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quarta-feira, 26 de março de 2025

"As três mortes de Lucas Andrade" de Henrique Raposo

 

Citação

"O sucesso pode ser tão ou mais perturbador do que o medo. A liberdade criada pelo sucesso pode assustar quem viveu sempre sem liberdade."

Acabei de ler o recente e primeiro romance de ficção do cronista português Henrique Raposo: "As três mortes de Lucas Andrade". A obra é a biografia, narrada por um observador omnisciente, de uma mente suicida, nascida numa aldeia miserável e conservadora da serra da Estrela no final da ditadura, num mundo que era hostil ao seu apego aos livros e desenhos e como filho de uma mulher insubmissa aos ditames da escravidão e sujeição feminina ao conservadorismo e assédio dos fortes da terra, fase em que é a criança João Miguel. Esta transforma-se nos anos 80 no adolescente Ruço por a família se mudar para a cintura pobre e desestruturada de Lisboa, onde tem de ultrapassar o provincianismo e adaptar-se a sobreviver à violência, toxicodependência, prostituição, HIV, miséria numa zona esquecida do poder político com sede ali ao lado na grande cidade. Depois o seu engenho vence e torna-se no jovem escritor famoso Lucas Andrade, conhecido no mundo culto, elitista e rico, odiado pela classe social dos locais que foram o seu berço e formação da sua personalidade cujo conflito final e a reflexão sobre o mal enraizado nas pessoas levam ao desenlace anunciado logo no primeiro parágrafo do romance, um dos inícios mais bem conseguidos da literatura portuguesa.

O autor não precisou de escritas criativas para disfarçar o vazio de histórias banais, pois esta é densa e profunda como poucas. Não tornou a sua obra num manifesto político na denúncia da vida difícil do mundo rural e dos subúrbios da capital, nem culpou terceiros dos extremismos do mal que alguns pobres adotam. Na minha opinião, o escritor conseguiu uma das melhores obras da literatura portuguesa do primeiro quartel deste século. Suspeito que muitos livros premiados nestes tempos passarão à história, enquanto este se sujeita a brilhar no futuro, depois de pousar o pó lançado por muitos que dominam o meio cultural atual.

O romance - frequentemente com referências a personagens bíblicas, míticas ou de clássicos do passado - pode incomodar um Portugal estabelecido conservador ou os progressistas urbanos que desconhecem a realidade da pobreza. O texto conta aspetos chocantes da nossa sociedade, desde vilanias transversais a todas as classes sociais, até preconceitos de classe que aprisionam muitos à miséria  e levam à não realização profissional, gerando vítimas tristes e silenciosas todos  os dias. Contudo, apesar da dureza, não é uma leitura deprimente, pois há sempre no caminho alguém que é diferente, disposto a dar uma mão, a lutar pelo bem do próximo, a ser luz na escuridão e, além do beco em que se sabe o protagonista irá cair no fim e das traições que sofre, o livro mostra que é possível ultrapassar e optar pelo melhor em detrimento de se deixar ficar refém do mal. A questão do mal é debatida em termos filosóficos de uma forma a deixar claro que todos tem oportunidade de escolher o melhor em detrimento do mal. Este não é absoluto: o livre-arbítrio está dentro de cada um, a narrativa mostra que é possível sobreviver, agir, subir a um mundo melhor e lutar por mais justiça, o livro tem vários que conseguiram, outros afundaram-se no pântano mais ignóbil que é possível a um ser humano.

Não sei quanto do protagonista é um alter ego do escritor, que veio da província precisamente para a mesma zona da cintura de Lisboa, onde João Miguel virou a Ruço e evoluiu para Lucas Andrade e se tornou num escritor vencedor e incómodo, mas, seguramente, que muitos pormenores saíram da experiência vivida por ele e por isso a discussão no texto de que os livros não eram contos, mas crónicas talvez seja uma chamada de atenção de que o romance retrata factos conhecidos. Não é uma escrita poética, é uma linguagem realista, sem pudor pelo uso do calão dos grupos retratados na narrativa, muitas vezes crua e dura. 

