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segunda-feira, 14 de setembro de 2015

CANÇÕES DA GUERRA


PARLOPHONE - JGEP 12008 - edição sul-africana/moçambicana (1966)

Nessuno Mi Puó Giudicare - Mirza - A Mãe (António Policarpo) - In Un Fiore

Esta é a 1ª edição de "A Mãe".

Foi um grande êxito à época que mereceu edição na Metrópole dois anos mais tarde, em 1968.

Hoje, 14 de Setembro de 2015, a Antena Um começa a emitir uma série de programas sobre as "Canções da Guerra" - guerra colonial, entenda-se! -, da autoria de Luís Marinho, onde "A Mãe" também é referida, não sendo porém, propriamente, uma "canção de guerra".

Da autoria de Rafael Amorim, especialista no Conjunto de Oliveira Muge, pode ler-se aqui a verdadeira história de "A Mãe".

Os irmão Muge são tios de Amélia Muge.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

EDIÇÃO ORIGINAL DE "A MÃE"



PARLOPHONE - JGEP 12008 - edição sul-africana/moçambicana (1966)

Nessuno Mi Puó Giudicare (Beretta/Del Prete/Pace Panzeri) - Mirza (Nino Ferrer) - A Mãe (La Mer) (António Policarpo) - In Un Fiore (Mogol/Donida)

A capa da segunda edição já aqui apareceu com comentários do Rato.

Convém também consultar uma militante biografia da banda, feita por Carlos Santos, aqui.

Em relação a esta edição, duas observações:

1 - "A Mãe" não era a canção predominante; daí, provavelmente, a Valentim de Carvalho ter feito uma segunda edição diferente com capa a realçar;

2 - esta edição é sul-africana, mas impressa em Moçambicana. Na contracapa existe um pequeno texto assinado por "A Importadora":

Animados pelo sucesso do primeiro disco resolvemos editar mais um EP deste popular Conjunto Moçambicano que se revelou há muito como intérprete excepcional da Música moderna, imprimindo um estilo artístico muito pessoal. Estamos convencidos de que os quatro números que figuram neste disco, destacando-se entre eles a suave "A Mãe", proporcionarão agradável distração aos apreciadores de boa música e será um precioso contributo à causa a que se dedica.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

A MÃE


PARLOPHONE - LMEP 1331 - edição portuguesa (1968)

Nessuno Mi Puó Giudicare - Mirza - A Mãe (António Policarpo) - In Un Fiore

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

CONJUNTO OLIVEIRA MUGE


Uma foto descontraida e pouco conhecida do Conjunto Oliveira Muge.

Cortesia de Carlos Santos

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

CONJUNTO DE OLIVEIRA MUGE


O Conjunto de Oliveira Muge, originário de Ovar/Aveiro, era inicialmente constituído por José Muge (piano), Joaquim Silva (baixo e vocalista), Alberto Capitão (acordeão), António Biscaia (bateria) e António Policarpo (viola e vocalista).

As suas primeiras actuações remontam aos longínquos anos de 1959/60, onde actuaram ao vivo em Ovar, no Café Progresso e Orfeão de Ovar e ainda noutras localidades do distrito de Aveiro, assim como no Porto, nos estúdios da RTP, com dois programas em directo e no Rádio Club Português (RCP/Norte).

No final da década de 50, António Oliveira Muge (já falecido) foi o primeiro a partir da sua terra natal (Ovar) para Vila Pery/Moçambique. Nessas terras de magia e feitiço, António Muge e mais tarde o seu irmão José Oliveira Muge, conjuntamente com António Policarpo Oliveira Costa e o Victor (um militar pertencente ao batalhão ali existente), formaram o grupo.

Começaram a notabilizar-se rapidamente, pois com um nível fora do comum, abrilhantavam bailes, festas e outros eventos, na região de Manica e Sofala.

Quando da passagem de José Muge e de Policarpo por Lourenço Marques, elementos do Rádio Clube de Moçambique foram ao paquete Infante D. Henrique, onde viajavam, convidá-los para fazer um programa ao vivo no auditório dos seus estúdios, programa esse que teve um grande sucesso.

Foram também convidados pelo comandante do paquete para ficar no navio como conjunto residente, em alternância com o que já lá actuava.

