Mostrando postagens com marcador CoisasDeMae. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CoisasDeMae. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, janeiro 4

De que cor queres pintar a tua maternidade?

 

Se, em tempos, se pintava a maternidade de cor-de-rosa, e se vendiam fórmulas incríveis para ter filhos perfeitos, hoje em dia tenho a ligeira sensação de que se quer partilhar a maternidade como sendo um bocadinho mais difícil (usando uma linguagem simpática).

Virou trend dizer que a maternidade não é assim tão fácil, que é desafiante, que é exigente, que tem isto ou aquilo de dificuldade, contrapondo qualquer lado positivo. O que isso nos traz? Uma mudança de paradigma, ou seja, de perspetiva. Automaticamente, focamos nessas exigências e esquecemos que a maternidade pode sim ser cor-de-rosa. Porque não?

 

No meio do meu processo de descoberta e desenvolvimento pessoal dei por mim, muitas vezes, a aceitar que a dificuldade faz parte da maternidade. Não existem dois dias iguais. Não existem filhos perfeitos. Não existem mães sobrenaturais. Blá, Blá, Blá…Mas o que me afetou seriamente foi quando percebi que tinha deixado de tentar de encontrar a solução, porque estava apenas focada em aceitar cada desafio como o novo normal.

Talvez porque seja teimosa, comecei a refletir sobre isso e percebi que o que existem são “realidades” diferentes. E é cada uma dessas realidades que vai decidir se a maternidade é mais ou menos “cor-de-rosa”, mais ou menos “exigente”. E essa realidade somos nós que a criamos, com base naquilo que defendemos, na forma como a encaramos.

 

Com o aumento das partilhas e de conteúdo sobre a “vida real”, somos inundados com histórias, muitas vezes defendidas como se fossem a missão que veio para transformar o mundo e acordar os mais sonhadores. No meio disto, deixamo-nos, tantas vezes, contaminar pela visão dos outros. Quer queiramos quer não, passamos a olhar para a nossa maternidade com o olhar da outra mãe. Preocupamo-nos com assuntos que nem são nossos. E, muitas vezes, sem percebermos, levamos para a nossa vida algo a mais, que não nos pertence. E isso, de forma mais ou menos consciente, impacta a nossa postura, expetativa, perspetiva, comportamento e até os nossos sentimentos em relação a nós mesmas, enquanto mães e em relação à maternidade em geral.

 

Se há uns anos, lutávamos todos (os que éramos pais) para tornarmos o nosso dia-a-dia mais “perfeito”, hoje em dia, parece que ninguém quer mais saber. Afinal a maternidade é exigente, por sinal. Caímos no oposto de permitir que cada dia seja imperfeito. E, desculpem-me os mais sensíveis, não tem que ser tão assim.

Partindo do pressuposto que tanto a perfeição como a imperfeição não existem, escrevo estes termos apenas como meras expressões, subjetivas, consoante o ponto de vista de cada um.

 

O que procuram vocês para o vosso dia? Procuram dar o vosso melhor? Ou aceitar que nunca será “perfeito”?

Procuram tentar práticas que resultem melhor? Ou assumir que nunca as encontrarão?

Procuram soluções para os desafios e imprevistos que surgem, por vezes, diariamente? Ou estão focados no problema, sabendo de antemão que não há solução?

O facto de se partilharam tantas experiências diferentes de maternidade pode conduzir-nos a perspetivas diferentes daquela que é a nossa. E isso pode tornar-se meio confuso. Chegamos a um ponto que não sabemos mais se estamos a viver de acordo com os nossos princípios ou de acordo com os princípios das outras mães.

 

Eu sou o tipo de mãe que tenta dar o melhor. Sou aquela que tenta olhar para o lado positivo e, quando deparo um aspeto menos positivo tento encontrar a solução. Ou adaptar, ou remediar a situação. Não sou de todo uma mãe conformista. Apesar de, por algum tempo, ter “entrado” por esse campo. Esta experiência não é assim tão linear, mas dei por mim a dizer para mim mesma “deixa lá, é normal. Deixa lá, é sempre assim. Deixa lá…” Mas não foi nesse deixa lá porque a maternidade não é perfeita, que as coisas funcionaram melhor.

E foi aí que, em reflexão, fui percebendo que também eu estava a ficar contaminada pelo “excesso de informação”, tanta dela descartável, assente em princípios do nada, mas que quando partilhada com convicção e em tanta quantidade nos leva a acreditar que isso é a verdade.

Se assim é, olhem, eu prefiro andar enganada. E prefiro optar por uma maternidade onde irei lutar pelo seu lado cor-de-rosa.

Cada um pinta a sua vida da cor que quer. Isso tem a ver com o foco e atenção que dá ao que está ao seu redor. Hoje, eu escolho dar o meu melhor. E amanhã também. E escolho, acima de tudo, focar nas coisas boas e ignorar as restantes.

Escolho não aceitar que todos os dias serão “normalzinhos” e se existir um “perfeito” é normal. Eu prefiro o oposto, prefiro lutar por dias “perfeitos” e se existir um difícil é porque é normal.

Para este ano, decidi ser cada vez mais eu, decidi que irei ignorar um bocadinho mais que o ano anterior o que se passa pelo mundo. Há muito ruído pelas redes sociais. Eu não quero ser alimentada por ele. Posto isto, a intenção é falar sobre a maternidade segundo aquilo em que acredito, o que defendo como sendo o real, trazendo uma parte de experiência pessoal, outra parte profissional e claro, uma parte de teoria por detrás de tudo isso. Por outras palavras, irei tentar partilhar aquilo que eu chamo o meio-termo. É aí que tento viver. (Apesar de saber que isso não é nada comercial.)

