Num futuro próximo talvez caia a ficha sobre a existência de uma superprodução cinematográfica da
Miss Marvel. Ou melhor,
Capitã Marvel. Se é que
Carol Danvers assim será chamada em
Captain Marvel (2019). Seria, nas palavras do Rocky,
a bit much.
Ou não, a este ponto?
O trailer é no esquemão
old school: clima, design, dinâmica e mais nada. Ou quase. Uma palhinha de premissa é jogada ali pra servir de guia. Tem lá a influência óbvia da fase
Kelly Sue DeConnick, mas também do 1º run solo da heroína (1977-79) escrito quase inteiramente pelo
Chris Claremont. O que parece ter pesado forte no resultado final - só que não do modo, digamos, normal.
Naquela época, Claremont ainda estava trabalhando o tom da personagem. Não era fácil: ex-
damsel in distress resgatada do esquecimento, ela virou aposta grande da
Marvel da noite pro dia. Disputava com a
distinta concorrente um nicho pop muito específico e carregava uma bandeira de libertação feminista light (ainda eram os anos 70) enquanto tentava agradar os fanboys mais conservadores. No meio disso tudo, o autor buscava emplacar uma origem 2.0.
Em parte, foi um voo bem sucedido, mas no geral bastante turbulento. Carol Danvers mantinha com sua contraparte heróica uma
nauseante relação de dupla personalidade, sofrendo com apagões umas
quatro vezes por edição.
Poor thing
E pior, tinha duas origens operando ao mesmo tempo:
a clássica, da loirinha normalista, oficial da USAF e ex-paquera do
Capitão Mar-Vell que ficou Super - ou
Marvel - após um acidente; no outro, da colunista do Daily Bugle acometida por flashes de memórias suprimidas sobre ser uma
agente militar kree em missão na Terra, spaghettizando assim as raízes do Mar-Vell com a sua própria e criando vários rombos de cronologia no processo.
Não sei se já comentei isso antes, mas a vida de Carol Danvers é um exemplo de tenacidade.
No fim, essa última opção foi descartada sem maiores cerimônias. E, pelo visto no trailer, reaproveitada agora. Talvez tenha sido a ideia certa no tempo errado, afinal.
Acho que eu vi um gatinho
Vamos aguardar o que aprontarão o casal de diretores
Anna Boden e
Ryan Fleck em março do Ano de Nosso Senhor Stan Lee 2019. Até lá vou encostando galantemente e bem devagar nos
bastidores da Capitã.