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domingo, 22 de novembro de 2009

Seminário de Consciência Negra da ANEL

seminario-anel A ANEL realiza seu primeiro seminário de consciência negra em Salvador entre 25 e 27 de novembro no Campus I da Universidade Estadual da Bahia.

Saiba mais aqui.

domingo, 4 de novembro de 2007

O que foi cantado no Encontro

I ENCONTRO NACIONAL DE NEGROS E NEGRAS DA CONLUTAS

Animado do início ao fim, o Encontro de Negros e Negras não poderia estar completo se não tivessem as várias palavras-de-ordem cantadas pelos participantes. Abaixo, reproduzimos algumas que dão o tom dessa grande reunião de raça e de classe. E, é certo, a disposição dos cerca de 600 ativistas para continuar essa luta!

Pintura de Candido Portinari“Sou resistente
Eu sou de Luta!
GT de Negros da Conlutas!”

“Sou quilombola
Eu sou de Luta!
To construindo a Conlutas!”

“Eu sou negro, trabalhador!
Declaro guerra ao opressor!”

“Eu não sou miss, nem avião
Minha beleza não tem padrão!”

“Brasil, África, América Central
A luta do negro é internacional!”

“Olê, Olê, Olê Olá,
Contra o racismo e a exploração
Trabalhador vai fazer revolução!”


“Sou negro trabalhador
Movimento unificado pra acabar com o opressor”

“Chega de morte e caveirão
Eu quero teto, saúde e educação!”


Atualizada em 5/11/2007, às 16h45.

PSTU promove debate sobre o Haiti no Encontro

I ENCONTRO NACIONAL DE NEGROS E NEGRAS DA CONLUTAS

Yara Fernandes, direto de São Gonçalo (RJ)

No início da noite de 3 de novembro, após acaloradas discussões nos grupos temáticos do Encontro, o PSTU convidou os participantes para o debate Haiti: a revolução e a luta contra a ocupação. A grande maioria dos delegados ao encontro compareceu.

Na mesa estavam Eduardo Almeida, da direção nacional do PSTU e integrante da caravana da Conlutas que foi ao Haiti em julho, Dayse Oliveira, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU e também parte da caravana, e Wilson Silva, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU.

Edu afirmou que o encontro “dá muito orgulho de ser negro. Este orgulho de ser negro foi também o que sentimos quando fomos ao Haiti, porque conhecemos o Haiti rebelde”. Por outro lado, ele conta que “deu vergonha de ser brasileiro, de ver as bandeiras brasileiras hasteadas nos tanques da ONU”.

Ele contou a história do Haiti. Lembrou que o Haiti é o único país que realizou uma revolução de escravos vitoriosa, que sofreu e resistiu a várias ocupações imperialistas. Desde 1986, quando houve a derrubada da ditadura no país, a burguesia não consegue estabilizar o estado burguês. Por isso, o imperialismo mantém a ocupação do país, liderada pelas tropas brasileiras.

Edu denunciou a situação de colônia do Haiti atualmente, “ocupado militarmente e com um plano econômico brutal imposto”. Falou sobre a Lei HOPE, que é uma espécie de Alca entre EUA e Haiti. Ao final, ele recolocou a necessidade de reforçar a campanha pela retirada das tropas.

Raça e Classe
Wilson falou sobre a importância do Encontro, que também é fruto da reorganização do movimento no Brasil. Disse que “a única forma de lutar de forma conseqüente contra o racismo é lutar contra o sistema que dele se alimenta. A maior revolta das autoridades da época em relação ao Quilombo dos Palmares é que dentro do quilombo tudo era de todos e nada era de ninguém. Esta é a sociedade que queremos”.

Wilson concluiu convidando os presentes ao encontro a virem conhecer o PSTU e sua secretaria de negros e negras, fazerem a experiência com o partido.

Dayse lembrou a participação das mulheres negras nas lutas revolucionárias, como Atetirene, que fundou o Quilombo de Palmares, ou a Revolta da Chibata que teve a participação de mulheres negras empregadas domésticas. “No Haiti, me encantou ver entre os revolucionários a figura de Janith. E ver também hoje a quantidade de mulheres dirigentes no Haiti”.

