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domingo, 6 de novembro de 2016

Curiosidades geológicas: Efeito colateral do último sismo no centro de Itália - erupção de vulcões de lama

Voltando novamente ao tema geologia há muito arredado deste blogue que se tem dedicado sobretudo a livros, mas o principal que esteve na origem de Geocrusoe, apresento hoje uma curiosidade recente de que não ouvi falar nos noticiários nacionais, um efeito colateral dos tremores de terra no centro de Itália da passada semana: estes desencadearam a entrada em erupção de seis vulcões de lama, os quais podem ocorrer na sequência de chuvas muitos intensas, sismos com magnitude superior a 6 graus Richter e furos para a exploração de recursos geológicos, nomeadamente hidrocarbonetos.



Sobre esta tipologia de fenómeno geológico, pouco divulgado pelas populações em geral, já falei neste post, bem como aqui, aqui e aqui há quase 6 anos atrás.

Outro vídeo sobre o mesmo fenómeno ocorrido agora na Itália.


Embora sem a regularidade de há uns anos atrás, espero voltar novamente aos temas geológicos neste blogue, nem que seja para honrar a razão inicial da sua criação e do seu nome.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Férias: Pozzuoli a cidade no vulcão que sobe e desce Campi Flegrei




Hoje é o dia de visita a Pozzuoli, uma antiga cidade à beira-mar, anterior ao Império Romano a oeste de Nápoles, com muitos património da antiguidade, que se situa dentro de uma caldeira costeira, parcialmente submarina de um grande vulcão: Campi Flegrei ou Campos Flegreanos, é mais um dia que junta férias e geologia.
Tal como acontece em muitos edifícios de vulcões ativos, estes tem a particularidade de ao longo do tempo se deformarem, havendo zonas que ora sobem ou descem, cone vulcânico como que "incha" ou "encolhe", inflação ou deflação, em função de movimentos do magma sobem ou descem dentro do edifício. Ora como esta caldeira se situa na costa parte dos edifícios costeiros e o porto ficam expostos a serem ora galgados ora a assistirem ao recuo das águas, transgressão e regressão, assim com o decurso dos anos, as ruínas romanas da foto que foram construídas em terra, já estiveram parcialmente submersas e agora estão emersas e bem acima da água, mas com sinais de erosão marinha, tal como já ocorreram portos que ficaram acima ou submersos pelo mar.
Em torno desta cidade existem ilhas resultantes de cones vulcânicos dentro da caldeira mas dentro do mar, bem como zonas dispersas com fumarolas, a mais conhecida é Solfatara, algo do género do que se observa nas Furnas em São Miguel e onde também se fazem cozidos enterrados no solo.
Pozzuoli é rica em piroclastos vulcânicos com grande percentagem de sílica, composição química que os romanos descobriram servir para produzir uma argamassa útil à construção civil: cimento (concreto no Brasil). Esta matéria-prima tem agora o nome de pozolana devido ao nome desta cidade, e muita da grandeza arquitetónica do Império Romano resulta desta descoberta, sendo o Panteão Romano o exemplo máximo da antiguidade do engenho do homem na construção de um grande monumento com cimento.
O mesmo observatório que acompanha a atividade do Vesúvio também monitoriza o vulcão de Campi Flegrei e sem dúvida esta é uma cidade muito exposta aos riscos vulcânicos e uma erupção deste pode igualmente afetar significativamente Nápoles, embora pelo impacte paisagístico do Vesúvio popularmente poucos de lembram que os Campos Flegreanos constituem um dos complexos vulcânicos mais perigosos da Terra. 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

