Mostrar mensagens com a etiqueta Candido Mota. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Candido Mota. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

MEMORÁVEL!


Cândido Mota exercita os seus dotes vocais numa versão de "I've Got You Under My Skin", acompanhado por Vítor Mamede, dos Chinchilas, na bateria, e Fernando Chaby e Edmundo Silva, dos Sheiks, nas guitarras.

A voz (magnífica) do "Em Órbita" ainda exultou com "A Garota de Ipanema" e fez rir com as histórias de Marco Paulo e Major Alvega.

Daniel Bacelar também deu um ar da sua graça com "Living Doll", "The Young Ones" e "Hello Mary Lou", mas escusou-se uma vez mais à célebre "Marcianita".

Nesta tertúlia, que se realizou hoje à noite no ambiente íntimo do rés-do-chão do restaurante "Passarola", em Lisboa, estiveram muitos outros músicos, como Zé Luís, dos Ekos, Carlos Silva Pereira, dos Telstars, e outros individuais, como um habilidoso Hank Marvin, Luís Rosa (dos Ekos).

E percebem-se aí novidades de monta...

quinta-feira, 16 de julho de 2009

SIMPLESMENTE... MARIA


MOVIEPLAY - SP 20 088 - 1973

Maria... Simplesmente (Rui Ressurreição/Thilo Krasmann)

Direcção musical de Thilo Krasmann

sexta-feira, 10 de julho de 2009

NINGUÉM DIRIA.... (01)


José Luiz de Magalhães Pereira, Pedro Albergaria, João Manuel Alexandre, Jorge Gil, Mark Jones, Melinda Jones, Tom Jones e Cândido Mota.

Percebe-se por que razão só 42 anos depois esta foto é revelada.

À altura - 1967, ano de "Sgt. Pepper's" ainda por cima - não seria in publicar uma fotografia da elite do "Em Órbita" com o canastrão do Tom Jones.

O denunciante é filho de um dos presentes, cuja identidade preservo por questões de segurança e higiene mental.

Ainda por cima - diz a denúncia - trata-se de um jantar de promoção a Tom Jones, no "Lisboa À Noite", promovido pelo próprio "Em Órbita".

Foi no dia 07 de Setembro de 1967, ainda em pleno Summer Of Love.

A splendid time was guaranteed for all, apesar de alguns rostos extasiados e outros petrificados, remata o denunciante.

sábado, 15 de novembro de 2008

CONJUNTO MARIA ALBERTINA


ORFEU - ATEP 6418

S. João dos Namorados - Chula do Pula Pula - Rapariga da Murtosa - Moinho da Ribeira

Ao contrário do que é vox populi, Cândido Mota é filho da fadista Maria Albertina, falecida em 1984 ou 1985, dependendo das biografias, e não de Maria Albertina do Conjunto que leva o mesmo nome.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

CRISPIAN ST PETERS


DECCA - PEP 1159 - 1966

You Were On My Mind – Wat I’m Gonna Be – The Pied Piper – Sweet Dawn My True Love

Neste disco sei que “You Were on My Mind” é a canção forte, de referência, “o grande êxito de Crispian St. Peters”, tal como se pode ler na capa. Mas gosto muito de “The Pied Piper”.

Cândido Mota, no “Em Orbita”, a anunciar o disco, as primeiras espiras a rodarem e ele a dizer: “sigam-me que eu sou o tocador da flauta mágica".

Disco comprado na Discoteca Universal”, em Lisboa, no dia 30 de Junho de 1966, por expressa e oportuna indicação do “Em Órbita”.

