Mostrando postagens com marcador iniciativas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador iniciativas. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

O Movimento das Tecnologias Não Alinhadas contra o colonialismo de dados

 


Joyce Souza e Ulisses Ali Mejias

ano de 2020 ainda não acabou, mas já é possível afirmar que este ano o Brasil caminha para uma aceleração sem precedentes da coleta de dados. Nem mesmo a crise humanitária e sanitária que o país enfrenta com a pandemia da Covid-19 foi capaz de frear as fortes e constantes investidas do governo federal para transformar o país em uma colônia de dados, eliminando todo e qualquer conhecimento acumulado em décadas em políticas públicas na área de ciência e tecnologia, nas pesquisas desenvolvidas nas Universidades de todo o país e no trabalho de pesquisadores, ativistas, hackers, makers para a consolidação de uma autonomia nacional digital. 

Em janeiro de 2020, o presidente da República, Jair Bolsonaro, assinou dois decretos, com a diferença de uma semana entre eles, incluindo a Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (DataPrev) e o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) no Programa Nacional de Desestatização (PND).   

Ambas as estatais concentram dados pessoais, que permitem a identificação precisa de milhões de brasileiros, como Cadastro de Pessoas Físicas (CPF), Carteira de Habilitação Digital, endereços, entre inúmeros outros. Privatizar e permitir que empresas tenham acessos a essas informações é tão crítico que, recentemente, a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou no estudo “A Caminho da Era Digital no Brasil” um parecer com ressalvas sobre essas privatizações e o papel crítico do acesso privado aos dados dos cidadãos brasileiros.

O processo de privatização dessas duas empresas ainda está em andamento e não se sabe como ocorrerá e qual ou quais corporações terão acessos a essa gama gigantesca de dados dos brasileiros. 

Contudo, o problema não acaba por aí. Há outras privatizações e contratações de plataformas privadas anunciadas ou já efetuadas em 2020 pelo governo federal. Uma delas é a parceria, anunciada em maio deste ano, entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTIC) e a empresa norte-americana Cisco com o objetivo de acelerar a transformação digital do Brasil e “ajudar o país a se preparar para uma nova era de hiperconectividade e economia digital, além de apoiá-lo na recuperação social e econômica, à medida que o Brasil entrar em uma nova realidade pós-pandemia”, com foco em “áreas de educação, saúde, segurança cibernética, agronegócio, segurança pública, energia e manufatura, a partir de parcerias com o setor público, indústria e academia”. Em outras palavras, a Cisco, por meio desse acordo, passará a ter não só acesso como armazenamento dos dados e registros produzidos em todas essas áreas. 

Ainda se tratando do acesso de corporações norte-americanas aos dados produzidos no Brasil, o desmonte de softwares livres e de licenças não proprietárias no governo federal avança desde 2016 e ultimamente tem se aprofundado. De acordo com um estudo que consta numa consulta pública, aberta em outubro deste ano pelo ministério da Economia, a Controladoria Geral da União (CGU) indicou que mais da metade, de um universo de 141 órgãos públicos, utilizam o sistema operacional da Microsoft (Windows 7).

Os ganhos das Big Techs

O relatório intitulado “Digital Economy Report 2019”, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), aponta que as plataformas digitais estão adotando práticas de otimização tributária que evitam o pagamento de impostos. É neste sentido que surgiram negociações no âmbito da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) para criar um novo regime tributário global para plataformas digitais que, no entanto, não avançaram devido às ameaças de retaliação tarifária por parte dos Estados Unidos, conforme observou Juan Ortiz Freuler

 Para além da questão tributária, o relatório da UNCTAD apresenta preocupações crescentes relacionadas à privacidade e segurança, democracia e ética, bem como o risco de vigilância massiva e de colonialismo digital praticados pelas plataformas, em especial, porque, segundo o estudo, os Estados Unidos e a China detêm 90% do valor de capitalização de mercado das 70 maiores plataformas digitais, ao passo que as setes maiores, a saber, Microsoft, Apple, Amazon, Alphabet (detentora da Google), Facebook, Tencent/WeChat e AliBaba, possuem dois terços desse mercado. 

Ainda de acordo com o relatório, a China e os Estados Unidos lideram todos os avanços digitais e juntos representam “75% de todas as patentes relacionadas às tecnologias de blockchain, 50% dos gastos globais na Internet das Coisas (loT) e mais de 75% do mercado mundial de computação em nuvem”.