Valeu a pena ler as mais de 600 páginas e recomendar  "As três mortes de Lucas Andrade", este foi o romance de Portugal que mais gostei de ler nos últimos anos e uma pedrada no charco no panorama literário nacional.

sábado, 7 de janeiro de 2017

"Lillias Fraser" de Hélia Correia


"Lillias Fraser" da escritora portuguesa Hélia Correia, cuja obra ganhou o prémio PEN clube de Portugal em 2002, enquanto a autora foi galardoada com prémio Camões de 2015, é um romance histórico que começa na Escócia em 1746, onde a protagonista, ainda criança e antes de uma derrota dos escoceses católicos interessados em conquistar o trono protestante da Inglaterra, tem a visão da morte do pai e foge antes do morticínio da suas gentes, salva-se e é depois protegida por várias pessoas de estatuto diverso destes dois povos em conflitos. Na sequência da sua odisseia vem parar a Lisboa, prossegue a sua vida entre vários protetores, sobrevive ao terramoto de 1755, novamente devido ao seu dom de ver a morte, passando depois na sua juventude por novos tormentos resultantes desta catástrofe entre gente que a acolhe e a persegue como uma pessoa diferente: loura, de olhos e pele clara; desembocando no período da guerra dos Sete Anos, onde Portugal se alia à Inglaterra e ela volta a cruzar-se com líderes militares dos povos da sua ilha. 
O romance envolve-se no realismo mágico, tem vários acontecimentos e personagens reais: desde a batalha inicial do livro, ao terramoto, clero influente do monarca português e militares do Reino Unido, tem muitos pormenores do que terão sido as dificuldades da população após a destruição de Lisboa e o caos social de então, bem como a ação da Inquisição e de Marquês de Pombal na época, tanto nas vertentes positivas como negativas deste.
A estória surge numa sequência de cenas que por vezes fornecem pistas futuras e outras vezes recusam prosseguir, originando um tratamento do tempo em forma de peças soltas descontínuas que por vezes abrem caminhos que fecham de seguida, além de em momentos ser uma narrativa de alguém do presente que investiga o passado e noutras a ação entrar dentro das personagens como se fossem estas os autores, paralelamente a imagem sobre os Portugueses e Portugal é frequentemente depreciativa da sua cultura e mentalidade, o que me criou algum desconforto, contudo é um romance onde aprendi factos sobre acontecimentos históricos e que sem me ter entusiasmado também não desgostei de ler e penso que valeu a pena conhecer esta obra.

terça-feira, 16 de agosto de 2016

"História do Cerco de Lisboa" de José Saramago


"História do Cerco de Lisboa", do único laureado com o prémio Nobel da literatura de língua Portuguesa, José Saramgo, começa com um diálogo entre um revisor de textos e um autor de um ensaio de história em revisão relativo ao cerco de Lisboa no tempo de Dom Afonso Henriques na conquista da cidade aos mouros, um diálogo onde se reflete a importância do revisor naquilo que é publicado e se fala do sinal gráfico "deleatur" que indica corte de letras ou palavras no texto a publicar.
Após esta introdução, o revisor, contra todas as regras deontológicas da profissão, altera o texto do ensaio citado, não através de um deleatur, mas introduzindo um "não" numa verdade histórica que modifica o enquadramento deste evento dos inícios de Portugal.
Ficou então aberta a oportunidade para o romance passar a conter uma reflexão sobre o papel daqueles que intervêm no "moldar" a narração do passado histórico de um País, como, do protagonista ser desafiado a recontar a história do cerco de Lisboa alterada por aquela palavra, mas condicionado aos resultados finais do passado que moldam o presente. Deste modo passam a desenvolver-se duas estórias: a histórica, alterada e conciliada com a reinterpretação crítica e irónica de crónicas da época, onde não falta o tempero do amor cujo desenvolvimento o revisor controla e direciona e a outra no tempo atual, de onde lhe nasce uma que não controla e resulta da transgressão.
Saramago aproveita no cruzar destas estórias desfasadas no tempo para falar de Lisboa, dos vestígios daquela época na atual cidade,e para criticar mentalidades, perceções, preconceitos e os ajustamentos que a História sofre em função da religião e cultura de quem narra ou tem o poder de moldar a comunicação do conhecimento do passado face aos interesses do presente. Saramago aproveita ainda para utilizar em estórias diferentes e relatos das "fontes" escritas de estilo de narrativo distinto  e uso de várias forma ortográficas sintáticas que acrescentam uma grande riqueza ao texto.
É sem dúvida um excelente exercício criativo e uma reflexão sobre os primórdios da história de Portugal e abordagem de questões sociais de hoje, cheio de informações e de ironias subliminares, sem deixar de ser uma obra ao estilo de Saramago nem sempre fácil de ler e de abarcar tudo o que é díto nas entrelinhas. Gostei e recomendo sobretudo a quem aprecia a prosa deste escritor como é o meu caso.

