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terça-feira, 4 de maio de 2010

Comilanças de bebê

Cláudia Rodrigues
Receitas lá de casa Essa história de ficar passando receitas não tem nada a ver. Cada pessoa, cada família é que precisa descobrir o que faz bem, o que faz mal, o que digere bem ou não. Eu nem ia produzir essas minhas histórias, por conta de pensar assim, mas abri uma exceção ao pensar que muitas pessoas, mesmo gostando de conviver com crianças, nem sempre estudam sobre as nossas necessidades, que são diferentes das dos adultos. Então escolhi as principais receitas da comida dos bebês lá de casa. A famosa papinha tem um item de cada alimento: uma folha, uma flor, um cereal, uma raiz e uma cucurbitácea (as abóboras, abobrinhas, aquelas plantas que se espalham pelo chão). E é muito fácil preparar. Azeite de oliva na panela e um dentinho de alho já garantem um saudável adeus aos vermífugos, desnecessários para o bebê que consome alho e engole sementinhas. Daí é só colocar os cinco itens bem picados. Se faltar algum, de vez em quando, tudo bem. Mas é sempre bom lembrar que as raízes são muito importantes. Elas ajudam a desenvolver nossa firmeza para andar, e também a dormir com mais tranqüilidade, segundo os antigos. Mas de concreto se sabe que são alimentos muito nutritivos que contêm vitamina A, vitaminas do complexo B, vitamina C, ferro, e fósforo. A flor vai garantir a expansão, a criatividade, a alegria, segundo os antigos. A ciência afirma que são anti-cancerígenas, ricas em sais minerais, potássio e fonte de vitamina K; a vitamina anti-hemorrágica, bastante rara em outros alimentos. As folhas contêm o ferro que precisa ser reposto todo dia porque a partir dos seis meses acabam nossas reservas que vieram do útero. O ferro é melhor absorvido na presença da vitamina C, que as folham já trazem. O cereal (integral) é a proteína, perfeita para o desenvolvimento neural e muscular. E as abobrinhas e morangas são as campeãs de vitaminas do tipo riboflavina, A e E, muito importantes para a visão e audição, pele e mucosas. Além da vitamina A, as abóboras contêm vitaminas do complexo B, cálcio, fósforo, ferro e proteínas. Mamãe leu que elas inibem reações alérgicas, tão comuns hoje em dia. Tudo na panela de ferro? Lave um pedacinho de alga Kombu e coloque junto. A alga é altamente rica em proteína. Na falta dela usa-se o tofu, que costumamos gostar de comer e que também é rico em proteína. A alga não deve ser ingerida. É só dar dois minutinhos e colocar água. O tanto para cozinhar. Segundo algumas correntes de alimentação alternativa, o vapor é a melhor forma para cozinhar legumes preservando os nutrientes. Nesse caso os temperos devem ser acrescidos crus ou ligeiramente refogados. Mamãe faz tudo refogado, rapidinho. Ela acha que eu gosto mais assim, com caldo. Sei lá, ela fica falando que vai oferecer do outro jeito mas nunca faz. Ela é meio teimosa, arraigada no que já sabe. Tia Regina sempre fala que é importante acrescentar um fio de azeite de oliva somente no final do cozimento e nunca fritar o azeite. Mãe não sabia, fez isso errado, espero que não tenha fritado nossos miolos. Já está quase tudo cozido? Então é hora de tirar a alga, que já soltou a proteína, e acrescentar os temperos fresquinhos, para que possamos aproveitar bem o sabor e a vitamina C. Salsa, cebolinha, orégano, tomilho, manjericão e coentro podem ser usados com tranqüilidade. Além de levemente calmantes e também vermífugos, todos são riquíssimos em ferro e vitamina C. Esses, sim, devem ser colocados por último, um ou dois minutos antes de desligar o fogo. Ficam com um verde vivo, bonito. Eu como salsinha pura, no quintal, e também azedinha, hortelã e menta. Adoro essas folhas pequeninas que posso arrancar e comer com minhas próprias mãos. A primeira sopinha se faz só com um item, de preferência uma raiz. O inhame é a raiz mais rica e muito bem aceita por nosso paladar inexperiente, seguido pela mandioca, batata baroa ou mandioquinha, a batata-doce e a cenoura, muito nutritivas também. A batata inglesa, além de carregada de veneno, hoje em dia, é puro carboidrato. O pessoal da macrobiótica e os antroposóficos falam horrores da batata. Nem vou contar porque as informações são da pesada. Mamãe acha que radicalismos são sempre complicados. Agora que já tenho um ano, como batata, às vezes. Eu gosto, mas não mais do que uma abóbora daquelas bem coloridas. Passados dois dias de sopa começa-se a acrescentar outro item e assim sucessivamente. Essa é uma medida de segurança indicada pelos pediatras para evitar alergias. Os temperos e o alho podem ser usados sem problemas desde a primeira vez. Mamãe começa com meio dente de alho e vai aumentando até que por volta de um ano, como agora, já como a comida de todos aqui de casa. Depois de algum tempo, que só a cozinheira do nenê sabe qual é, a sopa começa a ganhar o missô, bem pouquinho, só para dar um gosto de sal e preparar o bebê para passar a comer a comida dos adultos. Quem preferir, pode colocar sal no lugar do missô. A diferença é que o missô é altamente protéico e conhecido como um eficaz eliminador de eventuais toxinas, inclusive radiativas. Um monte de gente diz que isso é lenda de naturalista. Sal e missô não devem entrar juntos e só podem ser usados às pitadas para bebês maiores e não para os que estão iniciando o processo de provar alimentos. O cloreto de sódio é desnecessário na nossa alimentação. Mas aqui em casa ninguém come sem sal desde 8, 9 meses. Eu