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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Na mão da FDA o viagra dos ejaculadores precoces

Por Cláudia Rodrigues

Cláudia Rodrigues, especial para Jornal Já

A Jonhson & Jonhson dos EUA acaba de colocar nas mãos da Food and Drugs Administration –FDA- o hidrocloreto de dapoxetina, primeiro medicamento químico específico para tratar um dos distúrbios mais conhecidos da sexualidade humana: a ejaculação precoce. Segundo o Dr Jon Pryor, da Universidade de Minnesota, que coordenou os estudos sobre a dapoxetina, ainda não havia um tratamento eficiente para a ejaculação precoce. A nova droga já entrou na porta da frente da FDA dourada pelo mesmo marketing do viagra; promete dar fim a um problema sexual que afeta cerca de 30% dos homens do planeta.

O ensaio clínico com 2614 homens demonstrou que o medicamento proporcionou melhoras significativas para 58% pacientes submetidos a doses mais elevadas e 51,8% para os que receberam doses menores de hidrocloreto de dapoxetina. A exemplo do lançamento do viagra, na nota divulgada à imprensa, não foram revelados os possíveis efeitos colaterais do novo medicamento, apenas os benefícios.

Algumas drogas, como os antidepressivos tricíclicos, já são utilizados para retardar a ejaculação, com índices satisfatórios segundo a maioria dos urologistas, mas os reconhecidos efeitos colaterais imediatos dos antidepressivos inibem a popularidade desses medicamentos e podem complicar a vida psíquica dos portadores da disfunção; afinal nem todo o ejaculador precoce é deprimido. Além disso os antidepressivos tricíclicos são contra-indicados para pacientes com problemas coronários.

Longe da polêmica ocidental dos medicamentos químicos e seus eternos efeitos colaterais fabricadores de outras doenças, os chineses já utilizam há séculos um remédio para a ejaculação precoce, que teve comprovação científica há vinte anos. Segundo a Chinese Acupunture & Moxibuston, em pesquisa realizada com 31 pacientes em 1984, apenas 3 não obtiveram bons resultados, o que quer dizer 90% de cura. “A acupuntura para ejaculação precoce não é feita com agulhadas no pênis, as agulhas, indolores, são colocadas nos braços, nas pernas e na barriga, dependendo do paciente em questão”, diz o acupunturista Gilberto Agostinho, de São Paulo, especialista em disfunções sexuais. Ele explica que a medicina tradicional mexe com o sistema bioquímico do corpo, enquanto a acupuntura trabalha com a eletricidade corporal, com o fluxo dos movimentos internos, como pressão sangüínea e pulsação, descongestionando os locais paralisados e diminuindo o ritmo dos locais hipermovimentados. Não há efeitos colaterais e a bioquímica do corpo, após o tratamento, se auto-regula.

Mas o que é afinal a ejaculação precoce?

Tiago acorda, se veste rapidamente, enquanto toma banho o telefone toca, ele escuta mas não chega a tempo para atender. Toma um gole de café e a caminho do trabalho checa a ligação, verifica que esqueceu os papéis necessários para a reunião. Dá a volta, pega os papéis, segue para o escritório, chega atrasado para a reunião mais importante do mês. Almoça correndo, é atropelado por vários telefonemas no meio da tarde e não consegue fechar o trabalho programado para o dia. Pensa em ficar até mais tarde no escritório, mas recebe o telefonema da Clarinha, antiga namorada que está na cidade prometendo aquele encontro amoroso que não havia se consumado no passado. A moça aparece linda, virou mulher, perdeu os ares de inocência, parece entender tudo sobre sexo, saca da bolsa uma camisinha colorida que comprou na Alemanha pensando nesse encontro tão esperado pelos dois. Só ao sentir o corpo de Clara nas mãos, Tiago percebe que está no que vulgarmente se chama atraso, pensa que não resistirá ao primeiro toque de Clarinha, consegue segurar sua excitação por mais alguns minutos, mas não muito mais do que um ou dois; mal penetra a moça e simultaneamente ocorre o gozo: dele. Clarinha fica decepcionada, Tiago teve o que se chama ejaculação precoce ocasional, um tipo de ejaculação precoce muito comum, temporária e que não precisa de medicamentos ou qualquer tipo de tratamento, a menos que persista.

