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sexta-feira, 13 de maio de 2011

SONETO

Pára-me de repente o pensamento
Como que de repente refreado,
Na doida correria em que levado
Ia em busca da paz do esquecimento.
Pára surpreso, escutando, atento,
Como pára um cavalo alucinado
Ante um abismo súbito rasgado:
Pára e fica; na doida correria
Pára à beira do abismo e se demora:
E mergulha na noite escura e fria
Um olhar d'aço que essa noite explora;
Mas a espora da dor seu flanco estria
E ele galga e prossegue sob a espora.

Ângelo de Lima

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

ESTES VERSOS ANTIGOS

Estes versos antigos que eu dizia
Ao compasso que marca o coração
Lembram ainda?... Lembrarão um dia...
-- Nas memórias dispersas recolhidas
Sequer, na piedosa devoção
De algum livro de cousas esquecidas?
-- Acaso o que ora canta... vive... existe
Nunca mais lembrará -- eternamente?
E, vindo do não ser, vai, finalmente,
Dormir no nada... majestoso e triste?

Ângelo de Lima