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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

LiDAR - Uma técnica de avaliação de riscos geológicos

Porque na matriz inicial deste blogue estava a geologia, hoje apresento um bom vídeo sobre o uso das novas tecnologias na avaliação dos riscos geológicos, nomeadamente o sísmico, através da determinação na topografia dos deslocamentos em falhas tectónicas associados a tremores de terra.



Embora não conheça a aplicação da técnica LiDAR (Light Detection And Ranging) nos Açores, existem vários outros métodos de detecção remota a serem aplicados na Região que procuram igualmente conhecer melhor o risco sísmico no nosso Arquipélago, até porque muito mais de 90% da superfície terrestre nesta área se encontra submersa, o que implica desafios diferentes.

terça-feira, 23 de março de 2010

PRAIA DA VITÓRIA e a Falha das Fontinhas

Escarpa de Falha das Fontinhas destaca-se perfeitamente na paisagem a sul da Praia da Vitória

Tal como acontece em Pedro Miguel do Faial, existem falhas simétricas a sul e a norte das Lajes na Terceira. Assim, nas Fontinhas surge uma estrutura em tudo semelhante à Falha das Lajes, diferindo apenas no facto de que agora esta falha mais meridional inclina para o quadrante norte.
Também ao contrário da falha das Lajes, agora é o bloco a sul que sobe em relação ao bloco norte que desce.
Muitos elementos, nomeadamente a perfeição da cicatriz deste acidente tectónico, indiciam que a Falha das Fontinhas é também sismicamente activa, com todos os riscos inerentes a essa situação, logo tanto a sul como a norte da cidade duas ameaças com aparências simétricas, mas com efeitos semelhantes, espreitam a Praia da Vitória.
Estas falhas formam uma estrutura única, mas isso será tratado em outro post.

terça-feira, 9 de março de 2010

PRAIA DA VITÓRIA e a ameaça da Falha das Lajes

Observando a pacatez da Praia da Vitória, qualquer geólogo atento sente que se está perante uma calma ameaçada por forças titânicas. Estas podem acordar um dia e transformar os belos imóveis em castelos de cartas que desabam sobre si mesmo semeam dor.
Eis um relato sobre o sismo de 24 de Maio de 1614.
... No direito desta igreja (Lages) contra o mar está hua serra que se chama Ioão de Teve que ocorre deste direito de a Vila da Praja, e será de comprido mais de meja legua em direito da igreja. Pello pee desta serra se abrio hua rotura na terra que fez grande espanto; esta dita rotura comessou desde hua ponta e foi correndo continuando como hum quarto de legua, e dahi atravessou ao mar e a parte da dita serra que fica à banda da terra dizem que ficou mais baixa do que a do mar (Maldonado, 1711 in Madeira 1998, tese de doutoramento).


A Praia da Vitória voltou a ser atingida por um terramoto com epicentro na zona em 15 de Junho de 1841.
No passado fiz uma série de oito textos sob o lema do "Faial cortado à faca", devido às cicatrizes das falhas geológicas ali descritas terem uma perfeição morfológica tal que parecia que as lombas (serras) da ilha tinham sido cortadas por acção humana. Quem olha para o norte da Praia da Vitória depara-se com o mesmo cenário de minha casa, em resultado da Falha das Lajes.

Tal como as falhas do Faial daquela série, também esta corresponde a uma falha normal, embora com uma direcção mais Noroeste-Sudeste, e, igualmente como naquela ilha, também na Terceira a falha mais a norte inclina para o quadrante mais exposto a sul, enquanto a vertente norte da lomba é muito mais suave. Também o grau de "perfeição do corte", escarpa de falha, é do mesmo nível dos que se observam no Faial cortado à faca.