"O livro de Jón" de Ófeigur Sigurdsson


"O livro de Jón", do Islandês Ófeigur Sigurdsson, é um romance epistolar constituído por mais de duas dezenas de cartas escritas por Jón à sua mulher durante o período da erupção do vulcão Katla de 1755 (a maior que há memória nesta ilha desde o povoamento e que teve um impacte climático planetário) e enquanto se encontrava refugiado numa gruta a sudeste deste, por um motivo pessoal e anterior à catástrofe, no local onde não só construiu a sua habitação, como inclusive um hospital e acolheu alguns dos maiores cientistas e pensadores daquele povo naquela época.
Apesar de ser uma obra ficcional, grande número das personagens, incluindo Jón, tiveram existência real e o autor aproveita este estilo não só para descrever muitos dos problemas sociais, económicos e políticos da Islândia de então, como mostrar a mentalidade, usos e costumes deste povo insular e ainda fazer uma descrição literária da erupção do Katla e dos seus efeitos catastróficos, inclusive responsabilizando-a do terramoto de Lisboa igualmente descrito com grande força. Contudo a obra mistura realidade, sonhos e uma natureza que por vezes é mágica.
A escrita é acessível, muito poética, sentimental e o romance é pequeno, embora por vezes os parágrafos seja extensos, só não temos o eco das cartas na mulher amada, nem se vem a saber se de facto estas chegaram à destinatária. Gostei da obra e recomendo, até pela descrição da erupção, sobretudo das enxurradas glaciares resultantes do contacto do magma quente com a calote de gelo que cobre a ilha nesta zona, originando assim os "jökullhlaups", vivamente descritos no livro.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Geólogo e Beato: Nicolau Steno

Nicolau Steno, imagem daqui

Dinamarquês, nascido luterano a 11 de janeiro de 1638, convertido ao catolicismo com base nos seus estudos individuais, observador da natureza, desenvolveu numerosos trabalhos na área da medicina, mas foi nas Ciências da Terra que as suas descobertas se destacaram.
Ainda hoje as suas deduções são ensinadas logo nos primeiros anos da geologia: Lei de Steno na cristalografia sobre a constância dos ângulos entre faces equivalentes de um dois cristais do mesmo mineral,e os Princípios da sobreposição dos estratos, da horizontalidade de formação das camadas sedimentares e da continuidade lateral, bem como a idade relativa das descontinuidades dentro de uma rocha, estão ainda hoje na base da estratigrafia moderna, sem esquecer a sua afirmação de que os fósseis eram os restos dos seres vivos à data da formação das rochas, antecipando em muito a raízes da teoria de Darwin.
A sua carreia de conversão e trabalhos teológicos levaram à sua beatificação por João Paulo II em 1987, mostrando que é possível ser-se um grande cientista e homem de fé.
Se à humanidade não faltarem homens de Saber como Steno e bons o futuro será bem melhor.

sábado, 15 de outubro de 2011

Ilusão de dobras geológicas 2


Um olhar desatento diria que se estava perante uma zona de camadas rochosas dobradas. Pura ilusão!
Tal como no artigo anterior, os estratos correspondem à sobreposição de camadas de piroclastos caídos durante a fase explosiva de um vulcão que se depositaram numa topografia inclinada. Uma escavação recente em cunha e oblíqua à direcção da inclinação das superfície fez um recorte nas camadas com a forma de um V invertido, parecendo uma dobra, quando simplesmente é um plano inclinado cortado.
A medição geométrica e interpretação das formas resultantes das intercepção do relevo com as camadas rochosas é um dos modos de compreender e modelar a disposição das litologias em profundidade e está na base da elaboração de cortes geológicos e detecção de estruturas ocultas dentro da terra.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ilusão de dobras geológicas 1

Na Natureza nem tudo o que parece é:

As rochas, devido às forças no interior da crosta partem-se (deformação rígida ou frágil) ou dobram-se (deformação plástica). Depois a erosão trás à superfície essas rochas e coloca à vista de todos essas deformações. Todavia, nem sempre aquilo que parece dobrado está de facto deformado.
As cinzas, a bagacina (lapilli) e os blocos projectados da chaminé em altura pelas erupções vulcânicas caem por acção gravítica e formam camadas modeladas pelo relevo, os materiais mais recentes cobrem os mais antigos e fossilizam o relevo dessas camadas inferiores. Depois se algum dia forem expostos esses antigos estratos, os mesmos podem parecer como que dobrados, quando apenas é a fossilização do paleorrelevo na época da respectiva deposição.
Os Açores são ilhas muito recentes e os esforços a que as rochas estão sujeitas são sobretudo de distensão, o que não favorece o aparecimento de dobras. Assim, na foto acima as camadas de piroclastos não estão dobradas como parecem, apenas retratam o relevo antigo à data da sua queda, inclusive um vale mais recente quase se sobrepôs ao "paleovale".
Afinal a natureza também é ilusionista e só uma apurada análise da situação permite descobrir a realidade.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ponte sobre o rio de rocha