sexta-feira, 25 de março de 2016

"Deixem passar o homem invisível" de Rui Cardoso Martins

O romance "Deixem passar o homem invisível" de Rui Cardoso Martins, vencedor do prémio romance/novela da Associação Portuguesa de Escritores em 2009, decorre durante as operações de salvamento de um cego, o protagonista, e de uma criança, sugados por um esgoto antigo de Lisboa na sequência de uma inundação relâmpago da cidade.
Habitualmente não gosto da escrita de jornalistas que viram a escritores, mas este foi uma exceção, não deixa a sensação de se estar a ler uma reportagem ou um texto demasiado estilizado para disfarçar o tom de redação noticiosa. Gostei da forma como escreve.
Todavia a estória surpreendeu-me, tinha imaginado que esta se desenvolvesse segundo duas linhas possíveis: uma viagem pelo subsolo lisboeta ao estilo de guia subterrâneo de uma Lisboa menos conhecida ou uma narração com a forma diferente de um cego ver o mundo e de este o ver. Afinal no romance existem muitos relatos paralelos da vida das personagens mais importantes da obra, memórias anteriores ao momento em que a ação se desenrola: a operação de busca e resgate. Há dissertações sobre a religião, a vida de santos, os milagres ansiados para a cura da cegueira e até espetáculos de magia e os azares de vida do principal amigo do protagonista, um mágico pouco afortunado. Por vezes salta-se do mundo do ilusionista para o dos milagres, que talvez nem sejam tão distantes assim, mas o certo é que o final da história me surpreendeu e talvez daí resultar uma certa desilusão nas minhas expectativas.
Este é o segundo livro que leio onde a igreja de São Sebastião da Pedreira é o ponto de partida para uma Lisboa subterrânea e onde a ameaça de um terramoto se concretiza sobre a cidade, o outro: "Terramoto" de Vitorio Kali, li-o há mais de 20 anos, fico com alguma suspeita de não ser uma mera coincidência, mas as obras são bem diferentes.
Sobre o romance que agora li, houve passagens de que gostei, outras em que me diverti com a ironia que praticamente é transversal a toda a obra, mas tambén senti aproveitamentos fáceis de abordar crenças religiosas e que se podia ter ido mais além nas vias que esperava encontrar, todavia penso ser uma obra interessante de se ler e cada um depois tirar a sua opinião

