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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Bonitas Terras Açorianas 5 - Ribeira Grande


Principal povoação da costa norte da ilha de São Miguel. Ribeira Grande deve o seu nome ao curso de água que atravessa o seu centro, cujas margens presentemente são um belo jardim e um exemplo de como é possível aproveitar  as zonas sujeitas a inundação numa cidade sem ser com ocupação por edifícios habitacionais e de escritórios.


O centro histórico é uma área onde se encontram vários edifícios com cantaria de lava lindamente esculpida e que forma um contraste de cores com as alvenarias e as flores que se encontram nas vizinhanças.


Possui um teatro recuperado e ao qual foram adicionadas novas áreas com valências várias que o tornam num bom exemplo de como é possível compatibilizar o património histórico com a nova arquitetura, sem destruir nenhuma das partes e enriquecendo todo o conjunto.


Uma cidade calma, mas arquitetonicamente rica, sobretudo ao nível de património religioso, que importa visitar...


e explorar...


Ribeira Grande é uma pequena cidade que gosto, continua a ser o principal centro de energia geotérmica dos Açores, com um enquadramento tectónico algo instável, mas é uma terra onde já trabalhei que me deixou boas recordações, inclusive das suas gentes...

sábado, 6 de setembro de 2008

ENERGIA GEOTÉRMICA III - A central

Uma Central Geotérmica, como as existentes em São Miguel, são alimentadas por vários poços geotérmicos, por onde o fluido quente ascende, depois, à boca do poço é captado e canalizado para a Central.


À superfície e por razões técnicas, o fluido passa por uma espécie de torre - separador - onde é retirada a parte gasosa, enquanto a fracção líquida vai para cilindros - aquecedor e vaporizador - onde, sem se misturar, irá aquecer um outro fluido - fluido de trabalho - a utilizar nas turbinas da central. O fluido geotérmico, depois de transferir o calor ao fluido de trabalho é reinjectado no jazigo através de um poço a tal destinado, poço de reinjecção.


O fluido de trabalho aquecido expande-se e com esse gradiente de pressão é forçado a ir para as turbinas, cujo fluxo as faz girar e onde alternadores associados transformam a energia cinética (energia do movimento) em energia eléctrica.

O fluido de trabalho, depois de fazer girar a turbina, prossegue o seu caminho e passa por zonas mais expostas à temperatura ambiente - aerogeradores - onde perde calor, manifestado pelo vapor, e reduz o seu volume. O que mantém o gradiente de pressão e alimenta a sua circulação, pelo que este volta a entrar nos vaporizadores, será repetidamente reaquecido e o circuito prossegue indefinidamente.

A Central Geotérmica da Ribeira Grande recebe visitasem determinadas condições , fornece folhetos explicativos e, por vezes, faz sessões informativas sobre o seu modo de funcionamento e as características geológicas e geotérmicas da zona.

Independentemente de terem uma visita guiada ao local, esta central possui um trilho pedestre à sua volta, que permite a observação de magníficas paisagens do interior da ilha de São Miguel.

Para saber mais sobre esta Central e o Projecto Geotérmico dos Açores ,consulte a página na internet da empresa SOGEO do grupo EDA.


Abaixo um vídeo para uma visão de conjunto da Central Geotérmica da Ribeira Grande.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

ENERGIA GEOTÉRMICA II: O jazigo ou reservatório

Apesar do interior da Terra ser quente e por isso, teoricamente, em muitos locais ser possível aproveitar esse calor para obtenção de energia, na realidade, hoje esta fonte alternativa de energia é aproveitada a partir de Jazigos Geotérmicos existentes em profundidade.

Esquema de formação de um Jazigo Geotérmico e alimentação da Central
(clique na figura para a ampliar)

Para existir um Jazigo Geotérmico são necessárias, pelo menos, reunirem-se três condições:
1. A existência de uma fonte significativa de calor, como uma grande massa quente, frequentemente uma câmara magmática;
2. Uma quantidade suficiente de fluido armazenado, líquido ou vapor, que possa receber esse calor ; e
3. Uma rocha permeável assente noutra mais impermeável onde esse fluido aquecido fica armazenado, sem se infiltrar para grandes profundidades, para que se possa extrair de uma forma controlada.