O relatório mostra, ainda, que o modelo de negócios dessas plataformas concentra-se em coleta de dados. Os dados não têm valor econômico até serem coletados, processados e empacotados em forma de “produtos”, que serão vendidos a compradores que buscam atingir um público-alvo específico para a venda de seus produtos ou serviços. Com o indivíduo já categorizado, através do mapeamento que a plataforma fez do seu perfil, o comprador consegue melhor modular suas estratégias para atingi-lo mais rapidamente.  

 Neste cenário, a Google domina 90% do mercado de busca na internet, a Amazon um terço da atividade de varejo online e de infraestrutura de serviços de internet, o Facebook domina 66% do mercado global de mídia social e o WeChat (com 1 bilhão de usuários ativos) e a Aliplay dominam 100% do mercado de soluções de pagamento móvel do mundo.  

As plataformas criadas por essas gigantes da tecnologia produzem um ambiente social voltado para o capital, isto é, uma forma de sociabilidade que está pronta para converter nossas vidas em fontes de renda por meio dos dados, o que sugere uma nova forma de exploração, apropriação e dinâmicas de discriminação e desigualdade, que é denominada de colonialismo de dados.

Novo colonialismo, para além das riquezas naturais  

O colonialismo de dados não é uma figura de imagem ou uma mera extensão das formas históricas do colonialismo. É uma forma distinta de colonialismo, que combina as práticas de extração predatórias do colonialismo histórico com os métodos de quantificação abstrata da computação característicos do século XXI. Em outras palavras, é o colonialismo de dadosconforme apresentado na obra The Costs of Connection: How Data Is Colonizing Human Life and Appropriating It for Capitalism

Tal como o colonialismo histórico e a acumulação primitiva proporcionaram as condições prévias essenciais para a emergência do capitalismo industrial, o colonialismo de dados fornecerá as condições para uma nova etapa capitalista que ainda mal vislumbramos, mas para a qual a apropriação da vida humana através dos dados será central. 

Pode-se dizer que o colonialismo de dados não envolve um único polo de poder colonial, mas ao menos dois: Estados Unidos e China. De um lado estão os Estados Unidos e empresas como Facebook, Alphabet, Apple, Amazon e Microsoft, do outro lado está a China e empresas como WeChat, Aliplay, Alibaba, Weibo, ambos os polos com seus serviços e plataformas para angariar imensas bases de dados.

Diante deste cenário, o que podemos fazer?

Olhar para trás, criar o novo e ousar ir além

Talvez seja necessário revisitarmos a história e a criação do Movimento dos Não Alinhados na Conferência de Bandung, realizada em 1955, na Indonésia, e considerada a expressão da rebelião contra a dominação europeia. Convocada pelos cinco países do grupo de Colombo (Índia, Paquistão, Ceilão – hoje Sri Lanka -, Birmânia – hoje Mianmar – e Indonésia), a conferência reuniu os chefes de Estado ou governo de 29 países, que tinham em comum a hostilidade à opressão colonial e ao neocolonialismo e a busca pela independência política frente aos dois grandes blocos opostos durante a Guerra Fria: Estados Unidos e União Soviética. 

Embora o Movimento dos Não Alinhados não tenha tido muito sucesso, em especial, porque cada país passou a lidar com suas especificidades domésticas, circunstâncias regionais e relações com as ex-metrópoles e com as superpotências de forma individualizada, entre outras questões, ainda assim podemos aprender lições importantes para avançarmos em algo mais ambicioso.

 A urgência de um Movimento de Tecnologias Não Alinhadas

Por isso, propomos um Movimento de Tecnologias Não Alinhadas – uma aliança não necessariamente entre nações, mas entre múltiplos atores que trabalhem pelos mesmos objetivos e que unidos declarem o seu não alinhamento aos Estados Unidos e a China. 

O principal objetivo do movimento seria a transição de tecnologias que operam contra os interesses da sociedade para tecnologias que sirvam aos seus interesses. Para tal, precisamos definir o que é de interesse público quando se trata de tecnologias e como fazermos com que elas atendam a esses critérios. 