Tudo isto são sinais que se está perante um acidente tectónico com actividade recente de tal forma que a erosão ainda não disfarçou os movimentos relativos dos dois blocos da falha, neste caso, o bloco norte sobe em relação ao sul ou o sul desce perante o do norte (tal como é evidente nas imagens e Maldonado descreveu sem qualquer conhecimento de tectónica de placas).
Mas esta falha não está só na zona outras existem, sobretudo duas são muito evidentes e formam uma estrutura tectónica muito conhecida mas isso fica para próximo post.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

FOTO DE FALHAS NORMAIS

Além dos vários posts publicados sobre as principais falhas geológicas do Faial com expressão no relevo da ilha, tinha também mostrado aqui um corte geológico numa frente de exploração de escórias vulcânicas no Pico onde a fractura das falhas e o movimento entre os dois blocos separados era muito evidente.

Foto de Carlos Campos realizada na ilha de São Miguel (clique para ampliar).

Agora um colega de trabalho forneceu-me um exemplo muito didáctico de duas falhas geológicas normais, observadas num corte geológico em material de composição pomítica (do tipo das pedra-pomes).
As duas fracturas, que ao serem geradas causam sismo e onde ocorrem deslizamentos ao longo dos tremores-de-terra, formaram-se num mesmo campo de forças e os seus movimentos combinam-se como resposta conjunta aos esforços que as rochas em causa sofrem e por isso se chamam falhas conjugadas, normalmente fazem um ângulo agudo entre si.
Pode-se igualmente verificar que do movimento destas falhas conjugadas, o bloco entre elas subiu, quer em relação à esquerda quer do que está à direita das falhas, formando uma estrutura mais elevada designada por Horst, quando estrutura entre as falhas abate, designa-se por Graben, que já falei pormenorizamente neste post.

quinta-feira, 19 de março de 2009

TIPOS DE ACTIVIDADE VULCÂNICA SUBMARINA III - a Crista Médio-Oceânica

Para terminar esta série, importa referir que existe ainda um terceiro tipo de vulcanismo submarino que ocorre nos Açores. Este acontece nos fundos marinhos ao longo de um alinhamento de actividade vulcânica que vem desde do Ártico, atravessa a Islândia (uma zona emersa), passa entre o Faial e as Flores, prossegue para sul ao longo de todo o Atlântico e vai-se encontrar com outro alinhamento semelhante proveniente do Índico.
As cristas médio-oceânicas a rosa, no meio destas existe o rifte com o vulcanismo deste post. Os Açores encontram-se aproximadamente na área amarela. Imagem da USGS (adaptada) e retirada daqui.

Um vulcanismo, por norma tão profundo, que o homem só em meados do século XX descobriu a sua ocorrência ao longo de um extensíssimo vale, semelhante a uma grande fenda - rifte - que corta a meio a cadeia de montanhas mais longa da Terra, a Crista Média Atlântica, situada no seio deste oceano e que se une a outras cordilheiras semelhantes conhecidas por Cristas Médio-Oceânicas. Um tipo de actividade geralmente longe da vista e tão silencioso que nunca mereceu um nome próprio.

As extensas fissuras riftes, situados no meio das cristas médio-oceânicas, são locais de ascensão de magma, que afastam as paredes deste vales e empurram continentes. Imagem daqui

Apesar disso, sem nos apercebermos, este vulcanismo ao longo dos riftes acontece há centenas de milhões de anos. O material expelido foi capaz construir todos os fundos oceânicos, e ainda rasga e afasta continentes. É também responsável pelo facto das Flores e Corvo, situadas na Placa Tectónica Americana, se distanciarem muito lentamente das ilhas dos outros dois grupos, açorianos, localizadas num sistema ligado às placas tectónicas do velho mundo: a Eurasiática e a Africana. Assim, estas sete ilhas estão condenadas a separar-se definitivamente das irmãs do Grupo Ocidental. Tudo isto provocado por um vulcanismo que nem merece a atenção dos telejornais ou ter um nome próprio.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

