
Os Cocktails foram os grandes vencedores do I Festival Guitarra de Ouro Yé-Yé que se realizou em Coimbra, no Teatro Avenida, no dia 23 de Abril de 1966.
Foi um dos primeiros grandes festivais yé-yé que se realizou em Portugal.
Eis uma súmula dos grandes festivais yé-yé realizados em Portugal:
- Rei do Twist (Monumental, Lisboa, 07SET63)
- Concurso Tipo Shadows (Roma, Lisboa, 04OUT63)
- Festival de Ritmos Modernos (Monumental, Lisboa, 11/12JAN64)
- Festival Yé-Yé de Coimbra (Avenida, Coimbra, 23ABR66)
- Concurso Yé-Yé (Monumental, Lisboa, 30ABR66)
- Festival CITU (Império, Lisboa, 17MAI68)
- 1º Festival de Vilar de Mouros (03/04AGO68)
- Festival da Costa do Sol (Estoril, 16JUL69)
- Festival dos Salesianos (Estoril, 26AGO70 - proibido)
A final do Festival de Coimbra - que é o que interessa agora - iniciou-se com a actuação do Conjunto Leonel de Oliveira, de Aveiro, constituído por Carlos Castro (baterista), António Mónica (viola-baixo), Fernando Pires (viola-ritmo), João Carlos Imaginário (órgão) e Leonel de Oliveira (viola-solo).
O famoso conjunto da "Rainha do Vouga" comportou-se à altura dos seus créditos, reza o
Diário de Coimbra, vulgo
Calino, da época.
A seguir, entrou em palco os Shanes, do Porto, compostos por Rui Fernandes (viola de acompanhamento), João Manuel (viola-baixo), Carlos Alberto (solista), Pedro Cavaco (baterista) e Horácio Luís, agente artístico e técnico de som.
Senhores da sua preparação, conhecedores de música, os Shanes sofreram o precalço de se lhes ter avariado a sua aparelhagem de amplificação de som, mas reagiram desportivamente, levando até final a sua actuação, interpretando quatro escolhidas composições.
Depois foi a vez dos Moscardos, de Matosinhos, constituídos por António Carlos Rangel, Manuel Monteiro Teixeira, Pedro Manuel Taveira, Manuel de Barros Monteiro, Jorge Emanuel Ribeiro e Cláudio José Belo.
Foram ovacionados entusiasticamente pelos jovens de Coimbra, que se associaram aos fãs desse conjunto vindos do Norte.
Foi o delírio quando o conjunto os Celtas, de Lisboa, composto por Aníbal Ramos Duarte, um conimbricense, José Luís, Vítor Pinto, Carlos Félix e Vítor Manuel se exibiu.
Os aplausos foram intermináveis e quando o pano de ferro desceu, para o intervalo, teve novamente de ser levantado duas vezes.
Após o intervalo, actuaram os Corvos, do Porto, com Manuel Leitão, Manuel Ferreira, Augusto César, Mário Rui e Alberto Lima.
Surgiram depois os
Protões, com
Jorge Carvalho, Eugénio Eliseu, Nóbrega Pontes, António Carlos e Fernando Dias.
Mais uma lição a tirar do Festival foi dado por este grupo de rapazes estudantes, na sia maioria moradores no Bairro Marechal Carmona.
O Festival terminou com a actuação dos Cocktails, formados por Fernando Agostinho Machado, Luís António Gonzaga de Melo e Silva, António José Netura Martins e Silva, António José Ventura Martins Mano, António Luís Marques Romão, Joaquim António Colaço, Carlos Alberto Duarte da Costa e Xico.
Incrível o entusiasmo da multidão ao aplaudir os Cocktails.
Foram os seguintes os prémios:
- melhor baterista: Luís Gonzaga, dos Cocktails, a quem foi entregue o relógio-tambor, oferta da Ourivesaria Patrão;
- melhor viola-solo: Romão, dos Cocktails, que recebeu o relógio-viola, oferta da Ourivesaria Costa (antiga Ourivesaria Almeida Costa);
Conjuntos:
3º - Moscardos - 41 pontos;
2º - Protões - 42 pontos;
1º - Cocktails - 50 pontos.