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quarta-feira, 15 de julho de 2009

OS 100 MELHORES ÁLBUNS DOS ANOS 90

Em notas meramente pessoais e em mini-sinopses.
92º U2 – Zooropa (1993)
A última obra de outro mundo dos U2. Brian Eno tem a palavra nas manobras pop do satélite Zooropa, que detectam no éter uma interpretação assombrosa de Johnny Cash, em “Wanderer”.

3 músicas a ouvir: “Numb”, “Wanderer”, “Dirty Day”.

91º Pavement – Wowee Zowee (Big Cat, 1995)
O maior mosaico inter-estilos da discografia do grupo: punk sujo, country-rock, melodias pop, tudo. Aqueles acordes de guitarra que abrem “Grounded” pedem eternidade.

3 músicas a ouvir: “Grounded”, “Grave Architecture”, “AT & T”.

PS – Lista pessoal elaborada em Abril e Maio de 2009.

domingo, 1 de março de 2009

U2 – NO LINE ON THE HORIZON


O início eufórico de No Line on the Horizon origina um prognóstico falso sobre o álbum. O primeiro vaticínio é (erradamente) tão optimista quanto o rock clássico dos U2 que brilha nas primeiras quatro faixas (das onze) do novo longo, o 12º da banda.

A entrada é forte e os U2 mostram-nos logo o seu melhor no tema-título que abre o álbum: odisseia rock soalheira, de decoração ambiental trabalhada, que nada deve a semelhantes como 'Where The Streets Have No Name' (a faixa de abertura do bem sucedido Joshua Tree).

As faixas seguintes têm também tudo para cair no goto da numerosa legião de fãs. 'Magnificent', 'Moment of Surrender' e, sobretudo, 'Unknown Caller' consagram o melhor que os U2 têm: o heróico Bono ao leme de coros efusivos, o tricot eléctrico elaborado por The Edge, a energia juvenil de reguila na bateria de Larry Mullen Jr e a sábia discrição de Adam Clayton no baixo. A química de quarteto está efervescente nessas três canções.

'Magnificent', 'Moment of Surrender' e 'Unknown Caller' confirmam os rumores que apontavam No Line on the Horizon como uma aproximação ao álbum Achtung Baby. Na verdade, "No Line on the Horizon" concentra esforços numa das mais célebres canções da obra-prima de 1991: 'Misterious Ways' que foi, na altura, o ponto de encontro entre a linha tradicional do grupo e a novidade tecnológica. Este novo álbum é um conjunto de variações de 'Misterious Ways' que recupera os aromas arábicos do tema, ora em tons mais aguerridos, ora em marcha mais suave. O arsenal tecnológico de The Edge, os gritos de Bono no deserto e as canções soalheiras moldam, com poucas excepções, No Line on the Horizon.


No fundo, No Line on the Horizon confirma aquela que tem sido a disposição do grupo ao longo da década: o presente às ordens do passado e não à procura de um novo futuro. Só muda o álbum recordado: este último é um filtro mais acomodado de Achtung Baby.

Outro dado revelado pelas faixas subsequentes é o deste não ser ainda o álbum de renascimento de forma dos U2 à antiga. Quanto muito, os U2 saem do coma criativo profundo e agora dão sinais de recuperação. As primeiras quatro músicas foram só falso alarme de algo bem melhor.

O que se seguem são bonecos em cera desgarrados a imitar os U2 gloriosos. Por vezes, chegam a soar mais aos seus descendentes - como os Killers ou os Coldplay - do que à excelência dos próprios. 'Fez - Being Born', a derivação mais comprida de 'Misterious Ways', é das uma viagens sensoriais mais exigentes do disco, ao alcance banal, porém, das bandas citadas que influenciaram.

Noutros exercícios, 'White as Know' é balada contemplativa cinematográfica, de impacto bem mais modesto que um tema-primo seu como 'All I Want Is You' (a canção de encerramento de Rattle & Hum). E a faixa última 'Cedars of Lebanon' podia estar no álbum mais meditativo que os U2 prometem para o final do ano, lembrando a canção os ensaios abstractos dos Passengers (o quinteto que unia Brian Eno aos U2).

Ficou por realizar o sonho dos U2 serem produzidos por Rick Rubin (lá voltou o conselho de mesa do costume: Brian Eno, Daniel Lanois e Steve Lillywhite). Mas a banda de Bono não estava para adiar mais a experiência de um rock mais pesado.

