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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

ESCRITO NUM LIVRO ABANDONADO EM VIAGEM

Venho dos lados de Beja.
Vou para o meio de Lisboa.
Não trago nada e não acharei nada.
Tenho o cansaço antecipado do que não acharei,
E a saudade que sinto não é nem do passado nem do futuro.
Deixo escrita neste livro a imagem do meu desígnio morto:
Fui, como ervas, e não me arrancaram.


Álvaro de Campos

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Livro de Versos

autor: Álvaro de Campos (Fernando Pessoa, Lisboa, 1888-1935)
título: Livro de Versos
edição: Teresa Rita Lopes (introdução, transcrição, organização e notas)
edição: 2.ª (1.ª, 1993)
local: Lisboa
editora: Referência / Editorial Estampa
ano: 1994
capa: José Antunes, sobre desenho de Almada Negreiros e foto de Pessoa
n.º de págs.: 436
dimensões: 23,6x16,5x3,4 cm. (cartonado)
composição: Maria Esther-Gabinete de Fotocomposição
impressão: Lello &; Irmão
observações: edição crítica

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite,
Cada um a vida das linhas das vigias iluminadas
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada.
Navios que se afastam ponteados de luz na treva,
Cada um indeciso diminuindo para cada lado do negro
Tudo mais é a noite calada e o frio que sobe do mar.

Álvaro de Campos