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terça-feira, 4 de dezembro de 2007

O regresso da Mulher Congelada

Ora toca a ser um bocadinho fútil, que de vez em quando até pode ser salutar. E se não for, paciência!

Lá por Fevereiro, comentei aqui o ar imóvel da cara de Nicole Kidman. Eu sei que isto são facadas para o Rafeiro Perfumado, que é tão doidinho por ela quanto os limites do aceitável impostos pela sua Gata Verde permitem, mas a verdade manda Deus que se diga. E a verdade é que Nicole Kidman começa a parecer-se perigosamente com um zombie que tenha tomado três caixas de Valium de uma assentada. A expressão foi-se, exibe permanentemente uma cara petrificada, imutável, e mais lisa do que deve ter sido aos dois anos de idade.

A Radar Magazine (nunca tinha ouvido falar, deve ser um dos incontáveis tablóides estrategicamente colocados junto às caixas dos supermercados) publicou um longo artigo intitulado Welcome to the Dollhouse, sobre a febre da cirurgia plástica em Los Angeles, dando a Nicole o destaque maior, transformando-a numa espécie de Barbie.

De passagem vai-nos mimoseando com fotografias aterradoras de celebridades. Como tenho a certeza de que vão todos a correr espreitar, não vale a pena pô-las aqui. E daí... ora, que se lixe, vamos a isso!

A maior parte deixa-nos mesmo a pensar o que terá aquela gentinha na cabeça. Mickey Rourke (ainda alguém se lembra dele?) está grotesco. Kenny Rogers está ABSOLUTAMENTE irreconhecível — há tempos vi-o a falar sobre Dolly Parton num documentário e quando apareceu o nome dele em rodapé julguei que fosse engano, juro!


Meg Ryan

Mickey Rourke

Kenny Rogers

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

A Mulher Congelada

As coisas que passam pela cabecinha desta rapariga ultimamente são para mim um mistério. Por este caminho, não lhe dou mais de cinco anos para ser uma versão feminina do duvidosamente masculino Michael Jackson. Olha Nicole, filha, depois não digas que não te avisei...

Oscar night. O Victor e eu, muito blasés, muito não tenho pachorra para ver a cerimónia toda, muito amanhã vê-se o compacto, acabámos por aguentar a pé firme a noite toda. E digo-vos que o melhor da noite não se passou no Kodak Theatre, longe disso. O melhor da noite foram os cerca de 40 telefonemas (talvez mais, JURO que não estou a exagerar) que houve entre nós. Contas feitas, talvez não tivesse saído muito mais caro ir buscar sushi e sashimi ao Aya e deitar abaixo três garrafas daquele indescritível Fritz Haag que ele recentemente descobriu.

Tudo começou ainda antes da cerimónia, com a chegada das estrelas (aí já tínhamos falado umas três vezes – os oito telefonemas trocados durante o dia não entram nesta contagem). Ele ligou-me e nem teve tempo de dizer nada, porque eu cortei logo muito depressa com um excitado VISTE A MULHER CONGELADA?!

– QUEM?!
– A Nicole, ora!!!

Gargalhada monstra do outro lado. Para nós dois ela nunca mais se livra do nome que naquele momento me saiu sem saber como. E tenho de explicar. O Victor sempre a achou o máximo. Linda, escultural, etc. Eu achava-a muito deslavadinha (nós mulheres somos óptimas a pôr defeitos nas outras, especialmente quando são melhores do que nós). Quando saiu To Die For (Disposta a Tudo) rendi-me. Que grande actriz, que desempenho assombroso! (classificado pela Première em 40.º lugar entre os 100 maiores de sempre, ver aqui.) Fiquei fã dela. Depois de Moulin Rouge passou a ser para nós a nossa menina Nicole. Temos parvoíces destas. Meryl Streep é nossa menina Meryl. A grande Edita Gruberova é nossa menina Grubi. O Empire State Building é, simplesmente, o nosso menino. Vamos ao cinema, por exemplo. Se o filme se passar em NY é quase inevitável aparecer nalgum momento a silhueta inconfundível. Cotoveladas imediatas, acompanhadas de um bichanar excitado: Olha o nosso menino!

Mas voltemos à Mulher Congelada. Nós já andávamos descontentes com ela há uns tempos. Depois de Moulin Rouge até ganhou um Oscar
, que não convenceu nenhum de nós. Aquele prémio foi um engano, nossa menina Meryl ou Julianne Moore, nomeadas pelo mesmo filme (The Hours), mereciam-no bem mais. Cá para mim estavam a premiar a caracterização. Receita quase infalível para ganhar um Oscar: transformar uma mulher muito bonita numa coisa irreconhecível. Funcionou com Nicole, funcionou com Charlize Theron, nada nos garante que não volte a funcionar. De vez em quando perguntávamos que raio andava ela a fazer à carreira, que nunca mais tinha feito nada que se visse. Nos últimos dois anos a pergunta passou a ser outra: QUE RAIO ANDA ELA A FAZER À CARA?!

A rapariga parece que levou um banho de parafina nas trombas! Tem uma expressão imóvel, a testa tornou-se mais lisa do que deve ter sido aos 15 anos, nada naquela cara mexe um milímetro, tirando, é claro, os beiços, que ganharam uma curiosa configuração de boca de truta. E se pensarmos que ainda nem fez 40 anos, a coisa é preocupante. E é uma pena. Ela nem sequer precisava daquilo! Do que precisava, sim, como actriz, era de uma cara que pudesse transmitir emoções, e essa foi-se, não sei se num bloco operatório, se em injecções de botox ou em quaisquer outros extravagantes tratamentos inovadores a que o muito dinheiro lhe dá acesso imediato. Perdeu-a, e apostava que lhe vai ser impossível recuperá-la.

É chocante ver a coisa grotesca em que se transformou a cara de Faye Dunaway. A de Cher, que acabou mesmo por exagerar. As da última mulher do Aga Khan e da mãe, que eu nunca sei qual é qual, tão de uma mesma idade impossível de precisar se tornaram depois de incontáveis operações. O que Meg Ryan ou Melanie Griffith fizeram à boca, até nos passa pela cabeça que aquele inchaço seja o resultado de um ferrão de abelha. Também estou a lembrar-me de alguns artigos nacionais, mas é melhor não ir por aí.

Não sou avessa a cirurgias plásticas, longe disso. Acho que devemos conservar-nos o melhor possível enquanto nos for possível. Mas com bom-senso. Vi há dias um programa de Oprah notável (e hilariante) sobre o assunto. Mas isso fica para outro dia.