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quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ERA UMA VEZ UMA ESCOLA...

Era uma vez uma escola muito engraçada... tinha varandas vermelhas, alpendres cobertos, vasos floridos, cantaria tradicional, telhados que abrigavam plantas e paredes de argamassa branca entre blocos de basalto escuro...
Só que por decisão superior não tem mais crianças... apesar de continuar orgulhosamente bela.
Ontem acolá... hoje ali... e amanhã aqui, assim o riso e a gritaria das crianças vai-se silenciando pelas nossas freguesias rurais, fruto de um sistema que se julga saudável e humano por retirar as pessoas e as novas gerações do campo.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

VISITA A SÃO JORGE

Hoje, estou em viagem por São Jorge, aquela que é a minha segunda ilha dos Açores.

Claro que as Manadas são um dos destinos da visita ou não fosse esta uma das minhas terras desde de infância, mas se ouver tempo livre suficiente, não faltarão explorações por outros locais desta bela ilha açoriana, que recomendo todos a conhecerem.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

FINALMENTE FÉRIAS!

Talvez porque era pequeno, em criança contentava-me com as reduzidas dimensões das ilhas à minha volta e a ansiedade das férias grandes limitava-se à oportunidade de ir passar uns dias junto ao mar em Santa Bárbara das Manadas em São Jorge.

Então deliciava-me com a doçaria caseira ofertadas pelas mulheres da freguesia, com o marulhar das ondas ao acordar, com a biblioteca diversificada de meu tio, com a pasmaceira das manhãs sem obrigações e com as brincadeiras à tarde junto das crianças vizinhas da mesma idade.

Aqui infantilmente brincava com o vai-vem das ondas que pareciam divertir-se com a miudagem que se banhava nas poças costeiras, aqui aprendi a nadar, aqui apanhei sustos e aqui fui imensamente feliz. Estas eram as férias de sonho da minha infância!

Hoje anseio por férias que me parecem sempre pequenas, as ilhas já não me bastam, procuro atracar portos distantes em diferentes cidades grandes com museus enormes, livrarias extensas, discotecas cheias de músicas de todas as épocas e terras, num frenesim ver o máximo num tempo mínimo e sempre acompanhado por um livro que nesta azáfama deve ser de fácil leitura, por vezes de qualidade duvidosa.
Mas continuam na memória as férias de então nas Manadas!...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A HISTÓRIA GEOLÓGICA DE S. JORGE III: A COBERTURA CENTRAL

Assim, após o vulcanismo inicial entre Ribeira Seca e o Topo e depois da migração desta actividade para a zona Noroeste até ao Rosais, eis que as erupções mais recentes se passam a localizar em alinhamentos também WNW-ESE na zona central da ilha, edificando cones cuja altitude máxima se situa na Manadas - Pico da Esperança. (clique nas imagens para ampliar)

A cadeia ao fundo formada de picos do complexo vulcânico das Manadas, vistos da Serra do Topo

O conjunto de materiais emitidos por este vulcanismo na parte central da ilha, que parece ter-se desenrolado nos últimos 100.000 anos, denomina-se Complexo Vulcânico das Manadas e as últimas erupções já ocorreram em períodos pós-povoamento da ilha, 1580 e 1808 AD.

Alinhamento de estruturas vulcânicas no eixo central do Complexo Vulcânico das Manadas

O Complexo Vulcânico das Manadas cobriu grandes áreas da metade oriental das lavas pertencentes ao Complexo Vulcânico dos Rosais que assim ficaram soterradas e entrou em contacto, acima do nível do mar, com o extremo ocidental do Complexo Vulcânico do Topo (para alguns da Serra do Topo), unindo, seguramente, São Jorge desde a ponta do Topo até à ponta dos Rosais.

O aspecto juvenil de cratera no cimo de um cone vulcânico nas Manadas

A juventude deste vulcanismo faz com que este esteja ainda pouco erodido, por isso a grande altitude do eixo central da ilha nesta zona, a enorme inclinação das vertentes a norte e a sul desta cadeia de vulcões e a preservação muito nítida das formas eruptivas e dos alinhamentos das bocas por onde jorrou lava e piroclastos.

O Pico da Esperança e as suas vertentes ingremes

As escoadas de lava, saídas destes cones alinhados, desceram, quer para as vertente norte, quer para as vertentes sul e cobriram os materiais mais antigos do Complexo Vulcânico dos Rosais ou formaram novas áreas da ilha de São Jorge.

Vertentes formadas de escoadas de lava que desceram até à costa sul

As últimas escoadas que progrediram para a vertente sul, entre as Manadas e a Queimada, desceram continuamente até ao mar e formaram um nova linha de costa que, devido à sua juventude, tem ainda um desnível muito pequeno.

Campos de lavas espraiados nas vertentes norte próximas do Norte Pequeno

As escoadas entre Manadas e Calheta a sul e, sobretudo, na costa norte, encontraram arribas costeiras com grandes desníveis de altura que em muitos locais se transformaram em arribas fósseis pelas cascatas de lava que aí se formaram.