O LADO OBSCURO DAS FALHAS DO GRABEN DE PEDRO MIGUEL

Reflecti muito se para o Graben de Pedro Miguel haveria de alertar para o grau conhecimento sobre o risco associado às falhas geológicas ou esconder o assunto. Optei pela primeira alternativa, considero que estar preparado para os perigos é a melhor forma de reduzir os riscos.
O Graben de Pedro Miguel e várias das sua falhas

A superfície da Terra está constantemente sobre a acção de tensões, cujos efeitos são, por norma, mais intensos junto aos limites das placas tectónicas. Estas forças dobram rochas lentamente, o que origina cordilheiras montanhosas, ou as fracturam bruscamente, o que gera as falhas e sismos.
As falhas do Faial, como muitas outras nos Açores e no Continente Português, estão sobre os efeitos destes esforços e portanto são activas e geram os sismos e o seus efeitos nefastos.

Ruína do sismo de 9 de Julho de 1998

É possível, estudando minuciosamente as características de cada falha determinar a frequência de sismos associados ou a sua magnitude.
Felizmente, numa tese de doutoramente de um meu professor da Universidade de Lisboa as falhas deste graben foram estudadas, tendo sido estimados diversos índices de actividade sísmica, função dos parâmetros analisados, onde seleccionei os dados seguintes, que possuem uma ligeira margem de erro:

Magnitude Máxima Provável Baseadas na Área de Rotura (M)
Falha da Lomba da Ribeirinha - 6,1
Falha da Lomba Grande - 6,1
Falha da Lomba dos Frades - 6,2
Falha da Lomba da Espalamaca/ Facho -6,3
Falha da Lomba Cruz do Bravo - 6,1

Fonte: MADEIRA, J. (1998) – Estudos de neotectónica nas ilhas do Faial, Pico e S. Jorge: uma contribuição para o conhecimento geodinâmico da junção tripla dos Açores. Tese de doutoramento no ramo de Geologia, especialidade de Geodinâmica Interna. Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 428 p. (adaptado).

Estes dados não são motivos de medo, o risco está presente em todos os locais da Terra onde existem seres vivos que enfrentam a Natureza, só o seu conhecimento permite tomar as medidas adequadas para reduzir os seus efeitos e compete ao Homem minimizá-los.
Ribeirinha reordenada e reconstruída com imóveis de resistência sísmica reforçada

Mesmo com estes dados é possível criar condições de segurança superiores a muitos outros locais tidos como seguros, é só estarmos preparados ao nível de ordenamento, qualidade de estruturas e informados como nos comportar perante um sismo e a catástrofe pode evitar-se ou reduzir-se.

Nota: Existe uma outra análise mais recente do J. Madeira, para a ilha do Faial e publicada no boletim de 2007 do Núcleo cultural da Horta, caso algum faialense queira consultar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

A PAISAGEM DO GRABEN DE PEDRO MIGUEL

As lombas paralelas, semelhantes a serras no Continente, geradas pelas falhas do graben de Pedro Miguel, marcam fortemente a paisagem da metade oriental do Faial, quer quando se observa junto à costa, mais para o interior, do mar ou mesmo do centro da ilha. Por isso esta zona do Faial, geomorfologicamente é conhecida como a Região das Lombas.
Zona costeira oriental da ilha, observada da Lomba da Espalamaca, vendo-se em baixo a freguesia da Praia do Almoxarife, seguida da Lomba dos Frades ao centro, a partir da qual se vê parte de Pedro Miguel e vendo-se ao fundo as Lombas Grande e da Ribeirinha.
A área abatida na parte central da zona oriental da ilha, bem marcada pela Lomba da Espalamaca em primeiro plano e a Lomba grande ao fundo.
As Lombas da Ribeira do Rato, Grande e da Ribeirinha, vistas do canal Faial - Pico, para os mais atentos é possível observar mais duas falhas de menores dimensões, uma entre cada uma das lombas maiores.
As lombas observadas do centro da ilha, a partir da região da Caldeira. No extremo direito da foto a lomba dos Flamengos, seguindo-se a da Espalmaca/Facho, Frades e no limite esquerdo a da Ribeira do Rato. As elevações no Faial ao fundo e à direita correspondem aos vulcões monogenéticos da zona da Horta... a fundo da foto a ilha do Pico, com o topo do seu grande vulcão poligenético coberto de nuvens.