Colaboração de Gin-Tonic

(nota do editor: eu, por mim, tenho a subida honra de ter sido o introdutor de Crispian St. Peters e de "You Were On My Mind" em Portugal, em 1965. Não mais me esqueci disso. Mal recebi o disco, fui imediatamente levá-lo à "23ª Hora", de João Martins. Foi o êxito total! O "Em Órbita" ainda estava a dar os primeiros passos).

segunda-feira, 30 de junho de 2008

"FEITO POR TODOS, DITO POR MIM"



RCA VICTOR - TP 328 - edição portuguesa

Dedicated To The One I Love (Bass/Pauling) - Free Advice (M. Gilliam/John Phillips) - Even If I Could (John Phillips) - Once Was A Time I Thought (John Phillips)

Se uma modificação profunda se processou no gosto musical de uma geração, isso deve-se ao "Em Órbita". Raros foram os dias em que o não ouvi no velho “Blaupunkt”, de olho verde à esquerda,” de casa do meu pai.

Isso até Junho de 1967 porque por esses dias assentei praça em Tavira e chegou um tempo em que o FM do Rádio Clube Português não chegava às ondas do transístor de fancaria que ouvia na caserna do CISMI.

Quando passados tempos regressei, o “Em Órbita”, entrara em novas aventuras e deixara de ser o programa que conhecera.

Quem não o ouviu não sabe o que foi e não dá para explicar, se isso, naturalmente, fosse possível – "Um programa feito por todos e dito por mim", como dizia o Cândido Mota, em minha modesta opinião, a melhor voz que o “Em Órbita” teve. (estou de acordo! - nota do editor).

Este disco, com esta bonita capa, Made in Portugal, é um dos muitos que comprei por causa do “Em Órbita” e escolho este porque “Dedicated to the One I Love” se tornou uma das canções das minhas diversas vidas.

“While I'm far away from you, my baby
I know it's hard for you, my baby
Because it's hard for me, my baby
And the darkest hour is just before dawn".

Como diria o Tom Waits, esta é do fundo do coração e como a vida nunca é exactamente o que queremos, transportamos, por vezes, algumas canções que associamos a memórias mágicas.

Mas isto já está a resvalar para a lamechice e por aqui me fecho. Até porque os silêncios são mais precisos que as palavras e eu só queria lembrar o “Em Órbita”, mostrar esta capa e concluir que, como dizia alguém que agora não lembro o nome, é preciso chegar aos sessenta anos para se ver que aos vinte é que se teve tudo.

Colaboração de Gin-Tonic

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

"EM ÓRBITA"


"Revenge" é um instrumental dos Kinks e foi o primeiro indicativo do "Em Órbita", do Rádio Clube Português, em1965.

Mas não é uma co-autoria de Jimmy Page, mas sim de Larry Page (que chegou a ser produtor/manager dos Kinks).

Ainda Jimmy Page: é também um mito urbano a sua participação em "You Really Got Me", o primeiro grande êxito dos Kinks e por muitos considerada a primeira manifestação musical de heavy metal.

No dia 1 de Abril de 1965, um pouco depois das sete horas da tarde, Pedro Castelo anunciava, após alguns acordes do instrumental “Revenge”, dos Kinks, composto por Ray Davies e Larry Page na frequência modulada (uma novidade) do Rádio Clube Português, “Em Órbita”: “um programa feito por nós e dito por mim”.

Não sei se a frase foi dita logo na abertura do primeiro programa ou mais tarde por Cândido Mota o seu apresentador nos anos subsequentes, mas sei que se tornou frequente, ao longo dos anos, e é isso que importa.

Uma frase que funcionava como se de uma assinatura, uma síntese se tratasse, encapsulando em si um novo conceito ou parte dele: não estávamos perante um programa que promovia “estrelas da rádio” (muito comuns na época), quer fossem os seus autores ou o apresentador (na altura dizia-se “locutor”), mas anunciava, isso sim, uma certa radicalidade, um corte com a tradição de falsa intimidade com o ouvinte, tantas vezes expressa, pelos chamados “locutores da voz doce” e suas companheiras de emissão, no “amigos ouvintes, muito boa noite; somos a vossa companhia durante estes próximos minutos”.