O PSTU teve participação importante neste encontro. Realizou este debate sobre o Haiti, vendeu muitos jornais, cuja última edição traz matéria sobre o Encontro e cobertura da marcha a Brasília, montou uma banca de materiais, livros, camisetas. Os militantes do partido levaram em suas camisetas o adesivo do PSTU.


Caravana ao Haiti, julho de 2007 / Agência Cromafoto

Rimas da libertação

I ENCONTRO NACIONAL DE NEGROS E NEGRAS DA CONLUTAS

O hip hop marcou presença no Encontro. Dentre as atrações, teve o show com o rapper Gas-PA, militante e fundador do grupo LUTARMADA. O grupo é um movimento de hip hop que reúne vários grupos e artistas. Como disse Gas-PA, o grupo é "um coletivo de trabalho político". Publicamos, abaixo, a letra da Música Rimas da libertação.


Rimas da libertação

Brotando do chão da periferia
A indignação se transforma em poesia
Que desvenda os olhos
E destapa os ouvidos
Pra fatos esquecidos ou que estavam escondidos
Como a guerrilha do Araguaia no regime militar
Pedaço da nossa história que a imprensa não pôde contar
Hass Sobrinho, Osvaldão, Elza Monerat
Quando ouvir nosso som você vai se lembrar
Dos pretos estadunidenses
No instante seguinte
Ao assassinato do pastor Martin Luther King
Vai lembrar do seqüestro do embaixador suíço
Trocado por 70 presos políticos
Dos quartéis, dos presídios direto pro exílio
E no Chile de Allende foram acolhidos
Obra assinada pela VPR de Lamarca, companheiro de Iara Iavelberg
Vai lembrar de Conselheiro defendendo Canudos
E do verdadeiro MR8 de outubro
Dos versos de Gil Scott-Heron e de Zé Ramalho
Esse som reverencia Apolônio de Carvalho
No Brasil e na Europa, exemplo de conduta
Mais de 60 anos dedicados à luta

Revolução! Se liga, sangue bom
Com criatividade e indignação
Revolução! Se liga, sangue bom
Vou rimando e com a rima buscando a libertação

– Abaixo a ditadura
Última frase dita por Zequinha antes de acabarem com a sua vida
Ele morreu por mim, por você, por todos nós
Esse rap é pra fazer ecoar a sua voz
Pra espalhar pro mundo o exemplo da Comuna de Oaxaca
É o poder popular no país de Zapata
Como o povo de Caracas que dos morros descia
E abortava um golpe de Estado que ainda nascia
Imagine só 30 pretos armados
Ocupando a assembléia do Estado
Da Califórnia, pra garantir o direito à autodefesa
Esse som é pra fazer lembrar dos Panteras Pretas
E de Ho Chi Mihn comandando no Vietnã
A guerra de guerrilhas que humilhou o Tio Sam
Esse rap é um resgate, é pra que ninguém se esqueça
De Gregório Bezerra e da Revolta dos Malês, de 2006, dia 8 de março
Laboratório da Aracruz, tudo em pedaços
Lá se foi pro espaço 20 anos de pesquisa
E viva a mulherada da Via Campesina
Revolução! Se liga, sangue bom
Com criatividade e indignação
Revolução! Se liga, sangue bom
Vou rimando e com a rima buscando a libertação

Aliança do balanço com a vontade de mudança
Quem escuta o nosso som raciocina enquanto dança
Quero que esse rap invada as vielas
Ecoando o grito de libertação de Marighella
Que soe em defesa das nossas comunidades
Como Zumbi defendeu o Quilombo dos Palmares
Que invada os lares dos milionários
Como o Movimento Revolucionário Tupac Amaro
Fazendo refém diplomatas do mundo inteiro
Exigindo em troca a liberdade de seus companheiros
Que venha na lembrança atos de rebeldia
Enquanto você dança e ouve a minha poesia
Sobre Les Marrons e a revolta dos escravos
Libertando o Haiti em 1804
Minhas rimas são documentos subversivos
Traduzindo a luta de Banto Steve Biko
A batalha diária do povo palestino
A luta anti-imperialista de Sandino
Que seja o hino da luta anti-capital
Que seja feminino, masculino e plural.