Um delta lávico na base da arriba fóssil, com a sua fajã na costa norte da ilha

Várias dessas "cascatas" de lava, depois de caírem, prosseguiram ainda pelo mar dentro, dando origem a deltas lávicos, um dos métodos (não único) de se formarem as conhecidas fajãs de São Jorge.



Os morros das Velas, o da direita mais erodido, formados por erupções submarinas surtsianas

No extremo ocidental do Complexo Vulcânico das Manadas, o vulcanismo fissural desenvolveu-se numa direcção mais WNW-ESE, ligeiramente oblíqua à ilha, o que fez com que algumas das erupções ocorressem junto à linha de costa e já debaixo do mar, com as característica de actividade submarina do tipo surtsiano, semelhantes à dos vulcões dos Capelinhos, Costado da Nau e do Monte da Guia no Faial, - os Morros das Velas - estes são anteriores às últimas erupções da Caldeira por também estarem nalguns locais cobertos por pedra-pomes vinda da ilha azul.

sábado, 13 de setembro de 2008

SÃO JORGE: DE PONTA A PONTA, DE CIMA A BAIXO

(clique nas fotos para as ampliar)

A ilha de São Jorge vista do Space shuttle (fotografia: Wikipédia)

Devido à origem vulcânica dos Açores, as ilhas possuem, por norma, uma zona central mais elevada e relevo acentuado (onde se instalaram os maiores centros eruptivos) e uma periferia mais baixa e menos declivosas, por onde se espraiaram as escoadas de lava ou de piroclastos (gotículas ou fragmentos de lava projectados durante uma erupção que depois caem por gravidade) provenientes do vulcão. Assim, um dos principais circuitos turísticos e passeios consiste em "dar a volta à ilha".

Ponta dos Rosais e o seu ilhéu, no extremo ocidental da ilha

A ilha de São Jorge corresponde a um grande alinhamento de cones de escórias vulcânicas, implantados ao longo de uma fractura geológica da crosta terrestre de direcção WNW-ESE, ou seja, foi formada por tipo de vulcanismo chamado de vulcanismo fissural. Assim, esta terra açoriana é, sobretudo, uma cordilheira estreita, com 55 km de comprimento, uma largura máxima de 6,75 km, mas que atinge 1053 m de altitude.

Ilhéu do Topo, junto à ponta do Topo, no extremo oriental da ilha e com a Terceira no horizonte ao longe.

Logo o tradicional trajecto, mais ou menos circular, só é viável no terço central de São Jorge. Conhecer esta ilha, é ir de uma ponta à outra, mas onde, ao longo de dois terços do seu comprimento, se vai e vem pelo mesmo caminho, mais ou menos rectilíneo.

A freguesia das Manadas vista do Pico da Esperança, o ponto mais alto da ilha.

Tendo eu uma relação especial com a ilha de São Jorge, quando em tempo livre lá me desloco não me limito a ir de ponta-a-ponta, mas também a subi-la (de carro é claro!) de cima-a-baixo e foi o que fiz da última vez em que lá estive durante dois dias no último mês de Agosto e, nos próximos tempos, de uma forma nem sempre continuada, irei descrever a geologia, a geodiversidade das estruturas e as minhas impressões pessoais sobre esta belíssima ilha do Triângulo.

O Pico da Esperança visto do nível do mar na zona do Porto das Manadas

segunda-feira, 23 de abril de 2007

SÃO JORGE - freguesia das Manadas

Quem me conhece sabe das minhas ligações à ilha de S. Jorge, que muitos dizem ter este nome por ter sido descoberta a 23 de Abril, dia de S. Jorge e feriado municipal das Velas.
Não só as relações familiares, a existência de amigos, a proximidade geográfica e uma habitação me fazem adorar esta ilha, como também sei que a sua beleza paisagística (devido a uma morfologia muito acidentada), florestas naturais inacessíveis intercaladas com zonas humanizadas, estruturas geológicas interessantes, nomeadamente: as fajãs, os alinhamentos de crateras e as cicatrizes de falhas com movimentos recentes; bem como a presença de óptimas zonas calmas de banhos e ainda os cenários resultantes da presença, na vizinhança, das ilhas do Faial, Pico, Graciosa e Terceira, fazem desta terra açoriana um paraíso para muitos dos seus visitantes.
Neste dia de S. Jorge, deixo como homenagem três fotos tiradas da freguesia das Manadas, de onde nasceram os meus laços àquela ilha.
Vista da Fajã das Almas em primeiro plano, ao fundo, a Fajã Grande, já no concelho da Calheta

Vista do Porto das Manadas para a localidade com o mesmo nome
(a Igreja, parcialmente encoberta sobre os rochedos, é Monumento Nacional devido à sua talha)

O canal de S. Jorge, com as ilhas do Pico e do Faial, vistos do meu balcão ao entardecer