Pesquisadores, hackers, ativistas, makers e alguns membros da sociedade civil têm reunido esforços há um bom tempo para que isso aconteça. Porém, o movimento permitiria formar um consórcio global para apoiar coletivamente essas tarefas e também envolver quem quer que seja, em qualquer lugar, nessa construção. É importante ressaltar que a participação da sociedade civil global é fundamental para que as mudanças sejam efetivas, por isso unir os dispersos é um dos pilares do movimento.  

Sabemos que isso demandará tempo e que deverá permear o nosso horizonte a longo prazo. Porém, enquanto isso, como forma secundária de atuação, poderíamos promover a regulamentação e a tributação de tecnologias que não são de interesse público e criar a nacionalização dos dados para que as Big Techs sejam forçadas a pagar às nações o valor que extraem de seus cidadãos. Os impostos resultantes dessa nacionalização poderiam ser investidos diretamente em programas que beneficiem a sociedade, como saúde, educação, desenvolvimento tecnológico, entre outros.

Neste sentido, cabem aqui dois adendos importantíssimos: o bem social para o movimento está além do benefício individual e, portanto, deve-se pensar muito além da ideia de pagar aos indivíduos por seus dados. Por outro lado, apontamos a nacionalização dos dados não no sentido de transferir a propriedade mercantilizada para o Estado, mas de afirmar o controle nacional sobre um recurso extraído ilegitimamente.  

Para começar, o movimento poderia iniciar com três ações específicas: análise e decisão de quais plataformas de código aberto deveriam ser apoiadas em bloco – a ideia seria criar plataformas paralelas às oferecidas pelo eixo das Big Techs, mas sem extração e despossessão dos dados; criação de um laboratório global, que poderia ser denominado como Observatório de Algoritmos, cuja proposta seria a combinação de um projeto de ciência cidadã e de alfabetização midiática, para que seja de conhecimento geral o que são, como operam e as possíveis consequências dos algoritmos empregados por essas corporações; e, por fim, poderia instituir um protocolo para que comunidades concedessem a aprovação de tecnologias novas e existentes para que somente aquelas que não coloquem em risco os interesses da sociedade civil operassem dentro das comunidades do movimento. 

Esses pontos iniciais e as verificações subsequentes poderiam ser realizadas por um conselho múltiplo, que incluísse representantes de diferentes segmentos da sociedade. Esses conselhos deveriam operar localmente, pois cada comunidade sabe se uma determinada tecnologia vai contra seus interesses específicos. No entanto, o movimento em âmbito global favoreceria treinamentos e discussões sobre as definições dos conselhos e o modo operante. 

Teremos uma longa batalha pela frente. É preciso estarmos juntos e agirmos como um bloco, conscientes dos árduos caminhos a serem percorridos coletivamente, mas também de tudo o que juntos ganharemos. O objetivo é criarmos uma nova ordem social, de modo que mesmo indivíduos e pequenas comunidades devem ser capazes de contribuir com essa ordem.O Movimento de Tecnologias Não Alinhadas já está em marcha, conheça e se engaje.

Fonte: https://jacobin.com.br/2020/12/o-movimento-das-tecnologias-nao-alinhadas-contra-o-colonialismo-de-dados/

sábado, 9 de abril de 2016

Como os museus se abrem ao mundo pela internet



A era digital e a internet criaram uma plataforma global para a projeção dos nossos bens museológicos.

Luís Ramos Pinto | Publico

Em 2013, o New York Times perguntou a Taco Dibbits, diretor das coleções do Rijksmuseum (o museu mais visitado da Países Baixos), como é que ele se sentiria se uma imagem do Johannes Vermeer fosse impressa em papel higiénico: "Se quiserem colocar uma obra do Vermeer no seu papel higiénico, eu prefiro que a imagem seja de boa resolução", disse. Esta resposta é fruto de uma estratégia digital adotada pelo museu, da utilização de conteúdos de alta resolução e completamente livres para reutilização.

No caso do Rijksmuseum, tudo começou com o encerramento do museu para obras que duraram dez anos. Permitindo assim libertar os recursos humanos necessários para que uma grande digitalização de conteúdos fosse disponibilizada. Tendo um acervo de cerca de um milhão de peças, e espaço físico para exposição de apenas oito mil, a colocação das peças na Internet parece portanto, um passo natural para dar maior projeção às peças em acervo.