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

"As confissões de Félix Krull" de Thomas Mann


A obra "As confissões de Félix Krull" corresponde ao livro que Thomas Mann, vencedor de um Nobel da literatura, estava ainda a escrever aos 80 anos quando morreu, embora tenha trabalhado o seu conteúdo desde novo, é contudo um romance incompleto, mesmo assim, já com três centenas de páginas, deixou potencial para vir a ser outra obra deste escritor da dimensão de "A montanha mágica", embora num estilo totalmente diferente.
O romance corresponde às memórias da vida do protagonista, que sempre se sentiu predestinado a alcançar um lugar importante na sociedade, embora nascido de uma família burguesa e pouco exemplar que caiu na ruína quando ainda ele era adolescente. Deste modo, movido pelo seu fascínio e convencimento, dotado de poucos escrúpulos, lá conseguiu passo a passo e sem se desviar dos seus objetivos ocupar o lugar de alguém da nobreza e conhecer o mundo, infelizmente esta viagem global teve apenas uma etapa na obra pela não conclusão desta, mas que curiosamente se passa em Lisboa e ocupa quase um terço do livro.
Mann descreve o povo português e a capital de Portugal de uma forma bem original e diferente do habitual servindo-se de uma personagem sábia residente nesta cidade e que faz lembrar outras figura de grande saber que o escritor criou para dar a conhecer ao leitor mundos da evolução da história e da filosofia noutros grandes romances dele, neste caso Kuckuck é paleontólogo e será por esta via que debitará fascinantes e empoladas informações de antropologia e da biologia, misturada com algum fantasia.
Escrito numa linguagem por vezes irónica, noutras divertida ou sarcástica, o romance está cheio de humor e é com interesse que se lê a geografia e a antropologia de Lisboa e dos portugueses, que se contacta com o rei D Carlos e uma certa crítica social desde a Alemanha, passando por Paris e terminando em Lisboa, infelizmente sem as restantes etapas anunciadas na obra por esse mundo fora e quando Félix ainda era um jovem de 20 anos que se percebe teria chegado à velhice por algumas pistas que vão sendo deixadas no relato feito. Um romance acessível, interessante e que vale a pena ler.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

"O Francoatirador paciente" de Arturo Pérez-Reverte


O romance "O francoatirador paciente", de Arturo Pérez-Reverte, é um thriller que ao longo do seu desenrolar passa de Madrid, para Lisboa, Verona, Roma e vai até Nápoles e leva a reflexões sobre a arte urbana e contemporânea através de um mergulho e exploração do mundo dos autores de graffiti, a sua forma de contestar os defeitos da sociedade atual e, inclusive, de denúncia da subjugação da cultura ao dinheiro e à regulamentação oficial.
Este foi o primeiro livro que li deste escritor espanhol que sei possuir uma obra que varia entre romances de maior profundidade em questões contemporâneas e outros mais ligeiros, penso que o presente se situa num campo intermédio.
Uma escrita contemporânea cheia de gírias do meio dos graffiti, mas agradável e correta. Um thriller cujo suspense não esmaga a força das mensagens que o autor vai semeando no texto. Uma obra fácil , mas sem ser ligeira e recheada de reflexões pertinentes sobre o mundo urbano atual. Uma protagonista homossexual mas nada tem de manifesto sobre o tema ou de preconceito. Uma viagem ao submundo de contestação juvenil, dos gangues e de seitas adolescentes, mas sem ser agressivo ou apoiante da delinquência. Uma crítica ao império do dinheiro sem ser uma oposição barata ao sistema e um final inesperado fazem deste romance uma agradável obra de lazer e aprendizagem de uma realidade pouco conhecida que cobre as paredes das nossas cidades ocidentais.
Sem ser uma obra pretensiosa, gostei e recomendo a qualquer leitor e fiquei interessado em continuar a descobrir mais obras de Arturo Pérez-Reverte. 