É mais complicado quando a ejaculação precoce ocorre desde o início da vida sexual e se prolonga por anos, é quando o homem, já adulto, inconscientemente ignora que o sexo é um aprendizado que engloba a parceira ou parceiro, no caso de relação sexual entre homens; mais do que isso, o sexo pode envolver sentimentos e uma certa coragem para enfrentar as oscilações excitatórias, que ora diminuem a ereção, ora aumentam. A ejaculação precoce pode estar vinculada ao medo de perder a ereção, depressão, estresse, ansiedade ou a aprisionamentos psicológicos mais graves, como um certo prazer em não dar prazer à parceira ou ao parceiro.

99% dos casos têm origem comportamental

Segundo o Dr Carlos Da Ros, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia da seccional do RS, 99% dos casos de ejaculação precoce são comportamentais e não orgânicos. As pesquisas psicossomáticas, que vinculam várias doenças a fatores psicogênicos em maior ou menor escala, comprovam o que diz Da Ros. No caso da ejaculação precoce, um distúrbio, não uma doença, os fatores psíquicos estão bem definidos e já foram comprovados. O ejaculador precoce crônico, segundo a psicanálise, não é só ejaculador precoce no momento sexual, ele é um ejaculador precoce em outras áreas de sua vida, tem dificuldade de esperar, pode apresentar fobias e mesmo quando demonstra temperamento calmo, ao pesquisar bem a sua vida vamos perceber que tem ansiedade para terminar as tarefas.

É raro um caso de ejaculador precoce ter problemas orgânicos; quando a ejaculação precoce está ligada a problemas orgânicos não é um sintoma único, faz parte de uma doença e é um dos sintomas. “É muito difícil separar o orgânico do psicogênico, mas existem exercícios eficientes para tratar a ejaculação precoce, como a técnica de compressão ou a stop-start, diz a médica Luciana Parisotto, coordenadora do núcleo de sexualidade da sociedade de psiquiatria do Rio Grande do Sul.

A técnica da compressão consiste em comprimir a glande, evitando acúmulo de sangue na cabeça do pênis, durante 4 ou 5 segundos a partir da primeira grande excitação. A stop-start é basicamente a paradinha para regular o ritmo com o parceiro, avisando-o de que se não pararem tudo pode ir por água abaixo imediatamente. Casais experientes que mantêm um bom relacionamento sexual, fazem isso naturalmente e podem achar graça da dica, mas para ejaculadores precoces e seus parceiros(as) ela pode operar milagres, sem efeitos colaterais a curto, médio ou longo prazo.