Infelizmente, a beleza destas lombas esconde um lado muito mais negro que em breve também aqui apresentarei.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

O GRABEN DE PEDRO MIGUEL

Tal como já referi, as falhas normais estão associadas a movimentos de distensão, ou seja, a locais onde a superfície da Terra está estender-se ou, como alguns dizem, a ser esticada.
Quando falhas normais, aproximadamente paralelas, inclinam em sentidos opostos para o espaço entre elas formado, cria-se uma espécie de vale, de fundo mais ou menos largo, e gera-se um bloco abatido entre as falhas. A esta estrutura chama-se em geologia Graben, uma palavra de origem alemã que significa fosso ou trincheira.
Todos os post com a designação de "O Faial cortado à faca" e com a etiqueta "graben" mostram partes de uma das mais importantes estruturas geomorfológicas ou tectónicas do Faial, muito evidente na metade oriental da ilha, cujo eixo central se situa na freguesia de Pedro Miguel e designada por: Graben de Pedro Miguel.
(clique nas fotos para as ampliar e ler as anotações)
A zona central do Graben de Pedro Miguel e a freguesia que lhe deu o nome. Foto tirada da Lomba dos Frades, que inclina para norte, vendo-se ao fundo, com menor evidência, a falha da Ribeira do Rato (mais à direita) e a escarpa da falha da Lomba Grande, que inclinam ambas para sul.
Quando se faz uma modelação do relevo do Faial, o Graben de Pedro Miguel destaca-se imediatamente como uma grande depressão ou vale a leste da Caldeira localizada no centro da ilha (imagem proveniente do Centro de Vulcanologia da Universidade dos Açores).

Visto do canal Faial-Pico é muito evidente o Graben de Pedro Miguel, embora possa parecer que a zona central seja mais larga, devido às lombas da Espalamaca e Grande se destacarem mais na paisagem do que as falhas da Lomba dos Frades e da Ribeira do Rato, que são as mais interiores do graben e definem o eixo desta importante estrutura geológica.

Existem algumas pequenas falhas geológicas além das que mencionei nesta imagem e visíveis na foto, mas seleccionei apenas as mais evidentes, com melhor expressão no relevo e já referidas anteriomente neste blog.

Todas estas falhas geológicas são sinais evidentes de que a superfície do Faial está sempre a ser alterada, tal como a da Terra através as tectónica de placas, mas esses são assuntos para outros post.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

O Faial Cortado à Faca VIII - A FALHA DA LOMBA DA RIBEIRINHA

A lomba mais setentrional desta série é a Lomba da Ribeirinha ou dos Espalhafatos e tal como as duas anteriores, possui uma vertente muito abrupta virada a sul e outra mais suave a inclinar para norte, embora esta última seja pouca extensa por estar cortada pela arriba litoral que forma a costa norte de Faial. Na foto acima, além de desenhado o contorno da escarpa de falha a vermelho, estão ainda assinalados dois pontos a amarelo (clique na foto se quiser ampliar): A - uma elevação no cimo da Lomba da Ribeirinha, e B - a extremidade nordeste da ilha do Faial, designada por Ponta da Ribeirinha. Estes locais, quando observados do sítio da presente foto não mostram nada de especial... mas quando a observação é feita de uma zona onde os nossos olhos vêem a lomba na perpendicular, de modo a anular o erro de paralaxe, tudo muda de figura e observa-se um pormenor muito interessante.