Assim, podem-se acumular grandes quantidades de fluido quente que o homem extrai através de furos ou poços geotérmicos, que por vezes ultrapassam os 1000 m de profundidade, que fornecem o calor à central e alimentam as turbinas.
O fluido depois de usado é reintroduzido no jazigo por poços de injecção, para se manter o equilíbrio de pressão em profundidade e futuramente serem reaquecidos.

Uma grande fracção do fluido provêm de infiltrações das chuvas, lagos e rios (água meteórica), outra parte vem dos minerais hidratados ou com compostos voláteis contidos nas rochas que se libertam por acção da pressão ou do calor, e ainda, pode vir dos líquidos e gases libertados de uma câmara magmática (água juvenil) ou de outra massa quente que veiu da profundidade.

Em próximo post desta série mostrarei uma Central Geotérmica.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

ENERGIA GEOTÉRMICA I - A origem

Em crise de preços de petróleo, as economias pesquisam novas fontes alternativas de energia. Nos Açores, as potencialidades da geotermia são então alvo de maiores investimentos económicos e científicos.
Por coincidência, tanto no petróleo, gás natural e carvão, como na alternativa da geotermia, o conhecimento geológico está na base da descoberta e exploração destes recursos que suportam a moderna economia.

Central Geotérmica da Ribeira Grande, ilha de São Miguel

Os recursos geotérmicos tem como princípio a exploração do calor existente no interior da Terra, tendo em conta que as rochas tendem a aquecer com o aumento da sua profundidade.
Este crescimento térmico é consequência das partes internas do planeta arrefecerem mais lentamente que as zonas à superfície, retendo parte do calor associado à formação da Terra, e também devido à presença de elementos químicos radioactivos que libertam energia que aquece as zonas mais profundas.

Estrutura associada a um poço geotérmico da mesma Central

A variação de temperatura com a profundidade chama-se Gradiente Geotérmico. Nos locais onde este é maior - anomalia geotérmica positiva -, as zonas mais quentes encontram-se a menor profundidade, pelo que, através de perfurações torna-se possível alcançar rochas a temperaturas muito elevadas.

Tubagem de ligação ao mesmo poço de abastecimento geotérmico

Nos Açores, devido à existência do limites de placas tectónicas, com ascensão de material profundo e gerador de vulcanismo, ocorre a subida de magmas quentes para zonas mais superficiais, o que origina anomalias geotérmicas positivas em várias áreas, estas, quando reunidas com outras particularidades geológicas originam os jazigos geotérmicos que podem ser explorados para a obtenção de energia.
O modo como se formam este jazigos fica para o próximo post desta série dedicada à Geotermia.

domingo, 6 de julho de 2008

NOVAMENTE EM SAÍDA

Tenho de reconhecer que 2008 tem sido relativamente calmo em viagens, uma vez por mês está bem abaixo da média dos últimos anos. Nos próximos dois dias lá deverei andar pela designada ilha do Arcanjo, ou seja, a ilha de São Miguel.
Não costumo referir os temas das deslocações em trabalho, na generalidade manterei esse comportamento aqui, mas dado que esta viagem, em parte está relacionada com um processo que acompanho há vários anos que, possivelmente no futuro, poderá originar uma série de posts neste blog, cá vai um dos motivos da saída: a GEOTERMIA. Um dos potenciais recursos que o vulcanismo concedeu aos Açores e, nos tempos que correm, sem dúvida um sinal de esperança para autonomia energética destas ilhas.

Continuarei a aceder a internet, a ver os vossos comentários e o próximo post, como não poderia deixar de ser, está feito e pronto para publicação na data aprazada, mas dificilmente terei tempo para martelar neste espaço.