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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

ANTÓNIO IGREJAS EM DISCO


POLYDOR - 10015 - s/data

O Sol Anda Lá No Céu (Fado do Mondego) (Carlos Diniz Figueiredo Junior) - Amélia (Luís Góis) - Laurinda (DR) - Fado da Saudade (Fado do 5º Ano Médico)

Arranjos e direcção de Thilo Krassman, produção de João Martins.

domingo, 23 de agosto de 2015

BERÇO DO ROCK PORTUGUÊS


Foi neste jardim de Coimbra, Jardim da Manga, que há 57 anos nasceu o rock português com os Babies, de José Cid e outros..

sábado, 19 de julho de 2014

MORREU RUI NAZARETH


Rui Nazareth, um dos pioneiros do rock português, integrante dos Babies, primeira banda portuguesa de rock, morreu hoje, sábado, dia 19 de Julho, no Brasil, vítima de um aneurisma.

Era guitarrista. Tinha 72 anos.

Rui Alberto Mira dos Santos Nazareth nasceu em Viseu no dia 17 de Março de 1942. Era licenciado em Física e doutorado em Física Nuclear.

Vivia desde 1962 no Rio de Janeiro, onde era professor aposentado do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde leccionou e pesquisou durante 34 anos.

Em cima, numa fotografia relativamente recente com José Cid, que também fez parte dos Babies.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

ANTÓNIO PORTELA TOCOU COM SHERIDAN


António Augusto Pedro Portela nasceu em Ponta Delgada no dia 28 de Agosto de 1941.

Em 1955, aos 14 anos, foi estudar para Coimbra, onde ficou interno no Colégio Camões.

Aí conheceu José Cid, também estudante do Camões, e juntamente com António Igrejas de Bastos e Rui Nazareth formaram os Babies, tidos como a primeira banda de rock portuguesa (1958).

Os Babies tocavam sobretudo nos bailes das Faculdades e do Liceu, mas acabaram em 1960, quando Igrejas de Bastos foi viver para Lisboa com a família.

António Portela fez parte depois da Orquestra Ligeira do Orfeon, com Rui Ressurreição e Daniel Proença de Carvalho, entre outros, tendo feito uma digressão de dois meses por Angola com José Afonso.

Já nessa altura, o Zeca era um despistado, lembra António Portela.

Em Setembro de 1962, Portela foi para a Alemanha à procura dos sonhos que um amigo lhe influenciara e aí vive, em Hamburgo, até hoje.

Tornou-se músico profissional, pianista, e também engenheiro de som, tendo exercido a sua actividade com múltiplos músicos, de diversas nacionalidades, sobretudo de jazz, em diversas circunstâncias.

Tenho mais de 1.000 títulos na cabeça, revela, acrescentando que não pode estar parado.

Uma das coisas que mais satisfação me dá agora é participar em projectos sociais, tocando, por exemplo, em lares de idosos.

Em 1975, António Portela cruzou-se musicalmente com Tony Sheridan, cantor britânico que gravou com os Beatles nos chamados tempos de Hamburgo (1960-1961).

Eu já conhecia Tony Sheridan. Ele era muito famoso por causa dos Beatles e por causa do seu êxito "Skinny Minnie". 

Encontrei-o num bar em Rahlstadt (Hamburgo), Radolf Stube, e tocámos durante um ano. Ele cantava e tocava guitarra e eu piano e contrabaixo.

Tony Sheridan era uma pessoa muito simples, não tinha nada ar - e mania - de vedeta!

No mundo dos Beatles, António Portela conhece também - e é amigo - de Horst Fascher que nos tempos de Hamburgo foi uma espécie de guarda-costas dos Beatles pelos bares de Reeperbahn.

Nos dias de hoje, António Portela acompanha ao piano a voz de Birgit Fischer.

Luís Pinheiro de Almeida

domingo, 14 de julho de 2013

JOSÉ CID À BATERIA


José Cid à bateria numa formação dos Babies, primeira banda de rock portuguesa.

António Portela ao acordeão e António Igrejas de Bastos à guitarra. Provavelmente 1958.

Cortesia de António Portela, em Hamburgo

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

YÉ-YÉ EM COIMBRA

(Os Álamos em Oliveira do Hospital 1963/64: Luís Filipe Colaço, José Veloso, Carlos Correia (Bóris) e Alberto Nogueira ("Pente"), baterista ocasional).