prefiro uma pitada, como mamãe coloca. E a comida da mesa já vem com sal. Mas é pouco. Todos na família querem nos ver comendo carne? Coloque um pedaço de peixe fresco ou frango caipira na sopa... Se quiser, experimente colocar carne vermelha mesmo. Observe o cocô no dia seguinte. O cheiro foi muito forte para você, a cor escura demais? Causou mal-estar ao seus olhos e olfato? Siga a intuição e dê conforme o que diz seu coração. E seu olfato! As teorias são muitas, assim como as teses para o bem e para o mal em relação à carne. Eu nunca gostei, então mamãe não insistiu. Aparentemente não afetou o desenvolvimento do meu cérebro. Meu irmão é carnívoro de carteirinha e tem mil e uma teses, acontece. Respeitar as peculiaridades do paladar de cada bebê parece ser uma decisão sensata. Das frutas, sucos e chás Os sucos podem até ter sua importância no verão. No outono, no inverno e na primavera, o ideal é oferecer a fruta para a gente se lambuzar à vontade. Assim, além de ingerirmos as fibras e uma maior quantidade de vitaminas, vamos exercitar nossa motricidade, em pleno desenvolvimento. Um bebê de sete meses tem plena capacidade para chupar uma laranja lima, com ajuda. Pode comer banana picada e outras frutas mais macias sem engasgar. Dá mais trabalho para os adultos e demora bastante tempo. Mas ficamos mais calmos porque fizemos algo por nós mesmos, cansamos, nos exercitamos e obtivemos prazer por conta própria. Isso sim dá força ao desmame. Bebê bem desmamado é aquele que descobre o prazer de fazer as coisas indo ao encontro lento e gradual da autonomia e não o que é induzido a ser independente, como os que são desmamados precocemente ou superprotegidos, que depois de um ano ainda ganham tudo esmagadinho. No inverno até apreciamos um chazinho de erva-doce depois do jantar. Além de conseguirmos esperar a mamãe chegar do trabalho ou do cinema, atrasando um pouco a mamada, o melhor disso é que, mais tarde, quando aparecerem resfriados ou febres, não vamos resistir aos chás terapêuticos e será mais fácil a cura. Sobremesa? Gelatina natural com suco de fruta da época ou agar-agar, também com suco. Agar-agar é uma gelatina em pó derivada de algas. As gelatinas são importantes para a saúde da pele, ossos, couro cabeludo, cabelo e unhas. Frutas da estação e só. Não precisamos e não sentimos necessidade de doce como os adultos. O uso do açúcar nessa fase é uma perversão alimentar, que causa fermentação, excesso de gases e mal-estar, além de provocar cáries. O açúcar é muito gostoso e por isso vicia, em qualquer idade. Viciados, consumimos quantidades cada vez maiores e então, em pessoas suscetíveis, surge o diabetes. Aqui em casa todos têm dó de oferecer tranqueiras para mim. Eles sabem que se eu ficar doente, com dor de barriga, vômito, febre, diarréia, vou sofrer muito porque sou ainda pequena para entender desconfortos somáticos. Então eu vivo feliz com minha comida saudável. Mas surgiu uma novidade no último mês, quando completei um ano: biscoitos. No lanche da tarde eu já posso comer, especialmente nos dias mais frios; biscoitos de aveia com mel, milho, e gergelim com passas. Também como bolo de milho com todos na sexta-feira. Sempre quis experimentar o bolo de milho que a Kelly faz na sexta-feira! Estão vendo só, como já estou maior e mais poderosa? Agora, produtos industrializados eu não consumo. Nem os específicos para bebês. Gordura vegetal hidrogenada, alimentos levados a temperaturas absurdas como método para esterilização, sem contar os conservantes e corantes, não são confiáveis. Mamãe chama esses alimentos de comidinhas mortas. Em viagens levamos frutas, pão e nossos biscoitos nutritivos. Bem, e eu tenho sempre o leite da mamãe para qualquer emergência. Mingau? A maioria dos bebês adora e no inverno é uma boa pedida. Mingau Iti ni san chi Tempo de preparo: sete minutos Ingredientes: água, farinha de aveia, tofu Numa panela coloque um copo de água, duas colheres de sopa de aveia e mexa até levantar fervura e engrossar. Acrescente duas fatias de tofu picado em pedaços pequenos. Sirva puro ou tempere com duas pitadas de mel. Mingau de praia Tempo de preparo: cinco minutos Ingredientes: três espigas de milho e água Três milhos verdes debulhados e batidos no liquidificador com um copo de água. Coou e joga na panela em fogo baixo. Mexe, mexe rapidinho até levantar fervura. Pronto, está grossinho, bem gostoso. Para nenês maiores pode levar meia pitada de sal ou um caquinho de missô. Na versão doce: mel. Esses mingaus são o fast food do bebê saudável. Podem ser preparados de última hora na casa dos outros ou naqueles dias em que simplesmente não dá tempo de preparar a comidinha equilibrada. Suco de Hulk Tempo de preparo: sete minutos Ingredientes: seis folhas de salsinha, duas de hortelã, três laranjas Bata o suco de uma das laranjas no liquidificador com as folhas bem lavadas. Esprema manualmente as outras duas laranjas. Misture tudo e coe. Sirva na hora em copinho ou na mamadeira. Alguns bebês apreciam a papinha que fica no coador. Melhor para eles. Suco do sol Tempo de preparo: cinco minutos Ingredientes: manga, laranja e maracujá-doce Esprema a laranja, acrescente o conteúdo do maracujá-doce e alguns pedaços de manga. Esmague passando por uma peneira. Sirva com a colher ou em copo. Eu adoro pegar as sementes que ficam no coador. Mamãe deixa eu comer porque sementes são vermífugas. Suco do Batman Tempo de preparo: seis minutos Ingredientes: uma folha de couve, duas tangerinas, meia beterraba Bata os ingredientes no liquidificador, coe e antes de servir acrescente algumas gotas de limão.
