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Mostrando postagens com o rótulo crise no ar

Jobim foi boa escolha para a Defesa

Waldir Pires fez o que este blog aconselhou: pegou o seu banquinho e saiu de mansinho. Um pouco tarde, é bem verdade. A escolha do presidente Lula para o substituto não chega a surpreender e tem várias vantagens. Primeiro, Nelson Jobim é um homem com excelente trânsito no tucanato. Isto deve ajudar a serenar os ânimos e evitar a politização da crise aérea. Jobim possuiu os requisitos básicos para assumir a Defesa: é experiente - já presidiu um ninho de cobras chamado Supremo Tribunal Federa e foi ministro da Justiça na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Com este perfil, portanto, terá comando sobre as três Forças Armadas e boa capacidade de enfrentar os lobistas das companhias aéreas. Além de todos esses fatores, Jobim é um homem ambicioso. O desafio da crise aérea é grande, mas se o ministro conseguir solucioná-lo, vai se tornar um candidato fortíssimo à sucessão de Lula, pelo PMDB. Não depende só dele, mas a verdade é que a faca e o queijo estão nas mãos de Nelson Jobim.

Sai daí, Waldir

Quando caiu o avião da Gol, no ano passado, este blog recomendou vivamente a demissão do ministro da Defesa, Waldir Pires. Basta uma busca no Google ou mesmo um clique nos arquivos destas Entrelinhas para ler a recomendação, que continua a mesma. Waldir Pires é um homem honesto, honrado e competente, mas está no lugar errado, no momento errado. O presidente Lula tem razão em evitar queimá-lo, jogando o experiente Waldir às feras da mídia e da opinião pública como uma espécie de bode expiatório da crise. Cabe ao ministro pegar o seu banquinho e sair o quanto antes, porque a situação, que já era insustentável lá atrás, agora ficou chegou a um ponto em que nenhuma outra ação faz sentido. Vamos ser claros: Waldir não é o culpado pela crise, mas perdeu de tal forma a autoridade no ministério da Defesa que já não é mais um ministro de fato. Teria sido muito melhor se ele tivesse saído antes, mas Lula quis preservá-lo e a situação só piorou. Agora, não dá mais. Ou o presidente coloca no min...

Devagar com o andor...

Muitos analistas, no calor da hora, têm escrito que o acidente com o Airbus da TAM em Congonhas é um fato político de conseqüências demolidoras para o governo Lula, que sairia arranhado do episódio ainda que a culpa pelo acidente seja da própria companhia aérea ou mesmo do piloto. Este blog não tem dúvidas de que uma tragédia deste porte afeta, sim, a popularidade do governo, mas avalia que as afirmações dos afoitos jornalistas e cientistas políticos não passam de chute. É possível que Congonhas vire um assunto das eleições municipais de 2008, mas nem isto é líquido e certo. A pauta de 2010 só Deus sabe qual será e se a crise aérea tiver sido solucionada até lá, é provável que ninguém toque no assunto. A mídia alinhada aos tucanos anda um tanto eufórica, mais até do que os líderes desses partidos. É do jogo, mas o resultado deste tipo de "campanha" pode ser o mesmo do gesto infeliz do assessor Marco Aurélio Garcia: se não tiverem cuidado, o feitiço vira contra o feiticeiro, p...

Uma análise técnica do acidente

Vale a pena ler o que escreve Fernando Rodrigues, colunista da Folha , sobre o acidente. A direita babona adoraria que os defeitos na pistas fossem a causa da tragédia. Talvez não seja bem este o caso... Avião tocou no ponto correto da pista e continuou em linha reta e alta velocidade O comandante da FAB (Força Aérea Brasileira), Juniti Saito, recebeu informações dos funcionários da torre de controle do aeroporto de Congonhas atestando que o Airbus A-320 da TAM tocou a pista no local correto ao tentar aterrissar. Por alguma razão, disseram os funcionários, o avião continuou em alta velocidade. Esse dado terá de ser confirmado pela caixa-preta da aeronave. Tocar o solo no local correto numa aterrissagem é o primeiro requisito para que a operação seja bem sucedida. Em seguida, o piloto deve empreender as ações necessárias para frear o equipamento. Ainda não se sabe a razão pela qual a velocidade não foi reduzida o tanto necessário. Essa é a primeira informação técnica disponível, por enq...