Um passo muito significativo foi dado quando em 2011 o museu decidiu que todas peças colocadas online estivessem devidamente assinaladas como estando no domínio público. Hoje em dia, já se encontram mais do que 247 mil peças no site do museu, e a ideia é de que sejam digitalizadas 40 mil peças por ano, para que a coleção possa estar disponível na íntegra. Para incentivar a reutilização das imagens, em 2013, o museu lançou uma ferramenta chamada "RijkStudio", permitindo, entre outras coisas, que os utilizadores criem exposições virtuais.

Esta estratégia tem provado ser benéfica em muitos aspetos. Primeiro, os conteúdos de alta resolução fazem com que haja menos cópias de baixa qualidade pouco fiéis na Internet. O facto de estarem no domínio público permite que as grandes plataformas, como a Wikipédia, as possam utilizar com facilidade e conscientes de que estão a operar dentro da legalidade dos direitos de propriedade intelectual. Adicionalmente, partindo do princípio de que, quantas mais vezes a peça for reutilizada, mais ligada vai estar com outros conteúdos, permitindo assim maior disseminação da mesma na Internet. E, acima de tudo, quanto mais a peça for utilizada, maior a projeção dada ao museu em termos de marketing.

O modelo de conteúdos de alta resolução de livre uso está agora a ser adotado por outros museus, como o Statens Museum Kunst na Dinamarca, que disponibilizou cerca de 160 peças em alta resolução. Em 2013, a administração dos museus estatais da Suécia (Livrustkammaren och Skoklosters slott med Stiftelsen Hallwylska museet) criou o Open Image Archive Project em que disponibilizou todos os seus conteúdos livres de restrições de propriedade intelectual, com enorme sucesso, especialmente relativamente ao uso dos mesmos na Wikipédia. Tal é a importância dos conteúdos abertos que a American Alliance Museums criou um prêmio na área da tecnologia chamado Open Culture award para os museus que melhor promovam os seus conteúdos abertamente.

Em Portugal, disponibilizaram-se, recentemente, nove peças emblemáticas em alta resolução na modalidade de domínio público através do portal de conteúdos patrimoniais financiado pela União Europeia — Europeana Collections. Este é um grande passo, pois disponibiliza obras de relevo como os Painéis de S. Vicente de Fora de Nuno Gonçalves e a Natureza Morta com Doces e Barros de Josefa de Óbidos, entre outras. No entanto, para assegurar a sustentabilidade e o acesso às mesmas, é importante que as peças se tornem também disponíveis no site dos museus, seus fiéis depositários.

A era digital e a Internet criaram uma plataforma global para a projeção dos nossos bens museológicos. Como tal, não podemos perder esta oportunidade e facilitar a acessibilidade do mundo aos seus conteúdos patrimoniais. Um pequeno grande passo seria obedecer à lei de propriedade intelectual. Segundo a lei portuguesa, a obra do artista entra no domínio público 70 anos depois da morte do autor. Porém, poucas peças de museu estão assinaladas como tal. Deve-se procurar incentivar um maior debate sobre a questão do domínio público no meio museológico, dado que na era de informação o reconhecimento do mesmo está a tornar-se cada vez mais uma boa prática museológica.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Pesquisadores compartilham estudos em defesa da 'ciência aberta'


Jean-Claude Bradley

http://noticias.terra.com.br

Aplicativos online e games são usados por cientistas para compartilhar suas descobertas e acabar com o ambiente fechado dos laboratórios