O chamado yé-yé teve em Coimbra os seus principais baluartes nos Álamos e no Conjunto Universitário Hi-Fi. Mas outros conjuntos houve.

Os Álamos surgiram em Coimbra em 1963, na sequência da dissolução do conjunto do Orfeão de Coimbra, onde pontificavam José Cid, José Niza, Joaquim Caixeiro, Rui Ressurreição e Daniel Proença de Carvalho.

A primeira formação do Conjunto Universitário Os Álamos ainda manteve Rui Ressurreição, mas para a gravação do 1º EP ( "O Comboio" , Rapsódia EPF 5.305, de 1966) o grupo já era formado por Francisco Faria (voz), Luís Filipe Colaço (guitarra-solo), Duarte Manuel Brás (guitarra-ritmo), José Luís Veloso (guitarra-baixo) e José António Pereira (bateria).

"O Comboio" foi das primeiras canções jamais escritas por José Cid, que a ofereceu aos Álamos. José Cid assinava então José Cid Tavares.

O EP incluía mais três canções, curiosamente todas elas do repertório dos Beatles, mas só uma original de Lennon/McCartney, contrariamente ao que está indicado na contracapa: "The Night Before" (Lennon/McCartney), "Baby It's You" (Mack David/Barney Williams/Burt Bacharach, indicado erroneamente como sendo de Lennon/McCartney) e "Taste Of Honey" (Bobby Scott/Rick Marlow).

Os Álamos actuavam por todo o País, incluíndo Madeira (1964) e Açores (1966), e fizeram digressões por Angola (1967). Confessaram que rejeitaram contratos na África do Sul, Suiça e nas Canárias por causa dos estudos.

As sebentas sempre se sobrepuseram às violas. Continuamos como no princípio: desejosos da formatura. Não somos ié-iés furiosos. Ray Charles é o nosso monstro sagrado. Beach Boys e Beatles são também grandes para nós.

Em 1969, os Álamos editaram mais dois singles, "Stop That Game" , Sonoplay, SN-20.191 (Stop That Game/It's A New Day), e "Peter And Paul" , Sonoplay, SP 20.002 (Peter And Paul/Flip Side).

Na gravação do primeiro single participaram Carlos Correia (voz e guitarra) que substituiu Francisco Faria, José António Pereira (bateria), Luís Filipe Colaço (guitarra-ritmo), José Luís Veloso (guitarra-baixo), António José Albuquerque (teclas) e Rui Ressurreição (teclas).

"Stop That Game" é da autoria de Carlos Correia, que mais tarde acompanharia José Afonso à viola, com arranjos de Rui Ressurreição, e "It's A New Day" é uma composição de Isabel Motta e Rui Ressurreição.

No segundo e último disco dos Álamos, "Peter And Paul" é da autoria de Rui Ressurreição e Isabel Motta, enquanto "Flip Side" é da autoria exclusiva de Carlos Correia, também conhecido como Bóris, actual Doutor em Física e professor universitário em Coimbra.

Sendo Coimbra a cidade dos estudantes, seria natural que outros conjuntos universitários surgissem e em 1967 foi editado o primeiro EP do Conjunto Universtário Hi-Fi (ex-Boys) ("Back From The Shore" , Parlophone, LMEP 1271, de 1967).

Também este EP incluía uma versão dos Beatles, "I Call Your Name" (Lennon/McCartney), mas na estética dos Mamas and Papas.

As outras 3 canções são "Back From The Shore" (Carlos Correia/António Figueiredo), "Three Days Of My Life" (Carlos Correia) e "Words Of A Mad" (Carlos Correia).

Nesta altura, os Hi-Fi eram formados por Alexandre Carlos Reboxo Vaz (viola-baixo), António Manuel Sousa Freitas (bateria), Luís Manuel Bulhões Pimentel Paula de Matos (viola-ritmo), Carlos Correia (futuro Álamos, viola-solo) e Ana Maria (voz), actual professora universitária na Alemanha.

Por vezes, também Rui Ressurreição (ex-Álamos, teclas) também participava, como foi o caso do Festival da Canção do Douro, no Porto (1967) e da gravação do 1º EP.

Os Hi-Fi só editaram mais um EP, em 1968, "Crystals And Trees", Parlophone LMEP 1296, com três originais, "Crystals And Trees" (Carlos Correia), "Standing The Scene" (Carlos Canelhas/Carlos Correia) e "Running Away" (Carlos Correia) e uma versão "I See The Rain" (Campbell/Mc Aleese), dos Marmalade.