Não é por acaso que esta freguesia da ilha de São Jorge se chama de Ribeira Seca e até penso que nem se refere a este curso de água, mas quando aqui passei tive a sensação que a ponte ali estava para unir as margens de uma escoada de lava consolidada.
Na rocha são contudo evidentes os vestígios do desgaste erosivo de quando o fruto das chuvas torrencialmente escorre por essa topografia altamente irregular, algo que não é muito comum, pois a água tende a regularizar a superfície por onde passa, o que neste caso ainda não deve ter tido tempo suficiente para tal.

domingo, 13 de março de 2011

Japão: sismo reactiva o vulcão Shinmoedake?

Num repente parece que todas os grandes riscos geológicos se abatem sobre o país do Sol Nascente, hoje na ilha Kyushu, a mais a sul das quatro maiores ilhas Japonesas, recomeçou a erupção do Shinmoedake, este vulcão já estivera em actividade no mês passado de Janeiro e estava calmo desde o final de Fevereiro.


O Vulcão Shinmoedake em Janeiro passado

Embora distante de Sendai, o epicentro do terramoto do dia 11, a verdade é que um grande sismo pode desencadear a reactivação de um vulcão activo, isto por várias razões:
1 - A vibração sísmica pode agregar (coalescência) as bolhas dos gases dissolvidos na câmara magmática, o que aumenta a pressão para uma explosão vulcânica (é o agitar duma garrafa de bebida com gás, favorece a saída de espuma se não estiver bem rolhada);
2 - A vibração pode provocar correntes convectivas dentro da câmara magmática (fornece energia, tal como o calor na sopa dentro de um tacho);
3 - O sismo pode abrir fissuras no aparelho vulcânico, originando uma conduta por onde o magma pode sair (é o destapar a garrafa sobre pressão, o líquido gaseificado jorra);
4 - O sismo pode provocar escorregamentos das paredes de um cone vulcânico, tal reduz a espessura de rochas e a pressão que continha o magma em profundidade (é o adelgaçar as paredes da garrafa cheia de um líquido com gás, esta pode explodir pela zona fragilizada).

Assim, não se pode dizer que o Shimoedake entrou em erupção devido ao terramoto, mas não se pode dizer que não haja uma relação causa - efeito, até porque o vulcão tinha estado instável há muito tempo e pode ter sofrido mais uma perturbação na sequência da actividade sísmica no arquipélago.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A origem da areia marinha

Quem olhar para as fotos deste post, verá que a primeira e terceira correspondem a uma praia litoral de calhau, enquanto a segunda e quarta, obtidas no mesmo local, já existe uma grande quantidade de areia.

Tal situação ficou a dever-se ao facto de nas proximidades, em meados do Verão, ter ocorrido um volumoso desabamento de arriba costeira. Depois, já no início do Outono e por erosão marinha, este transformou-se numa importante fonte de areia para o litoral nas imediações. Esta situação permite explicar alguns fenómenos associados à dinâmica costeira, nomeadamente:


A principal fonte de areia marinha não é o próprio oceano, mas sim a terra emersa. Sobretudo, a erosão que o mar faz sobre a linha de costa e o material transportado (carga sólida) pelos cursos de água (rios ou ribeiras) nas ilhas e nos continentes.