O Victor, entretanto, face à retirada para Portugal do batalhão a que pertencia, teve de deixar o conjunto, entrando para o seu lugar o António Biscaia, que, entretanto, vindo de Portugal, se juntou ao agrupamento, continuando o António Muge a tocar o contra-baixo.

Os êxitos iam-se repetindo, agora já fora das nossas fronteiras, especialmente em Salisbury, na Rodésia, onde todas as sextas-feiras iam aos estúdios da televisão local fazer o “Seven Three Oh Show”, em horário nobre.

Como também actuavam noutros locais dessa cidade, como clubes e hotéis, surgiu-lhes um contrato para actuar durante um mês em Nairobi, no Quénia, num dos melhores hotéis da capital, o “New Stanley Hotel” e onde também fizeram um programa de TV nos estúdios locais.

De novo em Moçambique, o Biscaia, por motivos imprevistos, teve de abandonar o conjunto, entrando para o seu lugar o José Violante que tocava baixo, passando o António Muge para a bateria.

Em 1964 foi-lhes concedido pela imprensa moçambicana, o primeiro prémio de “O Melhor Conjunto de Gente Nova”, o que contribuiu para que fossem solicitados a deslocar-se, além do “seu território” de Manica e Sofala, mas também a outras localidades como Lourenço Marques, onde actuaram e receberam o referido prémio, assim como a Quelimane, Nampula, António Enes, Tete, etc…

Em 1965, com o Sr. Moura da Rádio Aero Clube da Beira, foi editado o 1º EP, gravado nos estúdios da Emissora, embora com a tecnologia disponível, mas que mesmo assim, para a época, ficou bastante bom e obteve êxito.

Em 1966, surgiu a hipótese de se deslocarem à África do Sul, o que veio a acontecer. Em Joanesburgo, nos estúdios da EMI/Parlophone, gravaram o famoso disco, onde se incluía a faixa “A Mãe”, de autoria de António Policarpo, tema esse que nessa altura se dizia estar proibido de ser difundido em Portugal, por questões que se interligavam com a guerra do Ultramar.

Em 1967 voltaram a Joanesburgo, onde gravaram mais 2 EPs que também foram muito popularizados.

Era a época do Pop/Rock (Rock e Twist), no entanto o seu repertório baseava-se essencialmente na música italiana, espanhola e francesa (eram exímios).

Foi nessa época considerado um dos melhores conjuntos de Moçambique, de grande qualidade musical. Venderam numerosoa EPs e as suas canções passavam imensas vezes nas rádios. Os seus EPs gozavam de grande popularidade, colocando-se entre os tops dos 10 mais vendidos.

O tema “A Mãe” foi das canções mais solicitadas pelos militares em Moçambique, no período da Guerra Colonial.

Em 1968 regressaram temporariamente a Portugal, onde actuaram em bailes de carnaval de Ovar (1969), mais uma vez no Café Progresso e Orfeão de Ovar.

Entretanto decorria a Guerra Colonial. O grande êxito do compositor Policarpo Costa era sem dúvida uma canção sentimental que lembrava a separação, a dor da partida, a distância das famílias e os militares e acima de tudo as saudades que os militares tinham das suas “mães”.

De regresso a Moçambique, o conjunto manteve-se activo até cerca de 1974.

Como teria dito a cançonetista portuguesa Maria de Lurdes Resende que muito trabalhou com este conjunto, "o conjunto de Oliveira Muge é um agrupamento de muita categoria”. Sem dúvida, de categoria internacional!

Posteriormente, em 3 de Julho de 1976, o grupo reapareceu actuando durante vários anos no Restaurante Progresso na praia do Furadouro/Ovar, não faltando no seu vasto repertório, os ritmos africanos de Moçambique e não só.

Para que conste, o famoso tema “A Mãe” foi recentemente utilizado como música de fundo num recente filme português “Aquele Querido Mês de Agosto” que foi o único filme nacional presente ao festival de Cannes/2008, tendo sido incluído na Quinzena dos Realizadores.

Actualmente, José Muge e Policarpo Costa vivem em Ovar, onde o bichinho da música ainda os atormenta. Tanto um como outro ainda tocam e compõem…

Colaboração de Carlos Santos (agradecimento especial aos meus amigos José Muge e António Policarpo que tiveram a gentileza de me cederem recortes de jornais da época, fotos e apontamentos sobre o conjunto)