Não há maternidades perfeitas. Nem há maternidades imperfeitas. A maternidade está nos pais. E na forma como a encaramos. Como a pretendem encarar durante este ano? Focando e aceitando os desafios? Ou alimentando dias cada vez melhores?

Podemos tudo. Afinal de contas, a maternidade parte dos pais.

 


Espero que este post faça sentido. Talvez em vídeo ficasse mais fácil transmitir a ideia. Mas a esta hora, o outfit é o pijama, por isso, achei que ficava mal. J

segunda-feira, janeiro 31

A auto estima começa dentro de ti!


Hoje trago um post sobre auto estima. Não um post científico ou baseado na literacia sobre o tema, mas um relato pessoal.

Comecemos de forma crua, direta e resumida. Sempre fui uma pessoa com baixa auto estima. Acreditava que todos eram melhores do que eu. Afinal, tantas vezes o disseram mesmo à minha frente. Eu sempre fui aquela que passava despercebida e que nunca se destacou em coisa alguma. Cresci a sentir-me inferior. E como qualquer jovem que se preze (brincadeira claro), o que via ao espelho não me agradava. A primeira coisa a detestar foram as pernas, os joelhos marcados de cicatrizes (escuzam de reparar), depois foram as ancas, que a meu ver cresciam mais do que deviam (nunca entendi muito bem as curvas das mulheres), depois as mamas, menos volumosas do que as das outras raparigas. Depois o rosto. Tinha a boca pequena, os dentes tortos, enfim. Toda eu era feia. Não que agora seja bonita. Mas a perspectiva mudou. E é sobre ela que vamos falar.

Na imagem apresento duas fotos. Tendencialmente, a sociedade faz-nos acreditar que a foto da direita corresponde a alguém feliz, mais confiante, com uma auto estima maior. E eu acreditava nisso, também. Acreditava que precisava estar sempre bem, parecer sempre "bonita", para que a minha auto estima pudesse aumentar. Quanta barbaridade!
Porque foi precisamente quando me passei a aceitar tal e qual estou na foto da esquerda que o meu trabalho com a minha auto estima começou.

Depois da Estrela nascer (não é novidade aqui, já o contei várias vezes) passei por muitos desafios. Estava na fase mais feliz da minha vida, mas a vida lá está, sabe o que faz (diz-nos a Catarina Beato e bem), e decidiu quis trazer-me algumas lições. Colocou-me dificuldades para que eu pudesse parar e trabalhar uma parte que estava a faltar.

Conseguia compreender e valorizar o mundo inteiro mas não era capaz de o fazer comigo. Queria mais, queria estar sempre bem. Queria parecer bem, talvez, mesmo que inconsientemente, porque fora assim que outrora a sociedade me ensinou. Tinha que ser tudo e mesmo assim estar impecável porque senão não seria ninguém e quem não se apruma não tem auto estima alguma (ainda dizem por aí).
Com os desafios fui aprendendo que não é uma roupa ou maquilhagem que me irão acrescentar valor. O que fazia ou faço com o que sou e sei, o que sou e faço para com os outros é que me fazem ter mais ou menos valor.

A auto estima começa aí. Começa no momento em que aprendemos a olhar para dentro e a perceber que temos valor para além do que a sociedade impõe como "mulher auto confiante". Perdi anos a aprender sobre maquilhagem, a tentar escolher o melhor outfit (e nunca cheguei a aprender de verdade) porque nada me satisfazia por completo. A auto estima e a confiança que nos faz gostar do que vemos ao espelho não está à venda... Está dentro de nós.

Dizem que os três pilares da auto estima são o auto conceito, o amor próprio e a auto confiança. Quando teremos os três presentes dentro de nós?
Quando nos maquilhamos? Quando nos vestimos bem? Quando usamos acessórios da moda? Ou quando somos capazes de olhar para o que somos ao invés do que aparentamos ser?

A sociedade tem ainda um longo caminho a percorrer neste sentido. A sociedade tirou, a tantas de nós, a auto estima necessária para seguir em frente. Porque foi a sociedade que nos induziu o conceito errado. A moda, a televisão e sim, também agora as redes sociais, lançaram ideias que ainda hoje se perpetuam. Julgamos uma pessoa com base na sua aparência e relacionamo-nos com ela a partir desse julgamento.
Mas existem tantas mulheres que quando lavam o rosto choram amargamente por falta de auto estima, de amor próprio, de confiança em si mesmas. E há outras tantas que não precisam de maquilhagem nenhuma para arrasar e chegarem onde querem chegar.

A auto estima não está no que eu e tu vemos. A auto estima pode até ser camuflada, mas quem não a trabalha sofre sozinha porque não tem coragem de assumir que tudo o que mostra é de fachada.

A auto estima trabalha-se. Como quase tudo na vida, é possível construí-la.
Não esperem que os outros julgem a vossa auto estima e o vosso valor com base no que está à vista. Aprendam a reconhecê-la no que ninguém vê. Porque quando o fizerem passarão a ser capazes de ignorar os julgamentos alheios e tudo ficará mais leve.

Eu ainda não sou a pessoa com uma auto estima solidificada, mas estou a trabalhar para isso como sempre o fiz. O primeiro passo é sair da zona de conforto e questionar PORQUÊ?

Porque eu quero sentir-me melhor. E vocês?
Sempre foram pessoas com uma grande auto estima ou também a estão a trabalhar para ela?



quarta-feira, janeiro 5

Como preparar as crianças para o ano novo?


Com coisas simples. Com otimismo. Com contemplação. Reforçando bons hábitos, retificando os que não se coadunam com a vossa fase de vida e implementando novos hábitos.

O valor das fases do ano são ensinadas às crianças desde cedo. Os hábitos e tradições que farão parte da sua vida adulta, aqueles que as marcarão pelo seu valor e poder, começam a construir-se antes de lá chegarem.

