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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Bonitas Terras Açorianas 5 - Ribeira Grande


Principal povoação da costa norte da ilha de São Miguel. Ribeira Grande deve o seu nome ao curso de água que atravessa o seu centro, cujas margens presentemente são um belo jardim e um exemplo de como é possível aproveitar  as zonas sujeitas a inundação numa cidade sem ser com ocupação por edifícios habitacionais e de escritórios.


O centro histórico é uma área onde se encontram vários edifícios com cantaria de lava lindamente esculpida e que forma um contraste de cores com as alvenarias e as flores que se encontram nas vizinhanças.


Possui um teatro recuperado e ao qual foram adicionadas novas áreas com valências várias que o tornam num bom exemplo de como é possível compatibilizar o património histórico com a nova arquitetura, sem destruir nenhuma das partes e enriquecendo todo o conjunto.


Uma cidade calma, mas arquitetonicamente rica, sobretudo ao nível de património religioso, que importa visitar...


e explorar...


Ribeira Grande é uma pequena cidade que gosto, continua a ser o principal centro de energia geotérmica dos Açores, com um enquadramento tectónico algo instável, mas é uma terra onde já trabalhei que me deixou boas recordações, inclusive das suas gentes...

sábado, 12 de março de 2011

Sismo do Japão, construção sismo-resistente e prevenção nos Açores

A generalidade das imagens do sismo de 11 de Março de 2011 no Japão mostram que os danos provocados directamente pelas ondas sísmicas foram mínimos nas edificações afectadas, os grandes estragos surgem depois com as águas do maremoto a invadirem terra.


Neste filme, apesar da violência das ondas sísmicas, os imóveis resistem

Como mesmo os grandes sismos nem sempre provocam maremotos e a tipologia de movimentos tectónicos nos Açores não ser favorável a desencadear tsunamis, mas não impossível. Este arquipélago podo reduzir significativamente os riscos geológicos com dois cuidados que estão na mão do homem:
1- construção de edifícios sismo-resistentes e introdução de soluções de engenharia civil nos imóveis já existentes.
2 - Ordenamento do território para a ocupação humana, sobretudo habitacional onde há maior probabilidade de se ser apanhado a dormir, de forma a que as casas não estejam em regiões sujeitas a movimentos de massa, rupturas de superfície, liquefacção dos solos e inundações.

Claro como estas ilhas estão sujeitas a maremotos que possam surgir sobretudo a partir da costa Europeia, um sistema de alerta internacional e de difusão da informação na região pode ser uma grande ajuda, mas tal não depende apenas do poder nos Açores.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Enxurradas no Rio e Movimentos de Massa nos Açores

Cicatrizes de um significativo movimento de massa desencadeado por um sismo

As imagens das enxurradas e resgate no Estado do Rio de Janeiro comovem quem as vê, como geólogo que visitou Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo e a Serra dos Órgãos, a comoção e a compreensão do que aconteceu aumenta.

Petrópolis é uma Sintra, cidade serrana com um palácio real ou imperial, cresceu perto da capital e tornou-se num centro cosmopolita de nobres. Teresópolis é uma cidade vizinha, o nome homenageia a mulher do imperador do palácio. Nova Friburgo foi uma colónia de emigrantes suíços mais a norte e na mesma cordilheira. Todas eram pequenas cidades com temperaturas mais amenas para europeus que as do Rio de Janeiro e estão cercadas por morros de grandes declives, cobertos de densa vegetação e cumes desnudados devido ao arraste do solo nas chuvas intensas. Pequenos burgos não muito distantes do Rio que a modernidade aproximou e a suas belezas transformaram-nos em pólos turísticos que atraíram muitas gente que ocuparam densamente margens de rios e morros num solo húmido, exposto a chuvas intensas e instável. A armadilha montou-se com o crescimento demográfico sem ordenamento territorial.

Vastas inundações como na Austrália, em zonas planas e de baixa densidade humana, são pouco mortíferas, as correntes não encontram tanta gente num curto espaço de tempo e a demora a atingir as cidades permite o aviso atempado das pessoas. Em regiões montanhosas densamente povoadas a subida das águas nos pontos de concentração é rápida, as correntes encontram muitas gente no trajeto, os solos dos declives perdem consistência, tornam-se lamas que escorrem e tudo arrastam e o tempo é escasso para alertas adequados à proteção das pessoas. Contra isto, havendo espaço, só há o ordenamento do território e retirada da ocupação humana dos locais de maiores riscos para viverem em zonas mais seguras, mas baixar o risco não é anulá-lo.

Os Açores têm zonas declivosas, períodos de chuvas intensas, sismos, ribeiras torrenciais e locais de maior risco de densidade urbana alta. A prevenção é a melhor via de evitar catástrofes, mesmo que as pessoas digam que há muito conhecem um local e não se lembram de ali ter ocorrido algo de grave, a memória das gentes é outra armadilha: raramente sobrevive um século e a terra tem 4600 milhões de anos, muito tempo para escolher quando decide atacar um local que reúna as condições para a catástrofe e a explosão demográfica torna-nos mais vulneráveis por favorecer a ocupação de locais inseguros.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

CATÁSTROFES: Reconstrução Reordenamento

A freguesia da Urzelina foi em grande parte destruída pelas lavas da erupção de 1.º de Maio de 1808, da sua igreja de então ficou a torre, mas a sua comunidade não morreu, os seus habitantes arregaçaram as mangas e reconstruíram casas e templo em novos locais não ocupados pelas escoadas basálticas de então. Surgiu assim uma nova igreja desta paróquia de São Mateus, talvez mais imponente, mais bela e mais segura.