A partir desta perpectiva, de sul para norte, é possível verificar que o cone vulcânico da Ribeirinha foi cortado pela falha, ficando uma parte no bloco sul (a maioria do monte mais próximo do observador), enquanto uma pequena parte ficou no bloco norte. Assim a elevação A corresponde ao contorno do cone cortado e deste perfil, não só se observa que a zona norte subiu em relação ao sul (seta a vermelho), como também se deslocou para a nossa direita (seta a amarelo), resultando dos dois movimentos a seta laranja. No ponto B, é visivel também os mesmo movimento na escarpa em relação à costa, onde o contorno desta a norte da falha está de novo levantado e deslocado para a direita, embora a erosão marinha não torne tão evidente este movimento.

No post Falhas Geológicas -Tipos de movimentos, de Outubro último, mostram-se desenhos onde se evidencia que se está perante uma falha onde o bloco que sobe não se sobrepõe ao inferior e que existe um movimento horizontal do tipo direito, pelo que esta é uma Falha Normal com desligamento Direito.
Na foto acima, na Ponta da Ribeirinha e tirada para norte, existem mais indícios que a zona norte está subida e deslocada para a direita, todavia a erosão do mar dificulta a conservação deste tipo de evidências.
Todas as falhas da série "O Faial Cortado à Faca", fazem parte de uma estrutura tectónica muito importante e impressionante na ilha, a mostrar brevemente, mas são todas falhas normais direitas, embora seja na Ribeirinha onde existem evidências tão nítidas (depois de explicadas) e observáveis a qualquer pessoas, mesmo não especialista na área.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O Faial cortado à faca VII - A FALHA DA LOMBA GRANDE

Falha da Lomba Grande, tal como o nome indica, é a que tem maior expressão morfológica em toda a ilha do Faial e separa as freguesias de Pedro Miguel e de Ribeirinha. Vista à distância parece uma serra típica, pois este degrau tem mais de 8 km de comprimento, bem visíveis à superfície, e forma um degrau cujo desnível chega a ser superior a 170 m de altura.
Falha da Lomba Grande vista do lado sul, na freguesia de Pedro Miguel (foto tirada de Sul para Norte).

Tal como a falha da Ribeira do Rato, esta também tem uma escarpa muito inclinada para sul, assinalada a vermelho na foto acima, e, novamente, os terrenos que se situam a sul desta falha estão abatidos em relação aos do bloco norte, ao contrário das falhas a sul da freguesia de Pedro Miguel.
A escarpa de falha é tão inclinada que na sequência do sismo de 9 de Julho de 1998 grandes escorregamentos ocorreram nesta escarpa, ainda visíveis presentemente, contudo, se nos deslocarmos ao ponto I assinalado no cimo da escarpa (clique na foto para ampliar), obtemos a morfologia da foto abaixo.

Onde se verifica que a vertene norte da Lomba Grande é muito menos inclinada, o que permite o desenvolvimento das pastagens típicas das zonas altas do Faial, cujos minifundios são separados por hortências que florescem de Junho a Agosto. Nota: A linha vermelha à direita dos terrenos (mais evidente se clicar na imagem) é o topo do degrau e aproximandamente coincidente com o ponto I da foto anterior.


Na vertente sul apenas as árvores conseguem suportar tão grande inclinação, pelo que, naturalmente o solo se encontra sem uso humano, contrariamente ao que acontece aos terrenos horizontais situados no bloco abatido da falha, novamente com pastagens.

Escarpa da Lomba Grande vista numa zona mais para o interior da ilha na freguesia de Pedro Miguel

A freguesia de Pedro Miguel desenvolve-se no bloco abatido a sul das escarpas da Ribeira do Rato e da Lomba Grande assinalada na foto.