Surfando em cadáveres

Os blogs de direita estão adorando a tragédia de Congonhas e já acusam o presidente Lula por cada uma das mortes que ainda nem sequer foram confirmadas. É do jogo. Nessas horas, as pessoas revelam o seu caráter. PS: Um leitor escreve perguntando que blogs são esses. Ora, os de sempre. O do Reinaldo Azevedo, por exemplo, foi um dos primeiros a politizar a tragédia. Aguardem o próximo comentário do Diogo Mainardi e a próxima Veja . A direita está alegre como nunca, brindando à tragédia. Chega a dar engulhos.

A bruxa está solta

O acidente com avião da TAM em Congonhas, São Paulo, já entrou no rol das grandes tragédias da aviação mundial. A julgar pelas imagens, as chances de sobreviventes é remota. A obra da pista de Congonhas, recém-reformada, e a direção da Infraero serão duramente questionadas nos próximos dias. A crise, que estava amainando, voltará com toda força.

Jorge Rodini: pane no PAC

Em mais uma colaboração para essas Entrelinhas, o engenheiro Jorge Rodini, diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, comenta a crise aérea e relaciona os problemas com os controladores de vôo ao Plano de Aceleração do Crescimento lançado pelo presidente Lula no começo deste ano. A seguir, a íntegra do texto de Rodini: Voar é ir, é voltar... para os braços da amada, para os laços do trabalho, para a brisa do lazer. No Brasil, voar sempre foi para poucos. Uma pequena elite que dependia da pontualidade, da qualidade dos serviços de bordo e da segurança das aeronaves. Tenho voado com alguma frequência. Temos tido que nos deslocar com antecedência para chegar muito mais tarde que o previsto. Ficamos circulando pelos aeroportos deste Brasil, tal cães sem dono. As informações imprecisas, quando existem, servem para gerar mais irritação. Imagino quanto dinheiro está sendo desperdiçado... Quantas preciosas horas de trabalho, de descanso, de lazer, de amor fomos obrigados a jogar no lix...

Lula garante que Waldir Pires fica e Veja
diz que Jobim é nome cotado para a Defesa

Está em todas as agências de notícia a informação de que o presidente Lula garantiu a permanência de Waldir Pires no comando da pasta da Defesa. O colunista Lauro Jardim, da revista Veja , porém, afirma que é forte a especulação em Brasília sobre a nomeação de Nelson Jobim para o cargo de Pires. Pode tanto ser uma boa informação como uma plantação, inclusive destinada a "queimar" Jobim. Outra conversa que circulou nos bastidores era de que o presidente estava, antes da crise, inclinado a nomear o senador Edison Lobão (DEM-MA) para a vaga. Lobão se mudaria para o PMDB e assumiria o cargo na cota do senador José Sarney (PMDB-AP), a quem Lobão deve obediência cega. O problema foi que o TSE dificultou a saída do senador Democrata para o PMDB. Neste caso, se non è vero, è bene trovato , como diriam os italianos.

Imagem que vale mil palavras

Já está no blog do Noblat, mas não dá para não reproduzir. A foto é do genial Orlando Britto e mostra direitinho por que o ministro Waldir Pires ainda não caiu.

Waldir pode pedir para sair

O boato da hora em Brasília dá conta da saída de Waldir Pires (PT-BA) do cargo de ministro da Defesa. O presidente Lula não quer demitir o velho companheiro no meio da crise – isto significaria a humilhação pública de um veterano das lutas pela redemocratização do País nos anos 70. No entanto, a única solução para uma rápida rearrumação da pasta da Defesa é a saída de Waldir, de sorte que ou ele pede demissão, ou deixa o presidente em má situação. Espanta que ele ainda não tenha percebido a situação.

Crise aérea é o batismo de Lula no Poder

É verdade que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já superou crises graves no seu primeiro mandato, mas também é certo que se tratavam de problemas políticos – casos Valdomiro, mensalão e Francenildo –, e política é o ponto forte do presidente. Lula, talvez melhor do que ninguém neste país, como ele mesmo poderia dizer, sabe agir de forma a minimizar os danos à sua imagem e maximizar a postura de líder compreensivo e magnânimo, que pega muito bem na população, especialmente entre os mais pobres. A crise aérea em curso, porém, deve requerer do presidente algo mais do que o faro de sindicalista treinado para negociações. O problema que Lula está enfrentando exige, além, obviamente, do senso político para estabelecer uma boa negociação, uma postura de comandante supremo da Nação. Para ser mais claro, exige que o presidente saiba mandar – nos ministros militares, por um lado, e nos sargentos que paralisaram os céus do país na sexta-feira. No fundo, o atual episódio é uma espécie de bati...