A faceta hard-rock aparece no disco com alguma margem. Mas o galope suado retira perfume aos U2. A forma mais pesada é nos U2 um exotismo mas não uma especialidade. E talvez por isso, Get on Your Boots é o menos carismático 1º single de sempre de um álbum de U2. 'Stand Up Comedy' não passa de um sucedâneo do arrojado 'The Fly' (a primeira canção que o mundo conheceu de Achtung Baby). Só quando conseguem domesticar o cavalo selvagem em Breathe é que os U2 brilham a grande altura, com refrões épicos e um violoncelo mandão a aguentar o passo veloz da canção - esse é o melhor momento da segunda metade do álbum.

Mas, ultrapassados alguns empates recentes, este álbum soa a vitória de margem mínima. (Universal, 2009)

Artigo publicado no Cotonete.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

2008: O DVD DO ANO

U2 - Live at Red Rocks

terça-feira, 25 de novembro de 2008

CROMOS DOS ANOS 80: OITENTISTAS FORÇADOS


Para a malta da velha guarda, os anos 80 deram para tudo. Houve quem andasse perdido, houve quem lhe saísse a lotaria.
Bob Dylan faz parte do grupo dos amaldiçoados e é um exemplo crítico de inadaptação à década de consagração dos yuppies e de uma forma mais visual de vender música. E a imagem de Dylan, que não era a de um homem novo, não o beneficiava. Numa era de sorrisos simpáticos, o rosto sisudo de Bob Dylan ficava muito mal no plano. Ficou de lado.

Os Rolling Stones também sofreram os efeitos adiantados da crise da meia-idade. Os atritos e dilemas existenciais do grupo, que colocaram em causa a sua própria continuidade, não afastaram Mick Jagger do circo mediático, que continuou os seus pulos a solo, averbando duetos com tudo o que fosse gente famosa.
Neil Young é outro caso de inadaptação. O seu som country-rock mais físico soava datado perante o mais em voga e mais maquinal synth-pop. A emenda saiu pior que o soneto quando o guitarrista forçou a sua adaptação àqueles estranhos anos, robotizandoo o seu rock e decorando-o com enfeites electrónicos à Kraftwerk no álbum Trans (1982). O resultado foi pavoroso.

Mas dentro do campeonato do ridículo, houve reformulações de imagem que tiveram sucesso. Mark Knofler, dos Dire Straits (revelados na corrente da new wave), colocou uma fita de tenista na cabeça que não perturbou a rendição mundial ao seu álbum-charneira Brothers in Arms.
Tina Turner largou as garras do marido Ike, deixou para trás o som soul que popularizou nos anos 60 e 70, lançou-se à pop mainstream e revolucionou o seu penteado (agora penteadamente despenteado). Descobriu uma nova juventude depois dos quarenta anos: passou a usar mini-saia e a encher estádios. Entrou na elite dos milionários e foi considerada a avó mais sexy do mundo. Definitivamente, deu-se bem com os anos 80.

David Bowie usou do seu talento de camaleão e voltou a ajeitar-se à mudança dos tempos, integrando-se bem num período da pop mais pragmática e orelhuda, através uma colheita generosa de êxitos (como "Let’s Dance", "Blue Jean" ou "Absolute Beginners"). E, nota importante, os anos 80 não lhe tiraram o estilo: continuou a saber escolher cabeleireiros, e ao contrário da maioria dos casos a sua fotogenia não ficou datada aos tempos de então.
Freddie Mercury, o carismático vocalista dos Queen, também mudou de look radicalmente assim que as garrafas de champanhe do reveillon anunciaram a entrada nos anos 80. Deixou os cabelos compridos e o ar de glam-rocker, e assumiu um look mais masculino de bigodinho e um guarda-roupa desportivo (que quase parecia um fato de treino) que lembrava o do nosso Carlos Paião, onde nem sequer faltavam os ténis.

Menos intencional foi a imagem patriótica com que o mundo ficou do Bruce Springsteen que vociferava em "Born in the U.S.A." e a associação do mesmo à bandeira norte-americana. Foi um acaso, a letra era bem mais crítica e social.

Outro acidente feliz de percurso aconteceu com os experientes músicos Toto que fazem uma transferência imediata do seu nicho de rock progressivo para a exposição do grande público pop à custa de uma só canção: a célebre "Africa".

Outra transição célere do rock progressivo para a esfera do rock de massas aconteceu com os Yes e o hit "Owner Of A Lonely Heart" que provocou dores de alma nos fãs mais fundamentalistas do grupo que abominaram o ar de “malha” à anos 80 do tema.
A partir do submundo da folk alternativa, também houve umas quantas convocatórias inesperadas para a pop-rock mainstream, como os Waterboys (e o seu êxito "The Whole of the Moon") e os Dexys Midnight Runners (e esse portal para o sucesso chamado "Come On Eileen") a disputarem a ribalta com bandas mais talhadas para o assunto.

