravou. Preferia-lhes as do seu herói, Ricky Nelson.

E a cantar Ricky Nelson, Daniel Bacelar, apareceu na TV, em 1980, ao lado dos seus amigos Sheiks.

E a cantar Ricky Nelson, Daniel Bacelar cantou, em 2009, no Festival dos Oceanos, convidado especial de uma miúda que podia quase ser sua neta, Rita Redshoes.

Se cada qual puder escolher o seu paraíso, a esta hora o simpático e discreto Daniel já tem concerto marcado com Ricky Nelson, no céu.

Texto de David Ferreira

domingo, 1 de outubro de 2017

O DANIEL FOI HOJE A ENTERRAR



O Daniel foi hoje a enterrar (cremação) ao som de "Hello Mary Lou".

Se não foi a pedido expresso do Daniel (é verdade que ele gostava da canção e a cantava bem), nem na hora da despedida a "maldição Ricky Nelson" o largou!

Lamentável!

Como disse um amigo comum no Alto de S. João (Lisboa), "o Daniel só não era mais bonito do que Ricky Nelson, de resto era bem melhor"!.

Em caso de ferreiro, espeto de pau!

Indigo-me que o Daniel, o primeiro "rocker" português, com belas canções originais, só seja lembrado pelos seus pares como o "Ricky Nelson português",

Daqui saúdo Gabriel Thomaz, dos Autoramas, que no outro lado do Atlântico fez uma bela versão de "Se Eu Enlouquecer".

Neste dia triste, este blogue, que muito deve ao Daniel, faz hoje 10 anos, década que será comemorada em breve como homenagem ao Daniel.

LPA

imagem de Teresa Lage

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

O DANIEL MORREU HOJE


Daniel Bacelar, o primeiro rocker português, morreu hoje de doença do foro oncológico.

Tinha 74 anos.

Considerado o "Ricky Nelson português", Daniel Bacelar foi o primeiro artista português a gravar um rock na língua portuguesa, em 1960, "Fui Louco Por Ti".

Á época, foi dos artistas portugueses que mais EPs gravou, o último dos quais em 1967.

Humilde, mas "teimoso como o diabo" (digo eu!), nunca se sentiu na pele de ser o "grande pioneiro" do rock em português, nem nunca se levou muito a sério.

Sempre se recusou a cantar as suas (belas) canções portuguesas de então, preferindo as interpretações de Ricky Nelson, para desespero dos fãs, como eu próprio, Teresa Lage, Paulo Mar, Paulo Bastos ou Duarte Vilardebó Loureiro.

Um desespero, tal como o foi de se recusar sempre a cantar "Marcianita", um dos seus maiores êxitos, mas que considerava "piroso"!

Mas consegui levá-lo a palco para cantar "Lonesome Town" com Rita Redshoes!

Não me esqueço, Daniel, quando nos encontrarmos, tens mesmo de me cantar a "Marcianita".

Abraço amigo, adoro-te!

Luís Pinheiro de Almeida

domingo, 4 de dezembro de 2016

MARCIANITA


COLUMBIA - SLEM 2085 - 1961

Tenho Pena (Pity Pity) - Só Um Beijo Mais (Daniel Bacelar) - Marcianita (Marcone/Alderete/F. César) - O Tempo Dirá (Daniel Bacelar)

Acompanhamento pelo conjunto Abril Em Portugal.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

1º FESTIVAL DE ROCK PORTUGUÊS HÁ 50 ANOS!


O primeiro grande festival de rock português (ié-ié, "tipo Shadows) faz hoje 50 anos!

Foi no cinema Roma, em Lisboa, para promover o filme "Mocidade em Férias", com Cliff Richard e os Shadows, e tinha o curioso título Concurso de Conjuntos  do Tipo Shadows.

O primeiro dia do Festival ocorreu a 16 de Setembro de 1963, faz hoje meio século.

Para o sensacional concurso do cinema Roma, inscreveram-se 22 conjuntos: Victor Gomes e os seus Gatos Negros, Nelo do Twist e seus Diabos, Electrónicos, Jets, Telstars, Eddye Gonzalez e os seus Ekos, Les Fanatics, Vendavais, Tigres, 3 Jotas, Titãs, Daniel Bacelar e os Gentlemen, S.O.S., Lisboa À Noite, Nova Onda, Sanremo 172, Napolitano, Panteras do Diabo, Jovens do Ritmo, Mascarilhas, Juventude Dinâmica e Condores.

Rezava assim o anúncio do Concurso publicado na Imprensa no dia 05:

O cinema Roma convida-os (aos conjuntos) a comparecerem na sua sala nos próximos dias 6 e 7, das 10 às 12,45 e das 18,30 às 20 horas, a fim de serem ouvidos, para que se possa fazer uma selecção prévia, e combinar o plano da sua actuação a partir da estreia do filme "MOCIDADE EM FÉRIAS", que está prevista para sexta-feira, 13 de Setembro.

Nesta reunião privada não se exigem os trajos com que aparecerão perante o público. Apenas se tornam indispensáveis os instrumentos de música e respectivos aparelhos de amplificação.