Radicalidade, intransigência, fidelidade aos princípios definidos pelos seus autores (Jorge Gil, José Gil, João Manuel Alexandre e Pedro Albergaria, entre outros) sem qualquer tentativa de ir “ao encontro do gosto do público”, era este o conceito, o que só era “permitido” por se tratar da rede de frequência modulada, algo que, ao tempo, era uma novidade que só um número limitado de receptores possuía, o que a tornava numa frequência elitista e o custo da respectiva emissão, e da publicidade que a mantinha, substancialmente mais baixos e acessíveis a um maior número de anunciantes.

Aliás, até no caso da publicidade o “Em Órbita” foi de certo modo pioneiro, pois, se bem lembro, tinha um patrocínio único seleccionado pelos próprios autores do programa com “spots” adaptados ao seu “mood and tone”, o que, longe de ser um acaso, era essencial à apresentação da sua unidade conceptual.

Mas a sua marca mais identificativa foi o facto de ter sido o primeiro programa de rádio a apenas “passar”, de modo consistente e intransigente no gosto, música popular anglo-americana, "rock & roll", a música que mudou o mundo e era considerada na altura, no Portugal ultraconservador da ditadura, como “música e batuque de pretos” (sim, no Portugal “multirracial”), pecado original que conduzia directamente à depravação dos costumes, diluição da moral e delinquência juvenis.

Aliás, o que era curioso verificar era o facto da esquerda comunista e a ditadura salazarista terem perante o "rock & roll" uma atitude idêntica, embora com propostas diferenciadas: a música de variedades, para o regime, e a canção de texto francesa para a esquerda comunista.

Essa radicalidade, esse “desprezo” (chame-mo-lhe assim) pelo gosto das maiorias substituído pelo gosto dos seus autores, essa “arrogância” assumida (sim, não há mal nenhum nisso) ajudou a formar e a formatar o gosto musical (e não só) de uma geração, mas foi muito para além disso: contribuiu para a criação, em muitos adolescentes de então onde felizmente me incluo, de uma personalidade e um novo modo ver e entender o mundo.

Foi esta “atitude” que levou Jorge Gil a abrir uma excepção para chamar a atenção para José Afonso, ainda no tempo das baladas de Coimbra, e a “passar” a “Lenda de El-Rei D. Sebastião”, do Quarteto 1111, na altura uma pedrada no charco da música portuguesa.

Foi também essa atitude que levou o “Em Órbita a eleger, num dos seus anos de emissão, “Strangers In The Night”, de Frank Sinatra, um dos temas mais “passados” nesse ano nos vários programas de rádio, como a pior canção do ano, para grande escândalo da maioria e gozo dos autores do programa e dos seus indefectíveis.

Foi, ainda, essa mesma forma de encarar a vida e o mundo que levou o mesmo Jorge Gil a mudar a orientação do programa quando concluiu que as premissas que tinham presidido ao seu conteúdo e orientação musicais iniciais já se não mantinham, dado que a importância sociológica e musical do "rock & roll" como elemento gerador da inovação e da mudança estava claramente a entrar em regime de fade out.

A partir daí “Em Órbita” dedica-se à divulgação e música antiga e barroca, quer enquanto programa de rádio quer como organizador de concertos. Mas o rigor, a inovação, a intransigência e a qualidade das propostas não mudam. É, isso sim, o tipo de música que muda para que a concepção no essencial se mantenha.

Foi mais do que um programa de rádio: foi a descoberta de uma concepção, de uma forma de encarar e tentar viver a vida.

(direitos reservados)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

A LENDA DE EL-REI D. SEBASTIÃO


Li hoje um anúncio extraordinário - no bom sentido - no Diário Popular de 29 de Julho de 1967. Rezava assim:

Quarteto 1111

Uma das tentativas mais válidas para a evolução da música portuguesa. Oiça o Quarteto 1111 no programa "Em Órbita" a partir de hoje cerca das 19H30.

Há neste anúncio um elemento histórico-cronológico deveras interessante. É que 40 anos depois, sabemos que "A Lenda" passou pela primeira vez no "Em Órbita" no dia 29 de Julho de 1967.