Estão vendo só como pode ser prática e rápida uma alimentação não-industrializada? O que está por trás das nossas negativas O segredo da aceitação dos sabores ácido, meio amargo ou com cica, reside bastante no prazer que sente a pessoa que os prepara. Se ela faz com a cara amarrada, a gente desconfia que a coisa que vem não deve ser boa, oras. Mas se a pessoa canta, brinca, conta histórias enquanto faz as misturas, a gente também fica com o corpo aberto para novidades. Se você é o adulto que está preparando a comida do bebê, não esqueça de experimentar antes. Se estiver ácido, faça a melhor cara de ácido que conhece, emita sons para o que é doce, amargo ou com cica. Gostamos disso e com alegria desce até jiló. Isso se jiló não significar, para o seu bebê, o que mamão significa para mim. Eu como jiló, faço a maior cara de amargor e me mato de rir com meus irmãos. Crianças adoram dar conta desses desafios e são vocês, adultos, os responsáveis diretos por incutir em nossas cacholas que só o doce, o consistente ou o que derrete na boca é que são bons. Comidas, iogurtes e sucos industrializadas contêm ácido cítrico. Esse remedinho da indústria também é responsável por uma falsa sensação de saciedade de tudo o que é cítrico. A vitamina C natural das frutas cítricas acaba ficando fora da alimentação. O resultado aparece nas doenças terminadas em ite, como otite, amigdalite, faringite. O tempo para abrir uma embalagem e pegar uma colher ou canudinho é inferior a um minuto. A cura de doenças infecciosas reincidentes pode durar vários anos. Ultimamente os pediatras menos responsáveis em relação a alimentação, aliados à conveniência de manter os clientes e às participações em congressos patrocinados pela indústria de alimentos e remédios, têm apelado para cirurgias nasais e auditivas de resultados futuros ainda pouco conhecidos. Deus me livre encontrar um pediatra desses, logo eu que nunca peguei uma gripe! Café da manhã e lanches Banana isrulp Tempo de preparo: 3 min Ingredientes: 1 banana, sete passas de uva e meio limão Pique as bananas e coloque uma passa de uva em cima de cada rodela. Pingue em cada passa uma gota de limão e vá falando, fazendo a careta, os isrulp com gosto de limão. Dê ou deixe que a gente pegue. Alguns de nós se encantam pelas passas e dispensam as bananas. Outros desconfiam das passas. Continue tentando, a gente não é tão inteligente assim, mas é bastante curiosa e acaba experimentando. Gelatina mané orgânico Tempo de preparo: 2h Ingredientes: 1 copo de suco, 1 colher de sobremesa de gelatina agar-agar. Dissolva a gelatina no suco, mexa bem e leve ao fogo. Antes de ferver desligue. Leve à geladeira. Isso tudo é feito em cinco minutos mas na geladeira, paradinho, sem incomodar, o agar-agar levar duas horas para ficar no ponto. Sirva com a colher, mas não se desespere se o seu bebê quiser pegar um pedaço para esmagar e tentar levar à boca. Acho que os adultos não têm mais idéia do quanto é bom esmagar uma gelatina. Manga das nuvens Tempo de preparo: 3 min Ingredientes: um punhado de flocos de arroz e 1 manga Pique a manga em pedaços pequenos e jogue o punhado de flocos por cima. Esse é um prato para servir ao ar livre. Só tem graça se a gente puder pegar com a mão e ainda sobrar um caroço no final. Ficamos nas nuvens e dá a maior calmaria depois, porque a energia gasta para tal feito é imensa. Petit dos fortes Tempo de preparo: 6 min Ingredientes: 3 morangos, duas colheres de chá de gergelim e 1/2 tigela de iogurte natural Pique os morangos e despeje o iogurte. Acrescente o gergelim e vá oferecendo, sempre permitindo que a gente pegue algum pedaço. Depois dos sete meses aumenta muito a nossa angústia de pegar as coisas e levá-las à boca. A natureza não é mesmo perfeita? O que há de errado quando não comemos essas delícias? Humm pode ser uma coisa só ou várias. Para saber quais ou qual, é necessário que o adulto responsável por nos oferecer os lanches identifique nele mesmo o problema porque é raro, muito raro mesmo, um bebê não gostar de muitas frutas, embora seja normal que não goste de uma ou duas. Se o bebê consome alimentos com adição de açúcar, como iogurtes industrializados, pode residir aí uma defesa. É só parar ou reduzir a oferta. Tão pequenos, entretanto, ainda não tivemos tempo para ficar viciados em ácido cítrico, corantes e naquele gostinho especial que só os conservantes deixam nas comidas. É muito provável que o adulto responsável por nosso lanche não suporte a bagunça, a meleca e principalmente o tempo que levamos para dar conta de uma refeição preparada na hora, que pode não ser tão demorada no preparo, mas toma muito mais tempo para ser consumida. Bem, esse adulto precisa saber duas coisas: a primeira é que um lanche demorado sacia a nossa urgência oral, o que nos acalma, não somente na convivência durante o dia, como também auxilia o sono noturno. A segunda diz respeito apenas ao adulto. Se ele está presente para tomar conta e dar os lanches, não há razão para pressa. Cuidar da gente é assim mesmo, por etapas. Se tudo for feito com bastante tranqüilidade, ao final do dia não haverá tanta estafa. É que tem adulto que fica correndo com a gente para lá e para cá e esquece que precisamos repetir movimentos, contemplar a natureza, ir e vir em rituais que, obviamente, não são próprios dos adultos.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Aceita um chazinho?