A norte desta lomba outra interessante ocorre, a última desta série a tratar aqui, mas que tem uma particularidade que depois de mostrada é tão evidente aos olhos de qualquer um, embora seja uma característica comum a todas as seis falhas até agora mostradas.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

O FAIAL CORTADO À FACA VI - A falha da Ribeira do Rato

Enquanto a sul da Pedro Miguel as lombas estão associadas a falhas geológicas que provocam uma vertente sul pouco inclinada e outra a norte muito abrupta, o que indica que as zonas a norte abateram em relação a sul, depois de se atravessar o "vale" desta freguesia, ocorre uma situação simétrica face à parte meridional da ilha.
Pequena lomba a norte da Ribeira do Rato, altamente inclinada para sul, indicando que agora é o bloco sul que se encontra abatido e que a falha da Ribeira do Rato inclina para sul.
Agora, é a vertente norte da lomba que apresenta um declive mais suave, contrariamente às lombas a sul de Pedro Miguel.


Aproveitando perturbações no plano da falha da Ribeira do Rato, instalou-se nesta vertente sul uma antiga rua, que sobe quase na perpendicular à lomba, daí resultou uma via muito íngreme, que devido à sua inclinação se chama "rua do Calvário", para lembrar a dificuldade da subida, à semelhança do relato bíblico da paixão. Um efeito da geologia na toponímia da ilha.

Ao chegar ao plano de falha a estrada muda de direcção quase 90 graus, neste caso para a esquerda, situação semelhante ocorre em todas as vertentes inclinadas das lombas do Faial.

Na parte leste do Faial, onde se situam as lombas, a principal via que circunda o Faial, por vezes desenvolve-se quase na perpendicular à costa, sobretudo nas vertentes mais inclinadas onde se situam as falhas geológicas. Assim, estas implicaram uma mudança brusca nas direcções da Estrada Regional para contornar os degrau dos acidentes geológicos e de modo a se obterem declives mais adequados à circulação automóvel. Um elemento que mostra como a geologia a interfere com o ordenamento do território, mesmo que os homens não tenham consciência do facto.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

O FAIAL CORTADO À FACA V - Falha da Lomba dos Frades

Na Lomba da Espalamaca, referida no anterior post desta série (ver mapa) ao olhar para norte, vê-se, a partir da base da escarpa em degraus, um vale assimétrico no qual se instalou a freguesia da Praia do Almoxarife. O outro lado da vertente é largo, sobe suave e progressivamente para norte e culmina na crista da Lomba dos Frades, assinalada com um traço vermelho. (clique nas fotos se pretender a sua ampliação)
Freguesia da Praia do Almoxarife, vista do cimo da escarpa e lomba da Espalamaca

Todavia se prosseguirmos viagem, depois de subirmos a suave Lomba dos Frades, deparamo-nos com outro degrau abrupto para o lado norte, o que é resultado de mais uma importante falha geológica, a terceira desta série acidentes geológicos, paralelos e responsáveis pela formação destas lombas com forte inclinação da vertente norte mas mais suaves do lado sul. Na base desta última estrutura existe um outro vale largo, sem qualquer declive lateral específico e onde se instalou a freguesia de Pedro Miguel.
A escarpa da Lomba dos Frades, vista da Estrada Regional em direcção ao mar, onde se observa a grande inclinação deste lado quando comparado com o lado sul. Ao fundo a ilha do Pico e os ilhéus da Madalena.

Pormenor da grande inclinação do lado norte da Lomba dos Frades, observada da Estrada Regional, junto à base da escarpa e já na freguesia de Pedro Miguel.

O lado norte da Lomba dos Frades, vista a partir da Estrada Regional em direcção do interior da ilha (Leste), nalguns locais esta escarpa de falha parece mesmo ter sido cortada à faca .

