Se existe gente de coragem, sem dúvida um bom exemplo, é o Carteiro. Nosso carteiro de cada dia e de todo dia. Como diz aquela máxima antiga, ele vem com chuva ou sol, com frio ou calor. É verdade, vem mesmo. Pelo menos é assim na rua de casa. Moro nessa casa há uns vinte e sete anos e nesse tempo todo, sempre pudemos contar com esse valioso serviço. Por incrível que possa parecer, nesses anos todos, foram poucas vezes que o profissional das cartas, foi mudado. É muito bom que seja assim. Podemos conhecer, se não a pessoa, pelo menos a carinha, o rosto de quem sempre aperta a campainha ou grita nosso nome no portão de casa. Quem não é muito amiga é a Vitória, nossa cachorrinha. Eita Vivi! É de amargar essa cachorrinha. Todo dia, quando o carteiro, que já está conosco há muito tempo, vem chegando, a cachorrada da rua, já vai ficando ouriçada, começa aquela latição do caramba. Quando chega no portão de casa, que é de grade e a caixa de correspondência fixada nessa grade, é um senhor nos acuda! É de virar e romper. A bendita da cachorrinha fica com os pelos do dorso eriçados, late feito uma condenada, chega até babar. Ela já o conhece, mas não dá folga. Quando o rapaz tenta enfiar a correspondência na caixa, aí então é pracabá. Ela late na cara dele, ele fica tentando enfiar as cartas, ela não pára de latir e ele não desiste de sua empreitada. Eu não aguento. Dou uns berros de lá de dentro de casa mesmo, pois sei que só pode ser a briga de todo dia. Ela obedece, se afasta do portão, mas não para de rosnar. O rapaz sabe que não será mordido, mas todo dia, passar por esse drama, é difícil. Mas o carteiro, não desiste. Fiel entregador de contas, boas e não tão boas notícias, documentos, encomendas e tantas outras coisas que nos chegam pelo correio, fica contente quando consegue cumprir sua tarefa e vai embora, para outra rua, com ar de satisfação. Mas sabe que ali, logo ali mesmo, tudo recomeça. Só muda o endereço. Parabéns, amigo carteiro. Vai desculpando a Vivi. Não parece mas ela é do bem. Só que as vezes ela se esquece disso.
Aqui voce terá acesso a receitas de gostosuras, que foram previamente testadas, frases que li em algum lugar por aí, dicas de filmes, livros, lugares e outras cossitas mas.
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25 janeiro 2010
11 setembro 2009
gosto muito dele(a)
Minha filha, Tati, sempre dizia que eu deveria fazer um blog onde pudesse escrever, já que sempre adorei fazer isso, para passar meus conhecimentos em culinária, lugares, dicas de saúde e também aprender muito. Mas a oportunidade nunca chegava, ou eu não a criava. Um dia, recebi um email onde estavam desenhos a giz maravilhosos, feitos por uma pessoa com mãos de fada. Entrei no site dessa artista. É Edna Feitosa. O seu cantinho é qualquer coisa de maravilhoso. A gente se sente no céu. Assim começou nossa amizade eletrônica. Trocamos carinhos, preocupações, alegrias, torcidas e fotos. É só assim que nos conhecemos, mas sei que isso nos basta. Edna é daquelas pessoas que você sente alegria por desfrutar da amizade. Se sente honrada mesmo. Num dos muitos emails trocados, ela me disse que gostava muito do meu jeito de escrever. Que lia o que eu escrevia com grande prazer e que eu deveria fazer isso mais vezes. Foi o empurrão que faltava, pois santo de casa não faz milagres e enquanto eram só filha e marido que falavam, não dava muito crédito. Mas desta vez era uma pessoa que estava acostumada a escrever, maravilhosamente, diga-se de passagem e que não era suspeita. A partir desse dia criei coragem e fuçando o computador, onde até então só navegava lendo o que outras pessoas escreviam, acabei fazendo meu blog. Mais uma obra da amiga Edna Feitosa, que é quem assina essas duas lindezas que estão ao lado. Ela tem ou não verdadeiras mãos de fada?
