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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Há um sabor gostoso da manhã
nesta mancha de gente que procura
animar a cidade que a não vê.
A cidade que pensa que a cidade
é só daqueles que nunca acordam cedo
e alugando um polícia para cada medo
conseguem saturar esta cidade imensa
da sua vadiagem tola e vã.

Cochat Osório

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Passam crianças
pálidas,
cansadas,
com os livros na mão,
a pasta
ou nada.
Nem parecem crianças a passar.
Há na indiferença triste daqueles passos
a vaga acusação
de terem estado um doloroso verão
ou a fingir
ou a estudar.
(E algumas
não comeram sequer
ao abalar).

Cochat Osório

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Eu sei que a rota já virou;
a minha:
um último cansaço,
um último
impossível
esforço
do meu braço.

O corpo inteiriçado pra aguentar o leme.
A vela da ilusão tão retesada,
tão grávida de força,
que a nau é dominada.

O coração não teme.
Está tudo o que me resta,
a dor e a alegria,
a força e a esperança,
o tempo e a ansiedade,
está tudo acorrentado ao barco que protesta.

Cochat Osório

terça-feira, 7 de setembro de 2010

CONTESTAÇÃO

9

Eu só queria cantar
a terra ensaguentada mas sagrada,
corpo e alma
carne e sangue
do senhor;
tão real, tão igual e tão perfeitamente
como está neste céu
de sacrifício e dor,
como está neste céu
de martírio e de cor,
como está neste céu
de delírio e de amor.

Queria cantar o povo,
o deus crucificado em todos os momentos,
em todos os tormentos,
ressuscitado continuadamente
no santo sacrifício de ter força
e fé
nos corações.

Cochat Osório