Por Cláudia Rodrigues

Alfazema

É bom para asma, amenorréia, catarros intestinais, desinterias.

A essência combate piolhos e outros parasitas

Bardana

Ótimo contra cálculos renais e moléstias de pele. É grande depurativo do sangue, do fígado e dos rins.

Ajuda o crescimento e evita queda de cabelos

Camomila

Indigestões, gases, debilidade do estômago, cólicas e histeria. Tônico, fortalece o útero e cura doenças dos ovários.

Dorme-dorme

É depurativo, desobstruente do fígado e purgativo.

Espinheira-santa

Ulcerações do estômago, afecções da pele, feridas, desinfetante, cicatrizante, bom para os rins e calmante de dores em geral. Também é indicada para viciados em bebidas alcoólicas. Diminui o leite materno em mulheres que amamentam.

Funcho e Erva Doce

Aperientes, digestivos, sem contra-indicações para crianças. Aumentam o leite das mães.

Goiaba

O chá das folhas, cascas ou brotos é excelente para cortar a diarréia. Os frutos atuam contra tosse e bronquite.

Hortelã

Estimulante, tônica, digestiva, calmante e vermífuga.

Ipê-roxo

O cozimento das cascas combate estomatites, nevralgias, cancro, úlceras e diabetes pois contém insulina.

Elimina toxinas, aumenta os glóbulos vermelhos e tem ação contra células que crescem desordenadamente.

É bom também para doenças de pele como impigens.

Jasmim

Estimulante, combate a falta de ar e as inflamações nos olhos. Flores dão xarope para tosse e gripe.

Lírio-branco

O chá da raiz é estomacal e expectorante. Combate a prisão de ventre.

Malva

Calmante dos nervos e dores em geral. Combate inflamações dos intestinos, bexiga, rins, pele e vagina

Nabo

Age contra a tuberculose, afecções da bexiga e do peito. Eficaz na bronquite, nas tosses e sinusite.

Onze-horas

A infusão de três raminhos para cada litro de água favorece a eliminação do ácido úrico e é bom para cólicas hepáticas.

Paineira

As flores são excelente remédio contra asma e as cascas contra gastrite.

Quebra-pedra

Elimina catarros da vesícula, cálculos do fígado, dos rins e da bexiga. Alivia as dores nos quadris e nas juntas. Chá das folhas e semente é indicato para diabéticos.

Romã

Toda a planta é adstringente. O chá das cascas tem propriedades que ajudam a curar inflamações na garganta e nas amígdalas. É vermífuga.