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Um Milionário em Lisboa - de José Rodrigues dos Santos

Este romance completa a biografia romanceada e parcialmente ficcionada por José Rodrigues dos Santos de Calouste Gulbenkian e iniciada no título "O Homem de Constantinopla". 
No primeiro romance tivemos as raízes do protagonista aprendiz para a sua vocação comercial desde criança, jovem e no início da sua vida adulta. Agora deparamo-nos com o memso já amadurecido, transformado plenamente num homem perspicaz e visionário para o mundo dos negócios do petróleo e enfrentar os vícios do sistema. Mesmo assim, este foi praticamente sempre um cidadão em fuga de perseguições raciais e culturais, sem nunca deixar de procurar a beleza na produção humana, o que o tornou num dos maiores colecionadores de arte do seu tempo.
O livro tem ainda um importante herói secundário, o filho de Calouste, tão semelhante e forte como o pai e como tal fonte de grandes choques de personalidades de convicções intensas.
Este romance denuncia longa e intensamente a dureza do genocídio arménio no início do século XX no império otomano e a forma como a Europa, sobretudo germânica, povo em relação ao qual o escritor não é nada simpático, fechava os olhos por interesse político. Mostra como nas duas grandes guerras se foi capaz de esquecer gratidões e criar inimigos onde eles não existiam, expõe a maldade reinante no mundo dos grandes grupos empresariais e como Portugal e Lisboa no extremo do continente e na sua pobreza e simplicidade pode ser uma surpresa agradável e cativante para muitos, a tal ponto que o homem mais rico do planeta legou a este País a maior fundação cultural do velho mundo.
Talvez por corresponder a um período mais maduro do protagonista e de guerras na Europa, o segundo romance tem uma escrita menos afetada por excessos floridos de figuras de estilo e mesmo descontando as partes ficcionadas que podem perturbar a imagem do verdadeiro Calouste Gulbenkian, recomendo a leitura deste conjunto de romances.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Lisboa - Feira do Livro 2013

Já há mais de uma década que não passava por Lisboa durante a feira do livro, felizmente ontem este interregno foi interrompido e estive presente até no momento da inauguração.
Muitos milhares de livros com descontos, diversidade de temas, alfarrabistas (sebos no Brasil) para relíquias ou obras já esgotadas, presença de autores com sessões de autógrafos, lançamentos de novos títulos, tudo isto no coração verde e de uma beleza paisagística deslumbrante no Parque Eduardo VII em Lisboa cujo tempo parece estar a dar uma grande ajuda com um céu tão azul e temperaturas agradáveis.
As minhas aquisições nesta feira já começaram... aproveite!

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Férias cá dentro

Parque das Nações em Lisboa

Como hábito outono para mim é a estação das férias e de potenciais viagens a conhecer o mundo ou os meus dois Países: Canada e Portugal.
Este ano faço férias cá no Estado onde vivo, por agora de visita à capital, depois deverá haver alguma viagem cá dentro, até porque Portugal tem terras igualmente muito bonitas.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Convém lembrar: o risco sísmico em Lisboa


Lisboa

Porque havendo consciência da população de um lugar do risco natural a que está sujeita, esta não só se prepara melhor para o enfrentar, como também cria pressões para que os governantes tomem as medidas mais adequadas, aqui fica um artigo e respetivo estudo base sobre o elevado risco sísmico a que Lisboa está sujeita:

Magnitude 7 ameaça Lisboa, subentende-se na escala de Richter;

Já agora, um boletim da Câmara Municipal de Lisboa com informações de uma forma muito mais acessível ao qualquer pessoa relativamente ao comportamento a ter perante um sismo na capital...

Para o risco sísmico, a informação e a prevenção são as melhores formas de sobreviver a um terramoto.

domingo, 13 de novembro de 2011

Férias... Passagem por Lisboa

Como já vai sendo hábito no Outono, aproveito para férias e sair das ilhas, Lisboa é mais uma vez o local de partida para conhecer o mundo... sem nunca deixar de ser uma das cidades da minha vida que adoro visitar.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

A PASSEAR POR LISBOA

Hoje o dia apresentou-se sombrio em Lisboa, mesmo assim decidi dar um passeio pelas colinas do Castelo, Graça e Senhora do Monte.

Nas ruas estreitas, onde se notam várias intervenções de recuperação habitacional, continua ternurenta a arquitectura tradicional.