Antes das gravações dos discos, em 1965, o Conjunto Universitário Hi-Fi tinha a designação de Boys , tendo então vencido a 11ª eliminatória do Concurso Yé-Yé do Teatro Monumental, em Lisboa.

Eram então formados por Vítor Manuel (vocalista), Luís Manuel Bulhões Pimentel Paula de Matos (viola-ritmo), Alexandre Carlos Reboxo Vaz (viola-baixo), Carlos Correia (viola-solo) e António Lima (bateria).

Na transição dos Boys para os Hi-Fi (66-67), ficaram pelo caminho Vítor Manuel (voz), substituído por Ana Maria (voz) e António Lima substituído por António Manuel Sousa Freitas (bateria).

Em 1968, Duarte Brás saíu dos Álamos e com outro estudante também natural dos Açores, Ciríaco Martins, formou o duo Duarte & Ciríaco (ex-Folkers) que viria a gravar três discos (2 EPs e um single) na onda folk:

- "Nós", Sonoplay SON 100.002, de 1969, com direcção artística de Carlos Guitart: "Naufrágio" (Popular/Cristóvão Aguiar), "Canção de Embalar" (Popular), "Estrada Real" (Duarte/Fausto José) e "Trova A Este Vilancete" (Ciríaco/Francisco de Sousa (séc. XVI))

- "Duarte & Ciríaco" , Movieplay SON 100.005, s/data, com arranjos e acompanhamentos de Carlos Correia, som de Moreno Pinto e direcção artística de Rui Ressurreição: "Chária", "Bravos", "Cantares do Zé da Lata 1 e 2", todos motivos populares.

- "Duarte & Ciríaco" , Movieplay SP 20.009, s/data, com arranjos e direcção de orquestra de Thilo Krasmann, supervisão de Rui Ressurreição e som de Moreno Pinto: "Este Parte, Aquele Parte" (Rosalia de Castro/José Niza) e "Selva-Mundo" (José Niza).

O duo gravou um programa Zip-Zip para a RTP e um PBX para o RCP (João Paulo Guerra), tudo em 1969.

O "folk" veio de avião desde a América para a Terceira. Foi através da base aérea americana que a "folk music" entrou nos Açores. A nossa ambição é produzir um "folk" absolutamente português e a melodia coimbrã faz intrinsecamente parte de nós próprios.

Esta é a discografia do yé-yé (lato sensu) de Coimbra: Álamos (3), Conjunto Universitário Hi-Fi (2) e Duarte & Ciríaco (3), num total (escassíssimo) de oito discos e 26 canções:

ÁLAMOS (1966-1969):

O Comboio
- Baby It's You - Taste Of Honey - Night Before (Rapsódia EPF 5305 - 1966)

Stop That Game - It's A New Day (Sonoplay SN 20.191 - 1969)

Peter And Paul - Flip Side (Sonoplay SP 20.002 - 1969)

HI-FI (1967-1968):

Back From The Shore
- Three Days Of My Life - I Call Your Name - Words Of A Mad (Parlophone LMEP 1271 - 1967)

Crystals And Trees - Standing The Scene - Running Away - I See The Rain (Parlophone LMEP 1296 - 1968)

DUARTE & CIRÍACO (1969-...):

Nós - Naufrágio - Canção de Embalar - Estrada Real - Trova A Este Vilancete (Sonoplay 100.002 - 1969)

Duarte & Ciríaco - Chária - Bravos - Cantares do Zé da Lata 1 & 2 (Sonoplay 100.005 - s/data)

Duarte & Ciríaco - Este Parte, Aquele Parte - Selva-Mundo

Mas outros conjuntos yé-yé houve que também tiveram a sua projecção local, mas não discográfica.

Destes, os mais relevantes terão sido os Protões, que ficaram em segundo lugar no Festival Yé-Yé realizado em Coimbra em 1966. Havia também os Pops e os Scoubidous.

E, fundamental para a história do rock nacional, os Babies, tidos como os primeiros roqueiros portugueses.

Nasceram em Coimbra, em 1958, com José Cid (rabecão, piano e voz), António Portela (piano e acordeão), António Igrejas Bastos (bateria e voz) e Rui Nazaré (guitarra).