Revolução! Se liga, sangue bom
Com criatividade e indignação
Revolução! Se liga, sangue bom
Vou rimando e com a rima buscando a libertação

Hip Hop está no encontro

I ENCONTRO NACIONAL DE NEGROS E NEGRAS DA CONLUTAS

As noites do encontro foram bastante animadas, com diversas apresentações musicais. E ao lado do samba e do raggae, estava o hip hop. Gas-PA e Mimil formam juntos o grupo O levante, que é parte do Coletivo de hip hop LUTARMADA e apresentou seu rap na primeira noite do Encontro. O CD d’O levante está sendo vendido durante o encontro. Gas-PA falou ao Portal do PSTU sobre seu grupo e sobre a importância do encontro. Leia, abaixo, a entrevista feita por Yara Fernandes.

Portal do PSTU – Qual a importância de participar deste encontro?
Gas-PA –
É a gente estar junto na luta da população preta numa perspectiva classista. No momento em que a parcela majoritária das organizações do povo preto estão atreladas ao poder, rebaixando sua política em função da dependência das instituições do poder, é legal buscar se unir com o pessoal que não tem esse atrelamento.

O que é o coletivo LUTARMADA?
O LUTARMADA não é um grupo de rap, como as pessoas acham. É um grupo de grupos. Eu sou do grupo O levante, mas tem outros grupos, tem o 2-Black, que vai cantar aqui hoje (03/11), tem grafiteiros, DJs. O LUTARMADA é um coletivo de trabalho político.

Fale um pouco sobre as três músicas que vocês cantaram no Encontro.
Bonde da Revolução é um convite para toda a classe trabalhadora, que esteja vendendo ou não sua força de trabalho, e os oprimidos de toda forma, se juntarem para fazer revolução. Cotidiano do desempregado é uma música cantada em primeira pessoa e trata de todos os conflitos, idéias ruins, questionamentos, de quem está excluído do mercado de trabalho. A terceira, Rimas da libertação é o resgate de várias lutas e vários lutadores da história do mundo inteiro.

O que você espera que este encontro tenha como resultado?
Minimamente uma linha unitária de luta, o que seria muito promissor, já que a gente tem aqui muitos militantes de várias regiões do país.

Grupos debateram conjuntura nacional

I ENCONTRO NACIONAL DE NEGROS E NEGRAS DA CONLUTAS

Yara Fernades, direto de São Gonçalo (RJ)

Depois de uma abertura em grande estilo, com apresentações culturais e falas de diversas organizações e entidades, o período da tarde do primeiro dia do Encontro Nacional de Negros e Negras foi reservado para o debate de conjuntura.

Houve um painel inicial, apresentado por Zé Maria de Almeida, que avaliou os ataques do governo dos últimos anos, a traição da CUT e o processo de reorganização que se deu no movimento sindical brasileiro que possibilitou o surgimento da Conlutas.

Depois, as três teses inscritas ao Encontro foram apresentadas. Os delegados já haviam recebido o caderno de teses ao se credenciarem. A tese “Hora de Lutar”, do Coletivo Comunista Internacionalista, foi apresentada por Edmilson, e a tese “Construindo a Conlutas como uma ferramenta de luta revolucionária para o povo negro”, do MTL-RJ, foi apresentada por Julinho.

A tese “Uma luta de raça e classe” foi apresentada por Elias, que ressaltou que “o binômio Raça e Classe não é só para dias de festas, é para ser usado como método de luta contra a exploração e a opressão”.

Após a apresentação das teses, os participantes do evento se dividiram em grupos de discussão, cujo único tema foi conjuntura. Os principais debates foram sobre a relação entre os ataques neoliberais e a situação dos negros e negras trabalhadores.

“Toda a política de reformas, de retirada de direitos, atinge todos os trabalhadores, mas a nós muito mais. A política de Lula não pode atender aos interesses do povo negro e da classe trabalhadora, pois Lula está comprometido com os nossos algozes”, disse Elias.

“Não vamos aceitar o fim do direito de greve. Não vamos aceitar as reformas trabalhista e da Previdência. E não vamos aceitar a chacina do povo negro”, disse Geraldinho, da Oposição Alternativa da Apeoesp, nos grupos de discussão.