Por cá, desde o tempo em que o Gabi tinha a idade da Estrela, eu iniciei algumas rotinas. E todos os anos renovamos cada uma e adaptamos à forma que me parece funcionar melhor para a nossa fase de vida em que nos encontramos. Sendo eu a responsável por assegurar que essas rotinas se cumpram, adapto e ajusto mediante a capacidade e interesses deles, mas também mediante a minha capacidade (seja em termos de tempo ou finanças) para as assegurar.

À semelhança dos outros anos, há duas coisas que farão parte deste ano:

- A CALENDÁRIO MENSAL, no qual identificaremos os eventos. A Estrela desenha o que irá acontecer no dia respectivo. O Gabi usa o mesmo calendário que nós.

- A AGENDA ANUAL. Semanalmente revemos o que aconteceu e descrevemos alguns pontos, como se um diário se tratasse. Sei que esta parte é mais difícil de cumprir. Por vezes, sou eu que escrevo nas agendas deles. Outras não temos sequer oportunidade de o fazer. Mas todos os anos temos tentado manter o registo do que é possível. Acredito que um dia eles darão valor. E recordarão muitas histórias que pelo caminho ficarão esquecidas.
Isso inclui piadas, curiosidades, atualizações sobre quem eles eram naquela fase.

E por aí, o que costumam usar para marcar o novo ano com os mais novos? Para lhes ensinar sobre ciclos de vida? Contem-me tudo, pode ser que façam algo que eu também precise de adotar 😄 (Ainda vou a tempo de começar algo novo para este ano ☺)



terça-feira, agosto 11

De vez em quando, o meu mundo pára, só para os contemplar.

 De vez em quando, o meu mundo pára, só para os contemplar.

Fico ali com cara de boba a observar. Esqueço o tempo e os afazeres e observo-os com todo o carinho e dedicação.

Adoro escutar o riso do Gabi e as gargalhadas da Estrela quando brincam juntos. Adoro escutá-los a dividirem trechos de frases que eles próprios inventam, e para as quais acham a maior piada.

Adoro olhar para eles e ver em cada um deles o amor e o carinho que sentem um pelo outro. Os olhos do Gabi transbordam amor e proteção, os da Estrela carinho e uma enorme admiração!

Há dias em que se cansam, é normal. Mas todos os dias dão um sinal de amor pelo outro. Todos os dias são felizes por fazerem parte da vida do outro.

E eu fico tão, mas tão feliz por sentir nas suas ações esse amor.

Eles são companheiros. Hoje dividem as brincadeiras e as asneiras.

Podem cansar um do outro, precisar de um bocadinho a sós. Mas, nenhum dos dois pode ver o outro triste. O Gabi vai logo a correr, dar o colo e um brinquedo. A Estrela vai logo a correr, fazer miminhos e dar beijinhos.

É linda esta relação. Tem ocorrido de forma muito natural.

Se há algo que a quarentena deu a todos nós foi a possibilidade de compartilhar mais e mais momentos assim, foi a possibilidade de amadurecerem e alimentarem esta relação sem pressas ou corridas matinais. Deu-nos a possibilidade de dias e dias de pequenos-almoços demorados, de segredos e corridas que só eles compreendem.

E a nós, a possibilidade de os contemplar uma e outra vez, dias e dias seguidos.

Se há coisas que poderei agradecer a esta quarentena, esta será uma delas. Sem dúvida. Obrigada vida por mais esta oportunidade.



segunda-feira, agosto 10

Tinha 21 anos...

Tinha 21 anos quando engravidei pela primeira vez.

Tinha acabado de sair de casa para lutar por tudo aquilo que acreditava. Levava na bagagem a experiência de vida, a resiliência, a esperança e a força de viver. Levava na bagagem o amor, os sonhos e a fé de que com amor somos capazes de conquistar o mundo.

Levava a dúvida e o medo do amanhã, mas a esperança de viver uma vida sem imposições, de descobrir o verdadeiro significado da palavra “viver”.

Mas, sábia como é a vida, pouco tempo depois, engravidei. E foi aí, que pela primeira vez, percebi que nada acontece por acaso. Que em cada acaso há uma lição. E, nesse momento, eu percebi que nunca seria livre de verdade. Mas foi precisamente nesse momento que comecei a aprender, de verdade, o que é viver.

Percebi que o sonho ou a ilusão de viver uma vida longe de imposições, sem horários ou restrições nunca chegaria. Percebi que a minha missão de vida começara ali. Seria mãe e, mais do que em qualquer outro momento da minha vida, eu precisava de me reajustar, de me adaptar e entregar a algo novo. Teria em mãos alguém ainda mais importante do que eu para cuidar, para amar, para depositar tudo aquilo em que acreditava.

O Gabriel nasceu para me dar uma família. O Gabriel nasceu para me fazer ser o pilar de uma. Quando me tornei mãe, pude sentir na pele o que é isto de cuidar de alguém. E foi tão bom. Pela primeira vez na vida tive a confirmação de que nunca tinha estado errada. Pela primeira vez na vida, a vida deu-me razão.

Se, por um lado, a ilusão outrora perdida, de ser “livre” neste mundo caiu por terra; por outro, ganhei a minha própria família. A vida deu-me como presente alguém para que nunca me sentisse sozinha.

Foi das aprendizagens mais especiais de todas. Acredito que nada acontece por acaso, que tudo tem o tempo certo para acontecer. E o Gabriel não podia ter vindo numa altura melhor.

Dizem, por aí, que os melhores planos surgem sem planos. Talvez tenham razão… 



quinta-feira, agosto 6

Amamentar dói?

Esta semana comemora-se a Semana Mundial do Aleitamento Materno e queria trazer o assunto até vós. Apesar de, neste momento, não amamentar (falaremos sobre isto em breve) tive a oportunidade de amamentar durante mais de 3 anos.