A verdade é que Coimbra sempre foi mais conhecida pelo seu fado e pela sua canção do que propriamente pelo yé-yé.

Colaboração de Luís Pinheiro de Almeida

terça-feira, 21 de setembro de 2010

PRIMEIRA ENTREVISTA COM OS BABIES


Da esquerda para a direita: António Portela (acordeão), Luiz Cabeleira, primo de José Cid, já falecido, membro eventual (bateria), José Cid (voz e piano), António Igrejas Bastos (voz e contrabaixo) e Rui Nazareth (guitarra eléctrica).

Considerada a primeira banda de rock portuguesa, os Babies nasceram em Coimbra em 1958.

Graças a um familiar, este blogue descobriu e falou com Rui Nazareth, guitarrista dos Babies.

Rui Alberto Mira dos Santos Nazareth nasceu em Viseu no dia 17 de Março de 1942. É licenciado em Física e doutorado em Física Nuclear.

Vive desde 1962 no Rio de Janeiro, onde é professor aposentado do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde leccionou e pesquisou durante 34 anos.

O Igrejas, o Portela e o Zé Cid já se conheciam, costumavam encontrar-se para tocar no Colégio Luís de Camões (Coimbra) e pensavam formar um conjunto.

Eu já conhecia o Igrejas, ele sabia que eu tocava viola num grupo de fados de Coimbra. Por vezes, quando nos encontrávamos, eu acompanhava-o em algumas das músicas que faziam sucesso no momento.

Assim começa Rui Nazareth a sua estória sobre os Babies.

Tive a oportunidade de conhecer o Portela num sarau beneficente em que ele se apresentou tocando algumas músicas no acordeão. Acabámos por falar sobre uma possível criação de uma banda musical.

Tendo o Igrejas como contacto comum, convidou-me para aparecer num ensaio com ele e o Zé Cid.

Percebendo as nossas afinidades musicais, resolvemos assim criar um conjunto que, pelo facto de ser composto por elementos muito jovens, com 16 e 17 anos, e se identificar com o movimento musical do "rock and roll" e das demais músicas que contagiavam a juventude naquela época, viria a chamar-se "Babies".

E assim nasceram os Babies, em Coimbra, em 1958, com António Portela (piano e acordeão). António Igrejas Bastos (voz e bateria), José Cid (voz, piano e acordeão) e Rui Nazareth (guitarra eléctrica).

A estreia da banda (ver imagem) ocorreu no Jardim da Manga, em Coimbra.

Foi uma apresentação bastante improvisada. A guitarra eléctrica que usei foi a minha viola com uma pastilha de captação sonora colada no tampo e ligada a um aplificador.

Após essa apresentação, fomos convidados para nos apresentarmos nos bailes das diversas Faculdades. O sucesso foi bastante grande e passámos a ser convidados para um sem número de apresentações fora de Coimbra.

O conjunto já se apresentava com instrumentos novos, com uma boa aparelhagem de som e um técnico de som que nos monitorizava os microfones.

Os Babies acabaram em 1960 com a saída de António Igrejas Bastos que foi viver para Lisboa com a família.

Infelizmente, não houve preocupação do conjunto em deixar qualquer registo musical. Logo que os Babies acabaram, entrei para os Alfas.

O Portela e eu costumávamos conversar sobre a hipótese de irmos tocar em França ou Alemanha e de nos especializar em sonoplastia e cenografia.

O Portela acabou por ir para a Alemanha onde, por informação de José Cid, faz hoje sucesso como pianista, principalmente de jazz.

Quanto a mim, como já tinha família no Rio de Janeiro, vim para esta cidade onde moro até hoje e da qual gosto imenso. Continuei a tocar viola (violão no Brasil) e guitarra de Coimbra. De momento, faço adaptação de composições de choro do bandolim para a guitarra.

Rui Nazareth fez ainda questão de traçar breves perfis dos seus companheiros nos Babies:

- António Portela era um óptimo pianista e acordeonista. A sua boa formação musical fazia dele um bom orquestrador;

- António Igrejas Bastos tocava razoavelmente bem bateria, mas fazia bastante sucesso como vocalista e principalmente como intérprete;

- José Cid era óptimo pianista e acordeonista. Já naquele tempo evidenciava bastante facilidade para improvisar e sempre dava uma interpretação própria às músicas que tocava e cantava;

- em relação a mim, considero ter sido um guitarrista à altura dos demais componentes do grupo.