Nem sempre a deposição de areia ocorre nos períodos de mar calmo. Neste caso, foram as maresias que permitiram galgar o escorregamento, retirar maiores volumes de grãos de rocha da dimensão das areias, transportá-los pela agitação das ondas e correntes e depositá-los em locais costeiros mais elevados, relativamente protegidos das zonas de maior hidrodinamismo costeiro

Por último, embora a maioria das pessoas associem o termo "praia" aos depósitos costeiros de areia. As acumulações no litoral de materiais mais grosseiros também se chamam "praias". Assim, existem praias de areia, praias de areão, praias de cascalho, praias de blocos ou calhaus, constituídas por rochas sedimentares desagregadas e provam que nos Açores nem todas as rochas são vulcânicas.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

DESCOBERTA FONTE HIDROTERMAL JUNTO AO FAIAL

Lomba e escarpa de falha da Espalamaca, vendo-se a ponta da Espalamaca à esquerda

Descoberta nova fonte hidrotermal nos Açores, a 500 m da ilha do Faial e a cerca de 40 metros de profundidade, um assunto que pode permitir novos e interessantes estudos na área da geologia.
http://bit.ly/bJTSYk

Já no post e neste havia falado da existência de desgaseificação submarina perto da zona em causa e em terra é conhecida um foco de libertação de CO2 junto à Ponta da Espalamaca, o qual foi monitorizado durante vários meses.

Não é todos os dias que num dos campos de descobertas científicas mais fascinantes na geologia dos últimos anos o Faial surge como um palco privilegiado na matéria.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E SISMOS

Por norma não se devem relacionar as alterações climáticas com os terramotos que acontecem no planeta.
Todavia, os degelos das calotes glaciares e provavelmente das glaciações, provocam alterações da carga sobre a supefície terrestre.
Estas variações do peso do gelo conduzem localmente a afundamentos e levantamentos da crosta (movimentos isostáticos) que podem conduzir à reactivação de falhas antigas ou ao aparecimento de novas falhas para se darem os necessários reajustamentos da superfície terrestre, as quais são capazes de gerar sismos com alguma intensidade.
A vermelho a zona epicentral do sismo a norte de Ottawa
(imagem adaptada do Googlemaps clique para aumentar)


Hoje, a minha região natal, o Sudeste de Ontario, bem como o sul Quebec e parte da Nova Inglaterra nos Estados Unidos foram abalados por um sismo de magnitude 5, cuja causa é precisamente interpretada por reajustamentos da superfície associados aos degelos do fim da última glaciação, onde a calote polar se estendia até esta área do continente Norte Americano.
A magnitude máxima histórica para esta região pouco ultrapassou o 6, mas é improvável a ocorrência nesta área de sismos que atinjam dimensões catastróficas. Pode neste blogue obter acessos a mais informações de caracter técnico.

Notícia inicial extraída daqui.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Vulcões de Lama (4) catástrofes e verdades científicas

Contrariamente aos Açores, uma zona de afastamento de placas e onde a crosta e as ilhas são essencialmente de origem vulcânica; nas regiões de placas convergentes, existem formações vulcânicas e fracções significativas de rochas com origem em sedimentos, viabilizando a ocorrência em locais próximos de erupções vulcânicas magmática, jazigos de hidrocarbonetos e ainda vulcões lama.
Na confluência destes ambientes geológicos, o homem pode acidentalmente provocar mesmo um vulcão de lama e foi o que aconteceu na ilha de Java.



Considerada como a ilha mais vulcânica do mundo, uma perfuração para extrair hidrocarbonetos, em Sidoarjo - Java Oriental, originou o vulcão de lama agora chamado de Lusi, cuja erupção foi sem dúvida uma das maiores catástrofes do género, onde a dimensão está bem expressa nos vídeos deste post.




Assim e para terminar esta série, despoletada pela descoberta de uma possível cratera de impacte a sul dos Açores, que alguns consideram resultar de um vulcão de lama, tenho a dizer que tenho dúvidas sobre esta possibilidade, dada as dimensões do "ovo estrelado" e características geológicas da região. A ser, algumas verdades científicas serão abaladas e este foi um dos objectivos da sequência, alertar que em ciências as certezas não são definitivas e hipóteses que nos parecem estranhas podem muitas vezes são mecanismos do avanço do conhecimento. Também era verdade que o Sol andava à volta da Terra! Não era tão evidente da observação dos factos naquela época?
As surpresas em ciências hoje ainda acontecem e os Açores têm sido fonte de várias e eu até conheço uma teoria que justificava tal hipótese, mas sempre a considerei aberrante para a aceitar... se calhar um dia lá terei de ceder.