Impressionou-me o grande número de miradouros para o Tejo e o casario lisboeta, fruto das várias colinas da capital.

É esta Lisboa antiga, com este casario, vivências de bairro, miradouros, cheiros a comida e pacata que eu admiro e cada vez gosto mais desta cidade.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

LISBOA depois de BARCELONA

Quando regresso de uma cidade estrangeira, gosto depois de passear por Lisboa e comparar as duas realidades.
Primeiro, tenho achado sempre Lisboa bonita, pode não ser monumental, mas a arquitectura da baixa e dos seus bairros típicos tem uma ternura e uma beleza popular que me deixa sempre apaixonado por esta cidade.
Comparando Lisboa com Barcelona vejo três grandes diferenças: A animação que se vive nas ruas - as artérias da nossa capital quase não têm vida, faltam-lhe artistas (músicos, pintores, actores, etc.) vêem-se poucos habitantes a passear e a se divertirem em esplanadas e cervejarias;
A outra é ao nível de planeamento, Barcelona tem praticamente o mesmo plano de ordenamento desde meados do século XIX, mesmo as zonas novas e atracções turísticas surgem de tal forma integradas na sua malha urbana que tudo parece coerente;
Barcelona valoriza toda as suas capacidades, Lisboa é uma cidade de potencialidades não aproveitadas e a frente ribeirinha e os seus bairros típicos ainda têm muito mais para dar.

sábado, 27 de novembro de 2010

LISBOA - Música na Gulbenkian

Muitos dirão que Lisboa não é um destino para melómanos, tal seria verdade se não existisse a Fundação Calouste Gulbenkian.
Esta no seu programa de concertos ao longo de uma temporada está ao nível de muitas das melhores instituições culturais Europeias. Ao seu auditório, do melhor que conheço em condições acústicas, deslocam-se muitos os músicos e maestros de renome mundial todos os anos.
Hoje não vou conhecer ouro estrangeiro, fico-me pela prata da casa, que também precisa de ser conhecida: Concerto na Gulbenkian da Orquestra Nacional do Porto - Casa da Música, dirigida por Emilio Pomarico, com obras de Debussy, Berg e Stravinsky, isto após a sua digressão por várias capitais culturais do velho continente.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Lisboa, a passear em livrarias e lojas de música


Num dia sem transportes públicos, mas sem chuva, deu para passear e visitar várias livrarias e lojas de música e as primeiras despesas ou investimentos na cultura já aconteceram.
Continuo satisfeito com os projectos editoriais de publicarem em livros de bolso obras importantes a preços baixos, o que permite efectivamente um acesso muito mais vasto a grandes marcos de literatura nacional ou internacional sem os preços proibitivos do passado.
Igualmente me parece que esta democratização está a chegar à música erudita, aqui com a reedição de grandes gravações a preços convidativos.
Democratizar a cultura, não é só torná-la acessível nas montras, mas também e sobretudo aos bolsos de quem compra.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

LISBOA - na capital sempre bela

Nestas férias a primeira paragem durante uns dias é em Lisboa. Cidade que me acolheu com chuva e nevoeiro, mas cuja parte castiça me deslumbra sempre, na qual nunca me canso de explorar e de descobrir recantos onde a tradição e a beleza se casam na perfeição.
É esta Lisboa antiga que faz parte da minha vida de estudante e das recordações do meu passado e que tem muito a dar a quem a visita, queiram os responsáveis pelo futuro desta terra aproveitar o seu potencial e criar condições para que os alfacinhas ali permaneçam a viver.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

UM TESOURO LISBOETA NUM HINO À GEODIVERSIDADE

No seio de um templo de Lisboa, com um exterior muito simples e austero, esconde-se aquele que para mim é o mais belo tesouro artístico e com o melhor aproveitamento da geodiversidade em termos decorativos das igrejas da capital. (clique nas imagens para as ampliar)
Além das numerosas pinturas que cobrem todas as paredes e o tecto, vários altares laterais apresentam uma magnífica talha dourada que se situa ao nível do melhor que há nesta cidade.
Mas o requinte máximo deste templo está no aproveitamento da diversidade de rochas ornamentais e de minerais semipreciosos vindos do Brasil para a execução de uma decoração magnífica, com um nível artístico ímpar e difícil de encontrar mesmo nas maiores capitais europeias, tanto no que se refere ao pormenor, como à qualidade artística dos trabalhos.