Ainda sobre a crise aérea

Vale a pena ler a nota abaixo, do blog do jornalista Mino Carta, que de certa forma corrobora o que foi escrito neste blog. Mino, porém, vai além: Sem condição de decolar Ah, a rebelião dos sargentos... Mais, muito mais que o enredo do apagão aéreo, enésimo ato da tragicomedia brasileira, convoca a atenção minha e dos meus botões o comportamento da mídia nativa em relação às mais recentes decisões do presidente Lula. Não digo que me espante, ou que me surpreenda de leve, ou que me cause alguma perplexidade. Está claro que não. A mídia nativa é personagem de primeiríssimo plano na tragicomédia brasileira. Tocha e cordas, pratico a espeleologia interior, intima, pessoal. Que sinto neste momento? Talvez uma espécie de melancolia cívica ao constatar que, de verdade, o País não tem a mais pálida condição de decolar. Não são os aviões, é o Brasil, entregue a esta chamada elite, a esses donos do poder que nunca se põem, igual a sol eterno. O editorial do Estadão de hoje, por exemplo, tem a ...

O tamanho real da crise

Há muita gente por aí tentando aumentar o tamanho da crise envolvendo os controladores aéreos e o governo federal. Evidentemente, existe um problema concreto, visto que na sexta-feira os controladores pararam o país, mas não há uma crise institucional nem quebra de hierarquia militar, uma vez que o presidente da República é ele mesmo o comandante em chefe das Forças Armadas e foi dele a ordem para negociar com os controladores. O comandante da Aeronáutica, é bem verdade, foi desautorizado pelo presidente, o que vai provocar um certo estresse nas relações entre o comando civil da República e os militares, especialmente os da velha guarda, a maioria hoje curtindo a aposentadoria, mas ainda com alguma influência sobre o pessoal da ativa. De toda maneira, quebra de hierarquia não pode ter havido – pelo contrário, se o presidente tivesse sido desobedecido em suas ordens, aí sim, essa situação teria se configurado. Também não há uma crise institucional porque os fatos estão ocorrendo dentro ...

Crise aérea: na próxima eleição,
ninguém mais vai lembrar do assunto

Já há vários analistas afirmando categoricamente que o presidente Lula teria perdido as eleições se a crise aérea tivesse ocorrido em outubro. Pode até ser, mas basta pensar um pouco para perceber o exagero de tal hipótese. Em primeiro lugar, porque a grande maioria dos brasileiros diretamente afetados pela crise provavelmente já votaria mesmo em Geraldo Alckmin. O resultado, desta forma, seria pouco alterado. E em segundo lugar, é preciso levar em consideração o caráter efêmero da crise. Tão logo ela seja debelada – e isto é questão de negociação, uma vez que o que está a se passar é decididamente uma greve branca dos controladores de vôo –, a verdadeira histeria que se vê hoje na imprensa vai sumir em questão de dias. E na próxima eleição, em 2008, é provável que ninguém mais se lembre do tal "apagão aéreo", salvo o pessoal que foi diretamente afetado pelos transtornos decorrentes dos atrasos e cancelamentos dos vôos. Lula sabe de tudo isto e, com sua experiência de líder...

Uma questão de autoridade

Vale a pena ler a história abaixo, relatada pelo jornalista Sebastião Nery em sua coluna diária que sai em vários jornais do País, inclusive no DCI . É uma história divertida e muito pertinente para esses tempos de descontroladores e descontrolados... Uma semana depois de Jânio Quadros e João Goulart tomarem posse na Presidência e vice-Presidência da República em 31 de janeiro de 1961, o jornalista Raul Ryff, secretário de imprensa de Jango, ligou para o jornalista José Aparecido de Oliveira, secretário particular de Jânio: — Aparecido, durante o governo do Juscelino, o Jango, como vice-presidente, sempre teve um avião da FAB à disposição. Agora, no governo do Jânio, o ministro Grun Moss, da Aeronáutica, tirou o avião do vice-presidente. Acontece que ele está esperando a mãe, que chega ao Rio às 17 horas, e depois não haverá mais nenhum avião de carreira para Brasília. E ele tem uma reunião com as bancadas do PTB, em Brasília, à noite. Você poderia conseguir um avião para levar o vice-...