Colaboração de Luís Pinheiro de Almeida

sábado, 24 de julho de 2010

MAIS SEGREDOS DO ROCK PORTUGUÊS


Esta é a Orquestra Ligeira do Orfeon Académico de Coimbra, formada por António Portela, Joaquim Caixeiro, Rui Ressurreição, José Cid e Daniel Proença de Carvalho (1958-1960).

São 24 minutos e 38 segundos de ensaio que José Cid teve a cortesia de me oferecer.

A maioria das canções são versões de clássicos, mas há uma canção original, "Coimbra Antiga", uma das primeiras compostas pelo autor de "A Lenda De El-Rei D. Sebastião".

Coimbra antiga
Junto ao Choupal em flor
Cidade amiga
Onde encontrei o amor
Junto ao Mondego sem par
Sombras a passar
Cidade a subir
E um estudante a cantar
À luz do luar
Eu vou partir
Mas levo em mim
Adoração e saudade
Como recordarei
A tua Universidade


José Cid revelou-me também que a sua primeira composição de sempre se chama "Andorinha", mas que nunca chegou a gravá-la e que a sua primeira composição gravada chama-se "Comboio", na interpretação dos Álamos.

José Cid garantiu-me também que não existem gravações dos Babies, primeiro grupo yé-yé português, nem da versão original de "A Lenda De El-Rei D. Sebastião", cortada pela Censura, com o verso inicial "Fugiu de Alcácer Quibir".

Uma surpresa: José Cid tem uma nova e fantástica canção, "Cavalos de Fão", construída sobre "Homburg", dos Procol Harum.

Luís Pinheiro de Almeida

sexta-feira, 30 de maio de 2008

BOYS


Como é consabido, o primeiro conjunto yé-yé português formou-se em Coimbra, em 1958, com José Cid (rabecão, piano e voz), António Portela (piano e acordeão), António Igrejas Bastos (bateria e voz) e Rui Nazaré (guitarra).

Chamava-se Babies. Teve uma carreira curta, sem disco editado.

in "As Lendas do Quarteto 1111", António Pires, Ulisseia, 2007
Mas o primeiro conjunto yé-yé a sério em Coimbra - que eu saiba - foram os Boys, formados em 1964 com Vítor Manuel, 23 anos, vocalista, Luís Paula de Matos, 19 anos, viola-ritmo, Alexandre Reboxo Vaz, 17 anos, viola-baixo, Carlos Correia, 18 anos, viola-solo e António Lima, 21 anos, bateria.

António Figueiredo, 19 anos, era o técnico de som.

Na primeira vez que se apresentaram ao vivo em Lisboa, no Teatro Monumental, no dia 06 de Novembro de 1965, venceram a 11ª eliminatória do Concurso Yé-Yé.

Com casaco, calças e laços pretos e camisa branca, os Boys interpretaram "I Feel Fine", dos Beatles", "A Groovy Kind Of Love", dos Mindbenders, "Bongo Blues", dos Shadows, e "Satisfaction", dos Rolling Stones.

Com 33,5 pontos, venceram os temíveis Chinchilas, de Carcavelos, (com Filipe Mendes, Vítor Mamede, Mário Piçarra...), os Bábulas, de Lisboa, os Neptunos, do Montijo, os Príncipes do Ritmo, de Queijas, Carnaxide, e os Monarcas, de Almada, estes últimos com um "vocalista troglodita, vestido de serapilheira, à maneira dos homens das cavernas".

in "Rádio & Televisão", de 04 de Dezembro de 1965
Os Boys apresentaram-se depois no Monumental no dia 15 de Janeiro de 1996 para a segunda meia-final do Concurso, mas ficaram em último lugar.

Cá para mim, fazendo jus à irreverência dos estudantes de Coimbra, estavam todos bêbados em palco, depois de terem colocado um fardo de palha no Terreiro do Paço para o cavalo de D. José não morrer de fome.

Foram batidos pelos Saints, futuros Claves e grande vencedores do Concurso, Jets, de Lisboa e de João Alves da Costa, Tubarões, de Viseu, Cometas Negros, de Castelo Branco, e Kímicos, de Lisboa.

Faltaram os Monstros, de Lisboa, e os Krawas, de Évora.

Os Boys, sem gravar qualquer disco, duraram até ao final de 1966, dando então lugar ao Conjunto Universitário Hi-Fi.