Links
Glossário da USGS
Vulcões de lama
A erupção de Lusi
Sidoarjo Mud Volcano
Hidrato de Metano

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

VULCÕES DE LAMA 3

Uma das áreas onde existe uma grande quantidade de vulcões de lama é no fundo do mar, sobretudo junto à plataforma continental.
Tal deve-se ao facto desta zona acolher muitos sedimentos, incluindo matéria orgânica, que ficam estratificados e soterrados. Estes estratos podem ter enormes quantidades de gás metano sob a forma de hidrato de gás, onde aquele fica aprisionado em moléculas de água formando uma estrutura sólida que alguns dizem ser gelo que arde, também nesta plataformas encontram-se com frequência depósitos de hidrocarbonetos, basta lembrar as muitas plataformas petrolíferas em torno de vários continentes. Daí a ligação de vulcões de lama a estes potenciais recursos energéticos.
Uma das regiões muito ricas em vulcões de lama e com hidratos de gás situa-se entre o Algarve e Marrocos, conhecida por Golfe de Cádiz, aqui biólogos portugueses, nomeadamente da Universidade de Aveiro, já identificaram também muitas novas espécies de seres vivos específicas deste tipo de ecossistema e existem igualmente investigadores de outras ciências a estudar estas estruturas geológicas.


Assim, à semelhança das chaminés hidrotermais, também os vulcões de lama, com as suas emanações de gases e outras substâncias, estão a ser considerados como locais muito importantes para a biodiversidade do planeta, mostrando ao homem estas estruturas geológicas como suporte de novas formas de vida, mesmo em condições que pareciam não permitir a sobrevivência de seres de qualquer espécie.
As ciências da natureza de facto são uma fonte de surpresas, mesmo para os cientistas de hoje, continuam a deitar por terra verdades científicas do passado e assim evolui o conhecimento do homem.

(continua a série de vulcões de lama)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

VULCÕES DE LAMA - 2


Uma erupção relativamente suave com cone

Nas regiões vulcânicas, os cones dos vulcões de lama, por norma, são de pequena dimensão, altura de 1 a 2 m. A lama resulta de reacções das rochas com a água e os gases ácidos que circulam dentro da crosta em profundidade, originando a formação de argilas.
Posteriormente, a água quente e os gases sobre pressão ascendem à superfície através de fissuras que arrastam as argilas e originam estas erupções que podem ser calmas ou relativamente explosivas e projectam lamas mais ou menos fluídas.
Por norma, as estruturas construídas pelos vulcões de lama em regiões vulcânicas são de menores dimensões e não muito ricas em determinados gases.


Período de erupção mais intensa do vulcão Macalube que tem associado uma reserva natural na Sicília

Nas regiões de origem sedimentar existem muitas vezes em profundidade estratos de materiais argilosos que se formaram anteriormente à superfície de terra ou dos mares.
Se estas camadas estiverem sujeitas a esforços tectónicos, podem então surgir fracturas nas rochas que as cobrem, por onde os gases e a água são forçados e ascendem à superfície sob a forma de lama, construindo então cones ou lagos que podem atingir grandes dimensões.
As os jazigos de hidrocarbonetos (gases e petróleo) como são muito ricos em fluídos, muitas vezes também estão associados a este tipo de vulcões.

Em próximos posts espero continuar com mais algumas curiosidades e catrástrofes sobre o tema e informações de links para saberem mais do assunto.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

VULCÕES DE LAMA 1

No post relativo à descoberta de uma nova estrutura submarina próxima dos Açores, alcunhada de "ovo estrelado", foram apresentadas duas hipótoses iniciais para explicar a sua formação: o impacte de um meteorito ou a existência de vulcões de lama.
Os vulcões de lama efectivamente são fenómenos pouco conhecido da população em geral e podem situar-se em zonas vulcânicas ou não, embora neste último caso, por norma, ocorram associados a regiões sísmicas e com jazidas de hidrocarbonetos (petróleo e gás natural).
Os vulcões de lama, embora possam formar estruturas que se assemelham a aparelhos vulcânicos, não expelem material magmático, mas sim produtos diferentes tal como água, argila e diversos gases (nomeadamente metano) e geralmente a muito menor temperatura.