No final do primeiro dia de Encontro teve muito samba ao vivo para animar as delegações.

A necessidade de um novo movimento negro

Dayse Oliveira e Wilson Silva, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU

O Encontro está discutindo a conjuntura política e temas como reparações, educação, saúde, a luta contra as reformas, cultura afro-brasileira (religiões, capoeira e arte), mulheres negras, movimentos sem-terra, sem-teto e de comunidades quilombolas, violência e juventude negra. No dia de hoje, 4 de novembro, último dia do encontro, está acontecendo uma plenária em que serão votados o programa e um plano de lutas.

Uma das idéias que será discutida no encontro é a de formar um novo movimento negro, com este conteúdo classista, socialista e de oposição ao governo, que possa disputar concretamente as lutas cotidianas com os movimentos governistas. Algo que, para nós, Negras e Negros do PSTU, pode e deve ser um passo fundamental para apresentar uma perspectiva de raça e classe para o movimento.

Imagens do Encontro de Negros e Negras





Homenagem a Solano Trindade

I ENCONTRO NACIONAL DE NEGROS E NEGRAS DA CONLUTAS

O Encontro é também uma homenagem ao poeta e lutador Solano Trindade, cujo centenário se completa em 2008. Seu filho, Liberto Trindade, não só foi parte da mesa de abertura, como esteve à frente da organização do Encontro, em especial sua parte cultural.

Emocionado, Liberto Trindade falou sobre o marco dos cem anos de nascimento de seu pai. “Ele passou pelo Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, levando seu trabalho, e carregava com ele um monte de amigos, algo que precisamos aprender, para este movimento crescer”. Ele finalizou afirmando que não fala de Solano como filho, mas como admirador.

Encontro reúne cerca de 600 pessoas

I ENCONTRO NACIONAL DE NEGROS E NEGRAS DA CONLUTAS

Abertura animou os participantes, com falas de entidades e organizações presentes, apresentações culturais e homenagem a Solano Trindade. Leia, abaixo, a reportagem de Yara Fernandes, direto de São Gonçalo (RJ), e o que foi dito na abertura do Encontro.

O 1º Encontro Nacional de Negros e Negras da Conlutas teve início na manhã do dia 2 de outubro, sexta-feira, com apresentações culturais, falas emocionadas e animadoras, e superando as expectativas numéricas. Ainda pela manhã, já estavam inscritos 512 delegados, mas estima-se que o evento tenha reunido cerca de 600 pessoas.

Antes de instalar a mesa de abertura, houve uma apresentação cultural, com capoeira e dança, na entrada do evento, que acontece em São Gonçalo (RJ). Depois da apresentação, os artistas conduziram o público até o auditório, onde foi instalada a mesa de abertura, coordenada por Dayse Oliveira.


Entre indígenas, sem-tetos e juventude, das favelas brasileiras ao Haiti
Ciro Garcia falou representando a Conlutas. Ele criticou o governo: “O governo, através de suas reformas neoliberais, pretende deteriorar mais e mais as condições de vida da classe trabalhadora. E a parcela mais afetada por essa política, pelas reformas, pela escassez de verbas para saúde, educação, é a juventude negra do país”. Ele falou também sobre a repressão policial, que atinge, sobretudo, os negros e negras.

Ciro falou ainda sobre a construção da Conlutas no processo de reorganização do movimento no Brasil, e disse que “da mesma forma, é preciso se contrapor aos governistas no movimento negro, é preciso construir um organismo que encaminhe a luta contra a opressão num marco de raça e classe”.

Lucas, da Conlute, criticou o Reuni e a privatização das universidades, citando os atuais movimentos de ocupação que se espalham pelo país. “Querem colocar a juventude negra em vagas precárias nas universidades particulares, dizendo que isso é cota”, denunciou.

A mesa também contou com a participação do líder indígena José Guajajara. “O movimento negro e o movimento indígena estarem juntos aqui é uma honra, porque foram os povos mais massacrados neste país”, afirmou.