As catástrofes por norma são dolorosas, mas podem ser momentos de crescimento e de amadurecimento, inclusive das nossas terras, com a reconstrução de edifícios mais seguros, modernos e espero que sempre se aproveite a oportunidade para os edificar em locais expostos as menores riscos naturais.

O ordenamento do território para minimizar os riscos deve ser preventivo, mas é muitas vezes difícil de implementar sobre o que existe. No grupo central, de forma mais forçada pelas condições deixadas pelas catástrofe, o rearranjo da ocupação do solo já aconteceu pelo menos com os vulcões da Praia do Norte no Faial, de Santa Luzia no Pico e da Urzelina em São Jorge. No Faial, mas de uma forma imposta legalmente e com base em estudos geológicos também tal aconteceu após o sismo de 9 de Julho de 1998 na Freguesia da Ribeirinha.
Mas o melhor é sempre a prevenção antes de acontecer a catástrofe e o ordenamento do território é um dos processos fundamentais na redução dos riscos.

segunda-feira, 29 de março de 2010

PRAIA DA VITÓRIA e o GRABEN das LAJES

A existência de um par de falhas normais paralelas na região nordeste da ilha Terceira, uma a norte da Praia da Vitória que inclina para sul e outra a sul das Fontinhas, mas que inclina para norte, levou ao abatimento da zona situada entre estas duas escarpas. Gerou-se assim uma depressão tipo vale mas de fundo plano com origem tectónica, designada em geologia por Graben, cujo centro está ocupado pela Vila das Lajes, por isso baptizado de Graben das Lajes.

O graben visto da região portuária (clique na foto para ampliar)

Assim, tal como a geologia e o relevo da parte oriental do Faial é controlado pelo Graben de Pedro Miguel, a paisagem da Praia da Vitória é marcada pelo Graben das Lajes.
Tal como as falhas do Faial tem o seu lado obscuro e escondem a ameaça sísmica, também as Falhas das Lajes e das Fontinhas atrás da sua beleza está a sua capacidade de gerarem sismos.

Foto com as escarpas de falha inclinadas e a base do graben com contornos a vermelho

Mais do que temermos sismos, temos é de nos preparar para minimizar os seus efeitos. Viver é sempre um perigo, mas importa agir para evitar riscos desnecessários, que tanto podem ser minimizados previamente ou através de acções correctas durante as suas ocorrências.
Este catálogo do Serviço Regional de Protecção Civil e Bombeiros dos Açores fornece um conjunto de informações que todo o Açoriano, da Praia da Vitória ou não, deve conhecer, e inclui o risco sísmico.
A experiência ensinou-me que nas medidas prévias se devem preferir os reforços estruturais das moradias às obras decorativas; e a colocação das camas, sobretudo das crianças, em locais mais seguros e difíceis de serem atingidos pelas paredes mais pesadas. Quem pretende contruir nova casa deve optar por implantações em áreas mais seguras face aos vários riscos naturais. Aspectos frequentemente esquecidos por muitos nesta terra exposta às forças da natureza.

terça-feira, 31 de julho de 2007

AVANÇO DO MAR OU RECUO DA ARRIBA?

O litoral marinho é uma das zonas mais dinâmicas à superfície do planeta. As ondas, as correntes marítimas e as águas de escorrência das chuvas estão permanentemente a moldar a linha de costa, nuns locais depositam areias, noutros o mar escava a terra emersa e nestes movimentos os Açores não são excepção.
É fácil ver o mar invadir a Costa da Caparica no Continente e assobiar para o lado, afinal os Açores quase não tem litorais arenosos... Mas rápida ou lentamente o mar também faz recuar as nossas arribas costeiras e a construção na conhecida zona das Barrocas do Mar pode permitir uma bela vista sobre o Atlântico hoje, mas é, seguramente, uma catástrofe amanhã.

No litoral dos Açores o mar não só galga terra, como escava a ilha, o que varia é a velocidade do recuo da arrriba, que pode ser rápido, como na foto acima, deixando suspensas estruturas de moradias recentes.



Então grita-se e vocifera-se contra as autoridades que nada fazem para proteger aquelas casas sobre o mar ameaçadas de servir de moradias à fauna marinha!
E lá se fazem mais uns enrocamentos no litoral como os da foto em baixo, os quais só servem para adiar o problema hoje e agravá-lo amanhã.

Quando a razão diz que devemos viver em equilíbrio com este mundo, até quando os homens e os seus governantes continuarão a lutar para vencer a natureza?

O desenvolvimento sustentável, o ordenamento equilibrado e o bom ambiente não se exige, vive-se! E este só é possível quando todos deixarem os seus egoísmos e agirem para o bem-comum.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

NOVO REORDENAMENTO E PANORÂMICA

Lembram-se do tempo em que a Ribeirinha era conhecida como uma povoação de de rua única?...

Apesar da causa principal ter sido o sismo de 1998, que tudo destruiu por estes lados, o reordenamento efectuado nesta freguesia, para evitar a zonas de risco geológico conhecido e evidente, introduziu nesta localidade uma malha urbana e uma zona central... afinal ainda hoje existem Marquêses de Pombal... não têm é muito poder...