Mais uma vez se lembra que o Conjunto eleito pelo voto do espectador terá direito, graças aos Estabelecimentos Valentim de Carvalho, a uma face de um disco comercial e o Conjunto escolhido pelo Júri a um disco comercial (2 faces) e ainda à apresentação pessoal aos Shadows, em Londres, para onde serão transportados em aviões dos TAP-BEA.

O cinema Roma agradece, desde já, a todos o entusiasmo com que acolheram esta iniciativa.

O júri era constituído por Maria João Aguiar, António Miguel, Luís Villas-Boas, João Nobre, Paulo de Medeiros, Hugo Ribeiro, Posal Domingues, Mello Pereira, A. Leite Rosa e José Gomes.

Com apresentação de Fernando Pessa, as actuações decorreram de 16 a 29 de Setembro, tendo o júri deliberado convocar para a finalíssima, no dia 04 de Outubro, os Panteras do Diabo, Nelo do Twist e seus Diabos, Titãs, Daniel Bacelar e os Gentlemen e Fernando Concha e o Conjunto Mistério (ex-Mascarilhas).

No comunicado da decisão, o júri avisa que considerando que a apreciação dos Conjuntos por princípio teria de ser fundamentalmente do tipo do "The Shadows", não julgou a actuação dos vocalistas (embora alguns bastante se tivessem distinguido).

A final realizou-se no dia 04 de Outubro e o júri deliberou por unanimidade declarar vencedor do Concurso o "Conjunto Mistério de Fernando Concha".

O júri considerou também que constituiu um êxito invulgar, tanto para o Cinema Roma como para o público, a presença de tão elevado número de Conjuntos, na maioria formados por jovens executantes e de alguns elementos que muito se distinguiram.

O grupo mais votado pelo público foi Victor Gomes e os seus Gatos Negros.

No dia 07 de Outubro, o Diário Popular, pela pena de Paulo de Medeiros, simultaneamente escriba e membro do júri do Concurso, publica a crónica que se segue:

Perante uma enorme multidão, na sua essência constituída por jovens apaniguados do azougado ritmo dos nossos dias - o twist - terminou na passada sexta-feira no Cinema Roma o certame que a Gerência daquela sala empreendeu no sentido de escolher um agrupamento que maiores afinidades apresentasse com os celebrados Shadows.

Depois da exibição de todos os grupos inscritos, o júri seleccionou cinco conjuntos que dirimiam forças na final e que na realidade se afiguraram os mais apetrechados para discutir a primeira posição. Foram eles Os Diabos, de Nelo, Titãs, Conjunto Mistério, de Fernando Concha, Panteras do Diabo e os Gentlemen, de Daniel Bacelar.

Após as respectivas audições, saiu vencedor, como se previa - e por mérito próprio - o agrupamento Mistério, dirigido pelo conceituado Fernando Concha. Com efeito, o popular conjunto caprichou em ofertar-nos um variado e homegéneo sortilégio melódico para todos os paladares.

Sem dúvida que para o êxito obtido em muito contribuiu a escolha das engendradas composções onde o quarteto desenvolveu a sua classe proverbial, pois empregou uma orquestração assaz rica e utilizou-a em todas as tonalidades, sem perder qualquer das suas outras facetas quer no aspecto inventivo, frescura melódica e sentido rítmico.

Apresentação sóbria, como é apanágio, de Fernando Pessa.

Estão pois de parabéns o público, o conjunto galardoado, Portal da Costa, idealizador do certame que com tanto brilho decorreu e o júri pela uniformidade e certeza de critério com que deliberou.

No dia 12 de Outubro, a revista Rádio & Televisão deu a capa ao Conjunto Mistério e no interior escreveu:

No palco do Cinema Roma estiveram vários conjuntos jovens num concurso destinado a eleger o que mais se identificasse com os famosos Shadows. Ganharam justamente Fernando Concha e o seu Conjunto Mistério. E revelaram-se outros grupos que poderão ficar como valiosos intérpretes de música moderna.

Além deste factor, a iniciativa teve outra particularidade agradável: não houve êxtase de jovens contagiados na plateia, não houve distúrbios na sala.

Provou-se que os ritmos modernos podem ter o seu lugar em Lisboa sem os alarmanetes exageros de juventude que têm preocupado outras capitais e que ainda recentemente foram nota pouco tranquilizadora numa sala lisboeta".

Luís Pinheiro de Almeida

segunda-feira, 8 de julho de 2013

O RICKY NELSON PORTUGUÊS


"Estúdio", nº 184, 05 de Dezembro de 1960

Estava sentado ao piano, martelando inistentemente as teclas à procura de melodia!

Por simples curiosidade, claro! O próprio Bacelar se confessa um leigo em tal matéria.


A viola, por exemplo, só a conheceu há três meses. Mas apesar dos seus fracos conhecimentos de música, algumas canções que interpreta são de sua autoria.


Daniel Bacelar é um rapaz sisudo, melancólico, difícil de penetrar nos seus pensamentos. Fala com cautela, compassadamente.