Amamentar é uma experiência incrível. Os seus benefícios começam a ser do conhecimento de todos mas as suas implicações no dia-a-dia de uma mãe, talvez ainda não.

Amamentei porque queria, porque desejei mais do que tudo que essa seria uma experiência pela qual deveria passar. Queria ter e dar a oportunidade de experimentar algo que não tive oportunidade com o Gabi.

O Gabriel foi amamentado até aos 4 meses. Na altura, introduzimos o leite adaptado e gradualmente deixei de produzir leite para lhe dar. Não sabia nada de nada sobre o assunto. Não tinha apoio nem conselhos para que a amamentação pudesse continuar. Encarei de forma natural. Mas quando descobri o motivo pelo qual ficara sem leite, foi como que um choque. Foi injusto. Foi cruel para ambos, porque eu tinha tanto leite e de repente perdi tudo. Tinha perdido a oportunidade de nutrir o Gabi, de lhe poder dar alimento por mais tempo e não soube de nada.

Com a Estrela comecei a ler sobre o assunto, a pedir informações e decidi que seria diferente. E assim foi. Foi uma experiência maravilhosa, incrível.

Apesar de guardar a experiência como muito valiosa, não foi um mar de rosas. Houve fases espetaculares, e houve fases bem desgastantes, durante as quais questionei se faria ou não sentido continuar.

Na memória ficam, maioritariamente, as coisas boas. Mas, recordo algumas dificuldades como as maiores de todas.

- Nos primeiros dias, os meus peitos ficaram em ferida e muito sensíveis. Doíam tanto mas tanto, que eu contorcia-me e fechava os olhos para tentar apaziguar a dor. Não memorizei a dor, mas lembro-me disto e do quão difícil foi para o meu marido ver-me assim, a sofrer pela dor. Mas eu sabia que seriam apenas uns dias e tudo ficaria bem. Claro que, nos primeiros dias, amamentava em livre demanda, o que talvez chegasse a cerca de 10-12 mamadas diárias (?). Entre 10 a 12 vezes por dia eu via o céu a ficar escuro, respirava fundo e passava. Apenas as primeiras puxadas fazem doer. Depois tudo estabiliza.

- Nos primeiros meses, ui, os primeiros meses. O pânico que eu tinha das pesagem. Tinha um medo tão grande que a Estrelinha não aumentasse de peso. Tive este medo muito presente até aos 4 meses. Inconscientemente, por muito que me tentasse e me tentassem convencer de que a Estrela estava bem, eu tinha receio de perder o leite. Com o Gabi deixei de amamentar aos 4 meses e sabia que, chegando lá, tinha tudo para dar certo. Era aquela meta que não tinha sido ultrapassada pela primeira vez. Apesar da Estrela estar a engordar tão mas tão bem que, coitada, mal se via o pescoço, eu tinha mesmo medo.

- Depois dos 4 meses, eu sabia que seria capaz de chegar mais longe. Chegamos aos 6 meses com facilidade. Mas, condicionadas porque entretanto adoecera. Obriguei-me a não fazer medicação e, mais tarde, a aceitar apenas medicações que fossem compatíveis com a amamentação.

- A última dificuldade que recordo foram as fases de privação de sono. Aquela necessidade de me manter em vigília, de cuidar de duas crianças, de tentar trabalhar, de tentar dar conta de tudo a que me impunha foram, talvez, a única sensação que irei guardar para sempre.

- Mas, com muitas histórias pelo meio (um dia destes conto tudo), chegamos aos 3 anos de maminha. A pediatra tinha dito uma vez, em tom de brincadeira, que quem amamenta até aos 2 está preparada porque vai amamentar até aos 3. E verdade seja dita, assim foi.

- Passei por 2 trabalhos diferentes entre o 1 e o 3 ano de vida da Estrela. E lá nos fomos tentando organizar. À medida que o tempo corre, vamos encontrando um jeito de tornar as coisas mais simples para todos.

Mas, mães, se vocês também amamentaram (ou ainda amamentam), sejamos sinceras: amamentar é maravilhoso, mas há fases que doem. E doem mais na alma do que no próprio corpo. Talvez doam mais pelo cansaço mental e pela ansiedade que nos gera do que propriamente pelo facto de estarmos a amamentar. Porque isso é inexplicavelmente maravilhoso. Mas aquela dicotomia que se prende entre a vontade gigante de continuar e ao mesmo tempo pelo medo de colapsar é terrível.

Se vocês estão a amamentar e, por vezes, sentem-se cansadas ou exaustas; se pensam em desistir; se acham não serem capazes, só vos posso deixar um conselho: alinhem o coração ao pensamento e tomem a melhor decisão para ambos. Deixar de amamentar é daquelas decisões que só se toma uma vez. Por isso, façam-no com consciência para que possam ficar bem resolvidas com essa decisão. A maternidade é toda ela complexa. Nada melhor do que mantermos a consciência tranquila de que fizemos o nosso melhor.

E vocês, qual foram as maiores dificuldades que sentiram durante a amamentação? Quais as coisas que aconteceram para as quais não estavam preparadas?




quarta-feira, agosto 5

Quando te tornas mãe…

Quando te tornas mãe percebes uma quantidade gigantesca de coisas.

Uma delas é sobre o verdadeiro significado da vida. Ao receber o teu bebé no colo, percebes e contemplas o teu poder, pela primeira vez. O teu poder enquanto mulher.

Percebes que o teu poder vai muito além de seres “alguém” dentro de uma empresa, de seres reconhecida, de ouvires elogios aqui ou ali. O teu poder está na capacidade de gerar uma vida! Uma vida, do nada! Haverá poder maior do que este?