Nem mesmo a apelidada melhor banda rock da década, os U2, escapou a alguns excessos típicos. Bono, por exemplo, também foi contaminado pela epidemia do corte de cabelo à Paulo Futre quando corriam os dias do Live Aid (em 1985), poucos anos depois depois da imagem mais guerreira e discreta com que se mostraram ao mundo.
Texto publicado no Cotonete
Imagens YouTube de cima para baixo: Mick Jagger – “Just Another Night”; Dire Straits – “So Far Away”; David Bowie – “Blue Jean”; Bruce Springsteen & The E-Street Band – “Born in the USA”; Yes – Owner of a Lonely Heart; U2 – “Bad”.
Imagens fixas de cima para baixo: Bob Dylan; capa do álbum Trans de Neil Young; Tina Turner; Queen; capa de Africa dos Toto; Dexys Midnight Runners.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

AS MELHORES OBRAS DE SEMPRE EM DVD

Lista em contagem decrescente, inspirada num trabalho de selecção dos 50 melhores DVDs de música para votação que decorreu no Cotonete.
52º U2 - Zoo TV, Live From Sydney
Registo filmado de uma actuação na Austrália em 1993, nos últimos dias da extensa Zoo TV Tour.

51º Jeff Buckley - Live in Chicago
Registo filmado de uma actuação de 1995.
PS - Lista pessoal elaborada no dia 20 de Abril de 2008, que inclui DVDs não formatados para a Região Europeia e exclui obras de ficção (exemplos: ‘biopics' ou musicais).

terça-feira, 21 de outubro de 2008

EXCITAÇÃO HISTÓRICA

U2 – Under a Red Blood Sky (CD)
U2 – Live at Red Rocks (DVD)
Pode não haver no rock a banda perfeita, mas existe o momento pop de perfeição - nem que seja por 15 warholianos minutos. Após cinco anos de muitos concertos, bom trabalho e três álbuns promissores, os U2 tocaram no ponto perfeito durante aquelas duas horas mágicas do concerto em Red Rocks, no estado norte-americano do Colorado, em 1983.

25 anos depois, os fãs dos U2 e os simpatizantes do pós-punk podem voltar a pasmar-se. O álbum ao vivo "Under a Red Blood Sky" (gravado no mesmo período promocional ao álbum "War") é reeditado (e remasterizado) e "Live at Red Rocks" ganha finalmente uma edição em DVD.
Para sorte de todos, e por mérito dos U2 (que acreditaram e investiram do próprio bolso) e de uma equipa de filmagens competentíssima ligada ao programa musical The Tube, a mítica actuação foi filmada e salva para a posteridade numa edição em vídeo, registada para sempre como "Live at Red Rocks", que já cheirava a bafio.

"Under a Red Blood Sky", mesmo que de duração curta (cerca de meia-hora), é o álbum ao vivo mais electrizante dos anos 80, que agora conhece um reforço na apresentação visual, com um booklet bem mais generoso que o inlay grosseiro e magro, feito de imagens toscas, da edição antiga. O disco é beneficiado por dois truques. Ilude no conceito, alimentando a ideia falsa de ser um registo todo ele gravado em Red Rocks, quando só duas das oito faixas o foram na verdade. E ilude na despedida da faixa final, '40': o cântico em uníssono da melodia parece uma iniciativa popular para quem não tivesse visto em "Live at Red Rocks" o dote de líder de massas que já era Bono ao incitar - longe do alcance dos microfones - o público a cantar por si mesmo a canção que finaliza o álbum "War".
Em "Under a Red Blood Sky", pode perceber-se o que os U2 realmente significavam na altura. 'I Will Follow' é um chamariz para uma invasão de palco; o militarizado 'Sunday Bloody Sunday' representa o momento de calor-mor daquela época interventiva; e 'New Year's Day' é a canção cliché do amontoado de canções invernosas mais efusivas que a história do rock já conheceu - e que é da autoria dos U2.