Pouco habituado ainda a estas andanças, todo o cuidado é pouco perante o jornalista que se lhe depara com as mais desconcertantes perguntas.

Não foi, pois, sem certa dificuldade, que consegui obter as respostas.


Mas o certo é que Daniel sabe o que quer.


- Sim, na verdade reconheço que o meu estilo é muito semelhante ao de Ricky Nelson. Acho até que isso me é favorável, pois considero-o o melhor intérprete que existe de "baladas" e "rocks".


- Não, não acredito na vida artística como meio para ganhar a vida. Há muitas dificuldades. E para lhe ser franco nunca pensei em ganhar dinheiro a cantar. Foi tuto uma questão de sorte e um pouco de curiosidade da minha parte.


- O meu sonho é, na realidade, tirar o curso de medicina. De forma alguma deixaria o curso para me dedicar ao canto.


- Sou contra os que pensam que o "rock" é nefasto para a juventude.


- Não tinha nem tenho ideias pré-concebidas àcerca da vida artística. Considero-a igual a qualquer outra actividade.


- É certo que o meio em que se vive não é propício ao artista. Por seu lado, o público não compreende o artista.


- O que mais desejo, por agora, é alcançar popularidade e cumprir muitos contratos... sem que me prejudiquem a vida de estudante.


- Não, não há uma juventude extraviada. Há simplesmente parvos, com pretensões a "teddy-boys". Os chamados macaquinhos de imitação!...


- Sim, tenho uns 3 ou quatro amigos.


- A minha vida é muito aborrecida e monótona. Estudo e, quando o tempo mo permite, oiço discos. É o meu passatempo favorito.


- Não sou exibicionista. Nem posso com meninos que cantam aos "gritinhos".

DIGRESSÃO DE AUTÓGRAFOS...


Salvo uma ou outra excepção, a digressão de autógrafos era pelas lojas de electrodomésticos...

domingo, 7 de julho de 2013

DANIEL BACELAR E OS CONCHAS


"Estúdio" nº 184, 05 de Dezembro de 1960

Já nesta altura se dizia que Daniel Bacelar era o Ricky Nelson português e os Conchas os Everly Brothers.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

VOZES DA RÁDIO


iPLAY - IPV - 1862 2 - 2011

Regresso (António Calvário) - A Tal (Tony de Matos) - Cartas de Amor (Trio Odemira) - Caminho Errado (Luís Piçarra) - Marcianita (Daniel Bacelar) - Vocês Sabem Lá (Maria de Fátima Bravo) - Kanimambo ( João Maria Tudela) - O Amor É Louco (Carlos Ramos) - Aquela Janela Virada Pró Mar (Tristão da Silva) - Ó Zé Aperta O Laço (Maria Clara) - Embuçado (João Ferreira-Rosa) - Rpsinha dos Limões (Max) - Mãe (Artur Garcia) - Adeus (Júlia Barroso) - Não, Não, Não (Maria de Lourdes Resende) - De Degrau Em Degrau (Simone de Oliveira) - Não Sei (Marco Paulo) - Encontro Às Dez (Rui de Mascarenhas) - Maria Rita (Duo Ouro Negro) - Canção do Douro (Gina Maria)

Os viajantes deste blogue estão vingados!

Alguém meteu o "Marcianita", de Daniel Bacelar, nesta colectânea!

Finalmente!

Bem feita, Daniel, não estamos sozinhos!!!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

GUEDELHUDOS GASTRÓNOMOS


Guedelhudos grisalhos reunidos em repasto na "Floresta Oriental", em Lisboa, para variar...

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

DANIEL BACELAR E RICKY NELSON


"Plateia", 01 de Fevereiro de 1961

Qual o género que mais gosta de interpretar?

Género "cowboy", isto é, o género de Ricky Nelson.

Desde quando começou a interessar-se pela sua nova carreira?

Nunca senti vocação artística. Influenciado pelas canções do Ricky Nelson comecei a cantar. Certo dia, resolvi apresentar-me ao Carlos Moutinho para cantar no programa "Visitas de Domingo", onde não cheguei a colaborar por falta de acompanhamento, visto que nessa altura ainda não sabia tocar viola. Continuei a cantar e finalmente o programa "Caloiros da Canção" foi para o ar. Um amigo meu incitou-me a prestar contas. Fui aprovado e, uma vez escolhido como revelação do mês, a Columbia contratou-me para gravar comercialmente.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

DUAS LENDAS VIVAS DO ROCK PORTUGUÊS


Zeca do Rock e Daniel Bacelar, os dois primeiros músicos a gravar rock português em 1960, juntos e ao vivo, hoje à noite num restaurante caboverdeano em Lisboa, para ouvir Tito Paris.

Pioneiros!

terça-feira, 28 de junho de 2011

DANIEL BACELAR E OS GENTLEMEN


em baixo: António Sousa Freitas (bateria), Daniel Bacelar (voz) e Jorge Carp (baixo);

em cima: Claude Carp (solo) e Jaime Queimado (acompanhamento).