sábado, 8 de agosto de 2009

Veneno Antimonotonia

Por Cláudia Rodrigues

Os homens têm um compromisso tragicômico com a ereção. É certo que sem ela não há penetração e, consequentemente, o orgasmo não virá. Mas daí a acreditarmos que o segredo da ereção passa mais por uma vasodilatação do que pelo desejo – um supervasodilatador que envolve o corpo inteiro – é mesmo uma piada. Os médicos já advertiram que o viagra é específico para quem tem problemas de ordem psicológica; os psicólogos diriam, problemas com o desejo. Só o fato de o sujeito sair em direção à farmácia para comprar o tal remédio, já é meio caminho andado. Lá vai o homem todo esperançoso de voltar aos 20 anos. Se a mulher souber são dois mergulhados em fantasias jogando a favor, se ela não souber; é um prato cheio para as fantasiais de poder masculinas e está morta a charada. Algumas senhoras poderão ficar em apuros, pois, com apenas um comprimido de viagra o maridão pode chegar ao maior insight da sua vida sexual: tem tesão, mas a parceira não responde à altura. Se os homens começarem a viver uma espécie de independência sexual, como as mulheres viveram com a chegada da pílula, não será mera coincidência a queixa de patroas abandonadas, trocadas por outras mais macias e aconchegantes. O que era óbvio será um fato: mulher boa de cama é aquela que está a fim do sujeito. Bobagem. O viagra não é mais do que um jogo de marketing econômico de proporções sociais não previsíveis e efeitos colaterais ainda em pesquisa, já na fase em que humanos podem servir como cobaias. Ereção é desejo e o desejo é o propulsor da ereção. Desejo não é achar uma perna feminina bonita, ser seduzido por um perfume, mergulhar em um par de belos seios, embora um gracioso e amigável par de pernas ou de seios faça parte do universo da fantasia dos homens. Não necessariamente da realidade. Desejar é ser impelido em direção a alguém para comer, beber, beijar, tocar, receber e dar o que sente. Ereção, penetração, umidade, temperatura interna adequada, gozo e satisfação são conseqüências do desejo de uma pessoa que também é desejada por outra. E isso acontece em qualquer idade. O viagra está para alguns homens como a cirurgia plástica está para algumas mulheres. Homens e mulheres contemporâneos estão tendo muita dificuldade para deixarem de ser jovens, potentes e poderosos para sempre, como o foram aos 20 anos. Estão aprisionados em corpos de padrões pulsáteis vencidos, antigos, que jamais poderão ser restaurados. Um homem de 20 anos está sempre “armado”, assim como uma jovem da mesma idade sente arrepios ao mais leve toque. É uma questão hormonal, um fogo natural das primeiras experiências sexuais, emocionais, profissionais; tudo é muito intenso, não há limites, as reservas são poucas. O início da vida sexual de uma pessoa saudável só pode ser comparado à voracidade de um recém-nascido pelo seio materno. Mas assim como o recém-nascido, que depois passa por toda a fase oral do desenvolvimento e mesmo quando sai dela não deixa de comer e beber; a vida sexual não termina aos 40, 50 ou 90 só porque já não sentimos arrepios ao primeiro toque. Ela muda, mudam as atitudes involuntárias do corpo e o cérebro tem capacidade para decodificar essas novas mensagens e dar a melhor resposta. Não se pode ter tudo em todas as fases da vida. Se tentamos nos manter com um comportamento de 30 aos 50 anos, corremos o risco de não desenvolver a capacidade associativa do cérebro, por exemplo, que só chega ao seu ápice por volta dos 50. Um ser humano aos 50 anos tem a memória menos privilegiada do que a de um de 30, menos veloz também, mas paralelamente está mais apto a raciocínios profundos e a uma capacidade de associação de idéias bem mais ampla que a de alguém aos 30 – pelo menos se não estiver lutando contra a própria evolução. Um homem de 50 anos, quando permite que seu cérebro acesse as informações que chegam do novo corpo — o corpo de 50 —, não vai entrar em pânico ao perder aquele desejo insaciável e diário de dar uma “rapidinha”, mas mergulhará na nova onda corpo-mental que se insinua, podendo surfar numa próxima etapa da vida sexual, em que a qualidade e a profundidade de um orgasmo valerão por duas ou três rapidinhas. “Velhões” que estão vivendo as singularidades de suas vidas sexuais lembram que davam duas com 20 anos, quando o “benedito” mais parecia um soldado de batalha obrigado a afogar o ganso em qualquer regato. A era muscular, ligada à musculatura estriada, que domava e dominava o cérebro, começa a ceder espaço para um tempo em que o sistema límbico é o centro do furacão. Em vez de tesão e vontade, reina o desejo e a necessidade de entrega. Na maturidade o orgasmo exige um grau menor de ansiedade, já não se assemelha a uma luta entre dois corpos, está mais para a celebração do único segundo real em que dois corpos humanos conseguem uma fusão. Na maturidade não existe a ereção que precisa ser queimada imediatamente, a ereção pode ir e vir em ondas até que a entrega se concretize e a ejaculação ocorra. As mulheres, em qualquer idade, agradecem. E esses homens experientes não vão querer fazer o caminho de volta aos 80, 90, pois estão em continuidade, ouvindo o que o corpo tem a dizer. Não existe viagra algum que substitua uma boa vontade de viver, tomando um vinho ali no sofá, sendo chamado pelo sorriso de alguém que não precisa ter as pernas da Marilyn Monroe. É a figura mais íntima e pode ser a primeira, a terceira, a mistura de todas elas e muito mais para um homem que não cansa de pesquisar, em lugares mais profundos da própria percepção, o melhor dos prazeres; o que vem com afeto.