Aos poucos, vais percebendo que o teu poder reside, também, na capacidade intrínseca de amar alguém muito mais do que alguma vez julgaste ser possível. Reside na capacidade que tens para cuidar de alguém muito melhor do que de ti mesma. Reside na capacidade imensurável de querer o melhor a alguém que ainda agora viste e tocaste pela primeira vez.

Ao seres mãe, percebes que nada é mais poderoso do que o amor, do que o aconchego. Percebes que tens mais valor do que alguma vez tiveste. Que és importante, pela primeira vez. És a pessoa mais importante na vida de alguém. De verdade. E para sempre. Já pensaste sobre isso?

Ao seres mãe, percebes que as coisas mais belas da vida não se compram, não se veem. Existem num simples sorriso, numa gargalhada, num abraço oubeijo, numa palavra de amor, num adoro-te ou até num simples obrigada…

Ao seres mãe, percebes que és feliz mesmo quando abdicas de algo que nunca imaginaste ser capaz. Percebes que a tua felicidade se completa quando consegues contribuir para a felicidade do teu pequenino ser.

Ao seres mãe, aprendes tanto e tanto sobre viver, que darias o mundo só para fazer o teu pequenino ser, feliz.

Ao seres mãe… Tantas mudanças surgem. Tantas experiências novas acontecem.

Ao seres mãe… Não queiras ser mais nada. Embora possas continuar a sonhar com tantas outras coisas, ao seres mãe, apenas desfruta. Aproveita cada momento do vosso dia para lhe mostrares qual mãe gostarias que ele recordasse, quando crescesse. Esquece o resto e foca-te no que é importante para vocês.

Ao seres mãe, sê apenas mãe. Porque ser mãe, desse jeito, com tanta entrega, será apenas uma fase. Ao seres mãe, aceita-te como a pessoa mais importante na vida de alguém e age para que sejas capaz de a amar, compreender, respeitar, aceitar e apoiar todos os dias da tua vida.

PS: Ao seres mãe, sê apenas mãe: desliga o telemóvel, desliga as preocupações e desfruta. Absorve a paz que te é emitida e transmite o amor que há dentro de ti, em palavras e ações. Todos os dias, o melhor que fores capaz.



quarta-feira, junho 24

Há 12 anos saí de casa e nunca mais voltei...

Ando há anos para escrever sobre isto.
Perdi a conta à quantidade de vezes que escrevi e apaguei, que escrevi e guardei. Este é dos textos mais difíceis que alguma vez partilhei. Remete a partes da minha história bem sensíveis e sobre os quais não me quero expressar. Mas há algo que gostaria muito de vos contar:

Há 12 anos saí de casa e nunca mais voltei…

Esta é aquela frase que me custa escrever sobre a minha história. É uma frase que define um dos grandes marcos da minha vida. Esta forma de a transmitir pode ser interpretada de diversas formas e isso faz com que não goste muito dela. Mas, de forma bem resumida e racional, foi isso que aconteceu. Não importam os motivos nem o que tudo isso envolveu. Daria uma longa história...

Hoje quero escrever sobre algo muito importante para mim: a escrita. E porquê começar assim, neste ponto sensível da minha história?
Vamos começar pelo início…
Estes dias estive a reunir todos os textos que tenho guardados, que nunca publiquei, mas que sempre julguei que talvez, um dia, fosse publicar. Ainda não aconteceu. Reli alguns, todos os que consegui. E foi tão bom.
Este recordar de textos, de recordar memórias e sentimentos faz-me retornar a tudo aquilo que sempre me acompanhou: as palavras.
Escrever surgiu na minha vida de uma forma muito natural. O entusiasmo por ser capaz de expressar sentimentos e experiências foram o motor de arranque para aquilo que se tornou na minha melhor "terapia". Mesmo sem noção da sua importância e do peso que um dia teria para mim, a escrita tornou-se um vício. Todos precisamos de um escape, de algo que nos obrigue a parar, a repensar. Escrever deu-me, desde sempre, essa possibilidade. A possibilidade de recordar, de sequenciar acontecimentos, de compreender experiências e de as amadurecer dentro de mim. Longe de julgamentos, de interpretações enviesadas, longe de olhares de reprovação, aquilo era meu. Ninguém nos pode julgar por aquilo que sentimos. Os sentimentos são algo muito pessoal, muito nosso. Só nós os compreendemos de verdade. Escrever deu-me a possibilidade de colocar no papel sentimentos que nunca partilhei com mais ninguém. O meu diário tornou-se no meu melhor amigo, o meu diário era o meu maior confidente.

Quando saí de casa previ tantas coisas que poderiam acontecer. Sabia que podia não regressar. Então, pensei em tudo aquilo que queria guardar. Pouco importava o que ficasse. Havia 3 coisas que queria guardar para sempre. Sabia, por ordem, as coisas das quais não queria abdicar: as páginas que registaram a minha história e os meus segredos, as páginas que eternizaram todos os sentimentos que fui capaz de expressar era a primeira. Sou péssima a comunicar verbalmente. Não digam o contrário, sou horrível. Sinto um aperto no peito e uma taquicardia tão grande que o nervosismo paralisa todas as palavras. Mas, se me derem uma página em branco, aí eu sou feliz. Escrevo ao ritmo do pensamento, sem pensar duas vezes, sem voltar atrás, sem correção. As palavras fluem pelo papel da mesma forma que o pensamento surge. É tão mais fácil expressar-me assim.