Paula, da ocupação sem-teto Pinheirinho, lembrou que a maioria dos ocupados são negros e pobres, e afirmou a necessidade de unir a classe trabalhadora contra a exploração e a opressão: “a gente só consegue mudar esta sociedade burguesa e preconceituosa com a união de brancos e negros”.

Antônio Vieira Andrade, do Movimento das Favelas, disse que “este é um primeiro encontro, mas queremos encontrar a Conlutas nas favelas”.

Fábio falou pelo PSOL que “é inadmissível que o movimento se cale diante da ocupação no Haiti”. “Temos de forjar uma voz pública unitária para homens e mulheres que querem construir uma alternativa real”, finalizou.

Geraldinho, da Oposição Alternativa na Apeoesp, falou em nome do PSTU, lembrando que “o Haiti tem uma grande importância, foi o único povo a fazer uma revolução negra vitoriosa nesse continente”. Ele disse ainda que “a revolução neste país será feita pelos trabalhadores, construída junto e com corte racial, e junto com as mulheres. Isso não é utopia, é necessidade”.

Conlutas promove encontro de Negros e Negras

Dayse Oliveira e Wilson H. da Silva, da Secretaria de Negros e Negras do PSTU

O I Encontro Nacional de Negros e Negras da Conlutas acontece neste fim-de-semana, nos dias 2, 3 e 4 de novembro, em São Gonçalo (RJ). O evento poderá ter uma enorme importância para a reorganização da luta negra no Brasil.

Para o PSTU e, particularmente, para sua Secretaria de Negros e Negras, o Encontro de São Gonçalo pode abrir o caminho para que a luta contra o racismo dê um salto em sua reorganização.

Uma luta anticapitalista
A cooptação da maioria do movimento negro se dá hoje por dois caminhos. O primeiro é o da ideologia de adaptação ao capitalismo, para a geração de uma classe média negra. Para isso, bastaria “estudar”, “conseguir bons empregos” e subir na vida e “chegar lá”. Iniciativas governistas e de ONGs afiliadas pregam a mesma ladainha.

Nas fábricas, busca-se convencer os trabalhadores a “vestir a camisa da empresa”. Entre os negros, prega-se que, agora, vistam o embranquecedor manto do neoliberalismo, através da integração ao sistema. Mas como dizia Malcom X, não existe capitalismo sem racismo. A dura exploração imposta pelo neoliberalismo atinge ainda de forma mais brutal os negros.

Enquanto isso, comunidades quilombolas têm suas terras des­respeitadas, como o da Marambaia, no Rio. E ainda existe uma brutal criminalização da pobreza e da po­pu­lação negra, com cenas lamentáveis de repressão e assassinatos praticados pelas forças policiais do Estado, como no Complexo do Alemão, Vila Cruzeiro e Favela da Coréia.

Por isso, a luta negra é inseparável da luta contra o capitalismo. Não existe uma unidade entre o negro trabalhador e o burguês negro. São os trabalhadores que podem apontar uma solução socialista para todas as formas de opressão, inclusive a racial.

A esquerda socialista deve assumir todas as lutas contra a opressão de forma explícita e inequívoca, sem adiá-la para uma etapa posterior. O movimento negro deve assumir um conteúdo anticapitalista e socialista.

sábado, 3 de novembro de 2007

I Encontro Nacional de Negros e Negras da Conlutas


Teses propõem criação de novo movimento

Por Yara Fernandes, direto de São Gonçalo (RJ)


Na manhã do dia 3 de novembro, a programação do Encontro começou após uma apresentação musical e a declamação de uma poesia de Bertolt Brecht, “Vosso tanque general”. Houve uma segunda mesa com a apresentação das teses, desta vez debatendo o movimento negro e o plano de lutas. A primeira apresentação de teses, com tema de conjuntura, ocorrera no dia anterior à tarde.

Dayse Oliveira apresentou a tese “Uma luta de raça e classe”, iniciando sua fala com a importância do debate sobre reparações. “O Estado tem uma dívida com o povo negro. Todos os trabalhadores são explorados, mas trabalhadores negros são mais explorados ainda. A educação para os trabalhadores é ruim, mas para trabalhadores negros é pior. Por isso a importância da bandeira das reparações para o movimento negro”, disse. Ela ressaltou ainda que “O bolsa família, o Fome Zero, nada disso é reparação, isso é submissão! Reparação tem a ver com cotas, e que cotas queremos. Queremos a negrada nas universidades públicas, não queremos a negrada na privada. Por isso combatemos o Prouni”.