Sálvia

Revigora o corpo durante as gripes e atua em qualquer tipo de febre. Atua na debilidade sexual, aumenta a capacidade intelectual, fortalece o útero e regula a tensão arterial. Há um ditado árabe que diz:” aquele que possui um pé de sálvia em sua porta de nenhum mal pode padecer”.

Tília

Árvore sagrada das antigas civilizações germânicas. Sudorífica, descongestionante e relaxante. Antifebrífuga, combate resfriados, alivia a tensão e enxaquecas.

Unha de Gato

Famoso antireumático, atua também contra dores nas costas e pernas.

Valeriana

O mais famoso e eficiente calmante da natureza. Combate insônias severas, tem ação antiespasmódica e anestésica. Depressora do SNC, atenua a irritabilidade nervosa e a ansiedade sem causar dependência.

Zedoária

Depurativo do sangue, ativa a circulação provocando a dilatação dos vasos sanguíneos. Atua contra o mau-hálito e limpa as vias respiratórias em casos de inflamação da garganta.

domingo, 9 de agosto de 2009

Paneleiras do ES, a nobreza que vem do barro

Por Cláudia Rodrigues 
A moqueca capixaba, ícone da culinária do Espírito Santo, faz jus à fama, não somente pelo sabor peculiar do prato, mas pela panela especial em que é feita e principalmente por suas artesãs, descendentes de índias miscigenadas com africanas. Essas mulheres conseguiram fazer com que uma cultura milenar sobrevivesse, praticamente intacta, aos últimos 500 anos. É impossível andar pelo galpão das paneleiras de Goiabeiras, em Vitória, e não viajar no tempo. O ambiente, onde predominam a madeira e o barro, abriga rostos sorridentes e morenos, expressões calmas e gestos precisos nas mãos que modelam panelas de barro. Não há máquinas ou tecnologia de qualquer espécie e o processo rústico de fabricação, criado pelos índios que habitavam a região há mais de 2000 anos, se perpetuou com pouquíssimas modificações. Até o local de onde se retira o barro para fazer as panelas é o mesmo: o Vale do Mulembá, no bairro de Joana D’Arc.

Fragmentos de cerâmica encontrados na região levaram o antropólogo Celso Perota e sua equipe a concluir que a atual panela de barro de Goiabeiras é uma mistura de técnicas ceramistas pré-históricas Tupiguarani e Una, sobressaindo-se as usadas pela tradição Una, cujos vestígios mais antigos datam de 2.500 AC.
O surpreendente é que a confecção de panelas tenha sobrevivido, praticamente intacta, aos últimos 500 anos, breve periodo em que os povos primitivos foram massacrados pelos descobridores do Novo Mundo.
O sistema de colonização imposto pela Coroa Portuguesa no início do século XVIII, acabou estabelecendo a área do Espírito Santo como proibida, o que promoveu uma estagnação econômica. A proibição de circulação no território intensificou a miscigenação entre as etnias que habitavam a região, especialmente as africanas e indígenas. Surgiu daí uma cultura popular singular com fortes expressões no folclore e no artesanato.
Começava nessa época a incorporação de alguns elementos africanos nas tradições ceramistas milenares. “No caso da panela de barro de Goiabeiras, especificamente, são poucos os elementos africanos e é surpreendente e de grande valor a resistência das paneleiras que persistem em confeccionar as panelas de forma primitiva, sem o uso de tornos, fornos ou tinta artificial”, diz o antropólogo Celso Perota.
No galpão, “puxando a panela”, termo usado para definir o momento em que a panela nasce das mãos da paneleira, Eonete Correa, de 47 anos, fala do seu trabalho: “Depois que puxa a panela é só ficar assim alisando”, mostra, fazendo movimentos rápidos e delicados ao mesmo tempo. “Eu já trabalhei de doméstica, quando era jovem, porque queria novidade, mas o melhor mesmo é fazer panelas. As meninas criadas aqui acabam mesmo é fazendo panelas”, revela, desfazendo a idéia de que o ofício possa desaparecer.

A panela é feita, ainda hoje, com o barro puro, sem qualquer tipo de mistura, modelada a mão e depois alisada com materiais como casca de côco, pedaços de cuité, espátulas de madeira e, mais recentemente, com facas ou pedaços de metal. Depois de bem alisada é posta para secar por alguns dias e finalmente colocada em uma fogueira ao ar livre. Após duas, três horas de fogo, é hora de receber, ainda bem quente, a tinta do tanino retirado da casca do mangue vermelho – Rhizophora mangle. Com um pequeno maço de “vassourinha do campo”, arbusto também conhecido como “muxinga”, é feito um açoite para pintar a panela.
A tinta feita de tanino