02 setembro 2009
Merendeira
Quando trabalhava em uma escola profissionalizante, a merendeira de lá era uma pessoa incrível. Como eu era da Comissão Interna de Saúde e Higiene, CISHI, tínhamos um estreito relacionamento. Uma de minhas atribuições, como membro dessa comissão, era todo dia dar uma olhada nas marmitas que os alunos traziam de casa para verificar se estava em conformidade com uma boa refeição. Se estava faltando algum grupo alimentar, eu completava com a merenda da própria escola, feita por essa pessoa. Nesse vai e vem, eu e a merendeira conversávamos muito. Um dia ela me disse que seu filho, na época com cinco anos, havia acordado durante a noite querendo comer pão com ovo frito e ela não tinha o tal do ovo. Por esse motivo, o menino deu bastante trabalho para voltar a dormir e ela estava exausta. Eu disse que não acreditava nisso, que achava que era um absurdo, tínhamos intimidade suficiente para que lhe dissesse isso. "O metabolismo dele precisa de repouso", disse-lhe eu, e que não era saudável ela fomentar esse costume. Então, para surpresa minha, ela disse que esse hábito, ele já o tinha há muitos anos, desde o tempo da mamadeira. Nossa!. Não acreditei. Disse-lhe que em alguns anos, ele necessitaria de refeição completa durante a noite, ou seja, arroz, feijão, carne de panela. Até, quem sabe, um bom e gostoso churrasco noturno. Ela então riu e disse que eu estava exagerando. Mas não estava não. Outro dia, vi na televisão que muitas pessoas tem verdadeira compulsão por essas refeições noturnas. Logo me lembrei da merendeira e seu filho. Ele, agora deve ter seus trinta anos. Sabe-se lá o que anda comendo durante a noite. Uma coisa ela me disse. Não tiraria esse costume dele, pois tinha muita pena em não atender-lhe o pedido. Argumentei que ela tinha então de pensar nela, pois uma pessoa que trabalhava tanto durante o dia, merecia e precisava descansar durante a noite. Qual o quê. Ela achava que estava certa em agir assim. Até onde sei, ele era já um moção e o costume ainda perdurava. Quem sabe uma macarronadinha, um bifinho à cavalo ou mesmo uma feijoada completa. Sei lá, sabe. É de pequenino que se torce o pepino, já dizia minha mãe.
29 agosto 2009
gente de coragem
Esse aí ao lado é Seu Zé. Pelo menos é assim que nós o conhecemos. Todos sabem quando o bananeiro vem vindo por causa dos gritos dele. O que ninguém sabe é o que ele grita. Tem gente que diz que "Bananeiro", outros apostam que é "Eiarre", outros ainda juram que é "Seeeu Zé".Mas o que que todos sabem é que todos os dias, de segunda a sábado, com chuva ou sol, calor ou frio, Seu Zé desce a rua de casa com seu carrinho repleto de bananas. As vezes traz também outras coisas como verduras, legumes, mas seu forte mesmo é banana. Teve um tempo em que ele não estava muito bem e sua esposa vinha junto. Caminhavam pelas ruas, os dois bem devagarinho, mas não faltavam. Quando a chuva está muito forte, ele vem de perua. Mas não falta. Quando o calor é abrasador, ele cobre as bananas com panos úmidos, mas não falta. Isso é respeito por seus fregueses. Ele sabe que é esperado e não falta. Ninguém precisa comprar pencas de bananas de uma só vez, pois Seu Zé vem todo dia. Hoje, em pleno sábado, ele já deu sua voltinha por aqui. Ele não falta mesmo.
25 agosto 2009
gente de coragem
Tenho observado passar em frente a minha casa, no fim da tarde, um senhor, ainda não sei seu nome, empurrando um carrinho lindo. Grande, limpíssimo e muito bem sortido com bolos, pudins e pães caseiros. Pelo pouco tempo que passa por aqui, já tem uma freguesia incrível. Muita gente já fica esperando por ele. Principalmente nas sextas feiras. Meu marido já comprou um pão de torresmo que estava muito bom. Minha nora foi de pão caseiro comum e se deliciou. Minhas vizinhas compram de tudo, bolos, pudins enfim, esse senhor está agradando a todos. Isso me lembra uma vez que assistia a um programa na televisão, daqueles em que vão pessoas para falarem de seus problemas e apareceu um cidadão, que respondendo à apresentadora, contou que fazia três anos que estava desempregado. Ela ficou danada da vida e perguntou ao rapaz o que ele estava esperando para arranjar outro emprego. Ao que ele respondeu que estava difícil na área dele. A apresentadora, sem querer saber que área era essa, lhe disse que se ele quisesse realmente trabalhar, que fosse vender bananas, verduras ou qualquer coisa de porta em porta. Ele se sentiu ofendido e disse que não estava ali para isso. Ela então, sem pestanejar, explicou que aquele programa não pretendia ser a tábua de salvação de ninguém, mas sim uma orientação para quem estava precisando de auxílio jurídico, médico ou coisas assim. Achei muito corajoso da parte dela dispensar essa pessoa, pois era a matéria prima do seu programa e não encorajar um ser que não tem coragem para trabalhar. Por isso, inicio hoje esse marcador, onde espero postar exemplos de pessoas que são gente de verdade. GENTE DE CORAGEM.
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