Vulcão de lama de Yagrumito, Estado Monagas, Venezuela. Foto retirada daqui e nas condições lá mencionadas

Os edifícios construídos por estas erupções podem ter pequena dimensão com diâmetros de metros a vários quilómetros e alturas de centímetros e várias centenas de metros.
Uma outra curiosidade sobre as erupções de lama é que, ao contrário das magmáticas, existem casos devidamente documentados que demonstram que as mesmas resultaram de acções do próprio homem e com efeitos bem desastrosos.

Assim, ao longo de vários posts, continuados ou não, geocrusoe irá dar a conhecer um pouco sobre este tipo de erupções que, embora não seja ainda certo estarem associadas ao "ovo estrelado", existem seguramente na plataforma continental entre a Península Ibérica e Marrocos, aqui bem perto de nós.

domingo, 20 de dezembro de 2009

PROVÁVEL CRATERA DE IMPACTE PRÓXIMA DOS AÇORES

Ao longo de expedições oceanográficas desenvolvidas junto ao mar dos Açores nos últimos anos pela equipa da Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental Portuguesa (EMEPC) foi descoberta uma depressão de forma aproximadamente circular, com um diâmetro de 6 km e uma elevação na zona central, a que os descobridores apelidaram de "ovo estrelado".
Esta ocorrência está nestes dias a ser apresentada e discutida na reunião anual da União Geofísica norte- americana, a decorrer em S.Francisco.

O ovo estrelado à esquerda e o ovinho à direita. Imagem EMEPC retirada daqui

Embora não seja totalmente clara a origem desta estrutura, entre as hipóteses para a sua formação estaria o impacte de um meteorito. Este não poderia ter ocorrido há mais de 17 milhões de anos, por ser esta a idade máxima do fundo oceânico nesta zona.
Todavia, o investigador Frederico Dias, da EMEPC, explica que esta é "uma descoberta importante do ponto de vista cientifico", mas que "é necessário completar estudos para identificar a origem da formação geológica".
Paralelamente, Manuel Pinto de Abreu, da mesma missão, realça a potencial importância "económica" daquele tipo de formações geológicas, por os impactes meteoríticos poderem estar associados a grandes jazidas de minerais.
Ainda segundo este investigador, outra hipótese para a formação desta estrutura seria a existência de um vulcão de lama, também com um potencial interesse económico pela possibilidade de ocorrência de metano, uma importante fonte de energia.
Também se descobriu outra estrutura geológica semelhante a esta, embora mais pequena, a cerca de 3 km, como se tratasse de um "ovinho estrelado".

Fontes: Blog Blacksmoker
Jornal da Lousada
Jornal Público
Telejornal da RTP-A

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

ESCULTURAS MARINHAS 2

Na sequência do post anterior, Mar de Bem teve a amabilidade de me enviar esta escultura natural: o Ilhéu da Baleia na ilha Graciosa.

Ilhéu da Baleia, Graciosa, foto de Mar de Bem, a quem agradeço a amabilidade

Este relevo residual de um antigo vulcão é sem dúvida outra obra de arte natural, cujo nome mostra efectivamente o que este ilhéu faz lembrar, o dorso de uma baleia, por acaso muito semelhante à ilustração de um dos livros da minha infância, falta só o jacto de água, quiçá não surge durante alguma maresia mais atrevida...

Geologicamente, também este ilhéu apresenta uma escoada lávica na base com sinais de disjunção prismática, num estado bem menos avançado que o existente em Santa Maria ne fotografada para o blog Geodiversidade, no topo e com uma cor mais avermelhanda, vêem-se bagacinas ou piroclastos típicos de uma fase estromboliana do vulcão.
Assim, este ilhéu, apesar de presentemente estar cercado de mar, é o que resta de uma erupção vulcânica subaérea e é um prazer para os olhos e para geólogos

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

ESCULTURAS MARINHAS

Foto de Carlos Campos

Não sei onde foram efectuadas várias das fotos enviadas pelo meu colega Carlos Campos, embora suspeite que todas sejam da ilha de São Miguel. Estas, por exemplo, mostram bem como a natureza é uma excelente escultora, onde não falta um toque de modernidade, sem esquecer a beleza intrínseca à arte.