A tinta, além de dar cor à panela, encerra o processo de impermeabilização iniciado na queima. O vale, região lodosa que não despertou o interesse imobiliário, sobreviveu à colonização e à industrialização circundado por pedras e matas. A argila formada pela decomposição de rochas gnaissicas misturadas com argilitos, feldspato e mica, principalmente, traz como elemento principal para a funcionalidade das panelas, os fragmentos de quartzo. E foi a angulação do quartzo, justamente, que levou os pesquisadores à conclusão de que o depósito de argila é local e foi pouco transportado.
As pesquisas sobre o barro intensificaram-se no final da década de 80, quando a CESAN -- Cia Espírito Santense de Saneamento—desapropriou o Vale do Mulembá na intenção de instalar uma estação de tratamento de esgoto.
Foi nessa ocasião que as pacíficas paneleiras, sentindo-se ameaçadas, mostraram toda a nobreza do ofício milenar. Cerca de 80 artesãs uniram-se para reivindicar o direito de continuar extraindo o barro da região. “Nós fomos até as portas do palácio do governo reclamar. Eles fizeram pesquisa para achar outro barro para nós, fizemos testes com outros barros, mas não encontraram nenhum barro igual ao do Mulembá”, explica Berenícia Correa, 42 anos, presidente da Associação das Paneleiras de Goiabeiras. A reclamação surtiu efeito. A Cesan não só desistiu da estação de tratamento como se tornou responsável pelo terreno. E as paneleiras cadastradas, que fazem o trabalho artesanalmente, têm livre acesso ao barreiro.
“Há muitos anos viviam no Mulembá o Manoelzinho e o Dodozinho, que vendiam o barro para nós. Eles criavam cabra e vendiam o barro barato”, conta Maria Correa César, 80 anos, que desde os 10 faz panelas artesanais do barro do Vale de Mulembá. “Antigamente se buscava o barro de canoa, o tanto que dava, mas eu já busquei barro a pé e trazia na cabeça, enrolado em um pano”, diz Dona Maria.
Marinete Correa, 45, irmã de Berenícia, foi a primeira presidente da Associação de Paneleiras eleita por votação na ocasião da briga com a Cesan. Antes dela a líder natural era sua tia avó, Melchíades Alves Correa, hoje com 71 anos.
Marinete conta que nunca fez outra coisa e só sabe que a feitura das panelas é coisa muito antiga na família. “Aqui nós somos todos parentes ou parente de parente e nosso ganha-pão sempre veio do barro; por parte de pai e de mãe, desde muito tempo”, diz.
E para essa família Correa o barro é especialmente importante. A mãe de Berenícia morreu aos 44 anos e o pai, nove meses depois, do coração, em Joana D’Arc, ao final de um dia de trabalho na extração do barro. Eles deixaram de herança para os sete filhos, três homens e quatro mulheres, a arte de fazer panelas de barro. As mulheres fazem as panelas e os homens retiram o barro, preparando-o em forma de bolas, colhem a casca de onde se faz a tinta, preparam as fogueiras e retiram as panelas do fogo.
“Eu comecei a tirar o barro quando era menino ainda e gosto até hoje. Eu ligo o rádio e vou tirando, escutando um pagode, amassando com os pés, fazendo as bolas”, diz Ronaldo Correa, 37 anos, que é funcionário da Sata, no aeroporto de Vitória.
Em um dia de trabalho ele, acompanhado por dois ajudantes, retira cerca de 150 bolas de 30 quilos de barro cada. “Eu vou empilhando as bolas e no sábado o caminhão da prefeitura vem aqui e leva para o galpão das paneleiras”, conta Ronaldo. Graças à ajuda da prefeitura municipal, as paneleiras podem comprar o barro na associação e queimar as panelas com a lenha que sobra das construções.
Das 104 associadas, apenas 23 trabalham no galpão diariamente. “Muita gente trabalha em casa e só as que não têm espaço em casa é que vêm trabalhar aqui”, explica Berenícia. O barro pertence à associação e uma bola de 30 quilos, aproximadamente, é vendida por 50 centavos. “Com a bola de 30 quilos dá para fazer duas panelas grandes com tampa”, explica Marinete.
A forma como elas raciocinam sobre quantidades também é singular. Não há registros escritos da atividade, até mesmo porque cada paneleira trabalha por conta própria. A argila é moldada em pequenas bolas até formar um “bolo” de oito bolas, que antigamente pesava 50 quilos e hoje pesa 30. O bolo recém-tirado da lama pesa mais do que o bolo refeito no galpão. Além de mais água, contém impurezas que vão sendo retiradas no reamassamento e nova modelagem das bolas.
A queima em fogueiras- A tradição de queimar a argila em fogueiras é a mais particular das características, pois não se tem conhecimento de cultura semelhante no Brasil. Os fornos já eram usados no século XVII e também os pseudo-tornos, instrumentos rudimentares que foram substituídos pelos tornos elétricos. A queima em fogueiras, ao ar livre, depende do clima e do vento e as paneleiras lidam com as intempéries sem problemas. “Nós não trabalhamos assim todos os dias de tal hora a tal hora, pois nós usamos o tempo para fazer outras coisas. Quando tem muita encomenda nós trabalhamos mais e quando tem pouca, menos”, diz Marinete Correa. Ela conta que a princípio, com o tempo firme, dá para fazer as fogueiras, mas em dias de vento muito forte, especialmente o vento sul, como é chamado no Espírito Santo o vento que sopra do sudoeste, a queima demora mais e necessita de um cuidado maior. “Dá para queimar em dia de vento sul também, mas aí tem que ficar virando a panela, cuidando para que o fogo pegue em todos os lados e demora mais”, explica Marinete.
A tinta que vem do mangue- Nem de longe elas questionam o uso do forno ou do torno e têm certeza de que o produto perderia em qualidade. “Quando a panela está na fogueira nós enxergamos a panela e aí dá para ver se ela já está pronta ou apresenta manchas escuras, o que significa que ainda não está no ponto para ser retirada”, diz a professora primária Rejane Correa, de 25 anos, que prefere fazer panelas, ofício que pratica desde a infância, a dar aulas.
Domingas Correa Fernandes, de 74 anos, explica que a panela feita à mão e colocada na fogueira é muito resistente. “Já vieram pessoas aqui reclamar da panela de barro, mas nós mostramos que aquela panela era feita em torno, cozida em forno e com tinta artificial. A nossa panela, além de resistente, não faz mal à saúde pois a tinta é retirada de uma casca de árvore do mangue”, orgulha-se. Para retirar a casca do mangue vermelho, lá vai seu Deco -- Deusdeth Abade de Souza --, 63 anos, sozinho em sua canoa. À medida em que o barco vai se afastando do galpão, à beira do manguezal, só fica o silêncio e um ou outro grito das garças brancas da região. “Os meus filhos falam que esse trabalho é ruim, que eu devia parar, mas eu quando estou aqui estou com Deus, só com pensamentos bons”, diz o baiano que migrou de Canavieiras, na Bahia, onde retirava a casca da mesma árvore para fazer a tinta das redes dos pescadores. “Depois que entrou o náilon não precisou mais da tinta e aí fui trabalhar com cacau, carvão e então descobri o mesmo ofício aqui”, conta Seu Deco, pai de 16 filhos.
Deusdeth Abade de Suza no mangue
Ele explica que o mangue bom para tirar a casca é o maduro e orgulha-se de respeitar as normas de proteção ambiental difundidas pelo Ibama – entre elas, não retirar mais de 25% do perímetro do tronco de cada árvore. Mas assim que entra no manguezal mostra uma árvore que não foi respeitada, já quase morta, com mais de 60% da casca retirada. Ele mostra as árvores pintadas com uma tinta azul, marcadas pelos biólogos que estudam o manguezal. “Dessa aí a gente não pode tirar a casca, pois está em estudo para ver se morre ou sobrevive. Acho que vai morrer, só que demora mais tempo”, conclui o casqueiro, movimentando-se com destreza inacreditável sobre a lama mole. Entre milhares de árvores que parecem idênticas aos olhos de quem não está acostumado a andar pelo manguezal, centenas de caranguejos e uma infinidade de mutucas famintas, ele encontra uma árvore madura. Com uma marreta de madeira vai batendo e a casca se desprende facilmente mostrando o tanino, bem vermelho. “Se está verde é ruim para as paneleiras e também para o manguezal e custa para desprender, não sai tão fácil como essa”, afirma o homem que compara as árvores do manguezal aos seres humanos. “O mangue parece com as pessoas. Tem umas pessoas que são grandes mas têm cabeça de criança. Às vezes as árvores do mangue são grandes mas o tanino é pouco, falta o tutano”, diz, dando uma boa risada.
Tânia Mara Simões do Carmo, 48, bióloga e doutora em fisiologia, que desde 1983 estuda a vegetação do manguezal, explica que estudos feitos com a Rhizophora mangle comprovaram que o teor de tanino é alto na árvore adulta, fase ideal para a retirada da casca. “O tanino é como uma proteção e vai se depositando enquanto a árvore está se desenvolvendo, mas quando ela atinge a maturidade e começa a envelhecer, o teor vai baixando”, explica Tânia Mara, desfazendo a associação romântica feita por Seu Deco.
As pesquisas lideradas pela professora Tânia verificaram que quando se retira 25% do perímetro do tronco, a árvore sobrevive e como resposta à agressão investe na reprodução da espécie, aumentando o número de brotos. “Mas o fato é que quando se retira 75% do perímetro do tronco, ela morre em pouco tempo, sem condições para reagir”, lamenta a bióloga. Para proteger o manguezal e garantir a continuidade da extração, tão importante para a tintura das panelas, a equipe de biólogos que estuda o manguezal faz um trabalho comunitário junto às paneleiras e aos casqueiros. Cabe às paneleiras não aceitar a casca de mangue verde e aos casqueiros aumentar a consciência de que o mangue não é para sempre e por isso precisa ser manejado.
Mas para essa turma, que há 2000 anos vem fazendo a mesma coisa, é difícil acreditar que o mangue ou o barro vão acabar. Para eles essa idéia é tão absurda quanto a do uso de tornos ou fornos para fazer panelas.
Dona Domingas Correa da Vitória Fernandes, 74 anos, que o diga. “Eu faço panelas desde os 12, minha filha, e nunca vi barro e nem mangue acabar. Esse barro vai durar para sempre e o mangue vai nascendo, vai crescendo”, afirma.
Além das panelas, há travessas e pratos de barro