Fora das telas e da talha, a diversidade de cores e texturas é conseguida, sobretudo, pelo recurso a rochas e minerais, pelo que este é também o expoente máximo do uso da geodiversidade litológica e mineralógica do país em termos artísticos.
Isto tudo num imóvel que nem é um monumento de grandes dimensões que chame à atenção dos transeúntes, nem é reconhecido por muitos como um dos ex-libris de Lisboa e nem é muito divulgado dentro de Portugal.

Neste post uma pergunta fica no ar: quantos são capazes de identificar este tesouro nacional e já o visitaram?

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Em LISBOA, novamente

Lisboa recebeu-me com um nevoeiro como eu há muito não via...

Pois... mas eu sei que Lisboa não deixa de ser bonita e nossa.

Embora não seja uma cidade com muitos monumentos tem um carisma que lhe dá um grande carisma e muito castiça.

Vindo agora de Roma, não posso deixar de considerar hoje Lisboa como uma cidade organizada e disciplinada... quem diria que um dia acharia isto sobre ela!?

domingo, 29 de novembro de 2009

CONVENTO DE MAFRA

Este fim-de-semana terminou com uma visita ao Convento de Mafra, confesso que faz muito bem ao orgulho nacional visitar estes monumentos de Portugal, por norma assumimos que só lá fora existem grandes obras-primas, mas de facto, o que fazemos é não ver as nossas e aproveitar as viagens para ver tudo o que de bom têm os locais visitados.

O conjunto deste monumento, que até inspirou uma obra de literatura por muitos considerada a principal do prémio Nobel de Saramago, é impressionante! Não só pela dimensão, como pela riqueza e diversidade de aspectos a observar.

Palácios reais, convento, hospital, igreja, jardins e a maior biblioteca palaciana de Portugal e das maiores da Europa, permitem conhecer o que seria um estilo de vida no século XVIII neste país.

Para um país considerado ileterado, ver esta biblioteca, só vi uma maior em Viena, dá uma ideia da importância que a cultura teria na época em que Portugal era sem dúvida um dos centros mais importantes da Europa... entre as obras expostas, vêem-se não só o modo como se fazia ciência na altura (pouco distante da religião), como se observam livros com referência a Marcos Portugal, sem dúvida um dos nossos maiores músicos, embora poucos lhe conheçam a sua música.

A policromia da igreja, apenas com recurso a rochas ornamentais, onde predominam os calcários, margas e mármores, dão uma imagem da riqueza do monumento e da geodiversidade. Embora não se observem pormenores muitos exuberantes, o interior do templo é de um equilíbrio difícil de igualar.

Só vendo ao vivo esta cúpula, é possível compreender porque está entre as mais belas e elegantes que já vi até hoje em três continentes.
Por último, um elogio aos guardas/empregados do monumento, muito simpáticos e disponíveis em nos fornecer informações sobre a história do imóvel, os seus ocupantes, tradições da época e mesmo sobre pormenores da história de Portugal. Obrigado!

LISBOA DO CHIADO

Ontem encontrei-me na rua com Pessoa, precisamente quando eu ia a caminho das livrarias da rua Garret e do Carmo, ele lá continuou sentadinho, parece gostar mais de escrever calmamente na mesa de café do que andar na azáfama de compras, sobretudo num fim-de-semana em época de Natal.
Eu por mim já comecei a encher o saco de livros, cd e dvd...