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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Sou Ibn 'Ammar: a minha glória
Não há quem a possa ignorar
A não ser tolos, dos quais não reza a história,
E que nem astros conseguem enxergar.

Se o meu Tempo me despreza
Não é isso motivo para espanto
Notas em livros é o que mais se preza
E nas margens se escrevem, no entanto.

Ibn 'Ammar

(Adalberto Alves)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Eis nuvens...
Que espessas são!
Parecem formadas,
Deste lado do azul do céu,
Do fumo que ao arder
Madeira verde lhes deu.

Vem chuva fina,
        Poalha de prata
        A polvilhar terra ambarina.
Mas se um instante
O sol fica a brilhar
        É como escrava provocante
        Que se mostra a quem a vai comprar.

Ibn 'Ammar

(Adalberto Alves)

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Minha alma quer-te, ainda que em tortura,
E sigo-te alegre na ânsia de procura.
Que estranho, ser defesa a nossa ligação,
Se os desejos ambos concordaram!
Que quereria mais o coração
Quando amargurado te buscou em vão
E meus olhos te viram e amaram?
Como desejo que quem tem poder
Sobre ti em nosso encontro não esteja!
Só assim a minha sede se vai beber
Em doce fonte se teus lábios beija.

Ibn 'Ammar
(Adalberto Alves)

terça-feira, 10 de maio de 2011

A ALCACHOFRA

Filha das águas e da terra
Para quem lhe almeja os dons
É corpo numa veste de recusa.
E na sua beleza obstinada
Bem no cimo lá da haste
Lembra uma jovem cristã
Que cota de espinhos usa.

Ibn 'Ammar

(Adalberto Alves)

terça-feira, 19 de abril de 2011

MAÇÃS E PÊRAS

Aceitai,
     Como rostos amáveis que se vos mostrassem
     Ou tímidos seios palpitando vossas mãos
estas maçãs: Pérolas entre nós espalhadas
Como botões em seu ramo postos.
Tomai-as e ofertai-as aos presentes
Como vinho preso de surpresa
Pelo gelo de inverno.
Eis também pêras para duplicar a minha dádiva.
E apenas se me oferece dizer:
São tão-somente brancas faces
Onde pousaram profundos olhos negros.

Ibn 'Ammar

(Adalberto Alves)

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Bom é que não esqueçais
Que o que dá ao amor rara qualidade
É a sua timidez envergonhada.
Entregai-vos ao travo doce das delícias
Que filhas são dos seus tormentos.
Porém, não busqueis poder no amor...
Que só quem da sua lei se sente escravo
Pode considerar-se realmente livre.

Ibn 'Ammar

(Adalberto Alves)

domingo, 31 de outubro de 2010

A AMADA

Ela é uma frágil gazela:
Olhares de narciso
Acenos de açucena
Sorriso de margarida.

E se seus brincos se agitam
Quedam-se os braceletes na escuta
Da música do requebro da cintura.

Ibn 'Ammar

(Adalberto Alves)