A comida na panela- Em tese qualquer comida pode ser feita nas panelas de barro, desde feijoada, nos caldeirões, também produzidos em Goiabeiras, até um simples arroz. Mas é a moqueca capixaba -- moqueca é capixaba, o resto é peixada, como diz um velho provérbio local -- o carro-chefe da venda das panelas de barro. Simplesmente porque moqueca feita em outra panela perde a graça especial de chegar à mesa fumegante, sobre uma trempe de arame. Outra comida típica que não vive sem a panela de barro é a tradicional torta capixaba, feita a partir de uma mistura de frutos do mar, palmito e ovos. A torta é um prato obrigatório durante a Páscoa e, segundo a história, foi criada pelas escravas, a exemplo da feijoada, a partir das sobras dos alimentos das grandes fazendas. Tanto a moqueca quanto a torta levam como tempero singular o coentro e ao contrário do que ocorre na Bahia, estado que faz divisa ao norte com o Espírito Santo, não são usados leite de côco, óleo de dendê ou pimenta. O tempero da comida capixaba, suave, lembra mais o de Minas Gerais, vizinho do lado oeste e o do Rio de Janeiro, que faz divisa ao sul.
 As panelas emergentes de Guarapari- A singularidade das panelas de barro fez com que se tornassem conhecidas nacionalmente e é difícil que algum turista passe pelo Espírito Santo sem levar pelo menos uma como lembrança das férias. Enquanto as paneleiras de Goiabeiras se reúnem no galpão em ritmo de trabalho peculiar e continuam divulgando o trabalho artesanal em feiras de norte a sul do Brasil; em Guarapari, cidade que concentra o maior movimento turístico do verão capixaba, a linha de montagem ganhou adeptos e hoje o município conta com cerca de vinte fábricas de panelas. As panelas de Guarapari são feitas com um barro encontrado no município de Viana, que lembra o barro do Vale de Mulembá; passam pelo processo de torno a pé, torno elétrico e forno industrial. Segundo Laury Mindas, 38 anos, dono da fábrica Laury Panelas de Barro, a cor das panelas de Guarapari é mais escura do que a de Goaiabeiras e o acabamento é melhor, por causa do torno. A utilização de tinta artificial caiu em desuso nos últimos anos porque deixava sabor na comida e durante algum tempo as panelas chegaram ao consumidor avermelhadas, bem mais claras do que as de Goiabeiras. “Nós levamos um bom tempo para descobrir como escurecer as panelas e melhorar a impermeabilização, mas finalmente descobrimos”, conta Laury, que fabrica cerca de 150 panelas por dia. A cor mais escura, bastante parecida com a da panela artesanal, é conseguida, hoje, com a fumaça de toras de eucaliptos verdes, o retoque final antes de a panela sair do forno e chegar às mãos do consumidor.
Panelas de Goiabeiras
Panelas de Guarapari

