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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

MAR INCERTO

Que triste o som acorda à minha voz!
Como é pálida a luz do meu espelho
E a desse rio azul que não tem foz:
O tempo, em que me vou fazendo velho...

Dias loucos da infância, onde estais vós?
E a alegria -- esse cântico vermelho
Do sangue virgem que não tem avós?
Como se chama a sombra em que ajoelho?

Arfa, cansado, no meu peito um mar:
O mar remoto da remota Ilha
Onde as sereias cantam ao luar...

À esteira dos navios, as gaivotas
Gritam no céu, e o céu, lânguido, brilha
Sem ecos de vitórias ou derrotas.

António de Sousa

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

ENDOSSO

O Santo a que eu não chego -- sê-o tu,
irmão! com rezas ou sem elas.
O que importa é alguém chegar
ao nó da vida, limpo e nu.
E a luz tem muitas janelas
para entrar.

António de Sousa

terça-feira, 14 de setembro de 2010

CREPUSCULAR

Tive uma rosa de fogo
A arder no meu coração.
Ganhou-ma o destino ao jogo
De dias que já lá vão.

-- Rosa vermelha de esperança,
A estas horas sem cor,
Porque me vens à lembrança
Como pecado de amor?

(Cansados, cansam-me passos
Que não dei... por me cansar.
Levo, pesados, nos braços
Os restos dum sonho ao mar.)

António de Sousa