E falo sobre isto porquê?
Porque perdemos tempo demais a acumular, a desejar isto e aquilo, o que imaginamos, o que vemos e o que nos impingem como necessário.
Mas, na realidade, de todas as coisas que podemos levar da vida, a única que faz falta continuar a acompanhar-nos é a nossa história. Por muito que as fotos retratem momentos, as palavras continuarão a eternizar sentimentos. E são os sentimentos que nos preenchem. São eles que nos fazem sentir, que nos dão vida. Um dia, todos podemos ficar sós, sem nada. Mas a nossa história estará lá, na nossa sombra, para nos acompanhar. Dela não podemos abdicar. Nunca. Por muito que mude, por muitas voltas que a vida possa dar, por muito que gostássemos de apagar uma ou outra coisa, ou de acrescentar um ou outro pormenor, é ela que nos faz ser quem somos. E deixar partes da nossa história escritas é eternizar tudo aquilo que um dia nos possamos esquecer.

Reler tudo o que sentimos anos depois de o descrevemos é algo absolutamente fenomenal. Quando releio páginas da minha história sou capaz de me situar naquele momento e imaginar-me a viver tudo novamente. E este recordar da nossa história é tão bom para nos ajudar a compreender melhor quem somos de verdade.
Posso não ter muito mais do que alguns diários guardados, posso não ter muito mais que me faça recordar sobre o meu passado, de quem fui, de como cresci; mas enquanto tiver possibilidade de montar as peças do puzzle e recordar toda a história, então estarei completa. Então nunca esquecerei porque estou aqui.

Quando saí de casa não levei muito mais do que isso. E pouco mais faria falta. Porque na realidade não precisamos de muito mais para além de nós mesmos. Para aceitar o presente e encarar o futuro só precisamos da experiencia que a vida nos dá, das histórias que carregamos e que podemos contar, dos sentimentos que nos marcaram e que nos deixaram mais fortes ou mais sensíveis.

Posso abdicar de tudo, mas sei que as páginas da minha história continuarão a acompanhar-me. Aqui e online, ou em privado e offline, continuarei a registar tudo o que for capaz. Porque um dia, é apenas isto que quero recordar. Os sentimentos que vivi em cada uma das fases que percorri. São eles que tornam cada parte da nossa história ainda mais inesquecível.
Só desejo que a vida me dê tempo e saúde para continuar a registar.

Todos temos uma história. A minha tem muito valor, é a minha. E tu, dás valor á tua?



segunda-feira, junho 15

As promessas que a vida me fez tomar...


De cada vez que faço mudanças na minha vida, volto atrás e tento reescrever a história. Não no sentido de a mudar, mas com o intuito de a interpretar.
Se há coisas que nos ajudam a perceber cada pedacinho de nós são as mudanças, as aventuras, os dissabores e todos os momentos em que somos colocados à prova. Quantas vezes não duvidaste de ti e voltaste atrás para perceber o porquê disso acontecer? Quantas vezes não quiseste desistir e olhaste para ti e foste capaz?
São tantos os dilemas com que nos deparamos ao longo da vida, tantas alterações na nossa trajetória, tantos imprevistos que afinal até deram certo…

Acredito que nada acontece por acaso e que, se olharmos com muita atenção, seremos capazes de encadear cada peça do nosso puzzle da vida.
Eu tenho algumas ainda por encaixar, algumas que dependem apenas de mim e outras que ainda não sei bem como as posicionar. Mas cada uma delas faz parte de todo o percurso que vivo e vivi.
Uma das coisas que já falei por aqui foi da minha história. Seria tão mais simples fazê-lo se ela tivesse sido bem linear, sem altos e baixos tão abruptos, sem voltas e reviravoltas, sem momentos de extrema aventura e emoção. Mas não. Tinha que ser recheada de contratempos, de desafios, de momentos que me colocaram à prova. Tinha que ser feita de provas à minha resistência e resiliência para eu crescer. E, sabem que mais? Ainda bem! Porque foi com ela que aprendi a apreciar o mundo desde a sua essência, a perceber o valor da vida, que ela não é eterna e que ninguém é de ninguém. Foi a minha história que me tornou, de certa forma, mais “egoísta”, que me ensinou a focar mais em mim, nas minhas coisas e nos meus. Foi a minha história que permitiu crescer. Mas também com ela que nasceram os medos, a insegurança e a vontade de me esconder (esta que tento, com o blog, combater).

Podemos sempre contar a nossa história de várias formas. Podemos contá-la colocando-nos como vítima ou super-herói. Podemos sempre contá-la como gloriosa ou como fatal. Confesso que não gosto de extremos, porque para mim tudo é natural. Se nada acontece por acaso, é a sucessão de acontecimentos que faz com que a nossa história continue de determinada forma, que nós optamos por determinados caminhos e por aí fora… Tudo se vai encaixando e organizando e é isso que torna cada história de vida tão especial.
Apesar disso, tenho consciência de que a minha não é uma história comum, nem tão pouco habitual. Mas é a minha, a que me representa e me ajudou a ser quem sou. Foi com o somatório de cada experiência que jurei para mim mesma que todos os dias tentaria desafiar-me a ser melhor, a lutar para combater tudo o que impede verdadeiramente de viver. Por isso, quando os medos assombram faço um esforço para relembrar "fecha os olhos e vai".

E tu? Quais foram as promessas que a tua vida te fez tomar?



quinta-feira, junho 11

A viagem mais arriscada de sempre!

Há 11 anos atrás, para aproveitar os feriados em Portugal, "metemo-nos os 3 no carro" e rumamos a Madrid.
Poderia ter sido apenas uma viagem no meio de tantas outras, se não estivesse grávida de 38 semanas.

Acho que já partilhei esta aventura por aqui. Mas nesta altura do ano faço sempre uma viagem ao passado.
Se há algo que a idade nos traz são medos, medos, e mais medos. Pelo menos para mim, a idade tem-me feito mal neste sentido.
Hoje, nas mesmas condições, não teria saído de casa assim. Muito menos para ir de carro, numa viagem tão longa, para onde não conhecíamos ninguém.
Mas... Jovens! Jovens e as suas aventuras. É o que vale! Também, se assim não fosse não teria mais uma história para recordar.