Escolha a sua- Para os capixabas é fácil perceber as diferenças entre as duas panelas, mas para o turista desavisado pode não ser, e, para quem não quer errar na hora de comprar a panela escolhida, aí vão umas dicas: A panela de Goiabeiras é preta puxando para o vermelho e apresenta manchas tênues, enquanto a de Guarapari é preta uniformemente. A de Goiabeiras é artesanal, meio tortinha, mais gordinha aqui, mais magrinha ali; assimétrica e sua tampa tem um lugar específico que encaixa melhor. A de Guarapari tem medidas exatas, simétricas e a tampa encaixa perfeitamente de qualquer maneira. As alças das panelas e das tampas também se parecem muito, mas as de Goiabeiras novamente são mais gordinhas e assimétricas, enquanto as de Guarapari são mais magrinhas e simétricas. O preço das panelas artesanais é ligeiramente acima do cobrado pelas panelas feitas em torno.


 “Inicialmente, a ocidentalização nos países subdesenvolvidos significou industrialização – adoção da tecnologia ocidental para o desenvolvimento econômico- e tem sido ressaltado que uma nação subdesenvolvida não pode simplesmente importar a revolução industrial, desengradá-la como uma peça de maquinaria, e pô-la em movimento... Ao adotar o sistema industrial ocidental, as nações da América do Sul, da África e da Ásia viram-se constrangidas a aceitar certo grau de ocidentalização em todas as áreas de sua vida social, e na verdade até das vidas individuais dos seus habitantes.” Arnold Toynbee, Um Estudo da História, Ed. Martins Fontes




Matéria publicada na Revista do Diário Oficial de São Paulo- D.O Leitura, por Cláudia Rodrigues