Além de apresentar este e outros pontos da tese, Dayse finalizou propondo a criação de um movimento: “O congresso de negros e negras do Brasil tem a proposta de fundir todos os movimentos em uma nova entidade, sob uma linha governista. Aqui neste encontro, vamos votar um programa de luta, mas como botar isso em prática? É fundamental construir um movimento negro, uma alternativa, que seja socialista, anticapitalista, de oposição ao governo Lula, classista. Queremos construir um movimento para que possamos incidir na luta e dar uma resposta aos trabalhadores negros deste país”.

A tese “Hora de Lutar”, do Coletivo Comunista Internacionalista, foi apresentada por Edmilson. Ele também falou sobre as reparações, afirmando que “o mito da igualdade racial serve para dizer que não tem que ter reparação nenhuma. Além de cotas, é preciso discutir o fim do vestibular. Esta é a melhor forma de lutar por reparações nas universidades. Dizem que não dá para fazer isso, mas é só parar de pagar a dívida que dá”.

Edmilson também defendeu “o armamento e a autodefesa do povo negro. Eu não quero confiar a minha segurança na mão da burguesia”. Com base nisso, defendeu também que a Conlutas envie armas à resistência haitiana à ocupação liderada pelo Brasil no país. “Não estamos dizendo que eles devem construir um movimento armado. Eles é que têm que escolher suas formas de luta. Se eles escolheram, eu tenho que apoiar”. Esta questão é polêmica no evento, pois há diferenças na avaliação das condições objetivas, do que existe de resistência no Haiti hoje. Edmilson também defendeu a criação do movimento negro e disse que é preciso realizar um grande ato no dia 20 de novembro deste ano.

A tese “Construindo a Conlutas como uma ferramenta de luta revolucionária para o povo negro”, do MTL-RJ, foi apresentada por Julinho e Sebastião, que dividiram o tempo disponível para uma apresentação.

Sebastião também ressaltou o tema da autodefesa, dizendo que “se fala muito em autodefesa, mas é preciso aprovar esta autodefesa e ver como aplicar. Queremos que a Conlutas vá para dentro da favela, pra levar este projeto”.

Julinho pegou o gancho da temática da violência, desenvolvendo-o: “A Conlutas também tem que repudiar a lei da redução da maioridade penal. Ela serve para cada vez mais excluir e prender menores que estão por aí sem uma política pública, em especial as crianças negras”.

Após as explanações, teve início o horário de almoço, depois do qual os participantes do Encontro se dividiram nos grupos de discussão temáticos no período da tarde.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Racismo no futebol brasileiro

"O que falta para a seleção é um loirinho. Está parecendo time da África. O Josué? Ele também tem um pé na senzala"
Oscar Aparecido de Godói, no programa no Debate Bola da TV Record, explicando de forma muito "didática" o problema da seleção brasileira no jogo contra o Equador na Copa América de Futebol. A seleção ganhou, mas não fez "bonito" para Godói por ser majoritariamente negra.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

CONLUTAS divulga manifesto de quilombolas de Santa Catarina

O Movimento Negro Unificado, a Associação do Remanescentes de Quilombos São Roque – Praia Grande e a Associação dos Remanescente de Quilombos Campos dos Poli – Fraiburgo, publicou manifesto em defesa da comunidade de Invernada dos Negros em Santa Catarina.

O manifesto esclarece que a terra herdada em 1877 pelos negros libertos e escravizados, foi aos poucos sendo sorrateiramente tomada da comunidade remanescente por grupos empresariais de Santa Catarina. Com a liberação do relatório do INCRA favorável aos legítimos donos, os descendentes dos negros de 1877, deu-se uma articulação envolvendo latifundiários, empresários e políticos da região que resultou em um projeto de decreto legislativo que nega os direitos dos quilombolas e que recebeu inclusive o apoio de Arlindo Chinaglia do PT.