Enquanto você acessa esta reportagem, pode abrir uma outra aba no seu navegador e acompanhar os estudos antimalária do pesquisador americano Jean-Claude Bradley e seus alunos. Eles compartilham informações sobre tudo o que produzem no programa da Drexel University, na Filadélfia, que tem como objetivo desenvolver compostos orgânicos úteis para a prevenção ou para a cura dessa doença que mata mais de 1 milhão de pessoas por ano no mundo. Além de acessar as pesquisas, você também pode contribuir com mais dados, desde que se inscreva no ambiente on-line.
O pesquisador químico Bradley usa o modelo "wikis" para publicação e compartilhamento. Ele é um dos defensores e praticantes da ciência aberta, que prega a disponibilização das informações em uma rede. É o modelo oposto à pesquisa fechada em laboratórios e mais uma prática que ganha força com a cultura digital.
Uma das instituições que nasceram na esteira dessa cultura, o CreativeCommons – fundado em 2001 nos Estados Unidos com a missão de ampliar o compartilhamento e uso do conhecimento através de licenças que se opõem ao copyright (todos os direitos reservados) tem uma área exclusiva para discutir ciência. Sob a bandeira do Creative Commons Science estão as publicações da Public Library of Science (Biblioteca Pública de Ciências) e das editoras BioMed Central e Hindawi, que são oferecidas gratuitamente aos usuários. Na Public, todos os artigos publicados trazem sinopse escrita para o público não especializado. Um esforço para tornar mais acessíveis aqueles conteúdos.
A atenção do pesquisador Bradley ou dos gestores do Creative Commons, em São Francisco, ao modelo de ciência aberta não é somente uma questão ideológica. O jogo on-line Fold It, desenvolvido por pesquisadores da Universidade de Washinghton, está aí para mostrar que a abertura e a colaboração em rede podem acelerar a pesquisa e o desenvolvimento. Em 2011 o game foi notícia em todo o mundo quando os jogadores voluntários decifraram a estrutura de uma proteína retroviral que está diretamente relacionada ao vírus HIV. Até então os cientistas não sabiam como era tal estrutura, e isso impedia a projeção de outras moléculas que pudessem bloqueá-la. Foi o primeiro caso documentado de problema científico solucionado em parceria com jogadores, e publicado em periódicos como a Nature Structural & Molecular Biology.
Para criar desafios com tal potencial de colaboração com a ciência, uma equipe multidisciplinar, que envolve cientistas da computação, engenheiros e bioquímicos e soma nove pessoas trabalha incansavelmente sobre um jogo de quebra-cabeça. O pesquisador de pós-doutorado do Departamento de Bioquímica da Universidade de Washington Firas Khatib é uma delas e conta que mesmo depois de quatro anos de Fold It ainda surgem dilemas sobre até onde ir com a dinâmica de jogo. "Às vezes queremos adicionar algumas restrições, para manter as soluções do jogador o mais próximo da realidade, mas vemos que aquele caminho pode tornar o game menos divertido ou mais lento", diz ele, enfatizando que abrir a ciência para quem está fora dos laboratórios requer constantemente o exercício de ponderar sobre quais experiências serão oferecidas.
Quando a experiência "vale a pena", o público não vai embora, e segue colaborando, até que, num formato de comunidade, atingem resultados relevantes, como aconteceu com o Fold It, onde a proposta é montar e organizar estruturas de proteínas. "Sabíamos, em 2008, que não estávamos criando ali uma versão final do Fold It, que havia muito para ser aperfeiçoado, mas o que nos surpreende é ver que uma grande quantidade de jogadores que estava lá, em 2008, se mantém presente, e isso é excelente em todos os aspectos", comenta Khatib.
A cocriação por meio de ferramentas on-line é uma das formas de engajamento na ciência, mas não a única para o público não especializado. Além de fazer as vezes de cientista, pode-se também ser patrocinador de pesquisas. Plataformas de crowdfunding já apresentam projetos científicos, e de olho nesse nicho surgiu a Dodo, a primeira no mundo voltada exclusivamente para projetos genéticos e criada por brasileiros.
A iniciativa acabou de chegar à web, liderada pela Beagle Informatics, startup fundada pelo paraibano Vinicius Maracaja, PhD em bioinformática pela USP. Ele não pretende ser apenas um facilitador da ciência, mas também fomentar as práticas colaborativas para o estudo mesmo, por isso explica que outra plataforma, a NimbusGene está a caminho, e por lá todas as projetos bem-sucedidos na arrecadação coletiva do Dodo terão um espaço gratuito para armazenamento de dados e estudo colaborativo.

segunda-feira, 25 de março de 2013

Cotação da moeda virtual Bitcoin quebra novo recorde - E você, conhece o Bitcoin?