Foram 3 dias, vividos sob o calor imenso de Madrid. Não contamos quantos quilómetros percorremos a pé, mas nada melhor do que caminhar para facilitar um parto, não é mesmo?

Foram dias incríveis, que serão para sempre recordados como dos melhores que já vivemos.

Qual foi a maior viagem que fizeram grávidas? Arriscariam numa viagem assim?


quarta-feira, maio 27

Leva contigo todos os sonhos...

- Leva contigo todos os sonhos. Vai sem hesitar, mesmo que a incerteza te queira fazer parar. Em breve, deixarás de precisar tanto de mim, do meu colo, do meu aconchego. Sei que mais depressa do que imagino ou quero, tu estarás pronto para voar. Por ti. Para ti. E eu, eu estarei sempre aqui. Para te apoiar. Para te suportar, para dar coragem e força para continuares. Sei que não nasceste para ser meu para sempre, mesmo que o sejas dentro de mim. E de ti, espero. Ainda hoje te disse que terás sempre o meu apoio para qualquer sonho que desejes viver. 

- Ser mãe também é isto. É dar apoio e suporte, é dar colo e abrigo, é ser o porto seguro, a qualquer hora, em qualquer lugar do mundo. Ser mãe é ter a certeza que vivemos para alguém, que um dia desejará viver por si. Ser mãe é ser entrega, total e incondicional. É ser altruísta e deixar os seus sonhos de lado para suportar os dos seus. É apoiar, mesmo quando custar. É estar lá, mesmo quando doer. Sei que fui escolhida para te guiar. E juro, darei o meu melhor para te orientar. Apenas. Tu terás nas tuas mãos a decisão mais difícil de todas, a de escolher o caminho. 


- É assustador como o tempo voa depressa e, num instante, temos um filho nos braços e, no outro, temos alguém quase do nosso tamanho.
Só quero que sejas feliz. Nada mais. Hoje e sempre. (Assim um desabafo, numa espécie de diário emocional. O mês que antecede o aniversário do Gabriel será sempre o recordar de como tudo começou e aquele momento de aceitação de que tudo vai mudando depressa demais.)



segunda-feira, novembro 4

Para este mês prometi...

Como começou o vosso mês?

Por cá, a cada dia que passa, a adrenalina aumenta. A adrenalina, a força e a vontade de terminar algumas coisinhas, também.
Aprendi a não jurar promessas. Não tem sido fácil cumprir cada uma delas dentro dos prazos que estipulo para mim.
Mas, há algo que este mês prometi a mim mesma: escrever mais e cuidar mais de mim.
O que uma coisa tem a ver com a outra? Tudo!
A escrita ajuda-me a cuidar de quem sou, a manter-me fiel a mim mesma...
Há temas que outrora trazia até cá que me têm deixado muitas saudades. Por isso, nada como tentar recuperar o que nos faz bem, não é mesmo?

E vocês? Traçaram objetivos para este mês?



segunda-feira, julho 8

A vida paralela das redes sociais


Ontem partilhei no instagram que, na minha opinião, as redes sociais devem ser o prolongamento da nossa realidade e não representar uma vida paralela, perfeita, idealista, inspiradora.
Descobri a internet numa altura em que a genuinidade era o maior alicerce de quem criava conteúdo. E foi aí que me apaixonei por este meio.
Desde então, as coisas têm mudado bastante. Apesar de sentir que não posso ser completamente alheia ao que esta “nova realidade” adquiriu, há coisas das quais não abdico nunca: de viver de forma apaixonada pela minha vida. E por isso, há momentos que guardarei sempre para mim, que viverei de forma o mais completa possível. E, por isso, há momentos em que preciso desconectar-me, para poder estar mais próxima da minha realidade.
Não vou sequer explorar os motivos que a tornaram diferente, nem o modo de atuação atual de quem utiliza ou abusa destes meios.
Apenas expor que não acredito que sejamos capazes de viver algo na sua plenitude se estivermos constantemente de telemóvel na mão a partilhar o que está a ser realizado naquele preciso momento. Pelo menos, eu só consigo falar do que vivi de forma consciente depois de ter saído da situação.
É por esse motivo que não tinha partilhado nada sobre a Estrela antes de termos uma conclusão.
Não sou ninguém para dar conselhos, mas experimentem viver um bocadinho de mãos livres e digam se não sentem uma liberdade muito maior e uma paixão, entrega e dedicação muito maior?
Sou uma total obcecada nisto das redes. Das que se partilham pela internet. Mas também das outras, das que nos alimentam no dia-a-dia. Das que se lembram de nós só porque somos a X ou Y.
E para hoje é só. Tinha outras coisas para partilhar convosco hoje, mas foram vários os feedbacks positivos que recebi sobre este “desabafo” que resolvi deixar esta opinião registada.
Só para vos agradecer o feedback e para explicar que este também é um motivo válido para umas paragens. ;)



quarta-feira, abril 3

Se as crianças são o meu espelho, o que gostaria de ver refletido?

E se durante todo o dia estivéssemos a ser observados? Como seria a nossa atitude? De que forma entoariam as nossas palavras? Se pararmos para pensar, quando temos filhos estamos a ser constantemente observados. Tudo o que fazemos, dizemos ou a forma como gerimos as situações são alvo da sua observação. Eles observam-nos mais do que imaginamos. E por isso, as crianças são o nosso reflexo. Elas refletem tudo aquilo que lhes mostramos. Elas refletem as nossas atitudes, as nossas palavras, a forma de falar, a forma de interagir com os outros, com as coisas e com o mundo. Elas são pequenas mas absorvem tudo aquilo que vêm. Elas aprendem a nossa forma de lidar com as situações, sejam boas ou más e até adquirem os nossos gostos por isto ou aquilo. É extremamente importante que não o esqueçamos e todos os dias possamos responder da melhor forma a esta questão: "Se as crianças são o meu espelho, o que gostaria de ver refletido?" pensem nisso. E digam - me o que acham sobre isto...