Se não fosse este anúncio, como saberíamos hoje em que momento isso se teria passado?

E a propósito desta estreia e única passagem de música portuguesa no "Em Órbita", disse Cândido Mota aos microfones do Rádio Clube Português em várias ocasiões:

"É o sebastianismo colectivo que na lenda se retrata, a ideologia negativista dos que se alimentam da crença irracional em coisas, em valores, em poderes que não existem, dos que se deixam enganar pelos falsos Messias do oportunismo e da mistificação".

"Uma tentativa honesta e inédita de lançamento das bases de uma música popular portuguesa que todos nós, em boa consciência, queremos renovada por inteira".

"Temos para nós que o trecho que vamos apresentar preenche os requisitos mínimos para a sua divulgação por este programa, com todas as implicações que a sua transmissão através de "Em Órbita" acarretam.

"Tendo por título "A Lenda De El-Rei D. Sebastião", é escrito por um português tocado e cantado por portugueses.

"Vamos apontar o que nela se nos afigura existir de importante e de novo, focando em especial os aspectos puramente interpretatitvos, instrumentais e vocais.

"O que neste trecho impressiona mais, o que nele se inclui de mais nitidamente inédito é que, em cima de uma melodia de encantadora simplicidade, há uma história singela, popular, portuguesa, dita em versos directos, certeiros, desenfeitados.

"Conta-se uma lenda. Como lenda que é, trazida até hoje pela herança popular, pertence ao folclore, ao património mais íntimo da comunidade e dos costumes do nosso país.

"É um tema eterno, de criação nacional e de validade perene e universal".

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

UM DISCO CURIOSO


FUNCARD - 1982

O seu perfil e previsão astrológica para quatro anos por Allen Spraggett, narrado por Cândido Mota.

Nem mais! A minha voz preferida do "Em Órbita" a falar do meu signo. É um EP curioso também, porque é uma espécie de gatefold e marcha a 33 rotações. Eu é que tenho medo de o pôr no gira-discos, não vá a agulha explodir!

Escreveu Cândido Mota na contracapa:

"Olá, amigos!

"Espero que este disco vos proporcione alguns momentos agradáveis e vos ajude a conhecerem melhor as características principais da vossa personalidade, de acordo com o vosso signo.

"Se a alegria e o prazer que sentimos ao fazê-lo se comunicarem a quem me escuta, o nosso objectivo terá sido plenamente atingido".

Comprei-o hoje, por piada, no Cash Converters, por 17,5 cêntimos.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

NA ÓRBITA DE EM ÓRBITA


Texto lido por Cândido Mota aos microfomes do FM estereo do Rádio Clube Português no dia 06 de Março de 1968:

No dia 01 de Abril de 1965 este programa iniciou a sua transmissão regular. Desde esse dia que temos vindo a dedicar-nos, praticamente em exclusivo, à divulgação, à selecção, à explicação e ao enquadramento das formas mais representativas de música popular de expressão inglesa.

Dos que nos escutam, muitos certamente recordam que era então o tempo de uma heterogénea e atabalhoada transmissão de gravações estrangeiras de toda a ordem e de todas as categorias, com o predomínio incontestável em tudo quanto de pior vinha de França.

Era a Vartan, o Johnny, o Anthony, o François, o Alamo. Eram uns cantores de voz doce do género Barrière, fotocópias imperfeitas de um Aznavour em plena e justificada glória.

Começámos então, nós, a divulgar um som praticamente inédito, em exclusivo, porque nos pareceu, como ainda nos parece ainda hoje, que a música popular anglo-americana contém em si mesma a amplitude de temas, de géneros e de sonoridades suficientes para não fatigar.

Além disso, nós desde logo contámos com a sua evolução própria e pretendemos acompanhá-la no que ela tivesse de válido, de representativo, de permanente.

E foi o que sucedeu. O "Em Órbita" de hoje é completamente diferente do "Em Órbita" do dia 01 de Abril de 1965. Nós, pelo nosso lado, procurámos evoluir. Mas principalmente quem evoluiu foram os criadores da produção musical que aqui se transmite.