A moeda virtual Bitcoin alcançou nesta semana o valor de US$ 47,74 (R$ 94,51), o que marca um novo recorde de valorização, de acordo com reportagem do jornal espanhol El Mundo . Atualmente, o valor total de Bitcoins em circulação no mundo gira em torno de US$ 750 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão) -- resultado da multiplicação do montante de bitcoins na praça pela atual cotação do Bitcoin nosite MtGox , principal site de negociação da moeda virtual.
LEIA TAMBÉM: 

Getty Images
Com valorização forte, moeda virtual pode desafiar moedas tradicionais no futuro, dizem especialistas
O Bitcoin, moeda virtual não atrelada a governos ou bancos, foi inventado em 2009 por um programador identificado pelo pseudônimo Satoshi Nakamoto, que a chama de “primeira moeda digital descentralizada”. Ao contrário de outras moedas eletrônicas, que existiam só no universo virtual (como o Linden Dollar, do Second Life), o bitcoin é usado para comprar bens reais, como a assinatura de serviços de backup em nuvem ou eletrônicos por meio da internet.
Uma das principais características do bitcoin é o alegado anonimato dos usuários. A moeda não existe de forma palpável, cada transação é somente um código alfanumérico trocado entre quem vende e compra algo. Como não há bancos ou governos centralizando as operações, elas são praticamente impossíveis de serem rastreadas. Alguns especialistas, contudo, afirmam que uma negociação de grande valor poderia ser identificada através da triangulação de informações.
O valor de mercado do Bitcoin subiu 78% nas últimas quatro semanas, passando de US$ 26,77 em 17 de fevereiro para US$ 47,68 neste domingo (17), de acordo com o site MtGox. O motivo da valorização, segundo o El Mundo, seria a compra em massa da moeda virtual por investidores de Malta, país no Sul da Europa. A reportagem não informa qual o objetivo dos investimentos, mas sugere que a valorização possa colocar o Bitcoin em igualdade de valor a moedas reais, como o Euro.
Para conseguir comprar Bitcoins, o interessado precisa baixar um programa que funciona como carteira virtual – ou usar um similar online, em sites como InstaWallet ou MyBitcoin. Depois, já é possível correr para as prateleiras virtuais – com produtos bem reais – de lojas como Bitcoin Harborou Bitcoin Shopping.
De acordo com o El Mundo, mais de 2 mil empresas já aceitam pagamentos por meio de Bitcoins em todo o mundo. No total, cerca de 25 novos bitcoins são criados a cada 10 minutos. "O dinheiro está se reinventando. Os bancos centrais abusaram de seu monopólio ao colocar o dinheiro a serviço de fins políticos e isso a economia não perdoa", disse Thorsten Polleit, economista-chefe da Degussa, ao jornal. "Por isso as moedas virtuais são uma boa alternativa."
Bitcoin no Brasil
Desde julho de 2011, o site brasileiro MercadoBitcoin permite comprar a moeda virtual no Brasil. O valor de mercado da moeda em relação ao Real, que começou em R$ 24 para cada bitcoin, agora está há cerca de uma semana em um valor aproximado de R$ 103 -- maior do que o da cotação do Bitcoin em dólar. Segundo Leandro César, representante do site, o bitcoin é descentralizado, portanto não existe uma cotação oficial. "O preço é sensível à oferta e à procura, além da disponibilidade da moeda em sua respectiva região", afirma. 
De acordo com informações do MercadoBitcoin, atualmente existem cerca de 2,5 mil usuários brasileiros cadastrados no serviço e quase 500 operações de compra ou venda de bitcoins foram realizadas nos últimos 30 dias. O site cobra 0,75% de taxa por operação de compra e venda da moeda. Operações de compra de produtos por meio da internet em geral não são taxadas.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

A sua Internet é livre? Livre mesmo? Conheça este documentário


Freenet? é um documentário colaborativo que promove a reflexão sobre o real estado e o futuro das liberdades na Internet. Privacidade, liberdade de expressão, democracia, são apenas alguns dos temas tratados em perspectivas diversas do exercício dos direitos humanos na rede. Tudo tratado em uma produção audiovisual que contará com a participação dos maiores interessados – os internautas.
O corte final ainda não está pronto, mas a equipe já está liberando edições de algumas entrevistas de pesquisa no vídeo “Inclusão Digital?“, abaixo. O melhor: pode também copiar, compartilhar, remixar, porque está licenciado em CC-BY!
trailer e mais informações sobre o projeto podem ser encontrados no site oficial do documentário, http://freenetfilm.org/. Se quiser colaborar com vídeos ou qualquer conteúdo para o documentário, é só postar diretamente no mural da página do Freenet? no Facebook, aqui:https://www.facebook.com/FreenetFilm.