Nos somamos à luta em defesa das terras da Comunidade dos Remanescentes de Quilombos Invernada dos Negros e convocamos a todos os movimentos sociais a fazer o mesmo.

Leia no portal da CONLUTAS:

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Jornalista do Miami Herald publica artigo sobre racismo no Brasil

O artigo chama-se"Racism takes many hues" e é assinado pelo jornalista negro Leonard Pitts Jr. O mesmo foi publicado neste domingo dia 24 e faz parte de um especial do Miami Herald entitulado: "A Rising Voice: Afro-Latin Americans".

Todo o artigo merece destaque, mas um trecho que chama atenção é o que atesta a cultura da desidentificação negra brasileira. O jornalista afirma que "um homem de pele escura que poderia ser automaticamente chamado de negro em qualquer outro lugar tem um vocabulário racial que permite apagar sua origem africana". Ou no original para quem preferir:
"...a dark-skinned man who might automatically be called black elsewhere has a racial vocabulary that allows him to skirt the Africa in his heritage altogether. He can call himself moreno (racially mixed), mestizo (colored) or pardo (medium brown). Anything but "afrodescendente'' (Africa-descended) or negro (black)."
Para quem saca bem o inglês vale ainda ouvir o áudio do jornalista na mesma página da matéria.

Aproveitando o tema: que tal uma visita à página da Secretaria de Negros e Negras do PSTU?

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Pro 13 de maio não passar em branco

O 13 de maio foi ignorado pela grande imprensa nacional, só vindo à tona pelas palavras de um branco europeu, o senhor Ratzinger em sua missa de domingo. O Historiador Mário Maestri, no artigo "13 de maio - a única revolução social do Brasil", faz uma abordagem em um sentido praticamente relegado pelo conjunto dos movimentos negros que expõe a assinatura da princesa dos Bragança, simplesmente como um episódio da luta abolicionista dos últimos anos da escravidão negra no Brasil e que teve como principais protagonistas, não os senhores brancos piedosos, mas negros escravos e libertos. Vale a leitura.

terça-feira, 8 de maio de 2007

A PM é IRRACIONAL

Foto de Keyne Andrade/AE

São Paulo, madrugada de 6 de maio, Show dos Racionais na Virada Cultural. E teve show dos racionais, a periferia é claro marcou presença. A PM como não podia entender a negrada reunida fez exatamente a mesma coisa que sempre faz: partiu pra repressão. E como era muito preto e pobre na praça, utilizou de muuuiiiita repressão, com direito a bombas de gás, balas de borracha e muito cacetete.

O governador José Serra afirmou que "a PM agiu com muito equilibrio". O prefeito após a pancadaria gratuita prometeu um show pela paz na praça da Sé, em repúdio à violência. Agora é tarde para festa.

O conjunto dos movimentos sociais deve exigir a retratação do governador e do seu comparsa Kassab pela brutalidade policial e a imediata punição dos responsáveis por essa pancadaria que não poupou jovens, mulheres e crianças.


VIRADA CULTURAL 2007 - Erro Militar Policial

Leia no portal:

quinta-feira, 29 de março de 2007

"Deveriam estar envergonhados"

Com esse grito, Toyin Agbetu, interrompeu a cerimônia realizada na Abadia de Westminster que comemorava os 200 anos da lei Lei de Abolição do Comércio de Escravos, de William Wilberforce, que instituiu o fim do tráfico negreiro na Inglaterra. Quando o arcebispo Roman William pediu um minuto de silêncio, Toyin tocou uma corneta que era utilizada para advertir a presença de piratas de escravos. O evento contava com a presença da nobreza inglesa e duas centenas de autoridades e "convidados especiais".

Toyin, ainda disparou umas boas declarações sobre a hipocrisia da elite branca inglesa como "Nós, que somos herdeiros do comércio de escravos do passado, temos que enfrentar o fato de que nossa prosperidade histórica foi construída à base dessa atrocidade" e "Aqueles que herdaram as comunidades destroçadas pela escravidão sabem que o sofrimento do presente é resultado de séculos de abuso".

No video abaixo (em inglês), a ativista Jendayi retrata Wilberforce como "Wilberfarce" e acusa os organizadores da comemoração dos 200 anos de estarem promovendo uma "Wilberfest".