A partir da falha da Lomba dos Frades uma mudança significativa ocorre, mas isso fica para outros momentos, contudo essa modificação colocou, definitivamente, o nome de Pedro Miguel na geologia do Faial.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

O FAIAL CORTADO À FACA IV- Falhas da Espalamaca e do Facho

Prosseguindo para norte nesta cobertura das falhas na metade oriental do Faial, depois da falha responsável pela Lomba do Cruz do Bravo, encontramos a Lomba da Espalamaca, a qual tem a particularidade da sua escarpa continuar inclinada para norte, mas ser composta por dois degraus, devido à existência de duas falhas geológicas na sua zona mais próxima da costa: a Falha do Facho, que forma o degrau inferior e de maior dimensões e a Falha da Espalamaca, na parte superior e com menor desnível. (clique nas fotos para as ampliar)Na sua zona mais litoral, esta estrutura apresenta uma grande imponência na paisagem, e os dois degraus dão uma aparência de suavisar a inclinação para norte destas duas escarpas de falha sobrepostas. Junto ao litoral encontra-se a Praia do Almoxarife que dá o nome à freguesia mostrada na foto e já no mar situa-se a zona de desgaseificação submarina cujo vídeo de Marco Santos foi aqui mostrado em Agosto, já no extremo da foto vê-se parte da costa a ilha do Pico.

Depois do segundo degrau deixar de ser visível mais para o interior da ilha sobre a vertente norte, a falha do Facho marca de forma abrupta a paisagem e a zona é uma das que parece cortada à faca, sinal de que estamos perante uma falha que sofreu rupturas geológicas recentes, onde a erosão pouco afectou a cicatriz e um indicador de ser uma estrutura geológica potenciamente geradora de sismos.
Agora do topo da Lomba da Espalamaca, na zona do Miradouro da Horta, os dois degraus são muito evidentes... ao fundo as vertentes do vulcão da Caldeira e a localidade de Chão Frio, parte integrante da freguesia da Praia do Almoxarife.
Para quem teve dificuldade em distinguir os dois degraus, na foto acima, o degrau inferior, formado pela escarpa da falha do Facho, está grosseiramente indicado por traços a vermelho, enquanto a escarpa da falha da Espalamaca está indicada a rosa. O ponto amarelo corresponde ao local da foto abaixo.
Na foto imediatamente acima, está indicado a rosa o topo da escarpa da Espalamaca. A vermelho a vertente abrupta e muito inclinada para norte da falha do Facho. A amarelo mostra-se vertente suave para sul resultante do relevo natural não afectado pelos dois acidentes tectónicos descritos neste post.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O FAIAL CORTADO À FACA III - Falha da Cruz do Bravo ou dos Flamengos

Se na arriba costeira muitas das principais falhas do Faial não são muito evidentes, no interior da ilha, sobretudo na sua metade oriental, quer em mapa, quer na morfologia da paisagem, observa-se um conjunto de falhas paralelas, que vão desde a zona sul até à costa norte da ilha.
A mais meridional é na Feteira e não é muito evidente em fotografia...
Nos Flamengos surge a primeira grande cicatriz de uma falha, conhecida por uns como "Falha dos Flamengos", outros dão-lhe o nome da lomba por ela formada "Falha da Cruz do Bravo".
A falha da Cruz do Bravo é uma falha normal e inclinada para norte (ver tipo de movimentos de falha). Na foto é visível que a zona mais escarpada fica para a direita (norte na foto). O pormenor da inclinação é importante por reflectir a estrutura tectónica do Faial mais importante (tectónica em geologia está relacionado com estudo dos movimentos das falhas e das rochas).
Para quem não vê a falha desenha-se abaixo a sua escarpa com um conjunto de linhas paralelas vermelhas.
À esquerda da foto é a zona plana onde se instalou a freguesia, que ficou preenchida pelos materiais das últimas explosões da Caldeira, por ser uma bacia defronte deste vulcão, os quais soterraram grande parte da escarpa. A existência de um degrau no terreno até ao limite da foto aponta que esta falha geológica já esteve activa após ter sido coberta, um sinal de alerta para se observar e analisar a sua perigosidade sísmica.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

O FAIAL CORTADO À FACA II - Falha da Espalamaca

Apesar do Faial ser, no território português e no conjunto das ilhas dos Açores, um dos locais onde a paisagem é mais intensamente moldada por falhas geológicas e estas cortarem a ilha por vezes de costa a costa, devido a várias particularidades, estes acidentes tectónicos raramente se observam bem nas arribas costeiras.
Todavia, quem atravessa o Canal do Faial, que une esta ilha à do Pico, logo à saída da Horta é presenteado com um dos casos mais evidentes de falha geológica a cortar as camadas de basalto.