Ora bem. Assiste-se hoje na rádio portuguesa a um fenómeno curioso. Os arautos dos "programas para todos os gostos" alinham hoje numa quase exclusividade que se traduz nesta estatística que nos démos ao trabalho de organizar: 94 % da música popular estrangeira que se transmite em Portugal é de origem inglesa e americana.

Tomámos, por conseguinte, sobre nós a responsabilidade de termos iniciado este movimento. Mas já, por outro lado, somos absolutamente alheios aos efeitos extremamente perniciosos que esse fenómeno está a produzir, em consequência daquilo que sempre temos combatido: o aproveitamento cego, não assimilado, superficial, dos nossos processos.

Não temos culpa nenhuma que tudo o que seja falado em inglês tenha ipso facto lugar a ser transmitido sem preocupações de selecção criteriosa ou de ponderação séria de valor intrínseco.

Por outro lado, e vamos chegar ao ponto que nos interessa, costuma-se atribuir à música que nós aqui transmitimos o epíteto de "música para a juventude".

E como a canção vencedora do recente Festival foi rotulada de canção ao estilo da juventude, aí já nós temos algo a dizer, melhor, a repetir, de modo a desfazer confusões geradas pela pressa furiosa que existe em certos meios de catalogar de sloganizar determinadas realidades.

Sempre proclamámos que a música popular anglo-americana que nós aqui transmitimos vai buscar grande parte do seu valor à sua prodigiosa vitalidade, à sua irreverência, à sua espontaneidade e, fundamentalmente, à sua essencial originalidade.

Ela não é como um produto para o consumo corrente, não é mercadoria, é uma expressão musical de uma realidade que se lhe ajusta perfeitamente e daí a sua autenticidade.

Ora aconteceu que anteontem apurou-se como representante do nosso País para um Festival internacional uma canção que, de portuguesa, só tem o revestimento ("O Verão", de Carlos Mendes - nota deste pseudo-bloguista).

Reflecte ela a procura desmesurada e cega de um som que se usa, que se consome. Aproveitou-se uma cadência rítmica que nos é estranha. Meia dúzia de efeitos de orquestração para impressionar. Uma acentuação melódica aos safanões para lhe dar um tom de pseudo-modernidade, um novo riquismo harmónico para dar que fazer a 45 elementos da orquestra. Depois o intérprete encarregou-se de utilizar todos os tiques que constituem a débil encenação que se pretendeu montar.

Ora o que nós queremos frisar e acentuar é isto: esta canção não é uma canção de juventude, justamente porque lhe falta a autenticidade, a frescura, a originalidade, o toque de irreverência, enfim, tudo o que caracteriza a boa música a que a tal canção vai buscar inspiração.

Deste modo, e em conclusão, se de algum modo contribuímos para a implantação de uma nova moda em Portugal, repudiamos em absoluto tudo o que represente a transposição para música popular portuguesa de elementos que são estranhos a toda a realidade nacional.

A canção vencedora do Festival é o exemplo vivo de uma tendência que é necessário reprimir e combater de uma vez para sempre. A total ausência de espírito criador não merece ser exibida em casa e, muito menos, na Europa.

A macaquiação do estrangeiro não dignifica, antes diminui e enxovalha os que por ela são forçadamente representados.

A terminar, queremos deixar uma nota de muita simpatia pela canção "Balada Para D. Inês". Um tema cuja singeleza, simplicidade e manifesta demonstração de intenção inovadora nas melhores bases merecem que lhe seja dado aqui o devido relevo. Uma interpretação infeliz não lhe retira em nada as suas virtudes intrínsecas.
Parabéns a José Cid e ao Quarteto 1111!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

1111 AO VIVO!


Não estou com meias medidas! Apesar de não ser parte interessada, estou a convidar os meus leitores a um (raro) concerto ao vivo do Quarteto 1111 (com José Cid e tudo!).

