autor: António Lobo Antunes (Lisboa, 1.IX.1942)
título: Letrinhas de Cantigas
edição: Publicações Dom Quixote
local: Lisboa
ano: 2002
págs.: 55
dimensões: 17,511,1x0,4 cm. (brochado)
capa: Atelier de Henrique Cayatte com Rita Múrias
impressão: Norprint
obs.: «Esta edição (inédita e irrepetível) comemorativa dos 20 anos de trabalho do António Lobo Antunes com as Publicações Dom Quixote, não pode ser vendida, destinando-se exclusivamente a oferta aos compradores de outras obras do autor» (da ficha).
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domingo, 8 de maio de 2011
domingo, 19 de dezembro de 2010
FADO DO BICHINHO DA TERRA
És gesto mas não de gente
és boca mas não de beijo
quando te olho de frente
e encontro o que não vejo.
Estes lábios esta voz
esta celeste frescura
esta fome que há em nós
e dentro de nós procura
como os bichinhos da terra
as raízes da figueira
como a noite que se cerra
em torno da terra inteira.
Como a luz de lado a lado
como a espada até ao fundo
como se eu fosse culpado
da miséria que há no mundo.
és boca mas não de beijo
quando te olho de frente
e encontro o que não vejo.
Estes lábios esta voz
esta celeste frescura
esta fome que há em nós
e dentro de nós procura
como os bichinhos da terra
as raízes da figueira
como a noite que se cerra
em torno da terra inteira.
Como a luz de lado a lado
como a espada até ao fundo
como se eu fosse culpado
da miséria que há no mundo.
António Lobo Antunes
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
CRIOULO NÃO TEM PATRÃO
(coladera)
Ao chegar português disse
trabalha na serração
eu ri na cara do branco
peguei na minha viola
crioulo não tem patrão.
Ao chegar patrício disse
trabalha na construção
eu ri na cara do negro
saí numa coladera
crioulo não tem patrão.
Eles tem casa eu tenho a rua
eles tem sobrado e eu chão
eles são ricos eu sou pobre
eles são escravos eu sou livre
crioulo não tem patrão.
Ao chegar português disse
trabalha na serração
eu ri na cara do branco
peguei na minha viola
crioulo não tem patrão.
Ao chegar patrício disse
trabalha na construção
eu ri na cara do negro
saí numa coladera
crioulo não tem patrão.
Eles tem casa eu tenho a rua
eles tem sobrado e eu chão
eles são ricos eu sou pobre
eles são escravos eu sou livre
crioulo não tem patrão.
António Lobo Antunes
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