Falha da Lomba da Espalamaca junto ao mar (para localização geográfica ver post: O Faial Cortado à Faca )




Se teve dificuldade em visualizar esta estrutura tectónica na imagem, uma potencial fonte de sismos, clique na foto acima para a ampliar, a cicatriz da mesma encontra-se desenhada a vermelho.

A Lomba da Espalamaca e a falha representada na foto anterior vista da lancha que une ao Faial ao Pico já perto desta segunda ilha, à esquerda a cidade da Horta.

Na foto anterior é visível a dimensão da Lomba da Espalamaca, formada a partir de duas filhas importantes, curiosamente a responsável limite norte desta tem uma grande expressão paisagistica em terra mas não é observável na arriba costeira.
A falha Espalamaca, de comportamento normal e inclinada para norte (ver post: tipo de falhas), torna as rochas a sul mais elevadas e faz parte de uma estrutura geológica muito importante da ilha que irá sendo apresentada ao longo do próximo ano aos poucos.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

FALHAS GEOLÓGICAS DO FAIAL II - as incertezas

Tal como no post anterior, na imagem vê-se o Faial cortado à faca pela mesma falha geológica e de uma forma muito evidente, mas nem sempre é assim, basta deslocarmo-nos para junto do aqueduto que está na foto e...... encontra-se um cenário diferente. O pequeno degrau do terreno para os olhos mais treinados é uma falha geológica, mas para outros pode parecer a cicatriz de uma antiga divisão de propriedade que o emparcelamento agrário eliminou... todavia é uma curvatura na falha geológica e até desvia a ribeira que a jusante era tão rectilínea!


Devido aos Açores estarem junto a uma estrutura por onde o Atlântico cresce, as falhas inversas são raras e pouco extensas no Faial, tal como referi no post "Falhas Geológicas - tipos de movimentos", todavia existem indícios que o degrau e a elevação à esquerda resultam de um comportamento de falha inversa deste troço, mas o geólogo que por lá se aventurou em escavações não teve a ajuda da natureza e a dúvida persiste...
É na tentativa isenta de comprovar hipóteses que se atinge novas certezas, por vezes autênticas surpresas, e a ciência vai avançando... até lá, sem demonstração, fica a dúvida, mas esta faz parte da vida da Geologia.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

FALHAS GEOLÓGICAS VS RIBEIRAS - uniões de conveniência I

Não é o único caso, mas a foto mostra porque o primeiro post sobre falhas teve o título de "O Faial cortado à faca".

Embora mais evidentes na parte leste do Faial, algumas falhas também cortam, de forma muito marcada, a superfície da zona ocidental da ilha, como nas imagens abaixo de uma falha a sul da Lomba do Meio. (Clique nas fotos para as aumentar)

As falhas, porque alteram o relevo, influenciam no terreno a orientação das ribeiras.
Nos Açores as linhas de água tendem a ser aproximadamente radiais em torno dos vulcões centrais, só que, por vezes, as falhas provocam desvios desta distribuição regular, como é o caso da Ribeira das Águas Claras que nesta zona quase corre paralela à linha de costa.
Uma outra forma de detectar uma falha geológica associada a um ribeira consiste em verificar que as duas margem não são simétricas, que um lado é muito mais inclinado ou com maior desnível de altitude do que o outro, que a ribeira tem extensos troços rectilíneos, e tudo isto acontece na foto acima.

Esta associação água/ falhas não é apenas em ribeiras e nos Açores, é possível ver situações semelhantes em lagoas (Lagoa do Capitão no Pico) e em rios: foz do Tejo junto ao Cristo Rei, e rio Jordão, entre muitos outros exemplos.