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terça-feira, 14 de setembro de 2010

ESMERALDA

Esmeraldas no heráldico diadema,
No lóbulo da orelha cor-de-rosa;
O colo -- arde na luz maravilhosa
De um tríplice colar da mesma gema.

No peito, aberto céu de alvura extrema,
Entre nuvens de tule vaporosa,
Verde constelação, na forma airosa
De principesca e recortada estema.

Agrilhoa-lhe o pulso um bracelete,
Glaucas faíscas desprendendo; ao cinto
Um florão de esmeraldas por colchete;

Nos dedos finos igual pedra escalda...
Mas deixam todo esse fulgor extinto
Os seus dois grandes olhos de esmeralda!

B. Lopes

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

AMANHECER

Amanhecera. O tropeiro
passa, cantando na estrada;
no seu casebre o roceiro
prepara as foices e a enxada.

Ao rumor a luz casada
enche de vida o terreiro;
parecem bruma cerrada
as flores, lá, do espinheiro...

Aspira-se o olor suave
do bom café... Alto e grave,
bate o pilão nas cozinhas.

Há junto à horta uns barrancos,
onde a mulher, de tamancos,
distribui milho às galinhas.

Bernardino Lopes