A imagem pode conter: uma ou mais pessoas

quinta-feira, março 7

Não desistas... #textos

Quando alguém disser que não consegues, não desistas. Mostra que és capaz. Quando alguém duvidar de ti, não desistas. Mostra que és mais do que aquilo que julgam. Quando alguém te disser que não vale a pena, não desistas. Prova que nada é em vão. Quando alguém te disser que é impossível, não desistas. Vai e mostra que foi possível. Mas, não o faças nunca para o mostrar ao outro. Acredita, vai e continua a lutar sempre por ti. Para mostrares a ti mesmo que consegues, que és capaz, que valeu a pena, que foi possível lá chegar. Prova a ti mesmo que não há impossíveis quando se acredita, quando se quer de verdade. Nunca desistas. Nunca. Mas nunca desistas apenas por ti. Porque tu mereces sempre dar uma nova oportunidade a ti mesmo, aos teus sonhos, às tuas ambições, aos teus objetivos. Mostra-te sem medos ou preconceitos, revela o que tens guardado só para ti, prova que és ainda mais forte e especial. Sempre. Para sempre. E se um dia duvidares, eu estarei aqui para te provar que não há nada mais incrível do que acreditar.

A imagem pode conter: 1 pessoa, céu e ar livre

quarta-feira, março 6

Tu viraste o meu mundo do avesso... #textos

Tu viraste o meu mundo do avesso. E foi aí que descobri que o avesso é realmente o melhor lado. Contigo aprendi a ver o mundo numa perspetiva diferente. Deixei de ser o centro das atenções para passares a seres tu, o centro do mundo. Dito assim, pode parecer algo difícil. Mas não, não o é de todo. Porque contigo descobri que às vezes precisamos inverter as prioridades para perceber o que é a felicidade de verdade. Tu vieste para me mostrar que nada surge por acaso, que tudo tem o seu tempo certo para acontecer. Ser mãe jovem é algo que desejo a toda a gente. Ser mãe nova é ter a possibilidade de apreciar a vida antes de tudo o resto. Ser mãe nova ensina-nos a apreciar as pequenas coisas, a sentimo-nos crescer mesmo de sapato raso, a acordar mesmo sem dormir, a fazer em vez de estar, a ser em vez de parecer. Ser mãe nova ensina-nos tantas coisas boas que seria incapaz de as descrever todas. Mas acima de tudo, ser mãe nova ensina-nos a amar alguém mesmo antes de termos aprendido a amar-nos direito. Ser mãe nova ensina-nos o que é o amor de verdade e a construir um novo amor, mais simples, mais descomplicado, por nós e pelo mundo.

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e pessoas a dormirem

terça-feira, outubro 9

Amamentar é uma prova de amor


Amamentar é das maiores provas de amor. Amamentar significa muito mais do que alimentar. Amamentar implica uma dedicação, disponibilidade e entrega completas, que só mesmo uma grande prova de amor é capaz de superar.
Amamentar é das melhores coisas do Mundo. E, tal como todos os paraísos, para lá estar é necessário, muitas vezes, percorrer o deserto. E, percorrer o deserto implica atravessar períodos de sacrifício, de dor, de solidão. Percorrer o deserto implica ficar descalça, muitas vezes, no meio do nada, e mesmo quando a esperança parece terminar, acreditar que podemos ir mais além e procurar o oásis. Amamentar não é um momento. É um processo. É um percurso, repleto de momentos. Dos bons, e dos menos bons. E é preciso ter noção disso. Ouço, muitas vezes, as pessoas queixarem-se de comentários maldosos. As pessoas precisam ter noção de que qualquer comentário pode ferir uma mãe que está numa fase difícil e isso pode condicionar este processo de amor. O que é de um amor sem correspondência? Não sobrevive. E, nós precisamos relembrar o mundo que, se amamentamos em público é porque aquele amor é grande demais para ser apenas nosso. Nós temos orgulho nele. E, como qualquer amor, quando se tem orgulho dele não há medo de o mostrar. Há alegria em partilhá-lo. Há fraqueza, também. Somos mães que amamentam. Somos mães apaixonadas e que acreditam que esta prova de amor um dia nos vai tornar pessoas mais realizadas, porque iremos ter a certeza de que demos tudo o que havia para dar, no momento em que o podíamos fazer. Mesmo quando nos faltarem as forças. E, será nesse momento, que mais precisaremos de mostrar ao Mundo que ainda somos capazes. Que temos orgulho do que fazemos, não só por nós, mas sobretudo por eles.
A semana passada celebrou-se a semana da amamentação, mas queria também deixar a minha lembrança sobre este percurso. Não é o mais simples, mas é o melhor que poderia escolher para a minha filha.



quarta-feira, outubro 3

Ufa, mais um dia chega ao fim... ou ao início?!

Acabou a luta, por agora. Das coisas mais difíceis para mim é não ter filhos que durmam bem. Os primeiros 2 anos do Gabriel foram tão maus que por algum tempo desisti de me deitar para dormir. Era muito menos cansativo se não o fizesse. Na altura estudava, não sei como aguentei. Desta vez, o cenário repete-se. As noites são uma coisa do outro mundo. A Estrela dorme por ciclos e, entre eles passa a noite a chorar, a pedir mama. Para ajudar, há fases em que demora tempos infinitos a adormecer. Só espero que esta fase passe e que ela comece a dormir melhor... Como em tudo na vida, não há pessoas perfeitas. Que o defeito dela só dure 2 anos. Já só faltam 4 meses.. Hei-de lá chegar.

Agora que a noite começa para eles, será que sobra um bocadinho de tempo para mim?
Veremos como corre...