Num período da música de vanguarda em que o cinzentismo de bandas como os Cure ou os Echo & the Bunnymen imperava, os U2 souberam preencher muito bem a lacuna de uma música rebelde bem mais colorida. O disco ao vivo mostra que, naquela altura, não havia banda igual e eles.
Ao contrário de "Under a Red Blood Sky", a revisão de "Live at Red Rocks" conhece um acrescento substancial no alinhamento, com mais 5 músicas que as 12 que compunham a cópia em videotape. A soma substancial de tempo dá uma visão mais ampla e próxima do que aconteceu naquele memorável concerto. Fica-se a conhecer um tema de arranque diferente - 'Out of Control' em vez de 'Surrender' - ou o momento punk de Bono em tronco nu que permanecia desconhecido. E a antevisão da prestação debaixo de uma chuva a cântaros passa a ter a contribuição de uma entrevista informal aos U2, que em vez de uma contemplação deprimida descobrem logo naquele temporal uma similitude com a sua Irlanda natal - a varinha mágica do optimismo de Bono & co incluía também dotes retóricos.

"Live at Red Rocks" é o retrato de um tempo que já não existe, em que o palco e a arena se ligavam sem fosso, quando os U2 não eram apenas quatro, mas sim quatro mais o seu número de espectadores. Em Red Rocks, os U2 eram seis mil e quatro. O fã era imediatamente tomado por aquela garra impiedosa da banda irlandesa, virando também cantor, esbracejador, saltador. E membro dos U2.
Bono era um boneco de pano irrequieto daqueles que no mundo do rock & roll nos dá uma fé inabalável de que nada lhe há de acontecer: pode atirar-se para o meio da multidão (como em Red Rocks), pode subir uma altíssima torre (como fez em Vilar de Mouros, em 1982), a tudo resiste porque deve ser de pano. Puto reguila, envergava uma camisa escura sem mangas que expunha os seus braços musculados de guerreiro. Divertido e companheirista, tinha sempre uma palavra de apreço ao músico de lado (fosse Adam Clayton ou The Edge) que todos tinham que ouvir. Sempre simpático, Bono era um cavalheiro que fazia sentir como uma princesa de um conto de fadas aquela moça loira chamada a palco para uma dança a dois durante o momento instrumental de '11 O' Clock Tick Tock', apoiado por uma das mais belas pinturas de The Edge na guitarra eléctrica. Campeão das artes performativas, Bono era também uma autêntica enciclopédia musical ao vivo que pigmentava esta e aquela música com esboços de clássicos alheios.

A banda fazia a ligação ao gerador eléctrico de Bono. Larry Mullen era o miúdo baterista que qualquer banda pós-punk invejaria ter; o baixista Adam Clayton tinha uma disposição punk de menor discrição; e The Edge, arranhador de guitarras, já possuía mais de 50% da quota sonora dos U2 com a sua fábrica de acordes. Claro que "Live at Red Rocks" não é só um deleite sonoro. É uma orgia de imagens-mito: aquele anfiteatro idílico cavado entre rochas impressionantes e iluminado por tochas gigantes que parecem chamas olímpicas; a sombra do corpo de Bono a segurar uma bandeira em contra-luz; ou a sua respiração visual que, qual milagre da neblina, transformava os seus bafos em ilusões de efémeras nuvens. Tudo aquilo é de uma beleza irlandesa que a música ambiental-folk dos Clannad, 'Harry's Game', sonoriza no início e fim de "Live at Red Rocks" como o remate perfeito à perfeição.

Texto editado a partir de artigos publicados no site Cotonete.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

PARA QUANDO EM DVD?


U2 – Live at Red Rocks – Under a Red Blood Sky
Ao que parece, a edição em DVD não tarda. Acontecerá na Europa a 18 de Agosto, em versão deluxe, para comemorar um bocadinho depois da hora o 25º aniversário sobre o mágico concerto no fantástico anfiteatro (deve ser...) de Red Rocks, ocorrido em Junho de 1983.

Quando lemos relatos de memórias de pessoas que choraram a ver o concerto dos U2 em Vilar de Mouros, em 1982, teremos toda a legitimidade para achar tal comportamento lamecha se não virmos o VHS deste concerto em Denver, efectuado no ano de edição de War. Em anos conotados com um certo nihilismo dentro da secção musical mais arrojada, aquela actuação era um outro ar: uma injecção de optimismo de quem fazia de cada actuação a noite mais importante da sua vida.

“Se os Sex Pistols mandavam foder toda a gente, os Joy Division diziam porque estavam fodidos”. Mas se os Joy Division diziam que estavam fodidos, os U2 diziam que já não queriam estar mais fodidos. E faziam por isso, como em Red Rocks, num clima de pré-motim e com uma garra que os próprios não conseguiriam igualar nas fases seguintes.
Já era tempo de Live at Red Rocks deixar de ser uma peça de antologia dos tempos do videotape. Ainda bem.