É já amanhã, dia 23, no Musicbox (ex-Texas Bar), em Lisboa, na Rua Nova do Carvalho, 24, ao Cais do Sodré, às 22H00.

Podem aproveitar e jantar no Porto de Abrigo (comer umas vieirinhas, por exemplo), que era onde a malta de esquerda dos anos 60 por vezes ia.

O concerto insere-se no lançamento do (excelente) livro do jornalista António Pires (um dos ex-cérebros do "Blitz") sobre a história do grupo a que deu o título de "As Lendas do Quarteto 1111".

Ah! E vai lá estar Cândido Mota, ex-voz do "Em Órbita".

domingo, 21 de outubro de 2007

APROXIMAÇÃO A 3


Sempre odiei aquela coisa do "adivinha lá quem está a cantar". Além do mais, nunca tive jeito para isso. Bloqueio.

Isso não me impediu, no entanto, de no dia 21 de Outubro de 1967 (que coincidência, faz hoje exactamente 40 anos - juro que não foi de propósito, é mesmo feliz coincidência) de rumar ao Rádio Clube Português, que era aliás a dois passos de minha casa, na Rua Sampaio e Pina, 24, onde aliás ainda hoje está, depois de se ter chamado Rádio Comercial.

O programa "Em Órbita", que era transmitido das 19H14 às 20H52, tinha uma espécie de passatempo escrito a que dava o nome de "Aproximação a 3":

"Aproximação a 3" é a oportunidade que damos a um ouvinte por semana de ser posto à prova das suas faculdades de identificar, justificando, trechos cujos títulos, autores e intérpretes só lhes são comunicados posteriormente.

Convocados dois ouvintes, apenas um compareceu para ser submetido ao teste a que se resume esta aproximação a três. Luís Titá de novo o primeiro ouvinte que se ofereceu como na semana passada. Desta vez, porém, Luís Titá não foi tão feliz. Tal não impediu, como é da regra, que levasse consigo o disco que sempre oferecemos aos participantes.


Vejam bem o baile que eu levei (por comiseração por mim próprio, omito os meus palpites - não acertei uma, relembrando apenas as respostas do programa):

Tim Hardin

Não adivinhou. É Tim Hardin. Não adivinhou, mas com um pouco de atenção talvez o tivesse conseguido. É manifesta a tonalidade folk de toda a composição, assim como a vocalização particular de Tim Hardin.

Doors

Estamos em total desacordo. Os Doors representam um grupo difícil de identificar, certo, mas não confundível nem com os Kinks nem com os Byrds. O som de S. Francisco é hoje uma coisa que efectivamente existe e que já tem uma forma definitiva.

Aretha Franklin

A confusão com Nina Simone não nos parece aceitável. Para se adivinhar a Aretha Franklin do seu álbum mais recente, seria necessário evocar as afinidades com a música tradicional e religiosa dos negros norte-americanos que são patentes em todo o disco.

Não foi bem sucedido o nosso ouvinte Luís Titá nesta sua segunda aproximação a três. Não obsta a que aqui deixemos manifestado o nosso apreço pela atenção, pelo escrúpulo e pela lucidez com que demonstrou seguir e apreciar este programa em todos os seus aspectos.

Muito obrigado!, digo agora eu (uma vez mais).

Como provavelmente se poderá ver, o disco é um EP de Cat Stevens com "I'm Gonna Get Me A Gun", "School Is Out" (não, não é a canção de Alice Cooper), "Baby Get Your Head Screwed On" e "Here Comes My Baby" (sim, os Tremeloes fizeram uma versão desta canção).

Os autógrafos são de Cândido Mota (locutor) e dos autores do programa João Manuel Alexandre, o "cérebro" do programa, advogado, ex-presidente da Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa (AAFDL), morto num desastre de automóvel na Marginal no dia 29 de Setembro de 1969, Pedro Albergaria, Jorge Gil, arquitecto, que trouxe o "Em Órbita" até não há muito, e Manuel Violante (colaborador).