Foto de Carlos Campos

Os visitantes se souberem onde ficam estes locais estão convidados a informar ou a apresentar hipóteses, claro que o autor, se também as vir, deve aguardar pelas tentativas dos outros, eu por mim nem condições de arriscar tenho...

domingo, 16 de agosto de 2009

DISJUNÇÃO ESFEROIDAL EM LAVA

Um visitante regular deste blog recentemente deslocou-se à ilha da Madeira e fotografou um afloramento rochoso que considerou singular, enviou-me a foto a solicitar a informação. Conclui tratar-se de um afloramento de lava com um avançado estado de Disjunção Esferoidal. Esclareci que tal também ocorria nos Açores, aqui vão duas fotos do mesmo fenómeno em São Miguel. (clique nas fotos para as ampliar)

Disjunção Esferoidal em rochas junto à orla costeira. Foto enviada por Solange Cabeças

A lava depois de arrefecer à superfície e ao sofrer a acção dos agentes de geodinâmica externa, pode sofrer um tipo de erosão que origina uma espécie de esferas concêntricas com camadas que se apresentam cada vez menos alteradas para o interior e um núcleo bem conservado. A rocha original entre estas esferam apresenta-se por norma também muito alterada quimicamente e desagregada fisicamente, ou seja, apodrecida.

Disjunção esferoidal exposta durante trabalhos de escavação no interior de São Miguel

Existe uma outra forma de disjunção em lava designada por disjunção prismática, muitas vezes desenvolvida em rochas ácidas, embora também surja em lavas básicas. Podem ver exemplares magníficos deste outro tipo de disjunção na ilha de Santa Maria neste post do blog Geodiversidade e o caso mais famoso mundialmente é a Calçada de Gigantes ou Giant Causeway na Irlanda do Norte.

No Faial existe alguma disjunção prismática no Altar da Caldeira que já foi alvo de um post no Geocrusoe.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

FILÕES CRUZADOS DE COOPERANTES

Já falei várias vezes vezes de filões neste blog, desde o modo como se formam, como podem ficar salientes na paisagem devido à erosão diferencial e estes têm sido uma das estruturas geológicas de que maior número de visitantes do Geocrusoe têm enviado fotos como modo de cooperação com esta página.

Foto de Trilobite de filões entrecruzados sendo evidente um filão camada.

Recentemente um geólogo visitante habitual deste blog, com o nickname Trilobite (um dos tipos de animais macroscópicos mais antigos da história da vida e que desapareceram antes do mundo ser dominado pelos dinossaurios, aqui um bom post sobre estes seres vivos tão antigos) enviou-me fotos recolhidas em São Miguel.
Na primeira foto vêm-se um conjunto de filões lávicos que cortam segundo um ângulo (discordância angular) todas as restantes camadas, aproximadamente paralelas entre si, sendo que uma delas parece corresponder igualmente a um outro filão com o mesmo tipo de composição. Por isso se pode dizer que é uma região onde ocorrem filões cruzados ou entrecruzados, precisamente na área onde está inserido a autoria da foto através do seu nickname.

Foto de Trilobite, onde no centro é visível um filão dique

Quando a composição das rochas encaixantes é do mesmo tipo do filão e a erosão não criou um relevo diferencial, por vezes torna-se difícil detectar o filão, mas novamente nesta foto uma observação atenta e a discordância angular permitem identificar vários filões, um deles possui igualmente o nickname do seu autor.
Quando os filões são paralelos aos estratos das rochas encaixantes diz-se que se está perante um filão camada. Quando as rochas se estendem com ligeiras ou nenhumas inclinações e são cortadas por um filão aproximadamente vertical, este é denominado dique.

Ao Trilobite fica aqui o meu obrigado e coopere sempre que desejar, o blog está aberto à boa cooperação